quinta-feira, 15 de abril de 2010

Manual do Arquiteto Descalço




O livro é a bíblia da Permacultura, com prefácio do arquiteto Jaime Lerner, e pode ser encontrado facilmente no 4Shared ou no slide share que deixo abaixo.

Sugiro que as pessoas baixem e leiam, mesmo não trabalhando na área. O "manual" oferece inúmeras dicas de construção sustentável e mostra como um novo mundo, além de possível, é extremamente viável.

Todas as ecovilas que visitei, aplicavam na prática as muitas dicas do livro, tornando a vida de seus moradores prazerosa e sustentável.

Para quem quer se aprofundar na questão, o Instituto de Bioarquitetura Tibá oferece inúmeros cursos na área.














Manual do Arquiteto Descalço
Com linguagem simples e desenhos explicativos, Johan van Lengen ensina a planejar e construir habitações, bairros, banheiro seco, fogão e muito mais – e mostra que técnicas populares antigas chegam ao século XXI apontando caminhos para a sustentabilidade
Giuliana Capello, Planeta Sustentável

Em tempos nem tão remotos assim, os povos das zonas mais áridas do planeta sabiam aproveitar materiais locais para levantar casas que se adequavam ao clima, da mesma forma que os habitantes das florestas e das regiões temperadas conheciam técnicas para evitar a entrada de umidade e frio nas moradias. Construir era um saber cultivado entre as famílias e transmitido de geração em geração.

Inúmeras razões alteraram esse cenário em poucas décadas. Para citar algumas: o êxodo rural e a perda da identidade cultural lançaram ao limbo muitas técnicas construtivas tradicionais; o setor da construção civil se estruturou levantando bandeira contra a autoconstrução e tirando proveito da influência no PIB de seus países para ditar as regras do jogo; a falta de planejamento urbano e o intenso adensamento populacional só tornaram o problema ainda mais complexo.

O resultado? Habitações precárias se espalharam por todo o globo, desenhando no skyline a face de um dos maiores desafios atuais da humanidade: combater o gigantesco déficit habitacional. E mais do que isso: a tarefa hercúlea de substituir milhões e milhões de moradias insalubres por outras mais dignas e adequadas às urgências do planeta.

O arquiteto e urbanista Johan van Lengen conhece bem essa história. Holandês, ele passou a maior parte de sua vida na América Latina - até se estabelecer no Brasil e fundar, em 1987, o TIBÁ – Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura (www.tibarose.com), na serra fluminense. Só no México foram oito anos de trabalho, a convite da ONU, coordenando a capacitação de moradores e agentes públicos em construções sociais e planejamento urbano. Nos países por onde passou, pesquisou a arquitetura das habitações indígenas e diz ter se inspirado, principalmente, na gente do campo e das zonas precárias das grandes cidades que, como ele escreve, sustentam a confiança na possibilidade de melhorar suas condições de vida, por mais que isso pareça impossível.

Neste livro, que é resultado da revisão e ampliação de outras obras do autor (como a homônima publicada pela Secretaria de Assentamentos Humanos e Obras Públicas do México, em 1981), van Lengen reúne uma série de técnicas e materiais usados em construções tradicionais. Mas, ao contrário do que pode parecer, a intenção não é ser saudosista ou fazer apologia à arquitetura vernacular. Nas palavras dele: “Não se trata de induzir as pessoas a construírem suas próprias casas na maneira tradicional. O mundo mudou muito, há escassez de materiais tradicionais de construção e de mão-de-obra com este conhecimento. Diante disto, tal tipo de informação seria uma frustração para o leitor. Trata-se, antes, de responder aos desafios atuais da questão habitacional e apresentar alternativas, aplicando no processo construtivo uma combinação de técnicas tradicionais e modernas”.
Desse convite para um encontro do “velho” com o “novo” vem o nome Manual do Arquiteto Descalço. Na antiguidade, os arquitetos costumavam amassar a terra com os pés para preparar tijolos. Hoje, pouquíssimos profissionais encarariam uma tarefa dessas – talvez uma alusão, por outro lado, de que sem levantar da cadeira será difícil dar um rumo mais sustentável à arquitetura.

Mas não é preciso ser arquiteto ou engenheiro para se ver envolvido pela obra. Ao longo das cerca de 700 páginas, ricamente ilustradas, o leitor mais leigo no tema tem a chance de entender um pouco sobre os critérios que permeiam o trabalho de van Lengen e aparecem distribuídos nos dez capítulos do livro: um bom projeto, integrado ao entorno e adequado ao clima; materiais naturais ou reaproveitados e, sempre que possível, disponíveis localmente; conforto térmico, eficiência energética, uso racional da água e saneamento ecológico.

Se você não conhece nada sobre as técnicas, pode até correr o risco de cair no preconceito do que diz o senso comum, sempre desconfiado das soluções que parecem “atrasadas”, “alternativas” ou mesmo de qualidade duvidosa. Em momento algum o autor se preocupa em mostrar a validade do que apresenta na obra. Mas a simplicidade encantadora – e bem própria dos grandes mestres - com que ele trata cada possibilidade de construção dá credibilidade o bastante para fazer do livro uma espécie de bíblia da bioconstrução.

Não há qualquer purismo em seus ensinamentos. Tanto que, misturados à terra, bambu, madeira, cactos e sisal, ele inclui o uso de materiais contemporâneos e sem nenhuma fama de serem “verdes”, como cimento e gesso. Também não há receitas prontas ou detalhes minuciosos de cada técnica. E é exatamente este o ponto que torna a obra mais intrigante. Para transpor os ensinamentos do papel para o canteiro, é preciso dispor de uma boa dose de intuição e confiança.

Quem estiver aberto para a experiência vai gostar - e muito – da sacudida que o livro costuma provocar nos nossos mais rígidos conceitos. Ao ensinar sobre como montar portas e janelas, construir um telhado verde, um fogão à lenha ou um aquecedor solar e até mesmo a pisar o barro para fazer tijolos, van Lengen compartilha com o leitor a responsabilidade da mudança que precisa ocorrer no mundo, para que todos tenham acesso a uma moradia decente e planetariamente amigável. E vai além: olha para o futuro com uma esperança que poucos ainda conseguem manter com tanta convicção.

Em tempos nem tão remotos assim, os povos das zonas mais áridas do planeta sabiam aproveitar materiais locais para levantar casas que se adequavam ao clima, da mesma forma que os habitantes das florestas e das regiões temperadas conheciam técnicas para evitar a entrada de umidade e frio nas moradias. Construir era um saber cultivado entre as famílias e transmitido de geração em geração.

Inúmeras razões alteraram esse cenário em poucas décadas. Para citar algumas: o êxodo rural e a perda da identidade cultural lançaram ao limbo muitas técnicas construtivas tradicionais; o setor da construção civil se estruturou levantando bandeira contra a autoconstrução e tirando proveito da influência no PIB de seus países para ditar as regras do jogo; a falta de planejamento urbano e o intenso adensamento populacional só tornaram o problema ainda mais complexo.

O resultado? Habitações precárias se espalharam por todo o globo, desenhando no skyline a face de um dos maiores desafios atuais da humanidade: combater o gigantesco déficit habitacional. E mais do que isso: a tarefa hercúlea de substituir milhões e milhões de moradias insalubres por outras mais dignas e adequadas às urgências do planeta.

O arquiteto e urbanista Johan van Lengen conhece bem essa história. Holandês, ele passou a maior parte de sua vida na América Latina - até se estabelecer no Brasil e fundar, em 1987, o TIBÁ – Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bio-Arquitetura (www.tibarose.com), na serra fluminense. Só no México foram oito anos de trabalho, a convite da ONU, coordenando a capacitação de moradores e agentes públicos em construções sociais e planejamento urbano. Nos países por onde passou, pesquisou a arquitetura das habitações indígenas e diz ter se inspirado, principalmente, na gente do campo e das zonas precárias das grandes cidades que, como ele escreve, sustentam a confiança na possibilidade de melhorar suas condições de vida, por mais que isso pareça impossível.

Neste livro, que é resultado da revisão e ampliação de outras obras do autor (como a homônima publicada pela Secretaria de Assentamentos Humanos e Obras Públicas do México, em 1981), van Lengen reúne uma série de técnicas e materiais usados em construções tradicionais. Mas, ao contrário do que pode parecer, a intenção não é ser saudosista ou fazer apologia à arquitetura vernacular. Nas palavras dele: “Não se trata de induzir as pessoas a construírem suas próprias casas na maneira tradicional. O mundo mudou muito, há escassez de materiais tradicionais de construção e de mão-de-obra com este conhecimento. Diante disto, tal tipo de informação seria uma frustração para o leitor. Trata-se, antes, de responder aos desafios atuais da questão habitacional e apresentar alternativas, aplicando no processo construtivo uma combinação de técnicas tradicionais e modernas”.
Desse convite para um encontro do “velho” com o “novo” vem o nome Manual do Arquiteto Descalço. Na antiguidade, os arquitetos costumavam amassar a terra com os pés para preparar tijolos. Hoje, pouquíssimos profissionais encarariam uma tarefa dessas – talvez uma alusão, por outro lado, de que sem levantar da cadeira será difícil dar um rumo mais sustentável à arquitetura.

Mas não é preciso ser arquiteto ou engenheiro para se ver envolvido pela obra. Ao longo das cerca de 700 páginas, ricamente ilustradas, o leitor mais leigo no tema tem a chance de entender um pouco sobre os critérios que permeiam o trabalho de van Lengen e aparecem distribuídos nos dez capítulos do livro: um bom projeto, integrado ao entorno e adequado ao clima; materiais naturais ou reaproveitados e, sempre que possível, disponíveis localmente; conforto térmico, eficiência energética, uso racional da água e saneamento ecológico.

Se você não conhece nada sobre as técnicas, pode até correr o risco de cair no preconceito do que diz o senso comum, sempre desconfiado das soluções que parecem “atrasadas”, “alternativas” ou mesmo de qualidade duvidosa. Em momento algum o autor se preocupa em mostrar a validade do que apresenta na obra. Mas a simplicidade encantadora – e bem própria dos grandes mestres - com que ele trata cada possibilidade de construção dá credibilidade o bastante para fazer do livro uma espécie de bíblia da bioconstrução.

Não há qualquer purismo em seus ensinamentos. Tanto que, misturados à terra, bambu, madeira, cactos e sisal, ele inclui o uso de materiais contemporâneos e sem nenhuma fama de serem “verdes”, como cimento e gesso. Também não há receitas prontas ou detalhes minuciosos de cada técnica. E é exatamente este o ponto que torna a obra mais intrigante. Para transpor os ensinamentos do papel para o canteiro, é preciso dispor de uma boa dose de intuição e confiança.

Quem estiver aberto para a experiência vai gostar - e muito – da sacudida que o livro costuma provocar nos nossos mais rígidos conceitos. Ao ensinar sobre como montar portas e janelas, construir um telhado verde, um fogão à lenha ou um aquecedor solar e até mesmo a pisar o barro para fazer tijolos, van Lengen compartilha com o leitor a responsabilidade da mudança que precisa ocorrer no mundo, para que todos tenham acesso a uma moradia decente e planetariamente amigável. E vai além: olha para o futuro com uma esperança que poucos ainda conseguem manter com tanta convicção.



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5 comentários:

sylribeiro disse...

muito obrigado, menina, baixei o livro para consulta, que presente incrivel, adorei.
vou ler com muito carinho, abraços

sylribeiro disse...

e vou colocar a sua materia na minha pagina, para os colegas arquitetos que tambem nao conhecem o livro, valeu muito!!!

La Tribu disse...

Oi Carol!Genial esse livro, e parece que as tribos estao em sintonia. Faz uns 2 dias que uma amiga nos trouxe, em espanhol.
Mudando um pouquinho de assunto, queria compartir contigo uma entrada que coloquei no nosso outro blog, o que fala de alimentaçao e saúde. É a história da família Borgogno Arce, que sofreu todo o tipo de humilhaçao por parte do estado uruguaio pelo simples fato de decidir nao vacinar seus filhos. Ta aí a entrada: http://latribualimentacionsaludable.blogspot.com/2010/04/familia-borgogno-arce-gracias-por-su.html
Seguimos te esperando aqui em Rivera! Beijao!

Carol Daemon disse...

Oi Syl, fique a vontade. Bom que gostou :-)

Carol Daemon disse...

Oi, amei o link. Não vejo a hr de ir conhecer seu projeto também. É só sobrar um tempinho.
grande abraço e leia o livro com carinho, vale a pena