sexta-feira, 2 de julho de 2010

Cemitérios e enterros sustentáveis

Ninguém gosta de morar perto de cemitério, não é à toa, o necrochorume liberado pelos corpos em decomposição acaba com o solo e respectivos lençóis freáticos do entorno.

Quem mora próximo à cemitérios ou na reta do veio de água que passe por baixo de algum, não deve em hipótese alguma cavar um poço artesiano, sob risco de beber "suco" de cadáver. Nossos corpos em decomposição não são biodegradáveis, ao contrário da sabedoria popular que diz que alguém "virou adubo", após a morte, nós apoderecemos o solo com 2 substâncias extremamente tóxicas: putresina e cadaverina.


Abaixo 2 alternativas sustentáveis para um problema cada vez mais comum, falta de espaço para enterrar os mortos num mundo cada vez mais habitado:

Eternamente verde

As pessoas que se preocupam com o meio ambiente durante a vida brevemente poderão continuar sendo "verdes" também depois da morte.

Engenheiros europeus desenvolveram dois métodos inusitados de eliminação do corpo: o primeiro é um método de cremação de baixa temperatura, e o segundo é um método mais ecológico do que o tradicional enterro, transformando rapidamente o corpo em uma espécie de adubo.

As duas técnicas foram publicadas nesta semana na revista da American Chemical Society, dos Estados Unidos.

Preocupações fúnebres
A editora da revista, Sarah Everts, comenta o artigo, afirmando que as pessoas ambientalmente conscientes têm várias preocupações sobre a cremação e as práticas do enterro.

A alta temperatura da cremação queima muito combustível e emite dióxido de carbono na atmosfera, o principal gás de efeito estufa. A cremação também libera no ar o mercúrio das obturações dentárias do finado.

Outros, prossegue Everts, temem que o formaldeído e outras substâncias tóxicas que as funerárias usam para preparar os corpos para o enterro possam "acabar contaminando o ambiente ao redor dos cemitérios" (sic).


Cremação de baixa temperatura
As novas técnicas já estão sendo lançadas empresarialmente na Europa e nos Estados Unidos.
A cremação de baixa temperatura substitui a queima do combustível e o calor por uma substância alcalina altamente corrosiva, que literalmente dilui o corpo.

Como a temperatura utilizada neste novo processo é 80 por cento menor do que a temperatura da cremação padrão, o processo usa menos energia e produz menos emissões de dióxido de carbono.


Compostagem póstuma
O outro método, que substitui o enterro tradicional, faz uma espécie de compostagem do cadáver. O processo começa com o congelamento do corpo em nitrogênio líquido, quebrando-o em pedaços menores.

A seguir, os restos são secos por um processo chamado liofilização, por meio do qual a água congelada sublima-se, passando diretamente da fase sólida para gasosa.

Finalmente, o que sobrou é colocado dentro de um caixão biodegradável para o enterro, e o ambientalista liofilizado pode descansar duplamente em paz - consigo e com o meio ambiente.


A foto é do cemitério norte-americano dedicado exclusivamente aos mortos no Desembarque na Normandia, no Dia D da Segunda Guerra Mundial.


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