quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sempre alerta



Eu não tive filhos, mas vejo nas redes sociais uma grande discussão sobre a novidade da escola de princesas e os cursos de desprincesamento para meninas criados em resposta, ambos diametralmente opostos e gerando discussões ferrenhas com ânimos exaltados.
Não conheço nenhum dos dois cursos, tampouco o novo grupo de meninas da Igreja Universal com aulas e atividades específicas que, segundo os organizadores, opera milagres nas vidinhas de suas discípulas. Nada contra, nada a favor.

Mas eu conheço uma Organização para meninos e meninas de todas as idades, classes sociais, credos e nacionalidades basicamente gratuita e alicerçada em valores extremamente conservadores, mas nem por isso menos válidos, ou talvez justamente por isso, que se mantém há 100 anos com uma tradição sem qualquer escândalo: Escotismo (e claro, Bandeirantes).
Porque é possível ser conservador e não ser boçal, como também é mais do que viável criar meninos e meninas em pé de igualdade sem agredir os tradicionalistas

Uma das minhas muitas frustrações na vida foi nunca ter sido escoteira, conheci alguns chefes de grupo já adulta e cheguei a ajudar voluntariamente os dois grupos de Escoteiros do Mar de minha cidade em Festas Juninas, no Morro Azul no Flamengo e no Clube Piraquê na Lagoa.
Guardo as experiências com muito carinho e de outros eventos, lembro de ter lidado com as crianças mais educadas, prestativas e obedientes que já conheci.

Como acompanho as páginas escoteiras no Facebook, pude ver que o Escotismo, assim como Bandeirantes, só agrega valores positivos para qualquer pessoa, que continuará escoteira pelo resto de sua vida, pois estimula a participação dos pais, engajamento em atividades sociais, voluntárias e esportivas, assim como a construção de valores como honestidade, liderança, altruísmo, lealdade, disciplina e respeito às diferenças.
Em muitos países, onde conflitos armados são uma realidade, o Escotismo funciona como a única opção às crianças fora das milícias. Aqui mesmo no Brasil, há grupos escoteiros funcionando normalmente dentro de comunidades e claro, todos os seus membros tiveram um destino muito melhor do que os vizinhos aliciados pelo tráfico.
Mesmo em configurações sociais perfeitas, saber que seu filho está passando o dia ativo e em segurança no Grupo Escoteiro é muito melhor do que tentar convencê-lo a largar o celular ou qualquer game dentro de um apartamento.

Quando do deslizamento de encostas na Região Serrana em 2010, uma tragédia que vitimou mais de mil pessoas e segue impune até hoje, passei todo o período na Sede da Cruz Vermelha do Rio de Janeiro ajudando a separar e carregar fardos de donativos, como já havia colaborado quando do deslizamento do Morro do Bumba, igualmente impune. Ambas as experiências foram tão fortes em generosidade e humildade, que fiz questão de registrar aqui no blog.
Em todos os dias, pudemos contar com a colaboração alegre e incansável de diversos grupos escoteiros devidamente uniformizados.
Anos depois, presenciei escoteiros colaborarem voluntariamente em ocasiões e situações tão distintas quanto casamentos coletivos comunitários e maratonas urbanas pelo câncer. Sempre alertas.

Particularmente acredito que o Escotismo seja a melhor opção para qualquer criança em qualquer circunstância. Infelizmente as realidades familiares estão cada vez mais complicadas e a presença de figuras de autoridade e proteção em acampamentos, regatas e atividades voluntárias sempre de viés comunitário podem ser fundamentais para uma criança em formação, que muitas vezes não terá nenhuma outra referência na própria família ou escola.
Um dos meus melhores amigos não teve praticamente contato com seu pai na infância e adolescência, sua figura paterna foi o Sensei (mestre) de judô - um sujeito realmente fora de série, que retirou outros jovens das drogas e continua sendo um líder até hoje. Influenciou muitos conhecidos meus e, graças à boa influência dele, todos esses rapazes tornaram-se bons profissionais, maridos e pais, além de chegarem à faixa preta, é claro.
Como nem sempre é possível ter a mesma sorte, o Escotismo garante contatos e vínculos por toda uma vida em todo o mundo, já que promove atividades e formação para todas as idades.





Texto retirado do site dos Escoteiros do Brasil:
São bastante comuns os relatos de pais ou professores que percebem mudanças significativas no comportamento das crianças, adolescentes e jovens. Por meio das atividades que exigem concentração e esforço, de ações comunitárias e de um conjunto de valores que envolvem a lealdade, cortesia e educação, desenvolvemos a autonomia, a integração social, além do conceito de cidadania. Crianças e jovens inseguros ou tímidos acabam conquistando mais autoconfiança por meio desses estímulos emocionais e físicos.
Nossa intenção é proporcionar um ambiente de colaboração, onde se constroem amizades e valores levados por toda a vida. É por meio das atividades oferecidas que os jovens se desenvolvem, sendo incentivados a assumir liderança, a pensar e agir de maneira coletiva e sustentável, a se envolver com a comunidade, afim de tornarem-se independentes de forma responsável.
Prezamos o respeito, incentivando uma cultura de paz para que, assim, possamos entregar pessoas melhores à comunidade.




Mas você quer que sua princesinha encontre um príncipe encantado e seja muito glamourosa, o mais parecida possível com Kate Middleton...  Só observe que a princesa mais badalada do mundo faz mais do que usar vestidos caros e lançar moda. Dá uma olhada nas histórias abaixo e veja se o Escotismo (ou Bandeirantes) não é uma opção muito melhor, mais sadia para qualquer criança e mais barata para o seu bolso (é você quem paga, não a princesinha).
E não custa lembrar que a avó do Príncipe (que não é encantado, mas piloto de caças pela Força Aérea de seu país), a atual Rainha, é exímia mecânica e motorista de caminhões, trabalhou ativamente como voluntária nas frentes de batalha durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de coroada, casou-se e teve muitos filhos como manda a tradição, mas de todos, o único medalhista olímpico, foi a única filha mulher do clã, tia desse Príncipe.

Duchess of Cambridge qualifies as advanced diver (Duquesa de Cambridge qualifica-se como mergulhadora avançada)

How deep is your love: Kate Middleton gets advanced diving certification just like William (Quão profundo é o amor: Kate Middleton obtém qualificação avançada de mergulho exatamente como William





E quem sabe, dentro de um ambiente tão plural e ao mesmo tempo sólido como o Escotismo, não seja possível que sua filha até encontre seu príncipe encantado, se isso for o que ela realmente quiser para si mesma.
Mas, o mais importante, nossas meninas vão ter finalmente aprendido que existem mais opções do que ser só uma princesinha (do papai e do marido) e que, na verdade elas nem precisam de nada disso.

O que eu mais gosto na história abaixo, de um casal de escoteiros há mais de 50 anos na ativa: a mocinha já tinha posição de destaque no grupo enquanto ele, apesar de mais velho, apenas iniciava (o que deve ter obrigado esse rapaz a pedir autorização dela para algumas atividades) e o que ele reparou primeiro nela, a responsabilidade.

No Facebook, Elmer Pessoa com Lenita Pessoa: HOJE É UM DIA MUITO FELIZ! (curtido até agora por 459 pessoas)

Completa neste dia 70 anos de vida e com 55 anos de Escotismo! Lenita, uma esposa p/ toda vida! Não precisei de outra... Um feliz casamento de 47 anos c/ duas filhas e um casal de netos e mais dois a caminho! Pode existir alguém tão feliz quanto eu, mas, mais feliz, não existe! Estamos ficando velhos juntos? Não. Velhos não, pois o que é velho joga-se fora! Estamos ficando idosos juntos, dia a dia, vivendo a plenitude da vida. Continuamos trabalhando juntos, voluntários ativos e admito que seja eu quem dá o maior trabalho para ela...
Lenita continua sendo a minha garotinha, a mesma que começamos a namorar, ela c/ 15 aninhos e mesmo assim, já responsável, sendo Akelá do meu Grupo Escoteiro, isso em 1960! Vivemos duas vidas juntos: a vida familiar e a vida escoteira e, se Deus nos permitir, seguiremos estas duas trilhas por mais algum tempo.
Faria tudo de novo, se fosse possível repetir, talvez c/ mais capricho ainda, pois Lenita merece cada vez mais, o amor que sempre dediquei a ela! E, não se preocupem c/ os 70 anos... Ela tira de “letra”!
Lenita, eu te amo!






Mais sobre Escotismo, história e valores, no Wikipedia:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Escotismo
Bandeirantes, Instituição irmã que aceita meninos e meninas:  http://www.bandeirantes.org.br/

Todas as fotos de crianças e adultos escoteiros foram retiradas das páginas públicas sobre Escotismo, as da família real britânica, das reportagens linkadas. A minha favorita é a das escoteiras de tiara de princesa com o homem mais poderoso do planeta, um presidente negro, tido como bom marido e pai de mulheres independentes que, conhecido pelo bom humor e informalidade, topou colocar uma tiara também.



Mais informação:
Para brincar
A Sinfônica do Lixão
Festas Juninas sustentáveis
Por uma infância sustentável
Lancheiras e marmitas saudáveis
Tippi, a filha de fotógrafos criada na África
Os 10 mandamentos do mergulhador consciente
Carta aberta dos Bombeiros do Rio de Janeiro à população
No interior do RN, Exército inaugura primeiro poço artesiano que funciona a energia solar

Porque devemos reduzir o consumo de camarão





Porque devemos reduzir o consumo de camarão


O camarão é uma das comidas mais apreciadas em todo o mundo. Só nos Estados Unidos, cada pessoa come, em média, quatro quilos de camarão por ano, e não é preciso ser-se um especialista na matéria para perceber que esta tendência é insustentável e tem consequências ecológicas devastadoras.Os camarões que acabam nos nossos pratos podem sair de um estado selvagem ou cativeiro.
A técnica de criar camarões em viveiros, carcinicultura, baseia-se na manutenção do crustáceo em piscinas, no litoral, locais onde a maré pode passar e levar o lixo para o mar. Há também viveiros que são preparados com doses muito altas de produtos químicos, como diesel, sendo que os camarões recebem pesticidas, antibióticos e soda cáustica.
Por outro lado, os produtores de camarão já destruíram 38% dos manguezais do mundo, para criar todo o tipo de viveiros – aqui, os danos são permanentes. Quando a produção termina, estes manguezais não voltam ao ponto inicial, tornando-se terrenos baldios. Um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, concluiu mesmo que a carcinicultura tornou algumas áreas do Bangladesh inabitáveis, causando uma grave crise ambiental.
Para pescar o camarão selvagem, os pescadores utilizam traineiras de águas profundas, um método conhecido como pesca de arrasto – a técnica faz com que as redes pesquem entre dois a nove quilos de outras espécies de peixes para cada quilo de camarão. Para além do crustáceo, assim, são também pescados tubarões, raias, estrelas-do-mar ou tartarugas marinhas.
A pesca de arrasto representa apenas 2% do mercado mundial de camarão, mas é responsável por mais de um terço das pescas acidentais do mundo, sendo uma das maiores ameaçadas globais ao ecossistema marinho.


Saiba por que é uma boa ideia parar de comer camarão 

O camarão faz parte da alimentação de milhares de pessoas pelo mundo. Somente nos Estados Unidos, cada americano come, em média, 4 quilos de camarão por ano. O problema é que, por mais saboroso que esse crustáceo seja, o processo de industrialização dos camarões tem consequências ecológicas devastadoras.


As informações são do portal TreeHugger. Segundo o site, o camarão que vai para o seu prato pode sair do seu estado selvagem ou de um cativeiro. Mas nenhuma das opções é boa para o meio ambiente


Carcinicultura é o nome da técnica de criação de camarões em viveiros. Segundo Jill Richardson, esse camarão é mantido em tanques no litoral. 

Na Índia, esses viveiros são preparados com doses altíssimas de produtos químicos, como ureia e diesel, conforme relata Taras Grescoe em seu livro Bottomfeeder: How to Eat Ethically in a World of Vanishing Seafood. Os camarões criados por lá recebem pesticidas, antibióticos e até soda cáustica. 

Os produtores de camarão já destruíram 38% dos manguezais do mundo para criar esse tipo de viveiro. E o dano é permanente. Quando a produção termina, os manguezais não voltam a ser como antes, e o entorno vira um terreno baldio. Segundo um estudo feito pela Universidade de Yale (EUA), a carcinicultura tonou algumas áreas de Bangladesh inabitáveis, causando uma crise ecológica. 

O camarão selvagem também não parecer ser uma boa opção. Richardson afirma que para pescar o crustáceo, os pescadores usam frequentemente traineiras de águas profundas. Esse método é conhecido como pesca de arrasto, pois as redes em forma de saco são puxadas a uma velocidade que permite que os peixes e crustáceos sejam retidos.  

Essa captura acidental inclui tubarões, arraias, estrelas do mar, tartarugas marinhas, entre outras espécies. Apesar de a pesca de arrasto representar apenas 2% do mercado mundial de camarão, é responsável ​​por mais de um terço das pescas acidentais do mundo. 




RISCOS SÓCIO-AMBIENTAIS AO LONGO DA ZONA COSTEIRA


Antonio Jeovah de Andrade MEIRELES
Prof. Dr. do Departamento de Geografia
Universidade Federal do Ceará – UFC
Departamento de Geografia, Bloco 911, Fortaleza/CE


Carcinicultura
            O IBAMA (2005) realizou o mais completo estudo sobre os impactos ambientais da carcinicultura no Estado do Ceará. As 245 fazendas de camarão, com uma área total de 6.069,97 hectares, foram visitadas para a definição de aproximadamente 39 indicadores diretos de impactos ambientais. 
            Verificou-se que do total das fazendas licenciadas pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente SEMACE,  84,1%  impactaram diretamente o ecossistema manguezal (fauna e flora do mangue, apicum e salgado); 25,3% promoveram o desmatamento do carnaubal e 13,9% ocuparam áreas antes destinadas a outros cultivos agrícolas de subsistência. No rio Jaguaribe, 44,2% das piscinas de camarão foram construídas interferindo diretamente no ecossistema manguezal e 63,6% promoveram danos de elevada magnitude a um dos mais importantes carnaubais de nossas bacias hidrográficas. Dados mais assustadores ainda foram definidos nos estuários dos rios Pirangi, Acaraú, Coreaú e Timonha, com 89, 5%,  96,9%, 90,9% e 100% respectivamente, com as atividades de criação de camarão dentro do ecossistema manguezal (nos rios Acaraú, Coreaú e Timonha, 78,1%, 72,7% e 81,8% respectivamente, provocaram desmatamentos da vegetação de mangue). 
            A grande maioria dos empreendimentos proporcionou a disseminação  espécies exóticas, pois não contavam com mecanismos de segurança eficientes para evitar a invasão de uma espécie de camarão (Litopenaeus vannamei) estranha aos manguezais do Brasil. Definiu-se que somente 21,6% dispunham de licença correspondente à sua fase de implantação e dentro da validade. Nas  fazendas abandonadas, os diques continuam como nas em operação, inviabilizando as reações ambientais que dão sustentação à diversidade de fauna e flora do manguezal e dos demais ecossistemas das bacias hidrográficas. Verificou-se também que 77% das fazendas de camarão não contam com bacias de sedimentação (lançam diretamente seus efluentes na água dos rios, lagoas e estuários), o que vem a confirmar os elevados danos ambientais já definidos por pesquisadores das Universidades, representantes de Comitês de Bacias, ambientalistas e comunidades tradicionais (pescadores, agricultores, índios e marisqueiras). Com tais níveis de insustentabilidade ambiental, 67,9% dos criatórios foram acometidos por enfermidades (63% no litoral leste e 90% no oeste), provocando a morte dos camarões e a provável contaminação de outros organismos nativos. 
            Liberar investimentos sob a alegativa de que vai gerar empregos, considerada a mais forte argumentação dos empreendedores, não será mais justificativa, pois foi definido índice de até 3,20 vezes menor em média (empregos diretos observado na totalidade das fazendas) do que o divulgado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão ABCC (2004). No rio Acaraú, por exemplo, foi definido um índice 6,3 vezes menor do que o propalado pelos carcinicultores. Quando a SEMACE libera as fazendas de camarão, através de pareceres técnicos que orientaram o Conselho Estadual de Meio Ambiente COEMA, dentro do ecossistema manguezal (apicum e salgado) e demais unidades de preservação permanente (áreas úmidas, mata ciliar e carnaubal), está cometendo um grave dano socioambiental. A Resolução 02/2002, que orienta a carcinicultura no Ceará deverá ser completamente revista e suspenso os licenciamentos. 
            Nas terras indígenas Tremembé de Almofala e de São José e Buriti, as fazendas de camarão desmataram o ecossistema manguezal e a mata ciliar. Utilizou um sistema lacustre de usufruto da comunidade indígena extinguindo uma importante fonte de alimento. Danos sócio-ambientais e culturais de elevada magnitude. 
            Verificaram-se impactos de elevada magnitude relacionados com a salinização do aqüífero. Ao longo do estuário do rio Jaguaribe, comunidades de pescadores como Cumbe e Porto do Céu,  tiveram seus mananciais subterrâneos salinizados. Evidenciaram-se problemas desta natureza também nos estuários dos rios Pirangi e Acaraú. 
            Constatou-se que esta atividade levou em conta unicamente os custos de mercado, em detrimento dos danos ambientais, ecológicos, culturais e à biodiversidade. Comunidades foram expulsas de suas atividades tradicionais, índios estão em grave perigo de perda de suas bases alimentar e cultura, pescadores foram torturados, ameaçados de morte e impedidos de pescar. Agora resta exigir a paralisação das atividades, recuperação das áreas degradadas e, definitivamente, levar em conta os lamentos dos povos do mar e seus motivos para preservar ecossistemas que irão sustentar a qualidade de vida das futuras gerações.

Os principais danos ambientais relacionados com a carcinicultura foram (IBAMA, 2005; Meireles 2004; Araújo e Araújo, 2004; GT-Carcinicultura, 2004; Cassola et al., 2004; Meireles e Vicente da Silva, 2003; BIOMA/NEMA, 2002; Tupinambá, 2002; Coelho Jr. e Schaeffer-Novelli, 2000): desmatamento do manguezal, da mata ciliar o do carnaubal; extinção de setores de apicum; soterramento de gamboas e canais de maré; bloqueio do fluxo das marés; contaminação da água por efluentes dos viveiros e das fazendas de larva e pós-larva; salinização do aqüífero;  impermeabilização do solo associado ao ecossistema manguezal, ao carnaubal e á mata ciliar; erosão dos taludes, dos  diques e dos canais de abastecimento e de deságüe; empreendimentos sem bacias de sedimentação; fuga de camarão exótico para ambientes fluviais e fluviomarinhos; redução e extinção de  habitates de numerosas espécies; extinção de áreas de mariscagem, pesca e captura de caranguejos; disseminação de doenças (crustáceos); expulsão de marisqueiras, pescadores e   catadores  de caranguejo de suas áreas de trabalho; dificultar e/ou impedir acesso ao estuário e ao manguezal; exclusão das comunidades tradicionais no planejamento participativo; doenças respiratórias e óbitos com a utilização do metabissulfito; pressão para compra de terras; desconhecimento do número exato de fazendas de camarão; inexistência de manejo; não definição dos impactos cumulativos e biodiversidade ameaçada. 








Site Oficial MPF/RN: MPF/RN se posiciona contra projeto de lei que libera carcinicultura em áreas de mangue


Procuradores já enviaram, junto com Ibama, documento ao governo com razões para veto e pedido de criação de um grupo de trabalho
O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN) é contrário ao Projeto de Lei 63/2015, aprovado na Assembleia Legislativa e que qualifica a criação de camarão (carcinicultura) como atividade agrossilvipastoril, permitindo que seja desenvolvida mesmo em áreas de proteção ambiental permanente, como os manguezais.
Para o MPF, a proposta, além de inconstitucional, trará danos ao meio ambiente e à sustentabilidade da região costeira do Rio Grande do Norte. Diversas ONGs e instituições já se posicionaram contra o PL 63/2015, incluindo entidades como o Ibama e a Comissão de Direito Ambiental da OAB. O Projeto de Lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa no dia 16 de julho, com apenas um voto contrário, e seguiu para sanção ou veto do governador Robinson Faria. 
A proposta permite a realização da atividade de criação de camarão em ecossistemas ambientalmente frágeis, como os mangues, considerados áreas de proteção permanente pelo Código Florestal Brasileiro e que servem como berçário da vida aquática.
Razões para veto - Em documento enviado ao governador Robinson Faria e à Consultoria Geral do Estado, os procuradores da República Clarisier Azevedo, Victor Mariz e Victor Queiroga - bem como o superintendente do Ibama, Luiz Eduardo Bonilha - apontam a clara inconstitucionalidade do projeto de lei, que viola trechos dos artigos 22, 23, 24 e 225 da Constituição Federal, além dos artigos 150 e 152 da Constituição do Estado.
As duas instituições lembram ainda que uma possível sanção causará insegurança jurídica, gerando demandas judiciais com o objetivo de anular possíveis licenciamentos que se baseiem na nova legislação. Isso resultaria, ao final, em desocupações de áreas e na perda de investimentos públicos e privados, que poderiam ter sido destinados a locais onde a atividade é legalmente permitida.
Ibama e MPF sugerem a formação de um grupo de trabalho interdisciplinar para regular de forma adequada e sustentável a atividade de carcinicultura no Rio Grande do Norte. A sugestão é que o grupo seja composto de técnicos, produtores, cientistas, representantes de classes profissionais, órgãos públicos de fomento e controle da atividade, representantes do Estado, OAB, ONGs e membros do Ministério Público.
O Projeto de Lei 063/2015, além de violar a legislação ambiental brasileira, fere vários tratados, convenções e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, dentre os quais o Tratado de Ramsar.


Cartilha da SVB sobre carne e sustentabilidade: Um fato emblemático que revela a inconsequência da produção industrial de carne: em 1960, um grande tsunami atingiu a costa de Bangladesh. Apesar dos prejuízos materiais, não houve uma única perda humana. No entanto, vários milhares de pessoas morreram quando um tsunami de magnitude similar arrasou a mesma área, em 1991. Por que a diferença? Neste meio tempo, os imensos manguezais, que davam proteção natural àquela região, foram devastados para dar lugar a inúmeras fazendas industriais de carnicicultura (criação de camarões em cativeiro).


Para armar os tanques e cercados (das fazendas aquáticas de pescados e frutos do mar), já se eliminou metade dos manguezais da Terra, pelo menos um terço dos brasileiros. Incrivelmente, a taxa de destruição do mangues já é maior do que as florestas tropicais. O mangue é um ecossistema tão frágil quanto importante em termos de biodiversidade e segurança contra inundações e tempestades. A falta da barreira natural de mangues que cobria, originalmente grande parte do sudeste asiático e da Indonésia é uma das principais causas do número exorbitante de mortes e prejuízos por ocasião do tsunami de 2004.









Fonte imagens: Tribuna do NorteJunkfoodunmaskSlow Food Brasil, Greenpeace





Mais informação:
Guia Slow Fish Brasil
Você ainda come salmão?
Como sobreviver a um Tsunami
De onde vem o atum da latinha?
Indústria pesqueira x pesca artesanal 
Símbolo do RJ, boto sumirá das praias até 2050
Ressacas marinhas são um fenômeno natural, previsível e contornável
DO QUE A PESCA DE ARRASTO É CAPAZ: AS TONINHAS DE PERUÍBE PRECISAM DE NOSSA AJUDA
Tubalhau, o bacalhau de tubarão protegido por lei e pescado em Fernando de Noronha
Parques de Energia Eólica, Conflitos e Injustiças Ambientais na Zona Costeira - Carta das comunidades e organizações da sociedade civil   


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei

O móvel mais sustentável é o que já existe, não existe madeira mais sustentável do que a que já foi extraída e pode ser reaproveitada. Nenhum programa de reflorestamento reproduz as condições de uma floresta nativa e qualquer programa de reflorestamento e manejo consome mais água do que reaproveitar o móvel velho que foi da vovó ou estava largado na calçada.

O reflorestamento de eucalipto é um mito, o eucalipto que não é sequer nativo do Brasil, consome pelo menos 30lts diários em seu processo de crescimento, não alimenta as espécies nativas da fauna brasileira e transforma áreas cultiváveis inicialmente em desertos verdes e a longo prazo, em vastas extensões desertificadas com solo erodido e lençóis freáticos desgastados.

Se pensou em móveis de madeira de demolição, esqueça!
Os móveis de madeira de demolição tradicionalmente à venda são um engodo para enganar os incautos. Raciocine comigo, se a madeira de demolição é obtida a partir da demolição de edificações antigas, o mundo deve ter vindo abaixo e nós não vimos tamanha a oferta desses móveis a preços populares. Pior, se a suposta madeira de demolição foi obtida a partir da demolição de uma casa, essa madeira só poderia estar em um lugar: nas vigas, ou nos telhados na pior das hipóteses.
E madeira de viga é pesada, é a coluna de sustentação da casa. Se o móvel levinho em estilo balinês (ou colonial mineiro repaginado) foi praticamente o preço do mdf, não é madeira de demolição. Haja casa antiga para demolir!

Outro erro comum é pintar tudo, vivemos essa fase do móvel colorido ao estilo dos cenários de teatro infantil. Cômodas roxas coexistindo pacificamente com cadeiras turquesa e mesas para 10 pessoas em amarelo canário. Eu particularmente não gosto.
Cada década tem sua safra de cafonice, nos anos 80 foram os móveis laqueados à chinesa, nos 90 a onipresença da pátina, na primeira década do milênio (os anos 00), vimos tudo virar branco como na Provence e agora (os anos 10), o multicolorido de Alice no País das Maravilhas.
Não gosto nada, até porque esconde a beleza da madeira, seus veios e rajados naturais. Madeira de lei é caro porque é de boa qualidade, é madeira que cupim não roi como se diz. E bem tratado fica lindo. Atente que os grandes marceneiros e designers de madeira não chegam nem perto de um pincel de pátina. Ninguém mandaria laquear um móvel assinado ou em madeira de lei herdado de casa de fazenda porque, quando aquela moda passar, e vai passar como todas, para raspar e voltar ao original é quase impossível.
Se chegou numa loja que só vende móveis de demolição levinhos e tudo pintadinho, fique certo que nada ali é em madeira de boa qualidade, nem veio de demolição alguma, a pintura serve principalmente para esconder as falhas e a má qualidade da matéria prima.
O próprio consumo excessivo de tinta, um derivado de petróleo, é insustentável por definição. E as latas nem reciclam, o que gera outro problema.



Das coisas feitas em oficina de marcenaria





Está na moda fazer oficinas de marcenaria. Não sou de modismos, mas como gosto muito do assunto, fui em frente. Valeu a pena, em um dia de trabalho, faz-se uma banqueta charmosa como a da foto. Aqui em casa, por ser de uma madeira inferior como o pinus. foi pintada de amarelo, cor que também está na moda. Fosse em jacarandá ou vinhático e não virava banquinho nem levaria tinta, é claro. Quem der a sorte de pegar uma peça com a "falha" da foto, pode ficar só no verniz, vai ficar ainda mais bonito. Eu não dei essa sorte e fui de amarelão.





Escolhi o pessoal da Oficina SA por muitas vantagens, além do marido de uma conhecida ter feito e gostado, o galpão deles é a 5 minutos de caminhada da minha casa na Praça da Bandeira, à Travessa Soledade. Eu adorei o lugar, onde antes funcionava uma oficina mecânica, a roldana servia para içar o motor dos carros.




Essas janelas antigas lindas foram encontradas pelo pessoal da Oficina numa caçamba de lixo, pegaram, reformaram e virou a parede de vidro do jirau com iluminação e ventilação natural. Um charme.
A escada também foi toda feita por eles, detalhe do corrimão garimpado em feira de antiquariato.








Do que foi garimpado no Centro de Triagem da Comlurb

A companhia de limpeza pública carioca mantém um galpão na Praça da Bandeira, à Rua Teixeira Soares. Tudo o que eles acreditam ter um destino melhor do que o aterro sanitário, é posto à venda. Como passo sempre na porta, encontrei preciosidades em três visitas e lamento não ter levado outras coisas.

O que levei em períodos distintos:

A cadeira de design italiano, assinada Way Design. Estava um lixo, mas foi só lixar e pintar com tinta preta fosca na pistola. No pincel ficou uma porcaria, na pistola deu certo. Por R$20,00. Eu me refiro a ela como "a cadeira do Batman".





O florão de cabeceira de cama em madeira maciça. Amei essa peça de cara, estava bem na entrada do galpão. Era pesadíssima e um dos catadores trouxe em sua carroça por R$20,00. Não souberam dizer de qual madeira se tratava, pela minha pouca experiência parece cerejeira.
Fiquei pensando no que fazer com ela e os blogs de decoração foram a inspiração. Um zelador de prédio vizinho serrou as bases e laterais com seu tico tico por R$50,00. A cozinha do meu apto antigo ficou só serragem, mas deu para limpar em um dia. Depois, eu lixei as bordas e pintei tudo de azulão com rolete simples por cima do verniz mesmo. Eu queria deixar no verniz mais escuro, para ficar com cara de mogno, mas estava com muitas falhas e um galãozinho de acrílico azul royal com meio de branco e um quarto de verde folha (todos de resto das artimanhas que já andaram por aqui) deram conta. Tudo saiu a R$150,00



Já pintado na cozinha da casa anterior à atual, quando morei em cima de um brechó e antiquário no Maracanã. Eu gosto muito dessa peça como falsa cabeceira de cama, apoiado numa base de alvenaria. Já pendurei na parede e não achei tão bonito, escorado ficou mais interessante, mas não tenho mais foto, fica para a próxima.



A vitrolinha antiga de pé de palito sintonizando "ondas curtas, longas e tropicais". Essa foi a peça mais cara, os catadores cobraram R$200,00 na época. Falaram grosso comigo "A Globo entra aqui e paga até R$500,00 para colocar na minissérie". Como havia gostado muito e sabia ser mais caro por aí, levei. Foto de outro apartamento antigo, dessa vez com vista para o Colégio Militar. Depois, essa vitrolinha seria vendida no comércio informal da Rua do Lavradio, quando fui morar no Flamengo e precisei vender todos os meus móveis e comprar novos em função da disposição dos cômodos. Arrependo-me da decisão em relação a essa vitrolinha, é um móvel muito prático que não ocupa espaço algum, serve até como base para impressora. A antiga postagem sobre estantes sustentáveis a partir de reaproveitamento traz um exemplo lindo com uma vitrolinha dessas.






Das coisas herdadas:





A mesinha ao lado, hoje restaurada e pintada, foi presente de uma amiga, e apareceu aos pedaços na postagem antiga Comendo a ração que vende - parte 08: os móveis de Angela Freitas
Ainda não havia aparecido aqui reformada, o restauro foi feito pelo pessoal do Brechó do Casarão, aqui na Tijuca. Virou um porta talher provençal na minha cozinha atual.






















Das coisas que eu achei na rua

As bobinas e caixotes abaixo já estavam nas antigas postagens Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina e Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira quando morei em cima desse brechó-antiquário no Maracanã.
Eu gosto muito de bobinas, tinha outras sem pintura em minha casa antiga, ambas imensas, mas como essas eram menores e estavam em pior estado, pintei e não me arrependi.
A bobina pequena e pintada é um móvel muito versátil, como pallets e caixotes, todos feitos da madeira mais ordinária possível, justamente por serem descartáveis. Pintar ajuda a manter essa madeira, que exposta à condições normais, apodreceria.











Mais informação:
O mito do reflorestamento de eucalipto
A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes)
A casa sustentável é mais barata - parte 04 (ecotintas)
"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
A casa sustentável é mais barata - parte 03 (material de demolição)
A casa sustentável é mais barata - parte 01 (básico de sobrevivência)
Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina
A casa sustentável é mais barata - parte 19 (construções com portas e janelas)
Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira
Apresentando um catador da Amazônia ao restaurador de São Cristóvão e morando em cima de um antiquário e brechó no Maracanã

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

O Sul é o meu país


O Sul foi o meu país nos últimos meses, por força do trabalho como auditora, fiquei mais lá do que em casa e gostei tanto de tudo, que só trago boas recordações. Não voltava na região há mais de 10 anos e descobri que estava com saudades do que nem lembrava.
Deus sabe o que faz, tive que sair na véspera de três passagens da tocha olímpica em SC - Criciúma, Blumenau e Floripa. A vontade de apagar a extintoradas de CO2 seria irresistível e meus alunos acabariam me vendo algemada no Jornal Nacional. Não dá.

Os dias em que passei em Curitiba, choveram sem parar. Estava um gelo ainda por cima.
Não me animei a fotografar nada, só o que trouxe e curti fora do vento rascante. E fotos de viagem só interessam a quem foi, o Google (como o Tripadvisor) está aí para isso.







Capela Santa Maria, antiga Igreja Católica reformada para abrigar sala de concertos moderna. É a sede da Orquestra de Câmara Curitibana. Imperdível, pouco badalado, esquecido pelos guias e as apresentações são memoráveis. Em frente, fica o Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, também cheio de exposições e apresentações musicais mais populares. Dessa vez, dei a sorte de encontrar uma imensa mostra de fotografias feitas por dois membros da família real brasileira entusiastas da fotografia, D. Pedro II e D. João de Orleans e Bragança, fotos feitas com mais de um século de diferença.



Ópera de Arame e a Universidade Livre do Meio Ambiente, ambos encravados em pedreiras com lagos oníricos ao redor. A Estufa e o Jardim Sensorial do Jardim Botânico, Olho do Niemeyer e claro, o Largo da Ordem. Por tudo, pela arquitetura colonial em ladeiras de paralelepípedo, pela linda Mesquita Muçulmana aberta à visitação e pelo Museu Paranaense. Pelos bares e restaurantes informais sempre com música da boa, pela feirinha de Domingo de onde trouxe as camisetas de algodão orgânico abaixo da Econtexto, R$50,00 a dupla na promoção, vieram na sacolinha de tecido, linda e reutilizável.
A pinha é arte do Poty Lazarotto, artista local, autor da fachada do Teatro Guaíra.


























Em frente à lateral das bilheterias do Teatro Guaíra, há uma calçada com 3 lojas ótimas e contíguas, de onde trouxe delícias. A lojinha de produtos naturais japonesa de perfil macrobiótico, de onde trouxe esse preparado para bolo natural em camadas da foto abaixo. Um café moderno e charmoso de esquina, onde tomei o melhor mate caseiro batido com limão da minha vida, espumante e servido numa taça imensa pelo preço do refrigerante em lata. E um estabelecimento recente e muito simples, quase uma portinha, a Queijaria do João. O João é um rapaz jovem, que entende tudo de queijo e te obriga a provar todos os queijos que vende, é a versão queijeira do chapeleiro maluco, um amor de pessoa e claro, apaixonado por queijo. Estava eu na lojinha dele, empanzinada lá pela milésima prova, quando entra um rapaz de origem japonesa tão jovem quanto o João. Como numa cena de filme antigo passado em cidade pequena, carregava um cesto de vime cheio de pães caseiros, broas de centeio que cheiravam de longe. João me obrigou a comer do pão também, é óbvio. Tive que brigar para não levar meia broa na mala, que ainda ia à trabalho para o interior do Estado. O rapaz padeiro apresentou-se, é da Padaria Maçã, que produz e entrega pela cidade pães caseiros de fermentação natural em farinha orgânica. Divino. Morasse em Curitiba e não comeria outro. Não dá vontade de passar nada nele, nem manteiga.
Trouxe do João, um queijo de Minas curado da Serra do Salitre e não consigo parar de comer, estou comendo puro de tão bom. Gostei mais do que o da Serra da Canastra na minha modesta opinião de amadora.

O bolo de banana integral  comprado no japonês macrobiótico, assado bem baixinho, como brownie (bati tudo no liquidificador para não morder passas e castanhas), acompanhando o queijo de Minas da Serra do Salitre comprado no João. Esse bolo lembra muito o panetone integral de banana que pode ser feito em batata doce, abóbora ou inhame, antigo aqui no blog. A embalagem sugere 3 bananas, 3 ovos, 1 xíc. de óleo e 2 col. de fermento para bater com os secos (aveia, gérmen de trigo, mascavo, coco ralado, passas e castanhas). Achei farelo demais e aumentei a proporção para 4 bananas, 4 ovos e 1,5 xíc. de azeite. temperei com cravo e canela em pó. Não medi o fermento, usei um sachê individual (equivale às 2 col. sobremesa sugeridas).








O segundo andar do Mercado Municipal. O primeiro também é maravilhoso, como o de SP, mas o segundo é praticamente todo orgânico. Há inclusive um restaurante 100% orgânico a quilo pelo mesmo preço dos convencionais, Restaurante Ohana de família japonesa, lojas de roupas e cosméticos orgânicos, lanchonetes que servem de tudo orgânico, até coxinha de frango orgânico desfiadinho em massa de farinha de trigo refinada orgânica e frita em óleo de soja orgânico e um açougue completo só de carnes orgânicas.







Eu gosto tanto do Mercado Municipal de Curitiba que, quando na cidade, procuro dar um pulinho quase todos os dias. Dessa vez, além dos almoços orgânicos da foto acima, tomei um café anarquista numa adega com luminárias de garrafas de vinho reciclado. O Restaurante Anarco, cuja marca de cafés licenciados homenageia a Colônia Cecília, em função de sua proprietária ser neta de membros dessa colônia agrícola socialista considerada o marco inicial de todos os movimentos sociais brasileiros. Os pais de Zélia Gattai chegaram a morar nessa colônia autogerida, quando fugiram expulsos pelo Governo e vieram ter sua filha mais nova (e famosa) em São Paulo. Parece que uma irmã dela morreu de fome na estrada a caminho, como o mesmo se passou com os filhos de outros colonos, que relatavam os enterros dessas crianças aos pés das árvores pelas estradas. Houve algo assim, seria preciso confirmar nas memórias dela, "Anarquistas, Graças a Deus" ou nas de seu segundo marido com quem viveu no exílio, Jorge Amado, em "Navegação de Cabotagem". Dois livros inesquecíveis.
Trouxe de Mercado Municipal de Curitiba, além dos cafés anarquistas, mirtilo desidratado orgânico a granel de uma lojinha do segundo andar, virou crumble com maçã em farinha de milho flocada.




























E não esqueça de tomar um chope no Stuart, é o bar mais antigo em funcionamento no Paraná. Não dá vontade de sair de lá.










Para pensar, escrito na parede de um banheiro público da Rua 24hs, que não abre mais 24hs.






Sororidade: Nos ensinam, desde meninas, que somos concorrentes, pois unidas somos fortes demais. Mulheres não são inimigas. Mulheres são irmãs!















De Floripa, cultuada pelas Townhouses e Beach Clubs do Jurerê, pelas baladas e pelo footing nos shoppings caros. Eu abro mão disso tudo para ficar com a simplicidade de meia dúzia de lugares:

Praia da Armação, a mais linda de todas na minha opinião, ainda mais bonita por ser deserta e encravada numa vila isolada de pescadores. Restinga preservada com as suculentas em flor, sem risco de depredação por ressacas, redes de pesca secando ao vento da tarde, caminhos em pedra e barquinhos de pesca.














O mangue na beira da rodovia, com sua pista de acesso e visitação em decks de madeira. Desça nas 3 pontes e siga a pé, se tiver sorte os pescadores estarão tarrafeando e estirando suas redes ao lado. Por que a Barra da Tijuca aqui no Rio não é assim?






Projeto Tamar, perto do Parque Municipal do Rio Vermelho








O Mercado Municipal de Florianópolis, além de todo hortifruti, com suas barracas de pescado e restaurantes maravilhosos a preços justos. Uma pena ver que parte das lojas está virando quase um camelódromo de 1,99. Nada a ver. Uma boa seria manter a tradição gastronômica-boêmia como em Puerto Madero e no Pier 17, além do próprio Mercado Municipal de Itajaí, que é totalmente gastronômico e típico, com um perfil pesqueiro como a cidade.
Do Mercado Municipal de Floripa: a obsessão local pela tainha com suas ovas e frutos de quatro microclimas brasileiros: pinhão, cupuaçu, cacau e graviola.























Às sextas, a feira livre local é bem ao lado do Mercado Municipal de Floripa e muito boa, dessa vez trouxe costela defumada caseira, linguiça de Blumenau (tombada como patrimônio) e um dos melhores pães que já comi, caseiro, de cará em farinha de milho à moda dos colonos alemães. No interior do ES, mais precisamente em Domingos Martins, também de colonização alemã, fazem igual e as versões com adição de batata doce são ainda melhores.
O pão na foto abaixo, na cozinha daqui de casa no Rio, acompanhado de outra tradição também comum em Domingos Martins, ES: nata de manteiga, é uma manteiga feita a partir do creme de leite fresco e não do leite puro. Muito mais suave. Nunca vi para vender aqui no Rio. Comprei das duas marcas no dia do meu voo de volta e trouxe na mala rezando para ter teto nos aeroportos - ambas catarinenses, de Biguaçu e Rio Fortuna.

































Restaurante Oliveira na beira da Lagoa da Conceição. Desde 1961, servindo comida portuguesa de primeira. Na foto, tainha com pirão e a vista da Lagoa.








O Trapiche da Praia de Canasvieiras para embarcar direto para a Unidade de Conservação Ilha do Arvoredo uma das duas Reservas Biológicas Marinhas Brasileiras, point de mergulho obrigatório. Nada a ver com aqueles passeios medonhos em escunas travestidas de navio pirata com direito a um sujeito fantasiado de Jack Sparrow. Em pleno domingo de manhã, eu fui mergulhar nessa ilha que já está em mar aberto e morri de frio, a água estava um gelo e a operadora de mergulho não era das melhores. Tive medo do meu pé congelar e cair duro gangrenado, mas vi mais golfinhos do que em qualquer atração do Sea World, compensou por esse lado.




Florianópolis também tem a maior concentração de brechós por metro quadrado que eu já vi, o consumismo de suas vaidosas moradoras deve abastecer esse comércio informal. À toa, quase todos os homens locais com quem conversei, reclamavam de solidão. Vai ver que as mulheres atualmente nem se arrumam mais para os homens, mas umas para as outras...
Na mesma rua na Lagoa da Conceição, eu encontrei dois brechós maravilhosos, onde comprei as lindas roupas abaixo por R$40,00 cada peça em média.









Para não reclamarem que eu implico com Jurerê.






Pelo interior adentro:

A RPPN mais impressionante da qual já ouvi falar: Rota das 14 cachoeiras em Corupá, SC.
Uma reserva de Mata Atlântica totalmente preservada por mais de um milhão de hectares, onde o visitante sobe um encarpado de morros através de escadas rústicas e decks de madeira completamente seguros, sinalizados e que levam sem qualquer chance de se perder pelo caminho, a 14 quedas d´água monumentais. Tem que ter perna para subir (e descer na sequência), são 2.500m de altitude montanha acima, mas vale muito a pena.
A dica foi dos proprietários do Green Beats Choperia, o único local aberto na noite em que cheguei. Clima de balada, comida mexicana, lanches americanos imensos e muita cerveja importada. Uma surpresa.




Voltando das cachoeiras, peguei carona com um casal simpaticíssimo, Anthony e Simone, me levaram para conhecer outro lugar lindo, um antigo Seminário Católico, que abre os jardins e organiza eventos públicos em seu interior. Ainda me ciceronearam um bocado. Fofos demais.
Corupá também tem dois hotéis ótimos - Vila Ecológica, uma ecopousada simples e barata no centro da cidade, onde antes funcionou o primeiro supermercado da cidade, tem cara de galpão antigo e é muito charmoso, decorada como um pub com toques de surf. E o principal hotel da cidade, Tureck Garten, um complexo de chalés com horta orgânica, que abre para almoços.
Corupá é a capital catarinense da banana, para proteger da geada e das pragas, as bananas são cobertas cacho a cacho.























Blumenau, que é o centro de toda essa indústria (têxtil, o segundo maior empregador do país - atrás apenas da construção civil) e onde eu não ia há 20 anos, tem um dos Parques Urbanos mais interessantes que já conheci: O Parque Municipal São Francisco de Assis, atrás do Shopping principal. Uma minifloresta urbana cercada de 23ha de Mata Atlântica preservada. Você ouve os sinos da Catedral de São Paulo Apóstolo no quarteirão ao lado, mas como a mata é muito fechada, não se vê nem os aviões do espaço aéreo.
Olho vivo, o Parque é bem sinalizado, mas peca em um único e importantíssimo item, as placas dizem tudo, até hábitos dos micos e época de florada das bromélias, menos onde fica justamente a saída.
Eu não morro de amores pela Vila Germânica, acho Disney demais e fora da Oktober Fest não tem muita função, mas a Cervejaria Eisenbahn é realmente bacana. Acabei trazendo um queijo fundido de Pomerode, SC - mania local. As bolachinhas orgânicas são o lanche atual da Gol Linhas Aéreas. Foi meu jantar no dia em que cheguei em casa, roxa de fome e com a geladeira vazia.











Brusque, que é a meca da malharia do Vale do Itajaí não fez minha cabeça. Não sou consumista, fui na FIP (espécie de outlet local com mais de 200 lojas) e voltei de mãos abanando mesmo sabendo que a indústria têxtil catarinense tradicionalmente não emprega crianças nem imigrantes irregulares, cumpre todas as normas ambientais e de segurança, sendo ainda o principal motor da economia local (que não atravessa crise, apesar de enfrentar concorrência chinesa). Para falar a verdade, eu fico meio agoniada em outlets, feirões e afins, me dá vontade de sair correndo.
Ao menos, encontrei em promoção pela metade do preço numa loja comum do centro da cidade a jaqueta de couro dos meus sonhos: sintética, corte clássico de motoqueiro e... vinho!






Tive a sorte de tomar um táxi cujo motorista, já bem senhor, era o Presidente da Associação de taxistas da região. Contou-me que, na época dele de rapaz, os pais colocavam os filhos para trabalhar em tecelagens aos 14 anos. Tanto ele, quanto o irmão, aposentaram-se normalmente aos 39, após 25 anos ininterruptos de serviços prestados em fábricas com periculosidade dentro da CLT. Então, esses homens partiam para outros negócios e assim, complementavam suas aposentadorias. Hoje, isso não acontece mais, as grandes tecelagens sequer existem e a maior parte das facções e confecções trabalha em terceirização para as grandes malharias e lojas de departamento do país que, muitas vezes, não produzem nada, apenas revendem. Com a concorrência de marcas licenciadas, até as facções de fundo de quintal estão tendo que se profissionalizar e até certificar. Os tempos mudaram, mas a legislação que tributa esses micro empresários, é a mesma dos tempos do apito da fábrica da Hering e prejudica muito a contratação de mais mão de obra local e expansão dos negócios.


Brusque tem é uma das melhores lojas de produtos naturais que já visitei, Sirius Produtos Naturais e Farmácia de ManipulaçãoPreços tão competitivos quanto os do Rio, com variedade maior. Trouxe a mini coleção de manteiguinhas vegetais da Bioporã e da Monama, que se encontra aqui no Rio em tamanhos variados. Levei também o brigadeiro de colher corretíssimo e pouco doce da Bianca Simões, sem glúten, lactose, soja, transgênicos nem sacarose. Em leite vegetal de castanhas, leite vegetal de arroz, cacau em pó e manteiga de cacau. Perecível, não dá para trazer na mala, foi meu jantar enquanto trabalhava da cama do hotel. Muito bom, raspei o pote.
Todas as manteigas de castanhas, assim como versões lac-sugar free de Nutella, podem ser feitos em casa, comprando tudo orgânico e a granel, sem sacarose refinada. As receitas vêm mais abaixo.





Bombinhas, SC. Fui esperando muito e também não morri de amores. Tem projeto de manutenção da restinga como todo o litoral e uns bares transados que só abrem no verão, quando lota de argentinos. De lá, trouxe duas coisas boas, além dos passeios pelas praias vazias de hermanos, o xampu sólido da curitibana Cativa, comprado numa loja moderna e descolada apenas de produtos de beleza orgânicos, Armazém da Pele, que vende até primer e máscara (rímel) orgânico e jantei um hambúrguer gourmet com o chope artesanal de São João Batista, SC, que estava realmente ótimo, em O Alquimista Burguer. As fotos desse jantar não saíram, estava muito escuro no bar, que é todo em contêiner.
























Itajaí e Navegantes, SC. Eu adoro as duas cidades, que lembram Rio-Niterói na sua relação. 
Cabeçudas e o Farol do Atalaia, ambos em Itajaí, SC. Os melhores exemplos de restinga preservada, construções seguras a beira mar, entrada de baía protegida para pequenas embarcações e entorno portuário e urbanístico em harmonia, onde as praias continuaram com qualidade da água apropriada.





 














No Centro de Itajaí, obrigatório para quem gosta de Escolas de Música, Dança e Teatro, Casa da Cultura Dide BrandãoOnde tomei café da manhã com as bananas passa em banho de chocolate compradas a granel na loja de produtos naturais mais completa da cidade (e das maiores do país), Casa das Ervas. Uma parede imensa com todas as ervas, especiarias e frutas secas que você imaginar. Na outra, apenas prateleiras a perder de vista com panelas de barro, ferro e pedra sabão, além de artefatos para culinária japonesa. De enlouquecer.














O empório orgânico imenso e perfeito, melhor do que os do Rio, Armazém do Galo. Vendiam de tudo orgânico, até avocado, abacaxi e maracujá frescos. Além de todos os produtos que se imaginar. Moderno, charmoso e descolado. Na vitrine, panelas Le Creuset, especiarias orgânicas e pés de moranguinho plantados num vaso de pet. Chique.






















No Mercado Municipal de Itajaí, de cara para o porto, cercado daquelas lojas maravilhosas de camping, pesca e surf, pausa no fim da tarde para uma Diabólica, a premiada cerveja artesanal de Treze Tílias, SC.
A vocação do mercado é basicamente pesqueira, como seus restaurantes em volta evidenciam e encontra-se pescado incomum, como cação, meca, ostras, peixe sapo e emplastro.














O ferry boat para Navegantes, que também vale a visita. Até a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Navegantes é original, com um campanário em farol e uma imensa secretaria em formato de barco.






Surpresas da estrada:

Cidades grandes que impressionam até paulistas: Jaraguá do Sul e Criciúma, SC.

Outra cidade têxtil muito urbanizada e desenvolvida, tão bonita quanto Pomerode e melhor do que Brusque para se viver na minha opinião: Timbó, SC.
Um pouco menor, mas com boa infraestrutura, muito limpa e segura: Morro da Fumaça, SC

Apucarana, no interior do PR, é lindo, também me surpreendeu. A cidade, além de ter tudo (até um inusitado Bob´s) por ser a capital brasileira do boné, parece localizada em um vale de contos de fadas e é toda tomada por cerejeiras em flor, como no Japão. Há inclusive uma festa anual da florada da cerejeira, a Festa Anual da Cereja, que no caso deles, não dá fruto, só a florada.

Em Londrina, PR, a rodoviária me surpreendeu igualmente, coloca no chinelo a porcaria do Aeroporto de Macaé.
Projeto do Niemeyer, em formato de disco voador vermelho, cujo acesso se dá por escadas rolantes e tem a melhor casa de sucos naturais que já vi. Você pede um e vem outro de "chorinho". Novata e em jejum, comprei dois sabores diferentes, manga e caqui, e recebi quatro copos por R$20,00. Quem quiser, ainda por cima, pode pedir para adoçar o seu com leite condensado, que eu declinei naturalmente.
Então, você fica sentado num lugar limpíssimo, silencioso, seguro e sem qualquer sinal dos pedintes comuns em rodoviárias, cercado de frutas frescas expostas em gôndolas como num supermercado, se empanturrando de suco natural bem grosso, quase um sorvete, enquanto admira o jardim interno, que tem uma cabine telefônica vermelha envidraçada imitando as inglesas.
Outra curiosidade londrinense é um cinema ao ar livre em temperaturas abaixo de zero no principal e mais moderno shopping da cidade, para assistir de drive in como antigamente. Os carros ficam embaçados, é claro.
























O que eu queria ter feito e não rolou: 

Voltar em Garopaba e na Guarda, SC. Não deu tempo, fica para a próxima e nessa também já se vão quase 20 anos.

Conhecer o pessoal da Puma Ecoturismo & Aventura - Guabiruba, SC. Tive que vir embora um dia antes, foi trabalho e estrada em ritmo de corrida. Mas é incrível ver que uma cidadezinha mínima como Guabiruba, tem um grupo de pessoas tão ativo se reunindo para trilhar e explorar a natureza local, que é linda e tem antigas minas de ouro abandonadas.

A maior tirolesa urbana do país - em Ibirama, SC. Cheguei um dia antes da auditoria agendada só para atravessar a cidadezinha dependurada como havia visto no youtube. Chovia sem parar e a tirolesa não abriu. Faz parte. Fica para a próxima.
Outro cara foi, filmou e postou. Veja a alegria dele abaixo.





Já em casa no Rio:

Saudades do meu café da manhã diário nas duas capitais, Curitiba e Florianópolis, de pé nas barraquinhas de rua, uma cuia grande de canjica de milho a R$5,00 acompanhada de um copinho pequeno de vinho quente a R$3,00. Vendiam também bem baratinho pinhão e quase sempre uma sopa salgada tipo caldo com alguma carne, que eu preferi dispensar.


Na cozinha daqui de casa:

Caldo de feijão no gengibre com a costela da feira de rua de Florianópolis, porque carioca não come feijão carioquinha, come é feijão preto - nosso prato típico não é a feijoada à toa!






O pão de cará com milho, caseiro, de uma barraquinha qualquer na feira de rua de Floripa, tão bom quanto o de Domingos Martins, ES. Cheio das natas de Biguaçu e Rio Fortuna, SC, compradas num supermercado local.























A linguiça Blumenau (tombada como patrimônio), comprada na feira de rua de Floripa. A melhor que já comi, tem gosto de salaminho, mas muito mais suave. Só o cheiro dela é de acordar os cachorros da casa.
caldo de feijão da véspera, coado e batido no liquidificador com a costela desfiada e refogado no alho como tutu. Acompanhado da linguiça Blumenau e do pão de cará com milho, ambos da feira de rua de Florianópolis.


















O mesmo tipo de bolo comprado em Curitiba, PR, encontrei em Brusque e Itajaí, SC, nas lojinhas naturais citadas acima. Dessa vez, preferi levar na versão nega maluca (sem passas, castanhas ou coco, mas com muito cacau). É ainda mais gostoso. Dessa vez, não temperei com cravo e canela em pó como fiz no curitibano, mas com 1 sachê de café solúvel que havia ganho numa cafeteria de aeroporto e estava perdido na bolsa. Quem é parado num bolo de cacau, vale investir num bom café solúvel orgânico, dá um toque a mais nos bolos integrais de chocolate e basta uma colher de sopa média por receita. Mantive a proporção, 4 bananas e 4 ovos no lugar dos 3 de cada sugeridos pela embalagem. E assei em forma redonda, ficou muito melhor do que o primeiro.
Nas fotos abaixo, com a geleia de tangerina do Mosteiro do Encontro, comprada no Seminário Católico de Corupá. O restinho da geleia foi para se despedir no pão de cará com milho da feira de rua de Floripa, cheio das natas catarinenses do supermercado e canela em pó.





As manteigas de castanhas compradas em Brusque, em 2 versões: salgada e doce. A sofisticada manteiga de castanha de caju com ervas finas acompanhando antipasti de pimentão vermelho e amarelo no pão de centeio carioca, tipo kummel brot e, na versão doce, manteiga de amendoim (peanut butter) com cacau de Ilhéus (BA), recheando biscoitinhos orgânicos. Para comer biscoito recheado sem culpa!






"O Sul é o meu país", frase emblemática que intitula essa postagem, é o nome do movimento separatista local. Tem meu apoio incondicional. Acho uma arbitrariedade obrigar um grupo de pessoas a adotar qualquer nacionalidade. Pior, pagar 5 meses anuais de seus salários a um governo que não dá qualquer contrapartida a essa grana preta (que sai dos nossos bolsos). Segundo o site oficial do movimento, Brasília ficou com 80% dos impostos pagos pela Região só em 2015. Em Outubro, haverá referendo popular sobre a decisão de se separar do resto do país, a aprovação em pesquisa informal é de 75%.
Fico me perguntando se no dia em que um Estado qualquer dos mais de 20 dessa imensa República Federativa conseguir se separar, como os outros não se comportariam?
E São Paulo, que até uma guerra empreendeu para ser um Estado independente e já está com um pleito agendado também para o segundo semestre de 2016, justamente para sondar a população insatisfeita com a corrupção nacional?
Um outro Estado nordestino também está com referendo separatista agendado para esse anoPernambuco, o que me fez lembrar da bandeira paraibana, de tarja preta em luto com a inscrição "Nego" do verbo negar e cuja capital chama-se João Pessoa em homenagem ao opositor do Governo Federal, assassinado
Os movimentos separatistas brasileiros perdem a seriedade quando abordam questões subjetivas e polêmicas para tantas pessoas, como tradições culturais, raciais e históricas. Pior, quando se comparam aos Estados mais pobres do resto do país, o discurso chega a ser preconceituoso.
Na minha modesta opinião, se a discussão fosse focada na questão tributária e no custo da máquina pública com a corrupção da União, esses Estados já seriam independentes e controlariam de perto seus representantes, tendo muito mais agilidade e presteza nos processos de rastreamento das contas públicas, apuração e afastamento de responsáveis e culpados.
Indo um pouco mais longe, a quem interessa em Brasília que esse país afundado em corrupção seja um labirinto contábil, quando a descentralização traria mais transparência, por ser administrada localmente, e, com isso, toda essa aparelhagem da máquina pública (que nós arcamos) não faria sentido algum?
A primeira vez em que vi a imagem dos 3 Estados sulistas independentes, fiquei horrorizada, pensei em Skin Heads e numa suástica. Depois, lembrei do mapa mundi anarquista e entendi que essa questão pode ter muitas variáveis, até a Colônia Cecília.






Lendo outro grande livro, da trilogia de Laurentino Gomes sobre a História do Brasil, "1808", "1822" e "1889", não lembro ao certo em qual dos três, uma frase emblemática me veio à mente:
"As coisas por aqui não mudaram muito, os Caiado continuam mandando"
De um bilhete que entraria para a história, do então Alferes Espírito Santo Cardoso a sua família após a Proclamação da República. O Alferes tornaria-se General, Gal. Espírito Santo Cardoso (nome de rua aqui na Tijuca) e teve um neto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 

Os Caiado continuam mandando, Ronaldo Caiado é Senador por Goiás e líder do DEM atualmente, já cumpriu meia dúzia de mandatos no legislativo, mas você deve lembrar dele mesmo é pela primeira eleição à Presidência depois da Ditadura, quando perdeu para outro filho bem nascido, Fernando Collor de Mello, atualmente Senador por Alagoas, ex-Deputado Federal, ex-Prefeito de Maceió e ex-Governador de Alagoas e claro, filho, neto e bisneto de políticos, como os ex-Senadores e Governadores Arnon Afonso de Farias Mello e Lindolfo Leopoldo Boeckel Collor, também é primo do atual Ministro do Supremo, Marco Aurélio de Mello, que por sua vez indicou para Ministra da Fazenda à época sua prima, a economista Zélia Cardoso de Mello.

Recentemente, vi o Brasil ter 3 presidentes em um único dia em razão de um outro impeachment por causa de pedaladas que deixariam de ser consideradas pedaladas dois dias depois. Um desses presidentes foi o Deputado Federal Rodrigo Maia, então Presidente da Câmara, que chegou a presidente de um país, apesar de não ter tido nem 3% dos votos quando candidatou-se à Prefeitura do Rio e é filho de César Maia, o ex-prefeito do Rio que mais tempo permaneceu no poder, 12 anos, e primo do Senador José Agripino Maia. A chapa de Rodrigo quando dessa candidatura fracassada à Prefeito, trazia uma vice interessante, a hoje Deputada Federal Clarissa Garotinho, filha de Antony e Rosinha Garotinho. O pai foi Prefeito de Campos (segunda capital do petróleo, atrás apenas de Macaé, onde administrava esses royalties que ninguém sabe no que foram investidos, já que Macaé e Campos parecem o Acre e não Dubai), Secretário de Agricultura do Estado RJ, Secretário de Estado do Estado RJ, Governador do RJ e o mais votado Deputado Federal pelo RJ, segundo mais votado do país na época. Também foi condenado por formação de quadrilha, quando a pena de dois anos e meio foi convertida em serviço comunitário. Hoje, é candidato à Vereador pelo Rio. Já a mãe foi apenas Prefeita de Campos (reeleita e onde também administra os royalties do Pré-Sal) e Governadora do Estado do RJ - num país imenso, mas onde o poder é centralizado e não muda de mãos, nem nos representa.




As receitas citadas na postagem, para você fazer igual em casa:
Pinhão
Cupuaçu
Vinho Quente
Nutella caseira
Manteiga de castanhas
Panetone Integral de Banana
Peanut Butter de tahine com melado
Caviar doméstico em ovas de tainha e Ceviche Panamenho
Caldos: a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Favas olho de cabra à moda portuguesa, com cenoura e linguiça
Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará
Pão de raízes em 2 versões: batata doce com cebola e inhame com coco e chocolate