quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O mundo segundo a Monsanto


Outro filme, excelente e fundamental, igualmente disponível no Youtube.
Leia o livro e assista ao filme.


Quando se fala em cultivo orgânico e não-transgênico, a primeira coisa em que se pensa é em saúde, saladas e um "discurso" vegetariano com muitos produtos em soja e embalagens coloridas.
Não é por aí, a idéia de um mundo mais fraterno é justamente valorizar o produtor rural e as nossas tradições gastronômicas, que estão se perdendo num mundo globalizado e pasteurizado.
A boa comida é escolhida na feira com ingredientes frescos, feita na hora e de sabor acentuado, alimentando o corpo e a alma.

O blog não defende que ninguém consuma carne, mesmo orgânica, mas deixa bem claro que qualquer fabriqueta de fundo de quintal devasta e desertifica, exterminando então mais animais do que qualquer matadouro ou cooperativa pesqueira artesanal. Quanto mais afastado do orgânico e caseiro, mais equivocada é a escolha.

Em "O mundo segundo a Monsanto", os produtores rurais são ouvidos e nos mostram uma imensa teia onde a imposição de sementes e pesticidas casados, criaram um monopólio de cultivo por parte da Monsanto, contaminando todas as produções da região do entorno em diversas regiões do mundo e quebrando centenas de pequenos produtores, incluindo o Brasil.
A pesquisa, que durou 3 anos, visitou também países como a Índia, Paraguai e EUA e mostra até o funeral de um agricultor de 25 anos que se suicidou por não conseguir mais concorrer com o mercado.


Segue reportagem sobre o filme no UOL:

PARIS, 11 Mar 2008 (AFP) - O documentário "O Mundo segundo a Monsanto", exibido nesta terça-feira pela TV franco-alemã Arte, traça a história da principal fabricante de organismos geneticamente modificados (OGM), cujos grãos de soja, milho e algodão se proliferam pelo mundo, apesar dos alertas de ambientalistas.


A diretora, a francesa Marie-Monique Robin, baseou seu filme - e um livro de mesmo título - na empresa com sede em Saint-Louis (Missouri, EUA), que, em mais de um século de existência, foi fabricante do PCB (piraleno), o agente laranja usado como herbicida na guerra do Vietnã, e de hormônios de aumento da produção de leite proibidos na Europa.

O documentário destaca os perigos do crescimento exponencial das plantações de transgênicos, que, em 2007, cobriam 100 milhões de hectares, com propriedades genéticas patenteadas em 90% pela Monsanto.

A pesquisa durou três anos e a levou aos Estados Unidos e a países como Brasil, Índia, Paraguai e México, comparando as virtudes proclamadas dos OGM com a realidade de camponeses mergulhados pelas dívidas com a multinacional, de moradores das imediações das plantações pessoas que sofrem com problemas de saúde ou de variedades originais de grãos ameaçadas pelas espécies transgênicas.
Robin relatou em entrevistas divulgadas pela produção do filme que tentou em vão obter respostas da Monsanto para todas essas interrogações, mas que a companhia decidiu "não avaliar" seu documentário.

Um capítulo do livro, intitulado "Paraguai, Brasil, Argentina: a República Unida da Soja", relata o ingresso desse cultivo nesses países, que estão hoje entre os maiores produtores do mundo, por meio de uma política de fatos consumados que obrigou as autoridades do Brasil e do Paraguai a legalizar centenas de hectares plantados com grãos contrabandeados.

A legalização beneficiou obviamente a Monsanto, que pôde cobrar assim os royalties por seu produto.

Marie-Monique Robin é uma famosa jornalista independente, que, em 2004, gravou um documentário sobre a Operação Condor chamado "Esquadrões da Morte: A Escola Francesa"- para o qual entrevistou vários dos maiores repressores das ditaduras militares dos anos 70.



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2 comentários:

Anakoelho disse...

Olá Carolina!
Pssei por acaso e amei o seu cantinho vou até ficar por aqui rsrs,voltarei depois com mais calma.
Uma ótima semana pra vc.


Ana.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Ana, seja bem vinda.
Apareça qdo quiser.
Boa semana e um abraço,
Carol