quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Carta Capital e celulares 2





A B E R T A A C A I X A P R E T A – Autor da pesquisa fala das conclusões que a Ericsson diz desconhecer.
-“Eu não falo seis minutos no celular de jeito nenhum”, diz Santos.
José Roberto Gonçalves dos Santos coordenou durante seis meses um trabalho sobre radiação eletromagnética de celular. Esse estudo, feito pela equipe do CPqD e patrocinado pela multinacional Ericsson, tinha por objetivo verificar se a radiação era prejudicial à saúde. A fabricante de telefones investiu algo em torno de R$ 1 milhão e esconde a sete chaves o diagnóstico da pesquisa.
Carta Capital: O senhor participou de um projeto com a Ericsson?
José Roberto Gonçalves dos Santos: Nós fizemos um projeto para a Ericsson.
CC: Esse estudo falava sobre a radiação de telefone celular e de antena?
JR: É isso. Falava de radiação nos dois casos.
CC: O estudo já foi concluído?
JR: Já foi concluído. Não sei no que deu. Nós entregamos isso para a Ericsson e não sei o que fizeram com ele.
CC: foi concluído há quanto tempo?
JR: Olha, já faz um ano.
CC: O senhor coordenou esse estudo?
JR: É.
CC: Como foi esse estudo? Vocês fizeram a compilação de publicações do exterior ou fizeram medições?
JR: Foram várias coisas. Contatos com pesquisadores, com outras universidades, principalmente da Austrália e dos Estados Unidos. O trabalho foi ler e entender a norma, ver o que existia, o que existe sobre o assunto e entrar em contato com pessoas aqui do Brasil e do mundo inteiro, que estão trabalhando nisso e que poderiam dar uma contribuição.
CC: Vocês tomaram uma posição nesse trabalho?
JR: O que a gente concluiu é o que existe aí, quer dizer, a gente não inventou nada, baseados em todas as informações e conclusões que já foram tiradas por outras pessoas e tal. A gente só confirmou isso aí. A gente fez um trabalho informativo.
CC: O que vocês falam no estudo da Ericsson em relação ao aparelho celular? Qual é a conclusão?
JR: Que a radiação do aparelho pode fazer mal desde que não se obedeça às condições e que existem algumas recomendações que a pessoa deveria seguir.
CC: No trabalho o senhor concluiu que há problema com o aparelho (com a radiação do aparelho)?
JR: A gente conclui, na verdade, que o maior problema pode ser o aparelho. E que a antena (radiação das antenas radiobases) está em níveis bem mais baixos do que os citados pelas normas.
CC: O problema poderia vir a acontecer, então, com o aparelho celular?
JR: sim, porque aí é uma radiação maior. Se o cara ficar falando uma hora por dia nesse telefone, ele vai estar submetido a uma radiação que não é legal.
CC: A recomendação no estudo da Ericsson é de que não se fale direto por seis minutos, que se mantenha uma distância? Vocês, como entidade, fizeram essa advertência para a Ericsson?
JR: isso. Nós fizemos.
CC: A recomendação de se manter uma distância e de não ficar tanto tempo com o celular?
JR: Exatamente.
CC: O celular deve ser usado por no máximo seis minutos?
JR: Seis minutos. Aí você troca de lado e tal, procura falar com a antena afastada da cabeça. Há uma série de recomendações.
CC: E a distância qual é?
JR: Quanto mais você puder deixar o aparelho distante da cabeça, melhor.
CC: Dois centímetros é a normal?
JR: A dois centímetros normalmente a antena já fica, de um a dois centímetros. Se você puder deixar a mais de um centímetro é melhor, a quantidade de radiação que vai receber é bem menor.
CC: A Ericsson não tem tanto interesse em estar divulgando esse estudo? Será que não há o temor de assustar os usuários e diminuir as vendas?
JR: Não, não sei. Talvez não seja bem por aí. Quem tiver uma preocupação a esse respeito vai ter uma credibilidade maior. Esse estudo também mostra que a radiação das estações radiobase é muito baixa. O que é até engraçado, porque é o que mais preocupa o povo, porque vê antena sendo erguida para todo lado. Nessas é quase que uma certeza que não há problemas para a saúde. Já o aparelho – pelo fator de ter uma radiação maior e ficar próximo à cabeça -, esse é que é o problema. Então a Ericsson deveria mostrar que essas antenas que está instalando não têm problema algum, além da estática. Mas a gente também teve de concluir que, em relação ao aparelho, não se pode dizer que não faça mal.
CC: O senhor recomendou que era bom não usar por tanto tempo o celular com uma distância tão próxima. A Ericsson distribuiu algum panfleto, comunicou ao mercado, fez essa recomendação?
JR: Olha, eu não sei, viu? Não sei se ela chegou a fazer esse tipo e coisa. Deveria ter feito. Nós gravamos um CD-ROM para a Ericsson com o estudo.
CC: O senhor tem esse CD para a gente ver?
JR: Não. Eu sei que dei algum problema com a Ericsson e eles acabaram não utilizando da forma que iam utilizar.
CC: Como assim, deu problema? Não entendi.
JR: Não sei. Eles queriam que se refizesse alguma coisa depois que já estava passado, e aí não sei. Não sei se eles conseguiram refazer do jeito que a Ericsson estava querendo. Por isso, acho que você deve entrar em contato lá.
CC: Normalmente, quando se fala no celular e encosta-se o aparelho na orelha, aqueles dois centímetros acabam não sendo obedecidos...
JR: O problema é que as pessoas não têm esse conhecimento e acabam falando até por horas no celular, principalmente o pessoal que depende do aparelho. Não têm a mínima noção (de uso seguro). Muita gente fala com a antena abaixada, o que aumenta a radiação. O certo é falar com a antena estendida. Não existe realmente uma divulgação no sentido de advertência. Hoje, nos Estados Unidos, os telefones celulares estão saindo com essa advertência, de que ele pode ser prejudicial à saúde. Isso para evitar o que aconteceu agora com o cigarro.
CC: Até descobrir que dá problema, muitos podem ter sido lesados.
JR: A alegação (das fabricantes) é de que ninguém provou que faz mal. Aí vai se esperar 10, 15 anos para depois mostrar que faz mal? E nesses 10 ou 15 anos, quantas pessoas já tiveram um mal com isso aí, não é?
CC: Vocês têm algum estudo de quantos por cento dos usuários de celular acabam não atendendo a essa norma, a dos seis minutos e de manter uma distância?
JR: Olha, acho que é muito pouco.
CC: Pouca gente segue as normas?
JR: Ninguém conhece. Se você for perguntar para o povo, duvido que alguém conheça essa norma. É como eu falei: não existe uma divulgação ou pelo menos um alerta nesse sentido. Não no sentido de deixar de usar o celular, porque é uma tecnologia que não tem volta. Mas, se houver uma certa pressão nesse sentido, a tecnologia pode ser melhorada para se ter uma segurança maior. Como já existe hoje o CDMA (tipo de tecnologia usada no celular), cuja radiação do celular já é metade do normal do TDMA.. eu, por exemplo, peguei um CDMA.
CC: O senhor então evita o celular por mais de seis minutos?
JR: O celular, para mim, é uma necessidade, não fico seis minutos no celular de jeito nenhum.

ANTENA DE CELULAR CAUSA PROTESTO EM SOUSAS
ESPECIALISTA DIZ QUE RISCO DE RADIAÇÃO EXISTE

[Jornal “Correio Popular”: Campinas, 09 de Agosto de 2.000, Quarta-Feira]
(Paula Pimenta)
Os riscos de contaminação pela radiação emitida pela telefonia celular são menores nos casos da antena do que no uso do próprio aparelho celular. Contudo, existem.
É o que atesta o físico e engenheiro elétrico, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Vitor Baranauskas. “Não existe certeza de que com dez microwatts por centímetro quadrado não haja riscos. Nunca foram feitos testes de longa duração expondo uma população em geral. Não se pode usar o ser humano como cobaia. Mas estudos vêm mostrando que pessoas expostas às radiações de antenas e de aparelhos estão desenvolvendo doenças como câncer e as neurológicas, como derrame”, afirma.
Segundo o especialista, existem diversos casos em todo o mundo de pessoas que estão processando empresas de telefonia e de aparelhos de celular por terem desenvolvido doenças que podem estar relacionadas com as radiações. “Estudos feitos com sangue humano mostraram até alterações de DNA quando expostos a radiações”, diz Baranauskas.
No entanto, o assunto é cercado de controvérsia no mundo todo.
De acordo com a assessoria de imprensa da Tess, a empresa vem respeitando os limites exigidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), legislação federal e municipal.
Em documentos apresentados aos condôminos, a Tess afirma que já possui mais de 60 laudos radiométricos referentes às suas estações. Todos apresentando níveis abaixo de 10 microwatts por centímetro quadrado.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) define os limites de radiação eletromagnética aceitáveis para operação da telefonia celular de acordo com a Organização Mundial de Saúde, que trabalha com limite de 435 microwatts por centímetro quadrado. Campinas adotou como limite 100 microwatts por centímetro quadrado, conforme estabelecido me lei municipal.

GOVERNO DA INGLATERRA FAZ ALERTA CONTRA USO DE CELULAR
[Jornal “Correio Popular”: Campinas, 10 de Dezembro de 2.000, domingo]
(De Londres)
O governo britânico lançou ontem um pacote de medidas para alertar os usuários sobre os ricos do uso de telefones celulares, distribuindo panfletos informativos em consultórios médicos e estabelecimentos públicos e comerciais que recomendam que crianças não usem os aparelhos.
As medidas também incluem investimentos de 7 milhões de libras (US$ 10 milhões) em pesquisas, além da divulgação dos níveis de radiação em cada modelo vendido e a análise das emissões de ondas de rádio de estações base.
Nos Estados Unidos, os celulares também estão começando a levar um selo informando os níveis radiativos, mas a Inglaterra é o primeiro país a investir em precauções de segurança mais abrangente, de acordo com Michael Dolan, diretor do conselho de telefonia celular da Federação da Indústria Eletrônica.
Os panfletos resumem os avanços nas pesquisas até hoje e deixam claro que os especialistas ainda não encontraram provas de que o uso de celulares possa causar tumores cerebrais ou outros riscos à saúde, mas que os efeitos nocivos não devem ser descartados, principalmente em jovens com até 16 anos de idade, cujo cérebro ainda se encontra em formação e pode ser mais vulnerável a possíveis riscos.
Mais de 300 milhões de pessoas usam telefones celulares no mundo, inclusive metade da população inglesa. Por isso é importante, segundo o dr. Liam Donaldson, um dos principais médicos do país, informar os usuários para que possam escolher de forma consciente se querem ou não ter um telefone.
As lojas de aparelhos concordam em distribuir os panfletos, mas Donaldson afirma que, se for constatado que as informações não estão chegando aos consumidores, a divulgação poderá ser obrigatória.
Os panfletos dizem que, para prevenir quaisquer efeitos, as pessoas devem fazer ligações rápidas e considerar a quantidade de ondas de rádio ao comprar um aparelho. Esses níveis indicam quanta radiação é absorvida pelas pessoas ao usarem celulares. As informações serão incluídas nos aparelhos à venda a partir de Janeiro e os manuais conterão explicações detalhadas.
Estudos indicaram alterações nas atividades cerebrais ligadas aos telefones, mas os cientistas não sabem ainda se elas são prejudiciais. Michael Dolan disse que a indústria de telefonia móvel revelou preocupações quanto à nova medida, considerando o alerta exagerado em relação ás reais descobertas científicas já feitas.

PIOR DO QUE UM PILEQUE
DIRIGIR FALANDO AO TELEFONE É MAIS PERIGODO DO QUE GUIAR ALCOOLIZADO
[Revista “Istoé”: Nº 1.696 – 03 de Abril de 2.002]
(Valéria Propato)
Para provocar um acidente de trânsito, basta um segundo de distração. O álcool aumenta as chances de lapsos de concentração, mas a conversa ao telefone pode ser mais fatal do que a bebedeira. Estudo do laboratório inglês de pesquisas em transporte mostrou que a reação de quem bate-papo ao volante é um terço mais lendo do que no motorista alcoolizado. Comparado ao piloto sóbrio, o tempo de reação do tagarela diminui pela metade e ele pisa no freio com meio segundo de atraso. Dirigir com o celular no ouvido também afeta a capacidade de controlar a velocidade e manter distância do carro da frente.
Durante três meses, 20 homens e mulheres entre 21 e 45 anos testaram suas habilidades a 112 quilômetros por hora num simulador de direção em quatro condições de trânsito. Diante de um sinalizador de obstáculo situado a 31 metros de distância, os motoristas com celular na mão percorreram 45 metros antes de frear; os que conversavam pelo sistema de viva-voz rodaram 39 metros e os que tinham bebido, 35 metros. Na estrada real, todos teriam atropelado o alvo. Falar no celular ao volante é proibido no Brasil e em outros 30 países, mas a legislação Nacional não faz restrições ao sistema de viva-voz.

ESTUDO RELACIONA TUMORES NO CÉREBRO COM TELEFONE CELULAR
[Jornal “O Estado de São Paulo”: 18 de Março de 2.003, Terça-Feira. Página A.11]
CIENTISTAS SUECOS DETECTARAM MAIOR RISCO DE CÂNCER ENTRE USUÁRIOS REGULARES.
(Jonathan Leake – The Sunday Times)
Londres – Cientistas descobriram o primeiro indício de uma ligação entre o uso regular de telefones celulares digitais e tumores cerebrais. Pesquisadores suecos detectaram um aumento de 30% no risco de ocorrência de tumores cerebrais entre usuários regulares, normalmente aqueles que passam mais de uma hora por dia nesses telefones.
Tais tumores ocorrem com mais freqüência do lado da cabeça no qual a pessoa costuma segurar o telefone. O maior aumento detectado foi de neuromas acústicos, que se formam atrás da orelha e na maioria dos casos podem ser tratados. Os neuromas acústicos geralmente apresentam crescimento lento e podem ser detectados porque provocam zunido no ouvido e perda de audição. Mesmo assim, os médicos levam em média dois anos para estabelecer o diagnóstico, e a cirurgia, o tratamento usual, pode deixar como seqüela nervos danificados que provocam espasmos faciais involuntários.
Já tinha se descoberto que os telefones móveis alteram os mecanismos das células cerebrais e afetam a memória, assim como causam câncer em ratos de laboratório. Até agora, porém, não havia um elo comprovado com doença humana.
O novo estudo, publicado na International Journal of Oncology (Revista Internacional de Oncologia) analisou 1.600 vítimas de tumor que vinham usando telefones celulares por um período de até dez anos.
O professor Kjell Mild, um biofísico da Universidade Orebro, Suécia, que comandou o estudo disse: “A prova de que existe uma ligação entre o uso do telefone celular e o câncer é clara e convincente. Quanto mais intenso é o uso e quanto mais tempo você os têm, mais alto o risco de tumores cerebrais”.
No estudo, os cientistas compararam os portadores de tumores com um grupo de pessoas que levavam vida semelhante, mas não usavam telefones móveis. Também fizeram comparações com um grupo de portadores de tumor que não usavam telefones celulares.
Em um estudo anterior conduzido por Mild e Lennart Hardel, um oncologista relacionou tumores cerebrais com o uso de telefones celulares analógicos. A nova pesquisa repetiu isso e também analisou os telefones celulares digitais e os de aparelhos sem fio.

UMA DÚVIDA ETERNA
PESQUISAS LEVANTAM SUSPEITAS SOBRE A LIGAÇÃO ENTRE OS CELULARES E O SURGIMENTO DE DOENÇAS
[Revista “Istoé”: Nº 1.747 - 26 de Março de 2.003. Página 77]
(Hélio Contreiras)
Há anos a comunidade científica discute se existe relação entre telefones celulares e tumores no cérebro sem conseguir chegar a nenhum consenso. O mais recente estudo, publicado na Revista Internacional de Oncologia, põe mais lenha na fogueira. Cientistas suecos analisaram 1.600 vítimas de tumor. E detectaram um aumento de 30% no risco de ocorrência de câncer cerebral entre usuários que passaram mais de uma hora por dia ao celular.
A pesquisa apontou que tais lesões ocorrem com mais freqüência do lado da cabeça no qual a pessoa segura o aparelho. Antes de questionar se o estudo é ou não definitivo, os especialistas aconselham prudência. “é preciso cautela no uso do celular”, diz José Maurício Godoy, membro das academias brasileira e estadunidense de neurologia. Vários cientistas fazem coro com Godoy. “Ainda há necessidade de mais pesquisa para se definir o risco real desses aparelhos”, afirma Dalton Soares Arantes, professor da Universidade de Campinas.
Os celulares não estariam relacionados só com a incidência de câncer. Pesquisa da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, revelou que a radiação eletromagnética acima do limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde pode comprometer a fertilidade humana. O estudo foi feito com ratos de laboratórios e apontou que a fertilidade dos animais submetidos à radiação eletromagnética caiu 23%.
Um outro mal à saúde relacionado com o uso do celular é a catarata. São cada vez maiores as suspeitas de que a radiação eletromagnética pode desencadear essa doença. “A radiação emitida pelos celulares, quando fora do limite, afeta o cristalino ocular”, afirma o professor Leonel Sant’Anna, presidente da Associação Brasileira de Compatibilidade Eletromagnética.
Um levantamento das regiões que mais sofrem com o excesso de radiação das antenas e torres de telefonia apontou o local mais crítico do País: a avenida Paulista, em São Paulo. Pelo sim, pelo não, o Brasil já produz um sistema contra a radiação, o Ionix, criado pela empresa Ionvita. O dispositivo promete reduzir as radiações lançadas por telefones celulares, aparelhos sem fio, computadores e fornos de microondas. Já diz o ditado que mais vale prevenir.
.
(continua)

Nenhum comentário: