sábado, 13 de março de 2010

Lixo Eletrônico

Há 2 semanas, vi um morador de rua e catador de lixo separar em sua sacola individual, um teclado em péssimas condições, que havia sido descartado normalmente.
Lixo eletrônico é um problema sério e muito atual, já que nossas máquinas tornam-se obsoletas cada vez mais rápido.

As empresas fornecedoras de serviços de telefonia celular já oferecem o serviço de reciclagem de seus aparelhos, mas a área computacional ainda não.



ONU adverte sobre perigo de resíduos eletrônicos para o meio ambiente
Fonte: UOL, 22/02/2010

O drástico crescimento da quantidade de dejetos eletrônicos (computadores, telefones celulares) provocará graves problemas sanitários e ambientais se não forem tomadas medidas urgentes de reciclagem, advertiu nesta segunda-feira a ONU.
"As vendas de produtos eletrônicos em países como China e Índia e nos continentes africano e sul-americano devem aumentar fortemente nos próximos dez anos", prevê um informe do Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (PNUMA).
"Se não for iniciada nenhuma política para coletar e reciclar estes equipamentos, muitos países vão ter montanhas de dejetos eletrônicos perigosos, com graves repercussões para o meio-ambiente e a saúde pública", alerta o relatório.
A quantidade de resíduos gerados por computadores deve crescer cerca de 500% na Índia, e entre 200 e 400% na África do Sul e na China em comparação com 2007. A progressão será também considerável para os telefones celulares, televisões e geladeiras.
A China já produz cerca de 2,3 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos anuais, atrás apenas dos Estados Unidos (3 milhões). Uma grande quantidade desse lixo "não é tratado devidamente", aponta a ONU.
Para Achim Steiner, diretor do PNUMA, a "China já não está sozinha para enfrentar esse imenso desafio", que também inclui "Brasil, Índia, México e outros países".
Ele afirma que é muito importante que métodos de reciclagem que "ofereçam o potencial de gerar empregos, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e recuperar importantes quantidades de metais, como a prata, o ouro e o cobre" sejam adotados imediatamente.
Os equipamentos eletrônicos atuais são integrados por até 60 componentes diferentes. Os telefones e os computadores portáteis consomem 3% do ouro e da prata extraídos durante o ano.



Lixo eletrônico ameaça países emergentes, mas reciclagem pode ser a solução
Relatório da ONU recomenda a reciclagem para evitar que o crescimento do consumo e o descarte incorreto de aparelhos eletrônicos provoquem danos ao ambiente e às pessoas
Por Fátima Cardoso, do Instituto Akatu, 25/02/2010

Ao mesmo tempo em que parte da população dos países emergentes melhora de vida, tendo mais acesso a bens de consumo como geladeiras, computadores e telefones celulares, cresce a preocupação com o destino desses equipamentos. Carregados de componentes tóxicos, eles são muitas vezes descartados incorretamente e abandonados em lixões, contaminando o solo, a água e provocando danos à saúde dos seres humanos.

A situação deve ficar pior nos próximos anos, de acordo com o relatório Reciclando - Do lixo eletrônico a recursos, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A venda dos produtos eletrônicos crescerá muito na China, na Índia e em mais nove países representativos dos emergentes na África e na América Latina. Segundo o relatório, se não houver a adequada coleta e a reciclagem desses materiais, esses países em desenvolvimento terão de conviver com montanhas de lixo eletrônico tóxico, o que trará graves conseqüências para o meio ambiente e para a saúde pública.

Atualmente, o mundo gera 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. São pilhas e pilhas de velhos e abandonados computadores, impressoras, telefones celulares, pagers, câmeras fotográficas digitais, tocadores de música digitais, geladeiras, televisores e brinquedos. A China, com 2,3 milhões de toneladas anuais, já é a vice-campeã mundial em quinquilharias descartadas, perdendo apenas para os Estados Unidos (3 milhões de toneladas anuais). Até 2020, esse número deve crescer entre 200% e 400%. Na Índia, o salto dever ficar em torno de 500%.

O Brasil ocupa o pouco honroso primeiro lugar no ranking de descarte de computadores per capita, que chega a pouco mais de 0,5kg por pessoa ao ano – como comparação, o índice na China é de 0,2kg por pessoa ao ano. Esse cálculo, conforme está explicado no relatório, é uma inferência a partir da expectativa de durabilidade dos computadores que já estão no mercado há alguns anos. Isso porque, segundo o relatório, não há dados consolidados disponíveis sobre a quantidade de computadores colocados atualmente no mercado, nem sobre o lixo eletrônico gerado.

Entre os 11 países avaliados, o Brasil passa pelo pequeno vexame de não ter dados disponíveis em vários gráficos, e de ainda receber o comentário de que as informações relativas ao país são “preliminares e incompletas”, pois “a informação sobre a situação do lixo eletrônico no Brasil é rara e não temos conhecimento de nenhuma avaliação abrangente”.

Transformar o problema em oportunidade
Segundo o relatório do PNUMA, a maior parte do lixo eletrônico na China é descartada e manejada incorretamente. Os recicladores – literalmente de fundo de quintal – costumam incinerar os equipamentos para extrair metais valiosos, como ouro, o que libera gases tóxicos e impede a recuperação de outros metais presentes nos aparelhos.

“Esse relatório mostra a urgência de estabelecer processos ambiciosos, formais e regulados para a coleta e a gestão do lixo eletrônico na China”, afirmou Achim Steiner, diretor-executivo do PNUMA, na divulgação do relatório. Ele chamou a atenção para o fato de que a China não está sozinha nesse desafio. “A Índia, o Brasil, o México e outros países também devem enfrentar danos ambientais e problemas de saúde se a reciclagem de lixo eletrônico for deixada às imprevisibilidades do setor informal.”

Steiner acredita que, agindo agora e planejando para o futuro, muitos países podem transformar o que ele chama de “desafio eletrônico” em uma “oportunidade eletrônica”. “Além de evitar problemas de saúde, aumentar os índices de reciclagem de lixo eletrônico nos países em desenvolvimento pode gerar empregos, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e recuperar uma ampla gama de metais valiosos, incluindo prata, outro, paládio, cobre e irídio”, completou Steiner.

Um ponto positivo do Brasil, apontado pelo relatório, é o fato de ser um dos países com grande potencial de introduzir tecnologias de ponta em reciclagem, pois o setor informal em manejo de lixo eletrônico é relativamente pequeno, ao contrário do que acontece na China, por exemplo. Os outros países em situação semelhante à brasileira são Colômbia, México, Marrocos e África do Sul.


Mais informação: lixo eletrônico pode virar trilho de trem
Perfeito, ainda estimula a construção de ferrovias e desafoga nossas estradas esburacadas e cheias de caminhões despejando fumaça negra.


Veja também onde reciclar eletroeletrônicos

6 comentários:

Luciana disse...

Esse assunto me interessa muito, já procurei aqui no Rio ONGs ou instituições que recolham aqueles computadores que a gente não quer mais, mas que estão super bons... não achei...

Carol Daemon disse...

Tb não conheço quem recicle, só quem faça o descarte seletivo. Uma pena (e oportunidade de fonte de renda).
Se achar, me avise ;-)
bjs,
Carol

Luciana disse...

Carol, não desisti de procurar, quem achar primeiro dá o aviso! :)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Achei!
http://caroldaemon.blogspot.com/2010/05/telefone-ecologico.html

Silvia - BH disse...

Lembro-me de um texto em ingles - provavelmente americano - em que o autor considerava se valia a pena ou não consertar eletrônicos. Ao fim de alguns parágrafos em que enumerava os prós e os contras, ele chega a conclusão de que é melhor consertar porque assim descarta-se menos.

O monitor de camera de segurança estragou. O preço para trocar o tubo não justificava o conserto. Sem ter onde descartá-lo o que pude fazer foi assinar um termo concordando em doá-lo os técnicos aprendizes. E depois, quando tiverem treinado?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Olha Silvia, sua preocupação é válida, mas o que a maioria das pessoas não vê, é que não existe desenvolvimento sustentável. Se desenvolve, impacta invariavelmente, não tem jeito.
O que a gente pode fazer é consumir menos para impactar menos, reutilizar tudo e ainda reciclar quando não tiver mais serventia. Dos 3 R´s que compõe o tripé da reciclagem: recusar + reutilizar + reciclar, a transformação em algo novo é a última etapa e mesmo assim, todo processo de reciclagem gasta água, energia e gera resíduo. Ate uma cooperativa de pet deixa sua pegada. É fogo, o jeito é viver com menos e compartilhar tudo.
Se quiser se aprofundar, tente ler um post chamado "Bolo-Bolo - a vida num mundo sem dinheiro", há link para o livro que prevê uma sociedade utópica onde cada um só é dono do que pode colocar numa mochila nas costas... O resto (tudo), seria de todos, vivendo em comunidades abertas e que produzem e vivem em sistema de trocas. Não é para qualquer um, como ecovila tampouco, mas pelo jeito que a coisa vai, só assim mesmo.
grande abraço,
Carol