quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tetrapack não recicla




Que embalagens plásticas não são boas para a saúde e para o meio ambiente, todos sabemos, principalmente quando transportam líquidos que em contato com os lubrificantes do plástico, nos fazem beber óleo mineral, a mesma base do combustível do nosso carro.
Uma alternativa que surgiu recentemente como opção ecológica é a "garrafa" de água em tetrapak, considerada pelo fabricante como 100% reciclável.
A despeito das emissões de carbono nesse discurso em que o plástico leva 400 anos para ser decomposto e o papelão 2 meses, o que ainda não foi comentado é que qualquer embalagem tetrapak é muito mais complicada para reciclar do que uma embalagem plástica. Embalagens tetrapak são feitas de folhas de 3 materiais disitintos em "sanduíche": papelão (a parte externa), plástico (para isolar) e metal alumínio (o forro interno) - todos colados entre si.

Uma garrafa plástica é jogada diretamente na lixeira reservada aos plásticos e pode ser 100% reciclada, já uma embalagem tetrapak não pode ser descartada nem na lixeira de plásticos, nem na de papelão e menos ainda na de metais. Lixeiras específicas para tetrapak estão sendo desenvolvidas e há apenas 1 empresa que as recicla, uma parceria feita pela Klabin com a própria Tetra Pak e a Alcoa. Só existe uma fábrica para reciclar todo esse material no país e a tecnologia ainda é cara, até porque demanda muita mão de obra para separar folha a folha de cada embalagem.


Normalmente, o fardo de tetrapack é descartado na lixeira destinada à coleta seletiva do papelão e a cooperativa em questão não terá recursos para descartar devidamente as outras folhas de alumínio e plástico, gerando mais um resíduo desnecessário. Ouro equívoco é acreditar que o papelão certificado pela FSC da embalagem original é uma alternativa "verde". As fazendas de eucalipto para produzir papel e MDF certificado são uma monocultura latifundiária, corporativa e que emprega crianças e trabalho escravo, além de estar devastando as áreas remanescentes de Mata Atlântica para plantio de uma espécie que é sequer nativa da flora brasileira, leia melhor sobre o O mito do reflorestamento de eucalipto e assista ao filme Cruzando o deserto verde.

Logo, tudo que não for coletado, transportado e reciclado, será descartado num aterro sanitário. Se existir um aterro sanitário ou controlado no município em questão, o que ainda é exceção no nosso país, vide o exemplo do Morro do Bumba, cujos moradores estão desabrigados até hoje.


Na dúvida, voltemos aos casacos e vasilhames em vidro, salubres e retornáveis, apesar de pesarem no frete e consumirem mais combustível fóssil na logística de transporte. O diferencial é sempre a mudança do padrão de consumo e comportamento, reduzir a quantidade de bebidas prontas e água mineral engarrafada, que produzem embalagens que não sabemos como administrar e são hidropirataria, pois desertificam as áreas de entorno das fábricas - leia tudo sobre o assunto na postagem acerca de outro filme, Flow, por amor à água.
Observe que já existe uma empresa japonesa instalada acima do Aquífero Guarany exportando nossa água mineral e lucrando horrores com o negócio sem nos pagar um centavo em royalties.

Faça suas bebidas em casa, com frutas orgânicas, água de cocos frescos e muitos chás gelados a partir das ervas secas. Opções caseiras, acessíveis financeiramente e 100% sustentáveis. Assim, a logística dos cascos e vasilhames será a menor possível e o consumo respectivo de embalagens, idem.


Mais informação:
Como funciona um aterro sanitário
A história da água engarrafada
Long neck não recicla
Lixo cinza

4 comentários:

embalagemsustentavel disse...

Por isso que sempre digo, não é o material que vai transformamar a embalagem em mais sustentável. É preciso observar como o consumidor usa essa embalagem, como é reciclada ou qual vai ser o seu destino final.

Liliana Morales disse...

Olá Carol!! Eu estava passando por aqui e achei seu blog muito bacana. Parabéns! Meu nome é Liliana, eu trabalho na Tetra Pak, e queria aproveitar este espaço para informar os seus leitores que as embalagens da Tetra Pak não necessitam de lixeiras específicas: elas devem ser colocadas junto com o papel, já que é a sua principal composição. Aliás, a separação do lixo em case deve ser apenas entre recicláveis e não-recicláveis, já que a separação efetiva é feita nas cooperativas de catadores. Hoje já existe no Brasil uma cadeia completa de reciclagem das embalagens da Tetra Pak, com mais de 30 empresas, que transformam a embalagem em papelão, canetas, telhas, vassouras, etc. São empresas que reciclaram no ano passado cerca de 50 mil toneladas de embalagens. Se quiser conhecer um pouco mais, acesse meus vídeos no YouTube, que mostram toda a cadeia de reciclagem, no endereço http://www.youtube.com/user/LM200088 . Mais uma dica: para as pessoas que não sabem onde entregar seus materiais recicláveis, a Tetra Pak criou o site www.rotadareciclagem.com.br: basta acessar e colocar seu endereço. O site usa a base do Google Maps para buscar o local mais próximo de sua casa, para receber as suas embalagens para reciclagem. O site vale para qulquer tipo de material reciclável! Um abraço e obrigada pelo espaço!!

Carol Daemon disse...

Olá Liliana, fico feliz que você tenha vindo visitar a "menina" e mais ainda pela forma simpática como uma funcionária da Tetrapak se manifesta.
A idéia desse blog, desde sua criação, não é detratar nenhuma pessoa, física ou jurídica, visitando o histórico você vai observar inúmeros posts elogiando produtos e iniciativas de várias empresas. A postura aqui inclusive é a de que uma empresa é fiscalizada e penalizada por crimes ambientais, um cidadão nunca.
Sobre a questão de reciclagem de embalagens Tetrapak, acho válido a empresa ter criado a rede de catadores, mas a informação que recebi nos 2 últimos cursos que fiz sobre "gerenciamento de resíduos" e "projeto de educação ambiental para trabalhadores" seguem em ambos os casos uma orientação muito clara de que o Tetrapak não deve em hipótese alguma ser depejado em container para papelão (ou plástico, metais, etc), já que a cooperativa de reciclagem do papelão não teria tecnologia para trabalhar esse material, sendo assim o mesmo acabaria descartado no lixão comum. Faz sentido, porque uma cooperativa lida com recursos (humanos e financeiros) geralmente escassos e não teria como transportar os fardos de Tetrapak para um posto de coleta autorizado.
Trabalho em uma planta industrial de uma das maiores empresas do mundo, presente em mais de 100 países e que atua no setor mais fiscalizado do Brasil no que concerne a crimes ambientais, somos fiscalizados pelo IBAMA e FEEMA semanalmente e temos licença especial entre outros requisitos.
No refeitório da empresa há inúmeras lixeiras, sendo uma delas exclusivamente para Tetrapak e todos os colaboradores receberam treinamento da Técnica Ambiental (que é bióloga, funcionária e só faz isso, gerenciamento do resíduo) para descartar as embalagens de sucos e leite naquele container específico. Como Técnica em SMS da planta, eu mesma tenho autonomia para reportar caso alguém não descarte seu suco de caixinha naquele container, não é considerado boa prática e pode até ser visto como não-conformidade em caso de reincidência.
Ando sumida em função de uma viagem pelo trabalho, mas gostei muito do vídeo e principalmente da opção de busca pelo Googlemap. Em alguns dias, postarei disponibilizando ambos em um tópico só sobre essa possibilidade.

Apareça sempre, comente e discorde sobre o que quiser. Exatamente por você ser da área, sua visão é importantíssima e muito bem vinda.

Mariana MT disse...

Eu já conhecia a iniciativa da Tetra Pak e acho que tem seus méritos, principalmente por ser pioneira nesse quesito. Tenho inclusive, uma amostra de telha produzida com a reciclagem do TetraPak. Mas infelizmente na vida real é um parto conseguir coletores para esse tipo de reciclável. Na minha cidade apenas 2 recicladoras compram este material, o que automaticamente, faz com que os catadores não tenham nenhum interesse nas embalagens de tetrapak.