A
panela de barro capixaba é comprada direto na cooperativa do Bairro das Paneleiras em Vitória e pode até ser encontrada por todo o ES, mas vale uma ida até o local. As artesães fazem a panela em argila e, no final da queima, as peças, ainda quentes, recebem um tratamento de superfície com tanino retirado da casca das árvores do mangue que é o que dá essa cor à panela.
Existe um projeto de preservação, orientando as paneleiras a usarem um percentual da casca das árvores respeitando o ciclo da própria planta.
Quando estive em
Ibiraçu, trouxe uma estilo caçarola, a menor na foto, que não ficou boa, e ainda vou ter um caldeirão desses também. Mesmo a caçarola menor é um panelão e não foi fácil trazer no avião, mas vale a pena, a comida fica com gosto de fazenda e fogão a lenha.
Tradicionalmente a panela serve para a moqueca capixaba, mas dá para fazer de tudo e dessa vez, fiz um Baião adaptando o que aprendi com a Natalia na casa da Alessandra, em dia de festa onde um mundo de gente comeu esse Baião acompanhado de uma paçoca de carne seca desfiada em farinha d´água.
Eu fiz assim e deu certo:
2 cravos da índia picados sem a coroa, cominho, pimenta calabreza e ervas finas
(tudo acima comprado
a granel no empório)
O que não é do empório, mas se acha na feira de orgânicos: sal marinho, azeite comum, 1 cabeça de alho espremida, 1 maço de cheiro verde e 1 maço de coentro picados bem finos
Cozinhei o feijão de véspera, dispensando a água do primeiro cozimento e deixei na geladeira, o feijão tem que ficar al dente, que nem feijão fradinho.
No dia, fiz o arroz só na água na panela capixaba, quando ele estava em ponto de quase pronto, juntei o feijão com caldo e os cravos picados, desliguei o fogo e deixei abafando.
Numa panelinha menor, refoguei o alho no
azeite de alho caseiro e juntei parte do caldo do Baião, engrossou e eu adicionei todos os temperos, deixando apurar por uns 5 minutos.
Juntei o tempero ao Baião, misturei bem e deixei abafando até ficar numa temperatura apropriada para consumo, juntei os temperos verdes e frescos (cheiro verde e coentro) só na hr, para não ficarem marrons e perderem o frescor.
Ficou muito bom.
Você pode fazer o feijão no mesmo dia, usar 3 panelas e lavar um monte de louça - eu prefiro fazer com antecedência e ralar um pouco menos.
A versão original é com arroz branco e carne de sol em cubos cozida junto com o feijão.
Não senti gosto da carne de sol em todas as vezes em que comi Baião, não me fez falta, até porque o segredo do Baião é o gosto inconfundível do feijão de corda. Mesmo a substituição por arroz integral, não agride o resultado final, só torna a digestão mais rápida e é melhor para a saúde.
Baião acompanha coisas crocantes, frescas, com a consistência diferente da dele que é quase cremosa: normalmente carne seca desfiada com macaxeira frita (ou abóbora cozida) e muito queijo coalho ralado por cima.