sábado, 10 de novembro de 2018

Volvo Ocean Race, o teste esportivo mais longo e difícil do mundo em Itajaí, SC



Itajaí é a minha cidade favorita em SC, é a Capital Catarinense do Turismo Náutico, abriga o segundo maior porto do país, atrás apenas do de Santos, e é uma linda cidade portuária com muitas construções históricas, shopping center, cinemas, praias de mar aberto com farol tombado, bairros bucólicos com casinhas térreas, mercado público centenário e preservado, um parque ecológico com mirante de observação e muita vida social sofisticada em áreas mais badaladas.
Todas as grandes empresas de navegação do país, incluindo a Petrobrás, têm grandes escritórios na cidade, o que a torna um pólo com clima de cidadezinha provinciana.
Inicialmente eu viria do Rio à Itajaí mas, no último momento, houve um contratempo e tive que vir para Blumenau, da qual não gosto.
Por isso, sempre que posso, escapo para esse porto.



Existem basicamente três formas de chegar na cidade: por mar, terra e ambos. Quem vem de navio, desembarca no porto. Quem vem por terra, pega a BR. E, no meu caso, vou de Blumenau à Navegantes de carro pela BR e atravesso de ferry boat para Itajaí do outro lado do rio Itajaí Açu, que corta todo o Estado - e só esse passeio de ferry já me deixa mais feliz, tão morta de saudades do mar que estou.
Quem vier de fora, faz o mesmo que eu, desce no Aeroporto de Navegantes, pega um uber até o Ferry Boat e atravessa o Itajaí Açú de ferry. Sai mais barato e o passeio já é uma atração das duas cidades.





Em frente à saída do ferry, há um entreposto da Economia Solidária da região, o melhor local para comprar um presente, artesanato típico e roupas em algodão orgânico da Justa Trama. Para visitar sempre e aproveitar as muitas promoções.





O melhor lugar para comer e curtir música ao vivo da cidade, o charmoso Mercado Municipal, acompanhe a página da Fundação Cultural de Itajaí para ficar a par da programação, o Festival de Jazz (aberto e gratuito) é imperdível. A construção é linda e os preços acessíveis em porções bem servidas de frutos do mar pescados pelos muitos pescadores locais. Há um mercado de peixes anexo e todas as lojas são típicas, é uma atração obrigatória na cidade.



Todo o Centro é pródigo em lindas construções antigas e bem preservadas, tombadas e sinalizadas no Circuito Cultural. O forro da bonita Igreja de Nossa Senhora da Conceição é todo em tábuas de madeira, as paredes em conchas, pedras e óleo de baleia, numa pracinha cercada de figueiras tombadas.







A Biblioteca Pública, interativa, a dez minutos de caminhada do Centro. Próxima de duas delícias gastronômicas, um restaurante vegetariano asiático e uma sorveteria familiar.


Ao lado, o Museu Histórico na Praça da Igreja da Matriz, interessante e bem conservado. Abaixo, a Aduana mais bonita do país.






No Shopping de Itajaí, tem feira orgânica semanal.



O Parque Natural Municipal do Atalaia com trilha, mirantes de observação, rampa de vôo livre e placas educativas sobre a fauna e flora locais.





A linda e retirada Praia de Cabeçudas em dia de maré alta na divisa com a Praia Brava de Balneário Camboriú. Em dias de maré baixa, é possível subir essas escadas e curtir o por do sol das pedras.





Das tristezas da vida, um dos dois museus da cidade, o Museu Etno-arqueológico, lindamente localizado numa estação de trem antiga, está praticamente abandonado e em péssimo estado de conservação. Uma pena, contam com anfiteatro, academia da terceira idade e parque infantil ao ar livre. Pior, só abrem de terça à sexta na parte da tarde, dificílimo de visitar.





Saudades de casa, quando uma pequena academia de bairro ainda não havia virado uma franquia mundial.




O Volvo Ocean Race, na Marina de Itajaí, uma das melhores do país, em uma cidade linda num Estado industrializado, desenvolvido e que não atravessa crise.

Desde 1973, a Volvo Ocean Race é o principal teste esportivo do mundo, levando os atletas ao extremo. Muitas vezes descrito como o evento esportivo profissional mais longo e mais difícil do mundo, o evento é apontado como um Grand Slam da vela, ao lado de Olimpíada e America’s Cup A edição de 2017-18 levou as equipes 45 mil milhas náuticas ao redor do mundo, em quatro oceanos, tocando seis continentes e 12 cidades-sede. Simplificando, a Volvo Ocean Race é uma obsessão, e muitos dos melhores velejadores do mundo dedicaram anos, até décadas, tentando conquistá-lo.
Não há prêmio em dinheiro para o vencedor da Volvo Ocean Race. Como nos Jogos Olímpicos, o que vale é a participação e o prestígio de ganhar um dos melhores troféus de vela do mundo.
(parágrafo retirado e adaptado do guia de imprensa linkado abaixo)

Até hoje, pelo menos seis velejadores faleceram tentando completar a prova. Martine Grael, medalhista olímpica, foi a única participante brasileira dessa edição. Seguindo uma tradição familiar, seu pai Torben, também medalhista olímpico, participou três vezes da regata, chegando em primeiro na edição de 2008-2009.
Em 2018, Itajaí, vencendo o porto de Salvador, foi uma das cidades mundiais (e única brasileira) a contemplar o privilégio de acolher a etapa da prova em Abril. E eu fui, é claro.






 









Quando duas paixões se encontram, o samba e o mar, a bateria da Escola de Samba Imperador, tetracampeã do Carnaval de Itajaí, se apresentando no Volvo Ocean Race, um evento gratuito à população.






Na saída da Marina do Volvo Ocean Race, não havia mais nada aberto em Itajaí, apenas uma hamburgueria próxima ao ferry, a Back Door, com cerveja própria. Local charmoso, despojado e despretensioso num casarão antigo com jeito de cais do porto. Como geralmente não gosto desses hambúrgueres artesanais, fui no de siri, que estava ótimo com gosto de casquinha de siri. Recomendo muito, bom e barato.



Itajaí tem ótimos restaurantes para todos os bolsos, pelo menos quatro vegetarianos e uma sorveteria que só funciona no verão desde 1943, a Seara.

São quatro restaurantes vegetarianos muito bons e acessíveis. Todos a quilo e próximos do Centro da cidade: O charmoso Bio Garden onde se almoça no jardim interno de uma livraria adventista, o simples e barato Tian Rian de uma família asiática no caminho para a biblioteca pública, o tradicional e maravilhoso buffet do UniVital (com padaria integral própria) e um novato em frente ao maravilhoso Armazém do Galo, que vende até sorvete orgânico da paulista Itabaú. Preços muito inferiores aos de RJ-SP-Floripa.

 





Para quem come de tudo, o moderno Zephyr, dentro da Marina de Itajaí, da sofisticada culinária Nikkei. Acessível para os padrões RJ-SP. Aos que gostam muito de ceviche e nem sempre pode comer fora, deixo a receita abaixo em "Mais informação", é muito fácil e o custo é ainda mais baixo do que se imagina.


Todos os restaurantes da Praia Brava são badalados, não gosto de nenhum apesar de muito bem avaliados no TripAdvisor. Nunca comi bem em nenhum deles, por isso, não recomendo. Mas, a vista e o clima sofisticado são únicos na cidade. Para ir em grupo e beliscar uma coisinha.




Cabeçudas tem o restaurante mais premiado da região numa casa antiga com lareira. Fui uma vez para conhecer porque é caro. Se, como eu, gosta de provar a gastronomia local mas não pode esbanjar, coma nos pés limpos recomendados e uma única vez, vá no melhor, mas nunca peça prato principal. Aceite o couvert (geralmente bem servido) e peça uma ou duas entradas. Uma entrada se for de sobremesa, duas se não for, água mineral e a conta vai sair pela metade. Mas, a verdade é que eu não tenho achado tão bom negócio. O cardápio desses estrelados é tradicional a um preço muito alto e nem sempre bem servido. Os verdadeiros restaurantes tradicionais e familiares com uma pegada mais típica costumam compensar mais. Principalmente no interior, onde não há concorrência e os menus são pouco criativos. Para sair com fome e achando que o camarão não estava isso tudo (ou pagar uma nota num medalhão comum), é preferível comer divinamente na pensão da mulher do pescador e pagar barato.


Itajaí tem uma sorveteria artesanal raiz com cara de pé limpo familiar, a Seara, que só abre de Setembro a Abril desde 1943, boa e barata, próxima do Centro. O monstro abaixo custou R$18,00, duas bolas imensas a R$9,00 cada uma, coco fresco e morango. É um sorvete caseiro saboroso e muito cremoso, sem maiores gourmetizações, feito ali mesmo nos fundos da loja, que tem bicicletário.






Portal Oficial do Estado de SC para Turismo de Itajaí: Itajaí - SC Venha Descobrir

Página Oficial da Fundação Cultural de Itajaí: Fundação Cultural de Itajaí

Site oficial do Volvo Ocean Race: Volvo Ocean Race e Guia de Imprensa em Português: Guia de Mídia 2017-2018

Para mais fotos de Itajaí, quando me apaixonei perdidamente por essa cidadezinha, a antiga postagem "O Sul é o meu país" linkada abaixo traz outras descobertas.


Minhas avaliações no TripAdvisor para o Mercado Público de ItajaíParque da Atalaia, Praia de CabeçudasRestaurante Vegetariano BioGarden e Restaurante Vegetariano Tian Rian (o UniVital não tem perfil no TripAdvisor).
Avalie todos os museus, passeios de natureza e centros de pesquisa científica que visitar, é importantíssimo para que eles se tornem realmente atrações turísticas às pessoas que habitualmente não os visitariam. Muita gente vai ao shopping no final de semana por não saber que existem outras opções. Essas são as verdadeiras atrações turísticas de nossas cidades. 
Para saber o que existe de relevante onde mora ou está, os sites oficiais das prefeituras e secretarias de turismo locais são as fontes de informação mais confiáveis. Para a programação cultural em geral, as páginas dos museus e teatros locais estão sempre sendo atualizadas no Facebook.


Para quem gosta de visitar museus, mas desanima por não ter companhia, seus problemas acabaram! 
Estou disponibilizando um grupo no Facebook para pessoas que querem ir ao museu e gostariam de um grupo de amigos com quem ir, Vamos ao Museu - RJ
Se não mora no Rio, crie um grupo para sua cidade também e vamos tratar de encher nossos museus de gente e vida. 
E aí, vamos ao museu?




Mais informação:
O Sul é o meu país
RIO+20: o Cais do Porto
O mar de lixo do Carnaval baiano
Caviar doméstico e Ceviche Panamenho
Trabalhando no Porto e vistoriando 3 navios indianos
Na Jureia: o mercado de peixes da colônia de pescadores de Peruíbe
Então a sobrinha tetraneta do Major Daemon foi puxar samba e trabalhar na Zona Portuária
O Complexo Ambiental com Museu Arqueológico e Zoológico para animais resgatados e o Museu da Imagem e do Som de Balneário Camboriú