quinta-feira, 17 de junho de 2010

Comida di Buteco e dicas para beber cachaça sem insalubridade

Espalhado pelas principais cidades do país (até Ipatinga), esse concurso informalíssimo é o Caminho de Santiago que eu percorro em busca da minha iluminação.
Deus que me perdoe, mas quem não gosta de samba, bom sujeito não é...
E quem não gosta de boteco, nem merece visitar o Rio de Janeiro!


Slow Food total, a festa da tradição gastronômica deixada pelos portugueses. As pessoas nem imaginam, mas botequim é a maior herança que eles deixaram depois do idioma, os primos pobres e negros das tabernas européias. Saiu o vinho de pipa e entrou a caninha de alambique, ganhamos todos.

Muito bacana, 200 anos após a saída corte imperial, ver que há tanta influência nordestina e mineira brigando ombro a ombro com os bolinhos de bacalhau e salsichões alemães, com tantos petiscos elaborados em panelas de barro e pedra sabão, servidos em telhas e cuias, valorizando as comidas "menos nobres" como bucho, rins, raízes, feijões e pimentas frescas.
O primeiro lugar onde comi inhame e provei cachaça foi num bar do Rio, Academia da Cachaça, minha mãe não comprava dos dois, considerados sem refinamento na época. Muitos anos depois, vi minha geração resgatar essas tradições e valorizar lugares como a Feira de São Cristóvão, igualmente esquecido.

Um Festival que divulga bares centenários e tradicionais é um patrimônio, num país onde 85% dos negócios abertos, fecham antes de completar 5 anos de vida.

Os ingredientes dos petiscos concorrentes não são orgânicos, ainda não tem como, mas a cerveja pode (e deve) ser D.O.C. Não faça pelo bolso, mas pelo fígado e pelas nossas reservas de água.
As melhores cervejas do mundo passam ao largo de uma fábrica imensa, onde hidropirataria e inclusão de metais pesados fazem parte da rotina. Os belgas que o digam.



Cachaça orgânica é ainda melhor do que a convencional, principalmente no dia seguinte.
Dica de quem reconhece de longe uma boa "branquinha": cachaça boa não tem cheiro de álcool gel, mas de caldo de cana e tampouco deve "arder na descida" . Cachaça boa não escorre líquida pelo copo, deixa uma marca oleosa nas paredes do vidro, já que não é de base alcóolica.
Se te abrirem uma garrafa com rótulo "original de Salinas, MG" e vc sentir cheiro de etanol, fuja porque "batizaram" essa garrafa. Se você ainda tiver coragem de provar, vai ver que "desce rasgando" e te mata de dor de cabeça no dia seguinte.
Leia melhor sobre Vinhos orgânicos e biodinâmicos e também sobre a Ypioca, cachaçaria certificada, que secou uma lagoa de reserva indígena. Para fazer seus drinks favoritos, vá na postagem "Eu bebo sim!"

As fotos, que tiram qualquer um de casa, são do festival Comida di Buteco edição 3 e das caipirinhas do site oficial da Academia da Cachaça.
Peça a sua com melado ou rapadura e fique de consciência limpa - a caipirinha que leva o nome da casa é feita de limão galego e já vale a visita.

Se gosta de bebidas estilo "frozen", tente um smoothie "calibrado" com cachaça orgânica!

3 comentários:

Kenia Bahr! disse...

Caroooolll!!!! Tem Comida di Buteco no Rio???? Num cri! Eu sempre achei a vida toda que era só em BH! Nossa, preciso rever meus conceitos hahahahahaha...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Tem, Kenia, ah tem...
A gente combina pro ano que vem, vc vem pra cá e eu vou pra BH :-)

Kenia Bahr! disse...

Combinado!