sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Símbolo do RJ, boto sumirá das praias até 2050


Da mesma forma que esse país chama-se Brasil por causa da outrora abundante quantidade de árvores de Pau Brasil, o brasão da Cidade do Rio de Janeiro é representado por 2 golfinhos, em função dos inúmeros cardumes que saudavam os navegantes que aportavam na Baía de Guanabara, hoje um lixão cujo fundo é quase que em sua totalidade composto de garrafas e sacos plásticos.


Símbolo do RJ, boto sumirá das praias até 2050
Fonte: Folha, fevereiro de 2010

Pesquisa do laboratório da UERJ revela que, em dez anos, população caiu 50%. Animal está retratado no brasão da cidade.
Presente no brasão da cidade do Rio, tal a quantidade que havia, o boto – chamado de golfinho pelos leigos – tende a desaparecer da baía de Guanabara antes da metade do século.

De uma população de alguns milhares há 50 anos, só restaram 40, aponta monitoramento inédito do Laboratório Maqua (Mamíferos Aquáticos) da Faculdade de Oceanografia da UERJ.
Iniciado em 1995, o trabalho encontrou , 3 anos depois, 80 exemplares do animal nas águas da baía. No final de 2009, a quantidade havia se reduzido à metade. Essa queda de 50% em pouco mais de dez anos faz com que os oceanógrafos já considerem residual sua presença na baía.

Os dados do Maqua levaram os especialistas a concluir que, em 20 anos, mantido o atual estado de degradação, sobrarão três ou quatro botos em toda a baía. Dez anos depois, nenhum.
Também conhecido como golfinho de prata, o boto cinza está no brasão do Rio em um par que representa a cidade-marítima.

Os mamíferos que restam na Guanabara costumam circular pelo canal central de navegação (entre a boca e o fundo da baía) e se concentram, de manhã, nas imediações da Ilha de Paquetá, onde a navegação é reduzida.
São os locais menos poluídos da baía, até agora, porque o projeto do Comperj prevê a possibilidade de instalação de componentes industriais justamente na área freqüentada pelos botos.

Já em construção, o Comperj funcionará em Itaboraí. O Maqua foi convidado pela Petrobras para avaliar o impacto na baía de dutos de despejo de resíduos do complexo industrial. A questão está sob análise.
Os especialistas do Maqua são contra, por considerar que, por mais tratados que sejam os resíduos, não haverá como impedir algum tipo de poluição e a conseqüente contaminação das espécies animais por rejeitos.

Outro fator que preocupa é que, desde o ano passado, próximo a Paquetá, funciona um terminal de GNL (Gás Natural Liquefeito) e está em construção um de GLP (Gás Natural de Petróleo), ambos da Petrobras. Mesmo com cuidados ambientais, as novas instalações são nocivas aos botos, pois resultam no aumento da navegação e em mais poluição industrial e sonora, fatores que afugentam os animais.

O trabalho do Maqua conclui que a diminuição acelerada da quantidade de botos na baía resulta de três fatores: poluição orgânica e industrial, captura acidental em redes de pesca e a perda de habitat. “Nenhuma população resiste a isso”, disse à Folha o coordenador do Maqua José Lailson Brito Jr.


Animal é o último mamífero da Guanabara
Os botos são remanescentes das espécies mamíferas que já freqüentaram a Guanabara. Outros tipos de golfinhos e baleias já não são mais encontrados há muito tempo no mar poluído da baía, que abrange áreas de sete municípios da região metropolitana do Rio.

Em meados da década de 70, ainda era possível avistar os botos em grupos numerosos, acompanhando as barcas de passageiros e de veículos que faziam o trajeto entre as cidades do Rio e de Niterói.

Além de poucos, alguns outros motivos contribuem para a pouca visibilidade dos botos: a coloração cinzenta, como as águas da Guanabara; não são animais grandes (chegam até a 2m de cumprimento); e agora, evitam a proximidade das embarcações. Pescador há 55 anos, José Carlos da Silva Ramos, 65, relembra que, nas décadas de 50 e 60, a presença dos botos na baía de Guanabara era notada diariamente.
“Eles formavam grupos imensos. Era impossível não vê-los. Mas há muito tempo não avisto um, há muito tempo mesmo”, afirmou o pescador que ainda trabalha na baía.

Outra característica da antiga população de botos era a circulação por todas as áreas da Guanabara, o que hoje não ocorre mais. Funcionário aposentado do aeroporto Santos Dumont, Marcos Ramalho, 72, conta que era comum ver os animais, aos saltos, perto da pista. “Era um espetáculo, uma alegria para os olhos”.


Petrobras não vincula mortes à indústria
A Petrobras considera não ser “possível associar a redução da população de botos cinzas aos terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) instalados na baía de Guanabara.

Em texto, a empresa acusa “a captura acidental durante atividades pesqueiras e a poluição difusa, que inclui lixo, esgoto lançado sem tratamento e poluentes, como pesticidas e metais pesados” como “as principais causas da diminuição à população de botos”. A Petrobras diz ainda que, para implantar os terminais na baía, “foram feitos estudos com exaustivos trabalhos de campo”, por biólogos e oceanógrafos de empresas de consultoria”.

Segundo a mensagem, o programa “Monitoramento de Médio Prazo da População do Boto Cinza, Sotalia Guianensis, na Baía de Guanabara”, do Centro de Pesquisas da Petrobras em parceria com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da UERJ, indica não haver vínculo entre a redução da espécie e as novas instalações industriais.



Mais informação:
De onde vem o atum em lata?
Indústria pesqueira x Pesca artesanal
Como salvar 30 golfinhos e 3 minutos
Porque devemos reduzir o consumo de camarão
O mar não está para peixe: Slow fish ou "O fim da linha"
The Cove, documentário sobre golfinhos ganhador do Oscar
Tubalhau, o bacalhau de tubarão protegido por lei e pescado em Fernando de Noronha
DO QUE A PESCA DE ARRASTO É CAPAZ: AS TONINHAS DE PERUÍBE PRECISAM DE NOSSA AJUDA!


2 comentários:

Anônimo disse...

PARABÉNS PELA MATÉRIA SOBRE INTOXICAÇÃO POR INCENSOS , ODORIZADORES , É MUITO IMPORTANTE O QUE VOCE FEZ , E DEVE SER AMPLAMENTE DIVULGADO ! EU ENCONTREI , POR PRECISAR DESSA AJUDA E APOIO , POIS ESTÁ DEMAIS , A FALTA DE RESPEITO EM LOCAIS PÚBLICOS E PRIVADOS ONDE SE JOGAM ESSES PRODUTOS TÓXICOS NAS PESSOAS , SEM PEDIR LICENÇA , POR ARROGÂNCIA E IGNORÂNCIA . EU PERCEBO ESSE PROBLEMA QUE VOCÊ CITA , PELA MINHA SENSIBILIDADE OLFATIVA , MEU NARIZ É UM DETECTOR DE VENENO . MAS É DIFÍCIL SOLICITAR SAÚDE ÀS PESSOAS ESCRAVAS DOS MODISMOS . ELAS NÃO RESPEITAM . É MUITO AGRESSIVO O COMPORTAMENTO ATÉ DE MÉDICOS . TUDO QUE VENDE , É MAIS RESPEITADO DO QUE UM SER HUMANO PEDINDO SOCORRO .

OBRIGADA PELA SUA SENSIBILIDADE E INICIATIVA DO BLOG . ESPERO QUE SE AMPLIFIQUE MAIS , E MAIS !

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Obrigada pelo carinho. É isso aí, passe a bola adiante.

abs,
Carol