quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Alimentos irradiados


Seguindo o modelo europeu, conseguimos criar leis para nos protegerem da radiação emitida pelas antenas de celular, aparentemente inofensivas, mas que esterelizaram os técnicos envolvidos no processo de instalação.

Agora, segundo 2 das mais importantes universidades do país, estamos seguramente expostos à alimentos irradiados, como sempre estivemos aos fornos microndas, antenas celulares...


De acordo com a USP:

"A irradiação de alimentos é o tratamento dos mesmos com radiação ionizante. O processo consiste em submetê-los, já embalados ou a granel, a uma quantidade minuciosamente controlada dessa radiação, por um tempo prefixado e com objetivos bem determinados. A irradiação pode impedir a multiplicação de microrganismos que causam a deterioração do alimento, tais como bactérias e fungos, pela alteração de sua estrutura molecular, como também inibir a maturação de algumas frutas e legumes, através de alterações no processo fisiológico dos tecidos da planta.

Os principais tipos de radiações ionizantes são as radiações alfa, beta, gama, raios X e nêutrons. As radiações ionizantes podem ser classificadas como partículas (ex: radiação alfa, beta e nêutrons) e como ondas eletromagnéticas de alta freqüência (radiação gama e raios X). A radiação alfa é semelhante à átomos de hélio, sem os dois elétrons na camada externa, e não é capaz de atravessar uma folha de papel. As radiações beta são basicamente elétrons mais penetrantes, mas não ultrapassam uma folha de alumínio, enquanto que a radiação gama é altamente penetrante, podendo atravessar um bloco de chumbo de pequena espessura. Os nêutrons possuem alta energia e um grande poder de penetração, podendo inclusive produzir elementos radioativos, processo este denominado de ativação. Por isto mesmo não são utilizados na irradiação de alimentos. Os raios X são relativamente menos penetrantes que a radiação gama, tendo como inconveniente o baixo rendimento em sua produção, pois somente de 3 a 5% da energia aplicada é efetivamente convertida em raios X.

O tipos de radiações ionizantes utilizados no tratamento de materiais se limitam aos raios X e gama de alta energia e também elétrons acelerados, porque suas energias são suficientemente altas para desalojar os elétrons dos átomos e moléculas, convertendo-os em partículas carregadas eletricamente, que se denominam íons.

A radiação gama e os raios X são semelhantes às ondas de rádio, às microondas e aos raios de luz visível. Eles formam parte do espectro eletromagnético na faixa de curto comprimento de onda e alta energia. Os raios gama e X têm as mesmas propriedades e os mesmos efeitos sobre os materiais, sendo somente diferenciados pela sua origem.Os raios X com energias variáveis (formando um espectro contínuo) são produzidos artificialmente por equipamentos. A radiação gama, com energia específica (formando um espectro discreto), provém do decaimento espontâneo de radionuclídeos, como por exemplo, do Níquel-60 originado pelo decaimento do Cobalto-60 por emissão beta (-).
Os radionuclídeos naturais ou artificiais, denominados também de isótopos radioativos ou radioisótopos, são instáveis e emitem radiação a medida que decaem espontaneamente até alcançar um estado estável."


Ainda segundo a USP:

"Irradiação de alimentos é um processo básico de tratamento comparável à pasteurização térmica, ao congelamento ou enlatamento. Este processo envolve a exposição do alimento, embalado ou não, a um dos três tipos de energia ionizante: raios gama, raios X ou feixe de elétrons. Isto é feito em uma sala ou câmara especial de processamento por um tempo determinado. A fonte mais comum de raios gama, para processamento de alimentos, é o radioisótopo 60Co. O alimento é tratado por raios gama, originados do Cobalto 60 em uma instalação conhecida como irradiador

A energia gama do 60Co pode penetrar no alimento causando pequenas e inofensivas mudanças moleculares que também ocorrem no ato de cozinhar, enlatar ou congelar. De fato, a energia simplesmente passa através do alimento que está sendo tratado e, diferentemente dos tratamentos químicos, não deixa resíduos. A irradiação é chamada de "processo frio" porque a variação de temperatura dos alimentos processados é insignificante. Os produtos que foram irradiados podem ser transportados, armazenados ou consumidos imediatamente após o tratamento."


O que são pequenas e inofensivas mudanças?
Quais critérios estão sendo utilizados para determinar se essas mudanças são realmente inofensivas?
Ainda, quem financia essas pesquisas que determinam que esses alimentos são seguros?

Mais, não custa lembrar que o DDT foi considerado a salvação mundial até 1 pesquisadora, Rachel Carson, solitária e desacreditada, levantar a bandeira que aquele produto químico matava.


"A irradiação funciona pela interrupção dos processos orgânicos que levam o alimento ao apodrecimento. Raios gama, raios X ou elétrons são absorvidos pela água ou outras moléculas constituintes dos alimentos, com as quais entram em contato. No processo, são rompidas células microbianas, tais como bactérias, leveduras e fungos. Além disso, parasitas, insetos e seus ovos e larvas são mortos ou se tornam estéreis.
A irradiação não é um "milagre" técnico capaz de resolver muito dos problemas de preservação de alimentos. Ela não transforma alimento deteriorado em alimento de alta qualidade. Além disto, esse tratamento não é adequado para certos tipos de alimentos, assim como outra técnica de preservação pode não ser adequada para alguns tipos de alimentos."


Se o tratamento já não está sendo considerado adequado a "certos tipos de alimentos", quantos anos podem levar para alguém descobrir que não era adequando a nenhum na verdade?


"A irradiação de alimentos pode resolver problemas específicos importantes e complementar outras tecnologias. Ela representa uma grande promessa no controle de doenças originárias de alimentos, tais como a salmonelose, que é um problema mundial. A irradiação de alimentos também é efetiva na desinfestação, particularmente em climas quentes, em que os insetos consomem uma grande porcentagem da safra colhida."


 
E a UNI-RIO assina embaixo recomendando alimentos irradiados à pacientes com problemas de baixa resistência imunológica.


Lembro também que, segundo a CLT, operadores de Raio-x devem ter férias diferenciadas de todas as outras classes trabalhistas, devido ao risco da atividade. Se essa atividade, que é executada atrás de um biombo de chumbo, é considerada de risco (e insalubre), imagino que a ingestão de alimento exposto a mesma radiação também seja.

Sonia Hirsch chama a atenção que maçãs irradiadas apodrecem de dentro para fora, ao contrário do normal, e continuam mantendo aspecto sadio a despeito do interior podre.

A foto do post é o símbolo escolhido pelo governo para designar um alimento irradiado, uma logomarca que mais lembra cultivo orgânico do que radioatividade.

15 comentários:

La Tribu disse...

podemos traduzir para o espanhol e publicar no nosso blog http://latribualimentacionsaludable.blogspot.com,citando a fonte, claro.

Vera Falcão disse...

Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece... esses camaradas não param de inventar besteiras (e besteiras prá lá de nocivas)!
E dizem que mundo estranho é o criado pelo Tim Burton...

Carol Daemon disse...

Olá La Tribu, visitei seus 2 blogs e achei ambos muito interessantes, adorei as alternativas em Pet - ótima idéia!

Fique a vontade para traduzir, divulgue ao máximo.

abraço, Carol

Carol Daemon disse...

Oi Vera, muito simpático seu blog sobre alimentação natural. Temos uma paixão em comum: chás, ótimas suas dicas.

Sim, irradiação de alimentos parece seriado arquivo X, containners imensos isolados e radioativos para uma população zumbi e cancerosa - terror sci-fi total.

Apareça sempre, abs.

Anônimo disse...

foi bom o conteudos de voces ,mas deveria ser mais detalhados.

Anônimo disse...

Oi!Vera,foi muito bom poder ler sua pesquisar sobre alimentos irradiados,mas seria melhor ainda se fosse,mais detalhado.Você poderia fazer isso?

Carol Daemon disse...

Prezado anônimo que não se identifica, o blog não é da Vera, mas meu - Carol - caso ainda não tenha observado.
A propósito, blogs são conteúdos gratuitos mantidos pela boa vontade de seus proprietários. 2 links para pesquisas desenvolvidas por 2 das maiores universidades federais do país é detalhamento suficiente.

Boas festas,
Carol Daemon - "menina do dedo verde"

Anônimo disse...

CArol, caso tenha mais informações sobre o assunto, gostaria de obter.
Conhece algumas empresas que trabalham com esse tipo de irradiação de alimentos?
Parabéns pelo texto.
Beijos,
levy (levydasilvacruz@yahoo.com.br)

Carol Daemon disse...

Oi Levy,
dei uma pesquisada no google e, de cunho oficial, só encontrei os links universitários mesmo. O pessoal dos blogs têm postado, mas no fundo é mais ou mesmo o que tem aqui, até por vir das mesmas fontes (as universidades).
De repente, algum site estrangeiro tá postando, os sites americanos sobre alimentação alternativa geralmente são muito bons e podm trazer alguma coisa extra.
O mais importante agora é não comprar nada com o símbolo e garantir legalmente que o símbolo sempre venha impresso nos irradiados. Não sei qual resolução do Conama legisla sobre irradiados, ou até se seria a Anvisa. Vou tentar encontrar alguma coisa.
um grande abraço,
Carol

Anônimo disse...

Carol, no Brasil quem legisla é a ANVISA,(Resolução - RDC nº 21, De 26 de janeiro de 2001), na ONU é a CODEX ALIMENTARIUS (GENERAL STANDARD FOR THE LABELLING OF PREPACKAGED FOODS
CODEX STAN 1-1985 (Rev. 1-1991) e nos Estados Unidos (CFR - Code of Federal Regulations Title 21, PART 10). Parabéns pela iniciativa do seu blog, mas mistura suas opiniões pessoais com referencias científicas. Ficaria legal se separasse bem as duas. A irradiação não é adequada por exemplo para alimentos gordurosos, mas isso não quer dizer que não seja adequada para todos os outros tipos de alimentos. O símbolo não é para lembrar radioatividade, porque o alimento não passa a ser radioativo. Seria impróprio utilizarmos ele. Porém o símbolo da radura é reconhecido internacionalmente como "tratado por irradiação". Eduardo

Anônimo disse...

"Simply Raw - Reversing Diabetes in 30 Days" de Gabriel Cousens. 6 Diabeticos vão para uma clinica no estado do Arizona (USA) e só comerão comida natural por 30 dias. Veja o que aconteceu com cada um durante o teste. Quem compreende o idioma inglês, é, ou conhece alguém diabético DEVE ver este documentário que a TV não mostra.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Olá, muito obrigada pela dica, vou pesquisar.
Há um tópico aqui exclusivamente sobre açúcar, chama-se "mamãe não passou açúcar em mim", nesse post cito alguns livros e no livro "Sugar Blues", devidamente citado, há o caso de pessoas que curaram-se até de câncer com adoção de dietas que sigam linhas higienista e macrobiótica.
Posto sobre o "Simply Raw" o mais rápido possível.
abs,
Carol

Edith disse...

Oi Carol,

Ontem eu li esse post sobre os alimentos irradiados, e hoje estava assistindo ao jornal na hora do almoço (Jornal Hoje), quando os jornalistas convocaram os especialistas de plantão para "elucidações", explicando a diferença entre os diversos tipos de radiação, e o quão benéfica é a radiação usada nos aliemntos...cada vez mais me impressiono com o serviço de desinformação prestado pela mídia! Sequer chamaram pesquisadores e estudiosos com opiniões diferentes, todos concordavam que esse tipo de radiação é altamente benéfico e útil...
Por isso sempre repasso as informações dos blogs que visito, não dá pra ficar na mão da informação vendida...
Mais uma vez, parabéns pelo blog!
Bjs,
Edith

Anônimo disse...

Boa noite Carol,

Gostaria de entender como isso seria importante na utilização e esterilização dos microrganismos

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Boa noite, amigo.
Eu tb gostaria muito.
Segundo a OMS, não conseguiram eliminar as fezes da dieta do brasileiro, tão ruim é a qualidade da nossa água, e agora vemos esse papo de irradiar maçãs para eliminar microorganismos da fruta.
Soja transgênica pode, mas comer fruta do pé não...