quarta-feira, 7 de abril de 2010

Siderurgia e pecuária: Pantanal perde 2 áreas da cidade de SP para carvão em 3 anos

Para alimentar a indústria siderúrgica, carvoreiros compram madeira de áreas devastadas para pecuária.

A Farra do Boi na Amazônia desce para o Centro-Oeste.

Entenda como o consumo é cíclico: você compra carne não certificada, que para ser produzida, devastou uma área nativa e essa madeira vira móveis ou carvão, como descrito abaixo. A produção é arriscada, nossa fiscalização falha e a mão de obra, além de escrava e/ou infantil, vítima de acidentes de trabalho fatais.




Campeões em trabalho escravo, pecuaristas e carvoreiros devastam o nosso segundo ecossistema mais importante.

Pantanal perde 2 áreas da cidade de SP para carvão em 3 anos
RODRIGO VARGAS da AGÊNCIA FOLHA, em Cuiabá
05/04/2010 - 10h19

A produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica fez desaparecer nos últimos três anos cerca de 270 mil hectares de matas nativas do Pantanal de Mato Grosso do Sul, o que equivale a duas vezes o território da cidade de São Paulo.
A estimativa foi feita pelo Ibama no Estado e levou em conta a demanda utilizada pelas indústrias no período e as informações sobre movimentação de cargas contidas nas guias do DOF (Documento de Origem Florestal).
Marlene Bergamo/Folha Imagem

João Marcos, 23, na Carvoaria Black, em Aquidauana (MS); carvoarias usam madeira do desmate de pecuaristas

"O avanço das carvoarias sobre as matas nativas, legalmente ou não, é uma séria ameaça à sobrevivência do Pantanal", afirma o superintendente do Ibama-MS, David Lourenço.
Entre 2007 e 2009, segundo o Ibama, Mato Grosso do Sul movimentou 8,6 milhões de metros cúbicos de carvão vegetal --a conta inclui o carvão importado do Paraguai. O auge foi o ano de 2007, com 4,5 milhões de metros cúbicos.
Em 2009, diz o Ibama, houve queda significativa na produção: 1,2 milhão de metros cúbicos. O órgão atribui o resultado à crise internacional e ao aumento na fiscalização.
No período, diz Lourenço, a produção derivada de florestas plantadas representou "praticamente nada" em relação à demanda da indústria. "Do produzido, 99% se dá por meio de lenha de floresta nativa. Não temos dúvida em relação a isso."
Cada 80 metros cúbicos de lenha nativa rende, em média, 40 metros de carvão. A maior parte dessa madeira é retirada da região do planalto pantaneiro, afirma o superintendente.
"Antes a produção se concentrava no oeste do Estado. Mas o enfraquecimento gradativo do cerrado por lá levou a uma migração para o planalto pantaneiro, onde temos 47% de matas nativas preservadas."
Para Luiz Benatti, chefe de proteção ambiental do Ibama no Estado, as indústrias carvoeira e siderúrgica são hoje duas das principais "indutoras do desmatamento" do cerrado.
"A carvoarias atuam diretamente. E as siderúrgicas só querem saber de colocar mais carvão para dentro da indústria, sem se importar com a origem e as condições em que foi produzido", afirma.
O ambientalista Alcides Faria, diretor-executivo da ONG sul-mato-grossense Ecoa (Ecologia e Ação), diz que até mesmo as áreas da planície pantaneira já são alvo das carvoarias.
"Entre os impactos possíveis estão a erosão e o assoreamento dos rios", diz Faria.

Editoria de Arte/Folha Imagem



Sobre carvoarias, considerado o trabalho mais perigoso do mundo, os 2 últimos acidentes de trabalho dessa semana, com centenas de vítimas:
Inundação em mina chinesa;
Explosão em mina de carvão nos EUA.



A listagem das empresas suspensas por não cumprirem o Pacto Nacional para erradicação do trabalho escravo.

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