terça-feira, 30 de junho de 2009

Arroz: branco, integral, transgênicos e temperos prontos


Antigamente, comer arroz era uma coisa simples, naturalmente orgânico e parcialmente polido - o que nos livrava dos agrotóxicos e nos garantia um arroz integral, comprado a granel nos empórios e armazens.

Hoje, arroz integral (o produto inicial, antes de muitas etapas de polimento e clareamento) é mais caro e você tem que tomar cuidado com o que come na rua, não ser clareado (novamente) com o novo produto da Knorr "Meu arroz", que garante um arroz mais branco e soltinho. Eu não tenho a menor idéia do que leva nesse produto, mas fico receosa com um pó mágico que clareia meio kilo de arroz em menos de 10 minutos.

Ainda contamos com outra novidade, a Bayer conseguiu reunir adversários históricos como a Embrapa, produtores rurais e ambientalistas de oposição, ao tentar produzir arroz transgênico no Brasil. O consenso entre os 3 é contra a empresa.

Segundo página específica do Greenpeace para a campanha contra o arroz transgênico:

"Transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGMs), são seres vivos criados em laboratório a partir de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza: planta com bactéria, mamífero com inseto, bactéria com vírus, e por aí vai. Usando uma técnica que permite cortar genes de uma determinada espécie e colá-los em outra, os cientistas criaram organismos totalmente novos com características específicas. É o caso do arroz LL62, que a Bayer quer plantar e vender no Brasil. Seríamos cobaia do novo produto da Bayer, que não é plantado comercialmente em país algum do mundo.
Até agora, ninguém conseguiu provar que eles sejam seguros.
E também por acreditar no seu direito de escolher o que vai para o seu prato."


Concluem também que um arroz transgênico precisa paulatinamente de doses maciças de pesticidas, logo nunca será uma produção orgânica:

"Se o arroz transgênico pode realizar cruzamentos com outras variedades - como o arroz vermelho, por exemplo - a propriedade de resistência ao glufosinato de amônio também poderá ser transmitida. Com isso, variedades convencionais poderão adquirir a resistência ao glufosinato, criando as condições para que o agrotóxico seja mais e mais usado no campo, oferecendo risco aos agricultores, ao meio ambiente e à saúde dos consumidores. "
O meu arroz não é assim, é integral (do tipo cateto vermelho comprado a granel) e não leva nada que eu não saiba exatamente do que se trata, como sal, azeite e alho por exemplo. E ele demora para cozinhar, uma panela de arroz integral fica no fogo pelo menos por meia hora - não cozinha em segundos dentro de saquinhos plásticos.
Deixo uma receita que sempre dá certo e fica ótima com um bom vinho tinto orgânico, porque saúde tem que vir acompanhada de prazer:

Risoto de Açafrão com Funghi Porcini
1 copo de arroz integral
3 copos de água
2 colheres de sopa cheias de açafroa (curcuma, o açafrão brasileiro)
meia xícara de funghi desidratado (ou shiitake desidratado - para fazer com champignon fresco, dobre a quantidade para 1 xícara inteira)
1 colher de sopa rasa de sal marinho
4 dentes de alho orgânicos espremidos
3 colheres de sopa de azeite aromatizado
1 colher de sopa de ervas finas (ou herbes de provence)
Deixe o funghi de molho em parte da água, o suficiente para cobrir
Doure o alho no azeite
Junte o arroz integral e refogue para os grãos pegarem o gosto do alho
Adicione o açafrão em pó, o sal, as ervas secas e misture bem
Junte o funghi hidratado e picado, misture tudo.
Coe a água em que o funghi ficou de molho e a aproveite para colocar no arroz.
Misture tudo e junte o restante da água
Cozinha em panela de pressão, fogo médio, por 20 minutos e fica um risoto completamente cremoso.
Você pode acrescentar tomate seco picadinho, queijo ralado e folhas verdes bem picadas por cima na hora de servir, como salsa, manjericão e até rúcula e espinafre crus.

A mãe de meu padrinho, portuguesa e falecida antes de eu nascer, fazia arroz de frango assim, na panela de pressão cozinhando tudo junto. Ela não usava água, mas caldo caseiro de frango de granja, feito em casa com os ossos, uma folha de louro e as partes não nobres do frango. As partes nobres, ela refogava com pimentão vermelho, cebola e páprica para aproveitar no arroz. Diz a minha madrinha, que é octagenária e também cozinha muito, que até hoje ninguém conseguiu "bater" o arroz da sogra dela.

Fiz recentemente na panela de barro e ficou igualmente bom, não senti a diferença, vale tentar.
E se você também está se sentindo perdido ao entrar no supermercado, vá na feira de orgânicos mais próxima - ainda que muitos produtos sejam vendidos no mesmo supermercado que te assustou, você vai poder ver tudo ao vivo e ainda conversar com os produtores, gente como a gente, não uma corporação.

4 comentários:

Sonia Hirsch disse...

Oi, Carol, e de onde vem a sua opção pelo arroz vermelho?

Carol Daemon disse...

Oi Sonia, foi um pouco instintivo, eu cheguei no empório árabe e perguntei por arroz a granel, me mostraram uma meia dúzia de barris diferentes: branco assim e branco assado, integral, integral cateto, integral cateto vermelho...
Na prateleira em cima, tinha arroz italiano para risoto, arroz francês selvagem negro, arroz brasileiro multicereais (com quinoa, linhaça, aveia, cevadinha, etc) - esses de embalagem da prateleira eu descartei, até pq são caríssimos.
Voltei aos de barril a granel e me restringi aos integrais, deviam ser uns 3. Achei o arroz integral simples com cara de "uncle bens integral" (para inglês ver, meio branquelo), sobraram os 2 catetos, vermelho ou não.
Na hr, aquele arroz avermelhado me pareceu mais "forte", mais "raiz" - como aquelas coisas que a gente ouve em criança na feira.
Quando cozinhei, vi que ele era o arroz integral dos bons restaurantes naturais e vegetarianos.

Ontem, navegando no site do Greenpeace, ouvi falar dele:
"Arroz vermelho
Embora seja tratado como erva daninha, o arroz vermelho é comestível e muito consumido no nordeste do Brasil, especialmente nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Bahia e Alagoas. Plantado por pequenos agricultores, o grão é muito saboroso e pesquisas apontam para o seu maior valor nutricional, se comparado ao arroz branco e integral, graças à sua grande quantidade de ferro e zinco."

Alexandra disse...

O Mark Bittman, escritor sobre comida do New York Times, dà uma dica excelente pra fazer risotto com arroz integral: basta ferver o arroz durante 12 minutos, escorrer e usar normalmente nareeita como se fosse o arroz arborio branco (mesma quantidade de agua, etc).

Exemplo http://www.matoandmaplesyrup.com/2010/02/06/mushroom-walnut-risotto/

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Alexandra, que dica boa! E o risoto tb tem uma cara ótima. Adorei :-)