sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Hortaliças em extinção por causa das “tentações vindas da cidade”.


Opções saudáveis voltam à mesa brasileira
Renato Grandelle, O Globo, 20 de setembro de 2009

Verduras e legumes esquecidos são recuperados em projeto que, até o final do ano, chegará a pelo menos mil pessoas.

Não se faz mais farinha de araruta como antigamente. A constatação é mais do que simples saudosismo. Como outros alimentos de alto valor nutritivo, a hortaliça, antes comum Brasil afora, parece ter entrado em extinção. E foi para proteger espécies como esta que o Ministério da Agricultura, criou, já em quatro estados brasileiros, bancos de multiplicação de verdura e legumes.

O programa é seleto: só entram plantas que praticamente sumiram das hortas.

O pontapé inicial do projeto foi dado em Minas Gerais, onde 60 famílias de Prudente de Moraes e Três Marias, na região central do estado, receberam mudas de hortaliças raras para cultivarem. Um ano depois, as conclusões ainda não foram convertidas em números, mas deixaram os agricultores satisfeitos. Segundo pesquisadores, o consumo de alimentos gordurosos e de refrigerantes diminuiu, especialmente entre as crianças. As guloseimas deram lugar ao que veio das hortas, produtos de maior qualidade nutricional.

Produtos cultivados têm pequena duração
Vinte e três hortaliças já foram incluídas no projeto. A quase extinção dessas espécies é atribuída à sua pouca viabilidade comercial. Além do lobby dos produtos industrializados, algumas plantas “em extinção” precisam ser consumidas, no máximo, dois dias depois da colheita. Não raro, o tempo é insuficiente para que cheguem às feiras. O prazo apertado para a venda desmotiva os agricultores.
– O apelo comercial de outras hortaliças, como tomate e batatas, é maior e inibe pesquisa em espécies como mangarito e jurubeba – explica Georgeton Silveira, coordenador de olericultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater – MG). – Com o cultivo das verduras e dos legumes que estudamos, a população ganha em recursos alimentares. O ora-pro-nóbis, por exemplo, é uma das plantas de maior valor protéico.

A comunidade do Bonfim em Três Marias, foi escolhida como um dos embriões do projeto.
Desde que um dos agricultores locais foi diagnosticado com colesterol alto, várias famílias passaram a controlar o consumo de gorduras e refrigerantes – ou como define a líder comunitária Ana Lúcia Fernandes, “as tentações vindas da cidade”.
– Como bater enxada cansa muito, era mais fácil fritar alguma coisa do que comer verdura – lembra. – Dia desses meu sobrinho me disse que não sabia que existia alface gostosa. Ele se referia à azedinha, uma das hortaliças cultivadas agora pela comunidade. Outra muito popular é o peixinho, que tem esse nome por lembrar um filé de peixe.

Algumas hortaliças incluídas no projeto são ricas em sais minerais, vitaminas A, B e C – ressalta a economista doméstica Faustina Oliveira, também da Emater-MG. – Essas plantas retardam a formação de radicais livres, que causam o envelhecimento. Também aumentam a imunidade do organismo, especialmente contra doenças infectocontagiosas. Com a inauguração de duas novas unidades em Minas, na Zona da Mata e no norte do estado, o projeto deve mudar, até dezembro, a dieta de mil pessoas. Também há bancos de multiplicação de hortaliças não convencionais em Pernambuco, Mato Grosso e no Distrito Federal.

A ordem, porém, é apertar o cinto. Duas carências atrapalham a expansão do programa de verduras e legumes: a falta de recursos e de mudas e sementes das espécies estudadas. Vinculada ao Ministério da Agricultura e coordenadora da iniciativa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) considera que o projeto ainda cumpre sua primeira etapa: catalogar as espécies e explorar a alimentação familiar.
- Estamos elaborando uma cartilha e um livro de receitas para que os agricultores saibam como cultivar e o que fazer com as plantas – explica Nuno Madeira, pesquisador da Embrapa Hortaliças. – Também vamos montar um manual técnico para quem estuda o assunto. A partir daí vamos saber que ação pode ser tomada com nutricionistas.

A vinagreira é conhecida por render produtos como o chá, já o maxixe é outra hortaliça que destaca-se pelo valor protéico. O Jambu está na lista das hortaliças raras e a araruta, também considerada pouco conhecida, rende biscoitos.

Pesquisadores vão trazer projeto ao Rio
O Rio só deve receber o seu primeiro banco de multiplicação das espécies raras no segundo semestre do ano que vem. A Embrapa ainda não decidiu em que região fluminense vai instalar o seu laboratório. Com a escolha será possível definir as hortaliças cujo cultivo será realizado por aqui.
– Investimos nas espécies que vão se adaptar melhor ao clima local – explica Madeira. – No Nordeste, usamos hortaliças acostumadas ao tempo mais seco. No Rio, podemos cultivar verduras e legumes que já foram comuns no estado, como a taioba e a araruta. O mangarito também era muito popular inclusive entre os índios.

Enquanto a Embrapa não monta sua base local, o cultivo de hortaliças raras ainda é feito de forma isolada por agricultores. Proprietário de um sítio em Bom Jardim, no interior do estado, Dejair Lopes mantém seis variedades de araruta.
– Cultivamos um hábito alimentar que não vai mudar de uma hora para a outra, mesmo havendo uma alternativa mais nutritiva – opina Lopes. – Nada contra o trigo, mas é possível fazer pão usando outras farinhas, inclusive araruta. Infelizmente poucos agricultores cultivam hortaliças como essa.

As espécies estudadas:
Almeirão-de-árvore
Araruta

Azedinha
Beldroega
Bertalha
Capiçoba

Capuchinha
Cará

Caruru
Chicória-do-Pará
Cubiu

Jacatupé
Jambu
Jurubeba
Mangarito
Maxixe

Maxixe-do-reino
Ora-pro-nóbis
Peixinho
Serralha
Taioba
- acompanhada da pimenta biquinho!
Taro
Vinagreira

As receitas não são minhas, mas de Neide Rigo do Come-se, basta clicar nos links acima.
Na dúvida, todos os verdes, como serralha, almeirão, azedinha, ora-pro-nobis, beldroega... rendem saladas incríveis. Em Goura, as saladas são assim, feitas do que a horta dá - as melhores que já comi.

A araruta rende uma farinha branquinha que tradicionalmente vira biscoito caseiro, mas que eu uso para tudo no lugar de maisena e farinha branca. Comprei orgânica na feira do Russel e já fiz até molho madeira com ela.

Minha mãe fazia a bertalha refogada no "bafo" com ovo, assim:
refogue um dentilho de alho no azeite aromatizado, junte a bertalha lavada e picada, mexa e quebre um ovo por pessoa por cima, abaixe o fogo e deixe cozinha no "bafo". Está pronto quando a gema estiver dura, sal e pimenta por cima. Simples, rápido e uma refeição completa.

Pena um país com tanta terra e de climas tão bons, cuja primeira descrição oficial foi "uma terra onde se plantando tudo dá", só cultivar meia dúzia de hortaliças, perdemos todos em qualidade e quantidade.



Mais informação, hoje no IG, os maiores chefs do mundo rendem-se à culinária tradicional em respeito às suas próprias raízes: Raízes do México e do Brasil e Não há inovação sem raízes e não há raízes sem inovação.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Frutas Assadas


É uma tradição brasileira, de cozinha com forno de lenha e carvão, um hábito muito gostoso e que, além de fácil, é saudável e perfuma a casa toda.

Você pode juntar um pouco de rapadura picada ou mesmo um fiozinho de melado (meio copo de caldo de cana, 100ml.), mas pode ser feito sem adoçar e é interessante provar a fruta cozida em seu próprio açúcar natural.
Todos podem ser feitos em pirex, travessa de barro ou aço inox e adicionar 1 cravo da índia, 1 pau de canela, 1 “dedinho” de gengibre e algumas folhas de laranjeira ou limoeiro na própria travessa deixam o sabor e o aroma incomparáveis. Se assado com a travessa tampada, ou coberta com alumínio, fica ainda melhor, rende mais caldo.
Para quem não tem forno, ou está com pressa, nada impede de fazer em panela de barro, pedra ou inox.






Sugestões:
Manga Assada com polpa de maracujá;
Abacaxi assado com coco ralado;
Figo fresco assado com suco de 1 laranja ou mesmo um pouco de água;
Maçã assada com damasco seco (ou ameixas secas) e uva passa;
Pêra assada com ameixas secas e/ou uva passas;
Pêssego assado com suco e raspa de laranja;
Figo, maçã, pêra ou pêssego (não misture) com alguma das frutas vermelhas (morango, framboesa ou amora – não misture) e suco de 1 laranja ou sumo de 1 limão;
Mamão assado com suco de 1 laranja ou sumo de 1 limão;
Mamão assado com polpa de maracujá;
Banana assada com leite de coco e coco ralado;
Banana assada com suco e raspa de laranja ou limão;
Salada de frutas assadas: manga, mamão, caqui, abacaxi e banana com coco ralado e suco de laranja ou polpa de maracujá. A maçã, a pêra e o pêssego perdem o gosto quando misturados às outras frutas, não vale a pena juntar na salada, e o caqui não assa bem sozinho, mas combina com todas as outras.


Dicas:
A banana também pode ser assada na própria casca sem líquido nenhum e pode ser igualmente feita na brasa da churrasqueira. O abacaxi em rodelas grossas, passadas ou não no coco ralado, também assa bem na churrasqueira.
A maçã e a pêra ficam bonitas se recheadas da fruta seca que as acompanha.
Já o figo deve ser assado inteiro, um coladinho no outro, é como fica melhor.
As frutas vermelhas como morango, framboesa e amora assam muito bem sozinhas e, se adionada uma dose de bebida destilada (cognac, rum ou cachaça) ou vinho durante o preparo, pode ser a sobremesa ideal para 2 pessoas. Leia melhor sobre bebidas orgânicas e biodinâmicas.

E todas as frutas, depois de assadas, acompanham nozes, amêndoas e castanhas picadas, com algumas folhinhas de hortelã por cima.


Para sofisticar: recheie com o doce de leite de tahine com melado de cana ou acompanhe com Chantilly de iogurte , huile de noix aromatizado com canela em pau, cardamono ou baunilha ou uma caldinha de chocolate amargo derretido.


A versão mais chique das frutas assadas é a Poire Belle Heléne e as mais populares são os doce de banana com cravo, canela e rapadura (como na foto acima) e a goiabada cascão em pasta




Poire Belle Heléne (foto abaixo sem créditos) é uma sobremesa francesa e foi uma obsessão familiar há alguns anos, minha mãe descobriu e todo mundo ficou fissurado. Pode ser feita também em maçã, mas não fica tão boa.

É deliciosa, muito chique e pode ser toda adaptada. A pêra cozida na calda de vinho é apenas uma variação de fruta assada no forno, só que cozida no fogão em panela de pedra, barro ou inox.





Vamos à Poire Belle Heléne:
Cozinhe 6 pêras orgânicas descascadas (mantenha os cabinhos) em uma calda já pronta feita com 500ml de água e 500ml de vinho tinto orgânico em partes iguais (1 litro no total), adoçado com meia xícara de rapadura, 1 folha de laranja ou tangerina e 1 cravo da Índia.
Retire enquanto estiverem firmes e espere esfriar.
Arrume em taças com 2 colheres de sopa da calda de vinho por pêra, cubra com outra calda, quente e feita a partir de uma barra de cholocate meio amargo orgânico derretido em banho maria. Junte leite de coco caseiro leite caseiro de castanha do Pará ou suco de laranja se precisar dissolver. Tempere sua calda com baunilha, 1 cravo e cardamono se gostar, mas não adoce.
Enfeite com o chantilly caseiro de iogurte orgânico e 1 fiozinho de huile de noix.
Salpique amêndoas picadas por cima e enfeite com um galhinho de hortelã.
Ou sirva acompanhando Mousses e pudins de chocolate

Os franceses têm adoração por pêras e sua aguardente nacional não é a base de cana de açúcar como a nossa (ou do agave como a tequila mexicana), mas justamente um destilado de pêra fortíssimo, o Poire. Encontrando um Poire de cultivo orgânico, esqueça do chantilly, do huile e das amêndoas, cubra sua pêra cozida no vinho apenas com a calda de chocolate e despeje 1 dose de Poire por cima do feitiço.





Atualizações do blog com essa delícia:

Em 2014:

Doce de banana simples sem açúcar com cravo e canela na panela elétrica redonda







Doce de banana com tahine, nozes, castanhas, passas, coco ralado e rapadura na panela elétrica redonda









Em 2017: 

Frutas assadas variadas na panela elétrica quadrada: banana assada na própria casca com canela, maçã assada recheada de tahine com melado, morango com figo e rapadura, maçã com pêssego e rapadura e abacaxi com maracujá e rapadura.































Blogueira amiga: Syl Ribeiro também fez umas versões muito boas.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O mito da proteína




Carne Vermelha não é a melhor fonte de proteína
Luis Fernando Buck e Tereza Casuilli

De uns tempos para cá, a questão da saúde e, principalmente, a necessidade de o ser humano adotar hábitos alimentares mais saudáveis vem sendo discutida amplamente, gerando, a cada dia, uma avalanche de informações, pesquisas e “dicas” sobre como se alimentar melhor. Recentemente, várias pesquisas desenvolvidas em renomados centros de pesquisa em todo o mundo vêm apontando para a necessidade de se diminuir o consumo da carne vermelha, rica em proteínas, relacionando esse hábito alimentar com a incidência de câncer. Mas, afinal, se a proteína é necessária para o organismo, como resolver o problema?

Um dos equívocos mais freqüentes é acreditar que é necessário ingerir diariamente, nas refeições, todos os nutrientes nas quantidades ideais. Então se a carne vermelha é rica em proteínas, por exemplo, deve ser consumida diariamente, certo? Errado!
A proteína que se ingere num dia não é utilizada imediatamente. Uma parte é armazenada para uma situação em que o organismo sinta falta dela. Além disso, a carne vermelha não é a única fonte de que dispomos.
É quase impossível não haver proteína, mesmo que em quantidade reduzida, em qualquer tipo de vegetal, fruta ou sementes. A combinação com outros alimentos pode suprir as necessidades do organismo. Na verdade, o valor biológico que determina a qualidade da proteína de inúmeros alimentos vegetais , como sementes e alguns frutos, é superior a que se encontra na carne vermelha, além de a proteína vegetal ser mais facilmente processada pelo organismo do que a proteína animal.
Veja, na tabela, várias opções que você pode incluir no seu hábito alimentar.

ALIMENTO 100gr ______________________________ PROTEÍNA Gr
Semente de abóbora _____________________________30,0
Gergelim ______________________________________20,6
Feijão Azuki____________________________________20,4
Algas marinhas _________________________________ 20,0
Carne bovina ___________________________________20,4
Castanha de caju ________________________________19,6
Amêndoa _____________________________________ 18,6
Merluza (peixe) _________________________________17,2
Castanha do Pará _______________________________17,0
Aveia ________________________________________13,8
Ovo _________________________________________ 13,0
Missô ________________________________________12,5
Coco _________________________________________09,7
Arroz integral __________________________________ 08,1
Iogurte _______________________________________03,5
Fonte: Revista Izunome, abril e julho de 2009

Fonte Bibliográfica: “Nutrição Vital: uma abordagem holística da alimentação e saúde”, Soraya Terra Coury, 2004


Em tempos de desmatamento e aquecimento global, saber que há fontes de proteína além da carne, que está transformando a Amazônia em pasto, além de sustentável, pode ser a solução para o problema da fome e inanição infantil em populações carentes.
A semente de abóbora, além do alto valor proteico, é uma grande fonte de magnésio, lítio, vitaminas A e E, Ômega 3 e 6, zinco, ferro e potássio e um vermífugo muito tradicional, inclusive para solitárias.

Para fazer a semente torrada e salgadinha em casa, como tira-gosto, veja na postagem Abóbora - mil receitas, que também nos traz outra informação acerca do cálcio presente nas flores e folhas dessa raiz (cambuquira), são 4 vezes mais ricos em cálcio do que a mesma quantidade de leite.

Comprando castanhas, dê preferência às orgânicas, não são pulverizadas com inseticida.



Mais informação:
Abóbora - mil receitas
A soja é desnecessária
Leites Vegetais x Leite animal
Carnes orgânicas, o quê e como comer
Qualquer pessoa pode viver toda a vida sendo vegetariana
Neurocientistas de todo mundo assinam manifesto reconhecendo consciência em animais 

Gelatina


Gelatina não é recomendada para crianças
Saborosa, colorida, de baixo custo, a gelatina em pó é achada com facilidade em diversos supermercados. Essa sobremesa é uma mistura de corantes artificiais, açúcar e/ou edulcorantes, aromatizantes e conservantes. Por contar, porém, com corantes como o amarelo crepúsculo, ela não deveria fazer parte do cardápio infantil. Os adultos podem consumi-la, mas com moderação.
Os esclarecimentos são da Associação Brasileira de Defesa do consumidor (PROTESTE), que avaliou onze pós para gelatina de sabor morango (4 na versão tradicional, 4 na diet e 3 na zero). As marcas pesquisadas foram Bretzke, Doce Menor, Dr. Oetker, Royal e Sol.
O excesso de açúcar, de acordo com a Associação, pode favorecer a obesidade infantil. Sugere-se, portanto, às crianças com idade entre 1 e 3 anos, em um lanche, ingerir até 3,9gr. de açúcar. De 4 a 6 anos, no mesmo tipo de refeição, no máximo, 5,4 gr. E para adultos, até 7,5gr.
Na versão tradicional das marcas Bretzke e Sol, a pesquisa demonstrou que há quantidade excessiva de açúcar para crianças e adultos, além da ausência de edulcorantes. A Bretzke, com a mais alta taxa entre as marcas examinadas, apresenta 10,9gr. de açúcar por porção (equivalente a 120gr. ou um copo de gelatina pronta). A Sol contém 8,8gr.. A média das versões tradicionais, além de açúcar, possuem edulcorantes. Não são recomendadas portanto nem para crianças, nem para gestantes.
Em todas as marcas, os corantes Bordeaux S e amarelo crepúsculo estão presentes, com doses bem acima do limite máximo estabelecido. Somente a Dr. Oetker Diet está dentro do limite correto para o Bordeaux S. O amarelo crepúsculo está atrelado à hiperatividade infantil e a outros distúrbios de comportamento em crianças suscetíveis. No Reino Unido, o emprego desse aditivo é proibido.

Colágeno
Em uma porção de 120gr. de gelatina pronta, na Bretzke tradicional, foi encontrado 0,76gr. de colágeno (proteína gelatinosa). Na Doce Menor Diet e na Dr. Oetker Diet, 2gr. Alguns estudos afirmam que consumir 10gr. diárias de colágeno traz benefícios à saúde, embora não haja consenso, entre os especialistas. Para alcançar essa quantidade, entretanto, a ingestão diária deveria ser de 5 copos de gelatina das marcas com maior quantidade de colágeno. Uma dieta equilibrada, com o consumo adequado de proteínas, é suficiente para uma pessoa saudável alcançar o nível ideal dessa substância.

Alimentos mais saudáveis e reivindicações da PROTESTE
A professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), nutricionista Edira Gonçalves, advertiu que as crianças são as mais vulneráveis aos corantes em geral, cuja ingestão excessiva pode debilitar o sistema imunológico.
Em uma pesquisa divulgada na “Revista Ciência e Tecnologia de Alimentos” em 2008, segundo a nutricionista, estudou-se o consumo, por 150 crianças, de gelatina, de refresco em pó e de refrigerante. Entre elas, foi considerado o uso habitual desses alimentos. Em relação à gelatina, em 95% dos casos, a ingestão começa a ocorrer com crianças até um 01 de idade.
Pesquisadora de alimentos vinculada à PROTESTE, a nutricionista Manuela Dias disse que os pais devem orientar os filhos a consumir alimentos mais saudáveis, como frutas e iogurtes. “Como a gelatina é docinha e colorida, as crianças gostam. Mas é um alimento totalmente artificial, não tem nada de morango, por exemplo, só o aditivo.”, completou.
Entre outros problemas achados nos rótulos das gelatinas, na pesquisa, observou-se que em todas as versões da Bretzke, está registrada a data de fabricação, mas não de modo muito claro ao consumidor. Na versão tradicional da Sol, a situação é a mesma. As outras marcas de gelatina não informaram a data de fabricação no rótulo.
A associação criticou ainda a falta de legislação específica no Brasil, para gelatinas em pó, defendendo a criação de normas reguladoras para esse alimento. O objetivo é proporcionar a definição de alguns parâmetros, como limite de açúcar e quantidade de colágeno e proteína.

Fonte:
Revista Izunome, junho de 2009.





Receitas alternativas de "gelatina" sem gelatina industrializada: 



Gelatina caseira básica (em algas marinhas)
Algas marinhas têm tanta proteína quanto a carne vermelha, vale experimentar
1 col de sopa cheia (ou 1 pacote de 30gr.) de agar agar em pó
1 lt de qualquer líquido.
Ferver o líquido, adicionar a alga em pó, misturar bem e levar à geladeira
Sugestões: suco da casca do abacaxi com hortelã e pedaços de abacaxi, suco de manga (ou melancia ou melão) com gengibre, suco de caqui com raspas de limão, suco de morango com pedaços de Geleias de frutas vermelhas, leite de coco caseiro com coco ralado e geleia de ameixa...
Adoçar os sucos com melado de cana e usar o mínimo de água no processo.


Refresco de gelatina
As crianças adoram e os adultos também vão gostar, especialmente os que estiverem de dieta, já que esse refresco gelatinoso fornece sensação de saciedade.
Faça a gelatina normalmente como ensinado acima, mas use o dobro da quantidade de líquido sugerida e guarde em jarras de vidro na geladeira. Dilua sempre em água, sucos grossos são ricos em frutose e entram direto no sangue.
Veja receitas de mousses de frutas cruas e adapte ao refresco, fica delicioso



Mousse de frutas cozidas com gelatina de algas marinhas
1 pacote de Agar Agar dissolvido em 1 xícara de água fervente
1 col chá de raspa de limão
1 col chá canela em pó
2 xícaras frescas ou cozidas (receitas no link acima)
Dissolvida a gelatina, junte todos os ingredientes no liquidificador, bata tudo e ponha para gelar.


Mousse cremosa de fruta com geleia
3 copos de creme de arroz (ou o equivalente em creme de leite-iogurte, prefira os orgânicos)
1 pacote de agar agar
1 copo de 200ml de água fervendo (ou suco de sua preferência, ou caldo de cana)

geleia de cupuaçu, morango, ameixa... ou mesmo a goiabada cascão na rapadura. Dissolver o agar agar em água antes de misturar ao iogurte, que não deve ser fervido.
Bater no liquidificador o iogurte com o agar agar dissolvido, juntar a geleia depois ou mesmo levar tudo ao liquidificador, se preferir.
O iogurte pode ser adoçado com
melado.


Mousse de azeitona (ou pimentão vermelho ou tomate seco ou salsa)
1 xícara de creme de arroz (ou 1 xícara cheia de creme de leite-iogurte orgânicos)
1 xíc. de azeitonas descaroçadas
4 col. de sopa de azeite
Sumo de meio limão
1 dente de alho
1 pacote de agar agar
Bater tudo no liquidificador, exceto o agar agar e metade das azeitonas.
Dissolver o agar agar em 1/2 copo pequeno (100ml) de água fervendo, levar ao liquidificador novamente , bater bem e após desligar o liquidificador, juntar o restante das azeitonas picadas. Colocar para gelar em forma untada com azeite, caso queira desenformar. Pode ser feita igualmente com pimentão vermelho cozido e orégano ou tomate seco com manjericão ou mesmo salsa pura – nos 2 últimos casos, reduza a quantidade para 1/2 xíc., para o sabor não ficar muito forte.




Uma receita muito tradicional como manjar de coco (ou pudim de leite), que tradicionalmente leva maisena ou açúcar para engrossar e dar o ponto, pode ser feita tranquilamente usando agar agar em pó no lugar, veja melhor sobre o manjar nos comentários da postagem linkada.



Para quem ama Geleia de Mocotó e consome derivados de origem animal, Neide Rigo, que escreve lindamente e cozinha igual, faz geleia de mocotó caseira a partir do tutano do boi, a receita leva açúcar, mas pode ser feita com melado ou rapadura sem problemas. Neide também aproveita o colágeno extraído de pés de galinha cozidos para fazer gelatinas doces, sem gosto residual de galinha, veja melhor em Gelatina de mocotó de pé de galinha.




Quem gosta de Galatines, as gelatinas salgadas, e também consome derivados animais, não pode deixar de conhecer a gelatina salgada de peixe sem qualquer outro ingrediente a não ser a cabeça do peixe, que sempre vai para o lixo. A receita completa está no link acima e o passo a passo na postagem Caldos: a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso. Essa galatine de peixe, que todo mundo jura levar atum-salmão e maionese, aproveita-se toda, já que do caldo faz-se sopa de lentilha.


domingo, 18 de outubro de 2009

Cupuaçu



É uma das melhores frutas que temos e só existe no Brasil, tipicamente amazônica. Muita gente encara o cupuaçu com exotismo, para mim é comida de infância. Sou filha de paraense e era comum nos Natais na casa da minha avó paterna.

Minha mãe, que provou na casa da sogra e amou o cupuaçu logo de primeira, sempre fez a mousse de cupuaçu seguindo a receita tradicional de mousse de maracujá-limão, com creme de leite e leite condensado. Como sempre segui a alimentação mais natural, adaptei a receita de mousse para iogurte caseiro de fermentação natural do leite orgânico no lugar do creme de leite e melado de cana no lugar do leite condensado. Fica igualmente bom e é muito mais leve e digestivo.


Já havia postado a receita da mousse de damasco e maracujá sem açúcar, apenas no melado de cana, que pode ser toda feita também em polpa de cupuaçu. 

Hoje, deixo outra, de geleia de cupuaçu.
Muito fácil, mas sugiro que a polpa comprada seja do tipo "pedaçuda" e cheia de gomos, polpas líquidas (as do supermercado, industrializadas) geralmente só rendem bons sucos, são ralas.

A receita da geleia adoçada naturalmente, é a mesma versão da goiabada cascão.
2 xíc. de polpa de cupuaçu congelada
1 xíc. de rapadura em pedaços
1 xíc. de água
sumo de 1 limão
Deixe no fogo a polpa com a rapadura e água, panela tampada e fogo baixo.
Mexa de vez em quando, junte o sumo de limão quando estive em ponto de "quase", descolando do fundo da panela.
Apague o fogo e deixe esfriar na panela tampada.

Pode ser consumida como geleia comum, na torrada, mas acompanha bem a própria mousse de cupuaçu e faz uma sobremesa diferente quando misturadas.

Cupuaçu em geral combina bem com 2 coisas: castanha do Pará e chocolate meio amargo.
A sua mousse com pedacinhos de geleia pode ficar melhor ainda se coberta com chocolate meio amargo derretido e farofinha de castanha do Pará por cima.
Para fazer crocante de castanha do Pará, basta tostar as castanhas moídas com um pouco de rapadura ralada, até caramelar.

Para dias de festa: arrume em tacinhas antigas de champagne a mousse de cupuaçu misturada à geleia da fruta, cubra com o chocolate meio amargo derretido (espere esfriar para não estourar o vidro-cristal) e salpique o crocante de castanha do Pará por cima.
Ou use a geleia para rechear bolos de chocolate.
Lindo, delicioso e saudável.



Na postagem 2 anos sem forno e fogão eu trago o passo a passo do sorvete de cupuaçu em inhame e melado:


Sorvete de cupuaçu da roça em base de inhame orgânico da feirinha. Eu tomei um sorvete de juçaí (o açaí da palmeira juçara da Mata Atlântica) na Rio+20, ele aparece aqui nesse link, era divino e basicamente só levava a polpa do juçaí e um pouco de mel silvestre orgânico. O cozinheiro me deu o segredo: ele colocava 1 inhame cozido para cada litro do juçaí. Mas ele tinha uma incrível sorveteira industrial do tamanho de uma máquina de lavar roupa, imensa e com capacidades hipercongelantes, que eu não tenho. Então, quando eu consegui a polpa de cupuaçu abaixo, bem pedaçuda, decidi aumentar a quantidade de inhame e deu certo!
Medidas aproximadas: 2kgs de polpa de cupuaçu (da pedaçuda, a líquida só presta para suco), 1kg de inhame cozido, 1/2kg de melado de cana, 200ml de água, cardamomo a gosto. Outras frutas possíveis: graviola, bacuri, taperebá, açaí, grumixama e todas as frutas de polpa grossa e sabor pronunciado.







Recém saído do liquidificador, lembra muito a mousse de cupuaçu tradicional em creme de leite-leite condensado ou a de linha naturalista em iogurte-melado de cana. Como todo sorvete, precisa "cozinhar" no frio abaixo de zero pelo menos de um dia para o outro.




No dia seguinte: sorvete sólido de fazer bola sem escorrer!





O cupuaçu é uma fruta tão generosa que rende um chocolate desconhecido por nós brasileiros, eu falo do cupulate, na postagem "Páscoa em paz com o resto do mundo".

E da manteiga de cupuaçu para fins estéticos, mas que também pode ser ingerida como a manteiga de cacau, na postagem "De cabeça (e de boca) no low-no poo"

manteiga de cupuaçu, que é muito forte, com consistência de manteiga de cacau, e foi misturada em partes iguais com a manteiga convencional na massa (em farelo de milho) de um crumble de maçã com mirtilo seco. Essa também é uma das receitas mais antigas daqui do blog e o passo a passo com medidas está na antiga postagem Crumble de banana com castanha do caju e de morango com castanha do Pará. O sabor da manteiga de cupuaçu é frutado, levemente ácido, e eu imagino que seja o complemento ideal para o cupulate, o chocolate obtido a partir das castanhas do cupuaçu, como o chocolate convencional é obtido a partir das sementes do cacau, que misturado a sua manteiga (de cacau) nos rende os bombons que tanto amamos. Nenhuma coincidência, o cacau e o cupuaçu são frutos irmãos - Theobroma Cacau e Theobroma Grandiflorum.

Para fazer o crumble de maçã com mirtilo seco em massa de milho com manteiga de cupuaçu:







Para uso cosmético, a manteiga de cupuaçu em estado bruto pelo preço do seu xampu baratinho no supermercado.







Eu compro as minhas polpas na Tacacá do Norte, loja de produtos típicos do Pará bem próxima de minha casa, no Flamengo e citada como referência gastronômica do Guia Slow Food para Cariocas



Mais informação:
Abacate
Kefir e Iogurte
Compras a granel
Leites Vegetais x Leite animal
Mel de abelhas x Melado de cana
As frutas que ninguém come mais
Hortaliças em extinção por causa das “tentações vindas da cidade”
Geleias para adulto: pimenta, manga com pimenta rosa, gengibre, vinho quente, hortelã e capim limão

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Porque castrar seu animal de estimação



DEVO CRUZAR MEU CÃO OU MINHA CADELA?

Todo mundo que tem uma fêmea pensa em cruzá-la ao menos uma vez. Ter uma ninhada parece uma coisa legal, mas cuidar de uma ninhada não é tão legal quanto parece. Criar cães envolve muito mais trabalho e responsabilidade do que as pessoas estão dispostas a ter.

Antes de cruzar sua cadela, aqui alguns pontos importantes a considerar:

Será que todos os filhotes encontrarão lares bons e permanentes?
Estatísticas dos Estados Unidos falam que a cada hora nascem cerca de 2500 filhotes e 450 seres humanos. Portanto desde o nascimento, só um em cada quatro filhotes terá chances de encontrar um bom lar. Encontrar um lar permanente é ainda mais difícil somente um em cada 10 cães permanecem com seus donos originais por toda a sua vida. Cinco trocarão de dono antes de completar um ano de vida. E o saldo terminará em abrigos, abandonados ou indesejados. Mesmo que seu cão seja um cão de raça caro, seus filhotes estão sujeitos às mesmas estatísticas. Milhões de cães serão sacrificados anualmente em instituições ao redor do mundo já que não há lares suficientes para abrigá-los. Há tantos animais abandonados hoje em grandes cidades, que os legisladores já pensam em coibir ou limitar drasticamente a criação de cães.

Suas responsabilidades como criador/doador
Você é pessoalmente responsável por cada filhote pelo resto de suas vidas. Sua responsabilidade não cessa no ato da venda/doação do filhote é bem aí que essa responsabilidade começa! Você é que vai ter que saber exatamente onde esses filhotes estarão daqui a seis meses, um ano ou cinco anos, e saber se os mesmos estão recebendo a atenção necessária. Você será responsável por todos os filhotes não vendidos/não doados e receber de volta aqueles que serão devolvidos após terem crescidos e seus donos não mais os quererem. Como somente um em cada 10 filhotes ficará com seu dono original por toda a sua vida, você terá que estar preparado a receber de volta uma boa parte de sua ninhada. A hora de se preparar para isso é agora antes de trazer novos filhotes para esse mundo, não depois. Você terá espaço para esses cães? Terá tempo para cuidar deles? Parece que ter uma só ninhada não terá grande efeito sobre a população canina em geral mas, se sua cadela tiver uma só ninhada de quatro filhotes e cada filhote produzir mais quatro filhotes, em 7 anos teremos 4.000 descendentes!

"Somente uma ninhada" tem sérias conseqüências!
Você terá que aprender a escrever e exigir cumprimento de um contrato que exige que os donos dos filhotes castrem os mesmos. Você tem a responsabilidade perante seus filhotes e seus donos de criar cães os mais saudáveis, física e mentalmente. Todas as raças possuem problemas genéticos e de temperamento específicos que podem ser passados aos seus filhotes. Muitos defeitos hereditários estão "escondidos" apesar de que seu cão possa não apresentá-los, ele poderá estar programado geneticamente a transmiti-los a seus filhotes. Sem exames caros e complexos e um estudo aprofundado de pedigrees, você poderá facilmente estar produzindo filhotes que serão uma dor de cabeça para seus donos e um peso financeiro para você. Criadores sérios avaliam seus padreadores e suas matrizes para encontrar evidências de displasia, doenças oculares, de coração, de tireóide, hormonal, de pele, alergias e problemas de coagulação antes mesmo de pensar em fazer um cruzamento. Como criador você deve estar preparado para dar garantias aos novos donos que os filhotes estão livres das doenças hereditárias típicas da raça quando atingirem idade adulta. Isso pode significar o reembolso de dinheiro daqui a alguns anos ou ter que oferecer um novo filhote sem custo. Com nova legislação, criadores sem experiência poderão estar reembolsando até três vezes o valor recebido hoje daqui a três anos, adicionado de despesas veterinárias, correção monetária e multa. E temperamento também está sujeito a garantias. Você poderá ser processado se o filhote que você vendeu ontem morder alguém amanhã. Você terá que estar presente para dar aos donos conselhos sobre treinamento e comportamento. Você é o "suporte on-line", 24 horas por dia, 365 dias por ano, para os novos donos, e isso pelos próximos 10 a15 anos!

Ter uma ninhada sai caro!
Criar uma ninhada exige um considerável investimento de tempo e dinheiro que certamente não voltará sob forma de lucro. Depois virão os exames pré-natais, ultra-som, exames pós-parto, vacinação e vermifugação, remoção de ergot (5ª unha), alimentação adicional para a mãe, equipamento como caixa de parto, cercado, etc. Partos com complicação são mais comuns do que se imagina(especialmente se for o primeiro parto da cadela). E problemas durante o parto poderão custar a vida da cadela! Você pode calcular uma taxa de mortalidade de 25% para os recém-nascidos, mesmo fazendo tudo corretamente. E defeitos de nascimento como palatos abertos são comuns. Depois disso virão custos para anúncios para a venda dos filhotes. Mesmo criadores de cães campeões raramente obtém algum lucro na sua criação. Pense bem sobre as razões que fazem você desejar criar uma ninhada.


MITOS E CRENÇAS:

"A natureza fez com que os animais procriassem".
Não é mais a natureza que controla a carreira reprodutiva dos nossos animais de estimação as pessoas é que o fazem. A natureza age de maneira bem diferente. No ambiente selvagem a natureza se encarrega que somente os filhotes mais fortes e espertos sobrevivam para criar novos descendentes. E a natureza só permite às cadelas ficarem férteis quando há alimento suficiente e um ambiente seguro, para garantir a sobrevivência da ninhada. Nós humanos permitimos que nossos animais procriem a qualquer tempo, tenham um futuro assegurado ou não.

"Ela precisa ter uma relação sexual"... ou ..."Ele precisa abaixar o facho"
Não!, nos dois casos. O sexo dos animais é controlado por hormônios. Não existe amor, emoção ou pensamento envolvido. Uma fêmea somente "pensa" em sexo quando está no cio e ela esquece isso assim que o cio passa. E os machos somente pensam em sexo ao estarem próximos de uma fêmea no cio. Deixar o macho cruzar não vai "abaixar o facho", vai sim fazê-lo ficar pior. Ficará mais territorial e agressivo perante outros cães, poderá voltar a sujar dentro de casa e poderá ficar incontrolável caso haja uma fêmea no cio próximo à sua casa . O macho que nunca cruzou desconhece e não sente falta de cruzar. "Abaixar o facho", seja de um macho ou de uma fêmea, é questão de maturidade e treinamento e não de cruza. Não existe fundamento na "sabedoria popular" que cães ou cadelas devem cruzar ao menos uma vez antes de serem castrados.

Se algum veterinário der esse conselho, tenha certeza que ele está atrasado no tempo. Pesquisas demonstram que castrar cães ainda filhotes não causa nenhum efeito negativo. Castrar uma fêmea antes do primeiro cio pode prevenir alguns tipos de câncer e infecções urinárias sérias. E castrar um macho não tira sua masculinidade. Muito pelo contrário, esse macho se tornará um animal mais fácil de ser treinado e possibilitará que ele canalize sua energia para atividades mais construtivas.


MOTIVOS EQUIVOCADOS:

"Estamos fazendo isso pelas crianças".
Assistir ao milagre da natureza não é tudo aquilo que se diz. É um acontecimento cheio de sujeira e sangue e quase sempre acontece no meio da noite. É doloroso para a cadela e seu sofrimento pode ser mais do que você deseja que seus filhos assistam. Existem vídeos e livros que mostram às crianças o milagre do nascimento sem os custos e a responsabilidade de criar novos cães.

"Queremos um outro cão igual a este".
Os filhotes terão 50% de chance de puxar traços do outro cão! Seu cão é único e especial. As leis de hereditariedade impedem que dois seres sejam idênticos. A maioria das qualidades que fazem sua cadela tão especial é adquirida, não herdada.

"Queremos ficar com um filhote".
É bem mais barato e mais fácil comprar ou adotar um novo filhote do que criá-lo você mesmo!

"Todos nossos amigos querem um filhote".
Qualquer pessoa que viu sua cadela quando filhote dirá que "um dia" vão querer uma igual. Mas esse dia raramente coincide com a época em que os filhotes estão prontos para ir aos seus novos lares. Você ficará surpreso de quantas pessoas subitamente não tem tempo disponível para um filhote no momento ou não estão dispostas a pagar o preço que você está cobrando. Não conte com promessas vagas! Encontrar lares adequados e donos responsáveis, carinhosos e preparados para ter um cão é mais difícil que parece. Nem todo mundo deve ou pode ter um cão e é impossível saber a diferença entre um bom e um mau dono. Você terá que ter uma grande capacidade de julgamento de caráter e estar disposto a investir tempo considerável para conhecer melhor as pessoas às quais você planeja vender/doar um filhote. Será que eles tem a experiência para CRIAR e EDUCAR um filhote?
"Queremos recuperar o investimento em nosso cão"
Como dito acima, será muito difícil obter algum lucro na criação. Criar uma ninhada certamente resultará em prejuízo. Você provavelmente comprou um cão para ter um companheiro e ter prazer. Mesmo tendo pagado R$500,00 isso é um investimento se somente R$50,00 por ano se o mesmo viver 10 anos, ou seja, menos que R$1,00 por semana. Será que o companheirismo e amor que ele retorna não vale mais do que isso?

Procriar cães é assunto sério! Antes de seguir adiante, visite o Centro de Zoonoses mais próximo à sua casa e veja o que acontece com cães que foram criados por pessoas que pensavam que seria "divertido" ter uma ninhada.

O ""milagre da morte" pela eutanásia é tão educador quanto o "milagre da vida".

A decisão de NÃO cruzar seu animal de estimação é uma das decisões mais inteligentes, educadas e profundas que você pode ter.

Autor do texto original, Dieter Gogarten.

Texto adaptado do Guia Vegano








Devo cruzar meu cão?

A resposta é "Não".

Se você precisa perguntar, então a resposta necessariamente será "NÃO".

Se você cruzar o "seu" maravilhoso cão de raça, na melhor das hipóteses terá um cão com metade" das caracrísticas do seu. E a melhor das hipóteses raramente acontece.
.Algumas perguntas que você deveria fazer a si mesmo antes de cruzar seu cão:
1. Seu cão tem um título?
Ele foi avaliado por juízes em exposições ou provas de trabalho e habilitado a passar um padrão da raça?

2. Seu cão tem a conformação saudável?
Teve as bacias, dentes e olhos checados por um profissional? É um cão saudável e com estrutura correta? Gaste muito com exames para verificar se seu cão PODE cruzar.

3. O teste de displasia está ok?
Foi feita a radiografia e a bacia certificada boa pelas autoriadades certificadoras?

4. O cão tem um bom temperamento?
Um cão não deve cruzar se não for um cão sociável ou se for um cão medroso.

5. O cão tem alguma falha genética?
Nem muitos exames podem detectar falhas genéticas.

6. Você está disposto a perder seu cão por causa do cruzamento?
Doenças fatais podem ser transmitidas na cruza. Algumas cadelas morrem ao dar cria.

7. Você está disposto a ficar com dez filhotes?
Ter uma ninhada não significa que você conseguirá vender os filhotes. E se tiver de dá-los, que tipo de vida esses filhotes terão?

8. Você está disposto a sacrificar um filhote?
Nascem filhotes com 3 pernas, intestinos pendurados para fora e mais um milhão de outras razões para sacrificá-los. Você é capaz de sacrificar um filhote?

9. Você está disposto a receber de volta um filhote maltratado?
Espere que aconteça e reze para não acontecer.

10. Você está disposto a dar uma garantia de saúde?
O que acontecerá se todos os filhotes tiverem uma doença em comum e você receber TODOS de volta com 6 meses de idade?

11. Você fará um passeio num abrigo de cães antes de cruzar?
Porque há excessões mesmo na melhor ninhada, um de seus filhotes pode acabar lá. Infelizmente vivemos numa sociedade em que tudo se descarta.

12. Você tem tempo?
Prepare-se para ter de correr para casa na hora do almoço e ficar acordado até as 2 da manhã por duas semanas para ter certeza que está tudo bem com a ninhada.

13. O seu cão é bom para acasalamento?
Você acha que tem o direito de fazer experiências com seu cão?

14. Você consegue pagar as despesas com veterinário?
São frequentes problemas na gestação e parto.

15. Você realmente quer vender os cães?
Você está regulamentado como criador? Você paga todos os impostos e cumpre todas as exigências legais?


Você certamente não ficará rico considerando as dores de cabeça e as “dores no coração" durante o processo todo. Ótimos cães podem gerar péssimos filhotes! Então, no final, restam apenas algumas palavras de aviso:
1° Seu cão tem mesmo tantas qualidades para ser digno que seus genes passem adiante?

2° Você teria condições de pagar a conta do veterinário no piore dos casos, o risco de morte do seu cão?

3° Você está disposto a gastar tempo e dinheiro para achar os melhores lares para seus filhotes?

4° Você receberia de volta um filhote que foi maltratado e que você amamentou? Porque isso acontece muito! Com tudo isto, a decisão é sua. Você não precisa da permissão de ninguém para acasalar seu cão. Saiba apenas que uma dúzia de filhotes e o seu cão ou cadela podem viver ou morrer, dependendo da sua decisão. Como vê, não há motivos para acasalar seu cão. Mesmo que ele seja de raça e tenha pedigree.
Isto é trabalho apenas para criadores regulamentados, experientes e responsáveis.


Autor do texto original: Dennis Guldan (editor da revista americana Canine Today e da Bird Dog and Retriever News). Textos publicados no site http://www.gatoverde.com.br


Veja este vídeo produzido pela BBC. (47'). O documentário mostra criadores de raças caninas, a omissão do Kennel Club, procriações consanguíneas e doenças derivadas dessa prática como a siringomielia: Segredos do Pedigree



De acordo com a Lei 14483-SP, animais devem estar CASTRADOS antes de doação ou venda. "A castração previne tumores e evita doenças e comportamentos inadequados ao convívio com pessoas e outros animais."

Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos.
Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita do ponto de vista genético




Veja onde castrar seu animal gratuitamente




Mais informação:
Microchipei meus cães
Castre seu gato de estimação


domingo, 11 de outubro de 2009

Abacate: as receitas mais fáceis



Abacate é barato, gostoso e saudável - sua "gordura" é boa para o coração, além de ser extremamente nutritivo. Como a abóbora, deve ser consumido toda semana e muita gente defende até que se coma todos os dias.

Nos demais países da América Latina, de tradição espanhola, o abacate é um legume comido em receitas salgadas, fatiado em saladas e sanduíches de salada . A foto acima é do M de Mulher no nosso pãozinho francês, mas quem quiser cair dentro dos sanduíches de abacate, sugiro fazer uma busca em inglês por avocado sandwich no Google, as fotos do link (em centenas de versão, do salmão defumado, sardinha, frango, cheddar e até tofu com legumes marinados) são uma fonte de inspiração inesgotável.



O abacate pode ser o acompanhamento perfeito para os ceviches e ovas preparados em casa.
Observe também que qualquer creme de abacate, se congelado, vira sorvete. Basta bater a fruta com qualquer líquido numa proporção de 3\4 da polpa fresca para 1\4 de líquido.

Se você tiver sorte, ainda encontra um abacateiro em uma rua arborizada, que garante o fornecimento a cada 2 meses. A árvore fica carregada e os porteiros das redondezas costumam distribuir as frutas aos moradores mais chegados.

Deixo as minhas receitas favoritas, aquelas que sempre dão certo:




Para fazer a tentação da foto (sem créditos) acima:
Basta remover o caroço do abacate, quebrar um ovo orgânico, temperar com sal e pimenta, cobrir com queijo (se quiser, eu prefiro sem) e levar para assar! 




Guacamole, aprendido no Panamá (fica muito bonito servido na própria casca da fruta)
1 abacate maduro
1 colher de sopa de azeite extra virgem aromatizado
suco de 1 limão (ou 1\2 galego)
1 tomate orgânico e limpo, cortado em cubos pequenos
1/2 cebola em cubos pequenos
sal marinho e pimenta (jalapeño ou malagueta)
salsinha e coentro picados (mais ou menos 1 xícara)
Misturar tudo amassando o abacate, temperar com sal e pimenta, juntar salsinha e coentro picados se gostar

Está na moda, juntar 1/4 de abacaxi ao guacamole, batendo antes no processador com o abacate. Nunca tentei, escorra antes para não ficar aguado.





Maionese de abacate
1 abacate maduro (retire a polpa)
suco de 1\2 limão
1 col de sopa de azeite extra virgem
1 col de sopa rasa de melado de cana
1 col de sopa rasa de mostarda dijon
sal, pimenta, curry, gengibre em pó...
Bater tudo com garfo até ficar homogêneo e serve para substituir a maionese em saladas de batata





As receitas de Guacamole e maionese de abacate podem virar saladas também, a versão ao lado do Step into my greenworld vem com camarões aferventados, mas eu substituiria por ceviche de camarão, colocaria também um pouco de coentro e usaria limão galego orgânico no lugar no convencional.

Ingredientes: 1/2 alface romana, 1 xícara de salsa, 1 xícara de camarões cozidos, sal, pimenta, suco de limão orgânico e azeite de oliva extra virgem orgânico










E a da foto abaixo do Live Love Fruit: Salsa gringa de manga com abacate, com manga verde deve ainda ficar mais interessante. Boa para acompanhar churrascos, lembrou um molho à campanha incrementado. Receita: manga, abacate, pepino, tomate, cebola roxa, limão, coentro, 1 dentinho de alho e, eles indicam, uma espécie de alga. (mas é dispensável)









Salada verde de abacate
1 alface america limpa
1 radicio limpo e desfolhado
1 abacate maduro em fatias longitudinais
cebolinha picada
sal grosso e azeite extra-virgem
Arrume as folhas em travessa baixa, disponha as fatias de abacate e cubra com a cebolinha, tempere com sal (se for sal grosso, melhor) e regue com o azeite.



Salada de legumes com abacate
1 tomate em cubos grandes
1/2 cebola em cubos pequenos
1 pepino em cubos grandes
1 abobrinha em cubos grandes
1 abacate maduro em cubos grandes
salsinha picada (mais ou menos 1 xícara)
sal marinho, azeite extra-virgem e limão
Misturar tudo, tomando cuidado para não fazer uma "papa" com o abacate, ele deve ficar em pedaços.






Mousse crua de cacau em abacate (foto minha acima, o passo a passo está no link ao lado)
1 abacate orgânico maduro
1 copo de 200ml de leite vegetal caseiro (na foto, usei de castanha do Pará)
1 colher de sopa cheia de cacau em pó
10 tâmaras hidratadas de véspera coadas (pode ser feito também com banana passa)
Bater tudo no liquidificador e levar para gelar


Essa mousse de abacate é uma cobertura incrível para bolos de chocolate em geral, veja melhor na postagem sobre os bolos de chocolate.
400gr de abacate maduro
3\4 xíc de cacau em pó
1\2 xíc melado de cana
cacau em pó para enfeitar
Bata todos os ingredientes no liquidificador ou processador e leve à geladeira por 2 hrs antes de usar







Cheesecake vegano 100% orgânico e gluten sugar-free de abacate com calda de frutas vermelhas, o Avocado Lime Chessecake (foto da autora retirada do link)

Massa:
Bata 1 xícara de amêndoas com 3\4 de xícara de tâmaras hidratadas e coadas, pressione bem numa forma de torta com fundo removível.
Recheio:
2 abacates médios
6 colheres de sopa de melado
1\2 xícara de suco de limão
5 colheres de sopa de óleo de coco
1\2 xícara de coco fresco ralado
Misture tudo à mão até formar um creme.
Cubra a massa e deixe no congelador
Transfira para a geladeira quando a consistência estiver firme.
Sirva com frutas vermelhas glaceadas levemente no melado




Ferver para dissolver 1 xícara de água e 1/2 xícara de adoçante natural. Deixe esfriar até a temperatura ambiente. Em seguida, amasse 2 abacates pequenos com uma pitada de sal e 2 colheres de sopa de suco de limão. Junte à mistura de água e mexa para dar consistência uniforme. Bater no liquidificador se sentir necessidade. Verter em moldes. Congelar.



200g de abóbora 
200g de abacate 
200ml de melado de cana
200ml de creme de arroz
1 colher de sobremesa de emulsificante de linhaça
Cozinhe e descasque a abóbora. Em seguida, bata tudo no liquidificador 
Os ingredientes para preparar o gel são duas colheres de grãos de linhaça e um copo de água filtrada (250 ml). Cozinhe os grãos de linhaça por aproximadamente 15 minutos. Vai se formar o gel, que deve ser separado com ajuda de uma concha ou de uma peneira. Há quem use kefir nesse sorvete e diga que fica ótimo, nunca tentei mas acho válido.



1 abacate maduro
1 copo (200ml) de suco de laranja
1 col de sopa de melado de cana
raspas da casca da laranja
Bater tudo no liquidificador, exceto as raspas. Dispor em tacinhas e decorar com as raspas
Se a laranja for lima, não precisa do melado.


Creme de abacate com ameixa seca
1 abacate maduro
1 copo de água morna
4 ameixas secas
Deixar as ameixas de molho na água morna de um dia para o outro, bater tudo no liquidificador no dia seguinte.


Mousse de abacate com caldo de cana e limão
1 abacate grande e maduro
1 copo (200ml) de caldo de cana
suco de 1 limão Tahiti ou Galego
Bater tudo no liquidificador e gelar
Decorar com as raspas da casca do limão
opcional: trocar o caldo de cana por 1 copo de limonada adoçada com rapadura ou melado, a limonada não pode ser suíça por causa do amargor da casca.




Como saber se o abacate está maduro?
O abacate quando está verde, é verde - maduro é preto. Se o que você comprou ainda está verde, enrole em jornal e deixe fora da geladeira até escurecer. Se demorar a escurecer, veja se está molinho. Alguns abacates não escurecem, mas amadurecem de casca verde escuro mesmo. Só que nenhum abacate duro está maduro, o maduro (mesmo de casca verde) é sempre molinho.




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