domingo, 17 de julho de 2016

De cabeça (e de boca) no low-no poo

Para os ocidentais, espuma é sinônimo de limpeza. 
Lavar o cabelo é completar um processo de limpeza e leveza. É um momento de terapia que soma-se a pureza da água. Massagear os cabelos com o shampoo, enquanto a água cai pelo corpo é um momento ímpar.
Para a maioria das pessoas, a limpeza só é completa com um bom shampoo. A espuma é quase uma substância sagrada: Enquanto a água purifica, a espuma limpa a sujeira dos cabelos, completando todo o processo.
No entanto, aquela espuma que sai dos fios e caí no ralo do banheiro, leva com ela muito mais que a sujeira do dia a dia. 

Quantos de nós já tivemos a sensação de que aquele shampoo lavou demais os fios? O aspecto duro e seco, o som de "cabelo cantando" no final do processo de lavagem é resultado de substâncias como o 
Lauryl Sulfate, Sodium Laureth Sulfate e outras substâncias de caráter ultra-limpantes presentes em muitos shampoos comuns do mercado. 

Estas substâncias presentes no shampoo, responsáveis pela grande quantidade de espuma, lavam muito mais que a sujeira: elas removem lipídios naturais do cabelo e do couro cabeludo, responsáveis não só pela sedosidade, como também pela proteção capilar.

Cabelos secos, geralmente os cacheados, crespos e encarapinhados, sofrem demais os danos do shampoo comum. 

NO/LOW POO,  cujo termo patenteado pela Deva, se popularizou em todo mundo como técnicas de tratamento que priorizam a utilização não só de agentes mais leves de limpeza, como também de substâncias que tratem o cabelo por completo, sem mascarar a saúde dos fios.

Ambas as técnicas foram divulgadas pela cabeleireira Lorraine Massey, em seu livro Curly Girl. Neste livro a cabeleireira sugeria a utilização de pouco shampoo (Low Poo), ou abolir o uso completo de shampoos (No Poo). - Poo: Shampoo - 

A prática de 
Low Poo, defende a utilização de shampoos com agentes de limpeza de caráter leve, que não agridem a fibra capilar. Substâncias como Betaína cocamidopropyl (Anfótero) e Sulfossuccinato de Sódio de Dioctilo, são mais leves, fazem menos espuma e proporcionam limpeza aos fios sem retirar a proteção natural do couro cabeludo. 
A técnica também defende a utilização de produtos que não contenham em sua fórmula 
Petrolatos (parafina líquida -óleo mineral-, vaselina). O uso constante de petrolatos deixa o cabelo pesado e mascara a saúde dos fios. É como usar uma chapinha em um cabelo ressecado: ele tem brilho e parece saudável, mas por dentro, carece de substâncias essenciais a sua saúde. Além disso, os petrolatos, criam uma barreira para a absorção de muitas substâncias presentes nos cosméticos.

No 
No poo,  é abolido o uso de shampoos, mesmo os de caráter mais leves. Sendo assim, além dos petrolatos, não utiliza qualquer produto (máscaras, leave-in, condicionadores) que contenham silicones insolúveis em água, pois estes só são retirados do cabelo com shampoo.  A lavagem, chamada co-wash é feita com condicionadores que não contenham  silicones.  

Sendo assim, a diferença do NO para o LOW poo é que neste último, o shampoo é utilizado com substâncias de limpeza leves e portanto, máscaras, cremes de pentear e demais produtos podem conter silicones que são retirados dos fios com o shampoo. Já o NO POO, por não se fazer a utilização de shampoos, os produtos com silicones insolúveis não são utilizados.


Todos os produtos para NO POO, podem ser utilizados por pessoas que praticam LOW POO. No entanto, os produtos para LOW POO não são utilizados por quem pratica NO pois, possuem em sua fórmula silicones insolúveis em água. 







Em 2011, a Revista dos Vegetarianos publicou uma reportagem específica sobre beleza vegana e natural, ainda não se falava em low-no poo por aqui e eu fui consultada, deixando justamente as dicas abaixo, também disponíveis na postagem Estou na Revista dos Vegetarianos de Julho e Agosto.

"As preciosas dicas da Carol Daemon, adepta da cosmetologia fitoterápica:
1. Desconfie de sabonetes com cores atraentes e brilhantes, cremosos, leitosos, perfumados e que fazem um mundo de espuma. São indicios de corantes, essências, espessantes e agentes espumantes artificiais responsáveis por reações alérgicas.
2. Produto caseiro não significa natural: tem sabonetinho artesanal cheio de soda cáustica!
3. Os óleos vegetais indicados são os essenciais (medicinais) e os que podem ser ingeridos. Aqueles perfumados à venda nas farmácias, como óleo de amêndoas para uso cosmético, não servem e não têm nada de naturais.
4. As pessoas têm a impressão que xampus que fazem mais espuma são melhores, pois limpam mais. Não é verdade: limpam além do necessário e acabam removendo a camada natural de hidratação da pele, causando ressecamento excessivo.
5. Um óleo de girassol nacional pode ser tão bom quanto um óleo importado de planta exótica. O próprio azeite de oliva é usado como cosmético em todo o Mediterrâneo.
6. Ao usar produtos caseiros, tenha muito cuidado. Faça um teste preliminar na pele do braço e não se exponha ao sol."


O tempo passou, os erros levaram à alguns acertos e há mais ou menos um ano, escrevi uma postagem sobre duas linhas de cosméticos naturais que havia acabado de conhecer, a carioca Fefa Pimenta e a baiana Ewé Alquimia. Como resolvi literalmente mergulhar de cabeça no mundo delas, acabei encontrando mais gente e hoje, trago uma postagem mais completa. Para não ficar redundante (e porque esse blog está virando um monstro de tão grande), estou retirando do ar a postagem antiga - sobre Fefa e Ewé exclusivamente - e anexando todo seu conteúdo nessa atual, que traz mais fornecedores e tenta modestamente desfazer alguns mitos.
Hoje, encontra-se até aplicativo para celular e grupo de discussão das técnicas low-no poo. Eu prefiro ir pela linha mais simples, não gosto de ficar lendo rótulos, comprando quilos de tubos e lavo o cabelo todo dia porque moro em cidade de clima quente e ainda nado. Mas cada um sabe de si e há quem não viva sem suas tabelas e seu tubinho de Yamasterol, resgatado por muitas por ser liberado para a técnica.
Importante: Nem todo produto no-low poo é biodegradável e não testado em animais. Nem todo produto caseiro é natural ou mesmo seguro. Bom senso sempre.






De junho de 2015 (mas sempre atual):
Um dos assuntos mais populares daqui do blog é cosmética natural, abaixo em "mais informação", eu deixo as postagens mais acessadas no assunto. Com isso, acabei encontrando algumas pessoas da área e tendo a oportunidade de conhecer produtos não testados em animais, livres de parabenos, aromas e corantes sintéticos ou derivados de petróleo, produzidos em base de óleos essenciais e resinas extraídas de forma ética, além é claro de serem 100% biodegradáveis. Essa semana mesmo chegaram duas compras recentes que fiz e recomendo. 
Recomendo exatamente porque comprei como todo mundo, não foram presentes em troca de divulgação aqui no blog. Mesmo que tivessem sido presentes, eu não venderia esse espaço em troca de sabonetes e xampus e, caso fossem ruins, não divulgaria. Como já disse milhares de vezes, esse blog só me dá prazer, com ele nunca ganhei um centavo.
Sendo assim, sinto-me inteiramente à vontade para divulgar o bom trabalho de terceiros, se devemos ser a mudança que queremos no mundo, nada mais natural do que dar uma força a quem vive do que acredita.

Quem chegou primeiro: os xampus sólidos e sabonetes em barra de Fefa Pimenta
Em uma frase: Estou simplesmente encantada, os produtos além de excelentes, deixaram minha casa inteirinha cheirando a óleo essencial de laranja. Uma coisa de bom.
Se nunca lavou o cabelo com um xampu sólido, não sabe o que está perdendo, se existe coisa mais prática, fico devendo, ainda por cima sai mais barato porque rende. Vale muito a pena!

Ganhei de brinde um mini sabonete de lavanda (com óleos essenciais de manjericão, patchouli e alecrim), que não havia encomendado, e estou amando para lavar o rosto. O difícil no site da Fefa é se controlar para não levar um de cada e ficar brincando em casa. Atenciosa, lembrou meses depois, que o xampu sólido que eu queria, em hena, não estava disponível, sugeriu-me outro, levei e estou mais do que satisfeita. Repare que as embalagens acima são 100% recicláveis e biodegradáveis.



Vindos da Bahia pelos nossos confiáveis serviços de Correios, os cheiros de inspiração afro da Ewé Cosméticoscom produtos específicos para cabelos cacheados e tutoriais no youtube para moças negras manterem seus cachos lindos com a manteiga de dendê e mel delasAlguns produtos parecem ter inspiração mais mística com toda a simbologia do Candomblé. Como não tenho cabelo afro, sempre levo um xampu de raiz forte (com juá, que tanto amamos por aqui, além de pimenta, alecrim e mutamba) para fortalecer o couro cabeludo. E aproveito também para encomendar o que já virou um vício para mim, o perfume de Gabriela, com textura de manteiga e inspirado na personagem homônima do livro de Jorge Amadoem cravo e canela, cacau, rosas, gerânios e bergamota.

Ainda tenho dois produtos antigos, a manteiga de baunilha, que uso para retirar maquiagem, e a manteiga corporal de Gabriela. Pena que não produzam mais do segundo, prefiro ao perfume, rende muito e sai mais em conta.
Ganhei de brinde a amostrinha do perfume Abebé em jasmim, ylang ylang, calêndula, mel e baunilha. Que delícia, mil obrigadas. 
Repare que algumas embalagens trazem um detalhe em tecido africano, muito charmoso.





Em julho de 2016, comprado em Bombinhas (SC) na semana passada e postado agora em primeiríssima mão: O xampu sólido de pitanga certificado como orgânico da paranaense de Curitiba Cativa Natureza





A leitora do blog que criou uma linha Low-No Poo depois de conversarmos sobre o assunto, a paulista de Campinas Adriana Volpi, proprietária da Tulipa Produtos Naturais, que enviou um produto de cada e fabrica com excelência um sabonete medieval em 85% de azeite de oliva. Tudo disponível na postagem Os incríveis produtos biodegradáveis, não testados e low-no poo da Tulipa Produtos Naturais




Mais produtos da baiana Ewé, o perfume sólido de Gabriela e os condicionadores de castanhas e copaíba, acompanhando uma linha recém descoberta e ainda não citada aqui, os produtos cariocas de O Alquimista de Chad, a natureza em toda a sua pureza. Levei a manteiga de manga e o óleo de coco, misturei ambos no mesmo vidro e gostei ainda mais. Uso nas pontas e para remover maquiagem, protetor solar e poeira do rosto antes do banho toda noite. Levei também dois xampus sólidos que agora não lembro ao certo, mas acho que foram Imperial Abissínia Orvalho do Mar. O site do Chad é a maior viagem, vale a viajada nos produtos dele, tem até rádio própria para você entrar no clima hedonista da linha, que é toda voltada para viver um grande amor.





Mais produtos da carioca Fefa, meus favoritos em hena e pracaxi, dessa vez acompanhados de outra descoberta recente e tampouco citada antes por aqui, a Cheiro Vivo Cosmética Artesanal da paulista  de Pindamonhangaba Ananda Garcia, que faz um maravilhoso xampu sólido de lavanda.




Uma opção industrializada e líquida: O xampu industrializado low poo da linha low e no poo da mineira Bioextratus BoticaNa foto com o condicionador de castanhas da Ewé e a manteiga de manga (batizada com o óleo de coco) do Chad. 
Fiz questão de provar também um produto industrializado para derrubar um grande mito "natureba": Nem tudo que é industrializado é ruim, como nem tudo que é (tido como) natural é saudável, seguro ou mesmo sustentável.
Grande parte das indústrias do nosso país são sérias, ambiental e socialmente responsáveis. As certificações ISO, BV, Disney, Universal e OHSAS estão aí para isso, para que você entre no mercado e compre com segurança. Na verdade, é mais fácil multar, autuar e com isso, interditar uma indústria (bloqueando os bens dos proprietários) do que uma fabriqueta de fundo de quintal, cujo dono não é nem registrado e evapora de uma hora para outra.
Como você sabe que aquele cara com pinta de hipongo, vendendo seus cosméticos na barraquinha ao som de new age não está usando óleo de soja transgênica como base, despejando tudo no bueiro da rua e colocando os filhos (crianças) para trabalhar a madrugada toda na única fonte de renda da família? Você sabe quem audita e fiscaliza o negócio de fundo de quintal? 
Da mesma forma que existe muita gente séria fazendo seus cupcakes, vestidos bordados e xampus em barra no quarto de empregada, também existem muitos bandidos. E o mesmo princípio aplica-se à indústria.
Aliás, quando uma empresa pequena como a Fefa torna-se média como a Cativa, ela deixa de ser Fefa? E quando uma Cativa torna-se grande como a Bioextratus, ela deixa de ser Cativa? 
Diga-se em honra da Bioextratus, que tem justamente a mais difícil das certificações ambientais, o ISO 14001, são autossustentáveis energeticamente por terem migrado optativamente para solar (o que não é nenhuma obrigação legal), constam da lista da PEA de empresas que NÃO testam seus produtos em animais e começaram pequenos, como a Cheiro Vivo, a Fefa, a Ewé e o Chad.
Observação de professora de meio ambiente e auditora para processos de certificação: No site da empresa há uma foto da mata em volta da fábrica deles, que está em ótimas condições e com sinais de reflorestamento e manejo. Se os efluentes não fossem tratados, estaria um lixo. Como Cubatão (SP) ou pior, Mariana (MG).
E vamos combinar que empregar um bando de gente na CLT não é para qualquer um.





Visitando sites das saboneteiras caseiras, cheguei sabe-se lá como no da paulista Destilaria Bauru, empresa que fornece justamente a matéria prima em óleos e manteigas para esse povo todo. Se for comprador compulsivo, não clique no link, até eu que sou parcimoniosa tive que me conter. Há óleo essencial, prensado a frio, de segunda prensa e em manteiga nas mais variadas texturas para tudo o que você imaginar. A listagem parece um relatório do ICMBio. Escrevi antes para eles perguntando por um óleo de primeira prensa (extravirgem) de abacate, fruto que gosto tanto que criei uma postagem homônima só para ele por aqui, "Abacate, as receitas mais fáceis". Responderam rapidamente, animei-me e perguntei sobre a manteiga de outro fruto que também é dos meus preferidos e igualmente merecedor de postagem exclusiva, "Cupuaçu". Responderam o que eu precisava ouvir: ambos os produtos são comestíveis, é claro.
Não estranhe, um dos grandes mitos em cosmetologia é justamente a toxidade do que passamos na nossa pele. Para quem foi criado a xampu sintético, beber do mesmo é coisa de maluco. Mas se você observar que a pele é o maior órgão do corpo humano, uma esponja capaz de absorver até veneno, porque seria normal passar nela o que não pode ser ingerido?
Então você conclui que tudo que usou como tratamento de beleza até hoje, no fundo estava te intoxicando, porque não se deve passar na pele o que não se pode colocar na boca. 
Muita gente deve lembrar de receitas antigas com mel, azeite de oliva e óleo de amêndoas como grandes aliados de beleza. E não demorou muito para as moças adeptas da alimentação funcional descobrirem os benefícios do óleo de coco na pele e no cabelo e chamarem essas técnicas milenares de Slow Beauty
A beleza relaciona-se sempre com a saúde e Hipócrates, o pai da medicina moderna, já ensinava em 400 A.C. que devemos fazer do nosso alimento o nosso medicamento. E é disso que estamos tratando aqui, nos livrar do que faz mal até a uma proteína morta, o cabelo.
Apavorado com o seu desodorante? É para ficar mesmo! Eu só uso Leite de Magnésia, aquele antiácido e laxativo dos tempos da vovó, leia mais sobre a relação existente entre os antitranspirantes e câncer de mama na postagem Desodorantes veganos sem alumínio
Comprei dos dois produtos obviamente, aproveitei também e pedi uma manteiga de arghan, que não é comestível. Entregaram em dias pelos correios, não foi caro e ainda veio uma relação extensa de todos os produtos com propriedades e normas científicas.





O que eu comi:

O óleo extravirgem prensado a frio de abacate da Bauru. Fiz uma manteiga de alho com ele. Essa manteiga de alho é uma das receitas mais antigas daqui do blog, o passo a passo está na postagem sobre azeite de urucum e manteigas de vegetais, Azeites aromáticos orgânicos e "manteigas" de legumes caseiras. A maior moleza, ferve uma cabeça de alho em pouquíssima água até a água evaporar toda (ou no vapor de outra coisa, como arroz por exemplo), espere esfriar para não queimar os dedos, corte a base dura e fibrosa, "ordenhe" os dentinhos num vidro bem limpo, tempere com sal, orégano, manjerona seca, ervas finas, pimenta calabresa seca e rosa em grãos... cubra com qualquer óleo extravirgem e guarde na geladeira. Fica melhor no dia seguinte e acompanha tudo, de torradinhas à massa al dente e raízes cozidas.






A manteiga de cupuaçu, que é muito forte, com consistência de manteiga de cacau, e foi misturada em partes iguais com a manteiga convencional na massa (em farelo de milho) de um crumble de maçã com mirtilo seco. Essa também é uma das receitas mais antigas daqui do blog e o passo a passo com medidas está na antiga postagem Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará. O sabor da manteiga de cupuaçu é frutado, levemente ácido, e eu imagino que seja o complemento ideal para o cupulate, o chocolate obtido a partir das castanhas do cupuaçu, como o chocolate convencional é obtido a partir das sementes do cacau, que misturado a sua manteiga (de cacau) nos rende os bombons que tanto amamos. Nenhuma coincidência, o cacau e o cupuaçu são frutos irmãos - Theobroma Cacau e Theobroma Grandiflorum.










O que eu não comprei: Lola Cosméticos, não constam da  lista da PEA de empresas que NÃO testam seus produtos em animais, apesar de declararem não testar. Não tem nenhuma proposta ambiental no site e ostentam uma coleção de reclamações no Reclame Aqui que me deixou cabreira, principalmente sobre não ser low-no poo ao contrário do anunciado.


De quem tentei comprar e não consegui: Santo Sabão Saboaria Artesanal, paulistanos, estavam só dando cursos para quem já sacou que o mais legal nisso tudo é você poder fazer o que quiser em casa. Estou esperando a produção voltar à ativa. Mona, a baiana responsável pela Ewé, também dá seus cursos lá em Salvador.


O que eu usava antes e gostava muito, mesmo não sendo low-poo: Lush Cosméticos Frescos Feitos à Mão, Força da Terra Cosmética Natural e a tradicional Phebo e Granado, que mereceu postagem aqui "Pharmácia Granado". A foto abaixo está na página do blog no face há anos, como bons exemplos de marcas que não testam em animais.







Mais informação:
Fazendo baton em casa
Como funcionam testes em animais
Desodorantes veganos sem alumínio
Como funciona a indústria de cosméticos
Os maravilhosos sabonetes da Flor da Pele
O emplastro de inhame com gengibre (e argila)
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas da vovó
Incensos e aromatizadores de ambiente: o mundo é o que você cheira
06 produtos perigosos e 09 de origem animal que usamos diariamente sem saber

Conceptos Plasticos, as casas populares de Oscar Mendez



O arquiteto colombiano Oscar Mendez desenvolveu uma técnica de reciclagem do plástico de embalagens ordinárias, como produtos de limpeza, transformando o mesmo em monoblocos ultraresistentes que se encaixam como um lego e, a partir disso, constroem casas populares de 40m em 5 dias, sem a necessidade de cimento ou gerar entulho residual, mas que comporta qualquer acabamento como massa corrida e revestimento em porcelanato.
O arquiteto lembra que na América do Sul e na África, 40% da população não tem moradia - só na América Latina, 80.000.000 de famílias não tem moradia e em todo mundo, 1 em 7 pessoas vive em situação de pobreza extrema. E que em 2050, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos.

As opções atuais de moradias populares geralmente são caras, por dependerem do tijolo de barro tradicional das olarias e de difícil logística, impactam mais do que resolvem o problema. As olarias clandestinas são um dos maiores empregadores de trabalho infantil em todo mundo e campeãs em amputações e demais acidentes de trabalho, a extração da argila tende a ser igualmente clandestina e o próprio transporte do material é custoso econômica e ambientalmente.
O concreto por sua vez é uma liga feita de areia, cimento e brita - a areia é um processo mineratório agressivo como qualquer outro, que deixa crateras a céu aberto e seca lençóis freáticos nos antigos areais. O cimento é produzido industrialmente a partir da extração de calcário e argila. As fábricas de cimento são consideradas grandes poluidoras, já que onde há extração de calcário hoje, amanhã haverá uma pedreira abandonada. A extração da argila do fundo de rios faz com que os veios percam volume de água e leva à extinção de toda fauna.
A indústria do cimento sozinha é responsável por 2% de todo o consumo de energia e 5% das emissões de CO2 do planeta.

O desenvolvimento desse material reaproveitando o plástico, resolve muitos problemas com uma única solução. Só em Bogotá, capital da Colômbia, descartam-se 750 toneladas de plástico por dia em lixões a céu aberto.
A média de entulho produzido por metro quadrado em obras novas é de 150 kg, o que faz com que uma obra de 10 mil m produza cerca de 1.500 t de resíduos. No ano de 2000, é dito, foram descartadas na cidade de São Paulo 17.240 t de entulho por dia.


Site oficial: Conceptos Plásticos - de plástico reciclado à moradia digna.









Mais informação:
Vila colombiana bioconstruída em garrafas com adobe
A casa sustentável é mais barata - parte 02 (casas contêiner)
Casa construída com 18 toneladas de plástico no País de Gales
Conversão de plástico em óleo ou faça seu combustível em casa
Extração insustentável e ilegal de areia, base da construção civil
A casa sustentável é mais barata - parte 13 (recycled boat house)
A casa sustentável é mais barata - parte 14 (dormitórios tubulares)
Catedral construída com entulho de construção civil e lixo reciclado
Finca Bellavista: uma comunidade colombiana e sustentável de casas em árvores
A casa sustentável é mais barata - parte 10 (ecotijolos e concreto reciclado de entulho)


terça-feira, 31 de maio de 2016

Ressacas marinhas são um fenômeno natural, previsível e contornável



Como não dá para viver só do salário de professora, comecei a dar umas auditorias e consultorias pelo interior. É interessante, estou gostando e, por uma dessas alegrias da vida, a primeira cidade onde aportei foi Navegantes, em Santa Catarina.
Eu sempre quis conhecer Navegantes, nos meus tempos de plataforma, trabalhei com muita gente boa de lá e ouvia maravilhas daquela "praia reta com uma faixa fina de areia que chega a 12km".
Então, fui conhecer essa praia, que realmente redefine o significado de comprido. Mas o que mais chamou minha atenção não foi a praia com sua vasta extensão, nem a delícia que é uma cidade pequena e pesqueira, mas a restinga totalmente preservada que acabou com problemas de ressacas.

Recentemente, uma ciclovia elevada desabou no Rio de Janeiro, matando pelo menos 3 pessoas. As autoridades locais culparam o mar e até uma onda de grande porte tradicionalmente associada às famosas ressacas da nossa orla. Eu não quero me estender no ocorrido, já que havia construções de mais de 100 anos fazendo a contenção de base do viaduto elevado contíguo em perfeitas condições até hoje. Não precisa ser engenheiro calculista nem especialista em cálculo estrutural para notar que o que levou a ciclovia Tim Maia da Av. Niemeyer abaixo foram falhas de execução no projeto, má qualidade no material usado e até a ausência de previsão ao efeito das ondas que arrebentam naquela pedreira desde que o mundo é mundo. As páginas de fotos antigas do Rio no Facebook foram pródigas à época mostrando fotos em preto e branco de ressacas da orla carioca desde o século XIX.
Na ciclovia da Niemeyer, a culpa não foi da onda, caso contrário o viaduto elevado com movimento muito maior de carros e caminhões já teria vindo abaixo há décadas. E não é possível preservar qualquer restinga naquela área, uma pedreira em mar aberto de onde eu mesma já avistei uma baleia. O que está realmente faltando é uma posição formal das autoridades e a apuração das causas para solucionar um problema que deveria ter sido banal. Assunto encerrado.


Há quatro anos, durante a Rio+20, na Cúpula dos Povos, assisti a uma palestra da Ong EcoSurf sobre a importância da preservação da restinga nas costas brasileiras, do trabalho sério de conscientização que os surfistas cariocas realizaram nas praias do Recreio dos Bandeirantes e de como nenhuma edificação e obra de contenção desenvolvida pelo homem foi capaz de segurar o avanço do mar, além da vegetação rasteira das restingas que, justamente por ser rasteira, é enraizada e cria uma teia que mantém a areia mais densa, formando assim uma barreira natural de contenção.
Esses surfistas e ativistas mostraram muitas fotos de diques, muros e casas inteiras que vieram abaixo em horas numa maré alta. Depois, mostraram fotos das mesmas regiões completamente recuperadas, com calçamento preservado e casas seguras em suas orlas apenas com a manutenção da vegetação rasteira da restinga.
Outra briga boa deles é contra o despejo de esgoto in natura na Barra da Tijuca e em São Conrado.
Para nós, humanos que devastamos a costa brasileira, já que para estabelecer 80% da população do país na orla, precisamos asfaltar e pavimentar tudo, pode ser estranho compreender como um matinho de nada, consegue ter mais força do que o concreto armado. Mas a natureza estava certa mais uma vez, nada segura a força das ondas em cidades litorâneas, além da vegetação rasteira e despretensiosa das restingas.



Como estava em Navegantes a trabalho, fui atrás e toda a população local com quem conversei confirmou o mesmo do pessoal da EcoSurf, antes da reimplementação da restinga então devastada, a via pública, o calçamento adjacente e todas as casas da orla viviam ameaçados de virem abaixo com as ondas mais fortes. Contam que "agora, a praia ficou mais mansa."

Eu gostei muito de tudo, do bom gosto dos caminhos e deques de madeira que viraram pontos de visitação, da vegetação rasteira que na primavera floresce com flores brancas, amarelas e roxas (ipoemas e açucenas), algumas bromélias, poucas árvores que estão ficando um pouco altas e garantem mais privacidade à praia. A possibilidade de caminhar nesses deques para assistir ao por do sol ou mesmo continuar frequentando a praia em dias nublados, fez do próprio local um ponto turístico cercado de verde.

Repare na ciclofaixa adjacente à via pública e como a vegetação varia, mais alta em alguns pontos e rasteira em outros.














Uma obra rápida e barata (para padrões brasileiros), do jeito que a população gosta.








Praia da Barra e Recreio até os anos 50, hoje e a restinga preservada em área de reserva ambiental, graças à mobilização dos moradores.






Para quem ainda não acreditou na nossa impotência diante da força do mar, veja melhor nas fotos abaixo:

Praia de Copacabana, início do Século XX, Hotel Copacabana Palace ao fundo




Ressaca na Av Beira Mar em 1919



Ressaca no antigo Mercado Municipal em 1921



A famosa ressaca de 1963, também em Copa




Praia de Piratininga, Niterói



Ciclovia Tim Maia com as obras de mais cem anos intactas







Atualização de 20/06/2016:
Mar invade duas obras olímpicas em Copacabana
Ressaca destrói obra de ciclovia que custou R$ 2,1 milhões em Caraguá




Fotos de Navegantes, Florianópolis e São Francisco do Sul: Abramar Incorporadora, BandSC, Prefeitura de Navegantes, Notícias do Dia, O Sol Diário
Fotos antigas do Rio de Janeiro: Rio que passou e Rio que mora no mar.
Piratininga, Niterói: Misterfreitas
Ciclovia Tim Maia: ArchDaily.com.br
Barra e Recreio: Nova Barra Bonita, História da Barra, Conhecendo o Rio de Janeiro






Por uma dessas tristezas da vida, perdi todas as fotos que fiz nessa viagem, tive que baixar as fotos de Navegantes, Florianópolis e São Francisco do Sul de sites avulsos buscando pelo Google Images.
Abaixo, a única foto minha que se salvou, feita na barca para Itajaí, atravessando o rio Itajaiaçu, que vem do Paraguai e atravessa mais de mil quilômetros.





Mais informação:

                                                 




sábado, 5 de março de 2016

Os incríveis produtos biodegradáveis, não testados e low-no poo da Tulipa Produtos Naturais



Adriana Volpi é uma antiga leitora e compradora do "Festa Vegetariana" que, como muitas leitoras, demonstrou interesse em cosméticos naturais e segundo ela, conversamos muito na época. Eu não lembro dessas conversas, o que me mata de remorso.
Os anos foram passando e na pressa do dia a dia, via Adriana comentar uma coisa ou outra na página do blog no facebook. Às vezes, aparecia entusiasmada por estar fabricando cosméticos naturais e eu procurava dar atenção, mas sem muita importância, achei que fazia suas máscaras em argila como todo mundo.
Há um ano, escreveu empolgadíssima com sua linha de cosméticos e me mostrou alguns produtos por email, prontificando-se a enviar amostras quando estivesse tudo pronto.
Mais uma vez, o tempo passou e eu nem prestando atenção... Até que ela apareceu com uma página no facebook e um catálogo de seus produtos totalmente formulados e embasados em veganismo e low poo, a Tulipa Produtos Naturais.

Foi a minha vez de escrever empolgada para ela e Adriana, na maior naturalidade, "Ué, mas eu comecei com a Tulipa depois da nossa conversa, não lembra? Já estudava cosmetologia natural há 15 anos, mas nossa conversa me estimulou."
Não, não lembro dessa bendita conversa. Infelizmente.
Perguntou o que eu queria desse imenso catálogo e eu escolhi parcimoniosamente apenas 2 produtos, em tamanho de amostrinha, para não explorar quem está começando. Respondeu que estavam em "cura", curando, mas que enviaria em breve.
O tempo passou e eu comprando produtos de outras leitoras, também fabricantes de low e no poo, vegano e biodegradável.

Um dia, recebo email da Adriana dizendo que enviou um pouco de cada, porque minha opinião seria importante. Mais uma vez, não botei muita fé e fiquei esperando a entrega pelos correios, que chegou a extraviar.
Então, quando finalmente, os produtos da Tulipa chegaram aqui em casa, eu abro uma caixa grande e pesada e me deparo com o exagero da foto!
Respondi imediatamente numa conversa cheia de frases como "Tá maluca?", "Que vergonha, é muita coisa!", "Ferrou, vou passar o final de semana me besuntando no box..." e da parte dela muitos "KKKKKK".
Rindo de mim e com toda razão.


O que Adriana enviou (e eu adorei):

Máscara capilar de romã: com sete óleos essenciais, manteiga de cupuaçu e de karite, óleo extravirgem de abacate e hidrolatos de alecrim, gerânio e romã, também pode ser usada como leave in.
Não uso condicionador há anos, usei como leave in nas pontas. Achei mais hidratante do que a de ceramidas abaixo, mas pode ser impressão minha, apliquei numa fase de cabelo palha e ficou muito sedoso.

Máscara capilar de ceramidas: que ela chama de "cimento capilar" para blindar o fizz, com gerânio, cedro, tomilho, melaleuca, hibisco e óleo de cártamo, também pode ser usada como leave in.
Como não uso condicionador, virou leave in para as pontas. O cheiro de rosas é delicioso, achei mais leve do que a de romã acima, mas também deixou meu cabelo muito sedoso, nem pude aplicar na raiz para não ficar melado.

Condicionador capilar de 3 manteigas: com óleo de semente de uva, pequi, buriti e rosa mosqueta, também pode ser usado como leave in.
Na minha opinião, pareceu no meu cabelo a mais densa das três. Mesmo diluída em água na proporção meio a meio, meu cabelo ficou melado usando como leave in e olha que meu cabelo é meio seco e muito fino, cheio de volume. É tão forte que só consegui usar antes da natação, deve ser o sonho de quem tem um cabelo elétrico, poroso ou destruído por alisamentos e descoloração. Imagino também que seja ótimo para fazer escova e chapinha, aplicar na sauna ou na praia.
Adriana garante que esses cremes podem ser aplicados da raiz para as pontas, que trata o couro cabeludo sem melar.

Tônico capilar em bambu: com juá, cravo, canela, alecrim e tomilho. Para aplicar por algumas horas antes da lavagem, fazendo massagem no couro cabeludo. Recomendado para queda e demais problemas do couro cabeludo.
Não deve, mas eu apliquei antes de dormir e só lavei pela manhã. Esquentou a cabeça! Mas a higienização do couro cabeludo foi incomparável.

Água de limpeza capilar em juá: com copaíba, substitui o uso de xampu em definitivo, recomendada para queda e problemas do couro cabeludo.
Muito boa para quem não emplastra o cabelo de cremes e pomadas. Eu gostei de usar naqueles dias em que não queremos nem saber de outros produtos no cabelo. Faz uma dobradinha interessante com o soro capilar citado mais abaixo, ambos têm natureza mais fluida. É uma experiência interessante, você molha o cabelo com um líquido incolor e inodoro e sente que o cabelo foi desinfetado como com anti resíduos de salão.

CoWash no-poo: para quem entrou de cabeça no no-poo, tratamento condicionante em óleo de coco saponificado e óleos essenciais.
Eu gostei muito para "lavar" o cabelo depois da praia.

Soro Capilar: um finalizador anti fizz com proteínas do arroz e aloe vera, para aplicar no cabelo seco ao longo do dia.
Eu usei no cabelo úmido e gostei muito também, deixou um brilho excepcional sem pesar nem melar.

Sabonete de Castela a 85% de azeite de oliva: o mais nobre de todos os sabonetes, desenvolvido para a Família Real de Castela durante a Idade Média, também serve como xampu sólido.
Bom para todo dia, não resseca nada, maravilhoso para ajudar a remover a maquiagem no banho e lavar sempre o rosto.

Sabonete de lama negra: esfoliante com carvão vegetal e gergelim negro, também serve como xampu sólido.
Adorei me esfregar com ele depois de suar o dia todo, faz uma esfoliação suave. Para quem tem cabelo oleoso, pode ser uma boa também.

Desodorante em creme: vegano em óleo de côco, óleo de copaíba, manteiga de cacau, hidrocarbonato de sódio, óxido de magnésio (suave suplementação de magnésio para nosso organismo), calamina mineral (inibidor bacteriano e proteção UVA e UVB, hipoalergênico) alúmen de potássio (mineral), água destilada, óleos essenciais de lavanda dentata, lavanda francesa, lavandin, melaleuca, patchouli e gerânio. 
Pode ser usado nas axilas e pés. Usei em dia de calor com camisa de tecido sintético e não senti necessidade de reaplicar, tem alumínio mas foi o primeiro desodorante natural que funcionou comigo. Cheiro delicioso, que não fica na roupa.

Água Micelar facial: com FPS 25, um tônico para ser usado por baixo da maquiagem sem enxágue, formulado com hidrolatos de lavanda e gerânio, águas termais, pepino camomila e chá verde.
Nunca havia usado loções tônicas faciais nem águas termais, gostei muito.
Usei em dias de muito calor sem nenhum outro produto e meu rosto não suou nem apresentou pontos avermelhados comuns em exposição moderada ao sol, senti a pele muito macia o dia todo. Adorei também por baixo de qualquer creme facial.
Delícias de verão: chegar da praia, tomar um banho frio com o sabão de Castela, se secar e aplicar essa água no rosto.

Creme facial-corporal de rosas e lanolina: com água de rosas, manteiga de cupuaçu, gerânio e pau rosa. Rico em vitamina C, recomendado para peles normais a secas.
Cheiro de rosas delicioso, adorei aplicar no rosto depois da praia, uma delícia para dormir mesmo no calor. Tão bom, que não tive coragem de "desperdiçar" no corpo, mas é ideal para massagem a dois.
A pele absorve na mesma hora, apliquei uma camada grossa antes de ir para um samba de quadra de escola no pé do morro em tarde de verão, suei de pingar e nem sinal do creme, que eu fiquei esperando escorrer. Só não deve ser usado durante o dia, por causa da vitamina C.

Vinagre em gel de maçã e alecrim: um produto tão diferente, com usos recomendados da fixação da tintura nos cabelos à massagens locais em quem sofre de reumatismo e até desodorante para axilas, que estou deixando o link, porque não consegui sintetizar tudo.
Eu usei como máscara semanal removedora de resíduos e tratamento pós tintura, muito bom, o brilho e a sedosidade foram de destacar. Mas imagino que seja uma boa também para quem sua muito nos pés ou tem problemas de cravos e espinhas nas costas.
Detalhe, a textura em gel foi obtida a partir da adição de goma gar e o vinagre é de produção orgânica.



Estou evitando dizer do que gostei mais por ser tudo muito bom, lindo e cheiroso. Mas principalmente, para que ninguém deixe de experimentar nada, porque outra pessoa escreveu em certo blog que prefere um determinado produto em detrimento do que você pensou inicialmente em levar. Prove de tudo!
Se é para consumir, que seja assim, comprando vegano, biodegradável e produzido artesanalmente direto de quem vende. Já encomendei do que mais gostei e também do que ainda quero conhecer e, assim que chegarem, devolvo as embalagens para que ela reaproveite.





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#KillTheKCup - Precisamos falar sobre o Nespresso



O problema não é exatamente o Nespresso, mas todo café vendido em cápsulas, como o Lavazza, Pilão, o Três (da Três Corações) e os demais genéricos, que são fabricados à moda do hypado Nespresso.
Esses cafés em cápsulas são uma praga, não dá para definir de outra forma. No lugar de um único e imenso saco de café, são vendidas por tabela milhares de cápsulas em plástico e alumínio, que não reciclam. Pior, os cafés nem são orgânicos, como as versões lácteas tampouco apresentam qualquer compromisso ambiental ou certificado de procedência. Como não há nada tão ruim que não possa piorar, agora, deram para vender chás em cápsulas, que obviamente só funcionam na máquina específica. Ora, chá é uma erva seca que não precisa ser gourmetizada, para fazer chá basta água fervendo e um pouco da ervinha escolhida. Os mais novidadeiros misturam sabores (eu gosto de misturar hortelã com camomila), pingam limão, juntam um cravinho (pau de canela, raspas da laranja, gengibre, cardamomo...), um pouco de leite fresco e estamos muito bem ajeitados.
Antes do advento dos saquinhos de chá, que pelo menos se biodegradam, as pessoas coavam o chá (comprado em quantidade sem muitas embalagens) em coadores metalizados reaproveitáveis. Havia até modelos em prata individuais para os mais chiques e as casas de chá também mantinham bules com coador embutido. Um charme, via-se a água mudar de cor ao contato da erva e o encontro das pessoas para um chá ou café era considerado quase um ritual.
O inventor dessas cápsulas, declarou-se publicamente arrependido de seu invento, já que a mineração do alumínio é tão poluidora como todas as outras. E o metal utilizado nas cápsulas, que é necessário para produzir coisas mais importantes do que embalagem descartável, não pode ser reciclado e vai acabar extinto no ritmo atual.
A cidade alemã de Hamburgo proibiu recentemente a comercialização de cafés e bebidas em cápsulas em prédios públicos, afinal as já existentes podem dar a volta ao globo 12 vezes se enfileiradas.


Ao mesmo tempo em que temos esse excesso de comida industrializada e embalada sendo vendida, encontramos um grande movimento a favor da retomada de tradições gastronômicas para que as mesmas não se percam. O chá e café são as bebidas mais tradicionais de quase todos os povos, justamente porque garantem que a água seja fervida e com isso, torne-se potável. Muitos estabelecimentos oferecem café coado em coador de pano servido em minixícaras de ágata, expressos com torragem dos grãos na hora, ervas para chá a granel expostas em vidros e variadas formas já consagradas de servir uma bebida caseira, tradicional, sofisticada (gourmetizada) e totalmente sustentável. 




Como adoro tanto chá quanto café e faço litros semanais de ambos sem cápsulas e máquinas modernas, deixo ao final da postagem muitas receitas caseiras, orgânicas, sem açúcar e o mais livre de embalagem possível, incluindo muitos cafés gourmetizados com ingredientes corretos, como favas de baunilha orgânicas. Fazer em casa não é só mais sustentável, como sai muito mais barato.
Mas você deve estar pensando, "Eu compro tantos potinhos plásticos de iogurte grego com tampinha de alumínio e não reciclo nada". Exatamente, ninguém precisa de potinhos de nada, você pode fazer em casa iogurte orgânico de fermentação natural, a mesma receita que os gregos realmente usam desde a antiguidade. Estou deixando essa receita também, para você ficar livre de potinhos seja lá do que for. Comida não precisa de composição de ingredientes, comida não é remédio para vir com bula.
E nem pense em sugerir cortininhas-bijuterias da reciclagem artesanal com essas cápsulas famigeradas, odiamos reciclagem artesanal por aqui. É medonho e insustentável.



Cidade alemã torna-se a primeira no mundo a proibir cápsulas de café
... a cidade alemã de Hamburgo tornou-se a primeira no mundo a proibir a venda e a utilização de cápsulas de café individuais em todos os prédios administrados pelo governo. Essas porções geram consumo de recursos e descarte de resíduos desnecessários. As cápsulas não podem ser recicladas facilmente porque são, muitas vezes, feitas de uma mistura de plástico e alumínio. São 6 gramas de café em 3 gramas de embalagem. Nós, em Hamburgo, pensamos que isso não deve ser comprado com o dinheiro dos contribuintes, relatou Jan Dube, do Departamento de Meio Ambiente e Energia de Hamburgo.
O movimento, que é apenas uma parte da tentativa de tornar a cidade mais sustentável e amiga do ambiente, vem em resposta à recente explosão dessas cápsulas nos últimos anos. As vendas de cafés individuais triplicaram na Europa Ocidental e nos EUA desde 2011, e em 2013, máquinas para tais cápsulas foram vendidas na Europa Ocidental pela primeira vez.
Em 2014, os principais fabricantes venderam cerca de 9,8 bilhões de pacotes de cápsulas, e apenas 5% das pessoas faziam a reciclagem (o que também provavelmente não adiantou muito, por conta da dificuldade do processo). Embora a principal empresa produtora, Keurig, tenha se comprometido a criar uma versão totalmente reciclável do produto em 2020, os próximos 4 anos podem causar um dano terrível ao ambiente, dizem os especialistas. “Não importa o que eles digam sobre a reciclagem, essas coisas nunca serão recicláveis. Eu às vezes me sinto mal por ter criado isso”, disse John Sylvan, fundador da Keurig e inventor da cápsula de café, em entrevista ao The Atlantic.
Atualmente, cerca de 13% das pessoas na Alemanha consomem essas cápsulas diariamente. Nos EUA, a percentagem de pessoas com uma máquina de café encapsulado aumentou de 15% para 25% entre 2014 e 2015. O que é realmente preocupante é saber que as pessoas continuam usando mesmo conscientes sobre seus malefícios. De acordo com uma pesquisa recente, 1 em cada 10 britânicos disse acreditar que as “cápsulas de café sejam muito ruins para o Meio Ambiente”, mas, ao mesmo tempo, 22% dessas pessoas alegaram possuir uma máquina.
Assim como canudos, guardanapos, talheres, copos e outras coisas descartáveis, as cápsulas de café entraram na lista de uso diário de muita gente. Entretanto, parece que ninguém reflete muito sobre uma questão simples: para onde todas essas cápsulas descartadas vão?
Só em 2013, 8 milhões de cápsulas descartáveis foram produzidas e o número de cápsulas descartadas já era suficiente para dar a volta ao mundo 11 vezes. Com versões mais baratas de máquinas e cápsulas lançadas nos últimos dois anos, além do incentivo fiscal anunciado pelo governo brasileiro esse ano, o número de pessoas consumindo e descartando cápsulas de café aumentou ainda mais no Brasil.
O grande problema, além do uso de matérias primas, é que as cápsulas de café são recicláveis na teoria, mas na prática é trabalhoso demais e não vale a pena o investimento. As cápsulas descartáveis são feitas de plástico, alumínio e um tipo de material orgânico. A reciclagem exigiria a separação desses materiais, isso sem falar que, no Brasil, apenas 3% do lixo reciclável é realmente reciclado.
As primeiras cápsulas descartáveis foram as K-Cups e seu criador, John Sylvan, se arrependeu de criá-las devido ao imenso impacto gerado por sua criação. “Não importa o que digam, as cápsulas nunca serão recicláveis”, afirmou ele ao jornal The Atlantic.
No Brasil, nós não temos as K-Cups, mas a Nestlé conta com as cápsulas de três camadas, que só são recicláveis na teoria, e a Nespresso alega que suas cápsulas são feitas 100% de alumínio, o que facilitaria a reciclagem. O problema é que a própria empresa conta com pouquíssimos pontos de coleta de cápsulas no país (apenas 12), dificultando até para as pessoas que têm interesse em fazer essa devolução.
Isso quer dizer que a cada café, estamos poluindo ainda mais o meio ambiente. Milhares de cápsulas descartáveis vão parar em aterros sanitários ou lixões, garantindo não só uma extração de papel, plástico e alumínio insana para produção e embalagem, como também emissão de CO2 e gás metano durante o apodrecimento das cápsulas a céu aberto.

Uma campanha da internet chamada #KillTheKCup mostra os danos causados pela produção e descarte dessas cápsulas e convoca as pessoas a entrarem nesse movimento. O vídeo apocalíptico com pouco mais de 2 minutos de duração mostra as cápsulas literalmente assolando a terra. Vale assistir e pensar duas vezes antes de tomar aquele cafezinho em cápsula. Opte pelas opções coadas ou prensadas e ajude a salvar o planeta das cápsulas descartáveis.



Kill The K Cup from Charles Wahl on Vimeo.



A primeira imagem, das cápsulas de Nespresso, são do artigo YOU’RE DESTROYING THE ENVIRONMENT WITH YOUR K-CUP COFFEE AND NESPRESSO PODS 
As três imagens seguintes registram 3 tradições em beber café: mineira (site do Centro de Comércio de Café do Estado de Minas), italiana (sem créditos) e árabe (site francês Papilles & Pupilles)
A quarta imagem, uma coleção de bules de chá chineses antigos específicos para a cerimônia do chá, é de um banco de imagens (depositphotos.com)
última é antiga aqui no blog, da cozinha daqui de casa e já estava na postagem dos cafés da manhã de inverno. O coador de papel reciclado se biodegrada em dias, principalmente se enterrado em vasos ou na composteira, use café orgânico que a ausência de agrotóxicos acelera o processo. O que é lixo na casa dos outros, na minha é adubo.






As receitas:
Kefir e iogurte
Delícias geladas
Delícias quentinhas
Slow Tea: chás e especiarias orgânicos
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Você compra demais ou "De onde vem o lixo produzido no mundo?"