domingo, 12 de abril de 2009

Os perigos do plástico para nossa vida


Há alguns anos, trabalhei em projeto de Telecom e, conversando com os técnicos de campo, todos comentaram que a instalação de antenas de telefonia celular no topo de prédios não impactava na saúde das pessoas e cheguei a ver pessoalmente que o amperímetro realmente marcava negativo um andar abaixo.

Ao longo do projeto e ganhando a confiança daquelas pessoas, todos confidenciaram ser pais de meninas, havia inclusive uma "lenda" no meio de que técnicos de Telecom "não sabiam fazer meninos".

O sexo de um bebê é definido pelo pai, que produz espermatozóides machos e fêmeas, e os espermatozóides machos, apesar de mais rápidos, são menos resistentes e consequentemente mais sensíveis à fatores externos. Trabalhar em campo, instalando antenas de telefonia celular, estava esterilizando os trabalhadores a longo prazo.
Toda aquela exposição, ainda que baixa, talvez tenha impactado na saúde dos trabalhadores.

Toda essa história me lembrou uma reportagem lida em revista feminina alertando às mulheres a não esquentar comida em microndas e, se for necessário, nunca usar embalagens plásticas, pois o plástico se aquecido liberaria substâncias que aumentam a produção de estrogênio em mulheres de idade fertil - o que explica o fato de tantas mulheres atualmente terem ovários policísticos e disfunções menstruais.

A reportagem terminava alertando contra o uso de tupperware, estimulando o armazenamento de alimentos em vidros e metais, principalmente líquidos (absorvem mais por contato) e citava uma pesquisa inconclusa na época que já previa que todo esse contato com polímeros e óleos minerais estava alterando os espermogramas de soldados voluntários para a pesquisa.


Hoje, navegando pelo site da rede Permear, encontrei o estudo abaixo e deixo o link, além de um trecho "para abrir o apetite":

"Sônia Corina Hess - UFMS
Cerca de 10 milhões de pessoas ao redor do mundo recebem diagnóstico de câncer anualmente. Além disso, nos últimos sessenta anos, a contagem média de espermatozóides em alguns países caiu pela metade, enquanto a incidência de malformações do sistema reprodutivo masculino aumentou consideravelmente. Há suspeitas de que tais efeitos estejam relacionados à contaminação ambiental. O presente estudo divulga dados sobre os efeitos de determinados produtos químicos industriais na saúde de cobaias, animais selvagens e seres humanos. Esses materiais são suspeitos de atuarem como disruptores endócrinos – substâncias que causam distúrbios na síntese, secreção, transporte, ligação, ação ou eliminação de hormônios endógenos e, assim, com o metabolismo, alteram também a diferenciação sexual e a função reprodutiva. Bisfenol A, ftalatos, alquilfenóis, dietilestilbestrol, componentes de filtros solares, plásticos, detergentes e outros produtos industriais de amplo emprego são apontados na literatura como disruptores endócrinos."


Não sei, mas lendo e observando tudo isso, me questiono se não fizemos uma revolução industrial para voltar ao básico: comprar manteiga a peso no armazem, devolver engradado de bebida, aquecer a comida (fresca e sem pesticidas e hormônios sintéticos) no fogo em panela de barro e, no final, lavar tudo com o bom e velho sabão de coco.



Um dos muitos temas presentes é o mal que armazenar comida em plástico faz às pessoas.

Tupperware é muito prático, leve, resistente, empilhável, pode-se até aproveitar as embalagens de sorvete e margarina...

Mas faz mal, libera óleo mineral na comida e quem ingere esse derivado de petróleo somos nós.

Duas moças que, além de inteligentes, têm olhos oceânicos, deixam suas dicas de como fazer essa substituição de forma prática: Rita Lobo (artigo mais abaixo) e Karin Fromm

Pat Feldman, igualmente inteligente e com olhos oceânicos, deixa dica ainda melhor: mamadeiras de vidro protegidas externamente por silicone



Do panelinha:

À primeira vista, essa história de cozinha sustentável pode parecer chata. Muitas obrigações e nenhuma compensação direta, imediata. E na era dos resultados -“perca 5 k em uma semana!” - reciclagem, compostagem, isso tudo pode parecer meio sem sentido; o efeito não é aparente nem instantâneo. Ninguém vai salvar o planeta em um mês. (Nem emagrecer 5 quilos em uma semana; mesmo assim, milhares de kits de dieta continuam sendo vendidos.) Então hoje eu quero comentar sobre um outro lado da cozinha verde, bem prático e bem simples. Ou pelo menos mais simples que fazer compostagem que, confesso, não está nos meus planos.

Tenho a maior birra de recipientes plásticos. Especialmente para guardar sobras de comida. Já deve ter acontecido com você o fato de colocar um alimento na geladeira, dentro de um recipiente plástico, e ele sair com gosto de outro. Pois bem, não sei se o meu olfato é de lobo, mas eu sempre sinto cheiro da comida anterior. O problema maior é quando a calda de chocolate vai para um potinho onde antes estava uma pasta de grão-de-bico com bastante alho. Não dá! Por mais que você lave, plástico pega o cheiro dos alimentos. Tenho ojeriza a plástico. E não é que na cozinha verde eles serão eliminados?

Vamos por partes. Potes plásticos até se encaixam na categoria de recicláveis. Mas eles são feitos de petróleo. Por isso, entram para a listinha negra da cozinha verde. Em lugar deles, vamos usar vidro ou inox. Ueba! Eles são ecologicamente corretos e não retém cheiro! Sim, a tampa continua sendo plástica, mas, do ponto de vista culinário, que é o que estou priorizando, a tampa não vai fazer a menor diferença. Já eliminar todos os potinhos plásticos da minha cozinha, isso sim vai ser uma questão ecológica. E culinária. Vão todos para o lixo! Reciclável, claro. Culinária verde agora. E já pensou que coisa fina, abrir a geladeira e ver todas as sobras em recipientes de vidro ou de inox?

A única questão é que eles não são baratos. Eu pelo menos fiquei com a impressão de que são caros. Tenho dezenas de tigelas de inox de preparo, mas são daqueles jogos sem tampa. Comprei na época em que eu morava em Nova York. Lá era baratinho. As de vidro, que também não têm tampa, também trouxe de lá. Mas me lembro de ter cogitado comprar um jogo de inox com tampa, aqui em São Paulo, e na época achei caro.

Resolvi dar uma pesquisada na internet. Nas Americanas, um “recipiente para preparar de inox com tampa plástica de 7,4 litros”, da Tramontina, custa R$ 169,90. Uma fortuna, vai? Mais uma googlada e achei no site do Shoptime um “conjunto de potes de inox com 5 peças da La Cuisine” por R$ 59,00. Opa! Há opções para todos os bolsos. (Detalhe, achei graça na descrição: “não deformam, não retém cheiro e podem ser levados a mesa para servir saladas, doces, massas, sopas, carnes, aproveite!” Ah, não, levados à mesa, não! A gente quer ajudar o planeta, mas não precisa avacalhar com a mesa!) Depois achei um “jogo de tigelas de vidro com 5 peças com tampa plástica”, da marca Heritage, de R$ 28,40 por R$ 19,50 no Wal Mart. Só para não ser injusta, o recipiente pequenino da Tramontina, que comporta 1,3 litros, nas Americanas custa R$ 79,90.

Mas antes de encher o carrinho, vamos a uma outra questão: a culinária verde prevê receitas com porções exatas. Ou seja, se você vai cozinhar para duas pessoas, a ideia é que faça a quantidade certa para duas pessoas. Você economiza gás na hora de cozinhar, e também energia, porque não vai sobrar nada para levar à geladeira. (E também não vai ter de jogar fora aquela lasanha que está há uma semana na geladeira.) Então não vamos precisar de tantos recipientes de inox assim. Talvez seja um pouco de wishful thinking da minha parte. Mas, finalmente, achei um bom motivo para eliminar os potinhos plásticos da minha cozinha. E a dona Maria que mora dentro de nós, que não pode ver um pote de sorvete vazio que enche de arroz, vai ter de se acostumar a reciclar plástico e fazer menos arroz.




Mais informação: banimento do Bisfenol-A na Austrália e o equívoco do Tetrapack 

2 comentários:

Marcela Naveira disse...

Olá,
ao ler seu post isso me lembrou de uma matéria lida há tempos que tratava de poluição atmosférica e que um dos problemas futuros seria a mulher ter meninas e dificilmente meninos caso mantivesse muito contato com poluentes desse tipo...

obs: entrei aqui sem querer na busca de um vídeo para passar no mestrado e gostei muito do que vi e li.

Carol Daemon disse...

Olá Marcelo, que bom que gostou.
Em qual área é o seu mestrado?

abs e apareça, Carol