quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A guerra pelas sementes da monocultura transgênica e corporativa




Em O mundo segundo a Monsanto, um dado alarmante nos é informado: de que a empresa e suas subsisdiárias já detêm 80% da produção mundial de sementes, o monopólio do cultivo que quebrou centenas de produtores rurais e dizimou plantações orgânicas pela polinização de cultivos e sementes transgênicas muitas vezes contrabandeadas e ilegais, além da venda casada (e criminosa) das sementes com o pesticida exclusivo da empresa, o Round-up Ready, que mata até os filhos dos agricultores.

Já no livro O mundo é o que você come, a fazendeira orgânica norte-americana prioriza os catálogos de sementes mantidas por seus maiores interessados: os fazendeiros locais, seus vizinhos. Afirma a autora que aquelas sementes, nativas e de cultivo orgânico, seriam a verdadeira evolução da espécie, sementes não alteradas geneticamente, mas que representam não apenas a melhor safra daqueles produtores, mas a manutenção da cultura gastronômica da região.

Comprar direto do produtor rural, na Feira de Orgânicos, tornou-se uma questão política que vai muito além de qualquer discurso simplista de que agrotóxicos fariam mal à saúde. Mas fazem mal também, e muito.
Veja que a massificação cultural impede as novas gerações de conhecer os vegetais nativos de seu entorno em Hortaliças extintas pelas tentações da cidade grande.


Visitando o blog da Em Pratos Limpos, vejo que aqui no Brasil, a transgenia aumenta gradativamente e confirma tudo o que é alertado pelo filme e livro:

Enquanto as empresas seguem renovando suas promessas – a bola da vez são as sementes resistentes à seca – cresce o monopólio e as sementes convencionais cada vez mais somem do mercado.

E que já há procura pela soja convencional, de cultivo tradicional, chancelada pela Embrapa e igualmente endossada pelos produtores rurais:

A ideia de uma tecnologia que beneficiaria produtor e meio ambiente ficou apenas na propaganda. O que prevalece na prática é a força do monopólio sobre o mercado de sementes e a contaminação, que se dá a campo e também na falta de segregação. É o que mostra a reportagem abaixo.

Líder absoluta nos campos brasileiros, a soja transgênica vai ocupar 80% da área nacional destinada à cultura na safra 2010/11. A estimativa é da Monsanto, multinacional norte-americana detentora da tecnologia Roundup Ready (RR), a única oleaginosa geneticamente modificada disponível atualmente no mercado nacional. A projeção considera dados de produção e comercialização de sementes da empresa no país.

Se as contas da Monsanto estiverem certas, quase 55 milhões das 68 milhões de toneladas que, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), devem ser colhidas no Brasil no ciclo 2010/11 serão de soja transgênica. Na safra passada, ainda segundo os cálculos da multinacional, as sementes GM cobriram 73% dos 23,5 milhões de hectares que foram cultivados com a oleaginosa no país, o equivalente a pouco mais de 50 milhões de toneladas.


“Como no Rio Grande do Sul, quase 100% dos produtores já usam a tecnologia, a expansão deve ocorrer no cerrado”, detalha o diretor comercial da empresa, Antonio Smith, lembrando que nos Estados Unidos os transgênicos correspondem a 90% da produção da oleaginosa e na Argentina o porcentual é de quase 100%.

“A biotecnologia é um caminho sem volta. Na soja e, ainda mais rapidamente, no milho. Daqui a alguns anos, só haverá lavouras transgênicas”, prevê o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini. Ele lembra que a soja GM levou cerca de cinco anos para alcançar cobertura de 70%, índice atingido pelo milho transgênico em apenas três anos. “Se você falar para o produtor: ‘Olha, te pago um prêmio de R$ 10 por saca pela soja convencional’. Acho quem nem assim ele plantaria”, diz. O gargalo, afirma o diretor operacional da Imcopa, José Enrique Marti Traver, não está no campo ou no mercado, mas na pesquisa. Para ele, a aposta massiva dos produtores brasileiros na transgeníase acontece porque investe-se mais na pesquisa e desenvolvimento de variedades geneticamente modificadas do que em sementes convencionais.

Gallassini endossa a avaliação de Traver. Segundo o dirigente da Coamo, foram lançadas neste ano oito novas variedades de soja transgênica, mas apenas uma convencional. No ano passado, essa relação foi de 12 para 2. Segundo ele, além de mais numerosas, as sementes GM seriam mais produtivas. Para lançar uma nova variedade de soja geneticamente modificada as empresas precisam primeiro desenvolver a tecnologia usando grãos convencionais, explica Traver. “Mas essas sementes muitas vezes nem chegam ao mercado porque as empresas não têm interesse em comercializar o produto convencional”, diz.

O problema, afirma, é que a legislação brasileira não estimula o desenvolvimento de novas variedades não-transgênicas. A Lei de Proteção de Cultivares (LPC), que regula o mercado de sementes convencionais, protege os direitos intelectuais de criação, mas não prevê a cobrança de royalties como a Lei de Patentes, que rege o mercado GM. “Precisamos uniformizar a legislação para não desestimular a produção de uma ou de outra. Se continuar como está vai virar tudo transgênico mesmo, por questões econômicas”, considera Traver. Para ele, o grande desafio a vencer é viabilizar as duas opções de forma que o direito de livre escolha seja assegurado tanto ao produtor quanto ao consumidor.


Ainda:

Quase 80% de 1.2 milhões de hectares ocupados pela agricultura no Uruguai estão semeadas com soja e milho. Segundo a estatal Direção de Estatísticas Agropecuárias e a privada Câmara Uruguaia de Sementes, a totalidade da soja e pelo menos 80% do milho são transgênicos, isto é, são organismos geneticamente modificados (OGM).

Cárcamo alerta sobre as dificuldades que se apresentam com o manejo dos transgênicos e quando se trata de milho, devido ao tipo de polinização que essa espécie realiza. Um estudo da estatal Universidade da República revelou que “três em cada cinco casos com potencial risco de interpolinização -mistura de pólen de variedades diferentes- tiveram como resultado a presença de transgênicos na espécie não geneticamente modificada”. Isso quer dizer que a proximidade aos cultivos OGM e não OGM provoca contaminação quando os tempos de floração coincidem.

Tanto para os investigadores quanto para os ambientalistas, essa realidade, misto de descontrole e da problemática apresentada pelo manejo dos transgênicos, torna necessária a abertura de um debate sobre a “coexistência regulada” entre vegetais OGM e não OGM, regulamentada em 2008.

Segundo a Rede de Amigos da Terra, a política de coexistência regulamenta não leva em consideração os eventuais impactos para a saúde humana, as ameaças ao meio ambiente, a relação dos transgênicos com a agricultura tradicional, natural e orgânica e os mecanismos de informação ao consumidor; daí que deve ser revisada.

Segundo a Rede, no Uruguai, tem que acontecer um debate sobre esse tema, “porque até agora as organizações da sociedade civil somente foram convidadas pelas autoridades para apresentar informação por escrito; porém, não para debater opiniões”.





Caso você tenha pensado em hibridismo e nos muitos cruzamentos naturais que sempre ocorreram na natureza, como a mula por exemplo, leia o B+A=BA do Greenpeace, logo abaixo:

Os transgênicos, ou organismos geneticamente modificados, são produtos de cruzamentos que jamais aconteceriam na natureza, como, por exemplo, arroz com bactéria.

Por meio de um ramo de pesquisa relativamente novo (a engenharia genética), fabricantes de agroquímicos criam sementes resistentes a seus próprios agrotóxicos, ou mesmo sementes que produzem plantas inseticidas. As empresas ganham com isso, mas nós pagamos um preço alto: riscos à nossa saúde e ao ambiente onde vivemos.
O modelo agrícola baseado na utilização de sementes transgênicas é a trilha de um caminho insustentável. O aumento dramático no uso de agroquímicos decorrentes do plantio de transgênicos é exemplo de prática que coloca em cheque o futuro dos nossos solos e de nossa biodiversidade agrícola.

Diante da crise climática em que vivemos, a preservação da biodiversidade funciona como um seguro, uma garantia de que teremos opções viáveis de produção de alimentos no futuro e estaremos prontos para os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura,

Nesse cenário, os transgênicos representam um duplo risco. Primeiro por serem resistentes a agrotóxicos, ou possuírem propriedades inseticidas, o uso contínuo de sementes transgênicas leva à resistência de ervas daninhas e insetos, o que por sua vez leva o agricultor a aumentar a dose de agrotóxicos ano a ano. Não por acaso o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrotóxicos em 2008 – depois de cerca de dez anos de plantio de transgênicos – sendo mais da metade deles destinados à soja, primeira lavoura transgênica a ser inserida no País.

Além disso, o uso de transgênicos representa um alto risco de perda de biodiversidade, tanto pelo aumento no uso de agroquímicos (que tem efeitos sobre a vida no solo e ao redor das lavouras), quanto pela contaminação de sementes naturais por transgênicas. Neste caso, um bom exemplo de alimento importante, que hoje se encontra em ameaça, é o nosso bom e tradicional arroz.

A diversidade do arroz brasileiro congrega desde o arroz branco plantado no Rio Grande do Sul, que é adaptado a temperaturas amenas, àquele plantado no interior do nordeste, vermelho, resistente a climas quentes e secos. Ambos são necessários, sem seus respectivos climas e solos, para garantir que o cidadão brasileiro tenha sempre arroz em seu prato, em qualquer região do país.




Infelizmente, a tecnologia Terminator não é uma novidade de ontem – é uma séria e imediata ameaça à diversidade de cultivos e à soberania alimentar em todo o mundo. Governos estão esboçando propostas para permitir testes a campo e comercialização de sementes Terminator. A Federação Internacional de Sementes, agora, apóia abertamente o Terminator e está trabalhando de mãos dadas com governos complacentes com as indústrias para desmantelar a moratória de facto das Nações Unidas. Um banimento total é a única defesa contra as sementes suicidas.

ANTECEDENTES
O que é Terminator? A tecnologia Terminator refere-se a plantas que foram geneticamente modificadas (GM) para tornar as sementes estéreis quando da colheita. A tecnologia Terminator foi inicialmente desenvolvida pela indústria multinacional de sementes/agroquímicos e pelo governo dos EUA para evitar que os agricultores replantassem as sementes colhidas maximizando, assim, os lucros dessa indústria. As sementes Terminator ainda não foram comercializadas ou testadas a campo – embora experimentos estejam ocorrendo em estufas, nos EUA.

Tecnologia Genética de Restrição do Uso (em inglês, GURTs ) é o termo “oficial” utilizado pelas Nações Unidas e pela comunidade científica para se referir ao Terminator. Tecnologia Genética de Restrição do Uso é uma expressão ampla que se refere à utilização de um indutor químico externo para controlar a expressão de um traço genético de uma planta. GURTs é freqüentemente usado como sinônimo para esterilização genética de sementes ou tecnologia Terminator.

Por que Isso é um Problema? Mais de 1,4 bilhão de pessoas, principalmente famílias de pequenos agricultores, no mundo em desenvolvimento, têm como fonte principal de sementes as guardadas de seus próprios cultivos. As sementes Terminator forçarão à dependência de fontes externas e quebrarão com as práticas de troca de sementes dos povos locais e indígenas, bem como com a prática milenar de seleção e reprodução efetuada pelos agricultores – a base para a segurança local de disponibilidade de sementes.

Se o Terminator for comercializado, a esterilidade das sementes será, provavelmente, incorporada em todas as plantas GM. Isso porque a esterilidade das sementes permite um monopólio muito mais forte do que as patentes; ao contrário das patentes, não há data de expiração, nenhuma exceção para os melhoristas e nem necessidade de advogados.

Quem detém as patentes do Terminator? O departamento de agricultura dos EUA e a Delta & Pine Land, a 7ª maior companhia de sementes do mundo, detêm, conjuntamente, três patentes da tecnologia Terminator. Syngenta, DuPont, BASF e Monsanto estão entre as outras companhias multinacionais que obtiveram patentes. Em março de 2004, a Syngenta obteve sua mais recente patente nos EUA para a tecnologia Terminator. Um representante da Delta & Pine Land está, atualmente, viajando ao redor do mundo para promover a tecnologia Terminator de sua companhia.

Terminator NÃO é uma questão de biossegurança: A indústria multinacional de sementes está fazendo uma campanha de relações públicas para promover a tecnologia Terminator como um mecanismo para conter o fluxo indesejado de genes de plantas GM (particularmente de novos produtos em desenvolvimento, como árvores GM e plantas modificadas para produzirem drogas e químicos industriais). A indústria argumenta que a esterilidade engenheirada oferece uma característica de segurança construída internamente para as plantas GM porque, se os genes de uma cultura Terminator tiverem polinização cruzada com plantas parentes da vizinhança, as sementes produzidas pela polinização indesejada serão estéreis – não irão germinar. A fuga de genes de plantas GM tem causado contaminação genética e se coloca como ameaça à biodiversidade agrícola e aos meios de vida dos agricultores – especialmente em centros de diversidade genética de cultivos. Por exemplo, estudos confirmam que o DNA de milho GM tem contaminado milho tradicional plantado por agricultores indígenas no México.

As mesmas companhias cujas sementes GM estão causando contaminação indesejada sugerem, agora, que a sociedade aceite uma nova e não testada tecnologia para conter a poluição genética. Se as sementes GM não são seguras não devem ser usadas. E, mais importante, a segurança alimentar das pessoas com menos recursos não deve ser sacrificada para resolver o problema de poluição genética provocado pela indústria. Que impactos terão as sementes Terminator sobre os pequenos agricultores? As sementes Terminator geneticamente modificadas não são importantes para as necessidades dos pequenos agricultores, mas isso não quer dizer que esses agricultores não irão encontrar sementes Terminator em seus cultivos, se elas forem comercializadas. Se grãos importados contiverem genes Terminator e agricultores, desavisadamente, os plantarem como sementes, eles não irão germinar. Da mesma forma, agricultores que dependam de ajuda humanitária de alimentos arriscam ter uma perda devastadora em seus cultivos se, sem saberem, utilizarem como sementes esses grãos que contêm genes Terminator.


ATUALIDADES
Moratória Internacional Sob Ataque: Em 2000,a Convenção de Biodiversidade das Nações Unidas (CDB) recomendou que os governos não realizassem testes a campo nem comercializassem tecnologias genéticas de esterilização de sementes – desse modo criando uma moratória internacional de facto. Muitos governos, povos indígenas e organizações da sociedade civil têm, repetidamente, apelado à CDB para banir a tecnologia Terminator porque ela ameaça a biodiversidade, os sistemas de conhecimento indígenas, os pequenos agricultores e a segurança mundial de alimentos. Mas, quando o corpo de consultores científicos da CDB se reuniu, em fevereiro de 2005, em Bangkok, a indústria e governos aliados quase conseguiram derrubar a moratória existente. Vazou uma nota revelando que o governo canadense estava preparado para introduzir um texto permitindo testes a campo e a comercialização. O desastre foi evitado devido à intervenção de muitos governos mas a moratória sobre o Terminator está, agora, sob ataque.

É NECESSÁRIO AGIR EM TODOS OS NÍVEIS
Banimentos Nacionais: Fazer campanhas nacionais para banir o Terminator é decisivo – e há precedentes importantes. Em 2005, o governo do Brasil aprovou uma lei que proíbe o uso, a venda, o registro, o patenteamento ou o licenciamento da tecnologia Terminator. O governo indiano baniu, em 2001, o registro de sementes Terminator. Campanhas locais, nacionais e regionais para banir o Terminator irão encorajar os governos a trabalharem no sentido de banir o Terminator internacionalmente.


Fonte: BanTerminator.org




Para maior aprofundamento, leia também o livro da Dr. Vandana Shiva sobre a questão



Mais informação:
Alimentos irradiados
A soja é desnecessária
O arroz transgênico da Bayer
O mundo segundo a Monsanto
Mel de abelhas x melado de cana
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Todos cobaias: o mito da eficiência em transgenia
Agronegócio perde em eficácia para agricultura familiar
Greenwashing é isso aí: Monsanto e Syngenta recebem o Nobel da Agricultura

2 comentários:

Sonia Barbosa Guzzi disse...

Obrigada pela informação.
Grande abraço.
Em divina amizade.

Sonia Guzzi

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Eu é que agradeço, Sonia :-)