sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cadê o iglu que estava aqui?

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Recebi esse vídeo da Jamile, que sempre envia os melhores emails.
Ter pena do urso polar é básico, mas o que você pode começar a fazer agora mesmo para que essa situação não perdure, é diminuir suas emissões de CO2.

Como?
Comece respondendo ao questionário do ecological footprint quiz e veja o tamanho da pegada que você deixa nesse planeta. A partir desse princípio econômico simples, saber quanto se gasta, você vai poder calcular quanto deve reduzir. Em tempo, consumo consciente sempre, o que você entende (e defende) como conforto, é exatamente o que deixa o urso polar na pior.
Eduardo Wagner, que escreve bem e nos dá o luxo de ser bem informado, disponibiliza um manual bem (mal) humorado de fácil aplicabilidade no dia a dia.


Mais informação:
O fim da polêmica: O Aquecimento Global existe de fato

sábado, 23 de maio de 2009

Uma tartaruga só não faz verão


Peço licença poética ao Braguinha para parodiar a marchinha de Carnaval dele.

Se você não se comoveu com a foto da autopcia da tartaruga marinha, talvez essa outra tartaruga que cresceu e passou a vida com todos os órgãos internos entalados no lacre de uma garrafa plástica, te convença a não jogar mais lixo nenhum no mar, por menor que seja.
Uma tartaruga normalmente vive mais de 100 anos, para atingir esse tamanho, o animal levou pelo menos 50. Seu crescimento lento e gradual não rompeu o lacre e até mesmo o casco adaptou-se, o que mostra que o lacre plástico entrou pela cabeça de um filhote de tartaruga e por lá esteve por pelo menos 50 anos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Lata d´água na cabeça



Que embalagens plásticas não são boas para a saúde e para o meio ambiente, todos sabemos, principalmente quando transportam líquidos que em contato com os lubrificantes do plástico, nos fazem beber óleo mineral, a mesma base do combustível do nosso carro.
Uma alternativa que surgiu recentemente como opção ecológica é a "garrafa" de água em tetrapak, considerada pelo fabricante como 100% reciclável.
A despeito das emissões de carbono nesse discurso em que o plástico leva 400 anos para ser decomposto e o papelão 2 meses, o que ainda não foi comentado é que qualquer embalagem tetrapak é muito mais complicada para reciclar do que uma embalagem plástica. Embalagens tetrapak são feitas de folhas de 3 materiais disitintos em "sanduíche": papelão (a parte externa), plástico (para isolar) e metal alumínio (o forro interno) - todos colados entre si.

Uma garrafa plástica é jogada diretamente na lixeira reservada aos plásticos e pode ser 100% reciclada, já uma embalagem tetrapak não pode ser descartada nem na lixeira de plásticos, nem na de papelão e menos ainda na de metais. Lixeiras específicas para tetrapak estão sendo desenvolvidas e há apenas 1 empresa que as recicla, uma parceria feita pela Klabin com a própria Tetra Pak e a Alcoa. Só existe uma fábrica para reciclar todo esse material no país e a tecnologia ainda é cara, até porque demanda muita mão de obra para separar folha a folha de cada embalagem.


Normalmente, o fardo de tetrapack é descartado na lixeira destinada à coleta seletiva do papelão e a cooperativa em questão não terá recursos para descartar devidamente as outras folhas de alumínio e plástico, gerando mais um resíduo desnecessário. Ouro equívoco é acreditar que o papelão certificado pela FSC da embalagem original é uma alternativa "verde". As fazendas de eucalipto para produzir papel e MDF certificado são uma monocultura latifundiária, corporativa e que emprega crianças e trabalho escravo, além de estar devastando as áreas remanescentes de Mata Atlântica para plantio de uma espécie que é sequer nativa da flora brasileira, leia melhor sobre o O mito do reflorestamento de eucalipto e assista ao filme Cruzando o deserto verde.

Logo, tudo que não for coletado, transportado e reciclado, será descartado num aterro sanitário. Se existir um aterro sanitário ou controlado no município em questão, o que ainda é exceção no nosso país, vide o exemplo do Morro do Bumba, cujos moradores estão desabrigados até hoje.


Na dúvida, voltemos aos casacos e vasilhames em vidro, salubres e retornáveis, apesar de pesarem no frete e consumirem mais combustível fóssil na logística de transporte. O diferencial é sempre a mudança do padrão de consumo e comportamento, reduzir a quantidade de bebidas prontas e água mineral engarrafada, que produzem embalagens que não sabemos como administrar e são hidropirataria, pois desertificam as áreas de entorno das fábricas - leia tudo sobre o assunto na postagem acerca de outro filme, Flow, por amor à água.
Observe que já existe uma empresa japonesa instalada acima do Aquífero Guarany exportando nossa água mineral e lucrando horrores com o negócio sem nos pagar um centavo em royalties.

O melhor filtro de água do mundo é brasileiro, de barro e muito barato. Faça suas bebidas em casa, com frutas orgânicas, água de cocos frescos e muitos chás gelados a partir das ervas secas. Opções caseiras, acessíveis financeiramente e 100% sustentáveis. Assim, a logística dos cascos e vasilhames será a menor possível e o consumo respectivo de embalagens, idem.


Mais informação:
A história da água engarrafada
Long neck não recicla
Lixo cinza
Como funciona um aterro sanitário

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sonia Hirsch


Os livros dela mudaram a minha vida, ela fala em Zen, auto-gestão, comida "natural", meditação, câncer, frustração, açúcar, prazer e mil coisas que parecem não ter nada a ver, mas que sempre derivam para um ponto convergente e abriram a minha cabeça, me fazendo ver o mundo de outra forma.

Como toda fã (e chata), fui atrás e nesses 9 anos, desde que li seu primeiro livro, tive sempre o prazer de ter meus emails simpaticamente respondidos. Até que, gentileza das gentilezas, ela postou a respeito da goiabada no blog dela e eu fiquei toda boba, é claro. Não deixa de ser a realização de um sonho bem inocente: ser citado por um autor que você admira e, como ela mesma diria, "o mínimo para você se sentir o máximo".

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cheiro de Goiaba


Foi assim, eu tinha um mundo de goiabas cheirando na minha cozinha e não sabia bem o que fazer. Como também tinha uma rapadura guardada da última vez em que estive na Feira de São Cristóvão, resolvi fazer uma goiabada que ficou perfeita. Goiaba é uma fonte de licopeno mais rica do que o tomate, além de também fornecer mais vitamina C do que laranjas.

Rapadura é melhor adoçante natural que existe, o que o açúcar refinado (branco, demerara e mascavo) tem de ruim, a rapadura e o melado de cana compensam.
Rapadura é o produto resultante da fermentação do caldo de cana, 100% natural, rico em vitaminas e sais minerais e consumido pela nossa população sem risco de diabetes e câncer desde as Capitanias Hereditárias, como a cachaça.
Olho vivo: algumas marcas mais comerciais vendem rapadura feita a partir de açúcar, rejeite - a composição da rapadura é uma só, caldo de cana (ou melaço). E uma empresa alemã, Rapunzel, patenteou o nome "rapadura" para nos cobrar royalties, o que gerou o movimento "A Rapadura é nossa" e até uma mobilização do Itamarati.
Receita da Goiabada:
15 goiabas vermelhas cortadas em 4
1 rapadura inteira
1 copo, 200ml, de água
3 cravos da índia picados ao meio sem as coroas
suco de 2 limões
Junte as goiabas, a rapadura, a água e os cravos numa panela em fogo alto, espere ferver e veja se as goiabas começaram a desmanchar.
Quando a rapadura derreter por completo, mexa bem, diminua o fogo para o mínimo, junte o suco dos 2 limões e deixe cozinhar em panela semi-tampada por mais 1hr pelo menos.
Quanto mais tempo ficar no fogo, mais ponto de "cascão".
Eu gosto em ponto de geléia - doce em pasta para comer de colher, e leva no máximo 1hr e meia.
O limão é fundamental, a acidez dele libera a pectina da fruta, substância responsável pela consistência gelatinosa que todo doce deve ter. Se não colocar o sumo do limão, vira uma compota de goiaba em calda rala (como aquelas que vendem em lata, tipo pêssego em calda).
A goiabada endurece mais depois de fria, tire do fogo quando ainda achar que está um pouco mole, um pouco "antes" do ideal.
Deixe esfriar em cima da pia e guarde tampado na geladeira, dura meses.


Mais informação:
Adoçantes naturais
Mel de abelhas x melado de cana
Mamão não passou açúcar em mim

terça-feira, 12 de maio de 2009

Lavar roupa sem sabão


Quando li, não acreditei, mas existe uma bola multifacetada em plástico com cerâmica que emite íons que alteram a estrutura molecular da água e rompem as moléculas de sujeira da roupa que esteja sendo lavada.
O site é interessante e oferece até uma calculadora para que o consumidor verifique o quanto gasta e pode economizar de água.

A Öko Ball de Lavar é composta por cerâmicas naturais e imânes numa esfera de plástico não-tóxico. Foi desenhada cientificamente para lavar a roupa sem utilizar quaisquer produtos químicos, funcionando com raios infravermelhos, que rompem as combinações de hidrogénio das moléculas da água, a fim de aumentar o movimento molecular. Os íons negativos emitidos removem a aderência da sujeira dos tecidos, já os permanentes alteram a estrutura de anéis pentagonais das moléculas da água para uma nova estrutura hexagonal, aumentando então a eficácia do poder de limpeza.

Eu, que vinha usando sabão de coco ralado e até sabão em pó biodegradável, me senti um dos Flintstones sendo apresentado aos Jetsons, quando vi a Oko Ball. Ainda não usei, mas confesso que estou muito tentada a sair da idade da pedra (ou do sabão em pedra) e realmente espero que essa tecnologia cumpra o que promete, para que quadros como o do Tietê poluído sejam cada vez mais raros.



Mais informação: A casa sustentável é mais barata - parte 09 (lavanderia)

A 20.000 léguas submarinas

Parece Ficção Científica.
Há alguns anos, a prospecção de óleo e gás no nosso país não teria essa preocupação, tudo evolui e hoje, marlins são retirados com ROV.

Por mais que se fale em energia limpa, sempre vamos precisar de derivados de petróleo, em maior ou menor escala é só uma questão de demanda que justifique a oferta em proporção contrária (consumo) - a questão fundamental nesse processo é justamente como fazer isso impactando o mínimo possível.


video


Mais informação:
Antropoceno, a era geológica em que o homem desregulou a terra
Tubarão baleia destroçado por thrusters de plataforma semisubmersível

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pharmácia Granado


Minha mãe ganhou uma caixa (em MDF e toda decorada) cheia de produtos cheirosos da Granado pelo Dia das Mães e adorou o presente.

Sou fã dos produtos de lá, são os cheiros da minha infância.
A loja fica num sobrado de época no corredor tombado da Rua Primeiro de Março e eles não testam em animais, além de usar glicerina vegetal e serem certificados com o selo PEA, respeitado pelos veganos mais exigentes.


Quando visitei o site atrás do presente, vi que a empresa foi muito além, certificando-se também com o selo Emibra (FSC, na foto acima), que atesta que as embalagens utilizam materiais totalmente rastreáveis provenientes de manejo controlado, a madeira vem de florestas plantadas de forma ecologicamente correta, com práticas que respeitam o meio ambiente e as comunidades que vivem ao redor.
Fizeram parcerias com o Projeto Refazer, adotaram um elefante do Zoológico carioca, além de fazerem doações dos produtos (em especial as linhas de bebê) às Ongs: OCA, REAME e Abraçar.


Só deixo uma única sugestão nesse quadro verdadeiramente zeloso, oferecer a opção de compra em refil seria o máximo e a própria empresa economizaria no custo da embalagem, o que a longo prazo, pode até aumentar o volume de vendas.


Para ver tudo sobre cosméticos biodegradáveis e não testados em animais, leia a postagem:
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas do tempo da vovó

sábado, 9 de maio de 2009

Para onde vai o lixo que é jogado na praia


Todas as vezes que me oferecem um saco plático, sorrio e respondo numa boa "o fundo da Baía de Guanabara já tem muitos, obrigada". E levo para casa na minha shopping bag, sem transtorno.
As pessoas em geral têm a tendência de acreditar que a poluição está longe e não faz parte da rotina do homem comum, a poluição não é só industrial, o que você faz no dia a dia impacta profundamente o seu entorno. O cidadão não é fiscalizado, a pessoa jurídica sim e paga multa em caso de crime ambiental.
A foto acima diz mais do que todas as palavras e criou desnecessariamente um constrangimento internacional ao Club Med. A imagem de uma empresa idônea, no caso um resort em paraísos ecológicos que inclusive recicla seu lixo, é arranhada por causa de um único hóspede.


Tartarugas marinhas são animais originalmente terrestres que se adaptaram à vida marinha e estão no nosso planeta há 180 milhões de anos e, pelo Projeto Tamar, todas as espécies da costa brasileira estão em perigo ou no mínimo em situação vulnerável.
E nunca é demais: plásticos em geral levam 400 anos para se decompor, a tartaruga teria se decomposto antes da embalagem do shampu e o mesmo frasco poderia ter ido parar no estômago de outro animal marinho, incluindo um predador da tartaruga.


Mais informação: Tartarugas não são animais de estimação

Sopa de abóbora com fungui porcini no leite de coco


Quando eu preparei o cuzcus de tapioca com coco, fiz o leite de coco em casa e sobrou. Como eu tinha meia abóbora japonesa hokaido e algum fungui comprado a granel (muito em conta, a quilo no empório), fiz uma sopa fácil, rápida e deliciosa com os 3 ingredientes.
Assim:
Na mesma panela, cozinhei a abóbora em pedaços com o leite de coco (com pedacinhos de coco).
Enquanto fervia, o fungui ficou de molho em água fria, da torneira. Assim que ficaram bem molinhos, piquei e coei a água, reservado tudo.
A abóbora já estava cozida no leite de coco, foi só bater tudo junto no liquidificador, a abóbora hokaido pode e deve ser comida com a própria casca. Deixei descansando no próprio liquidificador.
Na panela da abóbora, refoguei meia cabeça de alho no azeite e juntei os pedaços de fungui e o caldo em que ficou de molho.
Assim que tudo ferveu, juntei o creme de abóbora com leite de coco e sal, deixando ainda apurar em fogo baixo e panela tampada por mais alguns minutos.
Na hr de servir, adicionei algumas folhinhas de manjericão da horta caseira.
Ficou muito gostoso, bastante perfumado e os sabores se complementam entre si.
Há quem faça sopa de abóbora no leite de coco com gengibre, camarão, carne seca... Particularmente, acho que "roubam" um pouco o gosto da abóbora e no final não se sabe direito do que é o creme, que pode ser até de batata, aipim ou mesmo cenoura - o fungui "casa" bem com a hokaido, não pede nem pimenta.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Reaproveitando tudo


A Devassa é uma cervejaria maravilhosa aqui do Rio, a cerveja é artesanal, a comida boa, o ambiente bem frequentado e até as bolachas de tulipa são bonitas.
Um dia, tomando uma índia na Devassa do Largo do Machado com a Laure e a Stela, me veio a idéia de transformar as bolachas em ímas de geladeira - a Stela, mais prendada, já tinha feito tsurus em origami com o papel laminado do cigarro da Laure - mas eu fiquei na bolacha mesmo.

É fácil, basta colar no verso um íma de geladeira ganho de brinde, como aquele da farmácia que você já tem 3, mas sempre mandam mais um na entrega de qualquer pedido. Eu usei superbonder porque era a única cola da casa, mas aceito outras sugestões.
O pinguim de chapeuzinho fazendo pose foi comprado na loja de móveis usados e antiguidades do Jardim Botânico, a casa com a garagem aberta vizinha ao Caroline (outro bar divino, principalmente pela qualidade dos drinks destilados), são milhares de pinguins - fica até difícil escolher - e todos baratos.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Morro da Conceição, RJ


A gente não conhece a própria cidade, as vezes cansa de passar na porta de um lugar e nem desconfiar que ali se esconde um mundo.

Com o Morro da Conceição foi assim, eu vivia nos ensaios do Escravos da Mauá, atendia a clientes no RB1 e passava pelo elevado da Perimetral todos os dias, achava curioso a presença de algumas construções antigas em estilo colonial escondidas atrás de algumas ruas em ladeira, mas não dava muita atenção.

Muitos anos depois, fazendo Segurança do Trabalho a poucos metros dali no Largo de Santa Rita (que também é bonito e ainda acolhe o Beco da Sardinha), conheci um líder comunitário da região e fiquei encantada com o projeto social, descobri afinidades e até um parente distante morto em acidente de trabalho, Major Daemon, nome de uma rua de lá. Acabei desenvolvendo um Projeto de Melhoria da Qualidade de Vida de uma População em cima de todo o material desse amigo, o Silvio "Camarão".

O Morro é o máximo, marco original da fundação da cidade, um lugar com uma vista privilegiada para a Baía de Guanabara e Cais do Porto, a arquitetura colonial totalmente preservada e o melhor, protegido da especulação imobiliária que devastou o Centro do RJ. É importante entender que existiam 4 morros no Centro da Cidade, o da Conceição, de São Bento (ao lado, propriedade do Mosteiro), de Santo Antonio (propriedade do Convento) e do Castelo (cuja derrubada já rendeu até filme). O Morro da Conceição, até por ser isolado geograficamente, é o único que continua mantendo as origens, a tradição do samba, sem favelizar-se numa região complicada como toda zona portuária tende a ser, o ambiente é familiar e a comunidade unida.

A única coisa difícil no Morro é visitar e não sentir vontade de comprar uma casinha daquelas para ficar perto do Bloco e do trabalho, ver aquela região toda revitalizada, transformada numa zona boêmia (como vem sendo feito com a Lapa) e principalmente torcer por aquelas crianças capoeiristas e percussionistas que brincam pela rua a poucos metros do caos urbano.


Mais informação:
RIO+20: o Cais do Porto
Trabalhando no Porto e vistoriando 3 navios indianos
Essa Copa-Olimpíada é o fim - parte 01: Zona Portuária
Comendo a ração que vende - parte 02: as bobinas do Camarão
Novo museu da Zona Portuária será autossuficiente e construído com material reciclado
Então a sobrinha tataraneta do Major Daemon foi puxar samba e trabalhar na Zona Portuária

terça-feira, 5 de maio de 2009

Pimenta Biquinho Doce na salada de grão de bico


Essa pimenta é um achado, tem gosto e cheiro de pimenta, mas não arde nada, nem o carocinho. É uma conserva de pimenta, deliciosa e levemente avinagrada (como um bom picles), o melhor acompanhamento do mundo para um bom sanduba ou salada mais pesada, que não seja saladinha-verde, como salpicão. Há quem ponha no antipasti, no carpaccio e eu acho que fica incrível até no risoto ou recheando um bolinho de botequim, tipo bolinho de aipim.
Essa da foto é minha xará e eu amei de paixão, fico rindo ao ver "Carolina, saborosa e não arde", parece frase de repentista nordestino, nome de cachaça... essas coisas tão bacanas do nosso país.

Segui os conselhos da Pat Feldman, que além de ser uma simpatia, sabe muito de cozinha e deixei um grão de bico comprado a granel de molho por mais de 12 hrs. Subiu aquela espuma branca, lavei tudo e cozinhei o grão de bico na panela comum, dispensando a água da primeira fervura, pois a liberação dos fitatos continuou durante o cozimento.
Normalmente uso panela de pressão para cozinhar os grãos, sempre demorou muito, mas a Pat está certa, se você deixa o grão de molho, ele amolece e depois cozinha na panela convencional de forma muito mais rápida. Me livrei dos fitatos e da trabalheira (insalubre) da panela de pressão.

Grão de bico cozido e escorrido, juntei azeitona recheada de pimentão vermelho picada, a pimenta biquinho inteira que ficou linda toda vermelha e brilhosa, orégano seco comprado a granel, muito manjericão fresco da hortinha caseira e um molho de azeite de tomilho caseiro com sumo de limão galego.
Ficou muito bom e lindo, colorido. Os sabores combinaram entre si.
Ambos, azeitonas e pimenta, felizmente vem em vidros que você pode guardar para ir estocando seus temperos comprados a granel.

A salada de grão de bico também fica ótima com trigo em grão (usado na salada de trigo com palmito de açaí e pimenta biquinho), todos os picles caseiros e adicionada de batatas baroas cozidas em pedaços.
Essa salada recheia sanduíche de frios, acompanha tudo, pode ser incrementada com batata, tomate, cebola e até rúcula (como salada de atum e bacalhau) e cai bem até pura com pão de raízes e uma cerveja pilsen.

O vidro substitui qualquer tupperware e pode ser todo reaproveitado.

domingo, 3 de maio de 2009

Baião de Dois na panela capixaba


A panela de barro capixaba é comprada direto na cooperativa do Bairro das Paneleiras em Vitória e pode até ser encontrada por todo o ES, mas vale uma ida até o local. As artesães fazem a panela em argila e, no final da queima, as peças, ainda quentes, recebem um tratamento de superfície com tanino retirado da casca das árvores do mangue que é o que dá essa cor à panela.

Existe um projeto de preservação, orientando as paneleiras a usarem um percentual da casca das árvores respeitando o ciclo da própria planta.

Quando estive em Ibiraçu, trouxe uma estilo caçarola, a menor na foto, que não ficou boa, e ainda vou ter um caldeirão desses também. Mesmo a caçarola menor é um panelão e não foi fácil trazer no avião, mas vale a pena, a comida fica com gosto de fazenda e fogão a lenha.
Tradicionalmente a panela serve para a moqueca capixaba, mas dá para fazer de tudo e dessa vez, fiz um Baião adaptando o que aprendi com a Natalia na casa da Alessandra, em dia de festa onde um mundo de gente comeu esse Baião acompanhado de uma paçoca de carne seca desfiada em farinha d´água.

Eu fiz assim e deu certo:
200gr de feijão de corda deixado de molho por 12hrs com gotas de limão
200gr de arroz integral
2 cravos da índia picados sem a coroa, cominho, pimenta calabreza e ervas finas
(tudo acima comprado a granel no empório)
O que não é do empório, mas se acha na feira de orgânicos: sal marinho, azeite comum, 1 cabeça de alho espremida, 1 maço de cheiro verde e 1 maço de coentro picados bem finos
Cozinhei o feijão de véspera, dispensando a água do primeiro cozimento e deixei na geladeira, o feijão tem que ficar al dente, que nem feijão fradinho.
No dia, fiz o arroz só na água na panela capixaba, quando ele estava em ponto de quase pronto, juntei o feijão com caldo e os cravos picados, desliguei o fogo e deixei abafando.
Numa panelinha menor, refoguei o alho no azeite de alho caseiro e juntei parte do caldo do Baião, engrossou e eu adicionei todos os temperos, deixando apurar por uns 5 minutos.
Juntei o tempero ao Baião, misturei bem e deixei abafando até ficar numa temperatura apropriada para consumo, juntei os temperos verdes e frescos (cheiro verde e coentro) só na hr, para não ficarem marrons e perderem o frescor.
Ficou muito bom.

Você pode fazer o feijão no mesmo dia, usar 3 panelas e lavar um monte de louça - eu prefiro fazer com antecedência e ralar um pouco menos.
A versão original é com arroz branco e carne de sol em cubos cozida junto com o feijão.
Não senti gosto da carne de sol em todas as vezes em que comi Baião, não me fez falta, até porque o segredo do Baião é o gosto inconfundível do feijão de corda. Mesmo a substituição por arroz integral, não agride o resultado final, só torna a digestão mais rápida e é melhor para a saúde.

Baião acompanha coisas crocantes, frescas, com a consistência diferente da dele que é quase cremosa: normalmente carne seca desfiada com macaxeira frita (ou abóbora cozida) e muito queijo coalho ralado por cima.
Como não dá para comer isso todo dia, mantive parte do queijo coalho e acompanhei de salada verde e batata palha - é o melhor jantar para quem mora sozinho e não quer perder tempo nem viver a base de sanduíche. Dura 2 semanas na geladeira.


O que também acompanha bem o Baião: Kibe, falafel e abará de acarajé

Outras comidas baratas que satisfazem um batalhão: Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso