terça-feira, 26 de julho de 2016

Essa Copa-Olimpíada é o fim, parte 12: o canguru da Vila Olímpica

"Não precisamos de cangurus, precisamos de encanadores para dar conta dos vários lagos que encontramos nos apartamentos", diz Austrália a prefeito, Jornal do Brasil

Australianos reclamam de instalações na Vila Olímpica: "Não é segura"
Chefe da delegação do país explica que há problemas eletricidade, encanamento e gás, e que atletas vão se hospedar em locais próximos até resolução de problemas
A Vila Olímpica dos Jogos Rio 2016 abriu as portas às delegações na manhã deste domingo. E a primeira polêmica não demorou a aparecer. Em nota oficial, a Austrália, que deveria estar com os atletas hospedados no local desde o dia 21 de julho, comunicou que a mudança ainda não aconteceu por conta de problemas nas instalações. A chefe da delegação do país, Kitty Chiller, informou que há problemas de "gás, eletricidade e encanamento" e que "nenhum membro da equipe australiana vai passar para o edifício afetado". Ela prometeu reavaliar a situação ainda nesta noite, mas salientou que os problemas já se estendem há mais de uma semana e outras delegações enfrentam as mesmas dificuldades. Por ora, os atletas do país estão hospedados em hotéis perto da Vila.
Todo mundo reclamou. Há mais prédios assim. Os mais críticos são os da Austrália, o da Nova Zelândia e o do Brasil. O problema é limpeza, mas há também problema de vazamento.
Obra está em fase de acabamento e menos de 50% dos apartamentos foram vendidos.
- Por mais de uma semana até agora, a equipe da Austrália tem trabalhado longas horas para deixar nossa parte da Vila Olímpica pronta para os nossos atletas. Os problemas incluem sanitários bloqueados, vazamento de tubulações, fiação exposta, escadas escuras onde não há iluminação instalada e pisos sujos que precisam de uma limpeza pesada. Em áreas de operação, há água caindo do teto, formando poças em torno de cabos e fios no chão. Nós levantamos nossas preocupações em uma conversa diária com o Comitê Organizador e o COI. Nós não estamos sozinhos, os nossos amigos da Grã Bretanha, Nova Zelândia e outros estão experimentando os mesmos problemas em seus alojamentos (...) Era para termos no mudado para a Vila desde o dia 21 de julho, mas nós estamos vivendo em hotéis próximos porque a Vila simplesmente não é segura nem está pronta - escreveu a chefe da delegação australiana, que vai conceder entrevista coletiva na Vila ainda esta tarde.
Diretor de comunicação do Comitê Rio 2016, Mário Andrada admitiu os problemas e disse acreditar que eles estejam totalmente resolvidos até a próxima quinta-feira: - É coisa de prédio novo, mas não devia ter acontecido. São algumas coisas elétricas e alguns vazamentos. Estamos com 500 homens trabalhando à noite. Temos um plano bem sofisticado para fazer todos os prédios. Estamos dando a última “pegada” em todos os apartamentos. A gente acha que acaba tudo até quarta-feira, no mais tardar quinta pela manhã vai estar tudo ok.

No último sábado, a equipe do comitê australiano realizou alguns testes de "estresse", utilizando diversas torneiras e sanitários simultaneamente nos apartamentos em vários andares. E, segundo a nota oficial, o sistema falhou. Foi percebido que água desceu pelas paredes e foi sentido um forte cheiro de gás em alguns dos apartamentos, além de ter causado um curto circuito na parte elétrica. 
Segundo Chiller, os australianos tem pressionado a cada dia para a resolução dos problemas na vila. Os funcionários do comitê do país seguem trabalhando para que tudo esteja pronto para receber os atletas. Ela ainda pontuou que para um sucesso do time da Austrália nos Jogos é preciso o funcionamento pleno nas partes de transporte, na alimentação e também na vila olímpica. Apesar das reclamações, ela agradeceu os esforços do Comitê Organizador e do COI.
- Há muito trabalho a ser feito na Vila Olímpica e nós agradecemos os esforços do COI do Comitê Organizador do Rio em forçar a resolução rapidamente e resolver os problemas.


Atletas da Suécia apontam problemas e deixam Vila Olímpica da Rio 2016
O gerente da delegação sueca nos Jogos Olímpicos Rio 2016, Peter Reinebo, disse que a Vila Olímpica do Rio não está pronta. Segundo publicou hoje (26) o jornal sueco Expressen, o representante do país escandinavo afirmou que há problemas com água, eletricidade e esgoto nos alojamentos dos atletas.
No último domingo (24), jornais noticiaram que o time sueco de futebol feminino preferiu se hospedar em um hotel, em vez da Vila Olímpica. Hoje, outros atletas da Suécia embarcaram em táxis, com suas malas, e foram para hotéis.
A delegação australiana já havia se recusado a ficar na Vila Olímpica justamente por problemas como os informados por Peter Reinebo. Ontem, o Comitê Organizador Rio 2016 comprometeu-se a deixar a vila “impecável” até o próximo final de semana.

Irritados, atletas estrangeiros bancam obras na Vila Olímpica após não suportarem cocô
Cheiro de esgoto, inundação e até falta de luz expulsam atletas de Vila. Os gringos se irritaram. O Rio de Janeiro bem que tentou esconder, mas os problemas com a Vila Olímpica recém inaugurada fez com que as delegações de vários países tomassem providências. Holanda, Itália e Estados Unidos decidiram fazer uma "vaquinha" e pagar funcionários por conta própria para corrigir os inúmeros erros no local. Eles estão realizando pequenas obras nos apartamentos, que depois da Olimpíada serão vendidos. A vila foi inaugurada oficialmente neste domingo, 24. A Austrália foi mais radical, decidiu que não tinha que pagar por nada e pegou tudo o que era dela e levou para o hotel. Comenta-se que em alguns locais o cheiro de esgoto e de cocô são muito fortes, mostrando que o saneamento do local não foi tão bem elaborado. 
De acordo com a Folha de São Paulo, o Comitê que organiza a Rio-2016 admite que abrirá as dependência da Vila com alguns problemas, mas que esses seriam resolvidos ao longo do tempo. A ex-atleta Janete é uma espécie de prefeita da cidade olímpica. Ela deu uma entrevista ao vivo ao 'Esporte Espetacular' explicando que os problemas acontecem agora porque tudo está sendo usado de uma vez, mas que as instalações passaram por testes. A equipe da Austrália negou e disse que encontrou até inundações dentro dos apartamentos. O comitê australiano disse que pode atrasar a chegada dos atletas ao Brasil ou até alocá-los em hotéis. Algo parecido já havia acontecido com a equipe da Alemanha, que praticamente reconstruiu um hotel no Brasil após inúmeros problemas encontrados. 
Enquanto isso, as delegações da Holanda, Itália e Estados Unidos decidiram deixar seus atletas mais confortáveis. Eles tiveram que contratar funcionários até para colocar lâmpadas, limpar os locais e corrigir canos. Os valores não foram divulgados. O comitê confirma que as delegações fizeram as obras, mas preferiu não comentar a empreitada. Na internet, o assunto virou piada. "Tá se repetindo igual a Copa do Mundo, onde a Alemanha construiu o próprio Hotel lá na Bahia. Brasil não aprende mesmo né véi!! E ainda se mete com grandes eventos!! Chega de passar vergonha", disse um internauta. 

5 vezes mais cara que o previsto, Vila Olímpica do Rio promete padrão mais alto da história
O uso da Vila Olímpica de 2016 vai custar cinco vezes mais do que o previsto no dossiê de candidatura, mas a promessa é de instalações de alto padrão para as delegações, em um nível nunca visto anteriormente na história dos Jogos. Com 80% das obras concluídas, a Vila dos Atletas do Rio de Janeiro está em fase adiantada de construção e tem alguns prédios que precisam apenas da parte do acabamento para serem concluídos.
Em visita às obras, a reportagem do ESPN.com.br pôde observar detalhes da estrutura que será oferecida aos atletas, desde os apartamentos até as áreas de lazer. O condomínio localizado na região da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, chamado de "Ilha Pura", está sendo construído em uma área do terreno de 206 mil metros quadrados, onde estão sendo erguidos 31 prédios residenciais, divididos em sete condomínios, com 3.604 apartamentos, de dois, três e quatro quartos.
Além disso, o espaço conta com parques, academias, salas de cinema, piscinas, saunas, quadras esportivas, lagos artificiais. O projeto tem capacidade para abrigar 17.950 atletas e paratletas, treinadores e fisioterapeutas durante os Jogos.
Para tudo isso estar à disposição dos atletas no próximo ano, no entanto, o Comitê Organizador do Rio 2016 terá de desembolsar R$ 254,9 milhões, valor atualizado em 2014 e cinco vezes mais caro que os R$ 51 milhões previstos no dossiê finalizado em 2008.
"A grande supresa para os atletas será o fato de ser um conceito diferente das Olimpíadas anteriores. A proposta usual sempre foi fazer a Vila como um alojamento, uma coisa simples, como se fosse uma habitação popular, que depois vira um legado para o Estado vender de forma subsidiada para pessoas que necessitam de moradia. Aqui no Rio, foi dada a sugestão de oferecer uma Vila em uma localização melhor, perto do Parque Olímpico, com apartamentos mais confortáveis, condomínio estruturado, perto da praia e da lagoa, para as delegações verem aquilo que é o Rio. Não fazia sentido colocar a Vila na periferia", afirmou Maurício Cruz, porta-voz do condomínio "Ilha Pura".
"Foi oferecida uma Vila de forma diferente, de alto padrão. Essa será a grande surpresa para os atletas que já conhecem outras Vilas. Não tem nem comparação, é muito superior em relação às outras, inclusive a de Londres", acrescentou, lembrando que em outras cidades as Vilas foram construídas em bairros menos valorizados e que se revitalizaram após a Olimpíada.

Crise econômica reduz venda de imóveis na Vila Olímpica
O empresário Henrique Sá, de 40 anos, se encaixa perfeitamente neste perfil de investidor. O sonho de comprar um apartamento da Vila dos Atletas veio junto com o anúncio do Rio como cidade-sede dos Jogos Olímpicos. Mas a prudência acabou falando mais alto. 
“Fiquei um pouco cabreiro de colocar tudo o que juntei neste apartamento. Mas agora já estou refazendo as contas para dar entrada num imóvel que vai virar cartão postal da cidade”, conta Henrique Sá. O sonho, no entanto, não é barato. Os apartamentos mais “modestos”, com dois quartos e 78 metros quadrados, não saem por menos de R$ 650 mil. Para a cobertura de 450 metros quadrados (4 quartos), os interessados terão de desembolsar uma fortuna: R$ 4 milhões.
E não tem pechincha. A confiança da construtora é tão grande em vender todas as unidades que o preço não baixou. A corrida por um imóvel na Vila dos Atletas, pelo visto, começou de fato. Apesar da crise.
Corretores negam fantasma da Vila do Pan 
Distante cerca de 8km da Vila dos Atletas, o “maldição” da Vila Panamericana não assusta os corretores. Construída para o Pan de 2007, hoje parece um condomínio fantasma. Os problemas estão por todos os lados e as soluções só começaram a ser tomadas em abril. 
A prefeitura, através da GeoRio, investirá mais R$ 61 milhões em obras de estabilização do solo, uma vez que rachaduras tanto no asfalto das ruas como nos apartamentos afastou os moradores do local. “A Vila do Pan foi um problema da construtora que executou a obra. Há empreendimentos de todo tipo em volta, e em toda a Barra da Tijuca, e em nenhum houve qualquer tipo de problema. Claro que os problemas de lá nos serviram de alerta, mas não há relação alguma entre as duas obras”, garantiu o engenheiro Maurício Cruz.

Orçamento mostra que custo de obras da Rio-2016 dobrou desde candidatura
A APO (Autoridade Pública Olímpica) informou na terça-feira que ainda desconhece o custo de mais da metade das obras que precisam ser concluídas para a realização da Olimpíada de 2016. Apesar disso, uma simples comparação entre os valores de projetos olímpicos já orçados e a estimativa de custo desses mesmos projetos informadas no dossiê de candidatura do Rio a sede dos Jogos de 2016 indica que o evento custará bem mais do que o esperado. De acordo com levantamento feito pelo UOL Esporte, mais do que o dobro, inclusive.
O levantamento listou o custo de algumas obras para a Rio-2016 já incluídas na Matriz de Responsabilidade Olímpica, documento que enumera os projetos públicos essenciais para os Jogos Olímpicos. Comparou o custo de cada uma dessas obras com o orçamento estimado na candidatura do Rio apresentada ao COI (Comitê Olímpico Internacional) em 2008. Verificou que, na média, as obras ficaram 103% mais caras de lá pra cá. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) variou 32%.
Vale ressaltar que a comparação não é exata já que as estimativas dos custos incluídas no dossiê de candidatura do Rio não levavam em conta todas as exigências feitas pelo COI para os Jogos de 2016, nem gastos com a manutenção de centros esportivos necessária após o final das construções. Essas exigências e a manutenção, entretanto, pressionam o gasto governamental com a Olimpíada do Rio. Portanto, foram levados em consideração pelo UOL. A APO não divulgou um estudo sobre a evolução do custo da Rio-2016.
Só o custo da construção do Centro de Esportes Aquáticos mais que dobrou desde a candidatura. De acordo com a Matriz Olímpica, o conjunto temporário de piscinas da Rio-2016 (será desmontado após os Jogos) demandará investimentos públicos de R$ 226 milhões. Isso é 108% a mais do que os R$ 109 milhões previstos no dossiê de candidatura. Segundo o Ministério do Esporte, responsável por custear a estrutura, que nem começou a ser montada, o aumento aconteceu, entre outras coisas, porque foi incluída no contrato da obra a remontagem de piscinas que serão usadas na Olimpíada.
Outro aumento significativo foi verificado no custo da reforma do Sambódromo do Rio de Janeiro, custeada com recursos municipais e privados. No dossiê de candidatura, foi informado que o local receberia investimentos de quase R$ 27 milhões para poder receber as competições de tiro com arco e servir para a chegada maratona olímpica. As adequações já foram concluídas. Contudo, custaram R$ 65 milhões, ou seja, 142% a mais.

Rio-2016 fica R$ 400 milhões mais cara, e custo passa dos R$ 39 bilhões
A APO (Autoridade Pública Olímpica) divulgou nesta sexta-feira (29) o resultado de uma revisão de custos dos Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. O montante total necessário para organizar o evento foi inflacionado R$ 400 milhões em relação à última estimativa, que havia sido divulgada em agosto de 2015, e chegou a R$ 39,1 bilhões.
A revisão divulgada nesta sexta-feira incluiu custos relacionados a arquibancadas temporárias e locação de equipamento de energia temporária, por exemplo. Segundo a APO, 60% dos recursos necessários para a realização dos Jogos serão advindos da iniciativa privada.
“Antecipamos a conclusão de obras importantes, como o circuito de canoagem slalom e a pista de mountain bike, [que ficam] no Complexo de Deodoro”, disse Marcelo Pedroso, presidente da APO, em comunicado oficial.
A última revisão de gastos dos Jogos Olímpicos de 2016 havia sido apresentada no dia 21 de agosto de 2015, quando o custo total do evento atingiu R$ 38,7 bilhões. O valor representou um acréscimo de R$ 500 milhões em relação à estimativa de 24 de abril do mesmo ano (R$ 38,2 bilhões), que por sua vez caracterizou um salto de R$ 500 milhões desde a projeção de 28 de janeiro (R$ 37,7 bilhões).  A despeito da escalada de R$ 1 bilhão em 2015, o orçamento apresentado em agosto ainda omitiu gastos como os R$ 62 milhões que a prefeitura investirá na compra de mobiliário para as vilas olímpicas, os R$ 14 milhões necessários para obras de saneamento na Marina da Glória, os R$ 80 milhões que já foram alocados na remoção de moradores da Vila Autódromo e os R$ 100 milhões que o governo federal anunciou em fevereiro que pretendia destinar a compra de bolas, redes, obstáculos e barcos.
Na época, a justificativa da APO para essas lacunas no orçamento foi o dinamismo das contas. Marcelo Pedroso, presidente do órgão, disse que os números são atualizados de acordo com valores fornecidos por prefeitura, governo do Estado e governo federal. Além disso, afirmou que os montantes omitidos poderiam ser incluídos no futuro.
O custo dos Jogos é uma soma entre três pilares: matriz de responsabilidade olímpica (obras necessárias para o país receber o evento), plano de políticas públicas (iniciativas de legado que foram desenvolvidas por causa da competição) e o orçamento do comitê organizador Rio-2016. A pasta, aliás, passou por um corte no fim de 2015 para não incorrer em déficit – a previsão inicial era reduzir os gastos em R$ 400 milhões, mas não há um número fechado sobre o resultado dessa redução.
Em 2009, quando o Rio de Janeiro apresentou candidatura para sediar os Jogos Olímpicos, o dossiê estimava que o evento custaria R$ 28,8 bilhões (valor da época). Se tivesse apenas mantido esse patamar, a competição já seria mais cara do que os R$ 27,1 bilhões demandados pela Copa do Mundo de 2014. Ainda assim, o evento está aquém dos 11,15 bilhões de libras (R$ 65,3 milhões no câmbio atual) consumidos por Londres-2012. 

Como funciona o orçamento dos Jogos Olímpicos de 2016:

Arenas – R$ 7,07 bilhões (valor atualizado nesta sexta)
Legado – R$ 24,6 bilhões (estimativa de abril de 2015)
Comitê Rio-2016 – R$ 7,4 bilhões (valor atualizado em agosto de 2015)
CUSTO TOTAL – R$ 39,1 bilhões
Custo na candidatura – R$ 28,8 bilhões (em valores da época)
Custo da candidatura corrigido  R$ 44,39 bilhões (aproximado)
Custa da Copa de 2014 – R$ 27,1 bilhões
Custo de Londres-2012 – R$ 65,3 bilhões (câmbio atual)


Para ver o custo de cada instalação, o Especial UOL: A Conta traz tudo detalhado.




Outros exemplos: 
Suécia recusa Jogos de 2022 para não usar dinheiro público
Noruega desiste de sediar Olimpíada após COI exigir álcool, rei e sorrisos



As lições de Vancouver

O que o fracasso de vendas da Vila Olímpica, que pode causar um prejuízo de US$ 750 milhões, ensina às futuras cidades-sede

Com a saída da iniciativa privada, o governo assumiu as obras em Vancouver
Foi-se o tempo em que o sucesso de uma Olimpíada podia ser medido pelo número de medalhas do país-sede e o bom funcionamento da estrutura construída. Hoje, tão importante quanto a competição em si é o legado que ela deixa. Mas se as benesses podem se estender através do tempo, os riscos envolvidos na empreitada também perduram. E muitos países têm tido dificuldades em garantir retornos positivos depois que essas maratonas esportivas acabam. 

O que acontece hoje com a vila dos atletas de Vancouver, no Canadá, sede dos jogos de inverno de 2010, é prova disso. Sucesso de público, audiência e medalhas para o país-sede, a herança deixada pelo evento não é das melhores. Um estudo divulgado pela Universidade de Alberta apontou problemas graves com a revenda dos apartamentos da vila dos atletas – um eco do que aconteceu com a vila dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007 e um alerta para a Olimpíada de 2016. Pouco atraentes ao mercado, eles podem vir a representar um prejuízo de US$ 750 milhões (R$ 1,4 bilhão) à cidade. E nessa história há uma lição.




Apartamentos do Pan 2007, no Rio de Janeiro: leiloados por metade do preço
Inicialmente, a vila, que seria bancada pela iniciativa privada, foi concebida como um conjunto de prédios a serem executados com os melhores construtores e materiais. Isso garantiria interesse do mercado pelas unidades depois dos Jogos. Mas no início das construções, com a crise financeira de 2008, a fonte privada secou e o governo, para garantir o compromisso com o Comitê Olímpico Internacional, assumiu os custos. O problema é que, na ânsia de reduzir ao máximo o gasto imprevisto, cortou boa parte dos atrativos. No fim, Vancouver ganhou um bairro afastado do centro, caro e com poucas perspectivas de retorno do dinheiro que foi investido, a contragosto, pelo contribuinte. “Transparência nos contratos desde o início das negociações, mesmo que eles envolvam empresas privadas, é um dos caminhos”, diz Jay Frerer, responsável pelo estudo. “Já que é cada vez mais comum que o cidadão, representado pelo estado, assuma parte das despesas, que ele pelo menos tenha voz.” 



A foto abaixo é de quando os traficantes da favela mais próxima invadiram as instalações da Vila Olímpica de honório Gurgel e postaram fotos livremente em todas as redes sociais, ostentando seus fuzis na piscina. Fonte: Jornal Extra









Atualização:
Começo de incêndio faz delegação australiana evacuar prédio na Vila Olímpica
Delegação australiana foi alvo de furto durante evacuação




Mais informação:
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 01: Zona Portuária
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 02: venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 03: Horto e Jardim Botânico
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 04: Formula Indy em Porto Alegre
Essa Copa-Olimpíada é o fim, mas pelo menos o Aterro se salvou (parte 5)
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 06: está mais barato morar num castelo europeu do que no Rio e até a Anistia Internacional teve que intervir
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 07: o que foi feito da Vila do Pan
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 08: os tão falados aeroportos brasileiros
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 09: Vila Autódromo
Essa Copa-Olimpíada é o fim parte 10: Os Parques Aquáticos Júlio De Lamare e Maria Lenk
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 11: O Mané Garrincha saiu mais caro do que a missão para Plutão e as 12 Arenas da Copa, o dobro do que a Sonda Rosetta

domingo, 17 de julho de 2016

De cabeça (e de boca) no low-no poo

Para os ocidentais, espuma é sinônimo de limpeza. 
Lavar o cabelo é completar um processo de limpeza e leveza. É um momento de terapia que soma-se a pureza da água. Massagear os cabelos com o shampoo, enquanto a água cai pelo corpo é um momento ímpar.
Para a maioria das pessoas, a limpeza só é completa com um bom shampoo. A espuma é quase uma substância sagrada: Enquanto a água purifica, a espuma limpa a sujeira dos cabelos, completando todo o processo.
No entanto, aquela espuma que sai dos fios e caí no ralo do banheiro, leva com ela muito mais que a sujeira do dia a dia. 

Quantos de nós já tivemos a sensação de que aquele shampoo lavou demais os fios? O aspecto duro e seco, o som de "cabelo cantando" no final do processo de lavagem é resultado de substâncias como o 
Lauryl Sulfate, Sodium Laureth Sulfate e outras substâncias de caráter ultra-limpantes presentes em muitos shampoos comuns do mercado. 

Estas substâncias presentes no shampoo, responsáveis pela grande quantidade de espuma, lavam muito mais que a sujeira: elas removem lipídios naturais do cabelo e do couro cabeludo, responsáveis não só pela sedosidade, como também pela proteção capilar.

Cabelos secos, geralmente os cacheados, crespos e encarapinhados, sofrem demais os danos do shampoo comum. 

NO/LOW POO,  cujo termo patenteado pela Deva, se popularizou em todo mundo como técnicas de tratamento que priorizam a utilização não só de agentes mais leves de limpeza, como também de substâncias que tratem o cabelo por completo, sem mascarar a saúde dos fios.

Ambas as técnicas foram divulgadas pela cabeleireira Lorraine Massey, em seu livro Curly Girl. Neste livro a cabeleireira sugeria a utilização de pouco shampoo (Low Poo), ou abolir o uso completo de shampoos (No Poo). - Poo: Shampoo - 

A prática de 
Low Poo, defende a utilização de shampoos com agentes de limpeza de caráter leve, que não agridem a fibra capilar. Substâncias como Betaína cocamidopropyl (Anfótero) e Sulfossuccinato de Sódio de Dioctilo, são mais leves, fazem menos espuma e proporcionam limpeza aos fios sem retirar a proteção natural do couro cabeludo. 
A técnica também defende a utilização de produtos que não contenham em sua fórmula 
Petrolatos (parafina líquida -óleo mineral-, vaselina). O uso constante de petrolatos deixa o cabelo pesado e mascara a saúde dos fios. É como usar uma chapinha em um cabelo ressecado: ele tem brilho e parece saudável, mas por dentro, carece de substâncias essenciais a sua saúde. Além disso, os petrolatos, criam uma barreira para a absorção de muitas substâncias presentes nos cosméticos.

No 
No poo,  é abolido o uso de shampoos, mesmo os de caráter mais leves. Sendo assim, além dos petrolatos, não utiliza qualquer produto (máscaras, leave-in, condicionadores) que contenham silicones insolúveis em água, pois estes só são retirados do cabelo com shampoo.  A lavagem, chamada co-wash é feita com condicionadores que não contenham  silicones.  

Sendo assim, a diferença do NO para o LOW poo é que neste último, o shampoo é utilizado com substâncias de limpeza leves e portanto, máscaras, cremes de pentear e demais produtos podem conter silicones que são retirados dos fios com o shampoo. Já o NO POO, por não se fazer a utilização de shampoos, os produtos com silicones insolúveis não são utilizados.


Todos os produtos para NO POO, podem ser utilizados por pessoas que praticam LOW POO. No entanto, os produtos para LOW POO não são utilizados por quem pratica NO pois, possuem em sua fórmula silicones insolúveis em água. 







Em 2011, a Revista dos Vegetarianos publicou uma reportagem específica sobre beleza vegana e natural, ainda não se falava em low-no poo por aqui e eu fui consultada, deixando justamente as dicas abaixo, também disponíveis na postagem Estou na Revista dos Vegetarianos de Julho e Agosto.

"As preciosas dicas da Carol Daemon, adepta da cosmetologia fitoterápica:
1. Desconfie de sabonetes com cores atraentes e brilhantes, cremosos, leitosos, perfumados e que fazem um mundo de espuma. São indicios de corantes, essências, espessantes e agentes espumantes artificiais responsáveis por reações alérgicas.
2. Produto caseiro não significa natural: tem sabonetinho artesanal cheio de soda cáustica!
3. Os óleos vegetais indicados são os essenciais (medicinais) e os que podem ser ingeridos. Aqueles perfumados à venda nas farmácias, como óleo de amêndoas para uso cosmético, não servem e não têm nada de naturais.
4. As pessoas têm a impressão que xampus que fazem mais espuma são melhores, pois limpam mais. Não é verdade: limpam além do necessário e acabam removendo a camada natural de hidratação da pele, causando ressecamento excessivo.
5. Um óleo de girassol nacional pode ser tão bom quanto um óleo importado de planta exótica. O próprio azeite de oliva é usado como cosmético em todo o Mediterrâneo.
6. Ao usar produtos caseiros, tenha muito cuidado. Faça um teste preliminar na pele do braço e não se exponha ao sol."


O tempo passou, os erros levaram à alguns acertos e há mais ou menos um ano, escrevi uma postagem sobre duas linhas de cosméticos naturais que havia acabado de conhecer, a carioca Fefa Pimenta e a baiana Ewé Alquimia. Como resolvi literalmente mergulhar de cabeça no mundo delas, acabei encontrando mais gente e hoje, trago uma postagem mais completa. Para não ficar redundante (e porque esse blog está virando um monstro de tão grande), estou retirando do ar a postagem antiga - sobre Fefa e Ewé exclusivamente - e anexando todo seu conteúdo nessa atual, que traz mais fornecedores e tenta modestamente desfazer alguns mitos.
Hoje, encontra-se até aplicativo para celular e grupo de discussão das técnicas low-no poo. Eu prefiro ir pela linha mais simples, não gosto de ficar lendo rótulos, comprando quilos de tubos e lavo o cabelo todo dia porque moro em cidade de clima quente e ainda nado. Mas cada um sabe de si e há quem não viva sem suas tabelas e seu tubinho de Yamasterol, resgatado por muitas por ser liberado para a técnica.
Importante: Nem todo produto no-low poo é biodegradável e não testado em animais. Nem todo produto caseiro é natural ou mesmo seguro. Bom senso sempre.






De junho de 2015 (mas sempre atual):
Um dos assuntos mais populares daqui do blog é cosmética natural, abaixo em "mais informação", eu deixo as postagens mais acessadas no assunto. Com isso, acabei encontrando algumas pessoas da área e tendo a oportunidade de conhecer produtos não testados em animais, livres de parabenos, aromas e corantes sintéticos ou derivados de petróleo, produzidos em base de óleos essenciais e resinas extraídas de forma ética, além é claro de serem 100% biodegradáveis. Essa semana mesmo chegaram duas compras recentes que fiz e recomendo. 
Recomendo exatamente porque comprei como todo mundo, não foram presentes em troca de divulgação aqui no blog. Mesmo que tivessem sido presentes, eu não venderia esse espaço em troca de sabonetes e xampus e, caso fossem ruins, não divulgaria. Como já disse milhares de vezes, esse blog só me dá prazer, com ele nunca ganhei um centavo.
Sendo assim, sinto-me inteiramente à vontade para divulgar o bom trabalho de terceiros, se devemos ser a mudança que queremos no mundo, nada mais natural do que dar uma força a quem vive do que acredita.

Quem chegou primeiro: os xampus sólidos e sabonetes em barra de Fefa Pimenta
Em uma frase: Estou simplesmente encantada, os produtos além de excelentes, deixaram minha casa inteirinha cheirando a óleo essencial de laranja. Uma coisa de bom.
Se nunca lavou o cabelo com um xampu sólido, não sabe o que está perdendo, se existe coisa mais prática, fico devendo, ainda por cima sai mais barato porque rende. Vale muito a pena!

Ganhei de brinde um mini sabonete de lavanda (com óleos essenciais de manjericão, patchouli e alecrim), que não havia encomendado, e estou amando para lavar o rosto. O difícil no site da Fefa é se controlar para não levar um de cada e ficar brincando em casa. Atenciosa, lembrou meses depois, que o xampu sólido que eu queria, em hena, não estava disponível, sugeriu-me outro, levei e estou mais do que satisfeita. Repare que as embalagens acima são 100% recicláveis e biodegradáveis.



Vindos da Bahia pelos nossos confiáveis serviços de Correios, os cheiros de inspiração afro da Ewé Cosméticoscom produtos específicos para cabelos cacheados e tutoriais no youtube para moças negras manterem seus cachos lindos com a manteiga de dendê e mel delasAlguns produtos parecem ter inspiração mais mística com toda a simbologia do Candomblé. Como não tenho cabelo afro, sempre levo um xampu de raiz forte (com juá, que tanto amamos por aqui, além de pimenta, alecrim e mutamba) para fortalecer o couro cabeludo. E aproveito também para encomendar o que já virou um vício para mim, o perfume de Gabriela, com textura de manteiga e inspirado na personagem homônima do livro de Jorge Amadoem cravo e canela, cacau, rosas, gerânios e bergamota.

Ainda tenho dois produtos antigos, a manteiga de baunilha, que uso para retirar maquiagem, e a manteiga corporal de Gabriela. Pena que não produzam mais do segundo, prefiro ao perfume, rende muito e sai mais em conta.
Ganhei de brinde a amostrinha do perfume Abebé em jasmim, ylang ylang, calêndula, mel e baunilha. Que delícia, mil obrigadas. 
Repare que algumas embalagens trazem um detalhe em tecido africano, muito charmoso.





Em julho de 2016, comprado em Bombinhas (SC) na semana passada e postado agora em primeiríssima mão: O xampu sólido de pitanga certificado como orgânico da paranaense de Curitiba Cativa Natureza





A leitora do blog que criou uma linha Low-No Poo depois de conversarmos sobre o assunto, a paulista de Campinas Adriana Volpi, proprietária da Tulipa Produtos Naturais, que enviou um produto de cada e fabrica com excelência um sabonete medieval em 85% de azeite de oliva. Tudo disponível na postagem Os incríveis produtos biodegradáveis, não testados e low-no poo da Tulipa Produtos Naturais




Mais produtos da baiana Ewé, o perfume sólido de Gabriela e os condicionadores de castanhas e copaíba, acompanhando uma linha recém descoberta e ainda não citada aqui, os produtos cariocas de O Alquimista de Chad, a natureza em toda a sua pureza. Levei a manteiga de manga e o óleo de coco, misturei ambos no mesmo vidro e gostei ainda mais. Uso nas pontas e para remover maquiagem, protetor solar e poeira do rosto antes do banho toda noite. Levei também dois xampus sólidos que agora não lembro ao certo, mas acho que foram Imperial Abissínia Orvalho do Mar. O site do Chad é a maior viagem, vale a viajada nos produtos dele, tem até rádio própria para você entrar no clima hedonista da linha, que é toda voltada para viver um grande amor.





Mais produtos da carioca Fefa, meus favoritos em hena e pracaxi, dessa vez acompanhados de outra descoberta recente e tampouco citada antes por aqui, a Cheiro Vivo Cosmética Artesanal da paulista  de Pindamonhangaba Ananda Garcia, que faz um maravilhoso xampu sólido de lavanda.




Uma opção industrializada e líquida: O xampu industrializado low poo da linha low e no poo da mineira Bioextratus BoticaNa foto com o condicionador de castanhas da Ewé e a manteiga de manga (batizada com o óleo de coco) do Chad. 
Fiz questão de provar também um produto industrializado para derrubar um grande mito "natureba": Nem tudo que é industrializado é ruim, como nem tudo que é (tido como) natural é saudável, seguro ou mesmo sustentável.
Grande parte das indústrias do nosso país são sérias, ambiental e socialmente responsáveis. As certificações ISO, BV, Disney, Universal e OHSAS estão aí para isso, para que você entre no mercado e compre com segurança. Na verdade, é mais fácil multar, autuar e com isso, interditar uma indústria (bloqueando os bens dos proprietários) do que uma fabriqueta de fundo de quintal, cujo dono não é nem registrado e evapora de uma hora para outra.
Como você sabe que aquele cara com pinta de hipongo, vendendo seus cosméticos na barraquinha ao som de new age não está usando óleo de soja transgênica como base, despejando tudo no bueiro da rua e colocando os filhos (crianças) para trabalhar a madrugada toda na única fonte de renda da família? Você sabe quem audita e fiscaliza o negócio de fundo de quintal? 
Da mesma forma que existe muita gente séria fazendo seus cupcakes, vestidos bordados e xampus em barra no quarto de empregada, também existem muitos bandidos. E o mesmo princípio aplica-se à indústria.
Aliás, quando uma empresa pequena como a Fefa torna-se média como a Cativa, ela deixa de ser Fefa? E quando uma Cativa torna-se grande como a Bioextratus, ela deixa de ser Cativa? 
Diga-se em honra da Bioextratus, que tem justamente a mais difícil das certificações ambientais, o ISO 14001, são autossustentáveis energeticamente por terem migrado optativamente para solar (o que não é nenhuma obrigação legal), constam da lista da PEA de empresas que NÃO testam seus produtos em animais e começaram pequenos, como a Cheiro Vivo, a Fefa, a Ewé e o Chad.
Observação de professora de meio ambiente e auditora para processos de certificação: No site da empresa há uma foto da mata em volta da fábrica deles, que está em ótimas condições e com sinais de reflorestamento e manejo. Se os efluentes não fossem tratados, estaria um lixo. Como Cubatão (SP) ou pior, Mariana (MG).
E vamos combinar que empregar um bando de gente na CLT não é para qualquer um.





Visitando sites das saboneteiras caseiras, cheguei sabe-se lá como no da paulista Destilaria Bauru, empresa que fornece justamente a matéria prima em óleos e manteigas para esse povo todo. Se for comprador compulsivo, não clique no link, até eu que sou parcimoniosa tive que me conter. Há óleo essencial, prensado a frio, de segunda prensa e em manteiga nas mais variadas texturas para tudo o que você imaginar. A listagem parece um relatório do ICMBio. Escrevi antes para eles perguntando por um óleo de primeira prensa (extravirgem) de abacate, fruto que gosto tanto que criei uma postagem homônima só para ele por aqui, "Abacate, as receitas mais fáceis". Responderam rapidamente, animei-me e perguntei sobre a manteiga de outro fruto que também é dos meus preferidos e igualmente merecedor de postagem exclusiva, "Cupuaçu". Responderam o que eu precisava ouvir: ambos os produtos são comestíveis, é claro.
Não estranhe, um dos grandes mitos em cosmetologia é justamente a toxidade do que passamos na nossa pele. Para quem foi criado a xampu sintético, beber do mesmo é coisa de maluco. Mas se você observar que a pele é o maior órgão do corpo humano, uma esponja capaz de absorver até veneno, porque seria normal passar nela o que não pode ser ingerido?
Então você conclui que tudo que usou como tratamento de beleza até hoje, no fundo estava te intoxicando, porque não se deve passar na pele o que não se pode colocar na boca. 
Muita gente deve lembrar de receitas antigas com mel, azeite de oliva e óleo de amêndoas como grandes aliados de beleza. E não demorou muito para as moças adeptas da alimentação funcional descobrirem os benefícios do óleo de coco na pele e no cabelo e chamarem essas técnicas milenares de Slow Beauty
A beleza relaciona-se sempre com a saúde e Hipócrates, o pai da medicina moderna, já ensinava em 400 A.C. que devemos fazer do nosso alimento o nosso medicamento. E é disso que estamos tratando aqui, nos livrar do que faz mal até a uma proteína morta, o cabelo.
Apavorado com o seu desodorante? É para ficar mesmo! Eu só uso Leite de Magnésia, aquele antiácido e laxativo dos tempos da vovó, leia mais sobre a relação existente entre os antitranspirantes e câncer de mama na postagem Desodorantes veganos sem alumínio
Comprei dos dois produtos obviamente, aproveitei também e pedi uma manteiga de arghan, que não é comestível. Entregaram em dias pelos correios, não foi caro e ainda veio uma relação extensa de todos os produtos com propriedades e normas científicas.





O que eu comi:

O óleo extravirgem prensado a frio de abacate da Bauru. Fiz uma manteiga de alho com ele. Essa manteiga de alho é uma das receitas mais antigas daqui do blog, o passo a passo está na postagem sobre azeite de urucum e manteigas de vegetais, Azeites aromáticos orgânicos e "manteigas" de legumes caseiras. A maior moleza, ferve uma cabeça de alho em pouquíssima água até a água evaporar toda (ou no vapor de outra coisa, como arroz por exemplo), espere esfriar para não queimar os dedos, corte a base dura e fibrosa, "ordenhe" os dentinhos num vidro bem limpo, tempere com sal, orégano, manjerona seca, ervas finas, pimenta calabresa seca e rosa em grãos... cubra com qualquer óleo extravirgem e guarde na geladeira. Fica melhor no dia seguinte e acompanha tudo, de torradinhas à massa al dente e raízes cozidas.






A manteiga de cupuaçu, que é muito forte, com consistência de manteiga de cacau, e foi misturada em partes iguais com a manteiga convencional na massa (em farelo de milho) de um crumble de maçã com mirtilo seco. Essa também é uma das receitas mais antigas daqui do blog e o passo a passo com medidas está na antiga postagem Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará. O sabor da manteiga de cupuaçu é frutado, levemente ácido, e eu imagino que seja o complemento ideal para o cupulate, o chocolate obtido a partir das castanhas do cupuaçu, como o chocolate convencional é obtido a partir das sementes do cacau, que misturado a sua manteiga (de cacau) nos rende os bombons que tanto amamos. Nenhuma coincidência, o cacau e o cupuaçu são frutos irmãos - Theobroma Cacau e Theobroma Grandiflorum.










O que eu não comprei: Lola Cosméticos, não constam da  lista da PEA de empresas que NÃO testam seus produtos em animais, apesar de declararem não testar. Não tem nenhuma proposta ambiental no site e ostentam uma coleção de reclamações no Reclame Aqui que me deixou cabreira, principalmente sobre não ser low-no poo ao contrário do anunciado.


De quem tentei comprar e não consegui: Santo Sabão Saboaria Artesanal, paulistanos, estavam só dando cursos para quem já sacou que o mais legal nisso tudo é você poder fazer o que quiser em casa. Estou esperando a produção voltar à ativa. Mona, a baiana responsável pela Ewé, também dá seus cursos lá em Salvador.


O que eu usava antes e gostava muito, mesmo não sendo low-poo: Lush Cosméticos Frescos Feitos à Mão, Força da Terra Cosmética Natural e a tradicional Phebo e Granado, que mereceu postagem aqui "Pharmácia Granado". A foto abaixo está na página do blog no face há anos, como bons exemplos de marcas que não testam em animais.







Mais informação:
Fazendo baton em casa
Como funcionam testes em animais
Desodorantes veganos sem alumínio
Como funciona a indústria de cosméticos
Os maravilhosos sabonetes da Flor da Pele
O emplastro de inhame com gengibre (e argila)
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas da vovó
Incensos e aromatizadores de ambiente: o mundo é o que você cheira
06 produtos perigosos e 09 de origem animal que usamos diariamente sem saber

Conceptos Plasticos, as casas populares de Oscar Mendez



O arquiteto colombiano Oscar Mendez desenvolveu uma técnica de reciclagem do plástico de embalagens ordinárias, como produtos de limpeza, transformando o mesmo em monoblocos ultraresistentes que se encaixam como um lego e, a partir disso, constroem casas populares de 40m em 5 dias, sem a necessidade de cimento ou gerar entulho residual, mas que comporta qualquer acabamento como massa corrida e revestimento em porcelanato.
O arquiteto lembra que na América do Sul e na África, 40% da população não tem moradia - só na América Latina, 80.000.000 de famílias não tem moradia e em todo mundo, 1 em 7 pessoas vive em situação de pobreza extrema. E que em 2050, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos.

As opções atuais de moradias populares geralmente são caras, por dependerem do tijolo de barro tradicional das olarias e de difícil logística, impactam mais do que resolvem o problema. As olarias clandestinas são um dos maiores empregadores de trabalho infantil em todo mundo e campeãs em amputações e demais acidentes de trabalho, a extração da argila tende a ser igualmente clandestina e o próprio transporte do material é custoso econômica e ambientalmente.
O concreto por sua vez é uma liga feita de areia, cimento e brita - a areia é um processo mineratório agressivo como qualquer outro, que deixa crateras a céu aberto e seca lençóis freáticos nos antigos areais. O cimento é produzido industrialmente a partir da extração de calcário e argila. As fábricas de cimento são consideradas grandes poluidoras, já que onde há extração de calcário hoje, amanhã haverá uma pedreira abandonada. A extração da argila do fundo de rios faz com que os veios percam volume de água e leva à extinção de toda fauna.
A indústria do cimento sozinha é responsável por 2% de todo o consumo de energia e 5% das emissões de CO2 do planeta.

O desenvolvimento desse material reaproveitando o plástico, resolve muitos problemas com uma única solução. Só em Bogotá, capital da Colômbia, descartam-se 750 toneladas de plástico por dia em lixões a céu aberto.
A média de entulho produzido por metro quadrado em obras novas é de 150 kg, o que faz com que uma obra de 10 mil m produza cerca de 1.500 t de resíduos. No ano de 2000, é dito, foram descartadas na cidade de São Paulo 17.240 t de entulho por dia.


Site oficial: Conceptos Plásticos - de plástico reciclado à moradia digna.









Mais informação:
Vila colombiana bioconstruída em garrafas com adobe
A casa sustentável é mais barata - parte 02 (casas contêiner)
Casa construída com 18 toneladas de plástico no País de Gales
Conversão de plástico em óleo ou faça seu combustível em casa
Extração insustentável e ilegal de areia, base da construção civil
A casa sustentável é mais barata - parte 13 (recycled boat house)
A casa sustentável é mais barata - parte 14 (dormitórios tubulares)
Catedral construída com entulho de construção civil e lixo reciclado
Finca Bellavista: uma comunidade colombiana e sustentável de casas em árvores
A casa sustentável é mais barata - parte 10 (ecotijolos e concreto reciclado de entulho)


terça-feira, 31 de maio de 2016

Ressacas marinhas são um fenômeno natural, previsível e contornável



Como não dá para viver só do salário de professora, comecei a dar umas auditorias e consultorias pelo interior. É interessante, estou gostando e, por uma dessas alegrias da vida, a primeira cidade onde aportei foi Navegantes, em Santa Catarina.
Eu sempre quis conhecer Navegantes, nos meus tempos de plataforma, trabalhei com muita gente boa de lá e ouvia maravilhas daquela "praia reta com uma faixa fina de areia que chega a 12km".
Então, fui conhecer essa praia, que realmente redefine o significado de comprido. Mas o que mais chamou minha atenção não foi a praia com sua vasta extensão, nem a delícia que é uma cidade pequena e pesqueira, mas a restinga totalmente preservada que acabou com problemas de ressacas.

Recentemente, uma ciclovia elevada desabou no Rio de Janeiro, matando pelo menos 3 pessoas. As autoridades locais culparam o mar e até uma onda de grande porte tradicionalmente associada às famosas ressacas da nossa orla. Eu não quero me estender no ocorrido, já que havia construções de mais de 100 anos fazendo a contenção de base do viaduto elevado contíguo em perfeitas condições até hoje. Não precisa ser engenheiro calculista nem especialista em cálculo estrutural para notar que o que levou a ciclovia Tim Maia da Av. Niemeyer abaixo foram falhas de execução no projeto, má qualidade no material usado e até a ausência de previsão ao efeito das ondas que arrebentam naquela pedreira desde que o mundo é mundo. As páginas de fotos antigas do Rio no Facebook foram pródigas à época mostrando fotos em preto e branco de ressacas da orla carioca desde o século XIX.
Na ciclovia da Niemeyer, a culpa não foi da onda, caso contrário o viaduto elevado com movimento muito maior de carros e caminhões já teria vindo abaixo há décadas. E não é possível preservar qualquer restinga naquela área, uma pedreira em mar aberto de onde eu mesma já avistei uma baleia. O que está realmente faltando é uma posição formal das autoridades e a apuração das causas para solucionar um problema que deveria ter sido banal. Assunto encerrado.


Há quatro anos, durante a Rio+20, na Cúpula dos Povos, assisti a uma palestra da Ong EcoSurf sobre a importância da preservação da restinga nas costas brasileiras, do trabalho sério de conscientização que os surfistas cariocas realizaram nas praias do Recreio dos Bandeirantes e de como nenhuma edificação e obra de contenção desenvolvida pelo homem foi capaz de segurar o avanço do mar, além da vegetação rasteira das restingas que, justamente por ser rasteira, é enraizada e cria uma teia que mantém a areia mais densa, formando assim uma barreira natural de contenção.
Esses surfistas e ativistas mostraram muitas fotos de diques, muros e casas inteiras que vieram abaixo em horas numa maré alta. Depois, mostraram fotos das mesmas regiões completamente recuperadas, com calçamento preservado e casas seguras em suas orlas apenas com a manutenção da vegetação rasteira da restinga.
Outra briga boa deles é contra o despejo de esgoto in natura na Barra da Tijuca e em São Conrado.
Para nós, humanos que devastamos a costa brasileira, já que para estabelecer 80% da população do país na orla, precisamos asfaltar e pavimentar tudo, pode ser estranho compreender como um matinho de nada, consegue ter mais força do que o concreto armado. Mas a natureza estava certa mais uma vez, nada segura a força das ondas em cidades litorâneas, além da vegetação rasteira e despretensiosa das restingas.



Como estava em Navegantes a trabalho, fui atrás e toda a população local com quem conversei confirmou o mesmo do pessoal da EcoSurf, antes da reimplementação da restinga então devastada, a via pública, o calçamento adjacente e todas as casas da orla viviam ameaçados de virem abaixo com as ondas mais fortes. Contam que "agora, a praia ficou mais mansa."

Eu gostei muito de tudo, do bom gosto dos caminhos e deques de madeira que viraram pontos de visitação, da vegetação rasteira que na primavera floresce com flores brancas, amarelas e roxas (ipoemas e açucenas), algumas bromélias, poucas árvores que estão ficando um pouco altas e garantem mais privacidade à praia. A possibilidade de caminhar nesses deques para assistir ao por do sol ou mesmo continuar frequentando a praia em dias nublados, fez do próprio local um ponto turístico cercado de verde.

Repare na ciclofaixa adjacente à via pública e como a vegetação varia, mais alta em alguns pontos e rasteira em outros.














Uma obra rápida e barata (para padrões brasileiros), do jeito que a população gosta.








Praia da Barra e Recreio até os anos 50, hoje e a restinga preservada em área de reserva ambiental, graças à mobilização dos moradores.






Para quem ainda não acreditou na nossa impotência diante da força do mar, veja melhor nas fotos abaixo:

Praia de Copacabana, início do Século XX, Hotel Copacabana Palace ao fundo




Ressaca na Av Beira Mar em 1919



Ressaca no antigo Mercado Municipal em 1921



A famosa ressaca de 1963, também em Copa




Praia de Piratininga, Niterói



Ciclovia Tim Maia com as obras de mais cem anos intactas







Atualização de 20/06/2016:
Mar invade duas obras olímpicas em Copacabana
Ressaca destrói obra de ciclovia que custou R$ 2,1 milhões em Caraguá




Fotos de Navegantes, Florianópolis e São Francisco do Sul: Abramar Incorporadora, BandSC, Prefeitura de Navegantes, Notícias do Dia, O Sol Diário
Fotos antigas do Rio de Janeiro: Rio que passou e Rio que mora no mar.
Piratininga, Niterói: Misterfreitas
Ciclovia Tim Maia: ArchDaily.com.br
Barra e Recreio: Nova Barra Bonita, História da Barra, Conhecendo o Rio de Janeiro






Por uma dessas tristezas da vida, perdi todas as fotos que fiz nessa viagem, tive que baixar as fotos de Navegantes, Florianópolis e São Francisco do Sul de sites avulsos buscando pelo Google Images.
Abaixo, a única foto minha que se salvou, feita na barca para Itajaí, atravessando o rio Itajaiaçu, que vem do Paraguai e atravessa mais de mil quilômetros.





Mais informação: