domingo, 30 de agosto de 2009

Um país em obras




Não sei se já notaram, mas aqui no Brasil, estamos permanentemente em obras.
Quando viajo para o exterior, noto que raramente vejo uma obra de edificação ou mesmo manutenção. Já por aqui, em qualquer esquina estão sempre quebrando alguma coisa e trabalhando sem nenhum equipamento de segurança, é claro.

Vivemos num país em que prefeito bom é aquele que faz muita obra, inúteis em sua grande maioria, provavelmente superfaturadas e com nosso dinheiro de contribuinte.
Temos uma cultura de obra, quebrar e botar abaixo, usar material de segunda, descartar madeiras de lei em imóveis demolidos e abarrotar caçambas, que fecham as calçadas, com toneladas de entulho - uma cultura de desperdicio, isso sim.

Defendi minha tese de fim de curso em construção civil, num canteiro de obras, sou filha de arquiteto e posso dizer muito honestamente que vivi grande parte da minha vida, vendo meu entorno ser modificado pela ação humana.
Morei em uma casa, projetada pelo meu pai, em que todas as janelas, portas, alisares, rodapés, sancas e o que mais você imaginar (que não fosse a alvenaria das paredes, é claro) haviam sido comprados de demolição - reaproveitamento de casas antigas que foram demolidas. Peças únicas, completamente trabalhadas e em madeira de lei, que virariam entulho, acabando no aterro sanitario, não fosse todo um comercio legal que as reaproveita e emprega milhares de pessoas.
Ainda não havia a discussão da sustentabilidade que há hoje em dia e, na época, a justificativa óbvia dada por meu pai foi "são lindas, em madeira boa que não existe mais e seria caríssimo contratar um marceneiro para mandar fazer tudo igual nos dias de hoje."
Traduzindo: bom, bonito e barato!

Anos depois, morando sozinha, me vi enfrentando outro dilema: ter que comprar móveis para minha primeira casa. Comprar móveis em madeira certificada de reflorestamento era caro, pelo menos dentro do que eu planejava, e comprar móveis novos sem nenhum controle de procedência, me pareceu uma covardia com o que sobrou da Mata Atlantica ou com o que estão fazendo na Amazonia.
A solucão foi comprar móveis em antiquário nas feiras da Pça XV e Lavradio. Lindos, em madeira de lei (inclusive madeiras já extintas, como vinhático) e muito mais em conta do que qualquer similar atual em MDF. São móveis com mais de 50 anos, alguns com mais de 100, nao balançam quando se coloca uma tv em cima. Vão durar toda uma vida e já poluíram e devastaram sua cota.
Para quem não quiser esperar o sábado, dia das feiras, o Shopping dos Antiquários funciona todos os dias.

Quando se pensa em reciclagem, a primeira imagem é a da coleta seletiva.
Recilagem vai muito além, reciclar envolve recusar e reutilizar: recusar tantas coisas à venda e reutilizar as que já existem.
Mesmo que seu móvel novinho e lindo seja de madeira certificada em área reflorestada, para produzí-lo foi gasta muita energia, água e combustível não renovável pelo menos na logística de trasporte.
Será que na sua família não tinha ninguém querendo se livrar de um móvel parecido? E na loja de móveis usados do seu bairro, não tinha nada bonito?

Se você está construindo ou reformando, repense muitas questões, a água pode ser sempre reaproveitada, seja no sanitário, seja na área de serviço.
Regularize seu gato, se for o caso e pense seriamente em captar a água da chuva para alimentar a cisterna principal, a instalação de calhas na própria laje facilita muito o processo.
A aplicação de placas de energia solar, pelo menos para aquecer a água do banho, substitui o aquecedor a gás. Aqui no RJ, já há até cursos ensinando como, leia mais. Assim como a instalação de um biodigestor não é tão complicada e sempre há a possibilidade do uso de ecotintas e uso inteligente de materiais alternativos, como telhas em pet, por exemplo.
Encerro com 2 matérias de hoje, do jornal de maior circulação na minha cidade:
A primeira relata um monumento público, que não servia para nada, sendo posto abaixo após tanta polêmica para construí-lo (numa obra superfaturada muito provavelmente) e a segunda matéria relata a revitalização proporcionada pela iniciativa de uma empresa de tintas de uma área degradada na cidade de SP, o simpático bairro do Bixiga.

sábado, 29 de agosto de 2009

Abóbora - mil receitas



Rica em betacaroteno, vitamina A, antioxidantes e extremamente barata, a abóbora pode ser apreciada de diversas formas. A maneira mais simples é cozinhando inteira em pouca água ou no vapor, com casca e tudo para levar à mesa, quente ou fria, com um fio de azeite, salpicando sal e pimenta. A versão quente permite alguns acompanhamentos, como alho poró, tomate, pimentão, cebola, cogumelos refogados e até alho frito, azeitona, cheiro verde, coentro e manjericão por cima.
Havia deixado a receita de uma das minhas sopas favoritas, de abóbora com fungui no leite de coco (que tambem pode ser feita com shiitake), mas disponibilizo mais receitas, até para que a gente tenha a desculpa de comer toda semana esse legume, que além de saudável, é delicioso.


Se você é vegano ou mesmo intolerante a lactose, nunca dispense as folhas e flores do aboboreiro - aqui no Brasil, chamadas singelamente de Cambuquira - em sua simplicidade caipira, essas folhas possuem 4 vezes mais cálcio do que a mesma quantidade de leite.


Aproveite também a casca, principalmente se comprar a moranga, nada mais bonito do que servir a comida aproveitando o próprio legume como travessa.


Tempura de folhas e flores de abóbora (ou tempura de cambuquira), de Jamie Oliver1 rama de flores de abóbora ou abobrinha
3 colheres de sopa de
farinha integral bem cheias
1 1/2 xícara de leite caseiro
(coco, castanhas ou pinhão)
sal marinho e pimenta à gosto
Lavar bem as folhas e flores e deixar secar
Passar na massa e então, no azeite fervendo
Jamie Oliver gosta tanto dessa receita que a recomenda até para café da manhã, vale tentar naquele final de semana em que se acordou mais tarde.
Você pode rechear a flor, antes de passar na massa, com
ricota temperada com noz moscada, sal, pimenta e ervas frescas, como manjericão e tomilho.


Pão de abóbora,
FMO- Korin
1/2 abóbora madura japonesa (hokaido) cozida
1/2 xícara de
castanha do Pará moída, reúse o bagaço do leite caseiro de castanha do Pará e assim aproveite a mesma castanha 2 vezes
1 1/2 xícara de
farinha de trigo integral
2 col. sopa de farinha de linhaça
3 xícaras de água
3 tabletes de fermento biológico
1/4 xícara de óleo vegetal de boa procedência (não use óleo de soja) - tente o
huile de noix, ideal para sobremesas
1/2 col de sopa de sal marinho
Opcional: 2 col. sopa de uva passa
Bater no liquidificador a abóbora com parte da água. Juntar na batedeira todos os demais ingredientes e adicionar a abóbora, bater por 5 minutos. A consistência deve ser de massa de bolo.
Sovar a massa em cima da pia, enfarinhada com farinha, por mais 5 minutos, a massa deve estar soltando das mãos.
Deixar descansar por mais 30 min., coberto com pano, para que a massa cresça.
Assar em forno baixo e pré-aquecido, forma untada e enfarinhada.


O
Pão-Bolo, pode e deve ser feito em versão salgada, substituindo as bananas por abóbora, inhame e mandioquinha. Veja melhor como fazer um pão de abóbora com fubá e muitas azeitonas, entre outras delícias na postagem sobre os Pães de raízes em inhame, batata doce e claro, abóbora hokaido.

Tortilha de batata doce com abóbora e queijo de Minas


Kibe frito ou de forno recheado de abóbora cozida amassada


Souflée de milho verde e abóbora com queijo de cabra

Sopa de abóbora com fungui porcini em leite de coco


Creme de milho verde com cambuquira


Sopa de abóbora com maçã verde e gorgonzola, de José Hugo CelidonioO Celidonio tem uma coluna semanal no Globo, essa receita foi postada inúmeras vezes e, de tanto fazer, já faço de cabeça sem medidas definidas - apenas aproximadas. Fica ótima de qualquer maneira.
Refogar alho picado no
azeite aromatizado
Juntar a abóbora brasileira (casca amarela) picada e descascada
Juntar a maçã ácida (verde) descascada, descaroçada e picada (mais ou menos 1 maçã para cada 1/2 Kg de abobora)
Deixar refogar
Juntar água e esperar virar um creme, não precisa nem bater no liquidificador
Temperar com sal marinho e pimenta
Salpicar gorgonzola em lascas por cima na hr de servir


Caldo de Kabosha - sopa de abóbora japonesa

500 gr de abóbora kabocha (japonesa, de casca verde escura)
1lt de água
cebolinha picada
Cozinhar a abóbora na água e bater tudo no liquidificador, com casca e tudo
Salpicar cebolinha fresca picada por cima na hr de servir
Pode ser temperada com shoyo e misso


Moranga variada, receita minha

Ingredientes obrigatórios: abóbora moranga, azeite, alho, cebola, tomate e temperos em geral. O recheio e suas variações vão depender do que a pessoa quer.
Cozinhe a abóbora moranga inteira sem as sementes num panelão com água e 1 folha de louro. Quando ela estiver molinha por dentro (espete o garfo - se entrar fácil, está pronto), coe (guarde a água) e raspe a polpa, mantendo a moranga intacta.
Com a polpa, você vai fazer o recheio.
Refogue 1 cabeça de alho moído no
azeite aromatizado, junte a polpa da abóbora e um pouco da água do cozimento. Reserve
Faça outro refogado, com cebola ralada e
molho de tomate no azeite e coloque o que quiser: azeitonas, palmitos, cogumelos, glúten em tiras, refogado de shiitake com alho poró e chapéu de padre, carne seca orgânica (deixada de molho por causa do sal), carne de sol caseira, frango caipira desfiado... use mais da água do cozimento de precisar, o creme sempre resseca um pouco, deixe o mais “molinho” possível.
Junte o creme de abóbora ao recheio que escolheu, veja o sal e a pimenta, tempere com ervas finas e manjerona seca, junte mais da água se precisar.
Leve tudo à abóbora cozida que ficou separada, ela vai ser a “assadeira” desse creme que gratinado fica ainda melhor.
Coloque a moranga em assadeira, unte a moranga com azeite ou manteiga e leve ao forno com parmeggiano por cima ou mesmo queijo coalho picado em cubos misturado ao creme. Se for usar queijo ralado, no lugar do coalho em cubos, antes de gratinar, junte muito cheiro verde picado. Dependendo do seu recheio, manjericão ou coentro frescos também vão combinar muito. Caso tenha escolhido pelo coalho em cubos, espere gratinar para juntar os verdinhos, quanto mais fresco, melhor.
Observações: não use requeijão, só faz mal à saúde. Caso faça muita questão, junte creme de leite fresco e orgânico (ou iogurte) ao seu refogado, mas vai roubar um pouco da personalidade da receita, exigindo mais sal e temperos.
A água do cozimento pode virar um
leite de coco caseiro e ser todo usado na moranga, ou mesmo no arroz integral que a acompanha, deixo link para a receita já postada.
Você pode pular a última etapa e não assar nada, não interfere no gosto, só deixa a casca da moranga mais bonita, dourada e durinha



Bolo de abóbora com chocolate


Sorvete de abóbora com abacate para Festas Juninas


Cocada de abóbora (ou abacaxi), receita minha
1 pedaço grande de abóbora, mais ou menos 2 kgs (ou 2 abacaxis picados na ponta da faca)
500gr de
coco ralado
4 copos de água
1 rapadura de 600gr
3 cravos da índia picados em 3 e sem as coroas
Cozinhar tudo junto, em panela semi-tampada e fogo baixo, mexendo com colher de pau.
Se fizer com abacaxi, use as cascas para fazer suco diluído em água e coloque esse suco junto com coco, mas só junte o abacaxi picado no final, quando estiver em ponto de “quase”. Como todo doce caseiro, está pronto quando começa a descolar do fundo da panela e vai endurecer depois que esfriar. Se você quer mais molinho, em ponto de colher, é bom ficar de olho. Se gosta mais “puxa-puxa” e “cascão”, deixe apurar destampado mais tempo.
Se achar que ficou pouco doce, junte mais rapadura durante o preparo, o gosto aparece logo que a abóbora desmancha, o tempo no fogo só vai determinar o ponto do doce.


Fico devendo uma ultima receita, do gnocci de abóbora, com recheio e molho a escolher. Sempre fiz de cabeça, mas não quero "chutar", porque receitas de
farinha integral precisam ser exatas sob risco de virar uma pedra. 
E as sementes também podem ser aproveitadas, basta assar com sal marinho por cima, vira um tira gosto proteico e rico em fibras, veja melhor sobre as sementes em O mito da proteína.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Avião solar com autonomia de vôo por 5 anos



Flavio Vieira já havia postado no Energia Eficiente sobre o avião movido a energia solar e aqui, já havia sido igualmente postado sobre o avião a hidrogenio.
.
A boa nova é que há um prototipo sendo desenvolvido para ter autonomia de vôo por 5 anos consecutivos! O avião com asas em Z está sendo desenvolvido para vôos de reconhecimento, podendo trabalhar por 5 anos ininterruptos.
.
Veja também do que o Odysseus é capaz.

Mousses de fruta sem açúcar


Deixo receitas muito fáceis, baratas e saudáveis, além de gostosas:

1 abacate grande e maduro
1 copo (200ml) de caldo de cana
suco de 1 limão Tahiti ou Galego
Bater tudo no liquidificador e gelar
Decorar com as raspas da casca do limão
opcional: trocar o caldo de cana por 1 copo de limonada adoçada com rapadura ou melado, a limonada não pode ser suíça por causa do amargor da casca.


Creme de abacate com laranja
1 abacate maduro
1 copo (200ml) de suco de laranja
1 col de sopa de melado
raspas da casca da laranja
Bater tudo no liquidificador, exceto as raspas. Dispor em tacinhas e decorar com as raspas
Se a laranja for lima, reduza o melado.


Creme de abacate com ameixa seca
1 abacate maduro
1 copo de água morna
4 ameixas secas
Deixar as ameixas de molho na água morna de um dia para o outro, bater tudo no liquificador no dia seguinte.


Sorbet de manga com leite de coco e gengibre
1 manga grande
100ml de leite de coco caseiro (veja link acima)
1 col de sopa rasa de melado de cana (ou o equivalente em rapadura dissolvida no leite de coco)
1 pitada de gengibre ralado
Bater tudo no liquidificador, coar e gelar


Mousse de atemóia com melão cantaloupe e Tâmaras
2 atemóias
1 fatia grande (4 dedos) de melão cantaloupe
4 tâmaras hidratadas por 4hrs em 1 xícara de água
Bata tudo junto e leve para gelar. As tâmaras podem ser substituídas por ameixas ou figos secos


Mousse de caqui e laranja
2 caquis maduros
1 copo (200ml) de suco de laranja
1 col de sobremesa de melado (ou o equivalente em rapadura dissolvida no suco de laranja)
Bater tudo no liquidificador, coar e gelar
Decorar com as raspas da casca da laranja. Pode-se trocar o caqui por goiaba ou mesmo mamão


Mousse de frutas cozidas com gelatina de algas marinhas
1 pacote de Agar Agar dissolvido em 1 xícara de água fervente
1 col chá de raspa de limão
1 col chá canela em pó
2 xícaras frescas ou cozidas (veja aqui sobre frutas cozidas e assadas)
Dissolvida a gelatina, junte todos os ingredientes no liquidificador, bata tudo e ponha para gelar.




Todas as mousses de frutas cruas rendem também o delicioso Refresco de Gelatina

Outras mousses com leite: maracujá ou cupuaçu e damasco ou ameixa


Opções mais próximas do pudim:

Pudim por do sol

2 bananas descascadas
1 manga, descascada e amassada
10 morangos
2 tâmaras, amassadas (opcional, porque é um pudim muito doce)
Pique as tâmaras. Ponha tudo junto num processador de alimentos e bata até tomar consistência. Sirva em tacinhas.


Pudim de banana com cacau
8 bananas
1 copo (200ml) de suco de laranja
1 col sopa cheia de cacau em pó
1 col sopa cheia de melado de cana
Bata tudo no liquidificador, arrume em tacinhas e leve para gelar



Veja também como fazer tortas cruassmoothies ou frozen iogurte, sorbet e semifreddo.

Graxa Verde - Lubrificante Biodegradável



Depois da Gasolina Verde, chegou a vez do lubrificante industrial, a graxa verde:

Pesquisadores da Universidade Huelva, na Espanha, desenvolveram uma graxa lubrificante para veículos e equipamentos industriais que não utiliza qualquer composto químico contaminante usado nos lubrificantes tradicionais.
O novo lubrificante industrial é feito à base de óleo de rícino e derivados de celulose, pertencendo a uma nova classe de materiais conhecida como "óleogel", que tira suas propriedades lubrificantes dos materiais celulósicos.
A "graxa verde" é "uma alternativa às graxas lubrificantes tradicionais, que geram uma poluição difícil de controlar quando elas são descartadas no meio ambiente," diz o pesquisador José María Franco, acrescentando que a graxa é 100% biodegradável.
Milhões de toneladas de óleos industriais e hidráulicos acabam chegando ao meio ambiente todos os anos, poluindo áreas agricultáveis, rios e chegando até o mar. Segundo os pesquisadores, os óleos minerais podem contaminar o lençol freático por até 100 anos, além de inibir o crescimento de árvores e serem tóxicos para a vida aquática.
 
Em tempo, a graxa convencional é um polímero sintético, derivado de petróleo, e pela física considerada um dos poucos fluidos não-newtonianos, ou seja, que desafiam a Lei de Newton (nesse caso, a lei da gravidade). Para ser graxa, tem que ficar cabeca para baixo sem vazar. Daí, a dificuldade de substituir o petróleo por composto biodegradável

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sisal: bioinseticida, parasiticida e adoçante dietético




Quando morei em casa com horta e pomar, uma das dicas para manter as formigas longe, era plantar batata doce em volta do terreno.


Fico feliz em ver alternativas sustentáveis em desenvolvimento e pesquisa, espero que com o desenvolvimento de controles de pragas em larga escala, a agricultura orgânica saia do gueto e deixe de ser apenas uma fatia do mercado.



Bioinseticida será produzido na Bahia a partir do sisal

Os bioinseticidas e parasiticidas serão produzidos a partir do resíduo líquido da extração da fibra do sisal, hoje estimado em dois bilhões de litros anuais e totalmente descartado no campo. A iniciativa deverá ser desenvolvida em parceria com universidades e centros de pesquisa durante quatro anos no território do Sisal, localizado no semi-árido baiano.
O projeto também aproveitará o resíduo líquido do sisal para a produção de dietético. Segundo o engenheiro químico Adalberto Luiz Cantalino, o adoçante extraído do sisal é a inulina, um produto de origem natural, que pode ser utilizado em substituição ao açúcar na indústria alimentícia e farmacêutica que não é absolvido pelo organismo, ou seja, é uma solução natural à substituição dos ciclamatos utilizados na indústria dos dietéticos.
De acordo com ele, a vantagem em relação aos inseticidas disponíveis no mercado é a ausência de drogas químicas nocivas ao meio ambiente e ao ser humano. O projeto também prevê a produção de um parasiticida para combater pragas comuns em ovinos, bovinos e caprinos.


Mais informação:
Mosca negra é combatida na Paraíba sem uso de pesticidas
Controle de pragas e pesticidas biológicos para uso doméstico
Dedetização ecológica e o controle natural de pragas e infestações
A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Eu quero!




A TemQuemQueira conseguiu fazer milagre:

1. recolhe banners de outdoors para usar como matéria prima;
2. desenvolve uma linha de bolsas, pastas, estojos e necessaires forrados com esses banners, os mesmos que iriam para o lixo, que é linda, fashion, cheia de design e ainda se dá ao luxo de produzir peças artesanais e exclusivas, já que cada peça produzida é única;
3. oferece seus produtos a preços acessíveis no stand da estação de metrô carioca e em um site tão antenado quanto seus produtos;
4. emprega exclusivamente detentos como mão de obra, dando oportunidade às pessoas que a sociedade, além de ter esquecido que existem, saem da cadeia marcadas por um estigma e sem nenhuma perspectiva.

Já há casos de detentos, que por terem aprendido um ofício, sonham em abrir sua própria confecção, leia mais.
E relatos de presos por narcotráfico que querem continuar trabalhando como costureiros ao término de suas penas, aqui.

Se você ainda não comprou nada deles, compre correndo.
É o presente de amigo oculto do Natal desse ano.


Mais informação:
Redução da maioridade penal
Artigos de couro vegetal em lojas convencionais

sábado, 22 de agosto de 2009

Café da manhã de inverno


Café preto não é das coisas mais saudáveis, procuro tomar pouco, só nos fins de semana porque realmente adoro.
Compro uma marca orgânica, embalada a vácuo (mantém fresco por mais tempo) e com embalagem em papel reciclado. E tomo parcimoniosamente, feliz da vida, principalmente nesse friozinho.

O café de hoje é da Cia. Orgânica, tão bom quanto o convencional. Filtrado no filtro em papel reciclado da Melita, 10% mais caro do que o filtro em papel branco, mas com a vantagem de ir direto (com pó e tudo) para a composteira após seu uso.


Acompanhamentos que sempre dão certo e são bons de ter na geladeira:

Papa de arroz integral e mingau de aveia caseiros (ambas as dicas da Syl)

Bolos 100% integrais, caseiros e sugar-free

Cuzcus de tapioca com leite de coco

Pão de queijo caseiro

Rabanada caseira


Pão 100% integral (ou beiju de tapioca) com queijo fresco e geléia de frutas secas sem açúcar caseira ou de frutas vermelhas adoçada com rapadura ou a manteiga de tahine com melado de cana (frio, tem gosto de manteiga de amendoim e derretido, lembra doce de leite, perfeito com coco ralado na tapioca) ou em castanha do Pará (para os alérgicos a gergelim), a manteiga de castanha do Pará

O Panetone integral de banana, que permite infinitas combinações, até salgadas em abóbora com fubá, veja as versões salgadas na postagem Pão de Raízes caseiro, integral e orgânico


Panqueca integral, segue a receita que pode ser congelada:
1 xíc de farinha de trigo integral
1 ovo caipira
1 col. rasa de sobremesa de fermento biológico
1 pitada de sal marinho
1/4 xíc de água quente
1/2 xícara de melado de cana
Bater tudo junto no liquidificador
Opcionais: 1 col de sopa de coco ralado, 1 col de sopa de canela em pó, 1 col de sopa de cacau em pó, 1 col de sobremesa de gengibre ( ou cravo) em pó, raspas de laranja ou limão. Vale trocar a água por leite de coco ou qualquer leite vegetal (ou mesmo chá aromático, como chá de laranja, maçã, canela...).
Não troque o mel-melado por nada, já tentei e não deu ponto, mesmo azeite e tahine resultaram numa panqueca grossa e pesada.
Fica ótima, acompanhada de manteiguinha derretida e mesmo uma colher de iogurte natural batido com melado e canela.
Toda panqueca fica ótima se feita com sementes de lavanda.


As brasileiríssimas tapioca, pamonha caseira, inhame, batata doce, espigas de milho, pupunha e bananas verdes assados ou cozidos com manteiga orgânica e melado de cana, alguns gostam de polvilhar um pouco de canela por cima.

Lassi indiano

Milkshake de morango e iogurte de morango super-rápido

Milkshake de iogurte com canela

Vitamina de banana com aveia no leite de castanha do Pará

Um chocolate quente com cacau orgânico, usando o leite de coco caseiro ensinado na receita do cuzcus de tapioca, adoçado com melado, huile de noix, canela e gengibre, é fácil e pode ser engrossado com araruta em pó, para os que gostam mais grossinho.


E para quem não abre mão de um copo de leite gelado, veja como fazer o leite de castanhas naturalmente adoçado com passas, cujo bagaço vira um cookie.


Outra opção boa, que dispensa café e qualquer acompanhamento: Udon

Fuja de pão branco, bebida pronta , requeijão de copo e margarina


Mais informação:
Café da manhã de verão
Os brunchs do feriadão

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Resgatando a Ágata


As panelas e chaleiras em ágata, muito tradicionais na mesa brasileira, ficaram um pouco "queimadas" após o post das panelas.
A panela em ágata surgiu como uma opção à panela de ferro, é a panela de ferro esmaltada nacional, levinha e fininha. Não é recomendável, apesar de ser muito usada para aquecer comida de bebê, esquentar o leite da mamadeira, etc. O fato de ser colorida a tornou associável às coisas do bebê, na cozinha normalmente cheia de panelas sérias em ferro ou alumínio usadas para a comida (com alho e cebola) dos adultos da casa.
Atualmente, as panelas e tabuleiros em ágata não são mais sequer em ferro, são em alumínio que é mais leve e barato. Quando você compra um utensílio de ágata e o leva ao fogo, você corre risco 2 vezes: se a tinta trincar, o que deve acontecer logo, a intoxicação por chumbo é inevitável e a longo prazo, a liga metálica de base, em alumínio, intoxica igualmente.
Há panelas européias, tipo "Le creuset" em ferro esmaltado, são grossas, pesadas e caríssimas - mas não descascam nem trincam nunca. Duram anos e valem o investimento, ao contrário da ágata, que é parecida, mas trinca fácil e corre-se o risco de não ver durante o cozimento.
Uma boa opção de uso para a ágata são os tradicionais jogos de café em ágata, 1 bule com suas 6 xicrinhas tão comum no interior, ou mesmo canecas. Como não vão diretamente ao fogo, podem durar anos sem risco de trinca e consequente intoxicação seja pelo alumínio, seja pelo chumbo da tinta esmalte.

Canecas em ágata, além de lindas, são uma ótima dica de presente - especialmente de final de ano nas empresas, já que estimula os funcionários a não usarem copos plásticos, podem ter a logo da empresa impressa e ainda mantém a temperatura, por ser de metal (o que não aconteceria com uma caneca em cerâmica, que ainda quebra se cair no chão).
A foto é da canequinha de ágata, à venda na loja do restaurante vegetariano Moosewood (Ithaca, NY), que além de ser um dos melhores do mundo, também funciona há mais de 20 anos em sistema de autogestão com 19 proprietários diferentes.

domingo, 16 de agosto de 2009

Panela velha é que faz comida boa



Visitando uma loja de utensílios de cozinha, vi uma panela em teflon que custa R$500,00 (um salário mínimo aproximadamente).

Como a polêmica em torno das panelas é tão grande, fiquei me perguntando se realmente valia a pena fazer tal investimento... Claro que não.

Teflon não vale a pena por mil razões, Sonia Hirsch já havia postado avisando das 22 causas que a DuPont, fabricante do Teflon, perdeu por omitir por 20 anos que o Teflon oferecia risco de toxidade.

E Pat Feldman, especialista em alimentação saudável, havia traduzido artigo do Washington Post sobre o aumento da incidência de câncer, segue trecho:

"Novos estudos realizados por cientistas e pesquisadores de universidades para os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) indicam que uma substância quí­mica apontada como um provável carcinógeno humano está presente no sangue de quase todo americano, incluindo recém-nascidos. A substância quí­mica, o ácido perfluoroctanóico, está associada à fabricação e uso do Teflon e outros produtos impermeabilizantes."

A panela mais usada no país, até em função do custo é a de alumínio, igualmente perigosa. Segundo Pat Feldman, alguns sintomas de intoxicação leve por alumínio incluem: diminuição da capacidade intelectual, esquecimento fácil, dificuldade de concentração e perda de massa óssea. O alumínio é uma substância neurotóxica comprovadamente associada a doenças como o Mal de Alzheimer e Doença de Parkinson.

Vera Falcão, visita recente daqui, postou em seu blog um mini-glossário sobre panelas, transcrevo abaixo.

Contraindicações de uso referente a panelas:
ALUMÍNIO - Indivíduos com problemas renais e portadores de anemia ferropriva; evitar o uso de palha de aço na limpeza e a remoção de manchas escuras na parte interna, que libera mais alumínio no cozimento (meu comentário: sugiro eliminar esse item da sua cozinha

FERRO - Pessoas com estado oxidativo alterado, por ser o ferro um elemento pró-oxidante; após lavá-la, secar na chama do fogão para evitar a ferrugem. Se guardá-la por longos períodos, untar com óleo vegetal;

FERRO ESMALTADO - Condicionada à garantia de atoxicidade do fabricante, sobre o tipo de revestimento utilizado; também é contraindicada para frituras, uma vez que tal qual as panelas de ferro comuns, faz com que o óleo atinja uma temperatura muito alta, impedindo seu reaproveitamento posterior (a propósito, o óleo nunca deve ser reaproveitado)

VIDRO - Aqui as contraindicações restringem-se à conservação da panela, que é frágil, podendo lascar e quebrar e como favorece a aderência dos alimentos, pode queimá-los em função de sua condução térmica (alimentos mais aquosos são os que oferecem menos riscos de queimar);

INOX - Quando a panela é nova, é necessário ferver água por 4 vezes sequenciais e desprezar o líquido; este procedimento reduz a transferência de níquel para os alimentos. Na hora da limpeza, evite esfregar muito a parte interna; caso isso seja necessário, a fervura sequencial de água citada acima tem que ser refeita;

PEDRA SABÃO - Precisa ser curada com óleo e calor antes do primeiro uso, caso contrário, transmite níquel aos alimentos; pessoas sensíveis a esse elemento não devem usá-la;

TEFLON - preparo de alimentos protéicos nesse utensílio (carne, ovos, leite, tofu, soja, quinoa etc) podem formar compostos tóxicos à saúde humana (alimento protéico + calor + antiaderente);

COBRE - Desde 2007, as panelas de cobre têm seu uso vedado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em função de terem potencial para transmitir quantidades tóxicas do elemento aos alimentos.

CERÂMICA - A pintura interna pode conter óxidos de chumbo e cádmio;as panelas de barro com superfície marrom brilhante devem ter selo de qualidade que garanta que não são usados compostos à base de chumbo (o problema é: podemos acreditar nesses selos de qualidade?). O chumbo é facilmente dissolvido no alimento, especialmente os ácidos. Produtos cerâmicos elaborados com óxido de chumbo na vitrificação são comuns - o ideal são panelas de barro ou de cerâmicas ofuscadas.

No meio de tantas polêmicas (e dúvidas), faça como Sônia que só usa panelas de pedra-sabão e ainda nos ensina a curá-las em seu post sobre panelas decentes.

Tente também a panela de barro , como eu faço meu Baião de 2 na panela de barro capixaba e fica ótimo, e faça seus chás em chaleiras de inox esmaltadas por fora e multicoloridas.

A foto é de uma cuzcuseira de barro e foi roubada do sempre bom Come-se, onde também encontrei uma panela para waffeln toda em ferro com direito à braseiro e receita da massa fundida na tampa.


Em tempo, o Teflon foi criado para uso industrial: forrar vestimentas de brigadistas, veja melhor aqui. Teflon é excelente anti-chamas e também é usado pela indústria bélica para revestir munição, balas revestidas com Teflon são as únicas capazes de atravessar coletes protetores.
Os abrigos maleáveis (calça e jaqueta) que motoqueiros usam para proteger-se de forma impermeável são todos em Teflon.
A DuPont, fabricante exclusiva do Teflon, é uma empresa pioneira na área de segurança, referência para qualquer profissional e inicialmente, suas atividades eram de fabricação de explosivos. Como ocorriam inúmeras explosões na fábrica, o fundador (DuPont) mandou construir uma casa em seu topo, na laje, e mudou-se para lá, a fim de implantar o primeiro processo de segurança no trabalho do mundo e assim acabar com tantos acidentes (e mortos).
A fábrica original ficava a margem de um rio e até hoje nos EUA quando alguém morre (de causas naturais ou seja lá o que for), usa-se a expressão "passed away".
"Passed away" era o que se dizia quando o funcionário explodia e com o impacto da explosão, o corpo passava para a outra margem do rio.
DuPont só mudou-se da casa na laje, quando os acidentes pararam de acontecer.

Veja o vídeo sobre a proteção antichamas em teflon desenvolvido pela DuPont.


Cozinhando, atente sempre para os riscos de incêndio, especialmente quando fritar, assista também outro vídeo, sobre os riscos de incêndio domésticos e como evitar que o problema alastre.



Mais informação:
Resgatando a ágata
Cozinha sem tupperware
Tomates verdes fritos na bifeteira de ferro

sábado, 15 de agosto de 2009

Ondas de energia limpa



Começou a ser instalado nas costas das Ilhas Orkney, na Escócia, o primeiro protótipo em escala piloto de um novo conceito de geração de eletricidade limpa a partir das ondas do mar.

A principal vantagem do sistema é o pequeno número de partes móveis, que deverão minimizar a necessidade de manutenção. Apenas o oscilador metálico e os pistões ficam sob a água. Pás, engrenagens e geradores, além de todo o circuito de potência para captura da eletricidade, ficam em terra, dentro da usina.
Segundo seu idealizador, o sistema é ideal para áreas com profundidades entre 12 e 16 metros e com grande fluxo direcional de ondas, permitindo que a usina gere energia de forma contínua na maior parte do tempo.

Os riscos ao meio ambiente são mínimos, o que é garantido pelo uso da água como fluido hidráulico, em vez de óleo, que poderia causar danos caso houvesse vazamentos. O sistema também é absolutamente silencioso e não afeta a paisagem.
Embora o conceito esteja em estágio inicial de desenvolvimento, os cientistas afirmam ter localizado áreas potencialmente favoráveis ao conceito Oyster em várias partes do mundo.
"Nossas modelagens por computador das regiões costeiras adequadas para esta tecnologia mostram que a Espanha, Portugal, Irlanda e Inglaterra são os candidatos naturais na Europa. Mas globalmente há um potencial gigantesco em áreas como a costa oeste dos Estados Unidos e as costas da África do Sul, da Austrália e do Chile," disse o professor Whittaker.

Veja também o primeiro protótipo sendo testado na Escócia

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Rotulagem Zero


Acompanhe o projeto de lei Rotulagem Zero:
.
"Com um projeto de lei para banir dos alimentos industrializados o rótulo de transgênico, o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS) pretende impor à população a ignorância alimentar.
.
Em audiência pública no dia 1º de julho na Câmara Federal, o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS) fez uma defesa ao mesmo tempo apaixonada e saudosa da ditadura militar no Brasil. Segundo ele, vivemos hoje em outro tipo de regime, muito pior do que o dos militares. É o regime da "ditadura de certos órgãos de imprensa", disse Heinze, “que vendem para o mundo uma imagem errada do Brasil". A imagem correta, para ele, deve ser a de um país de alienados, onde a população não deve ser informada de nada e muito menos sobre o que come.
.
A tendência a cultivar a desinformação demonstrada pelo deputado Luiz Carlos Heinze pode colocar o Brasil na contramão da nova lógica econômica do século XXI, que preza cada vez mais pela informação e preservação ambiental. Neste contexto, seu projeto de lei 4148/2008 representa uma espécie de "ditadura transgênica", na qual perderá o Brasil, com portas fechadas no mercado internacional, e os brasileiros, desprovidos de seu direito de escolher o que querem comer."

Alimentos irradiados, arroz transgênico para exportação e, claro, os modelos da foto acima: porcos transgênicos - fluorescentes pela alteração genética com águas vivas.
Faz-se mais do que necessário legislação rigorosa acerca dos orgânicos, ler os rótulos no supermercado nunca foi tão importante.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Alimentos irradiados


Seguindo o modelo europeu, conseguimos criar leis para nos protegerem da radiação emitida pelas antenas de celular, aparentemente inofensivas, mas que esterelizaram os técnicos envolvidos no processo de instalação.

Agora, segundo 2 das mais importantes universidades do país, estamos seguramente expostos à alimentos irradiados, como sempre estivemos aos fornos microndas, antenas celulares...


De acordo com a USP:

"A irradiação de alimentos é o tratamento dos mesmos com radiação ionizante. O processo consiste em submetê-los, já embalados ou a granel, a uma quantidade minuciosamente controlada dessa radiação, por um tempo prefixado e com objetivos bem determinados. A irradiação pode impedir a multiplicação de microrganismos que causam a deterioração do alimento, tais como bactérias e fungos, pela alteração de sua estrutura molecular, como também inibir a maturação de algumas frutas e legumes, através de alterações no processo fisiológico dos tecidos da planta.

Os principais tipos de radiações ionizantes são as radiações alfa, beta, gama, raios X e nêutrons. As radiações ionizantes podem ser classificadas como partículas (ex: radiação alfa, beta e nêutrons) e como ondas eletromagnéticas de alta freqüência (radiação gama e raios X). A radiação alfa é semelhante à átomos de hélio, sem os dois elétrons na camada externa, e não é capaz de atravessar uma folha de papel. As radiações beta são basicamente elétrons mais penetrantes, mas não ultrapassam uma folha de alumínio, enquanto que a radiação gama é altamente penetrante, podendo atravessar um bloco de chumbo de pequena espessura. Os nêutrons possuem alta energia e um grande poder de penetração, podendo inclusive produzir elementos radioativos, processo este denominado de ativação. Por isto mesmo não são utilizados na irradiação de alimentos. Os raios X são relativamente menos penetrantes que a radiação gama, tendo como inconveniente o baixo rendimento em sua produção, pois somente de 3 a 5% da energia aplicada é efetivamente convertida em raios X.

O tipos de radiações ionizantes utilizados no tratamento de materiais se limitam aos raios X e gama de alta energia e também elétrons acelerados, porque suas energias são suficientemente altas para desalojar os elétrons dos átomos e moléculas, convertendo-os em partículas carregadas eletricamente, que se denominam íons.

A radiação gama e os raios X são semelhantes às ondas de rádio, às microondas e aos raios de luz visível. Eles formam parte do espectro eletromagnético na faixa de curto comprimento de onda e alta energia. Os raios gama e X têm as mesmas propriedades e os mesmos efeitos sobre os materiais, sendo somente diferenciados pela sua origem.Os raios X com energias variáveis (formando um espectro contínuo) são produzidos artificialmente por equipamentos. A radiação gama, com energia específica (formando um espectro discreto), provém do decaimento espontâneo de radionuclídeos, como por exemplo, do Níquel-60 originado pelo decaimento do Cobalto-60 por emissão beta (-).
Os radionuclídeos naturais ou artificiais, denominados também de isótopos radioativos ou radioisótopos, são instáveis e emitem radiação a medida que decaem espontaneamente até alcançar um estado estável."


Ainda segundo a USP:

"Irradiação de alimentos é um processo básico de tratamento comparável à pasteurização térmica, ao congelamento ou enlatamento. Este processo envolve a exposição do alimento, embalado ou não, a um dos três tipos de energia ionizante: raios gama, raios X ou feixe de elétrons. Isto é feito em uma sala ou câmara especial de processamento por um tempo determinado. A fonte mais comum de raios gama, para processamento de alimentos, é o radioisótopo 60Co. O alimento é tratado por raios gama, originados do Cobalto 60 em uma instalação conhecida como irradiador

A energia gama do 60Co pode penetrar no alimento causando pequenas e inofensivas mudanças moleculares que também ocorrem no ato de cozinhar, enlatar ou congelar. De fato, a energia simplesmente passa através do alimento que está sendo tratado e, diferentemente dos tratamentos químicos, não deixa resíduos. A irradiação é chamada de "processo frio" porque a variação de temperatura dos alimentos processados é insignificante. Os produtos que foram irradiados podem ser transportados, armazenados ou consumidos imediatamente após o tratamento."


O que são pequenas e inofensivas mudanças?
Quais critérios estão sendo utilizados para determinar se essas mudanças são realmente inofensivas?
Ainda, quem financia essas pesquisas que determinam que esses alimentos são seguros?

Mais, não custa lembrar que o DDT foi considerado a salvação mundial até 1 pesquisadora, Rachel Carson, solitária e desacreditada, levantar a bandeira que aquele produto químico matava.


"A irradiação funciona pela interrupção dos processos orgânicos que levam o alimento ao apodrecimento. Raios gama, raios X ou elétrons são absorvidos pela água ou outras moléculas constituintes dos alimentos, com as quais entram em contato. No processo, são rompidas células microbianas, tais como bactérias, leveduras e fungos. Além disso, parasitas, insetos e seus ovos e larvas são mortos ou se tornam estéreis.
A irradiação não é um "milagre" técnico capaz de resolver muito dos problemas de preservação de alimentos. Ela não transforma alimento deteriorado em alimento de alta qualidade. Além disto, esse tratamento não é adequado para certos tipos de alimentos, assim como outra técnica de preservação pode não ser adequada para alguns tipos de alimentos."


Se o tratamento já não está sendo considerado adequado a "certos tipos de alimentos", quantos anos podem levar para alguém descobrir que não era adequando a nenhum na verdade?


"A irradiação de alimentos pode resolver problemas específicos importantes e complementar outras tecnologias. Ela representa uma grande promessa no controle de doenças originárias de alimentos, tais como a salmonelose, que é um problema mundial. A irradiação de alimentos também é efetiva na desinfestação, particularmente em climas quentes, em que os insetos consomem uma grande porcentagem da safra colhida."


 
E a UNI-RIO assina embaixo recomendando alimentos irradiados à pacientes com problemas de baixa resistência imunológica.


Lembro também que, segundo a CLT, operadores de Raio-x devem ter férias diferenciadas de todas as outras classes trabalhistas, devido ao risco da atividade. Se essa atividade, que é executada atrás de um biombo de chumbo, é considerada de risco (e insalubre), imagino que a ingestão de alimento exposto a mesma radiação também seja.

Sonia Hirsch chama a atenção que maçãs irradiadas apodrecem de dentro para fora, ao contrário do normal, e continuam mantendo aspecto sadio a despeito do interior podre.

A foto do post é o símbolo escolhido pelo governo para designar um alimento irradiado, uma logomarca que mais lembra cultivo orgânico do que radioatividade.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pigmentos naturais e Ecotintas




Seguindo a linha dos tecidos indianos tingidos de forma biodegradável, deixo as "fórmulas" das Ecotintas que garimpei na comunidade de Permacultura do Orkut.

Fórmula básica:
Tintas = liquido com cor + fixador + impermeabilizante...
Então, tudo depende do que tem como base, ex: Terra + cal + óleo ou baba de cacto + terra + água = tinta natural ( numa proporção 1 de baba de cacto para 15 de água )
Pode usar o pó xadrez para dar cores, terra, plantas maceradas, etc.
obs: cuidado, se houver outra tinta por baixo a coisa pode "não colar".



Tinta branca feita com copos plásticos reciclados:
Copos descartáveis
Thinner
Após reunir uma quantidade significativa de copos descartáveis que teoricamente iriam para o lixo ponha-os dentro de uma lata e/ou recipiente metálico adicione uns 500 a 300ml de Thinner, mexa um pouco para acelerar o processo em poucos minutos você terá um "líquido estranho" o ponto de diluição você escolhe mais thinner mais ralo mais copos mais grosso.
Agora é só pintar !


As variações são imensas, há quem faça com baba de quiabo, baba de cupinzeiro, tinja com amoras, açafrão, urucum...

O site da rede Permear dá algumas idéias, vale a visita.

A foto é da Ecovila BedZed na Inglaterra


Mais informação: A casa sustentável é mais barata - parte 04 (ecotintas)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pigmentos naturais para comer, vestir e decorar




A questão do algodão orgânico e seus impactos no meio ambiente, me colocaram para procurar pigmentos naturais, biodegradáveis, e sua respectiva aplicabilidade.

Encontrei henna (para tatuagens e cabelos), urucum, açafrão e até quem faça tinta com amoras e framboesas na comunidade de Permacultura do Orkut, que sempre soubemos que mancham a roupa se comidas de forma descuidada, mas nunca associamos ao tingimento específico e controlado.

A chita, o mais brasileiro dos tecidos que veste nossas fantasias de caipira, é originária da Índia, onde todos os tecidos são tingidos naturalmente, por mais coloridos que sejam, a tinta é sempre natural. Todos os multicoloridos batiks, tai-dai, kashmere e chitas, são tingidos naturalmente com óleos extraídos de frutos e cascas.

Neide Rigo, que cozinha muito e entende de gastronomia brasileira como poucos, extrái o urucum diretamente do fruto e revela em seu blog como fazer o óleo de urucum, iguaria das mais sofisticadas em inúmeras receitas e que permitiu futuramente que eu desenvolvesse o meu azeite orgânico e extra virgem aromatizado e tingido com urucum orgânico em flor.

Deixo minha receita favorita com outro corante natural, conhecido também pelo seu poder medicinal - o açafrão, ou curcuma da terra: risoto de fungui porcini com açafrão, que também fica bom se regado com azeite aromatizado com urucum, os dois sabores se complementam.


A foto é "roubada" do blog da Sonia, que também gosta de açafrão e pesquisou o assunto com muita propriedade.


Mais informação:
Vestir consciente, algodão orgânicos e as opções de pigmentos naturais
A casa sustentável é mais barata - parte 04 (ecotintas)

domingo, 9 de agosto de 2009

Vestir consciente



O pessoal da Ecotece levanta uma questão interessante:

"Insustentável: 160g de agrotóxico são utilizados para produzir agodão suficiente para confeccionar uma camiseta que pesa 250g".

Se a gente vale quanto pesa, será que essa camiseta não está saindo muito cara?
O agrotóxico usado no plantio do algodão que virá a produzi-la envolve toda uma indústria de pesticidas e químicos que por si só já degrada seu entorno e acaba com os lençóis freáticos e rios das regiões industriais.
O uso do agrotóxico no solo, após degradar e impactar o entorno industrial que fique bem claro, polui igualmente o solo e os lençóis freáticos das zonas de plantio.
Isso porque ainda não pensamos no próprio processo industrial da camiseta que, independente de ser feita em algodão orgânico ou não, sempre envolve tingimento, embalagens plásticas, combustíveis fósseis usados no transporte do processo de logística e muita, mas muita água para resfriar caldeiras, higienizar e até tingir esses produtos.
Se um litro de água custa aproximadamente R$2,00 e 1 litro de pesticida custa em média R$10,00, a longo prazo o valor agregado dessa camiseta é insustentável. E nós pagamos a conta sem perceber.
Ainda bem que já existe uma vertente produzindo e pensando de forma consciente, o Congresso Internacional do Algodão Orgânico, a ocorrer em Setembro na Suíça.

Segue a definição de Algodão Agroecológico, retirada do excelente glossário deles:
É uma prática que associa, em seus objetivos, a geração de renda, a melhoria da qualidade do solo, a diversificação da oferta de alimentos sadios e o desenvolvimento de uma consciência ecológica entre famílias que dela participam.

Outras opções: camisetas em pet reciclado, boa idéia a ser adotada como uniforme em empresas e tingimentos com corantes naturais, seguem os mais tradicionais:
Açafrão em pó
Caroço de Abacate
Casca de Angico
Casca de Aroeira
Casca de Mangueira
Casca de Murici do Cerrado
Extrato de Acacia
Extrato de Alfafa
Extrato de Cochonilha
Extrato de Curcuma
Extrato de Pau-Brasil
Extrato de Pau Campeche
Extrato de Romã
Erva de passarinho
Folha de erva-mate
Henna
Índigo em pó
Jenipapo
Picão
Sementes de Urucum
Serragem de Moreira

Pode parecer estranho pensar em tingimentos naturais, mas foi graças à abundância de pau-brasil que nosso país (que deve o nome à planta, hoje extinta) foi visto como uma boa opção a ser explorada, a tinta extraída da casca de suas árvores, era o melhor corante vermelho de sua época.
Minha mãe foi bailarina clássica e cansou de tingir suas meias, normalmente em rosa claro, com erva mate na panela, sempre que a apresentação pedia uma meia mais escura. Funcionava, mas ninguém tinha coragem de beber aquele mate depois.


Mais informação: Pigmentos naturais e ecotintas para vestir, comer e decorar

sábado, 1 de agosto de 2009

Embalagem compostada


As embalagens da Taeq, distribuidora orgânica do Grupo Pão de Açúcar, são todas feitas em fécula de mandioca e 100%biodegradáveis - completamente recicláveis.

Essa semana, comprei inhame orgânico produzido pela Korin e distribuído pela Taeq, a bandeja foi toda para a composteira e está degradando naturalmente.

Uma sugestão para a empresa é adotar plástico bio ou oxidegradável para envolver a bandeja, assim toda a embalagem pode ser reciclada rapidamente.

Leia mais sobre o filme plástico biodegradável e brasileiro que evita proliferação de fungos:

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, com cerca de 41,2 milhões de toneladas anuais. A informação é da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, da sigla em inglês). Porém, sua conservação e o lixo gerado pelos plásticos utilizados em embalagens de frutos inteiros, ou mesmo pré-cortados, vêm gerando um sério problema ao meio ambiente. Em busca de uma solução para isso, muito tem sido investido no estudo de filmes biodegradáveis – espécie de plástico biológico, produzido a partir de substâncias que se decompõem rapidamente na natureza e que podem até ser ingeridas pelo homem, como o amido, por exemplo – em substituição aos plásticos comumente usados. No bairro de Guaratiba, Zona Oeste do Rio, um grupo de pesquisadores coordenados pelo engenheiro agrônomo Carlos Wanderlei Piler de Carvalho, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos, tem buscado, desde 2008, formar profissionais especializados no estudo das aplicações e propriedades desses materiais no armazenamento de maracujá, tangerina e caqui – principais frutos cultivados no estado. O projeto conta com recursos do edital Apoio a Grupos Emergentes de Pesquisa e também do programa de Treinamento e Capacitação Técnica (TCT).

O estudo investigou os filmes biodegradáveis feitos à base de amido (carboidrato de origem vegetal presente no milho, mandioca e batata, entre outros), alginato (substância extraída de algas marinhas e que, adicionada aos alimentos, mantém, melhora ou modifica sua textura e aparência) e quitosana (substância derivada da quitina, presente no esqueleto externo de crustáceos, como camarão, caranguejo e lagosta). Os filmes estudados foram produzidos por duas técnicas: casting e extrusão. “A técnica de casting consiste em depositar sobre um molde uma solução polimérica (amido e outros agentes) que, ao ser espalhada sobre essa superfície, tem o líquido eliminado, formando uma película ou filme bem fino”, ensina o pesquisador. Um exemplo prático seria o resíduo de cor marrom deixado no fundo do copo ou xícara após tomarmos um cafezinho. Ou seja, após certo tempo, sem a água, os pigmentos marrons do café ficam depositados no fundo, formando uma película fina. “Deste modo, trabalhamos de forma a desenvolver vários filmes sobre superfícies lisas, tal como a superfície de alguns frutos”, acrescenta. Já a técnica de extrusão usa a combinação de cisalhamento (atrito), alta temperatura e pressão por um curto período de tempo para a formação de materiais moldados.
Os resultados obtidos até o momento foram relativos ao caqui. Experimentos com maracujá e tangerina ainda estão em andamento. “Em relação à vida útil, conseguimos conservar por até 42 dias um caqui inteiro com uso de filme comestível e armazenamento refrigerado”, complementa. Também foi feita uma análise dos agentes inibidores do crescimento com os filmes. “A principal função desses agentes é não permitir que os componentes do filme sirvam como alimento para o crescimento de micróbios nos frutos. Caso isso ocorresse, os benefícios da contenção do amadurecimento e melhora na apresentação do produto seriam anulados”, afirma o pesquisador. “Nosso estudo comprovou que não houve formação de fungos nem de colônias de micróbios na superfície do caqui inteiro nem na do pré-cortado”, complementa.
Outro ponto investigado foi a permeabilidade dos filmes. “Observamos que a troca de gases entre esses materiais e o meio ambiente foi suficiente para não permitir a falta de oxigênio e retardar o amadurecimento dos frutos. Além disso, houve redução da perda de massa pela redução da perda de umidade do caqui”, recorda o agrônomo. Carlos Piler ressalta que testes até o momento foram todos feitos no espaço da Embrapa Agroindústria de Alimentos. ”A expectativa é que encerrado o projeto, os filmes com as características desejáveis possam ser utilizados em larga escala pelos produtores, obedecendo os critérios de tecnologia adotados por nossos parceiros”, acrescenta.
Carlos Piler chama a atenção para o aspecto mais importante dos dois editais: a formação de recursos humanos. “Até o momento, já foram defendidas duas teses de mestrado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ): uma sobre o uso de revestimento em caqui pré-cortado e outra com filmes comestíveis à base de amido. Outras duas teses de doutorado estão sendo desenvolvidas no Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na UFRRJ, sobre maracujá e acerola, respectivamente”, explica o agrônomo. Ele ainda destaca a realização de estágios supervisionados por estudantes de graduação, treinamento de alunos de pós-graduação, a contratação de uma pesquisadora especializada para participar da equipe e a realização do II Simpósio Internacional de Extrusão de Alimentos, em junho deste ano. Por último, o pesquisador enfatiza o apoio da Fundação para a consolidação de seu grupo de pesquisa. “Graças a ele, podemos consolidar nossa linha de pesquisa em filmes comestíveis biodegradáveis para aplicação em embalagens de frutos, iniciado na Embrapa Agroindústria de Alimentos”, conclui.

 Mais informação:
Embalagem de fécula de mandioca