quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Turismo sustentável: 10 pecados naturais e o Mapa Nacional de praias próprias para balneário




Se você conta os dias para curtir uma praia, aproveite para contar também até dez antes de maltratá-la

Por Tatiane Bernardi para Guia 4 Rodas, especial Praias 2010


1. A graminha que convive lado a lado com a praia já é renegada o suficiente. Imagina só concorrer com uma areia branquinha e um mar azulzinho? Então, não maltrate esse patinho feio pisando ainda mais em seu ego machucado. Aproveite as trilhas que já existem e não crie novas.
Comentário meu (Carol): o nome dessa graminha é restinga, vegetação nativa devastada por termos ocupado toda a costa, ela não existe à toa, é a única responsável por conter o avanço do mar em ressacas marinhas. Nenhum dique ou muro construído pelo homem conseguiu substituí-la.

2. Sim, você tem lembranças lindas da sua infância, quando catava conchinhas sonhando com o futuro. Mas para garantir que seus netos também possam sonhar ao ver conchinhas, pedrinhas, moluscos, algas e mariscos, que tal deixar as coisas em seus devidos lugares?
Comentário meu (Carol): E as retiradas são caracterizadas como crime ambiental

3. Fazer hora extra no domingo comendo sanduba na frente do computador combina com a frase “que lixo!”. Mas praia não combina, certo? Portanto, lembre-se que uma garrafa de plástico demora 450 anos para se decompor e que sacos plásticos com restos de comida podem matar animais marinhos.

4. Sabe aquela vergonhinha alheia que você sente quando um amigo te mostra fotos de uma cavalgada na praia? E a vergonha que dá quando alguém fala que andou de “bugre” nas dunas? Então, mas sabe o que é muito pior? Gente que faz esse tipo de coisa em locais de desova de tartaruguinhas!

5. Quando o mar favorece, é inevitável que algum playboyzinho apareça com seus principais dotes praianos: lanchas, barcos e jet skis. Você pode até topar um passeio, mas ele só merece uma chance se nenhum desses derramar gasolina ou óleo no mar (e você só merece esse tipo de convite se não for o tipo que leva pinça para virilha e água oxigenada para os pelos na praia)

6. Pesque apenas em épocas e locais permitidos. Ou faça como aquele cara que nem é tão bonito mas tem trinta mulheres no pé: pesque e solte.
Comentário meu (Carol): não pesque, vá mergulhar e ver os peixes no habitat deles. Mergulhadores tem ombros largos pela capacidade pulmonar expandida, pescadores geralmente são barrigudos de tanto ficar sentados. Segunda a PETA, um peixe de pesque e solte, sobrevive apenas 6 dias após ser perfurado pelo anzol. Leia mais no link

7. Não faça amizade apenas com o italiano gatinho dono da pousada ou com as irmãs gaúchas do quarto ao lado. Valorize a cultura local. O turismo pode ser a única forma que os moradores locais têm para se sustentar e permanecer lá.

8. Desenhar um coração com as iniciais do seu romance nas pedras do costão é coisa de quem não merece que o amor suba a serra. Quem vê alguém deteriorando patrimônios históricos e naturais deve denunciar aos órgãos competentes.

9. Verifique se o seu hotel aproveita a energia solar, faz compostagem do lixo orgânico, reutiliza a água e contrata funcionários locais. Nos restaurantes, se puder, opte por pratos feitos com ingredientes plantados na região.

10. O turismo sexual é crime e você deve denunciar! Já o sexo com seu moreco é mais do que permitido, desde que camisinhas não boiem no mar e pedras não gemam fantasmagoricamente nas praias mais distantes.






Para quem tem cães: Organize-se, escolha lugares que seu mascote possa ir com você ou deixe alguém de confiança cuidando do seu bichinho.
Vale lembrar que abandonar e maltratar animais é crime, previsto no artigo 32 da Lei Federal 9.605/98 de Crimes Ambientais. A punição é detenção de três meses a um ano, além de multa. E mais: caso o bicho abandonado morra, a pena do criminoso pode aumentar de um sexto a um terço. 


Veja também como não se meter com os moradores mais antigos dos oceanos, os tubarões.


Na dúvida, volte ao básico: deixe apenas pegadas, leve apenas lembranças e tire apenas fotografias.





Mapa Nacional de Praias próprias para Balneário

RS: fepam.rs.gov.br

SC: fatma.sc.gov.br

PR: iap.pr.gov.br

SP: cetesb.sp.gov.br

RJ: feema.rj.gov.br

ES: seama.es.gov.br

BA: seia.ba.gov.br

SE: adema.se.gov.br

AL: ima.al.gov.br

PE: cprh.pe.gov.br

PB: sudema.pb.gov.br

RN: idema.rn.gov.br

CE: semace.ce.gov.br

PA: para30graus.pa.gov.br






As fotos são minhas, de um dia de maré baixa em Copacabana, que rendeu muitas fotos.




Mais informação:
Caça não é esporte
Vá pegar uma praia
Carnaval Sustentável
Zoológicos x Reservas
O mar de lixo no Carnaval baiano
Incidentes com Tubarões em Recife
Águas vivas - Como agir em caso de acidente
Os 10 mandamentos do mergulhador consciente
Ressacas marinhas são um fenômeno natural, previsível e contornável
Férias de Verão em Natal (RN): Vamos passear de camelo em Genipabu? Não, obrigada!

5 comentários:

Cacau Gonçalves disse...

Excelente, Carol!!!
Coisas que para certas pessoas são regras básicas e que pra outras soam estranho... Tá na hora de acostumar os olhos e os ouvidos com tais lembretes!
beijos

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

A gente nunca sabe de tudo, até ler o Guia Praias 2010, eu amava andar à cavalo na praia. Nunca havia me tocado que posso ter pisoteado ovos de tartarugas marinhas.
É exatamente o que vc falou: reeducar o olhar :-)

Cida Comoti disse...

Oi Carol, como sempre, muito bom tudo que voc~e falou. Sou paulista e amooooo o Rio de Janeiro, sempre lindo.
Algumas dicas que você deu eu nem tinha pensado antes.

Obrigada um grande beijo

Obrigada também pela dica no meu blog sobre terapia floral.

Unknown disse...

E as bitucas de cigarro, Carol? Eu fico nervosa de ver tantas e tantas, e de imaginar a cinza que não consigo ver mas que suja também! Acho incrível que até gente "descolada" consiga deitar calmamente suas sujidades nas areias, e também em outros lugares, como se o mundo fosse uma grande lixeira! Parabéns por todas as postagens!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Bituca não recicla, o povo acha que praia é cinzeiro (e lixeira).