quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Seus jeans são mais poluentes do que você imagina

O Brasil é o maior produtor de jeans da América Latina e o terceiro maior do mundo. Só em 2012, o país produziu 350 milhões de peças. Mas você sabe quantos litros de água são consumidos para produzir uma única calça? E como são descartados os efluentes utilizados no processo de fabricação?

Para produzir uma única calça são utilizados em média de 3.000 a 10.000 litros de água e todo o processo de tingimento é um dos mais poluentes do planeta, já que os químicos têxteis são descartados sem nenhum critério nos rios dos entornos das fábricas. Hoje, a própria Levi´s recomenda que calças usadas diariamente não sejam lavadas mais de uma vez por mês e outras indústrias já vêm trabalhando e conseguindo reduzir em 95% o consumo de água em toda cadeia produtiva.

Leia a resenha e assista ao documentário RiverBlue acerca da poluição que devastou cidades inteiras na China e na Índia, já que um em cada três pares de jeans vendidos no mundo é produzido na cidade industrial da província de Guangdong.

Solução imediata para o problema: comprar menos, comprar apenas o estritamente necessário e quando comprar, se não for de segunda mão, que seja com origem de procedência. A indústria da moda, além de poluente, é campeã junto com a pecuária em trabalho escravo. Somos nós que financiamos esse flagelo sócio ambiental. Nada é mais elegante do que a gentileza e uma vida justa e melhor para todos.






River Blue – O documentário que denuncia a poluição dos rios pela fabricação de jeans

RiverBlue é um documentário canadense que faz uma viagem ao redor do mundo por via fluvial, tornando-se um dos documentários mais ambiciosos sobre rios já realizado. O documentário mostra toda poluição dos rios causada pelo processo de tingimento de tecidos, lavanderias de jeans e curtumes de couros.

Apresentando pelo famoso conservacionista Mark Angelo, que é um dos maiores expecialistas do mundo sobre rios, o documentário apresenta a triste poluição dos rios nos países asiáticos pelas milhares de fábricas que produzem artigos de moda para alimentar a indústria do fast fashion. Depois as pessoas se perguntam por que os “ETS” não fazem contato conosco.

No documentário, ele e sua equipe filmam algumas das fontes de água mais puras para as mais devastadas do mundo. Esse é o primeiro documentário que explora com profundidade a destruição em nossas vias navegáveis para atender a imensa fabricação de têxteis e curtumes. A equipe do RiverBlue disse que “a indústria de denim servirá como o pior cenário no filme, revelando os casos preocupantes de como podemos mostrar essa pouca atenção para o que a natureza nos deu.”
River Blue mostra a poluição causada pelos cortumes de couro e tingimento de tecodos mas foca principalmente num dos itens de vestuário mais icônicos e versáteis da moda, o jeans. Bilhões de peças jeans são feitas a cada ano e sus produção muitas vezes contamina os rios, lagos e reservatórios.

Mark Angelo apresenta algumas vias navegáveis, como o rio Yamuna na Índia, o Delta do Rio das Pérolas na China, e o Rio Citarum na Indonésia para revelar a poluição venenosa de fabricação de denim, bem como o impacto que essas águas poluídas têm sobre as pessoas que dependem delas. O documentário será lançado este ano veja abaixo o trailer.


RiverBlue - Trailer Two from RiverBlue on Vimeo.



Ao longo dos anos tem havido muita conversa sobre o “fast fashion” em blogs, redes sociais e mídia e seu impacto sobre o meio ambiente e os trabalhadores. A hiper produção de moda barata causa o hiper consumismo de ítens descartáveis, mas não é o consumidor que está pagando por um volume cada vez maior de roupas, mas sim o meio ambiente.

No filme, Orsola de Castro, uma designer de moda ecológica de Londres e co-criadora do movimento Fashion Revolution, comenta que a indústria da moda tem que investir seriamente na “transparência, zero toxicidade e rastreabilidade” e que os consumidores vão exigir saber quem, onde e como as nossas roupas são sendo feitas e se a fabricação de moda está causando um efeito negativo sobre o meio ambiente. As gerações que estão movendo essa mudança são as geraçõs Y e Z como mostrei neste post.

A produção das incônicas calças jeans é muito mais tóxica do que as pessoas acham. Muitas vezes para se chegar aquela lavagem perfeita que as pessoas amam foi preciso várias lavagens químicas intensivas. O documentário entrevista os ativistas do Greenpeace recolhendo amostras da água do rio onde as fábricas de denim despejam seus afluentes químicos e encontraram cinco metais pesados (cádmio, cromo, mercúrio, chumbo e cobre) em 17 de 21 amostras de água e sedimentos retirados do rio que corta Xintang, a cidade chinesa conhecida como a “Capital mundial de fabricação de jeans“.


Um em cada três pares de jeans vendidos no mundo é produzido nesta cidade industrial, na província de Guangdong. À primeira vista, as suas estatísticas de produção são impressionantes: as fábricas produzem 300 milhões de artigos denim por ano, empregando 220.000 pessoas. Cerca de dois terços do denim fabricado na China é produzido em Xintang para 60 marcas estrangeiras diferentes.

Obviamente que concentrar uma produção gigantesca dessas causa enorme poluição, tanto que os moradores se recusam a trabalhar em suas indústrias têxteis. Ativistas na China descobriram nos rios metais pesados como o manganês, que pode ser associado com danos cerebrais.
Eles também encontraram uma grande quantidade de metais pesados que são neurotóxicos, cancerígenos, que perturbam o sistema endócrino causar câncer de diferentes órgãos. Em resumo, uma desgraça. A destruição de seu meio ambiente foi o preço pago pela China para se tornar a “Fábrica do Mundo”.

Muitas vezes é mencionado que a próxima guerra não será travada por causa do petróleo, mas pela água. É uma possibilidade forte pois continuamos a poluir sem parar estragando nosso recursos hídricos. Os rios são como as veias sanguíneas do nosso planeta e não podemos viver sem eles. O planeta morreria se continuarmos a poluir os rios.

A responsabilidade para acabar com esse absurdo é do consumidor que tem a palavra final para exigir uma mudança drástica nos métodos de fabricação têxtil, pois a moda tem impactado negativamente o meio ambiente há décadas. A pressão sobra as marcas de moda tem que ser feita através da mídia social para investirem em novas tecnologias limpas de desintoxicação, que por sua vez teria um efeito positivo sobre a saúde dos rios em muitos lugares do mundo.
Ninguém, na minha opinião, quer comprar de marcas que poluem. Em outro post vou mostrar algumas das tecnologias mais sofisticadas de tingimento têxtil e pigmentos para tornar a fabricação de moda mais sustentável.

Site do documentário River Blue.







A famosa marca de roupas Levi’s lança linha de jeans que consome menos água no processo de fabricação

A empresa afirma ter noção de que não é a redução de água na fabricação de calças jeans que vai acabar com o problema do desperdício de água no mundo. No entanto, entende que se trata de uma boa contribuição. De acordo com a Levi’s®, a quantidade de água investida para se produzir um jeans no modelo tradicional e lavá-lo daria para uma pessoa moradora de um país em desenvolvimento lavar, comer, limpar e beber por quatro dias.

Sabe quantos litros de água usamos, em média, para lavar uma calça jeans? Cerca de 21! E no processo de produção da peça, uma empresa gasta aproximadamente 42 litros de água para tingir, lavar e finalizar o material.

Consciente da popularidade das calças jeans e da necessidade de reduzir o volume de água desperdiçada nesses processos, a Levi’s® desenvolveu um tipo de jeans diferente, o Water
De acordo com a fabricante, o produto em questão reduz o consumo de água gasta na fabricação em 28% por unidade, chegando até a 96% em determinados modelos. Para evitar ao máximo o uso de água na produção, as calças foram desenvolvidas com a adição de resinas, areia, óleos de bebê, entre outros materiais.

Segundo o designer da marca, Carl Chiara, o processo de lavagem normal para a fabricação de um jeans poderia gastar até 151,4 litros de água. Com a nova tecnologia feita em uma máquina de ozônio, basta um copo d’água. Conheça os dez processos de desenvolvimento de acordo com o designer, no vídeo abaixo:

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Estou na Revista dos Vegetarianos de Janeiro





Estou de novo na Revista dos Vegetarianos, tratando basicamente do mesmo assunto de 2011: Cosmetologia natural, vegana e sustentável - mas, dessa vez com enfoque nos desodorantes veganos, biodegradáveis, sem alumínio e com embalagens recicláveis.
A Revista toda é interessante e vale a pena ser comprada, por isso, estou deixando escaneada abaixo apenas a reportagem acerca dos desodorantes onde sou citada. A postagem original daqui do blog, que motivou a Revista a me procurar novamente e onde conto porque adotei o Leite de Magnésia no lugar de antitranspirantes, está igualmente linkada ao final em "Mais informação" junto com outras postagens afins.

Se ainda usa desodorantes convencionais, procure informar-se acerca da toxidade, biodegradabilidade, embalagens recicláveis e testes em animais antes de comprar novamente. Há opções seguras e 100% sustentáveis para todos os bolsos e gostos.

Esclarecendo sempre que tanto eu quanto o blog não somos vegetarianos apesar de eu ter sido vegana por muitos anos, o que curou meu ovário policístico sem qualquer medicação. A experiência aparece descrita na postagem Outras curas e foi um divisor de águas na minha vida que, até hoje, prefiro a qualquer outra, uma alimentação vegana e 100% integral e orgânica (livre de produtos refinados e industrializados).











Mais informação:
O mito da proteína
Fazendo baton em casa
Como funcionam testes em animais
Desodorantes veganos sem alumínio
De cabeça (e de boca) no low-no poo
Como funciona a indústria de cosméticos
Estou no Livro Festa Vegetariana da SVB
Estou na Revista dos Vegetarianos de Julho e Agosto
A polêmica dos cosméticos verdes e um par de dicas do tempo da vovó

sábado, 5 de agosto de 2017

100 empresas são responsáveis por 71% das emissões de gases de efeito estufa do mundo



100 empresas são responsáveis por 71% das emissões de gases de efeito estufa do mundo

Desde 1988, 100 empresas foram responsáveis ​​por 71% das emissões globais de gases de efeito estufa no mundo.
Esses dados provêm de um relatório publicado pelo Carbon Disclosure Project (CDP), uma organização sem fins lucrativos. Com base na rápida expansão da indústria de combustíveis fósseis nos últimos 28 anos, eles publicaram alguns números surpreendentes sobre os principais emissores de carbono do mundo.
As emissões de gases de efeito estufa (GEE) são normalmente avaliadas por país, com China, EUA e Índia figurando como os principais emissores do mundo. Já o novo relatório do CDP tem uma abordagem diferente, rastreando as emissões para empresas específicas.
O relatório baseia-se nas emissões de carbono e metano da atividade industrial por produtores de combustíveis fósseis, representando 923 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono desde 1988, ano em que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas foi estabelecido. Isto é mais de metade de todas as emissões globais de GEE industrial desde o início da Revolução Industrial em 1751, de acordo com o relatório.
O que torna a situação ainda pior é o fato de que apenas 25 empresas produziram mais da metade de todas as emissões industriais no período entre 1988 e 2015.
A principal emissora entre estas é a indústria estatal chinesa de carvão, seguida pela Saudi Aramco. A terceira maior emissora é a russa Gazprom. Já a brasileira Petrobras aparece na 22ª posição.
O objetivo deste relatório é equipar os investidores com uma repartição abrangente das emissões de carbono associadas aos seus laços financeiros na indústria de combustíveis fósseis.
“Isso coloca uma responsabilidade significativa sobre esses investidores por se envolverem com os maiores emissores de carbono e exortá-los a divulgar o risco climático”, disse o diretor técnico do CDP, Pedro Faria.
Tendo esses números disponíveis, podemos ter uma imagem muito mais clara dos principais influenciadores quando se trata de cumprir os objetivos estabelecidos no Acordo de Paris.
“A ação climática não se limita mais à direção dada pelos decisores políticos, é agora um movimento social, comandado por imperativos econômicos e éticos e apoiada por quantidades crescentes de dados”, afirma o relatório.
O relatório também apresenta uma visão para o futuro, descrevendo os principais passos que as empresas podem dar para a transição com sucesso para um modelo de negócios em que as emissões são limitadas.
“Se a tendência na extração de combustível fóssil continuar nos próximos 28 anos como ocorreu nos 28 anteriores, as temperaturas médias globais estarão a caminho de aumentar em torno de 4º C acima dos níveis pré-industriais até o final do século”, apresenta o relatório.
As mudanças resultantes em nosso planeta nos colocariam no caminho certo para um clima que nenhum humano que já viveu tenha experimentado, ameaçando nossa segurança alimentar e tornando regiões inteiras da Terra inadequadas para se viver.
“As empresas de combustíveis fósseis também terão de demonstrar liderança nesta transição”, afirma Faria. “Todos devemos estar conscientes da nossa responsabilidade compartilhada, o que implica aprender com o passado, mas mantendo os olhos no futuro”.
Você pode ver a lista completa das 100 empresas e ler o relatório completo aqui (em inglês).






A crise climática do século 21 foi causada por apenas 90 empresas (incluindo a Petrobrás)?

Emissões de gases pelos carros, desmatamento e queimadas são vistos como alguns dos maiores vilões causadores do aquecimento global. Mas uma nova pesquisa demonstra que os maiores culpados pela crise climática do século 21 são as empresas. Mais especificamente 90 delas, que produziram cerca de dois terços das emissões de gases de efeito estufa desde o alvorecer da era industrial. Entre esses provacadores, constam nomes como Petrobrás, Chevron, Exxon, BP, British Coal Corp, Peabody Energy e BHP Billiton.
A maioria dessas empresas está (ou já esteve) envolvida com produção de petróleo, gás ou carvão – a queima desses combustíveis fósseis intensifica o efeito estufa. Apenas sete empresas não estão envolvidas na área – eram produtoras de cimento.
Metade das emissões estimadas foi produzida nos últimos 25 anos. Nesse período, os governos e corporações já estavam conscientes de que o aumento das emissões de gases provenientes da queima de combustíveis fósseis estava causando uma mudança climática perigosa.
Atualmente, muitas dessas mesmas 90 empresas controlam reservas substanciais de combustíveis fósseis que, se forem queimados, podem colocar o mundo em um risco ainda maior de uma mudança climática alarmante.
As maiores empresas foram responsáveis por uma parcela desproporcional das emissões. Cerca de 30% delas foram produzidas por apenas 20 corporações. Os dados correspondem a oito anos de pesquisa exaustiva da Climate Accountability Institute sobre as emissões de carbono ao longo dos anos e do histórico dos grandes emissores.

Estatais
A lista de empresas conta com 31 companhias estatais, como a Petrobrás, Saudi Aramco (da Arábia Saudita), Gazprom (da Rússia) e Statoil (da Noruega). Nove eram indústrias estatais de produção de carvão em países como China, a antiga União Soviética, Coreia do Norte e Polônia.
Cálculos indicam que as empresas estatais de petróleo da União Soviética lideram as emissões de gases de efeito estufa – cerca de 8,9% do total. A China fica com o segundo lugar, sendo responsável por 8,6% das emissões globais totais. Entre as empresas não governamentais, a ChevronTexaco é líder, tendo liberado 3,5% das emissões de gases de efeito estufa até agora. A empresa é seguida pela Exxon (3,2%) e pela BP (2,5%).
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já alertou que, se continuarmos no ritmo atual de emissão de gases de efeito estufa, o mundo terá apenas mais 30 anos para esgotar sua “cota de carbono” – a quantidade de dióxido de carbono que poderia ser emitida sem entrar na zona de perigo, com aquecimento acima de dois graus Celsius.




A lista do The Guardian com infográfico de destacar: Which companies caused global warming?








A especialista em Mudanças Climáticas e Sequestro de Carbono, da Universidade Positivo (Curitiba), Mônica Pinto, que concedeu entrevista a jornalista Andrea Margon, de Vitória (ES), está preocupada com o impacto da exploração do pré-sal.

Diz ela:
“Para se ter uma ideia do impacto da indústria petrolífera, basta dizer que a Exxon Mobil, a maior companhia do mundo no negócio de petróleo e gás, tem parcela superior na emissão mundial de gases de efeito estufa – com ênfase para o dióxido de carbono – do que a maior parte de países inteiros. Em outros termos, se fosse um país, a companhia seria o sexto maior do planeta em emissões de C02, ultrapassando inclusive nações desenvolvidas como o Canadá e o Reino Unido”.

Já no caso da Petrobras, Mônica Pinto destaca:
“Passando ao caso brasileiro, a Petrobras tem se mostrado razoavelmente atenta à nova ordem. Lançou o Projeto Estratégico Mudança Climática, incorporado a seu Planejamento Estratégico 2020, em que estabelece indicadores, metas e políticas relativos às suas emissões de CO2 e à eficiência energética. Trata-se de um exercício de sensatez porque nenhum país que tenha reservas de petróleo abrirá mão de usá-las. Isso é utópico, ainda mais tendo em vista que o mundo está longe de exterminar a dependência de combustíveis fósseis, que se verifica em maior ou menor grau conforme cada Nação. O que se mostra absolutamente fundamental é investir concretamente nas alternativas viáveis no campo da geração energética renovável, com a urgência que o cenário requer. Sempre digo que se observam hoje avanços no campo da qualidade ambiental, mas não na velocidade desejável, pois a Terra tem pressa”.






De acordo com a Fortune, até o final desta década, a Petrobras deverá desbancar a Exxon Mobil como a maior petrolífera listada em bolsa em termos de receita e produção de petróleo. Para José Sergio Gabrielli, presidente da estatal, ultrapassar a norte-americana não é uma meta, apenas um possível resultado.


“Nós temos muito óleo. Nos próximos quatro ou cinco anos estaremos falando de uma companhia que terá entre 30 bilhões e 35 bilhões de barris em reserva. Ninguém no mundo – nenhuma empresa com ações listadas – possui nada parecido”, declarou Gabrielli à revista.




Já que perguntar não ofende: E em caso de vazamento, há um plano de contingência adequado à dimensão do problema?

Segundo a SOS Mata Atlântica, não. Leia mais no site deles: Plano Nacional contra vazamentos de petróleo não garante segurança da costa




Fonte imagens: UOLRede Nova Escola ClubeFapesp



Sobre corporações em geral:
Quantos escravos trabalham para você?
10 empresas controlam 85% dos alimentos”
Como funciona um programa de compensação ambiental
A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas do mundo

Como funciona uma corporação e como o que você consome, implica nisso 
Greenwashing é isso aí: Ranking das marcas mais verdes do mundo (mas Darwin explica)


Sobre mineração e offshore :
Além do pré-sal
Vazamento de óleo no Golfo do México 
Para entender o vazamento da Chevron no Rio de Janeiro
Como a ação humana aumenta a incidência de terremotos
Lataria e um caminho sem volta: Projeto do pré-sal brasileiro está entre os dez mais 'sujos' do mundo
A Transocean, empresa proprietária da plataforma petrolífera que explodiu e originou uma maré negra no Golfo do México no ano passado, decidiu recompensar os seus dirigentes com aumentos salariais e prêmios, depois de considerar 2010 o seu “melhor ano” em questões de segurança.

Ação humana contribuiu para seca sem precedentes na Amazônia





Seca do Rio Amazonas é mostrada em fotos incríveis
O rio Negro, um dos maiores afluentes do Rio Amazonas, pode ser visto na foto acima em seu menor nível desde 1902, 14 metros abaixo do esperado.

Cerca de 60mil pessoas nas proximidades de Manaus agora passam fome, já que o nível baixo do rio impediu boa parte da pesca e do transporte fluvial. Milhões de peixes mortos também contaminaram as águas que, em alguns trechos do rio, não podem ser consumidas.

A seca é causada pelo El Niño e, normalmente, ocorre apenas uma vez no século. Mas a seca desse ano se iniciou apenas cinco anos depois da última grande seca do Amazonas. O fenômeno se encaixa perfeitamente na previsão de efeitos do aquecimento global.

As secas podem, até mesmo, contribuir para as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa. Na Amazônia, normalmente são absorvidas toneladas de gás carbônico. O problema é que, com a decomposição de árvores e de animais que morrem por causa da seca, ela passa a emitir mais gás do que absorver.
Por exemplo, a seca de 2005 emitiu mais gases do que o Japão e a Europa juntos.

Como você verá nas fotos seguintes, com barcos encalhados muitas comunidades estão dependendo de auxílio exterior para sobreviver.








Ação humana contribuiu para seca sem precedentes na Amazônia

Desmatamento e aquecimento provocado pela emissão de CO2 agravaram falta de chuvas na região, diz estudo. Futuras secas podem se tornar mais severas


A ação humana contribuiu para intensificar o período de seca na Amazônia em 2016, que bateu o recorde de pior em 100 anos, mostrou um estudo da Universidade de Connecticut, publicado recentemente na Scientific Reports, da editora da revista Nature.
Entre as secas na região analisadas pelos pesquisadores, de 1983, 1998, 2005,  2010 e 2016, a do ano passado foi a primeira que não pôde ser explicada somente pelo aumento da temperatura da superfície dos oceanos, incluindo mudanças causadas pelo fenômeno do El Niño. Isso "sugere fortemente" que o desmatamento e a mudança climática causados pelo homem contribuíram para tornar a seca ainda mais severa.
"Temperaturas acima do normal da superfície oceânica na região tropical do Pacífico e no Atlântico foram os principais causadores de secas extremas na América do Sul, mas não explicam a severidade da falta de chuva em 2016 em uma porção substancial da Amazônia e do Nordeste", diz o estudo.
"Isso sugere fortemente uma contribuição potencial de fatores não oceânicos (como mudanças na cobertura da terra e aquecimento por emissões de dióxido de carbono) para a seca de 2016", conclui.
As secas de 2005 e 2010 também foram recordes num período de 100 anos, mas puderam ser melhor previstas pelo modelo dos pesquisadores, que não considerava a contribuição humana, do que a seca de 2016.
Efeitos do desmatamento
Com o aumento do desmatamento, que cresceu quase 30% passado, "futuras secas podem se tornar mais severas e mais frequentes", afirmou uma das autoras do estudo, Guiling Wang à DW Brasil.
O desmatamento agrava períodos de seca porque a perda da cobertura vegetal reduz a transferência de água para a atmosfera, a chamada evapotranspiracão (evaporação do solo somada à transpiração das plantas), resultando em menos chuvas.
Com cada vez mais secas recordes, o que o futuro reserva para a Floresta Amazônica? As secas recorrentes em períodos curtos de tempo afetam a recuperação do ecossistema, o que aumenta o risco de queimadas e mortalidade das árvores. As secas de 2005 e 2010, por exemplo, resultaram em recordes de queimadas e emissões de carbono.
Um fator importante a observar é o chamado "ponto de inflexão" da floresta. "Algumas pesquisas mostram que uma vez que o desmatamento ultrapassa um limite, ele pode sustentar uma forte dinâmica entre vegetação e clima que pode levar a seca e morte da floresta tropical em um período relativamente curto", afirma Wang.
Esse fenômeno seria preocupante não só para a biodiversidade da Amazônia, mas poderia ter impactos sobre a falta de água em outras regiões do país. Cientistas já apontaram que o desmatamento na Amazônia prejudica a rota dos chamados rios voadores, grandes nuvens que levam a umidade para outras regiões do Brasil, incluindo as mais populosas como o Sudeste. 

Seca em Silves (AM) em 2005, um dos anos de estiagem considerados pela pesquisa


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cachambi

"Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos, que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm", Dona Canô, mãe de Caetano e Betânia








Estou mudando do Rio de Janeiro. Por razões profissionais, a partir do próximo mês, minha casa estará em Blumenau, SC.
Eu cresci ouvindo falar do Cachambi, um sub-bairro do Meier no Rio, de onde vem o lado português da família da minha mãe. Minha avó materna, que morou conosco até a minha adolescência, havia crescido e morado nesse bairro do subúrbio até casar com meu avô do meu lado Daemon.








Eu nunca havia ido e, por força dos meus trabalhos voluntários junto às pastorais de bairro, acabei tendo a oportunidade de conhecer a região, da qual gostei muito por sinal. Imagino que nos tempos de solteira de minha falecida avó fosse ainda melhor, menos favelizado e perigoso, mas mesmo nos dias de hoje, quase toda a região ainda mantêm o clima de cidade pequena com suas casas antigas e crianças brincando despreocupadas em ruas muitas vezes sem saída.


Muitas vilas de casas, todas cercadas, seguras, coloridas, familiares e amplas com seus espaços livres. A primeira na Rua Baldraco e a segunda na Ferreira Andrade.






Construções antigas e comércio de bairro, um bar no entroncamento entre duas ruas. Em frente a Rua Cachambi 100. Esse trabalho de fachada é manual e não se faz mais em lugar nenhum. Mas ninguém valoriza e as nossas construções, que deveriam estar sendo tombadas e restauradas, acabam abandonadas e demolidas.




O tradicional colégio Santa Mônica, todo reformado num sobrado do século XIX, Rua Hermínia






Um Ecoponto em frente à Igreja de Nossa Senhora Aparecida, coleta de óleo para aliviar nossos rios subterrâneos que desaguam no mar.







A escola de samba local e cervejas artesanais que eu ainda não conhecia no espaço de uma locadora que promove encontros de música e cineclube, o Espaço Cultural Papa Café, Rua Rocha Pita, "Fora Pezão, a cerveja que o Rio pede" e "Fora Temer, harmoniza com Democracia".  E, até agora, é também o único lugar onde se vende a Conceição Evaristo (em homenagem à escritora negra, nascida na favela, um dos nove filhos de uma empregada doméstica, que tornou-se professora e doutora em letras) da Cervejaria Feminista. Boa!
















Coisas que não se veem todos os dias, lojas que vendem apenas pipas ou fantasias de caipira. Ruas Oito de Setembro e Aristides Caire.









Come-se divinamente no Cachambi, o tradicional restaurante Evandro´s, há mais de 30 anos na Rua Cachambi 315 , serve comida de inspiração portuguesa por menos da metade do preço dos bairros nobres. Essa frigideirinha com uma paella impecável, considerada "prato executivo" por eles, saiu a módicos R$35,00.






O que eu não fotografei e também adorei, a bucólica Pracinha Avaí na Rua Coração de Maria. 
Centro de Treinamento do Team Nogueira de Artes Marciais, presente até em Dubai mas também na Rua Garcia Redondo, e o Instituto Nam Ho Lee de Artes Marciais, Rua Honório. Não estivesse de mudança e teria me matriculado em algum deles. 
A escolinha do Flamengo, também na Rua Honório. 
E claro, um dos melhores bares do Rio de Janeiro, eleito o melhor bar da Zona Norte e muitas vezes finalista do Comida di Buteco, o insubstituível Cachambeer, Rua Cachambi, com seu cardápio muito sincero. Os nomes dos pratos: "Sem creminho" (pastel de camarão e pastel de palmito), "Infarto completo", "Explode cabritão" e "Porquinho embriagado".



A casa dos seus sonhos pode estar no Cachambi pelo valor de um sala e dois quartos nos bairros mais nobres. Todas de meio de terreno com vaga de garagem e árvore no quintal.




A minha casa favorita, praticamente uma floresta no quintal, Um rio represado por muro de pedras corta o terreno. Rua Alvarez Cabral.









Porque um lugar tão bacana, faveliza e perde o clima de interior. Onde vai subir esse residencial para centenas de pessoas se espremerem com direito à "varanda gourmet" e "área de lazer com espaço fitness", existiam dois casarões com árvores no quintal. 





Manter um gabarito, adequar as linhas de trem e metrô, além de levar delegacias aos sub-bairros, faria mais pela urbanização do Rio do que megaeventos, empreendimentos modernosos e UPP´s.
Em todas as minhas muitas idas ao Cachambi, eu não vi nenhum policial ou funcionário da Comlurb nas ruas do bairro.










Mais informação:
O Sul é o meu país
Tapetes de Corpus Christi sustentáveis
Por um Largo do Machado que nós merecemos
Então a sobrinha tetraneta do Major Daemon foi trabalhar e puxar samba na Zona Portuária
"Louvado seja", Encíclica ecológica do Papa Francisco: que mundo queremos deixar para quem vai nos suceder?
Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência
Basta de demolir, Arquitetura da Gentrificação, aumento das passagens, mega eventos, desfavelização virtual, otimização de escolas públicas e onde você entra nessa história toda

Canoagem oceânica





Já conhecia, mas nunca havia praticado. Tive sorte, fui apresentada ao técnico da equipe de canoagem oceânica paraolímpica e olímpica, Ricardo Freitas Maia, e pude praticar em grande estilo.
Para minha felicidade, o percurso foi no meu bairro carioca favorito, Copacabana e assim, pude realizar um antigo sonho, ver o forte do meio do mar e de dentro da água. Incrível.






Ricardo treina pessoas com toda espécie de limitação física, atletas com próteses de membros inteiros e oferece remadas avulsas na Lagoa Rodrigo de Freitas também, o que pode ser mais interessante para quem está começando. Em alto mar, as ondas impressionam.
Um cargueiro carregado de contêineres passou na nossa frente, que não nos assustamos.
Eu trabalhei embarcada, fiz curso de mergulho e já pratiquei natação em mar aberto (na praia de Copa inclusive). Enfim, tenho espírito e encaro. Mas, deparar-se com aquela imensidão de água em cima de uma canoa estreita no meio do oceano sem qualquer visualização do fundo, não é para qualquer um. Tem que gostar muito de água. É mais desafiador do que os passeios de caiaque comuns.






O Ricardo organiza passeios idílicos, remadas em Angra dos Reis e Arraial do Cabo, além da Volta da Ilha Grande, uma remada que contorna uma das maiores ilhas de mar aberto do país. Nunca consegui participar de nenhum, mas recomendo muito, são lugares lindos e que podem ser desfrutados com toda segurança a um preço muito acessível.
 







Fui num sábado e com isso, pude curtir outras delícias do bairro, onde morei em mais de uma ocasião e que é na minha opinião o melhor do Rio para se viver. Sábado é um dia feliz em Copacabana, além de o comércio estar todo aberto, é o dia da feirinha de orgânicos do Bairro Peixoto, da feira de antiguidades do Shopping Cassino Atlântico (um programa imperdível, a moda das feiras europeias de mercado das pulgas), as lojas do Shopping dos Antiquários e o Parque da Chacrinha também estão abertos até pelo menos o meio dia e ao mesmo tempo, também há todo aquele clima de final de semana com as pessoas passeando pelo calçadão.

Junto com a outra moça do grupo comprei blusas em crochê de máquina de um boliviano que vendia suas peças no calçadão. Com receio das implicações sobre trabalho escravo, perguntei a ele como eram feitas e ouvi uma frase inesquecível "Eu sou um homem livre".
Ele mesmo comprava as peças de tecido, costurava e revendia em cima de uma canga na orla. Morador do Pavão-Pavãozinho (favela próxima) não depende de ninguém, aluga seu quitinete e costura  lindas blusas e minivestidos na sua própria máquina. Não fotografei e me arrependo.


A trilha urbana de 1km do Parque da Chacrinha, uma surpresa escondida entre os prédios.



Outras coisas deliciosas em Copa para todos os dias do ano: o sanduba do Cervantes e os sorvetes de bola do Lopes e os picolés da Delícias do Cerrado (fotos abaixo), os tira-gostos da Adega Pérola, a filial da Colombo dentro do Forte, as bandas de bairro no Carnaval, a pastéis do Caranguejo e do Príncipe de Mônaco, os pescadores da pedra do Leme e da Colônia na altura do Posto 6...








Ricardo, Diretor de Canoagem Velocidade (Olimpica) e Paracanoagem (Paralímpica) da Fecaerj, Fundador & Chefe da RJ Kayaks, Atleta no Ministério do Esporte Coordenador e Head Coach da Equipe de Canoagem e Projetos Sociais no Clube de Regatas Boqueirão do Passeio



Na foto, com o uniforme da Comissão Técnica durante as Olimpíadas e seu projeto para patrocinadores de um esporte, que trouxe medalhas, pode ser praticado por todos, de qualquer idade e condição física, e deveria ser mais prestigiado num país com tanta costa e rios navegáveis.
Para colaborar com o projeto, que precisa de patrocínio:
Ricardo Canoagem Freitas Maia
RJ Kaiaks







Mais informação: