segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Embalagem Long Neck




Mais um crime ambiental praticado pela indústria de bebidas, além da hidropirataria, o resíduo.

A poluição causada pelas embalagens long neck e a lei 333/09

As embalagens de cerveja tipo long neck ou one way, são consideradas hoje, um dos mais problemáticos resíduos gerados no mundo, pois após o consumo da bebida, são simplesmente descartadas, ou seja, o material é tratado como lixo, ocupando espaço do destino final.

A embalagem do tipo “long neck” ou “one way” (somente uma via) é fabricada para atender aos interesses das indústrias vidreiras e as indústrias envasadoras de bebidas, visando a competitividade entre as embalagens, especificamente entre o alumínio e o vidro sem pensar nas conseqüências da poluição causada ao meio ambiente, comprometendo a qualidade de vida e a segurança de todos.

Para deixar este tipo de embalagem competitiva junto ao alumínio, a indústria vidreira retirou alguns componentes químicos que davam certo peso à embalagem, ficando comprometida a sua resistência, não permitindo o retorno para um segundo envase, ou seja, ela só vai ao consumidor não retornando para ser reutilizada, passando a ser um problema ambiental, já que é descartada no lixo.

Para constatar o problema ambiental que é gerado por este tipo de garrafa, basta ir a um local onde existiu uma festa que as garrafas estarão por todo local. Como facilmente as quebramos, os cacos de vidro podem se tornar uma arma em caso de briga entre os jovens que as consomem largamente.

Se existisse o interesse da indústria em reciclar estas garrafas, ela poderia voltar para a cadeia produtiva, mas as indústrias, principalmente as cervejeiras, desde a introdução dessa embalagem no Brasil em 1993, sequer propuseram ações e incentivos visando a logística reversa (retorno) dessas embalagens para que as mesmas voltassem à cadeia produtiva. Nunca respeitaram Lei Federal 6.938/81, que trata sobre a responsabilidade solidária com relação às embalagens de seus produtos pós-consumo ou mesmo a Lei 11445/2007.

As garras tipo long neck, geralmente utilizadas em embalagem de cerveja, com capacidade para 300 ml, representam cerca de 50% do volume total de bebidas comercializadas em postos de gasolina. As indústrias dizem que este volume não chega a 5% das vendas. Se o volume é insignificante como dizem, então por que não substituí-las? As latas de alumínio ficam com 26% e o restante são as garrafas retornáveis de 600ml.

O material utilizado na fabricação desse tipo de garrafa long neck, que leva cerca de 5.000 anos para sua decomposição, não permite a sua reutilização, ou seja, a embalagem não é retornável, e assim, após a utilização do produto, são jogadas no lixo e levadas aos lixões ou aterros sanitários, ocasionando poluição ambiental e ocupando espaço nesses depósitos que poderiam ser utilizados por materiais orgânicos de rápida decomposição.

Vale salientar que tal medida, ao ser colocada em prática, vai reduzir significativamente a agressão ao meio ambiente no território paranaense, e não deve prejudicar os fabricantes da bebida, pois outros materiais poderão ser utilizados no seu envase, como é o caso do vidro retornável que pode ser reutilizável e reciclável, ou alumínio, 100% reciclável. Vale lembrar que o vidro é 100% reciclável e pode ser infinitamente reaproveitado.

Outro fato que desmerece esse tipo de embalagem e mostra seu potencial anti meio ambiente é a rejeição por parte dos carrinheiros, cooperativas ou associações em coletar as mesmas, pois esta embalagem tem um valor insignificante, e que não compensa o esforço para carregá-las. Elas são vendidas como cacos de vidro e o valor pago pelo quilo no Brasil em julho de 2009 é de R$ 0,05.

O problema é transferido mais uma vez para os municípios que deverão de alguma forma solucionar mais uma vez essas questões sem o auxílio das indústrias responsáveis por esses passivos ambientais.

As indústrias ficam com o bônus e não dividem seus lucros.

Deixam o ônus totalmente para os municípios, que por muitas vezes assumem integralmente esses passivos e são processados por não apresentarem soluções ambientalmente corretas.

É preciso evitar que esse tipo de embalagem ou qualquer outra que não seja sustentável na sua logística reversa seja comercializada no Paraná e posteriormente, no Brasil e no mundo, protegendo assim o nosso meio ambiente.

A utilização de outras embalagens como de vidro e latas de alumínio, geram emprego e renda aos recicladores, através de cooperativas, assegurando fonte de receita complementar.

Quando você for beber cerveja, recuse long neck, dê preferência à garrafa de vidro retornável, ou, se for inevitável, use lata de alumínio, que tem mais de 95% de taxa de reciclagem no país.

Você pode fazer sua parte para aprovar a lei 333/09, que proíbe a long neck sem sair da frente do computador, ajude o planeta e as futuras gerações. Basta mandar a mensagem abaixo para todos os deputados estaduais do estado do Paraná, para incentivá-los a votar SIM na lei 333/09.

Use sua rede de contatos e solicite para que também ajudem a limpar o Paraná da poluição causada pelas long neck. Mesmo se você não residir no estado do Paraná, nos ajude, afinal, todos moramos no mesmo planeta.

Sugira aos seus deputados em seu estado e seu país para proporem a mesma lei, afinal, a poluição causada pelas long neck e one way é um problema mundial.

Todos juntos podemos mudar o futuro da humanidade neste planeta.


Mais informação:
Tetrapack não recicla
Como funciona um aterro sanitário

8 comentários:

Sonia Hirsch disse...

Carol, não vi o texto da lei mas acho que toda a política do lixo merece uma revisão. Aqui eu enterro o orgânico, junto os secos e guardo as embalagens. As garrafas de fato são um grande ponto de interrogação, inclusive as de vinho, que podem ser recicladas - mas sei lá quantas quebram no processo. E quando se trata de cerveja, ainda existe agravante pelo conteúdo altamente questionável. Um amigo que trabalha com isso diz que, se a gente soubesse como a cerveja é feita, nunca mais tomava... E olhe que ela já foi chamada de "pão líquido", porque era alimento!

embalagemsustentavel disse...

Tecnicamente, o vidro é o material que melhor preserva a cerveja, mantêm o gás e não altera o sabor. O que falta é uma política e uma preocupação com o destino desse material, fazendo com que ele seja retornável ou reciclado.
O ideal seria voltar para a mesma função.O valor tão baixo para a reciclagem é pelo motivo que é gasto muita energia para transformar em outra embalagem novamente.
Tem também o problema do vidro quebrar com mais facilidade no transporte e no uso.
Por tudo isso o ideal seria ter o vidro em locais próximos às fábricas para que pudessem vender mais produto na mesma embalagem e mais resistentes que as atuais, ou alumínio em locais mais distantes (por sua resistencia) e por ser mais empilhável (transporta mais líquido por caminhão).

Carol Daemon disse...

Oi Sonia, coincidência, postei sobre o pão líquido e a importância da bebida fermentada para as lactantes no post de bebidas para a ceia sustentável.
A Espanha e Portugal têm um projeto interessante de reciclagem de garrafas de vidro, vou pesquisar e te mantenho informada.
Abraços e bom te ver por aqui.
Carol

Carol Daemon disse...

Oi Elisa, obrigada pela atenção, sua opinião é sempre importante.
Concordo com você sobre as garrafas de vidro serem as melhores para armazenamento de bebidas, plástico é tóxico pela liberação do óleo mineral e alumínio também é complicado, apesar de mais leves.
A sustentabilidade traz muitas questões, o vidro quebra e torna o frete pesado, o que consome mais combustível fóssil no transporte.
Gostaria que as bebidas, assim como todos os manufaturados, não precisasse viajar tanto ao destino final, o consumidor.
Talvez, um estímulo às fábricas locais de bebidas, garanta esse equilíbrio.
Um grande abraço e apareça sempre,
Carol

Ghi disse...

Posso te "repostar" no meu multiply????
Pois acho que quanto mais divulgarmos melhor.
Adoro tudo o que você escreve. Obrigada.
Beijinhos, Ghi

Carol Daemon disse...

Oi Ghi,
seja bem vinda, claro que pode.
Fique à vontade.

abs e apareça, Carol

Ju, mãe da Letícia disse...

Carol, adorei seu blog.
Em relação às embalagens, algo me preocupa: as sacolas oxi-biodegradáveis não poluem com microfragmentos de plástico? Não é pior para contaminar água que pedaços visíveis?
Abraços

Carol Daemon disse...

Oi Ju,
nunca ouvi acerca dos microfragmentos. Vou pesquisar e volto a postar.
Mas acredito que não seja o caso.
abs,
Carol