quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fibrocimento de bambu: telha de amianto sem asbestose

A telha de amianto é um dos revestimentos mais baratos e populares de nosso país, comum de Norte à Sul, as telhas são impermeáveis, de fácil e rápida aplicabilidade, sendo ainda encontradas a preços baixos.
Muito comuns inclusive como forração à alvenaria em casos de ar condicionado central.
Seria o ovo de Colombo, não fosse um probleminha, amianto libera asbestos, um pó finíssimo, que penetra nos pulmões e causa uma doença derivada de sua inalação: asbestose.

Asbestose não tem cura e mata mais do que as estatísticas indicam, até porque as fábricas, em sua maioria de fundo de quintal, não fornecem equipamento de proteção individual adequado aos trabalhadores. O cenário da produção de telha de amianto no Brasil é um galpão industrial (com forração em telha de amianto!) onde os operários sem camisa, de bermudas, chinelos e máscaras cirúrgicas descartáveis, trabalham sem carteira assinada nem plano de saúde. Quando o correto seriam macacões, óculos protetores da mucosa ocular, máscaras industriais, luvas e ambientes devidamente ventilados, além de todos os adicionais previstos em lei.
Em tempo, o amianto já foi banido de diversos países desenvolvidos, mas continua sendo produzido nesses tristes trópicos.

A Politécnica da USP correu atrás desse prejuízo social e ambiental, já que amianto é derivado de petróleo, e desenvolveu a primeira telha de fibrocimento para substituir às de amianto, a partir de materiais biodegradáveis como bambu, ostras e até ossos humanos.



Pesquisadores da Escola Politécnica da USP criaram um novo tipo de fibrocimento com uma tecnologia inédita no mundo, sem amianto e com excelente resistência.

O fibrocimento desenvolvido se caracteriza por propriedades mecânicas que variam ao longo do material, diferente dos convencionais, que têm as mesmas propriedades em toda a sua extensão.

Inspiração na natureza
"Inspirados na natureza, desenvolvemos um fibrocimento com gradação funcional", conta o engenheiro Cléber Dias. "O conceito é inspirado em materiais como o bambu, as ostras e, até mesmo, o osso humano.

Dias explica que a gradação funcional significa a variação de valor de uma ou mais propriedades ao longo do material. "Por exemplo, podemos variar a porosidade ao longo de um material e estaremos variando, consequentemente, sua resistência mecânica em pontos diferentes", descreve.
Ele conta que as indústrias brasileiras de fibrocimento começaram a migrar para a fabricação do produto sem o uso do amianto, material que teve o uso banido em diversos países.
Porém, os fibrocimentos produzidos com fibras alternativas (sintéticas) apresentaram desempenho inferior e o custo de produção era mais alto que o do cimento-amianto. Dias lembra que as fibras de polipropileno e PVA são as mais utilizadas para substituir o amianto.

Telhas onduladas sem amianto
Os engenheiros realizaram testes com a fabricação de telhas onduladas de fibrocimento em que foram alteradas suas resistências mecânicas em pontos específicos. "As telhas foram fabricadas em máquinas Hatschek e as alterações da resistência mecânica foram conseguidas aplicando misturas de cimento, polímeros e fibras, de poli (vinil álcool), PVA, ou vidro álcali-resistente", explica Dias.
A gradação funcional nas telhas pode ser obtida de duas maneiras. Na primeira, durante a formação da telha na prensa da Hatschek, são aplicadas misturas fibrosas em pontos específicos da telha. "Apesar de a telha apresentar altas concentrações de fibras em determinados pontos, na média, o teor de fibras é menor que o teor convencionalmente utilizados nos produtos homogêneos", compara.
A outra forma, segundo Dias, é variar a composição de cada tanque do maquinário Hatschek. "Nesse caso podemos produzir placas constituídas de camadas com diferentes composições. Essa forma não foi avaliada, pois necessitaríamos de um investimento muito alto. Mas fizemos os fibrocimentos com camadas diferentes em laboratório e os resultados foram muito bons", afirma.

Fibrocimento verde
Ele ressalta, no entanto, que muitos estudos ainda são necessários e que outros pesquisadores devem dar prosseguimento ao trabalho atuando na indústria.
"Nesse tipo de fabricação, os custos são menores devido à redução do teor de fibras sintéticas. Mesmo assim, a capacidade de carga das telhas de fibrocimento pôde ser melhorada," garante o engenheiro.
Além das telhas onduladas, Dias garante que o fibrocimento com gradação funcional também pode ser utilizado na fabricação de placas planas.
O pesquisador também destaca que o processo produtivo resultará em um produto menos agressivo ao meio ambiente, já que o consumo de fibras derivadas de petróleo será reduzido. "O produto deverá ficar, consequentemente, mais acessível ao consumidor", diz Dias.


Mais informação:
Bioconstruções com Bambu
A casa sustentável é mais barata
Minha Casa Minha Vida financia casa bioconstruída

4 comentários:

sylribeiro disse...

ADOOREI A MATERIA OBRIGADO para a nossa área é de grande valia essa informação, bjos

Anônimo disse...

Cara Carol,

As informações contidas no seu blog acerca do amianto acredito que estejam totalmente fora da realidade.

Todas as descrições das condições das fábricas que trabalham com amianto estão de muito longe do que é aplicado há mais de 20 anos pelas indústrias.

E ainda tem mais, você poderá falar com os sindicatos dos trabalhadores e perguntar diretamente a eles sobre como são as condições de trabalho nas indústrias de fibrocimento que utilizam amianto.

E tenho uma outra proposta: Convido você a visitar uma fábrica de fibrocimento, no Rio de Janeiro, para conhecer o processo de utilização do amianto e também as condições de trabalho. Você pode marcar qualquer dia e horário para a visita nas fábricas em que você terá amplo acesso a todas a área produtiva para conhecer de fato a realidade.

Caso tenha interesse em conhecer de fato a realidade, você pode entrar em contato ou procurar até mesmo um sindicato diretamente.

Marcondes Braga de Moraes
marcondesbm@terra.com.br

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Boa noite Marcondes,
obrigada pela visita, mas a informação acerca da realidade da produção de amianto no Brasil foi matéria dos maiores jornais de circulação do país no ano passado.
Blogs são independentes em sua maioria e, no meu caso, não há a menor intenção de denegrir qualquer empresa ou categoria profissional.
Sobre a realidade da asbestose no Brasil, acredito que a melhor instituição para esclarecer a situação seja a ABREA – Associação Brasileira de Expostos ao Amianto.
Por favor, esteja à vontade para voltar sempre e enriquecer o debate com sua visão.
Apesar de contrária à minha, ela é fundamental.

Gaia disse...

Olá Carol! Primeiro gostaria de parabenizar pelo Blog e também por este Post que traz muitas informações.
Curso Técnico em Meio Ambiente e este post me ajudou muito em minha pesquisa dobre o as telhas de Amianto e uma solução mais sustentável.
É muito bom ver que algumas pessoas realmente se importam com a sustentabilidade!