terça-feira, 30 de junho de 2009

Arroz: branco, integral, transgênicos e temperos prontos


Antigamente, comer arroz era uma coisa simples, naturalmente orgânico e parcialmente polido - o que nos livrava dos agrotóxicos e nos garantia um arroz integral, comprado a granel nos empórios e armazens.

Hoje, arroz integral (o produto inicial, antes de muitas etapas de polimento e clareamento) é mais caro e você tem que tomar cuidado com o que come na rua, não ser clareado (novamente) com o novo produto da Knorr "Meu arroz", que garante um arroz mais branco e soltinho. Eu não tenho a menor idéia do que leva nesse produto, mas fico receosa com um pó mágico que clareia meio kilo de arroz em menos de 10 minutos.

Ainda contamos com outra novidade, a Bayer conseguiu reunir adversários históricos como a Embrapa, produtores rurais e ambientalistas de oposição, ao tentar produzir arroz transgênico no Brasil. O consenso entre os 3 é contra a empresa.

Segundo página específica do Greenpeace para a campanha contra o arroz transgênico:

"Transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGMs), são seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza: planta com bactéria, mamífero com inseto, bactéria com vírus, e por aí vai. Usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colá-los em outra, os cientistas criaram organismos totalmente novos com características específicas. É o caso do arroz LL62, que a Bayer quer plantar e vender no Brasil. Seríamos cobaia do novo produto da Bayer, que não é plantado comercialmente em país algum do mundo.
Até agora, ninguém conseguiu provar que eles sejam seguros.
E também por acreditar no seu direito de escolher o que vai para o seu prato."


Concluem também que um arroz transgênico precisa paulatinamente de doses maciças de pesticidas, logo nunca será uma produção orgânica:

"Se o arroz transgênico pode realizar cruzamentos com outras variedades - como o arroz vermelho, por exemplo - a propriedade de resistência ao glufosinato de amônio também poderá ser transmitida. Com isso, variedades convencionais poderão adquirir a resistência ao glufosinato, criando as condições para que o agrotóxico seja mais e mais usado no campo, oferecendo risco aos agricultores, ao meio ambiente e à saúde dos consumidores. "
O meu arroz não é assim, é integral (do tipo cateto vermelho comprado a granel) e não leva nada que eu não saiba exatamente do que se trata, como sal, azeite e alho por exemplo. E ele demora para cozinhar, uma panela de arroz integral fica no fogo pelo menos por meia hora - não cozinha em segundos dentro de saquinhos plásticos.
Deixo uma receita que sempre dá certo e fica ótima com um bom vinho tinto orgânico, porque saúde tem que vir acompanhada de prazer:

Risoto de Açafrão com Funghi Porcini
1 copo de arroz integral
3 copos de água
2 colheres de sopa cheias de açafroa (curcuma, o açafrão brasileiro)
meia xícara de funghi desidratado (ou shiitake desidratado - para fazer com champignon fresco, dobre a quantidade para 1 xícara inteira)
1 colher de sopa rasa de sal marinho
4 dentes de alho orgânicos espremidos
3 colheres de sopa de azeite aromatizado
1 colher de sopa de ervas finas (ou herbes de provence)
Deixe o funghi de molho em parte da água, o suficiente para cobrir
Doure o alho no azeite
Junte o arroz integral e refogue para os grãos pegarem o gosto do alho
Adicione o açafrão em pó, o sal, as ervas secas e misture bem
Junte o funghi hidratado e picado, misture tudo.
Coe a água em que o funghi ficou de molho e a aproveite para colocar no arroz.
Misture tudo e junte o restante da água
Cozinha em panela de pressão, fogo médio, por 20 minutos e fica um risoto completamente cremoso.
Você pode acrescentar tomate seco picadinho, queijo ralado e folhas verdes bem picadas por cima na hora de servir, como salsa, manjericão e até rúcula e espinafre crus.

A mãe de meu padrinho, portuguesa e falecida antes de eu nascer, fazia arroz de frango assim, na panela de pressão cozinhando tudo junto. Ela não usava água, mas caldo caseiro de frango de granja, feito em casa com os ossos, uma folha de louro e as partes não nobres do frango. As partes nobres, ela refogava com pimentão vermelho, cebola e páprica para aproveitar no arroz. Diz a minha madrinha, que é octagenária e também cozinha muito, que até hoje ninguém conseguiu "bater" o arroz da sogra dela.

Fiz recentemente na panela de barro e ficou igualmente bom, não senti a diferença, vale tentar.
E se você também está se sentindo perdido ao entrar no supermercado, vá na feira de orgânicos mais próxima - ainda que muitos produtos sejam vendidos no mesmo supermercado que te assustou, você vai poder ver tudo ao vivo e ainda conversar com os produtores, gente como a gente, não uma corporação.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Não enterre sua cabeça na areia: "Flow, por amor à água"


Flow - por amor à água
Site oficial do documentário que retrata a degradação e desertificação de uma cidade devastada após instalação de fábrica da Coca-Cola.

Os recursos hídricos da região, viraram refrigerante, que nós inocentemente consumimos.
Se há alguma fábrica de bebidas em sua cidade, é para refletir que a água utilizada venha dos mananciais da região e, quando acabar, a empresa não assume a responsabilidade e instala nova fábrica em outro lugar - com isenção fiscal, já que gera empregos.

Quem paga a conta são os que ficam: a população local com solos erodidos e poços artesianos secos. À população local sobram fontes desertificadas, solos erodidos, instalações fabris abandonadas, economia local sucateada e o desemprego.


A pergunta que o site faz e eu não consegui responder:
"CAN ANYONE REALLY OWN WATER?"
(Alguém pode realmente apropriar-se da água?)

Não deixe de visitar o link "take action" do site, há muita informação disponível.



O comércio de água engarrafada é um dos maiores crimes ambientais do nosso tempo, além do excesso de lixo pelas garrafinhas plásticas, a água mineral comercializada é quase um produto artificial em função dos minerais serem adicionados sinteticamente, já que as fontes minerais originais terem secado tamanha a demanda. Some a tudo isso o crime de hidropirataria, que ninguém rastreia, afinal a fábrica instala-se em área de concessão pública, conta com isenção de impostos porque gera empregos, seca as fontes de água locais, puxa mais água dos lençóis freáticos do entorno para nos vender a mesma água com minerais adicionados sinteticamente e embalada em plástico que será transportado em caçamba de caminhão. Pior, quando as fontes secarem, os donos da mesma fábrica (ou acionistas majoritários e CEO´s) simplesmente abandonam aquelas instalações fabris, a essa altura obsoletas, para instalar-se em outro local, com isenção de impostos, é claro. Às populações locais, sobram instalações fabris abandonadas, desemprego estrutural, exército reserva de mão de obra super capacitado, solos desertificados e fontes secas.

Pense ainda que uma empresa que vende um produto engarrafado em plástico deveria ser responsável pela logística reversa da reciclagem dessas garrafinhas, de acordo com a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Estou deixando abaixo muitos links sobre todos os assuntos abordados, sugestões de filmes, outros casos de hidropirataria com processos judiciais movidos em Ação Popular pela própria população e sugestões para países com problemas de potabilidade, como o Brasil.

Mais do que nunca, é imprescindível entender que para cada litro de bebida pronta (refrigerante, chá, suco e cerveja), são consumidos em média 5lts de água. O custo indireto desse desperdício não pode ser repassado ao consumidor, afinal 1lt de mate (ou guaraná) não pode custar R$10,00, é inviável comercialmente - mas a longo prazo, a população do entorno das fábricas paga um preço muito mais alto. Hidropirataria é o crime ambiental que ninguém rastreia.

Lembre sempre que cada garrafinha de água mineral consome 8 vezes o seu peso em petróleo para ser produzida e que muitos restaurantes já aderiram ao movimento Água na Jarra, cedendo ou cobrando barato por uma jarra de água potável. Leia sobre o movimento e estabelecimentos que aderiram, na postagem "Água na jarra: estabelecimentos e receitas de águas aromatizadas".

Garantir água potável a todos é um direito constitucional e inalienável - é inaceitável desenvolvermos tecnologia nuclear antes de erradicar a mortalidade infantil.
Uma sociedade que empurra as próprias fezes com água doce, mas que em contrapartida compra água mineralizada quimicamente, tem problemas muito maiores e mais prementes do que autossuficiência em petróleo e urânio.




Outros filmes com a mesma temática:
A história da água engarrafada
Ouro Azul: A guerra mundial pela água
Cruzando o deserto verde


Mais informação:
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Nestlé mata fontes de São Lourenço
As bebidas sustentáveis da Festa de Natal
Hidropirataria nas águas de São Lourenço
Como funciona uma estação de tratamento de água
Água mineral sendo vendida em tetrapack, que não recicla
Quando a sustentabilidade me deixou na mão 02: filtro de barro
Matando a sede na rua: hidropirataria e embalagens sustentáveis
Águas aromatizadas e estabelecimentos que servem água em jarras
Cachaçaria certificada como orgânica seca lagoa de reserva indígena
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável
Empresa japonesa instalada no Aquífero Guarani exporta água mineral engarrafada.  

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pinhão




Pinhão é uma das boas coisas dessa época do ano, seu consumo é mais comum em SP e no Sul - altamente proteico, o pinhão é a semente do pinheiro, seu gosto característico agrada principalmente quando assado na fogueira de festas juninas, mas também pode ser feito cozido na panela com água.
Visitando o empório de granel, encontrei o quilo do pinhão a R$3,50, não resisti e comprei.

Cada 100gr de pinhão, contém 11gr de proteína e 10gr de ácidos graxos.

Segue receita de patê de pinhão, ou queijo de pinhão:
1 xícara de pinhões cozidos na água
2 colheres de sopa de azeite de oliva aromatizado
0,5 (meia) colher de sopa de sal marinho
água conforme necessário
Bata no processador usando a função pulsar, até que fique com aparência de queijo cremoso.
Temperos que combinam: 1 dente de alho, ervas finas, orégano, açafrão, curry, páprica, shoyo e pimenta calabresa desidratada


Veja também como fazer maioneses vegetais em inhame, cenoura e abacate (ou a tradicional em ovos caipiras).



O pinhão cozido e batido com água no liquidificador rende um leite vegetal da melhor qualidade, assim como o leite de coco caseiro , o leite de arroz e o leite de castanha do Pará
Leites vegetais, à exceção da soja, são os substitutos perfeitos ao leite de vaca.

Leite de vaca é ótimo, para bezerros.
Lembre sempre que o homem é o único animal que mama a vida toda e mama até de outras espécies


Em tempo, a coleta desenfreada do pinhão extinguiu algumas espécies animais silvestres de suas florestas nativas, que se alimentavam dele no inverno.

Mais informação: Leites Vegetais x Leite animal

"Infelizmente nenhum dos filhotes sobreviveu": Plástico é o vilão do mares, diz ONU no Dia Mundial dos Oceanos

Impressionante imagem de tartaruga marinha grávida emprestada do blog da bióloga Paula Signorini, outro caso de tartaruga deformada por anel plástico por lixo jogado no mar.


Repare que da cintura para baixo, todos os ovos estão comprimidos. Segundo a cientista:

"A capacidade de reprodução de indivíduos de uma espécie diz muito sobre a saúde da espécie como um todo. Espécies que conseguem gerar descendentes férteis continuam na luta pela sobrevivência. As que não conseguem, se extinguem. Se um organismo consegue se reproduzir, as chances de que os descendentes deles carregem características que os possibilita sobreviver de modos inóspitos, como com um anel plástico envolta do corpo pode ser boa.
Infelizmente, nenhum dos filhotes sobreviveu."






Plástico é o vilão do mares, diz ONU no Dia Mundial dos Oceanos


Plásticos constituem maior parte de lixo no mar, diz ONU

Produtos plásticos - como garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres - formam a maior parte do lixo encontrado no oceano, segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês) publicado nesta segunda-feira para marcar o Dia Mundial dos Oceanos.

Em algumas regiões, esses produtos correspondem a 80% do lixo encontrado no mar.

documento tenta mostrar aos governos de diferentes regiões ao redor de 12 dos principais mares quais os principais problemas, numa tentativa de apontar caminhos para a solução.

Segundo a ONU, não há um número exato da quantidade de lixo boiando nos mares, porque os dados coletados são mais precisos em algumas regiões e menos precisos em outras, mas a Unep afirma que as evidências são de que a quantidade de lixo está aumentando.

"O lixo marinho é sintomático de um problema maior: o desperdício e a persistente má administração dos recursos naturais. Os sacos plásticos, garrafas e outros lixos se acumulando nos oceanos e mares poderiam ser reduzidos drasticamente por uma política de redução de lixo, administração e iniciativas de reciclagem", disse Achim Steiner, sub-secretário geral da ONU e diretor executivo da Unep.

"Parte deste lixo, como os sacos plásticos finos que só podem ser usados uma vez e sufocam a vida marinha, deveriam ser proibidos, ou rapidamente tirados de circulação em todo lugar - não há mais como justificar a fabricação desses sacos em nenhum lugar."

"O lançamento de outros dejetos pode ser cortado aumentando a consciência do público e usando uma série de incentivos econômicos e mecanismos de mercado inteligentes que façam a balança pesar a favor da reciclagem, redução ou reutilização de produtos, em vez de jogá-los no mar", disse Steiner.

Plástico - Os compostos tóxicos do plástico podem ser encontrados nos organismos que o consomem, diz o relatório, afirmando que o produto pode ser confundido com comida por vários animais, inclusive mamíferos marítimos, pássaros, peixes e tartarugas.

As tartarugas marinhas, em particular, podem confundir sacolas plásticas boiando com águas-vivas, um de seus alimentos favoritos.

Uma pesquisa de cinco anos com fulmaros glaciais - um pássaro encontrado na região do Mar do Norte - concluiu que 95% desses pássaros continham plástico em seus estômagos.

Segundo o relatório, além de produtos plásticos, pontas e maços vazios de cigarro e de charuto estão entre os produtos mais encontrados nos oceanos, correspondendo a 40% do lixo encontrado no Mar Mediterrâneo.

O turismo também têm impacto significativo sobre o estado dos oceanos e costas em todo o mundo.

Em algumas áreas do Mediterrâneo, mais de 75% do lixo é produzido durante a temporada de verão, com forte presença de turistas.

Atividades costeiras correspondem a 58% do lixo encontrado no Mar Báltico e quase metade do lixo encontrado no mar na região do Japão e da Coreia do Sul.

O relatório ainda conclui que a maior parte do lixo marinho vem de atividades baseadas em terra firme.

Segundo o Unep, o problema do lixo marinho é particularmente grave na região dos mares do sudeste asiático - onde vivem 1,8 bilhão de pessoas, 60% delas nas áreas costeiras.

Prejuízo - A ONU também atribui o aumento da poluição ao crescimento econômico e urbano, além das atividades marítimas.

Além dos problemas de saúde e para a vida marítima, o lixo nos mares também provoca prejuízos econômicos, afirma o documento, com barcos e equipamentos de pesca danificados e contaminação de instalações para turismo e agricultura.

O custo de limpeza das praias de Bohuslan, na costa oeste da Suécia, foi de pelo menos U$S 1.550.200, em apenas um ano. No Peru, a cidade de Ventanillas calculou que teria de investir cerca de US$ 400 mil por ano para limpar sua costa - o dobro do orçamento para a limpeza de todas as áreas públicas.

A ONU ainda recomenda a imposição de altas multas para embarcações que jogarem lixo no mar e a suspensão de taxas para o processamento do lixo nos portos, para desestimular o despejo nos oceanos.

domingo, 21 de junho de 2009

Castanha do Pará



A Castanha do Pará, além de deliciosa, é rica em selênio que combate os radicais livres, óleos vegetais de excelente qualidade e ainda é a QUARTA maior fonte de proteína encontrada.

As 3 primeiras fontes de proteína são: carne bovina, algas marinhas e amêndoas. Peixes, ovos, soja e leite, tradicionalmente associados à proteína, amargam do sétimo lugar para trás.
100gr de Castanha do Pará contém 17gr de proteína.

Da mesma forma que o leite de coco é feito em casa facilmente, a castanha do pará também rende um leite surpreendentemente gostoso.

Você deixa 6 castanhas do pará de molho em meio litro de água durante uma noite toda na geladeira. No dia seguinte, bate tudo no liquidificador e coa (opcional), não precisa nem ferver.

Esse leite vegetal pode ser feito igualmente com amêndoas e castanhas de caju, aplica-se a qualquer receita onde levaria leite tradicional, como mousses, pudins, e até strogonoff.

Compro a granel no empório e uso muito batido com banana, aveia e canela, adoçado com melado ou passas - rende uma vitamina deliciosa e ideal para forrar o estômago antes de viagens longas. O segredo para ficar bem grossinha é adicionar o dobro de aveia do que seria usado com leite convencional.

O bagaço residual da coagem pode ser totalmente aproveitado em biscoitos, bolos e até no Panetone integral de banana. Se gostar de sentir o bagaço no leite vegetal, deixe sem coar e junte mais água para diluir um pouco.

Para fazer um leite de castanhas naturalmente adoçado, deixe um punhado de passas claras de molho, junto com as castanhas. No dia seguinte, bata tudo junto, coe e beba.
O bagaço residual, misturado à aveia e assado, vira um cookie.

Comprando castanhas, dê preferência às orgânicas, não são pulverizadas com inseticida.


Leites vegetais, à exceção da soja, são os substitutos perfeitos ao leite de vaca.
Leite de vaca é ótimo, para bezerros.
Lembre sempre que o homem é o único animal que mama a vida toda e mama até de outras espécies.

O leite de castanhas caseiro é o substituto perfeito para o leite de vaca, sua gordura vegetal é excelente do ponto de vista nutricional, para lubrificar os intestinos e ajudar a manter a hidratação e oleosidade original da pele e cabelos. Essa gordura boa, além de rica em anti-oxidantes, é fundamental para metabolizar todas as vitaminas lipossolúveis e protege nossas artérias, ao contrário de todos os derivados animais.

Outros leites vegetais caseiros:
Leite de coco
Leite de arroz
Leite de pinhão
Leites Vegetais x Leite animal




Para quem adora manteiga de amendoim, veja como fazer também uma manteiga caseira de castanha do Pará com Huile de noix francês.




Receita de Pavê Integral de Iogurte Orgânico com Castanha do Pará
Não tem ciência, é daquelas que a gente faz de olho. Basta quebrar muitos biscoitos integrais, adicionar castanhas do Pará grosseiramente esmagadas, cobrir com qualquer geleia ou compota caseira sem açúcar ou feita em rapadura-melado, juntar mais melado se a geleia caseira for mais leve (como a da foto) e fazer uma terceira camada com iogurte. Algumas variações levam frutas picadas e especiarias, mas a receita base são apenas essas 3 etapas. Quem tiver uma garrafa de pressão para chantili, pode fazer o delicioso e sofisticado Chantilly de iogurte







Com manga fatiada por cima, opcional.






Sem fruta, com canela







As fotos do pavê são minhas e originais da postagem 2 anos sem forno e fogão e as da castanha do Pará são do portal Revista Pará+


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Farra do Boi na Amazônia



Segundo relatório do Greenpeace, o desmatamento da Amazônia deve ser interrompido imediatamente. Além das madeireiras ilegais, um dos principais ecossistemas do mundo está sendo devastado para virar pasto para rebanho.
A destruição de florestas tropicais é responsável por cerca de 20% das emissões mundiais de gases que contribuem com o efeito estufa, mais do que todo o setor de transportes do mundo, 80% do desmatamento é causado para expansão de pastagem, processo que esteriliza o solo a longo prazo.

A entidade divulga uma listagem dos frigoríficos coniventes com esse desrespeito e alguns supermercados como a rede Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour já boicotam publicamente essas empresas e emitiram uma nota de repúdio em nome da ABRAS. O boicote está sendo considerado boa prática recomendada a todas as grandes redes de supermercados, além de outros 72 estabelecimentos.
O grupo Pão de Açúcar merece a menção por vir fazendo esforços notáveis inclusive no que concerne a sua responsabilidade com o lixo urbano.

Da mesma forma que já consumimos madeira certificada, nada mais natural que a carne também seja aprovada em padrões de qualidade e sustentabilidade. Em tempos de vaca louca, gripe aviária e febre suína, ter controle sobre os rebanhos é fundamental para todos os ecossistemas, o nosso interno e o do planeta.

Em tempo, empresas que adotam práticas ilegais do ponto de vista da sustentabilidade, geralmente adotam a má conduta em outras áreas, como trabalho infantil e escravo, ocupação de reservas florestais e indígenas, além de serem campeãs em processos junto ao PROCON.

Segundo o Greenpeace, algumas empresas vêem a crise financeira como uma oportunidade para aumentar sua participação no mercado global. Sem o dinheiro do governo brasileiro, sua habilidade de continuar construindo um império comercial global, voltado para a exportação de produtos pecuarios da Amazônia, poderia ter sido reduzida e para reforçar, a participação brasileira no mercado global, o governo esta disponibilizando recursos para expandir a infra-estrutura de processamento.

O nosso setor pecuário é financiado pelo governo federal.

Segue a lista negra:

01- Fazenda Rio Tigre, em Santana do Araguaia (TO)
Está na lista suja do trabalho escravo.

02- Fazenda Paragoiás, em São Félix do Xingu
Fica dentro de território indígena.

03- Fazenda Rio Vermelho, em Sapucaia (PA)
R$375,7 milhões em multas pertence à empresária Verônica Dantas Rodenburg, irmã do banqueiro Daniel Dantas: nove 21 fazendas multadas estão em seu nome somando R$540 milhões em multas

04 - Fazenda Itacaiunas (PA)
Localizada em Marabá, a Fazenda Itacaiunas pertence à Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, uma das maiores empresas pecuaristas do Pará. A Santa Bárbara possui várias fazendas na região, controlando mais de 500 milhectares de terra e um rebanho de meio milhão de cabeças de gado. Com uma área de mais de 10 mil hectares, a Fazenda Itacaiunas é especializada em cria de bezerros que são encaminhados para engorda em outras fazendas do grupo. Em 2008, esta fazenda foi responsável pela destruição de 1565 hectares de floresta para expansão de pastagens, reduzindo sua área de reserva legal a apenas 30% - um limite bem abaixo do estipulado por lei. Os animais da fazenda ocupam os 7 mil hectares desmatados da propriedade, que emitiu mais de 700 mil toneladas de CO2 na atmosfera com o desmate aqueima dessa área.

05- Fazenda Eldorado do Xingu (PA)
Só na Fazenda Eldorado do Xingu, pertencente à Agropecuária Santa Bárbara, 35 mil hectares de floresta foram destruídos para dar lugar a pastagens, lançando na atmosfera cerca de 3,5 milhão de toneladas de gases do efeito estufa. No final de 2008, centenas de cabeças de gado produzidas na Eldorado do Xingu foram comercializadas com o frigorífico Bertin em Tucumã.

06- Fazenda Espírito Santo (PA)
Palco recorrente de conflitos no campo, a Fazenda Espírito Santo também é estrela de crimes ambientais: 76% de sua área total já foi desmatada, um percentual bem acima dos 20% permitidos pela lei. Nos 10 mil hectares derrubados, a Agropecuária Santa Bárbara, atual proprietária da fazenda, mantém um grande rebanho bovino que é comercializado com o frigorífico Bertin em Marabá, onde o couro e a carne se espalham por produtos vendidos no Brasil e no exterior.

07- Fazenda Maria Bonita(PA)
Segundo o código florestal brasileiro, propriedades situadas na Amazônia só podem desmatar 20% de sua área, devendo manter 80% de cobertura vegetal original. No entanto, o que ocorre na Fazenda Maria Bonita é o inverso: os 6mil hectares de floresta que foram destruídos equivalem a 92% de sua áre atotal. Com um exemplo como esse é fácil entender porque a pecuária é o maior vetor de desmatamento na Amazônia, sendo responsável por um em cada 8 hectares desmatados no mundo. A Agropecuária Santa Bárbara, que tem como acionista o Banco Opportunity(Daniel Dantas), é a dona da fazenda. A Santa Bárbara é uma das maiores fornecedoras de gado para os frigoríficos da Bertin no Pará. Investigações do Greenpeace confirmam a venda de 4600 animais de 5 fazendas diferentes do grupo pra a Bertin de Marabá, entre 2008 e 2009.

08- Fazenda São Roberto (PA)
A fazenda da Agropecuária Santa Bárbara (do Banco Opportunity, de.....DANIEL DANTAS), que fica em Santana do Araguaia, ao sul de Marabá, recebe osbezerros da Itacaiunas. Aqui, o gado cresce até o momento de ser encaminhado para abate. Na região de Santana do Araguaia, a Santa Bárbara possui outrasfazendas, como a Santa Ana, a Caracol e a Rio Tigre. Todas foram multadas pelo IBAMA entre 2006 e junho de 2008 e deveriam realizar o replantio nas áreas desmatadas ilegalmente. No entanto, em agosto de 2008, uma operação do IBAMA revelou que não só as fazendas não haviamcumprido a ordem de replantio, como o gado continuava pastando nas áreas desmatadas.

FRIGORÍFICOS:
1- Frigorífico Bertin (Tucumã, PA)
Tem a capacidade de abater 500 animais por dia. A maioria dos animais quechegam até esta instalação vem de municípios campeões de desmatamento, como São Félix do Xingu, onde mais de 700km2 foram desmatados somente no ano passado. Isso equivale a uma área maior que a cidade de Curitiba. Os produtos bovinos podem seguir para diferentes destinos, de acordo com a sua utilização final.

1.1. Frigorífico e Curtume Bertin em Conceição do Araguaia (PA)
Aqui a pele de animais abatidos nesta ou em outras unidades, como a deTucumã, é processada até o estágio do couro conhecido como wet-blue. Este é o primeiro de uma série de processos pelo qual o couro passará antes dechegar ao produto final. Daqui, o couro seguirá em caminhões até a unidadeda Bracol, a divisão de couros da Bertin, em Cascavel, no Ceará.

1.2. Complexo Industrial da Bertin em Lins (SP)
A Bertin é uma grande empresa brasileira de produtos e subprodutos bovinos como carne, couro, cosméticos, biodiesel e brinquedos de cachorro. Com uma capacidade de abate de 11.850 cabeças de boi por dia, a empresa já é a maior fornecedora de couro do mundo e continua expandindo com a ajuda de empréstimos do governo brasileiro, via BNDES, e do Bando Mundial, via IFC. Em Lins (SP), produtos vindos de todas as instalações localizadas na Amazônia e no resto do Brasil chegam ao maior complexo industrial da Bertin. A partir daqui, a carne e o couro frutos do desmatamento se misturam com produzidos no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste do país. Além de unidades de processamento de carne e couro, a sede da Bertin conta com fábricas de biodiesel, sabões, detergentes, cosméticos, equipamentos desegurança e de brinquedos de cachorro. Dentre os clientes de cosméticos produzidos em Lins constam Unilever, Colgate Palmolive e Johnson & Johnson. Além disso, a Bertin possui suas próprias marcas de produtos de higiene e beleza, como a Ox, Phytoderm, Kolene, Neutrox e Francis.

1.3. Frigorífico e Curtume Bertin em Redenção (PA)
De 1995 a 2006, o rebanho bovino do Pará aumentou 111%. Neste mesmo período,31% de todo o desmatamento da Amazônia ocorreu neste estado e até 2007, o Pará já havia perdido cerca de 20% de sua cobertura florestal. Com o aumento do rebanho, as empresas frigoríficas também expandiram-se na região,abatendo e processando animais criados na Amazônia que são vendidos comoprodutos de carne e couro para todo o país. A unidade da Bertin em Redenção negocia com supermercados de todo o Brasil como Makro, Carrefour e a Companhia Brasileira de Distribuição/ Grupo Pão de Açúcar que engloba as marcas Pão de Açúcar, Extra, Compre Bem e Sendas

1.4. Marfrig – Paranatinga e Tangará da Serra (MT)
Conecta fazendas de gado na amazônia à carne vendida pelo mundo através dos Frigorificos: Hulha Negra (RS),
Osasco e Permissão (SP) e
Bataguassu (MS) para compradores em todo mundo

1.5. GRUPO JBSA JBS
Possui 50% da divisão de produção de carne e subprodutos do Gruppo Cremonini. Entre seus clientes, o Gruppo Cremonini e fornecedor exclusivo da empresa ferroviaria Italian Railway (Trenitalia, EuroStar Group, CisalpinoAG)

Ainda:
Curtume Bracol em Cascavel (CE)
A Bracol é uma marca da Bertin Couros que produz e comercializa peças em vários estágios. O couro é vendido para indústrias calçadistas, moveleiras e automobilísticas e é exportado principalmente a partir do Porto do Pecém:

Estados Unidos – Aqui a Amazônia é transformada em bancos de couro para carros através da empresa Eagle Ottawa, que absorve 30% de suas exportações de couro e cuja fornecedora exclusiva é a Bertin. A Eagle Ottawa vende seusprodutos para carros de marcas como Ferrari, Mercedes, BMW, Honda, Toyota, Audi, Volvo, General Motors e Ford.

Itália – Através dos grupos Rino Mastrotto e Gruppo Mastrotto, o couro daAmazônia chega aos sofás da IKEA e aos bancos dos carros Peugeot, Ferrari, Audi, Mercedes, GM, Ford, Volvo e Rover. Os mesmos grupos levam o couro de bois produzidos com desmatamento e trabalho escravo às roupas, bolsas e sapatos de luxo da Boss, Gucci, Prada, Louis Vuitton e Geox.

China e Vietnam – Aqui o couro amazônico vira tênis de corrida através dos curtumes do grupo Hong Hong, que fornece para a Adidas, Reebok, Nike, e Clark’s.



Mais informação:
Soja é desnecessário
O Brasil Orgânico que funciona
Carnes orgânicas: o quê e como comer
Quantos escravos trabalham para você?
Carne certificada pelo Rainforest Alliance não é orgânica
Slow Food, vegetarianos, desmatamento e a indústria da soja
"Carne e Osso" e "Moendo Gente": como a carne chega na bandeja de isopor do mercado
Portal Carne Legal do MP lista frigoríficos irregulares, desmatamento ilegal e trabalho escravo