terça-feira, 25 de maio de 2010

Mel de abelhas x Melado de cana



São os 2 adoçantes naturais mais populares para você que, inteligentemente passa ao largo do açúcar refinado e seus derivados.

Melado é a versão líquida da rapadura, excelente, alimento importantíssimo no nosso sertão e agreste - atualmente disponível inclusive em versões orgânicas de cultivo sustentável.
Mel, alimento medicinal usado desde o início dos tempos com propriedades expectorantes, laxativas, depurativas e relaxantes reconhecidamente comprovadas, de sabor inconfundível, é a opção de todo urso antes de hibernar no inverno, em função de seu alto valor energético
O mel é o único alimento que contempla os 5 sabores medicinais listados na medicina tradicional chinesa: ácido, picante, doce, salgado e amargo, além de nunca estragar e deteriorar e, por todas essas propriedades, é usado largamente pela medicina tradicional indiana, Ayurveda, para inúmeros fins, mas principalmente ajudando a digerir derivados lácteos, o que reduz a absorção de muco, diminuindo incidência alérgica, estados depressivos e desenvolvimento de todos os tipos de câncer.

Do ponto de vista ambiental, a coisa fica um pouco mais complicada.
O mel é um alimento de origem animal, o produto desenvolvido pelas abelhas para alimentar toda a colméia, o que torna seu consumo complicado por definição, já que para alimentar um grupo (humano), implica a privação de outro (abelhas), além de todo o impacto ainda não estudado no ecosistema do entorno, principalmente quando há cultivos transgênicos nas proximidades.
Veganos não consomem mel por considerarem crueldade animal com o um grupo que não pode se defender e tampouco estava adaptado a alimentar outro grupo, como nós.
Eu achava exagero, mas comecei a pesquisar o assunto e vi que eles têm sua razão e, em virtude da apicultura, inclusão de abelhas africanas no Cerrado e até o uso de pesticidas por nós, as abelhas estão desenvolvendo vírus, sendo extintas e até desaparecendo em algumas regiões.

O fenômeno acontece nos Estados Unidos. Mais da metade dos estados perderam entre 50% e 90% das abelhas - e haja abelha. Em todo o país, são 2,4 milhões de colméias comerciais, cada uma com cerca de 30 mil abelhas. O grande mistério é que não há corpos. Elas simplesmente desaparecem.

As abelhas são vitais para o ser humano. Essenciais para a agricultura, elas polinizam cerca de 90 tipos de frutas, vegetais e a soja. Assim, os vegetais crescem fortes e ricos em vitaminas. "Sem as abelhas, o homem pode desaparecer em quatro anos", disse Albert Einstein, numa previsão catastrofista, na primeira metade do século 20.

Os apicultores, criadores de abelhas, foram os primeiros a alertar para a mortalidade anormal dos insetos. Eles acusam agricultores de utilizar grandes quantidades de pesticidas, para proteger suas plantações. Os produtos químicos seriam, então, os assassinos. Mas cientistas também descobriram que as colônias estavam sendo atacadas por vírus e fungos, além de um parasita chamado Varroa destructor, uma espécie de ácaro, que tem o pouco simpático apelido de "vampiro de abelhas". Até agora, cada um defendia sua teoria, mas ninguém conseguia uma prova definitiva contra os suspeitos.

As abelhas são usadas como indicadores de diversidade biológica e qualidade ambiental, já que são extremamente sensíveis ao meio. A extinção deste grupo é uma grave perda para os ecossistemas, pois são os maiores polinizadores da natureza. Nos biomas neo-tropicais são freqüentes espécies vegetais polinizadas por apenas poucas espécies de abelhas, relações essas bastante estreitas, moldadas ao longo de processos co-evolutivos que geram a interdependência das espécies. Nestes casos, a extinção dos polinizadores específicos pode levar à extinção da planta, no Havaí, por exemplo, a extinção de polinizadores nativos já impede a renovação natural da vegetação.




Do ponto de vista nutricional, o melado é inclusive mais rico em todos os sais minerais, com avantagem de ser menos calórico. A tabela abaixo faz uma interessante análise comparativa e foi extraída do livro de Sonia Hirsch, "O mínimo para você se sentir o máximo":

Mel  x  Melado  (1 colher rasa)
                     Mel x Melado
Calorias:         64 x 43
Carboidratos:  17 x 16g
Cálcio:           1.0 x 136mg
Ferro:            0.1 x 3.0 mg
Magnésio:       0.5 x 51mg
Potássio:        11 x 585mg
Cobre:            0.0 x 0.3mg
Selênio:          0.2 x 12 mg

Não acredito que as pessoas devam privar-se de mel para o resto da vida, mas espero que o façam como sempre foi feito por aqueles que nos antecederam nessa terra que preservamos para os que estão por vir, com critério.

O problema não é consumir o mel, mas fazê-lo de forma consciente, em comunhão com o meio, levando em consideração seu impacto. Em pouca quantidade, quando for estritamente necessário, nunca como um substituto de sobremesas, cobrindo dúzias de bananas, adoçando à xícaras bolos e sobremesas. A alimentação saudável e livre de açúcar nunca cobraria uma conta dessas do planeta.
A apicultura em larga escala é claramente insustentável e está impactando em nossos plantios e cultivos.

Abaixo, 2 receitas de remédios naturais ayurvedas à base de mel de abelhas, impossíveis de serem substituídas por melado de cana, ou quaisquer outras formas de xarope ou adoçantes naturais:

Brahmastra para curar gripes e resfriados:
0,5 lt de água
1 col de sopa de mel de abelhas
1 pau de canela
3 cravos da Índia
1 "dedinho" de gengibre
sumo de 1 limão
Ferver todos os ingredientes, exceto o limão. Apagar o fogo, esperar esfriar um pouco, espremer o limão e tomar ainda quente. Não deve ser ingerido por gravidas, pode causar aborto espontâneo.

Trikatu, principal composto estimulante ayurveda, cuja tradução do sânscrito significa "três temperos"
(dica da Syl, amiga querida desse blog)
1 parte de gengibre em pó,
1 parte de canela em pó,
1 parte de pimenta do reino moida grossa (ou curcuma)
1 parte de mel.
Ingerir 1 colherzinha de café 2-3 vezes ao dia quando fores comer pratos com leite ou para prevenir o peso em dias frios e chuvosos.
O Trikatu ainda é formidável para quando começamos a desenvolver gripes e resfriados. Trikatu é um anti-muco e pó digestivo que são usados para melhorar função gástrica e respiratória. É útil em casos de obesidade, digestão fraca, alto colesterol, altos triglicerídeos, hipotireoidismo, metabolismo lento, congestão, tosse, e edema.
Como contém frutas de pimenta preta (Flautista Nigrum), indiano pimenta longa (Flautista Longum) e os rizomas de gengibre (Zingiber Officinalis), é uma combinação comum que é usada para estimular e para manter os sistemas digestivos e respiratórios. Igualmente afrodisíaco, fortalece-se funções reprodutivas, aquece, e estimula os órgãos reprodutivos.
Trikatu é um seguro digestivo estimulante e expectorante. É antialergênico, carminative, antiflatulência, e atua como um anti-histamínico natural. Ajuda a impedir distensão gasosa.

Trikatu idealmente é tomado uma hora antes de cada refeição numa dose de ½ a 1 colher de chá. Também pode ser tomado junto com ou depois de uma refeição. Como Trikatu tem um gosto pungente, melhor é consumido misturado com mel numa pasta grossa.



Sobre o Agave Azul, considerado o mel vegetal mexicano, é bom produto, até por ser vegetal e isento de sacarose.
Agave Azul é uma planta derivada da Agave, da família do nosso Sisal, cujo cultivo já rende o desenvolvimento de um adoçante natural e orgânico. Toda suculenta rende um xarope, alguns agradáveis (como o agave e o sisal), outros não, como a maioria dos cactus.
Atente para uma coisa, quanto maior a distância que determinado produto exige para percorrer, maior o impacto dele no meio ambiente. Em "O mundo é o que você come", fica bem claro que a melhor dieta a ser seguida é a dos 150km, consumir o que é produzido localmente, evitando assim que áreas nativas sejam devastadas para atender à demanas internacionais de cultivos orgânicos e ainda, não emitindo excesso de CO2 na logística de transporte.


Cuidado! Muita rapadura vem contaminada com lixo: O lado duro da rapadura


Imagem: StepInToMyGreenWorld



Mais informação:
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Leites Vegetais x Leite animal
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Cheiro de goiaba, a defesa da rapadura brasileira

17 comentários:

sylribeiro disse...

que otima materia, carol eu iniciei um acompanhamento com ayurveda essa semana, uma vez que tenho seguido muito das recomendaçoes intuitivamente, e tem me feito muito bem.
ontem conversei sobre o mel, com a maisa misiara, a medica que me acompanha nesta jornada, e ela disse que precisamos consumir o mel com parcimonia por tudo isso que vc comentou na materia, e tambem porque ele "seca" o organismo da gente no inverno, e isso pode tambem nos trazer constipações, ( pelo menos em meu caso ) então, olho vivo, estou com melado organico aqui da marca "da colonia", e tinha comprado um tradicional, o fio de ouro, mas ele nao tem um cheirinho bom como o organico, e como ser encanado que sou de vez em quando, achei por bem dar um tempo dele e voltar ao "da colonia"
açucar aqui em casa nao entra, mas na rua fica dificil nao usar. encontrei aquela rapadurinha vendida individualmente e estou pensando em levar na bolsa para adoçar o cafezinho da rua, e comer tambem, que é uma delicia! conhece?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Syl, não conheço a rapadurinha. Mas estou tomando direto café orgânico sem açúcar e adorando. Tentei e gostei.
Sabe, carregar uma rapadurinha na bolsa pode te manter viciada em açúcar. Bons cafés, não são amargosos, tem um amarguinho natural que o adoçar esconderia. Como um bom vinho (e muitos chás), vc nota até sabores indiretos. Reza a lenda, que grandes provadores, passam longe de açúcar qdo fazem suas degustações.
Claro que o café da rua não tem tanta sofisticação, seu pó barato vem misturado com palha de milho e até serragem, o que mostra que nem vale a pena ser provado.
Amei sua dica do trikatu, vou lá no blog que vc indicou.
abração,
Carol

sylribeiro disse...

preciso abolir o doce do café! ainda nao consegui...depois de muito tentar!
vou continuar perseverando, e vou experimentar o café organico, tenho aqui ele tipo instantaneo da native, para os dias que o pó insiste em acabar sem me avisar, srsrsr. mas do café moido mesmo so comprei uma vez e achei fraco demais..

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Syl, vi no mercado 3 versões do café orgânico native: tradicional, expresso e extra-forte. Vc pode tentar se adaptar às 2 últimas ou mesmo tentar com mais pó a versão tradicional. Eu uso da Cia Orgânica e acho bom, aprendi a regular a quantidade de pó de acordo com meu sono ;-)

sylribeiro disse...

oh que legal, nao sabia dessa novidade, eu gosto de café forte, bem forte, e so tomo de manhã, e no maximo ate as 14 horas, se tomar depois disso, babau...nao durmo.
mas o café precisa ser memos daqueles retintos.
obrigado vou atras desse extra forte. depois te conto

paloma disse...

Adorei essas dicas todas e a conversa de comadre de vcs ;-))

Vou anotar tudo e experimentar o trikatu. Café não é muito a minha praia. Quando tomo, tento tomar puro, sem açucar nenhum. Aqui no Rio tem um orgânico da marca 3 corações.

Syl, comprei ontem o melado Fio de Ouro. Achei bom mas depois fui pesquisar na internet e aqui estou eu lendo este post que fala do tal meldao ;-)))

Beijos nas meninas.

paloma disse...

Ah, adorei essas informações sobre o mel, fazem o maior sentido. Teve uma época, poucos anos atrás, que teve uma seca de mel no mercado. Foi assustador. Diziam que o mel brasileiro estava sendo exportado pros EUA. Depois ele voltou mas com um preço muito mais alto. A gente foi acostumada com adoçar tudo mas o bom mesmo é sentir o gosto de cada coisa. E colocar estes alimentos, mel e melado, no lugar deles, que como qualquer outro alimento, devem ser ingeridos moderadamente.
Beijos

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Paloma,
apareça, a conversa de comadre é aberta :-)
Adorei seu blog, bom para ler com calma, uma meditação.
O da Syl tb tem uns textos védicos e zens maravilhosos.

beijos,
Carol

sylribeiro disse...

AH eu nao gostei do melado fio de ouro, mesmo que seja feito há séculos como diz na embalagem, depois que vc toma o melado organico sente de longe o aroma, e a diferença no paladar e no estomago!
o meu fio de ouro esta aposentado na geladeira, e usei ele recentemente para fazer bolachinhas e as vezes uso no mingau quando estou em falta com o organico.
estou usando o melado da colônia, aqui de sp, organico, uma delicia, me sinto otima com ele.
o trikatu me fez muito bem no inicio do inverno, foi otimo para as vias aéreas!
beijos paloma, carol, obrigado pelo espaço aqui.

Sonia Peña disse...

Carol,
Buscando pelas composições e comparações do mel e do melado de cana encontrei seu blog.
Agora sou sua seguidora.
Faço sabões artesanais, onde muitas vezes recorria ao mel para buscar certas propriedades mas passei a utilizar o melado de cana e o resultado foi surpreendente.
Obrigada pelas informações.
Beijos.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Sonia, entrei no seu blog e amei, tb estou seguindo :-)
Olha, tem um post aqui em que vc já foi até indicada, sobre a polêmica dos cosméticos verdes.
Fico muito feliz de ver que os fabricantes de produtos derivados estão adotando o melado e deixando as abelhas em paz. É isso aí.
um grande abraço,
Carol

Ti Oliveira disse...

Oi Carol, como vc tá? Ando meio sumida por aqui, mas tenho acompanhado o blog, como sempre!
Querida, me tira uma dúvida: não sei pq tenho aqui na cabeça, algo, talvez tenha lido em algum lugar, que mel, quando aquecido, se torna toxico(?). Ou perde suas propriedades...sabes alguma coisa sobre isso? Pq vejo mtas receitas de bolo, granola, com mel. Mas tem q ir ao forno né...
brigada port d q escreve com tanta generosidade.
bj grande
Tiana

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Ti, não sei mesmo.
Pesquisei e encontrei muita gente dando pitaco contra. Te deixo os links.
Olha, por via das dúvidas, te sugiro sempre priorizar o melado de cana (e a rapadura), além de mais nutritivo, não é derivado animal, não impacta tanto no meio ambiente e vc aquece com toda a segurança.
3 posições contra:
http://www.salutarsaude.com.br/artigo_visualizar.php?id_art=10
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http://www.juraemprosaeverso.com.br/TudoSobre/Mel.htm
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http://www.worldlingo.com/ma/enwiki/pt/Honey
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1 posição neutra:
http://people.ufpr.br/~cid/farmacognosia_I/Apostila/mel.pdf

abs,
Carol

Ti Oliveira disse...

Brigadao Carol! vou dar uma olhada....bj enorme e otima semana
Tiana

Vânia Luz disse...

Otimas informações. Eu uso e gosto dos dois. Prefiro eles do que açucar refinado.

Vagaluminha disse...

Olá, Carol.

Sou novata 'aqui' no seu blog, mas sinto como se já fosse uma velha amiga. As suas postagens são muito esclarecedoras e cheias de vida! Quanto ao melado de cana: tenho dois filhos (já adultos) que foram alimentados com o melado desde bebês. Eu comprava a rapadura, de origem segura, colocava numa panela com tampa, com um pouquinho de água filtrada, no fogo baixo, para derreter. Deixava aquela calda esfriar, colocava em vidros limpinhos e tampados. Durava toda a semana para adoçar mingaus e qualquer outro alimento que necessitasse de um adocicado a mais. Até hoje usamos a rapadura aqui em casa!!
Bem, Carol, tudo está tão bem colocado e conduzido em seu Blog que farei comentários aos poucos, com muita alegria e muito prazer.
Desejo-lhe sucesso!

Abraços,
Vagaluminha (Marjorie)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Marjorie,
essa calda de rapadura é uma delícia, com manteiga então é o caramelo dos sonhos nas nozes e castanhas.
Apareça sempre, um beijo
Carol