terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Fui à Saara e acabei saindo no jornal

Foi assim, estava um calor infernal na última semana do ano e, atrás de uma sombrinha japonesa (provavelmente Made in China) e um chapéu Panamá, resolvi ir à Saara encontrar mais barato.
Não ria de eu ter comprado sombrinha como as senhoras do século XIX, assim que saí da loja e abri a dita cuja, um rapaz negro sem camisa, que trabalha como carregador, parou na minha frente e ficou me encarando boquiaberto. Encarei de volta com cara de poucos amigos achando ser deboche e ele "Onde você comprou? Foi caro?"
Respondi, é claro. Mas morri de pena ao ver que ele tem a mesma ocupação de seus antepassados escravos e no mesmo local, os sobrados coloniais do centro antigo do Rio. Trabalha seminu e sem direitos, os negros continuam sendo a carne mais barata do mercado.
Minutos depois, no primeiro sinal da Senhor dos Passos, parada esperando abrir, a sombrinha cumpriu nova função social, a moça esperando ao meu lado, abrigou-se debaixo como fazemos com guarda chuvas em dias de temporal. E também perguntou onde encontrar, saiu apressada e zonza com o sol inclemente.

Eu gosto muito da Saara, confesso que não morro de amores pelas lojas de 1,99 e de ambulantes vendendo tanta quinquilharia plástica, mas adoro o comércio tradicional e o clima de mercado aberto. Então, vou sempre mais ou menos nos mesmos lugares e nem tomo conhecimento das bugigangas.
Dessa vez, encontrei jornalistas do Jornal O Dia que, ao me verem de chapéu de malandro, óculos escuros de aviador e sombrinha de gueixa comprando uma bolsa de palha praiana, pediram para me entrevistar para uma reportagem sobre como os cariocas estão contornando o calorão.


O trecho da reportagem de O Dia onde fui entrevistada: Venda de ventiladores chega a triplicar por causa do calor
A professora Carolina Daemon, de 41 anos, foi ao Saara para comprar chapéu de palha e sombrinha japonesa para proteger do sol. “Tenho até ido a praia à noite para evitar a exposição”, revela ela. 







Como essa postagem não se propõe a ser um guia de compras da Saara, até por ser um blog sobre sustentabilidade que acredita no consumo consciente e propõe que compremos cada vez menos, deixo aqui as minhas experiências desse dia específico, que foi ótimo como muitos outros.
Você pode encontrar na web muitos blogs e sites com guias de compras da Saara, blogueiras enlouquecidas com a lojinha que vende o "olho grego mais barato do Rio", "as mais variadas luminárias balinesas", "batinhas indianas pela metade do preço da praia", "artesanato peruano", etc. Mas sinceramente, eu espero que você não precise de nada disso, até porque nada vem de Bali, da Índia, da Grécia ou seja lá de onde for. 



O que eu bebo para matar a sede: água de coco direto na fruta e os refrescos de carrinhos populares. R$1,00, R$2,00 e R$3,00 cada copo dependendo do tamanho. Compro 3 copos de 200ml a um real em cada sabor para provar de tudo e bebo do mesmo copo para não gerar mais lixo.





Onde eu fui: Centro de Arte Hélio Oiticica (Luis de Camões), Igreja do Santíssimo Sacramento da Antiga Sé (Av. Passos), Real Gabinete Português de Leitura  (Praça Tiradentes), Centro Carioca de Design (Praça Tiradentes), Casa Pedro empório a granel (Regente Feijó), Grupo Kaká de artigos de camping e pesca (Gonçalves Ledo), Mercearia Estação Central de artigos orientais para casa (Regente Feijó), Mestre dos Filtros para talhas, moringas e antigos filtros de barro e cerâmica pintados a mão (Regente Feijó) e Império das Pelúcias para tudo que parece animal mas é sintético (Rua da Conceição).
Mas não deixe de entrar em todos os sebos, são muitos e todos bons.







O que eu trouxe na bolsa:

Pão folha (um pão árabe mais molinho): vira pizza de sardinha sem queijo (com molho de tomate, cebola e azeite, pode levar azeitona e ovo cozido também), pizza Marguerita com muzzarela de búfala, azeite, orégano seco e muito manjericão fresco ou a sobremesa, wrap de banana com canela.









As bananas passa e castanhas de caju para carregar na bolsa compradas a granel em grande quantidade pelo preço do pacotinho do supermercado.





Bolsa de palha nova, chapéu Panamá novo e a famosa sombrinha "japonesa" em duas cores, azul (aberta) e verde (fechada dentro da bolsa)







Minha antiga bolsa de palha do Bazar Feliz (Rua Regente Feijó), que já apareceu aqui na postagem sobre as bobinas de cabo do Cais do Porto da minha casa antiga.





Você encontra lugares incríveis para comer em toda a Saara, para todos os bolsos e gostos. 
Os árabes são os mais recomendados e é uma especialidade local. São todos muito bons e tradicionais, com suas porções fartas e serviço impecável. 
A Charutaria Syria (Sr. dos Passos) é um ambiente lindo, centenário e que serve um ótimo café, boa pedida para depois do almoço mais pesado.
Geralmente, eu vou no único restaurante vegetariano de lá, o Reino Vegetal (Luís de Camões) e muita gente tem recomendado o Jóia Bebida Fast Food Chinês (Regente Feijó), uma lanchonete chinesa de raiz - o oposto das pastelarias comuns - serve lanches típicos como guiozas, omeletes chinesas e sobremesas em leite de soja aromatizado, tudo fresco e feito na hora. 
Dessa vez, por causa do calorão, fiquei no prato de verão, uma mania carioca. É um prato de frutas frescas com frios, geralmente uma fatia de presunto e outra de queijo, que pode ser prato ou Minas.
Não fotografei, a casa de sucos onde almocei estava entupida de gente, mas a foto abaixo do site de um bar de Copacabana mostra exatamente como vem. Muito prático, os estabelecimentos já deixam pronto na vitrine coberto por plástico filme e você pode comer de pé com a barriga no balcão gelado.





A Gentil Carioca, da foto que inicia a postagem, é uma galeria de artes localizada à Gonçalves Ledo. Não fui, estava fechada, mas a plaquinha na porta é uma graça.




Mais informação:
Boteco, o filme
Compras a granel
Morro da Conceição
Guia Slow Food para cariocas
Comprando orgânico, local e justo na Tijuca
Por um Largo do Machado que nós merecemos
Mais restaurantes slow para a correria do Centro do Rio
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
Almoçando slow na correria do Centro: Vegetariano Metamorfose, Confeitaria Colombo e Bistrô Coccinelle

Mina de ardósia abandonada no País de Gales foi transformada no primeiro Parque de Trampolins subterrâneo do mundo


Um dos assuntos do qual eu mais gosto aqui no blog é a reciclagem de edificações antigas. Mas não havia ainda nenhum exemplo de reaproveitamento urbano de minas abandonadas.
Toda forma de mineração, incluindo offshore, constitui o processo industrial mais poluidor inventado pelo homem. Não existe mineração sustentável, até porque o recurso natural não é renovável.

O impacto ambiental resultante dos processos mineratórios não pode ser revertido por nenhum programa de compensação ambiental e às populações locais sobram problemas sociais, econômicos e ambientais que provavelmente se arrastarão por décadas.

O exemplo da mina de ardósia abandonada no País de Gales, que foi transformada no primeiro Parque de Trampolins subterrâneo do mundo, não é a justificativa para começarmos a cavar minas, mas pode ser uma forma de reaproveitar a estrutura abandonada, trazer novos empregos à economia sucateada daquela região (que provavelmente vivia da mineração antes de a fonte secar) e o mais importante, conscientizar as futuras gerações sobre aquele processo industrial específico.






As fotos e imagens em vídeo dessa postagem são de uma mina de ardósia abandonada no País de Gales, após sua transformação no primeiro Parque de Trampolins subterrâneo do mundo.
É um programa para toda família e tornou-se item obrigatório da lista de #MustGo de qualquer aventureiro, mas não é nada recomendado para pessoas claustrofóbicas.
Localizada no Llechwedd Slate Caverns, oferece seis enormes trampolins que são escalados em diferentes alturas. Cada trampolim comporta dezenas de pessoas e pode comportar até uma rave!
Aberto para crianças a partir de sete anos, oferece também uma atração que permite a visita de crianças de três a seis anos.




















Fontes: Inhabitots e Ibtimes





Mais informação:
Como funciona a mineração no Brasil

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sempre alerta



Eu não tive filhos, mas vejo nas redes sociais uma grande discussão sobre a novidade da escola de princesas e os cursos de desprincesamento para meninas criados em resposta, ambos diametralmente opostos e gerando discussões ferrenhas com ânimos exaltados.
Não conheço nenhum dos dois cursos, tampouco o novo grupo de meninas da Igreja Universal com aulas e atividades específicas que, segundo os organizadores, opera milagres nas vidinhas de suas discípulas. Nada contra, nada a favor.

Mas eu conheço uma Organização para meninos e meninas de todas as idades, classes sociais, credos e nacionalidades basicamente gratuita e alicerçada em valores extremamente conservadores, mas nem por isso menos válidos, ou talvez justamente por isso, que se mantém há 100 anos com uma tradição sem qualquer escândalo: Escotismo (e claro, Bandeirantes).
Porque é possível ser conservador e não ser boçal, como também é mais do que viável criar meninos e meninas em pé de igualdade sem agredir os tradicionalistas

Uma das minhas muitas frustrações na vida foi nunca ter sido escoteira, conheci alguns chefes de grupo já adulta e cheguei a ajudar voluntariamente os dois grupos de Escoteiros do Mar de minha cidade em Festas Juninas, no Morro Azul no Flamengo e no Clube Piraquê na Lagoa.
Guardo as experiências com muito carinho e de outros eventos, lembro de ter lidado com as crianças mais educadas, prestativas e obedientes que já conheci.

Como acompanho as páginas escoteiras no Facebook, pude ver que o Escotismo, assim como Bandeirantes, só agrega valores positivos para qualquer pessoa, que continuará escoteira pelo resto de sua vida, pois estimula a participação dos pais, engajamento em atividades sociais, voluntárias e esportivas, assim como a construção de valores como honestidade, liderança, altruísmo, lealdade, disciplina e respeito às diferenças.
Em muitos países, onde conflitos armados são uma realidade, o Escotismo funciona como a única opção às crianças fora das milícias. Aqui mesmo no Brasil, há grupos escoteiros funcionando normalmente dentro de comunidades e claro, todos os seus membros tiveram um destino muito melhor do que os vizinhos aliciados pelo tráfico.
Mesmo em configurações sociais perfeitas, saber que seu filho está passando o dia ativo e em segurança no Grupo Escoteiro é muito melhor do que tentar convencê-lo a largar o celular ou qualquer game dentro de um apartamento.

Quando do deslizamento de encostas na Região Serrana em 2010, uma tragédia que vitimou mais de mil pessoas e segue impune até hoje, passei todo o período na Sede da Cruz Vermelha do Rio de Janeiro ajudando a separar e carregar fardos de donativos, como já havia colaborado quando do deslizamento do Morro do Bumba, igualmente impune. Ambas as experiências foram tão fortes em generosidade e humildade, que fiz questão de registrar aqui no blog.
Em todos os dias, pudemos contar com a colaboração alegre e incansável de diversos grupos escoteiros devidamente uniformizados.
Anos depois, presenciei escoteiros colaborarem voluntariamente em ocasiões e situações tão distintas quanto casamentos coletivos comunitários e maratonas urbanas pelo câncer. Sempre alertas.

Particularmente acredito que o Escotismo seja a melhor opção para qualquer criança em qualquer circunstância. Infelizmente as realidades familiares estão cada vez mais complicadas e a presença de figuras de autoridade e proteção em acampamentos, regatas e atividades voluntárias sempre de viés comunitário podem ser fundamentais para uma criança em formação, que muitas vezes não terá nenhuma outra referência na própria família ou escola.
Um dos meus melhores amigos não teve praticamente contato com seu pai na infância e adolescência, sua figura paterna foi o Sensei (mestre) de judô - um sujeito realmente fora de série, que retirou outros jovens das drogas e continua sendo um líder até hoje. Influenciou muitos conhecidos meus e, graças à boa influência dele, todos esses rapazes tornaram-se bons profissionais, maridos e pais, além de chegarem à faixa preta, é claro.
Como nem sempre é possível ter a mesma sorte, o Escotismo garante contatos e vínculos por toda uma vida em todo o mundo, já que promove atividades e formação para todas as idades.





Texto retirado do site dos Escoteiros do Brasil:
São bastante comuns os relatos de pais ou professores que percebem mudanças significativas no comportamento das crianças, adolescentes e jovens. Por meio das atividades que exigem concentração e esforço, de ações comunitárias e de um conjunto de valores que envolvem a lealdade, cortesia e educação, desenvolvemos a autonomia, a integração social, além do conceito de cidadania. Crianças e jovens inseguros ou tímidos acabam conquistando mais autoconfiança por meio desses estímulos emocionais e físicos.
Nossa intenção é proporcionar um ambiente de colaboração, onde se constroem amizades e valores levados por toda a vida. É por meio das atividades oferecidas que os jovens se desenvolvem, sendo incentivados a assumir liderança, a pensar e agir de maneira coletiva e sustentável, a se envolver com a comunidade, afim de tornarem-se independentes de forma responsável.
Prezamos o respeito, incentivando uma cultura de paz para que, assim, possamos entregar pessoas melhores à comunidade.




Mas você quer que sua princesinha encontre um príncipe encantado e seja muito glamourosa, o mais parecida possível com Kate Middleton...  Só observe que a princesa mais badalada do mundo faz mais do que usar vestidos caros e lançar moda. Dá uma olhada nas histórias abaixo e veja se o Escotismo (ou Bandeirantes) não é uma opção muito melhor, mais sadia para qualquer criança e mais barata para o seu bolso (é você quem paga, não a princesinha).
E não custa lembrar que a avó do Príncipe (que não é encantado, mas piloto de caças pela Força Aérea de seu país), a atual Rainha, é exímia mecânica e motorista de caminhões, trabalhou ativamente como voluntária nas frentes de batalha durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de coroada, casou-se e teve muitos filhos como manda a tradição, mas de todos, o único medalhista olímpico, foi a única filha mulher do clã, tia desse Príncipe.

Duchess of Cambridge qualifies as advanced diver (Duquesa de Cambridge qualifica-se como mergulhadora avançada)

How deep is your love: Kate Middleton gets advanced diving certification just like William (Quão profundo é o amor: Kate Middleton obtém qualificação avançada de mergulho exatamente como William





E quem sabe, dentro de um ambiente tão plural e ao mesmo tempo sólido como o Escotismo, não seja possível que sua filha até encontre seu príncipe encantado, se isso for o que ela realmente quiser para si mesma.
Mas, o mais importante, nossas meninas vão ter finalmente aprendido que existem mais opções do que ser só uma princesinha (do papai e do marido) e que, na verdade elas nem precisam de nada disso.

O que eu mais gosto na história abaixo, de um casal de escoteiros há mais de 50 anos na ativa: a mocinha já tinha posição de destaque no grupo enquanto ele, apesar de mais velho, apenas iniciava (o que deve ter obrigado esse rapaz a pedir autorização dela para algumas atividades) e o que ele reparou primeiro nela, a responsabilidade.

No Facebook, Elmer Pessoa com Lenita Pessoa: HOJE É UM DIA MUITO FELIZ! (curtido até agora por 459 pessoas)

Completa neste dia 70 anos de vida e com 55 anos de Escotismo! Lenita, uma esposa p/ toda vida! Não precisei de outra... Um feliz casamento de 47 anos c/ duas filhas e um casal de netos e mais dois a caminho! Pode existir alguém tão feliz quanto eu, mas, mais feliz, não existe! Estamos ficando velhos juntos? Não. Velhos não, pois o que é velho joga-se fora! Estamos ficando idosos juntos, dia a dia, vivendo a plenitude da vida. Continuamos trabalhando juntos, voluntários ativos e admito que seja eu quem dá o maior trabalho para ela...
Lenita continua sendo a minha garotinha, a mesma que começamos a namorar, ela c/ 15 aninhos e mesmo assim, já responsável, sendo Akelá do meu Grupo Escoteiro, isso em 1960! Vivemos duas vidas juntos: a vida familiar e a vida escoteira e, se Deus nos permitir, seguiremos estas duas trilhas por mais algum tempo.
Faria tudo de novo, se fosse possível repetir, talvez c/ mais capricho ainda, pois Lenita merece cada vez mais, o amor que sempre dediquei a ela! E, não se preocupem c/ os 70 anos... Ela tira de “letra”!
Lenita, eu te amo!






Mais sobre Escotismo, história e valores, no Wikipedia:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Escotismo
Bandeirantes, Instituição irmã que aceita meninos e meninas:  http://www.bandeirantes.org.br/

Todas as fotos de crianças e adultos escoteiros foram retiradas das páginas públicas sobre Escotismo, as da família real britânica, das reportagens linkadas. A minha favorita é a das escoteiras de tiara de princesa com o homem mais poderoso do planeta, um presidente negro, tido como bom marido e pai de mulheres independentes que, conhecido pelo bom humor e informalidade, topou colocar uma tiara também.



Mais informação:
Para brincar
A Sinfônica do Lixão
Festas Juninas sustentáveis
Por uma infância sustentável
Lancheiras e marmitas saudáveis
Tippi, a filha de fotógrafos criada na África
Os 10 mandamentos do mergulhador consciente
Carta aberta dos Bombeiros do Rio de Janeiro à população
No interior do RN, Exército inaugura primeiro poço artesiano que funciona a energia solar

Porque devemos reduzir o consumo de camarão





Porque devemos reduzir o consumo de camarão


O camarão é uma das comidas mais apreciadas em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, cada pessoa come, em média, quatro quilos de camarão por ano, e não é preciso ser-se um especialista na matéria para perceber que esta tendência é insustentável e tem consequências ecológicas devastadoras.Os camarões que acabam nos nossos pratos podem sair de um estado selvagem ou cativeiro.
A técnica de criar camarões em viveiros, carcinicultura, baseia-se na manutenção do crustáceo em piscinas, no litoral, locais onde a maré pode passar e levar o lixo para o mar. Há também viveiros que são preparados com doses muito altas de produtos químicos, como diesel, sendo que os camarões recebem pesticidas, antibióticos e soda cáustica.
Por outro lado, os produtores de camarão já destruíram 38% dos manguezais do mundo, para criar todo o tipo de viveiros – aqui, os danos são permanentes. Quando a produção termina, estes manguezais não voltam ao ponto inicial, tornando-se terrenos baldios. Um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, concluiu mesmo que a carcinicultura tornou algumas áreas do Bangladesh inabitáveis, causando uma grave crise ambiental.
Para pescar o camarão selvagem, os pescadores utilizam traineiras de águas profundas, um método conhecido como pesca de arrasto – a técnica faz com que as redes pesquem entre dois a nove quilos de outras espécies de peixes para cada quilo de camarão. Para além do crustáceo, assim, são também pescados tubarões, raias, estrelas-do-mar ou tartarugas marinhas.
A pesca de arrasto representa apenas 2% do mercado mundial de camarão, mas é responsável por mais de um terço das pescas acidentais do mundo, sendo uma das maiores ameaçadas globais ao ecossistema marinho.


Saiba por que é uma boa ideia parar de comer camarão 

O camarão faz parte da alimentação de milhares de pessoas pelo mundo. Somente nos Estados Unidos, cada americano come, em média, 4 quilos de camarão por ano. O problema é que, por mais saboroso que esse crustáceo seja, o processo de industrialização dos camarões tem consequências ecológicas devastadoras.


As informações são do portal TreeHugger. Segundo o site, o camarão que vai para o seu prato pode sair do seu estado selvagem ou de um cativeiro. Mas nenhuma das opções é boa para o meio ambiente


Carcinicultura é o nome da técnica de criação de camarões em viveiros. Segundo Jill Richardson, esse camarão é mantido em tanques no litoral. 

Na Índia, esses viveiros são preparados com doses altíssimas de produtos químicos, como ureia e diesel, conforme relata Taras Grescoe em seu livro Bottomfeeder: How to Eat Ethically in a World of Vanishing Seafood. Os camarões criados por lá recebem pesticidas, antibióticos e até soda cáustica. 

Os produtores de camarão já destruíram 38% dos manguezais do mundo para criar esse tipo de viveiro. E o dano é permanente. Quando a produção termina, os manguezais não voltam a ser como antes, e o entorno vira um terreno baldio. Segundo um estudo feito pela Universidade de Yale (EUA), a carcinicultura tonou algumas áreas de Bangladesh inabitáveis, causando uma crise ecológica. 

O camarão selvagem também não parecer ser uma boa opção. Richardson afirma que para pescar o crustáceo, os pescadores usam frequentemente traineiras de águas profundas. Esse método é conhecido como pesca de arrasto, pois as redes em forma de saco são puxadas a uma velocidade que permite que os peixes e crustáceos sejam retidos.  

Essa captura acidental inclui tubarões, arraias, estrelas do mar, tartarugas marinhas, entre outras espécies. Apesar de a pesca de arrasto representar apenas 2% do mercado mundial de camarão, é responsável ​​por mais de um terço das pescas acidentais do mundo. 




RISCOS SÓCIO-AMBIENTAIS AO LONGO DA ZONA COSTEIRA


Antonio Jeovah de Andrade MEIRELES
Prof. Dr. do Departamento de Geografia
Universidade Federal do Ceará – UFC
Departamento de Geografia, Bloco 911, Fortaleza/CE


Carcinicultura
            O IBAMA (2005) realizou o mais completo estudo sobre os impactos ambientais da carcinicultura no Estado do Ceará. As 245 fazendas de camarão, com uma área total de 6.069,97 hectares, foram visitadas para a definição de aproximadamente 39 indicadores diretos de impactos ambientais. 
            Verificou-se que do total das fazendas licenciadas pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente SEMACE,  84,1%  impactaram diretamente o ecossistema manguezal (fauna e flora do mangue, apicum e salgado); 25,3% promoveram o desmatamento do carnaubal e 13,9% ocuparam áreas antes destinadas a outros cultivos agrícolas de subsistência. No rio Jaguaribe, 44,2% das piscinas de camarão foram construídas interferindo diretamente no ecossistema manguezal e 63,6% promoveram danos de elevada magnitude a um dos mais importantes carnaubais de nossas bacias hidrográficas. Dados mais assustadores ainda foram definidos nos estuários dos rios Pirangi, Acaraú, Coreaú e Timonha, com 89, 5%,  96,9%, 90,9% e 100% respectivamente, com as atividades de criação de camarão dentro do ecossistema manguezal (nos rios Acaraú, Coreaú e Timonha, 78,1%, 72,7% e 81,8% respectivamente, provocaram desmatamentos da vegetação de mangue). 
            A grande maioria dos empreendimentos proporcionou a disseminação  espécies exóticas, pois não contavam com mecanismos de segurança eficientes para evitar a invasão de uma espécie de camarão (Litopenaeus vannamei) estranha aos manguezais do Brasil. Definiu-se que somente 21,6% dispunham de licença correspondente à sua fase de implantação e dentro da validade. Nas  fazendas abandonadas, os diques continuam como nas em operação, inviabilizando as reações ambientais que dão sustentação à diversidade de fauna e flora do manguezal e dos demais ecossistemas das bacias hidrográficas. Verificou-se também que 77% das fazendas de camarão não contam com bacias de sedimentação (lançam diretamente seus efluentes na água dos rios, lagoas e estuários), o que vem a confirmar os elevados danos ambientais já definidos por pesquisadores das Universidades, representantes de Comitês de Bacias, ambientalistas e comunidades tradicionais (pescadores, agricultores, índios e marisqueiras). Com tais níveis de insustentabilidade ambiental, 67,9% dos criatórios foram acometidos por enfermidades (63% no litoral leste e 90% no oeste), provocando a morte dos camarões e a provável contaminação de outros organismos nativos. 
            Liberar investimentos sob a alegativa de que vai gerar empregos, considerada a mais forte argumentação dos empreendedores, não será mais justificativa, pois foi definido índice de até 3,20 vezes menor em média (empregos diretos observado na totalidade das fazendas) do que o divulgado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão ABCC (2004). No rio Acaraú, por exemplo, foi definido um índice 6,3 vezes menor do que o propalado pelos carcinicultores. Quando a SEMACE libera as fazendas de camarão, através de pareceres técnicos que orientaram o Conselho Estadual de Meio Ambiente COEMA, dentro do ecossistema manguezal (apicum e salgado) e demais unidades de preservação permanente (áreas úmidas, mata ciliar e carnaubal), está cometendo um grave dano socioambiental. A Resolução 02/2002, que orienta a carcinicultura no Ceará deverá ser completamente revista e suspenso os licenciamentos. 
            Nas terras indígenas Tremembé de Almofala e de São José e Buriti, as fazendas de camarão desmataram o ecossistema manguezal e a mata ciliar. Utilizou um sistema lacustre de usufruto da comunidade indígena extinguindo uma importante fonte de alimento. Danos sócio-ambientais e culturais de elevada magnitude. 
            Verificaram-se impactos de elevada magnitude relacionados com a salinização do aqüífero. Ao longo do estuário do rio Jaguaribe, comunidades de pescadores como Cumbe e Porto do Céu,  tiveram seus mananciais subterrâneos salinizados. Evidenciaram-se problemas desta natureza também nos estuários dos rios Pirangi e Acaraú. 
            Constatou-se que esta atividade levou em conta unicamente os custos de mercado, em detrimento dos danos ambientais, ecológicos, culturais e à biodiversidade. Comunidades foram expulsas de suas atividades tradicionais, índios estão em grave perigo de perda de suas bases alimentar e cultura, pescadores foram torturados, ameaçados de morte e impedidos de pescar. Agora resta exigir a paralisação das atividades, recuperação das áreas degradadas e, definitivamente, levar em conta os lamentos dos povos do mar e seus motivos para preservar ecossistemas que irão sustentar a qualidade de vida das futuras gerações.

Os principais danos ambientais relacionados com a carcinicultura foram (IBAMA, 2005; Meireles 2004; Araújo e Araújo, 2004; GT-Carcinicultura, 2004; Cassola et al., 2004; Meireles e Vicente da Silva, 2003; BIOMA/NEMA, 2002; Tupinambá, 2002; Coelho Jr. e Schaeffer-Novelli, 2000): desmatamento do manguezal, da mata ciliar o do carnaubal; extinção de setores de apicum; soterramento de gamboas e canais de maré; bloqueio do fluxo das marés; contaminação da água por efluentes dos viveiros e das fazendas de larva e pós-larva; salinização do aqüífero;  impermeabilização do solo associado ao ecossistema manguezal, ao carnaubal e á mata ciliar; erosão dos taludes, dos  diques e dos canais de abastecimento e de deságüe; empreendimentos sem bacias de sedimentação; fuga de camarão exótico para ambientes fluviais e fluviomarinhos; redução e extinção de  habitates de numerosas espécies; extinção de áreas de mariscagem, pesca e captura de caranguejos; disseminação de doenças (crustáceos); expulsão de marisqueiras, pescadores e   catadores  de caranguejo de suas áreas de trabalho; dificultar e/ou impedir acesso ao estuário e ao manguezal; exclusão das comunidades tradicionais no planejamento participativo; doenças respiratórias e óbitos com a utilização do metabissulfito; pressão para compra de terras; desconhecimento do número exato de fazendas de camarão; inexistência de manejo; não definição dos impactos cumulativos e biodiversidade ameaçada. 








Site Oficial MPF/RN: MPF/RN se posiciona contra projeto de lei que libera carcinicultura em áreas de mangue


Procuradores já enviaram, junto com Ibama, documento ao governo com razões para veto e pedido de criação de um grupo de trabalho
O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN) é contrário ao Projeto de Lei 63/2015, aprovado na Assembleia Legislativa e que qualifica a criação de camarão (carcinicultura) como atividade agrossilvipastoril, permitindo que seja desenvolvida mesmo em áreas de proteção ambiental permanente, como os manguezais.
Para o MPF, a proposta, além de inconstitucional, trará danos ao meio ambiente e à sustentabilidade da região costeira do Rio Grande do Norte. Diversas ONGs e instituições já se posicionaram contra o PL 63/2015, incluindo entidades como o Ibama e a Comissão de Direito Ambiental da OAB. O Projeto de Lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa no dia 16 de julho, com apenas um voto contrário, e seguiu para sanção ou veto do governador Robinson Faria. 
A proposta permite a realização da atividade de criação de camarão em ecossistemas ambientalmente frágeis, como os mangues, considerados áreas de proteção permanente pelo Código Florestal Brasileiro e que servem como berçário da vida aquática.
Razões para veto - Em documento enviado ao governador Robinson Faria e à Consultoria Geral do Estado, os procuradores da República Clarisier Azevedo, Victor Mariz e Victor Queiroga - bem como o superintendente do Ibama, Luiz Eduardo Bonilha - apontam a clara inconstitucionalidade do projeto de lei, que viola trechos dos artigos 22, 23, 24 e 225 da Constituição Federal, além dos artigos 150 e 152 da Constituição do Estado.
As duas instituições lembram ainda que uma possível sanção causará insegurança jurídica, gerando demandas judiciais com o objetivo de anular possíveis licenciamentos que se baseiem na nova legislação. Isso resultaria, ao final, em desocupações de áreas e na perda de investimentos públicos e privados, que poderiam ter sido destinados a locais onde a atividade é legalmente permitida.
Ibama e MPF sugerem a formação de um grupo de trabalho interdisciplinar para regular de forma adequada e sustentável a atividade de carcinicultura no Rio Grande do Norte. A sugestão é que o grupo seja composto de técnicos, produtores, cientistas, representantes de classes profissionais, órgãos públicos de fomento e controle da atividade, representantes do Estado, OAB, ONGs e membros do Ministério Público.
O Projeto de Lei 063/2015, além de violar a legislação ambiental brasileira, fere vários tratados, convenções e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, dentre os quais o Tratado de Ramsar.


Cartilha da SVB sobre carne e sustentabilidade: Um fato emblemático que revela a inconsequência da produção industrial de carne: em 1960, um grande tsunami atingiu a costa de Bangladesh. Apesar dos prejuízos materiais, não houve uma única perda humana. No entanto, vários milhares de pessoas morreram quando um tsunami de magnitude similar arrasou a mesma área, em 1991. Por que a diferença? Neste meio tempo, os imensos manguezais, que davam proteção natural àquela região, foram devastados para dar lugar a inúmeras fazendas industriais de carnicicultura (criação de camarões em cativeiro).


Para armar os tanques e cercados (das fazendas aquáticas de pescados e frutos do mar), já se eliminou metade dos manguezais da Terra, pelo menos um terço dos brasileiros. Incrivelmente, a taxa de destruição do mangues já é maior do que as florestas tropicais. O mangue é um ecossistema tão frágil quanto importante em termos de biodiversidade e segurança contra inundações e tempestades. A falta da barreira natural de mangues que cobria, originalmente grande parte do sudeste asiático e da Indonésia é uma das principais causas do número exorbitante de mortes e prejuízos por ocasião do tsunami de 2004.









Fonte imagens: Tribuna do NorteJunkfoodunmaskSlow Food Brasil, Greenpeace





Mais informação:
Guia Slow Fish Brasil
Você ainda come salmão?
Como sobreviver a um Tsunami
De onde vem o atum da latinha?
Indústria pesqueira x pesca artesanal 
Símbolo do RJ, boto sumirá das praias até 2050
Ressacas marinhas são um fenômeno natural, previsível e contornável
DO QUE A PESCA DE ARRASTO É CAPAZ: AS TONINHAS DE PERUÍBE PRECISAM DE NOSSA AJUDA
Tubalhau, o bacalhau de tubarão protegido por lei e pescado em Fernando de Noronha
Parques de Energia Eólica, Conflitos e Injustiças Ambientais na Zona Costeira - Carta das comunidades e organizações da sociedade civil   


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei

O móvel mais sustentável é o que já existe, não existe madeira mais sustentável do que a que já foi extraída e pode ser reaproveitada. Nenhum programa de reflorestamento reproduz as condições de uma floresta nativa e qualquer programa de reflorestamento e manejo consome mais água do que reaproveitar o móvel velho que foi da vovó ou estava largado na calçada.

O reflorestamento de eucalipto é um mito, o eucalipto que não é sequer nativo do Brasil, consome pelo menos 30lts diários em seu processo de crescimento, não alimenta as espécies nativas da fauna brasileira e transforma áreas cultiváveis inicialmente em desertos verdes e a longo prazo, em vastas extensões desertificadas com solo erodido e lençóis freáticos desgastados.

Se pensou em móveis de madeira de demolição, esqueça!
Os móveis de madeira de demolição tradicionalmente à venda são um engodo para enganar os incautos. Raciocine comigo, se a madeira de demolição é obtida a partir da demolição de edificações antigas, o mundo deve ter vindo abaixo e nós não vimos tamanha a oferta desses móveis a preços populares. Pior, se a suposta madeira de demolição foi obtida a partir da demolição de uma casa, essa madeira só poderia estar em um lugar: nas vigas, ou nos telhados na pior das hipóteses.
E madeira de viga é pesada, é a coluna de sustentação da casa. Se o móvel levinho em estilo balinês (ou colonial mineiro repaginado) foi praticamente o preço do mdf, não é madeira de demolição. Haja casa antiga para demolir!

Outro erro comum é pintar tudo, vivemos essa fase do móvel colorido ao estilo dos cenários de teatro infantil. Cômodas roxas coexistindo pacificamente com cadeiras vermelho cereja e mesas para 10 pessoas em amarelo canário. Particularmente não gosto.
Cada década tem sua safra de cafonice, nos anos 80 foram os móveis laqueados à chinesa, nos 90 a onipresença da pátina, na primeira década do milênio (os anos 00), vimos tudo virar branco como na Provence e agora (os anos 10), o multicolorido de Alice no País das Maravilhas.
Não gosto nada, até porque esconde a beleza da madeira, seus veios e rajados naturais. Madeira de lei é caro porque é de boa qualidade, é madeira que cupim não rói como se diz. E bem tratado fica lindo. Atente que os grandes marceneiros e designers de madeira não chegam nem perto de um pincel de pátina. Ninguém mandaria laquear um móvel assinado ou em madeira de lei herdado de casa de fazenda porque, quando aquela moda passar, e vai passar como todas, para raspar e voltar ao original é quase impossível.
Se chegou numa loja que só vende móveis de demolição levinhos e tudo pintadinho, fique certo que nada ali é em madeira de boa qualidade, nem veio de demolição alguma, a pintura serve principalmente para esconder as falhas e a má qualidade da matéria prima. Observe que nessas lojas de decoração, qualquer rack turquesa (ou coral), apesar de imenso, é bem levinho e desmontável - sinal de madeira inferior.
O próprio consumo excessivo de tinta, um derivado de petróleo, é insustentável por definição. E as latas nem reciclam, o que gera outro problema.



Das coisas feitas em oficina de marcenaria





Está na moda fazer oficinas de marcenaria. Não sou de modismos, mas como gosto muito do assunto, fui em frente. Valeu a pena, em um dia de trabalho, faz-se uma banqueta charmosa como a da foto. Aqui em casa, por ser de uma madeira inferior como o pinus. foi pintada de amarelo, cor que também está na moda. Fosse em jacarandá ou vinhático e não virava banquinho nem levaria tinta, é claro. Quem der a sorte de pegar uma peça com a "falha" da foto, pode ficar só no verniz, vai ficar ainda mais bonito. Eu não dei essa sorte e fui de amarelão.





Escolhi o pessoal da Oficina SA por muitas vantagens, além do marido de uma conhecida ter feito e gostado, o galpão deles é a 5 minutos de caminhada da minha casa na Praça da Bandeira, à Travessa Soledade. Eu adorei o lugar, onde antes funcionava uma oficina mecânica, a roldana servia para içar o motor dos carros.




Essas janelas antigas lindas foram encontradas pelo pessoal da Oficina numa caçamba de lixo. Pegaram o que iria virar entulho no aterro sanitário, reformaram e virou a parede de vidro do jirau com iluminação e ventilação natural. Um charme.
A escada também foi toda feita por eles, detalhe do corrimão garimpado em feira de antiquariato.








Do que foi garimpado no Centro de Triagem da Comlurb

A companhia de limpeza pública carioca mantém um galpão na Praça da Bandeira, à Rua Teixeira Soares. Tudo o que eles acreditam ter um destino melhor do que o aterro sanitário, é posto à venda. Como passo sempre na porta, encontrei preciosidades em três visitas e lamento não ter levado outras coisas.

O que levei em períodos distintos:

A cadeira de design italiano, assinada Way Design. Estava um lixo, mas foi só lixar e pintar com tinta preta fosca na pistola. No pincel ficou uma porcaria, na pistola deu certo. Por R$20,00. Eu me refiro a ela como "a cadeira do Batman".



O florão de cabeceira de cama em madeira maciça. Amei essa peça de cara, estava bem na entrada do galpão. Era pesadíssima e um dos catadores trouxe em sua carroça por R$20,00. Não souberam dizer de qual madeira se tratava, pela minha pouca experiência parece cerejeira.
Fiquei pensando no que fazer com ela e os blogs de decoração foram a inspiração. Um zelador de prédio vizinho serrou as bases e laterais com seu tico tico por R$50,00. A cozinha do meu apto antigo ficou só serragem, mas deu para limpar em um dia. Depois, eu lixei as bordas e pintei tudo de azulão com rolete simples por cima do verniz mesmo. Eu queria deixar no verniz mais escuro, para ficar com cara de mogno, mas estava com muitas falhas e um galãozinho de acrílico azul royal com meio de branco e um quarto de verde folha (todos de resto das artimanhas que já andaram por aqui) deram conta. Tudo saiu a R$150,00










Já pintado na cozinha da casa anterior à atual, quando morei em cima de um brechó e antiquário no Maracanã. Eu gosto muito dessa peça como falsa cabeceira de cama, apoiado numa base de alvenaria. Já pendurei na parede e não achei tão bonito, escorado ficou mais interessante, mas não tenho mais foto, fica para a próxima.











A vitrolinha antiga de pé de palito sintonizando "ondas curtas, longas e tropicais". Essa foi a peça mais cara, os catadores cobraram R$200,00 na época. Falaram grosso comigo "A Globo entra aqui e paga até R$500,00 para colocar na minissérie". Como havia gostado muito e sabia ser mais caro por aí, levei. Foto de outro apartamento antigo, dessa vez com vista para o Colégio Militar, aqui na Tijuca. Depois, essa vitrolinha seria vendida no comércio informal da Rua do Lavradio, quando fui morar no Flamengo e precisei vender todos os meus móveis e comprar novos em função da disposição dos cômodos. Arrependo-me da decisão em relação a essa vitrolinha, é um móvel muito prático que não ocupa espaço algum e é multifuncional - serve até como base para impressora, além de tocar LP´s e sintonizar rádio. A antiga postagem sobre estantes sustentáveis a partir de reaproveitamento traz um exemplo lindo com uma vitrolinha dessas, projetada por um designer premiado: A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes).






Das coisas herdadas:





A mesinha ao lado, hoje restaurada e pintada, foi presente de uma amiga, e apareceu aos pedaços na postagem antiga Comendo a ração que vende - parte 08: os móveis de Angela Freitas
Ainda não havia aparecido aqui reformada, o restauro foi feito pelo pessoal do Brechó do Casarão, aqui na Tijuca. Virou um porta talher-guardanapo em estilo provençal na minha cozinha atual.






















Das coisas que eu achei na rua

As bobinas e caixotes abaixo já estavam nas antigas postagens Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina e Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira quando morei em cima desse brechó-antiquário no Maracanã.
Eu gosto muito de bobinas, tinha outras sem pintura em minha casa antiga, ambas imensas, mas como essas eram menores e estavam em pior estado, pintei e não me arrependi.
A bobina pequena e pintada é um móvel muito versátil, como pallets e caixotes, todos feitos da madeira mais ordinária possível, justamente por serem descartáveis. Pintar ajuda a manter essa madeira, que exposta à condições normais, apodreceria.











Mais informação:
O mito do reflorestamento de eucalipto
A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes)
A casa sustentável é mais barata - parte 04 (ecotintas)
"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
A casa sustentável é mais barata - parte 03 (material de demolição)
A casa sustentável é mais barata - parte 01 (básico de sobrevivência)
Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina
A casa sustentável é mais barata - parte 19 (construções com portas e janelas)
Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira
Apresentando um catador da Amazônia ao restaurador de São Cristóvão e morando em cima de um antiquário e brechó no Maracanã