sexta-feira, 19 de junho de 2009

Farra do Boi na Amazônia



Segundo relatório do Greenpeace, o desmatamento da Amazônia deve ser interrompido imediatamente. Além das madeireiras ilegais, um dos principais ecossistemas do mundo está sendo devastado para virar pasto para rebanho.
A destruição de florestas tropicais é responsável por cerca de 20% das emissões mundiais de gases que contribuem com o efeito estufa, mais do que todo o setor de transportes do mundo, 80% do desmatamento é causado para expansão de pastagem, processo que esteriliza o solo a longo prazo.

A entidade divulga uma listagem dos frigoríficos coniventes com esse desrespeito e alguns supermercados como a rede Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour já boicotam publicamente essas empresas e emitiram uma nota de repúdio em nome da ABRAS. O boicote está sendo considerado boa prática recomendada a todas as grandes redes de supermercados, além de outros 72 estabelecimentos.
O grupo Pão de Açúcar merece a menção por vir fazendo esforços notáveis inclusive no que concerne a sua responsabilidade com o lixo urbano.

Da mesma forma que já consumimos madeira certificada, nada mais natural que a carne também seja aprovada em padrões de qualidade e sustentabilidade. Em tempos de vaca louca, gripe aviária e febre suína, ter controle sobre os rebanhos é fundamental para todos os ecossistemas, o nosso interno e o do planeta.

Em tempo, empresas que adotam práticas ilegais do ponto de vista da sustentabilidade, geralmente adotam a má conduta em outras áreas, como trabalho infantil e escravo, ocupação de reservas florestais e indígenas, além de serem campeãs em processos junto ao PROCON.

Segundo o Greenpeace, algumas empresas vêem a crise financeira como uma oportunidade para aumentar sua participação no mercado global. Sem o dinheiro do governo brasileiro, sua habilidade de continuar construindo um império comercial global, voltado para a exportação de produtos pecuarios da Amazônia, poderia ter sido reduzida e para reforçar, a participação brasileira no mercado global, o governo esta disponibilizando recursos para expandir a infra-estrutura de processamento.

O nosso setor pecuário é financiado pelo governo federal.

Segue a lista negra:

01- Fazenda Rio Tigre, em Santana do Araguaia (TO)
Está na lista suja do trabalho escravo.

02- Fazenda Paragoiás, em São Félix do Xingu
Fica dentro de território indígena.

03- Fazenda Rio Vermelho, em Sapucaia (PA)
R$375,7 milhões em multas pertence à empresária Verônica Dantas Rodenburg, irmã do banqueiro Daniel Dantas: nove 21 fazendas multadas estão em seu nome somando R$540 milhões em multas

04 - Fazenda Itacaiunas (PA)
Localizada em Marabá, a Fazenda Itacaiunas pertence à Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, uma das maiores empresas pecuaristas do Pará. A Santa Bárbara possui várias fazendas na região, controlando mais de 500 milhectares de terra e um rebanho de meio milhão de cabeças de gado. Com uma área de mais de 10 mil hectares, a Fazenda Itacaiunas é especializada em cria de bezerros que são encaminhados para engorda em outras fazendas do grupo. Em 2008, esta fazenda foi responsável pela destruição de 1565 hectares de floresta para expansão de pastagens, reduzindo sua área de reserva legal a apenas 30% - um limite bem abaixo do estipulado por lei. Os animais da fazenda ocupam os 7 mil hectares desmatados da propriedade, que emitiu mais de 700 mil toneladas de CO2 na atmosfera com o desmate aqueima dessa área.

05- Fazenda Eldorado do Xingu (PA)
Só na Fazenda Eldorado do Xingu, pertencente à Agropecuária Santa Bárbara, 35 mil hectares de floresta foram destruídos para dar lugar a pastagens, lançando na atmosfera cerca de 3,5 milhão de toneladas de gases do efeito estufa. No final de 2008, centenas de cabeças de gado produzidas na Eldorado do Xingu foram comercializadas com o frigorífico Bertin em Tucumã.

06- Fazenda Espírito Santo (PA)
Palco recorrente de conflitos no campo, a Fazenda Espírito Santo também é estrela de crimes ambientais: 76% de sua área total já foi desmatada, um percentual bem acima dos 20% permitidos pela lei. Nos 10 mil hectares derrubados, a Agropecuária Santa Bárbara, atual proprietária da fazenda, mantém um grande rebanho bovino que é comercializado com o frigorífico Bertin em Marabá, onde o couro e a carne se espalham por produtos vendidos no Brasil e no exterior.

07- Fazenda Maria Bonita(PA)
Segundo o código florestal brasileiro, propriedades situadas na Amazônia só podem desmatar 20% de sua área, devendo manter 80% de cobertura vegetal original. No entanto, o que ocorre na Fazenda Maria Bonita é o inverso: os 6mil hectares de floresta que foram destruídos equivalem a 92% de sua áre atotal. Com um exemplo como esse é fácil entender porque a pecuária é o maior vetor de desmatamento na Amazônia, sendo responsável por um em cada 8 hectares desmatados no mundo. A Agropecuária Santa Bárbara, que tem como acionista o Banco Opportunity(Daniel Dantas), é a dona da fazenda. A Santa Bárbara é uma das maiores fornecedoras de gado para os frigoríficos da Bertin no Pará. Investigações do Greenpeace confirmam a venda de 4600 animais de 5 fazendas diferentes do grupo pra a Bertin de Marabá, entre 2008 e 2009.

08- Fazenda São Roberto (PA)
A fazenda da Agropecuária Santa Bárbara (do Banco Opportunity, de.....DANIEL DANTAS), que fica em Santana do Araguaia, ao sul de Marabá, recebe osbezerros da Itacaiunas. Aqui, o gado cresce até o momento de ser encaminhado para abate. Na região de Santana do Araguaia, a Santa Bárbara possui outrasfazendas, como a Santa Ana, a Caracol e a Rio Tigre. Todas foram multadas pelo IBAMA entre 2006 e junho de 2008 e deveriam realizar o replantio nas áreas desmatadas ilegalmente. No entanto, em agosto de 2008, uma operação do IBAMA revelou que não só as fazendas não haviamcumprido a ordem de replantio, como o gado continuava pastando nas áreas desmatadas.

FRIGORÍFICOS:
1- Frigorífico Bertin (Tucumã, PA)
Tem a capacidade de abater 500 animais por dia. A maioria dos animais quechegam até esta instalação vem de municípios campeões de desmatamento, como São Félix do Xingu, onde mais de 700km2 foram desmatados somente no ano passado. Isso equivale a uma área maior que a cidade de Curitiba. Os produtos bovinos podem seguir para diferentes destinos, de acordo com a sua utilização final.

1.1. Frigorífico e Curtume Bertin em Conceição do Araguaia (PA)
Aqui a pele de animais abatidos nesta ou em outras unidades, como a deTucumã, é processada até o estágio do couro conhecido como wet-blue. Este é o primeiro de uma série de processos pelo qual o couro passará antes dechegar ao produto final. Daqui, o couro seguirá em caminhões até a unidadeda Bracol, a divisão de couros da Bertin, em Cascavel, no Ceará.

1.2. Complexo Industrial da Bertin em Lins (SP)
A Bertin é uma grande empresa brasileira de produtos e subprodutos bovinos como carne, couro, cosméticos, biodiesel e brinquedos de cachorro. Com uma capacidade de abate de 11.850 cabeças de boi por dia, a empresa já é a maior fornecedora de couro do mundo e continua expandindo com a ajuda de empréstimos do governo brasileiro, via BNDES, e do Bando Mundial, via IFC. Em Lins (SP), produtos vindos de todas as instalações localizadas na Amazônia e no resto do Brasil chegam ao maior complexo industrial da Bertin. A partir daqui, a carne e o couro frutos do desmatamento se misturam com produzidos no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste do país. Além de unidades de processamento de carne e couro, a sede da Bertin conta com fábricas de biodiesel, sabões, detergentes, cosméticos, equipamentos desegurança e de brinquedos de cachorro. Dentre os clientes de cosméticos produzidos em Lins constam Unilever, Colgate Palmolive e Johnson & Johnson. Além disso, a Bertin possui suas próprias marcas de produtos de higiene e beleza, como a Ox, Phytoderm, Kolene, Neutrox e Francis.

1.3. Frigorífico e Curtume Bertin em Redenção (PA)
De 1995 a 2006, o rebanho bovino do Pará aumentou 111%. Neste mesmo período,31% de todo o desmatamento da Amazônia ocorreu neste estado e até 2007, o Pará já havia perdido cerca de 20% de sua cobertura florestal. Com o aumento do rebanho, as empresas frigoríficas também expandiram-se na região,abatendo e processando animais criados na Amazônia que são vendidos comoprodutos de carne e couro para todo o país. A unidade da Bertin em Redenção negocia com supermercados de todo o Brasil como Makro, Carrefour e a Companhia Brasileira de Distribuição/ Grupo Pão de Açúcar que engloba as marcas Pão de Açúcar, Extra, Compre Bem e Sendas

1.4. Marfrig – Paranatinga e Tangará da Serra (MT)
Conecta fazendas de gado na amazônia à carne vendida pelo mundo através dos Frigorificos: Hulha Negra (RS),
Osasco e Permissão (SP) e
Bataguassu (MS) para compradores em todo mundo

1.5. GRUPO JBSA JBS
Possui 50% da divisão de produção de carne e subprodutos do Gruppo Cremonini. Entre seus clientes, o Gruppo Cremonini e fornecedor exclusivo da empresa ferroviaria Italian Railway (Trenitalia, EuroStar Group, CisalpinoAG)

Ainda:
Curtume Bracol em Cascavel (CE)
A Bracol é uma marca da Bertin Couros que produz e comercializa peças em vários estágios. O couro é vendido para indústrias calçadistas, moveleiras e automobilísticas e é exportado principalmente a partir do Porto do Pecém:

Estados Unidos – Aqui a Amazônia é transformada em bancos de couro para carros através da empresa Eagle Ottawa, que absorve 30% de suas exportações de couro e cuja fornecedora exclusiva é a Bertin. A Eagle Ottawa vende seusprodutos para carros de marcas como Ferrari, Mercedes, BMW, Honda, Toyota, Audi, Volvo, General Motors e Ford.

Itália – Através dos grupos Rino Mastrotto e Gruppo Mastrotto, o couro daAmazônia chega aos sofás da IKEA e aos bancos dos carros Peugeot, Ferrari, Audi, Mercedes, GM, Ford, Volvo e Rover. Os mesmos grupos levam o couro de bois produzidos com desmatamento e trabalho escravo às roupas, bolsas e sapatos de luxo da Boss, Gucci, Prada, Louis Vuitton e Geox.

China e Vietnam – Aqui o couro amazônico vira tênis de corrida através dos curtumes do grupo Hong Hong, que fornece para a Adidas, Reebok, Nike, e Clark’s.



Mais informação:
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5 comentários:

Lucas disse...

pois é.. e como se fosse pouco o governo ainda aprova aquela MP que permite receber títulos de posses na amazônia, apresentando apenas uma declaração que a terra é sua, nem fiscalização tem.. http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/grilagem-na-amaz-nia-vira-lei

Carol Daemon disse...

Saudações libertárias!

Como é bom ver sua indignação por aqui, meu amigo auto-gestor. Amei o link do greenpace.

grande abraço, Carol

Kelly Ramos disse...

Olá,
Só não entendi que no inicio da matéria fala sobre o devido boicote do pão de açucar e carrefour a essa empresas coniventes com o desmatamento etc...mas depois no texto diz que essas empresas negociam com a unidade BERTIN
que esta na LISTA NEGRA.
Não entendi..afinal essas empresas estão mudando de atitude ou não?

Carol Daemon disse...

Oi Kelly, desculpe a demora, andei ocupada.
Quando o relatório foi elaborado, as empresas negociavam. Quando o relatório foi divulgado, a mídia pressionou e as empresas se retraram, boicotando esses frigoríficos específicos.
Sds, Carol

Carol Daemon disse...

Oi Kelly, trouxe mais informação para você:
http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/amazonia/pao-de-acucar-wal-mart-e-carrefour-nao-querem-mais-destruir-a-floresta/