quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Terráqueos



"Se você tiver que assistir a um único filme, assista à Terráqueos.", Peter Singer


Documentários sobre libertação animal e a relação criadouros x natureza nunca são fáceis.
Quando postei sobre os filmes da libertação animal, não conhecia Terráqueos. Uma leitora postou sugerindo o filme e encontrei seu site oficial com link para a versão legendada disponível no próprio site.

De todos os filmes sobre o assunto que já assisti, Terráqueos é o mais completo, cobre todas as classes de animais, mostra: pet shops, castração e criadores, circos, curtumes, pesca de baleias e golfinhos, cosméticos e remédios não testados, as (muitas) questões ambientais e nutricionais, além de informação cietífica sobre o sistema nervoso dos animais para derrubar os mitos correntes, como rodeios, eutanásia de animais domésticos abandonados e pesca oceânica. Narrado pelo Joaquin Phoenix e com trilha do Moby, esse documentário com centenas de imagens e citações de famosos, defende que o planeta Terra apóia-se num tripé: natureza, animais e humanidade. Ao homem, cabe justamente proteger os demais, nunca explorar, afinal pertencemos todos a mesma espécie: terráqueos.



Mais informação:
Zoológicos x Reservas
Circo legal não tem animal
Castre seu animal de estimação
Como funcionam testes em animais
Tartarugas não são animais domésticos
Finning - Até quando teremos esse absurdo?
Neurocientistas de todo mundo assinam manifesto reconhecendo que animais têm consciência
Blackfish, o filme - entenda porque parques aquáticos com orcas e golfinhos deveriam ser fechados

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Outras curas


Quem acompanha esse blog, sabe que eu não falo da minha vida pessoal aqui, apenas banalidades sobre receitas de família que adaptei e uma ou outra viagem-compra que valha a pena mencionar, sempre pela visão da sustentabilidade sem fornecer maiores detalhes.

Particularmente não me identifico com blogs que exponham a privacidade de seus autores e me incomoda profundamente quando invadem a minha. Nesse admirável mundo novo, há gente que não busca 15 minutos de fama no grande irmão que a internet virou. Acontece.

Hoje, vou abrir uma exceção.
Eu sou reikiana há 6 anos e, ao longo desse período, fiz todos os níveis em 2 linhagens diferentes: japonesa tradicional (Usui) e havaiana (Karuna). O primeiro nível de Usui veio justamente 2 meses após meu aniversário de 29 anos, em pleno retorno de Saturno.
Atualmente, estou com 35 e vejo como essas curas complementares são importantes, principalmente para evitar que a pessoa recorra à alopatia com tanta frequência.
Em todos esses anos, só precisei tomar remédio em 2 ocasiões, sendo uma delas em cirurgia de emergência para retirada de um cálculo renal.
O reiki me trouxe muitas coisas: chás, cosméticos "verdes", animais adotados e inclusive Guarapiranga e a Korin, o que é uma outra história.

O reiki têm registros em bibliotecas tibetanas e indianas de mais de 5.000 anos, como a acupuntura, o shiatsu, o tai chi chuan e todas as formas de meditação.
Na verdade, um oriental, falaria reiki-dô, como judô e aikidô. O próprio tai chi é visto tanto como uma arte marcial derivada do kung fu, quanto uma forma de meditação em movimento.

É complicado aceitar que a cura de um corpo físico pode ser energética, mas Einstein afirmou na teoria da relatividade que a matéria é só uma forma condensada de energia.
Você pode identificar-se com florais, cristais, homeopatia, ou qualquer outra linha. Comigo, o reiki, o shiatsu e a acupuntura são os mais eficazes.
Yoga pode ser ótimo para alguns, eu fiz 3 aulas e não me afetou. Já o tai chi me deixou exatamente no estado que eu procurava logo na primeira aula.

Hipócrates, considerado o pai da Medicina Moderna, ensinou "faz do alimento teu remédio e do teu remédio tua alimentação".

Quando se fala em cultivos orgânicos, a maioria das pessoas pensa tratar-se de uma novidade, entretanto cultivar um alimento sem agrotóxico significa resgatar uma forma de cultivo agrícola que sempre existiu e foi substituída pela civilização moderna há menos de 200 anos, quando da invenção dos pesticidas sintéticos pela revolução industrial.

Da mesma forma que a indústria farmacêutica fornece sua caixinha de remédios, também monopoliza as sementes de cultivo e controla a produção de agrotóxicos . É um cartel, como qualquer outro.

O hábito de carregar uma necessaire com medicamentos na bolsa ou manter uma caixinha de remédios no banheiro é recente e não está tornando as pessoas mais saudáveis - da mesma forma que a agroindústria não acabou com a fome, apesar de nos ter sido prometido que a substituição da agricultura familiar tradicional era para o bem de todos.

Eu sempre acordei muito inchada, o rosto dolorido e os olhos apertados. Desagradável e aparentemente sem solução. Afinal, devia ser uma tendência natural à retenção de líquidos...
Nos últimos anos, com a mudança de padrão, o problema acabou e eu não notei. Segui vivendo sem perceber que despertava com a mesma cara das 06 da tarde.
Essa semana, com os cardápios de final de ano, comi carne de porco 2 dias seguidos em quantidades normais, acompanhado de carboidratos refinados e acordei inchada novamente. Foi uma sensação estranha, meu rosto disforme no espelho depois de tantos anos.
Pior, além do inchaço, veio um sono e sede incontroláveis, necessidade de 3 litros de água antes de dormir e um sono pesado de mais de 10hrs seguidas. Pela manhã, diarréia.

Lembrei de que todas as religiões codificam a prática alimentar, condenando combinações como carnes com laticínios, carboidratos e proteínas, frutas doces com ácidas e nos lembrando que a gula é pecado capital e o jejum leva à iluminação.

Recordei também do grupo de diabéticos norte-americanos que curou-se adotando uma alimentação de frutas e verduras cruas, no filme Simply Raw, e de muitos conhecidos crudívoros que dizem não precisar de desodorantes e pasta de dentes, seus corpos não cheiram mal.




Algumas pessoas podem ter tolerância maior aos derivados animais, mas a verdade é que o ser humano tem que mamar da própria mãe até os 06 meses e, se possível até os 2 anos. Após, todo leite animal é redundante, principalmente de outras espécies. O leite da vaca foi planejado para alimentar bezerros, animais peludos com chifre e pesando quase uma tonelada.

O consumo de carnes é cultural, principalmente em nosso intestino com 5 metros de comprimento. Carnívoros possuem intestino curto para eliminar rapidamente a carne, que apodrece logo. Um animal que não mata sua caça e não come sua carne ainda quente, crua e ensanguentada, não pode ser considerado sequer carnívoro, mas um carniceiro, como os urubus e hienas.
Se for comer carne, acompanhe sempre com pelo menos 3 vezes a quantidade em vegetais crus com muitas frutas na refeição seguinte. 1 porção de yang se equilibra com 7 de yin. Priorize carnes de produção orgânica, criadas sem hormônios, antibióticos e que pastaram em áreas livres de pesticidas. Nunca coma à noite ou em dias seguidos, nem misture 2 fontes de proteína no mesmo prato como: frango com parmegianna de queijo, bife com ovo "a cavalo" ou feijão com linguiça, carne seca e costela.
Comendo esses pratos, que seja no almoço, com muita salada verde, não acompanhe com um copo de suco grosso e doce (vinhos orgânicos e águas aromatizadas são ideais) e pingue meio limão por cima. O limão, além de deixar tudo delicioso, fortalece o fígado, é rico em vitamina C e ajuda a acelerar a digestão das gorduras de origem animal.

Ninguém consegue digerir mais de 1kg de carne semanal e o que você não digere, acumula.

Ser vegetariano não te transforma num ser humano melhor, nem mesmo em alguém que se alimente melhor. O problema da nossa sociedade atual é a falta de critério aliada ao excesso. Toda a comida do mundo está disponível 24hrs por dia, o que antes era apenas em dias de festa, hoje está em qualquer restaurante a quilo.
A soja não é a solução (nem a margarina), mas 1 bife de 250gr. por dia também não.

Observe que todas as receitas tradicionais de carnes são sempre acompanhadas de muitos legumes, verduras, raízes e até frutas. Como o strogonoff de cogumelos com batatas e arroz, moquecas de peixe com pirão de banana e batata doce, bacalhau em batata, cebolas e pimentão, quibe com arroz de lentilha e pasta de berinjela, leitão com abacaxi e farofa. As carnes, originalmente orgânicas, eram sempre uma pequena parcela num prato multicolorido, até pela insustentabilidade de manter uma aldeia inteira comendo carne diariamente. Se cada um fosse responsável pelo pedaço de terra que cultivaria para alimentar-se, a carne seria um artigo de luxo e não estaria transformando a Amazônia em pasto.
Existem centenas de fontes de proteína na natureza, ainda mais ricas do que a carne, com a vantagem de serem facilmente mais digeríveis. Leia melhor em O mito da proteína.




Por coincidência, estou morando em prédio com piscina e me vi com outro problema que havia sumido desde a minha adolescência: "pano branco", a micose de verão.
Todo ano, quando a temperatura esquentava, meus braços e costas ficavam cobertos de manchas claras. Era "micose de verão" e sumiria em março.
Realmente sumia, mas incomodava, principalmente pelas roupas cavadas que se usam nessa época. E pegar sol não escondia, acho até que acentuava o contraste.
Eu só morava em prédios e casas com piscina, não ia à praia.
Acreditava-se que o cloro da água, matava tudo. Não mata, na verdade, é mais fácil pegar uma micose na piscina da sua própria casa do que numa praia lotada. Água tem que circular.
Quando me tornei adulta, até no final da adolescência, parei de frequentar piscina e ir à praia, onde todos estavam. O "pano branco" acabou e eu tampouco percebi, estava ocupada curtindo meu bronzeado.
Há algumas semanas, resolvi ir à piscina do prédio depois do trabalho. O "pano branco" reapareceu.




3 anos antes de me tornar reikiana, os livros de Sonia Hirsch apareceram na minha vida, como que para explicar as coisas que estavam por vir. Eu lia e não entendia, relia e começava a fazer sentido. Reli centenas de vezes, até virar meu "piloto automático".
Sonia descrevia seu problema de supressão de mesntruação por candidíase com a mudança alimentar. Eu também sofria de supressão de menstruação, mas causada por ovários policísticos. Cheguei a ficar 18 meses sem menstruar naqueles tempos e resolvi tentar, afinal o único tratamento recomendado pela ginecologia convencional era: cirurgia de extração e profilaxia com hormônios anticoncepcionais sintéticos.
Fiz uma ultrasonografia para constatar a existência dos cistos, imensos é claro.
Passei então 3 meses sem ingerir nenhum derivado animal, açúcares refinados e quaisquer produtos industrializados. Foram 3 meses comendo muito arroz integral com feijão acompanhado de saladas cruas e verdes, folhas verde escuras refogadas à mineira (couve, mostarda, agrião, taioba, acelga, espinafre...), farofas de aveia em flocos com banana ou couve e alho dourados no azeite aromatizadobatatas doce e baroa assadas com cebola, alecrim e pimenta calabresaabóbora com shiitakes refogados, macarrão integral com pesto caseiro, missoshirosopas de lentilha ou feijão branco com pimentão, cenoura e muitos verdinhos, sanduíches de salada, pão do Bento com manteigas de legumes, pasta de grão de bico árabe ou guacamole, complementando com gelatinas de algas marinhas em sucos, sucos verdes e muitas geleias caseiras em rapadurafrutas cozidas, mousses de fruta sem açúcar, cremes de abacate sem leite (até com cacau, como mousse de chocolate), smoothies, além do sanduíche do Elvis Presley adaptado em pão integral ou tapioca, é claro. Comia divinamente, me diverti durante o processo, reaprendi a cozinhar e até hoje não sei o que é comprar uma lata de creme de leite, um saco de farinha ou açúcar branco.

A menstruação veio normalmente.
Esperei o ciclo acabar e fiz nova ultrasonografia, os cistos haviam desaparecido.

Voltei a me alimentar com menos rigor, mas sem carnes e açúcares, e mantive o ciclo menstrual apesar dos hormônios dos ovos e lácteos e de toda a química dos agrotóxicos.
Com o tempo, a menstruação começou a falhar novamente.
Os meses passaram e fui fazer o nível 3 de reiki Usui. A mestra resolveu ensinar à turma como fazer uma técnica conhecida como "cirurgia". Fui a voluntária e instintivamente a mestra em reiki colocou as mãos sobre meu ovário comprometido, comentando "deste lado está mais pesado".
Realizou a "cirurgia" falando com a turma durante todo o processo e obviamente, no dia seguinte, menstruei naturalmente.

Até hoje, quando minha menstruação vacila, eu recorro ao reiki, regulo a alimentação e ela volta.




No primeiro livro que comprei de Sonia Hirsch, "Só para mulheres", há uma indicação de um emplastro de inhame com gengibre na proporção de 10 partes de inhame para cada uma de gengibre ralando tudo à mão, que seria o emplastro "puxa-tudo". Se aplicado em local complicado, teria a propriedade de puxar cistos, tumores, verrugas, unhas encravadas e o que mais fosse de estranho no corpo. Na verdade, não existe um remédio para unha encravada, a não ser deixar a vítima com o pé inchado até a unha crescer e poder ser arrancada sem anestesia.
Eu sempre tive unha encravada, num único dedo do pé, desde criança. Minhas primeiras lembranças das aulas de balé são justamente de tirar a meia calça e a mesma estar manchada de sangue onde a sapatilha escondia. Doía muito e as vezes, eu ficava mancando sem conseguir apoiar o pé no chão.
Resolvi então tentar o emplastro quando a unha encravou e logo no dia seguinte, o dedo havia desinchado, estava molinho e sem "ferver" como ficava quando das inflamações.
Coloquei o pé de molho e lá estava um pedacinho solto, doido para sair, puxei normalmente com a tesoura e o dedo não doeu o resto do dia. Pinguei água oxigenada líquida para evitar qualquer infecção, ou mesmo uma micose e a unha ficou sadia.
O emplastro não curou a tendência daquela unha crescer torta encravando, mas sempre que ela encrava, é ao emplastro que eu recorro para extrair uma carne esponjosa que inflama e cheira mal. Sem dor, nem pomadas anti-inflamatórias, como eu usei a infância toda.

Anos depois, já com esse blog e conversando com Sônia pelo blog dela, uma esteticista, Cida Comotti apareceu contando que usava esse emplastro em seus tratamentos estéticos, afirmou ter curado casos de acne sem qualquer medicação, afinal o emplastro é do tipo que "puxa-tudo". A conversa rendeu e ela criou um blog para si, o blog da Cida, onde inclusive ensina a fazer esse emplastro de inhame com gengibre de uma maneira mais simples: batendo tudo no liquidificador com um pouco de água.
Tentei e achei uma maravilha, ralar inhame cru não é mole e a própria consistência do emplastro ralado não era das mais simples de aplicar. Com a mudança para o liquidificador, você chega a uma consistência de creme, basta aplicar no local, enrolar com gaze e esperar até o dia seguinte.
Se ficar muito líquido, basta juntar farinha ou argila para dar liga.
Uma das clientes da Cida contava ter conseguido livrar-se de manchas de sol com esse emplastro, gostei da ideia e resolvi aplicar no rosto para tentar me livrar das minhas rosáceas. Funcionou, é claro.
E a pele ainda ficou ótima, foi o melhor peeling que já fiz. O passo a passo aparece na postagem específica para O emplastro de inhame com gengibre (e argila)




Mais informação:
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Empresa japonesa instalada no Aquífero Guarani exporta água engarrafada

Mais uma empresa secando nossas fontes, a japonesa Anew, que vende por marketing direto para todo o mundo, instalou suas instalações exatamente no terreno acima do Aquífero Guarani, aquele mesmo cuja potencial é capaz de suprir a humanidade pelos próximos 2 séculos.

Veja também o que a Nestlé já fez em São Lourenço e a Ypioca, na reserva indígena do Ceará.

Hidropirataria é crime ambiental, cuja fiança é paga pelo consumidor e morador da região.
Leia melhor sobre o assunto no post acerca do premiado documentário Flow, por amor à água - que retrata a degradação da biodiversidade causada pela desertificação após instalação de indústria de bebidas em uma região.

Observe que a Anew exporta água mineral e divulga seus produtos numa área do site chamada "santuário".
Aquela água engarrafada em plástico é sagrada para quem?

Leia sobre a toxidade de embalagens plásticas e seu composto Bisfenol-A, que vem sendo banido em países desenvolvidos. Veja também a animação sobre a indústria da água engarrafada e o movimento de estabelecimentos que defendem a água na jarra gratuita em bares e restaurantes, reduzindo o lixo urbano e ainda garantindo à população seu direito inviolável de matar a própria sede.

Cada garrafinha de água mineral consome 8 vezes o seu peso final em petróleo para ser produzida.

O comércio de água engarrafada é um dos maiores crimes ambientais do nosso tempo, além do excesso de lixo pelas garrafinhas plásticas, a água mineral comercializada é quase um produto artificial em função dos minerais serem adicionados sinteticamente, já que as fontes minerais originais terem secado tamanha a demanda. Some a tudo isso o crime de hidropirataria, que ninguém rastreia, afinal a fábrica instala-se em área de concessão pública, conta com isenção de impostos porque gera empregos, seca as fontes de água locais, puxa mais água dos lençóis freáticos do entorno para nos vender a mesma água com minerais adicionados sinteticamente e embalada em plástico que será transportado em caçamba de caminhão. Pior, quando as fontes secarem, os donos da mesma fábrica (ou acionistas majoritários e CEO´s) simplesmente abandonam aquelas instalações fabris, a essa altura obsoletas, para instalar-se em outro local, com isenção de impostos, é claro. Às populações locais, sobram instalações fabris abandonadas, desemprego estrutural, exército reserva de mão de obra super capacitado, solos desertificados e fontes secas.

Pense ainda que uma empresa que vende um produto engarrafado em plástico deveria ser responsável pela logística reversa da reciclagem dessas garrafinhas, de acordo com a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Estou deixando abaixo muitos links sobre todos os assuntos abordados, sugestões de filmes, outros casos de hidropirataria com processos judiciais movidos em Ação Popular pela própria população e sugestões para países com problemas de potabilidade, como o Brasil.

Mais do que nunca, é imprescindível entender que para cada litro de bebida pronta (refrigerante, chá, suco e cerveja), são consumidos em média 5lts de água. O custo indireto desse desperdício não pode ser repassado ao consumidor, afinal 1lt de mate (ou guaraná) não pode custar R$10,00, é inviável comercialmente - mas a longo prazo, a população do entorno das fábricas paga um preço muito mais alto. Hidropirataria é o crime ambiental que ninguém rastreia.

Lembre sempre que cada garrafinha de água mineral consome 8 vezes o seu peso em petróleo para ser produzida e que muitos restaurantes já aderiram ao movimento Água na Jarra, cedendo ou cobrando barato por uma jarra de água potável. Leia sobre o movimento e estabelecimentos que aderiram, na postagem "Água na jarra: estabelecimentos e receitas de águas aromatizadas".

Garantir água potável a todos é um direito constitucional e inalienável - é inaceitável desenvolvermos tecnologia nuclear antes de erradicar a mortalidade infantil.
Uma sociedade que empurra as próprias fezes com água doce, mas que em contrapartida compra água mineralizada quimicamente, tem problemas muito maiores e mais prementes do que autossuficiência em petróleo e urânio.



Para entender em números esse comércio criminoso:
"Por meio de ações publicitárias globais, o setor de água engarrafada, por exemplo, ajudou a criar a impressão de que água na garrafinha é mais saudável, mais saborosa e está mais na moda do que a boa e velha água “torneiral”, mesmo quando estudos demonstram que algumas marcas de água engarrafada são menos seguras do que água da rede e custam de 240 a 10 mil vezes mais. A indústria de água engarrafada movimenta hoje US$ 60 bilhões e vendeu 241 bilhões de litros de água em 2008, mais que o dobro da quantidade vendida em 2000. "

Fonte: Atlas WWI - Estado do Mundo 2010





Segue material promocional retirado diretamente do site da empresa:

Originária do aquífero Guarani, o maior reservatório de água potável do mundo, e captada na fonte Arigatô, localizada no Centro Mundial do Movimento Anew, a Água Anew é natural e pura. Tem baixa concentração de sais dissolvidos (28,62mg/L) e baixíssimo teor de sódio (apenas 0,196 mg/L), características fundamentais para que uma água mineral seja leve e de excelente qualidade. Com instalações modernas que garantem a qualidade desde a captação até o processo de envasamento, a Água Anew passa constantemente por controle de qualidade para atender ao padrão do mercado internacional - sendo, inclusive, a primeira água do Brasil a ser exportada para o rígido mercado japonês.




A imagem foi retirada do site de uma loja japonesa que comercializa o produto sem nos pagar um centavo.


Mais informação:
Flow, por amor à água
A história da água engarrafada

Beber água pura não deveria ser caro
Quanta água existe de fato no planeta?
Ouro Azul: A guerra mundial pela água
A hidropirataria continua em São Lourenço
Consumo de água x aumento da população urbana

Quando a sustentabilidade me deixou na mão 02: filtro de barro
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável
Nestlé mata Água Mineral em São Lourenço - a PureLife é uma água química

Carta de São Paulo, Recursos hídricos no Sudeste: segurança, soluções, impactos e riscos

domingo, 19 de dezembro de 2010

Principais pontos do primeiro atlas ambiental para América Latina e Caribe

Traduzi pessoalmente os principais pontos encontrados pelo PNUMA e desmonstrados no primeiro atlas ambiental para América Latina e Caribe.


O Estado do Meio Ambiente na Região: Principais Questões

Crescimento urbano: A ausência de planejamento urbanístico apropriado criou os maiores problemas das cidades da região. As cidades da América Latina são as mais compactadas do mundo, com a mais alta densidade populacional presente em centros urbanos, apresentando como principais desafios a gestão do lixo urbano gerado e o controle do desperdício de água.
Degradação da Terra: Apesar da região ainda apresentar vegatação luxuriante e hospedar a maior biodiversidade do planeta, a degradação da terra, incluindo áreas de desertificação e erosão de solos e costas são evidentes ao longo de todo o continente. A desertificação hoje afeta mais de 600 milhões de hectares nos biomas áridos, semiáridos e subtropicais de toda a região.

Profundas mudanças em métodos agrícolas tradicionais:  O uso da terra para fins agrícolas cresceu a uma taxa de 0,13% ao ano, entre 2003 e 2005, resultando na perda de florestas e outros habitats. Essa mudança tem sido acompanhada por outra ainda mais profunda: principais culturas alimentares como a batata, mandioca, arroz e trigo declinaram, embora tenha havido um aumento de culturas voltadas para combustível, indústria e alimentação de rebanhos.

Mineração: De todas as regiões do mundo, a América Latina dedica a maior parte (23%) de seus orçamentos para a exploração da mineração. Mais de US$10 bilhões são investidos todos os anos em atividades de mineração na região, o Chile representa aproximadamente 20% do total.

Água doce: A região é responsável por mais de 30% de toda água doce disponível no planeta e cerca de 40% dos recursos hídricos da região são renováveis. A pressão exercida pelo uso agrícola tem aumentado constantemente desde meados de 1990 e as áreas irrigadas duplicaram entre 1961 e 1990.

Geleiras: De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a maioria das geleiras tropicais na região vão derreter entre 2020 e 2030. Os glaciares sul-americanos são uma fonte vital de água para uso doméstico, agrícola e industrial.

As zonas costeiras: Uma grande porcentagem da população da região e suas  respectivas atividades econômicas estão concentradas nas zonas costeiras. Turismo, crescimento urbano sem planejamento, águas residuais urbanas, industriais e da aquicultura estão entre os fatores responsáveis pela degradação dos ecossistemas costeiros, como manguezais, pântanos e recifes de coral.

Florestas: O desmatamento é generalizado e, em alguns lugares, galopante. De acordo com a Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), a América Latina e o Caribe perdera cerca de 43.500 km2 de florestas por ano entre 2000 e 2005. Isso corresponde a uma perda anual maior do que a superfície da Suíça. O desmatamento mais grave está ocorrendo na América do Sul, particularmente na Amazônia brasileira, apesar de esforços recentes que têm reduzido a taxa anual de desmatamento no ecossistema.

Desastres naturais: O número de pessoas afetadas por desastres naturais como enchentes e inundações vêm aumentando na região desde 2000. Entre os anos de 1995 e 2006, aproximadamente 20 milhões de pessoas foram afetadas por essas ocorrências, particularmente eventos como furacões.


Conclusão:
A América Latina e o Caribe são regiões naturalmente ricas ambientalmente. Entretanto, esse meio ambiente vem sendo degradado e deteriorado. Conforme demonstrado no Atlas, o mais crítico dos problemas é o crescimento urbano acelerado e desordenado sem qualquer planejamento, defesa do clima, reflorestamento, alterações climáticas, perda da biodiversidade e degradação das áreas costeiras.


Veja também todos os mapas, infográficos e baixe gratuitamente o Atlas


Mais informação:
Atlas do Greenpeace sobre a geopolítica do petróleo

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Hidropirataria: cachaçaria certificada como orgânica seca lagoa de reserva indígena




EMPRESA YPIÓCA SEGUE RETIRANDO ÁGUA EM ÁREA INDÍGENA

Bombas lacradas pelo IBAMA continuam a ser utilizadas impactando Lagoa da Encantada

Equipe da FUNAI da CR de Fortaleza conversa com a cacique Pequena, liderança Jenipapo- Kanindé na Lagoa da Encantada em Aquiraz/CE


Uma equipe de fiscalização da Coordenação Regional da FUNAI de Fortaleza, acompanhada de agentes da Polícia Federal, esteve na aldeia Jenipapo-Kanindé da Lagoa da Encantada (Município de Aquiraz), para apurar denúncia de utilização indevida — pela empresa Ypióca Agroindustrial — de recurso não-renovável em terra indígena.

Cônjuge da cacique Pequena, Antônio explica que a lagoa nunca secou, mas seu volume está sendo rapidamente diminuído devido à captação ininterrupta de água

Segundo informações da comunidade, o IBAMA lacrou as bombas que retiravam água da Lagoa da Encantada, localizada no território Jenipapo-Kanindé, mas a empresa violou o lacre e segue utilizando os equipamentos para a extração do líquido.

Duto de bomba instalada em área delimitada como território Jenipapo-Kanindé


Ao retirar água nessa escala, a Ypióca, que provavelmente usa o líquido para irrigação do canavial vizinho à T.I., vem reduzindo severamente o volume da lagoa, que já apresenta amplas áreas secas e com lama.

Perímetro antes ocupado pela lagoa vem sendo reduzido devido à drenagem

Entre as informações ainda a serem apuradas, a Ypióca teria assinado um Termo de Ajustamento de Conduta junto ao Ministério Público Federal, permutando o uso das bombas pela construção de um açude — obra que teria sido intermediada pela administração municipal de Pindoretama.

Motor elétrico de uma das bombas que está extraindo água de lagoas em Terra Indígena

Mesmo estando pronto desde 2002, o açude, que recebeu o nome Malcozinhado e foi construído em Cascavel, não teve sua água ainda utilizada pela empresa.

Bomba instalada pela Ypióca teria sido lacrada pelo IBAMA, mas o lacre foi retirado pela empresa à revelia do órgão


Enquanto isso, a comunidade Jenipapo-Kanindé teme pelo esgotamento do seu recurso hídrico e vem apelando ao bom senso do empresário Everardo Telles que, à frente do Grupo Ypióca, mantém uma reserva ecológica particular na T.I. da Lagoa da Encantada: a lagoa está desaparecendo.

Fiscalização constatou uso da lagoa para pesca e consumo dos indígenas

Após a reunião na aldeia, a FUNAI encaminhou a denúncia formulada pela comunidade indígena, recebida através da liderança Cacique Pequena, ao Ministério Público Federal, para que seja embargada a retirada indevida da água, através do desligamento definitivo das bombas.

Vala aberta para facilitar acesso da água da lagoa à drenagem



Foram cobradas também pelos Jenipapo-Kanindé, com urgência, as contestações da Diretoria Fundiária da FUNAI em Brasília, referentes à demarcação da Terra Indígena em Aquiraz. A demanda foi comunicada à CGID-Coordenação Geral de Identificação e Delimitação em atenção à coordenadora Leila Sotto Maior, enquanto a comunidade aguarda um posicionamento do órgão.

Com a progressiva redução do nível da água, foram cavadas mais valas para conduzir o líquido até onde fica a bomba
O açude Malcozinhado foi construído no vizinho Município de Cascavel, em área desapropriada que abrangeu 239 lotes, atingindo 191 proprietários e 69 moradores (65 famílias), a um custo por família de R$ 7.492. Sua capacidade é de 11 milhões de metros cúbicos de água, com a altura máxima de 17,08m*.

Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH ago/2010)
Entre os representantes da comunidade da Lagoa da Encantada, figuram também os indígenas Eraldo Álvio (filho da cacique Pequena), Raimundo Manoel Sabino, da coordenação local da APOINME, a presidente do Conselho Jenipapo-Kanindé Maria da Conceição Alves Sabino (filha da cacique Pequena e esposa de Manoel), Maria de Lurdes Alves da Conceição e Juliana Alves, a cacique Irê.

Cacique Irê e lideranças femininas reuniram assinaturas em documento que faz apelo urgente ao Ministério Público Federal
As fotos mostram que a empresa Grupo Ypióca mantém duas bombas funcionando diuturnamente, drenando as lagoas da Encantada e do Tapuio, que se encontram dentro da delimitação das terras Jenipapo-Kanindé. As bombas são monitoradas por funcionários que, segundo os indígenas, patrulham armados os equipamentos.

Bomba elétrica extrai dezenas de milhares de litros d'água diariamente

Em 2005, conforme informam os indígenas, o IBAMA-Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis lacrou o maquinário. “Porém, assim que os fiscais foram embora, os funcionários da Ypióca retiraram o lacre e religaram as bombas d’água, que estão lá trabalhando até hoje”, afirma a cacique Irê, também filha da cacique Pequena.

Bomba a diesel envia água da Lagoa do Tapuio para bomba elétrica, a centenas de metros
Em visita à área, servidores da FUNAI e os agentes da Polícia Federal constataram o pleno funcionamento de duas bombas em território indígena delimitado e constataram que foram reabertas as valas cavadas pelos funcionários a serviço da Ypióca, para facilitar o escoamento da água da Lagoa da Encantada, que se encontra parcialmente seca devido à retirada ininterrupta ou intermitente de água.

Manuel Carlos e Cícero Grangeiro afirmaram ignorar as irregularidades e o impacto ambiental causado

Entre esses funcionários, vestindo uniforme com a identificação “Pecém Agroindústria Ltda.”, foi identificado o técnico agrícola Cícero de Macedo Grangeiro, residente em Pindoretama. Usando uniforme azul com a inscrição “Ypióca”, o controlador da bomba maior, movida a eletricidade, Manoel Carlos Amorim, que reside na área, afirmou que as bombas trabalham dia e noite, sem interrupção.

Funcionários da Ypióca divergiram quanto ao ritmo de funcionamento das bombas

Já o técnico de manutenção Flávio José Lima dos Santos, residente em Baixa Grande (município de São Gonçalo do Amarante), afirmou que “as bombas passam 40 minutos ligadas e cinco horas desligadas”. O responsável pelo serviço, de nome Wilde, foi convidado por celular a comparecer ao local, o que não ocorreu.

Cícero Grangeiro e Flávio Lima dos Santos atuam na área pela empresa
Outra informação ainda partiu do encarregado da bomba a diesel, que drena água da Lagoa Tapuio, Ivanir de Araújo Sousa, que definiu o horário de funcionamento das bombas como sendo “das 5 da manhã às 17 horas, diariamente”. Todos foram, porém, unânimes em declarar que não sabiam que o trabalho que vêm fazendo contraria determinação do IBAMA e está sendo realizado em Terra Indígena, à revelia da decisão da comunidade Jenipapo-Kanindé.

Duto metálico conduz água bombeada da Lagoa do Tapuio até a bomba elétrica

Com tudo isso, os índios encontram-se reunidos na área da lagoa, apoiados também por representações das etnias Tapeba, Pitaguary e Anacé. Organizados, estão buscando fazer valer seus direitos junto à Procuradoria Regional da República, ao Ministério Público Federal e ao IBAMA, visando proteger a área contra a ação predatória da Ypióca. Além do esgotamento iminente da lagoa, sua preocupação reside no avistamento dos funcionários do Grupo Ypióca portando espingardas e radiocomunicadores, evidenciando disposição para um conflito.

Vigia da bomba a diesel Ivanir Sousa negou que os funcionários portem armas de fogo: "Minha arma é Deus"

Segundo depoimento dos índigenas à Polícia Federal, a empresa ameaça trazer tratores para ampliar a vala que drena a água de uma parte da lagoa mais distante, que ainda conserva seu volume. A água das lagoas é provavelmente utilizada para irrigação e lavagem de cana-de-açúcar e na fábrica de papelão do Grupo Ypióca, situada a uns 6 km da Lagoa da Encantada.

Eraldo mostra vala aberta pela empresa para conduzir água até a bomba

“Inaugurada em 1992, em Pindoretama/CE, a Pecém Agroindustrial Ltda. utiliza o bagaço de cana como componente para a fabricação de papel e papelão. A unidade fabril tem capacidade para produzir 70 toneladas/dia de bobinas de papel e caixas impressas. O processo de fabricação consiste em misturar papel reciclável ao bagaço da cana e à água tratada, formando uma massa que, depois de limpa e filtrada, é refinada para tornar-se fibra de celulose.

Água da lagoa corre em direção ao mar, distante cerca de 1,5 mil metros, mas vala de drenagem inverteu seu curso e o líquido desapareceu

“Depois, a fibra novamente agrupada passa por uma espécie de mesa. Nessa fase, o material ainda se encontra com 98% de água. Em seguida, é distribuído em uma esteira com tela, onde a água excedente é extraída. Posteriormente o líquido é secado à temperatura de 130 graus. Parte da produção das caixas é utilizada para acondicionar produtos das marcas Ypióca e Sapupara, sendo o restante vendido para terceiros”.

Fonte: Ypioca 


Jenipapo-Kanindé precisam impedir que o corpo d'água desapareça, impactando sua sobrevivência e a de vários ecossistemas na área

A retirada de água ilegal da Lagoa da Encantada já foi denunciada pelo jornalista Norbert Suchanek no jornal semanal Freitag, publicado em Berlim, Alemanha, em 12.01.2007, sob o título Racismo Ambiental em Selos Orgânicos - Cachaça Ypióca ameaça lagoa de Indígenas.

Também exibido no site www.norbertsuchanek.org, o texto original foi suprimido, segundo o prof. e Ph.D. Jeovah Meireles, do Curso de Geografia da UFC, assessor dos Grupos de Trabalho que operam a delimitação de áreas indígenas, por pressões de advogados da Ypióca.

Em meados de dezembro de 2006, após a ameaça à lagoa se tornar pública, o Instituto Biodinâmico-IBD — associação que atua na inspeção e certificação agropecuária, de processamento e de produtos extrativistas, orgânicos e biodinâmicos — suspendeu o "selo orgânico" que havia concedido à Ypióca, alegando "problemas técnicos".

"Os Jenipapo-Kanindé que vivem em Aquiraz, na comunidade Lagoa da Encantada, somam cerca de 300 indivíduos, agrupados em 80 famílias. Seu território encontra-se delimitado e identificado, faltando contudo ser demarcado e homologado. Os indígenas precisam das contestações da CGID da FUNAI para solucionar o impasse.

"A etnia Jenipapo-Kanindé está entre as que primeiro levantou a bandeira étnica no Ceará, ainda na década de 1980, junto aos Tapeba, Pitaguary e Tremembé. De acordo com relatos orais, seus antepassados viviam em várias comunidades do Município de Aquiraz, como a Lagoa do Tapuio, o Córrego de Galinhas e o Córrego de Bacias, entre outras. Os mais antigos da comunidade localizam no século XIX a chegada de seus ancestrais à Lagoa, sendo a chamada 'Seca dos três Oitos' lembrada como data de referência na memória da comunidade.

“Desde 1995 a cacique Pequena, como é conhecida a senhora Maria de Lourdes da Conceição Alves, hoje com 65 anos, lidera a etnia na luta pelo cumprimento dos direitos indígenas, pela demarcação de suas terras e em defesa da Lagoa da Encantada, constantemente ameaçada pela especulação e pela poluição.”

(Da página web do Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza)

Cacique Pequena alertou a comunidade reunida para a ameaça de sumiço da Lagoa da Encantada

“A lagoa é uma Grande Mãe, que dá vida aos índios e aos não índios, que aqui vêm pescar para matar a sua fome. Não pode ser tratada dessa maneira”, pontuou a cacique Pequena às lideranças Jenipapo-Kanindé.



INFORMAÇÕES ACESSÓRIAS

1. “A reestruturação da FUNAI no Ceará transformou o antigo Núcleo de Apoio Local numa Coordenação Executiva Regional, com a ampliação no número de funcionários, equipamentos, viaturas e recursos necessários para atender às grandes demandas dos povos indígenas no Estado, distribuídos em 17 municípios de várias regiões. O atual presidente do órgão, Márcio Meira, veio reforçar a necessidade de apoio às causas indígenas, especialmente nas questões originadas dos conflitos pela demarcação das terras.

“Porém, a morosidade dos processos de demarcação das terras indígenas no Ceará, após o término dos estudos de identificação e delimitação das terras indígenas no Estado, aliada à falta de fiscalização nas áreas indígenas, culminaram com situações como a que se apresenta na Lagoa da Encantada em Aquiraz.

“De acordo com Preto Zezé (Francisco José Pereira de Lima), coordenador da CUFA-Central Única das Favelas do Ceará, as comunidades históricas de Fortaleza sofrem com a ‘invisibilidade’ de suas carências, conformando o fenômeno conceituado como ‘racismo ambiental’, que impede tais grupos de obter espaço adequado para manifestarem suas crenças locais. ‘Os grandes grupos econômicos não entendem que progresso algum paga os recursos naturais e o território, fundamentais para essas populações garantirem sua história, sua identidade, seus vínculos afetivos e a reprodução da vida social e cultural’, descreveu o coordenador da CUFA-CE, em sua apresentação no I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, realizado em novembro de 2005 no Campus do Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, situada em Niterói/RJ.”

Texto publicado em AATR


2. “Fundamentando a denúncia de exploração dos recursos naturais dos índios pela Ypióca Agroindustrial Ltda. já acolhida pelo Ministério Público Federal, tem-se que o grupo indígena Jenipapo-Kanindé, que habita a Lagoa da Encantada, no município cearense de Aquiraz, aguarda a demarcação da terra indígena, identificada e delimitada com 1.086,62 hectares.

“Este grupo, junto com outras comunidades tradicionais, sofre os impactos ambientais e as pressões econômicas ligadas à empresa Ypióca Agroindustrial Ltda. (que produz e destila cana-de-açúcar para fabrico e distribuição da cachaça de mesmo nome e outras marcas). A empresa situa-se entre Fortaleza e Aquiraz, ocupando grande parte do entorno da Lagoa da Encantada, área de relevância que traduz a história e a cultura dos índios Jenipapo-Kanindé.

“Foi noticiado que a empresa perdeu em janeiro/fevereiro de 2007 o ‘selo orgânico’ concedido pela seção brasileira do Instituto von Demeter, em conseqüência de denúncia formulada pelo professor Jeovah Meireles, da UFC. Esta entidade é reconhecida internacionalmente na estipulação de ‘bio-selos’, como são chamadas essas certificações. Ocorre que a Ypióca é acusada por várias instituições — inclusive pelo Ministério Público Federal — de causar danos como a eutrofização (proliferação de algas que consomem nutrientes e oxigênio dissolvido, promovendo a mortandade de peixes) e a poluição bioquímica contínua da Lagoa da Encantada.

“A empresa também promove a retirada de água potável do mesmo 'poço encantado' durante 24 horas diariamente e polui os lençóis freáticos das regiões próximas, prejudicando o abastecimento e a agricultura das comunidades que margeiam a Lagoa. A empresa chegou a ameaçar um jornalista alemão que publicou matéria divulgando irregularidades.

“Insatisfeita com as repercussões transcontinentais do texto, os empresários do destilado de cana cearense ameaçaram levar a publicação digital e o jornalista às cortes judiciais da Alemanha e da Europa, para que a matéria jornalística fosse censurada e o jornalista, punido. A notícia circulou na rede em 7 de fevereiro de 2007”.

Fonte: PRCE MPF 

3. “A Ypióca, com 4 mil hectares de lavoura, gigante produtora e exportadora de aguardente de cana, proclamou 40 hectares nas proximidades da Lagoa Encantada como “área de proteção da Mata Atlântica”. Mas o cientista Jeovah Meireles, professor da UFC-Universidade Federal do Ceará, afirma que a Ypióca explora e polui as reservas de água dos índios locais e está destruindo o ecossistema da lagoa, retirando sua água sem interrupção, para irrigar sua monocultura e contaminando, através dos efluentes de suas empresas, as reservas de água dos índios Jenipapo-Kanindé.

“Há quatro anos trabalhamos em estrita cooperação com os Jenipapo-Kanindé", informa Meireles. “A lagoa é sua base ecológico-cultural”. A exploração dos recursos aquíferos pela Ypióca está ameaçando a sobrevivência física e cultural deste povo indígena, fato que já levou os nativos a denunciarem a empresa. Não obstante, o Instituto Demeter brasileiro, o Instituto Biodinâmico (IBD) contemplou a cachaça Ypióca com um selo orgânico, visto que a empresa também aplica as bionormas em uma pequena parte de sua monocultura de cana-de-açúcar, aproximadamente dez por cento. Na sequência, a Ypióca teria perdido o selo por “motivos técnicos”, segundo a justificativa do biocertificador brasileiro. O instituto sujeitou, a partir de então, a produtora de álcool a uma fiscalização minuciosa que incluiu o problema da lagoa e sua população indígena."




Mais informação:
Boteco, o filme
Como funcionam os aquíferos
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
A história da água mineral engarrafada
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Hidropirataria nas fontes de São Lourenço seca as fontes termais
Outra reserva indígena ameaçada em nome do desenvolvimento: Belo Monte
Flow, documentário premiado retrata desertificação após saída da fábrica de bebidas
Awás lutam contra a destruição dos madeireiros no que restou da Floresta Amazônica do Maranhão
A sombra de um delírio verde: a luta da maior tribo indígena do país para salvar suas terras da monocultura de cana para o etanol "verde"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Natal Sustentável


Hoje é dia de Nossa Sra. da Conceição, tradicionalmente o dia de armar a árvore de Natal e arrumar a casa, para desmontar tudo em 06 de janeiro, dia de Reis Magos.
Mas atualmente ninguém liga mais para o que a vovó fazia e o comércio já está todo enfeitado desde outubro.

É provavelmente o feriado que mais vende e certamente o que mais mobiliza o comércio e indústria, pela abrangência de itens de consumo - independente da religião, todo mundo comemora o Natal.
Natal lembra de cara shoppings e supermercados lotados, famílias enlouquecidas e um mundo de comida, bebida... e desperdício, é claro.

Em primeiro lugar: a segurança da residência e seus membros:
Não faça da sua casa uma alegoria natalina com mini-lâmpadas chinesas, além de cafona e caro, você pode causar um incêndio que tome o edifício inteiro. Se não consegue viver sem as luzes natalinas, desligue tudo ao sair de casa e ir dormir.

Não acredita? Assista ao vídeo abaixo de como uma árvore de Natal doméstica incendeia uma sala em 5 segundos.





O Natal mais bonito que passei foi justamente o mais simples e incomum. Morava sozinha e longe de minha família. Na noite do dia 24, fui com minha melhor amiga, que estava na mesma situação, à Missa do Galo na Catedral mais próxima de casa. De lá, seguimos após a missa (lotada e muito bonita) com um grupo de voluntários daquela congregação para uma atividade de distribuição de lanche e presentes à moradores de rua. Chegamos em casa tarde, depois de meia-noite - aparentemente ninguém ligava para Ceia e foi uma experiência tão marcante, que entrei em definitivo para o grupo e passei a fazer a distribuição semanalmente.
O Natal é a melhor época para acessar esse grupos, além de precisarem de mais voluntários, algumas atividades só acontecem nessa época do ano. Orfanatos e asilos de idosos sempre precisam, alguns hospitais também.






Todos os meus amigos com filhos reclamam como as crianças estão cada vez mais preguiçosas e consumistas. Concordo plenamente, mas acredito que nós adultos somos os maiores responsáveis por esse quadro. Criar um filho pode ser cansativo e desgastante, especialmente quando os pais trabalham o dia todo e deixar a criança se entreter na frente da tv, internet ou um game, é muito mais fácil do que levar para andar de bicicleta, jogar bola, surfar ou mesmo um passeio cultural como bibliotecas e exposições.

Para tirar uma criança (e muitos adultos) da frente da tv, nada como um bom livro. Sebos vendem coleções inteiras por 10% do valor comercial e ainda colaboram para reduzir o desmatamento. Atualmente os livros são impressos em papel oriundo de madeira de reflorestamento, mas atente que o reflorestamento de eucalipto é um mito que está transformando o pouco que restou da mata atlântica em outra monocultura.
Aproveite e leve as crianças no Sebo, você pode se surpreender como um livro é muito mais poderoso do que um game e os funcionários são sempre uns amores, adoram o que fazem, ao contrário do caos do shopping entupido.






A postagem "Para Brincar" traz dezenas de dicas de brinquedos sustentáveis e feitos em casa envolvendo as crianças na confecção, brinquedos a partir de material reciclado para desestimular o consumo de brinquedos industrializados novos e cada vez mais descartáveis. Por que não aproveitar para transformar todo esse processo: reciclagem de material, confecção do brinquedo e "inauguração" da instalação num novo ritual de Natal que pode começar semanas antes da festa? Esse envolvimento pode trazer uma nova dimensão ao ato de consumir e assim, fazer com que as crianças mudem sua ótica de maneira lúdica.





Outras atividades que podem reunir pessoas nos dias anteriores são a arrumação da casa e o desenvolvimento de alguma atividade assistencial.
A arrumação da casa pode e deve ser feita com materiais reciclados e biodegradáveis. Um pinheiro natural, se morar em casa com uma casuarina plantada, ou mesmo a arrumação de uma planta maior, como um ficus ou a árvore da felicidade de sempre com fitas feitas de retalhos de tecidos, flores, anjos e origamis de papel reaproveitado, muitas flores desidratadas e a base da árvore toda em pedras e pinhas. Que tal uma estrela de gravetos ou arame retorcido no topo?
Nada mais fora de moda do que aquele pinheiro de plástico com um pano vermelho escondendo os pés e uma profusão de enfeites plásticos mofados.




Todas as árvores desse post, exceto a que pegou fogo obviamente, foram feitas em material reciclado, encontradas no google images com busca por "árvore natal ecológica" e baixadas de sites de design.
As árvores de natal em cardboard de papelão, totalmente dobráveis, vêm se mostrando como uma tendência e podem ser um brinde de final de ano muito simpático para empresas em geral.





As dicas do Instituto Akatu para um Natal sem presentes: Faça trabalho voluntário; Faça presentes consumíveis, asse um bolo ou biscoitos; Ponha-se a serviço dos outros como presente: faça uma massagem, tome conta das crianças de um amigo, lave o carro, limpe a casa, corte a grama, etc.; Compre presentes usados em lojas do tipo brechó; Dê para os outros seus objetos ociosos (uma boa máquina de costura, etc.)


No Dia dos Namorados, deixei muitas sugestões de presentes (e passeios) sustentáveis, as mesmas continuam valendo:

Não compre um celular novo, cada aparelho produzido consome metade dos metais conhecidos pelo homem listados na tabela periódica. Já existem mais celulares do que pessoas no mundo, não contribua para que essa contabilidade piore.

Bicicleta é um presente ótimo, acaba com o sedentarismo e aproxima a família. 1 bicicleta a mais = 1 carro a menos.

Vinhos e bebidas orgânicas, meu pai ganhou uma garrafa de Limoncello italiano de cultivo orgânico quando fez 60 anos. As cachaças também são ótimas.

Não dê flores em vasos, Flores não são verdes - Que tal um vasinho com mudas de ervas aromáticas? Estimule a horta caseira na casa do outro, quem cozinha pode adorar.

Cosméticos e perfumes biodegradáveis e não-testados em animais, das melhores marcas, são o sonho de qualquer mulher com mais de 9 anos de idade.

Se o presenteado tem um hobby ou coleciona algo, digamos que seja louco por futebol, uma camisa da seleção ou do time do coração, de época e autografada pode ser facilmente comprada em leilão virtual. O mesmo se aplica à vinis, bonecas, peças de arte e afins. Um dos meu sonhos de consumo é uma camisa oficial do Flamengo, da época da conquista do mundial, autografada pelo Zico. Se for a número 10 então, é a perfeição. Mas deve custar uma fortuna.
Não é para dar réplica, estamos falando das originais. 1 única camiseta nova consome pelo menos 20 litros de agrotóxico para ser produzida e 1 único par de jeans novos pode consumir até 42 litros de água para ser fabricado. A roupa mais sustentável é a que já existe, de segunda mão.

Presenteie com um animal de abrigo, não compre seu amigo estimulando esse comércio criminoso de criadouros. Eu tenho 2 vira-latas, Olimpia e Margarida, são como filhas. Um gato é o ideal para quem ainda não tem experiência. Se adotar, castre, ou exija um animal já castrado, para que seu presente não vire "de grego". Mas não aproveite para comprar um aquário ou tartaruga. Aquários só de plantas e, se você tiver que comprar um animal, rejeite e vá para o abrigo escolher seu amigo.
Se tiver intimidade com o presenteado, leve à pessoa ao abrigo, vai ser inesquecível e sempre existe a possibilidade de doar ração e ainda voltar com um gato além do combinado.

Se a presenteada curte roupas vintage e estilosas, um presente de brechó pode ser o sonho dela. Eu tenho um vestido Lacoste original, década de 60, comprado por R$100,00 num brechó. Lenços e echarpes podem ser transformados em blusas, saias e até vestidos - um presente lindo e clássico, que se encontra em qualquer brechó.
Alguns homens também podem curtir, especialmente os da área de criação e artes, as camisas estilo "jogador de boliche 50´s", são encontradas em todas as cores, assim como chapéus Panamá, óculos escuros e até gravatas assinadas.
Lembre que cada calça jeans nova consumiu 42 litros de água pura em seu processo de produção.
O Natal é a época ideal para compras em bazares de caridade, várias instituições passam o ano todo recolhendo doações para a "grande venda de final de ano". Alguns são especializados inclusive em roupas assinadas por grandes estilistas internacionais e nem aceitam o que não seja de grife, esteja com etiqueta e em boas condições.
Muitos bazares e brechós trabalham exclusivamente com brinquedos e roupas de crianças, há blogs de trocas entre mães, já que crianças tradicionalmente "perdem" as peças de uma hora para outra.

Aqui no blog, são encontradas igualmente muitas dicas de sapatos e bolsas em materias alternativos, fugindo do couro, todos sob o marcador consumo consciente e até roupas feitas com algodão orgânico ou de pet reciclado, as grandes grifes estão aderindo, principalmente com camisetas e roupas esportivas.

Se o presenteado curte coisas para casa e está nessa fase, móveis antigos ou mesmo utilitários de época, como um gramophone e juke box, biombo ou baleiros, são muito charmosos. Decorei toda a minha casa com móveis de segunda mão encontrados nas Feiras do Lavradio e Pç XV, do século XIX aos anos 70, em madeira de lei e com muito estilo, sem derrubar mais árvores desnecessariamente. Obras de arte, como quadros e até lustres de cristal também são encontrados por menos da metade do preço do mercado de antiquariato convencional. O passeio pela feira para escolha do presente, já é um programa inesquecível para toda a família e pode mostrar às mesmas crianças consumistas que um mundo já existia antes da internet.

Presentes mais caros como jóias, também são válidos e fazem parte da tradição de muitas famílias. Eu não estimulo a compra de uma jóia nova, afinal todo processo mineratório é extremamente poluente e geralmente exploratório aos trabalhadores envolvidos. Mas ganhar uma jóia de família é muito sofisticado e demonstra que não existe a menor intenção de romper o vínculo. Se não for o caso da família ter jóias, há inúmeros leilões de jóias antigas ou mesmo penhoradas, onde as peças são encontradas inclusive a preço mais baixo. Alguns homens podem sonhar com abotoaduras em ouro e acharem diferente participar de um leilão onde serão presenteados.

Se for uma criatura prendada, do tipo que costura, borda, assa biscoitos, panetones, esmerilha pedrinhas e ainda entende de marcenaria e mecânica, faça seus presentes em casa. É muito mais charmoso e você ainda pode personalizar. Para quem gosta de chocolate: bombons caseiros. Para quem está de dieta: batons de urucum com manteiga de cacau ou uma linda saída de praia em crochê bordado à mão. Para quem tem casa fora: uma cesta cheia de vidros de geleias variadas. Tudo feito em casa e embrulhado por você.
O que não falta nesse blog são receitas, incluindo dos bombons e panetones, linkados abaixo. Para os batons, veja a postagem "Fazendo baton em casa". Para as geleias, busque no pesquisador da barra lateral, estão espalhadas e vão do cupuaçu com rapadura ao figo seco com pêra.

Sabendo marcenaria, um sonho meu, aproveite material de demolição, como portas e janelas em madeira de lei de casas antigas e faça lindos bancos, aparadores, encostos de cama. A série "A casa sustentável é mais barata" tem uma edição exclusiva de reuso de material de demolição, A casa sustentável é mais barata - parte 03 (material de demolição).
Eu mesma fiz uma estante e uma mesinha de cabeceira com caixotes de feira, veja melhor em "Comendo a ração que vende"

Nem todo presente precisa ser uma lembrança física, os presentes de uso vêm se mostrando uma tendência, principalmente entre jovens e idosos. Anuidades em academias, escolas de línguas, cursos de especialização ou hobbies em geral. Muitas vezes o presenteado quer (e precisa) aprender algo novo e trocaria todos as lembrancinhas pela oportunidade. Ingressos para jogos e consertos também são uma ótima opção.


Para presentes infantis sustentáveis, a postagem do Dia das Crianças, Para Brincar, traz dezenas de tutoriais e até um texto escrito por uma mãe brasileira que mora na Alemanha, mostrando a diferença entre as festas infantis daqui com as de lá. Não deixe de ler.



Faça pelo menos o embrulho em casa, embrulhe a caixa de papelão em retalhos de tecidos - como o furoshiki dos japoneses - um lenço ou fronha que não é mais usado, os classificados do jornal, amarre com fita ou barbante (dispense o durex, que não recicla) e arremate com uma flor e folha seca. Outra dica simpática é usar um saco de papelão tradicional de padaria, escrito "feito com carinho" e decorar o mesmo com desenhos, flores e galhos secos.

Quem souber fazer origami, pode decorar o embrulho mais simples com flores e pássaros, permitindo efeito tridimensional multicolorido.
Veja como fazer um embrulho para presente em papel jornal, decorando com galho de cedro e tsuru em origami. e um guia de furoshiki completo, com retalhos de tecidos, que permite até embalar garrafas de champagne.




Aproveite para enviar os cartões de Natal via email a quem tiver endereço eletrônico, assim economiza papel e o combustível fóssil usado na logística de transporte.

A Anistia Internacional todo ano convida seus voluntários a enviar emails desejando esperança e paz aos milhares de prisioneiros políticos e de consciência espalhados pelo mundo. Envie também os cartões de Natal online pela liberdade de expressão.

Se envia cartões de Natal em papel, priorize os lindos cartões de Natal pintados com a boca e os pés por artistas deficientes.







Para que o seu Natal seja mais leve e deixe uma pegada menor no planeta - afinal estamos entrando antes no cheque especial, siga as dicas do ano passado para a Ceia, atualizadas com tudo que foi postado ao longo desse ano:

Águas aromatizadas
Entradas para festas
Guardanapos de pano
Cozinha sem tupperware
Vinhos e bebidas orgânicas
Os pratos principais da Ceia
Rabanadas orgânicas e veganas
Incensos e aromatizadores de ambiente
Tudo sobre as bebidas de festa: Eu bebo sim!
Panetone Italiano, Xmas Fruit Cake e Bolo Português de maçã e amêndoas (orgânicos, integrais e sugar-free)



Encerro com minha árvore de Natal favorita, a Tree Cycle:


Em Sidney, na Austrália, construir árvores de Natal com objetos reciclados não é novidade. A cidade criou o enfeite com cadeiras empilhadas em 2008 e com garrafas em 2009. Este ano, no entanto, a montagem é ainda mais surpreendente. Isso porque os responsáveis utilizaram 100 bicicletas que iriam para o lixo para compor a árvore. As peças foram doadas por uma companhia local de reciclagem. Batizado de Tree-Cycle, o ornamento tem 23 metros de altura. As bikes foram pintadas com tinta-spray verde e os pneus foram coloridos. No topo, há uma estrela, também criada com partes das bicicletas. A árvore tem 23 metros de altura e é composta por 100 bicicletas antigas.






Para lembrar sempre: Natal não é sinônimo de shopping, cidra, panetone e tender
Espero que sua festa seja ótima, ela tem um significado lindo, comemora o aniversário de um rei dissidente da moral vigente e devidamente banido. Um rei cujo nascimento pobre foi acompanhado pelos animais da região e que recebeu como primeira visita, 3 magos guiados por uma estrela em noite escura do deserto.
O aniversariante foi um rebelde em seu tempo, rechaçado pelo Império vigente (Romano) e que escolheu viver cercado de prostitutas, pescadores, marceneiros e outros membros menos cotados da sociedade em que nasceu. Condenado à morte mais humilhante, espancado pela "polícia" e o povo, quando consultado, ainda escolheu salvar em ladrão violador de mulheres em seu lugar.




E se beber, não dirija. As épocas de festas, como final de ano e Carnaval, são as campeãs em acidentes de trânsito. Aproveite e vá doar sangue, os estoques já estão perigando. 
Já que as pessoas, que não se veem o ano todo, adoram arrumar motivo para se reunir em dezembro (como se o mundo acabasse dia 31), podem aproveitar e fazer o grupo da doação. Depois, saem para algum lugar e postam muitas fotos para as redes sociais, como sempre.



Boas ações:
Boa ação de Natal: Papai Noel dos Correios
Boa ação de Natal: O Natal Azul do Dr. Veit
Boa ação de Natal: Dando de comer a quem tem fome
Boa Ação de Natal: Cartões de Natal pintados com a boca e os pés
Boa Ação de Natal: Dê um destino nobre ao seu 13º, doe uma parte
Boa Ação de Natal: Anistia Internacional: cartões de Natal pela liberdade de expressão



Mais informação:
Para brincar
Verão Sustentável
Carnaval sustentável
Festas Juninas sustentáveis
Copa do Mundo sustentável
Dia dos Namorados sustentável
Páscoa em paz com o resto do mundo
Tapetes de Corpus Christi sustentáveis




Observação de setembro de 2011: agora, são 3 vira-latas na casa, a Pipa chegou em junho

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Soja é desnecessário

Para você que come hamburguer de soja, toma sucos do tipo Ades e ainda belisca sojinhas torradas e sua centena de sub-produtos, como maionese e "danoninhos" veganos. Observe que os orientais, que consomem e produzem soja há 5.000 anos, só o fazem em produtos fermentados, como tempêshoyumissô e (pouco) tofuLeite e carne de soja, assim como todos os derivados industriais, são equívocos por centenas de aspectos.
Para mais informações sobre a toxidade da soja, veja o blog de Sonia Hirsch e seu site oficial com especial apenas sobre a soja. A boa alimentação passa longe de produtos industrializados e está totalmente baseada em legumes, verduras, frutas e grãos integrais de cultivo orgânico.

Veja também a posição do Greenpeace sobre a sábia decisão do Banco do Brasil de não conceder mais financiamento aos produtores de soja que ocupam áreas desmatadas.


Mais alguns elementos à discussão que elevou a soja à condição de panacéia:

1. Toda bebida pronta é crime de hidropirataria, pois consome 5lts de água para cada litro de bebida engarrafada. Veja em Flow, por amor à água como uma indústria de bebidas desertificou seu entorno e em Hidropirataria em São Lourenço como a plantação de soja "bebe":
"Que dizer ante o fato da produção de um quilo de soja exigir 100 litros d’água. Assim, um caminhão cheio de soja arrasta, atrás de si, 100 caminhões de água. Hidropirataria.
Além da água para a planta, há desmatamento, com destruição do cerrado, alterações dos lençóis freáticos, contaminação com herbicidas à base de fósforo que provocam alterações no ciclo biológico dos rios."

2. Tetrapack não recicla

3. O forro do tetrapack em plástico é tóxico, especialmente em contato com líquidos e já foi até banido em países desenvolvidos, veja melhor como o Bisfenol-A está sendo banido.

4. Conservantes são sintéticos, poluem, matam e viciam

5. Açúcar refinado é droga, legalizada e estimulada

6. Soja in natura é tóxica e jamais deveria ser consumida sem ser da forma tradicional, fermentada, como fazem os orientais com shoyu, missô, tempê e tofu (se fervido por meia hr). A primeira semente de soja foi trazida ao Brasil por Pagu, encantada com a revolução chinesa há menos de 100 anos. Os orientais consomem soja há 5.000 anos, sabem do que estão falando. E não cultivam metade das hortaliças que nós produzimos, por falta de solo e condições climáticas. Leia sobre as hortaliças em extinção pelas tentações (industrializadas) da cidade grande.

7. 80% da soja produzida no Brasil é transgênica e está transformando o Cerrado numa monocultura latifundiária. Observe que a Bunge foi justamente uma das empresas que "investiu" na aprovação do Código Florestal e que já somos o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Atente também que a maior produtora de soja do planeta, a Monsanto, foi eleita a pior empresa do mundo.

8. Opções caseiras e orgânicas:
leite de coco caseiro
leite de pinhão caseiro
leite de castanha do Pará caseiro


Todos os leites podem ser feitos também com arroz integral orgânico (já que a Bayer também já fez o favor de desenvolver uma versão transgênica), aveia e até quinua.
Para fazer em aveia:
‎1 xícara de aveia em flocos, 2 xícaras de água filtrada deixar de molho por 2 horas, bater no liquidificar e coar não precisa ferver.
Bateu, coou, tá pronto pro uso, molho branco para o estrogonofe, bater com frutas, com café etc etc etc..

Para fazer o leite de arroz integral que vira um creme orgânico:
Cozinhe normalmente um arroz integral biodinâmico com 4 x mais água do que o indicado, bata no liquidificador e coe. Ou use o gel que fica por cima como uma gelatina que serve de calda para saladas de frutas cruas e cozidas no próprio caldo. Dilua em água o que precisar, se gostar de um leite mais ralo.
Tem gente que deixa arroz de molho de véspera, como feijão. Não precisa para fazer o leite, mas se gosta, deixe. São 4 partes de água para 1 de arroz, você vai fazer um creme de arroz como risoto (mas sem refogar em alho, azeite, sal, etc), esperar esfriar e bater no liquidificador e ver se precisa então diluir em mais água para virar seu leite. Coe se gostar de um creme mais homogêneo, deixe os carocinhos cozidos, se gostar mais rústico. O creme em si se presta a infinitas receitas, como: molho branco, strogonoff, moussesgelatinas e galatinespudinssorvetespavês e as muitas variações de arroz doce.  Sendo ainda que todo leite vegetal engrossado com aveia ou araruta vira um creme de leite caseiro, servindo como base para cremes de milho e espinafre tradicionais. Sendo ainda que todo leite vegetal engrossado com aveia ou araruta vira um creme de leite caseiro, servindo como base para receitas tradicionais de cremes de milho e espinafre. Qualquer pûre simples pode ser feito sem um pingo de leite vegetal ou animal, basta bater uma raiz cozida com o vegetal escolhido, como cenoura com inhame, batata doce com bertalha, etc.






...mas pra que tanta soja?

Leite de soja é uma ideia fácil de assimilar devido ao mito de que leite de vaca é um alimento bom para humanos
Queijo de soja é uma ideia fácil de assimilar devido ao mito de que queijo é um alimento bom para humanos.
Carne de soja é uma ideia fácil de assimilar devido ao mito de que carne é um alimento bom para humanos
Quando deixam de consumir leite, queijo e carne, muitos humanos ficam felizes porque podem substituir por leite, queijo e carne de um novo mito: a soja

COMA
FEIJÃO PRETO
FEIJÃO FRADINHO
FEIJÃO MULATINHO
FEIJÃO CARIOQUINHA
FEIJÃO VERMELHO
FEIJÃO BRANCO
FEIJÃO JALO
FEIJÃO GUANDU
FEIJÃO MOIASHI
FEIJÃO AZUKI
FEIJÃO CORADO
FEIJÃO DE CORDA
FEIJÃO RAJADO
FEIJÃO VERDE
FAVAS TREMOÇOS
GRÃO-DE-BICO
LENTILHA
ERVILHA FRESCA
ERVILHA SECA
VAGEM-MANTEIGA
VAGEM-MACARRÃO
AMENDOIM
E QUALQUER
OUTRO FEIJÃO

NÃO COMA
FEIJÃO DE SOJA


A soja é muito ácida. Só serve para comer depois de ser fermentada em forma de missô, shoyu, tempê e natô



O LADO MARAVILHOSO DA SOJA
entrevista com Sonia Hirsch

Sonia Hirsch, você agora é contra a soja?
Nunca fui a favor, a não ser nas formas fermentadas: misso, shoyu, tempê, natô. Já no meu primeiro livro, Prato feito, que é de 1983, aviso que a soja não deve ser consumida como feijão.

Mas seus livros dão muitas receitas de tofu.
Tofu é bom de vez em quando, porque parte da acidez da soja sai no soro. O tofu é feito de leite de soja talhado. Funciona muito bem para substituir o queijo quando a gente está querendo parar de comer laticínios, mas não dá para abusar. O mundinho natural e macrô adora, mas eu mesma como pouco, porque minha pele não gosta.

E a carne de soja? Você dá uma receita de picadinho de carne de soja no Prato feito.
Essa receita foi uma exceção, é a única que você encontra em todo o meu trabalho. Está lá como uma homenagem ao Bira, cozinheiro macrô que morou muito tempo no Rio e ficou famoso pelo picadinho. Eu mesma já não gostava de carne de soja na época, início dos anos 80; achava aquele negócio muito esquisito. Mas o Bira fez o picadinho num evento do Circo Voador na Quinta da Boa Vista, a galera gostou e eu pensei: vou botar a receita, afinal ele merece... Depois fiz a autocrítica no próprio livro, a partir da décima edição. Demorou...

Mas afinal, por que você está revoltada com a soja?
Estou revoltada com o uso que estão fazendo dela. Porque o consumo liberal de soja é muito prejudicial à saúde, tanto em forma de comida e bebida quanto em fórmulas farmacêuticas para suplementação hormonal.

Prejudicial, como assim? A soja não é o tesouro da Ásia?
O cultivo da soja na Ásia é muito antigo, tanto que ela é um dos cinco grãos sagrados dos chineses, junto com arroz, trigo, cevada e painço; mas não para fins alimentares. Seu dom é agrícola. Por ser muito rica em proteínas, a soja, que é uma leguminosa como todos os feijões, é também muito rica em nitrogênio, elemento essencial para a fertilidade do solo. Plantar a soja entre as outras culturas e cortá-la quando as favas de feijão se formam, deixando-a apodrecer no solo, traz o maior benefício para a lavoura. Sem ela a terra se esgotaria. Como alimento, porém, ela tem inúmeros inconvenientes. Como todos os feijões, mas muito mais acentuados.

Os feijões são inconvenientes?
Hipócrates já dizia que os feijões são tão ricos em nutrientes que poderíamos viver só deles - se não fossem tão tóxicos. Por isso, recomendava comer os feijões em pequena quantidade e sempre acompanhados por algum cereal, para equilibrá-los. A uma pessoa doente, Hipócrates proibia os feijões. O dr. Barcellos, médico, em sua dieta contra o câncer e todas as alergias, proíbe os feijões todos. Inclusive o amendoim e os feijões verdes, como a vagem, a ervilha fresca, o petit-pois. Aponta como problema a qualidade extremamente ácida e tóxica das proteínas dos feijões. E realmente, se você pára de comer feijão as indisposições melhoram. Feijão é coisa para gente saudável!

Mas e a soja?
Então, a soja é o mais proteico de todos os feijões, por isso o mais tóxico. Hoje existem muitos estudos esclarecendo vários pontos. Um: a soja contém altos níveis de ácido fítico, ou fitatos, que reduzem a assimilação de cálcio, magnésio, cobre, ferro e zinco em adultos e crianças, prejudicando a saúde e o crescimento. E os métodos convencionais, como deixar de molho, germinar os grãos ou cozinhar longamente em fogo baixo, não neutralizam o ácido fítico da soja; somente a fermentação tem esse poder. Dois: a soja contém inibidores de tripsina que interferem na digestão das proteínas e podem causar distúrbios pancreáticos e retardo no crescimento. Três: desde 1953 é conhecido o impacto negativo das isoflavonas sobre a saúde humana. A esse respeito, você encontra uma lista de 150 estudos científicos que não podem ser ignorados em www.westonaprice.org/soy/dangersisoflavones.html#studies .

Mas as isoflavonas não são fitoestrógenos, bons para reposição hormonal?
Os fitoestrógenos da soja atrapalham as funções endócrinas, têm o potencial de causar infertilidade e de promover câncer de seio em mulheres adultas. São poderosos agentes inibidores da tiróide, causando hipotiroidismo e podendo provocar câncer de tiróide.

Nesse caso, as mulheres japonesas, que consomem tanta soja, não deveriam estar mal de saúde?
Pra começar, elas não consomem tanta soja; vivem muito mais de arroz, algas marinhas, vegetais, peixes e frutos do mar. Da soja usam basicamente misso, que é a massa fermentada e salgada de soja; shoyu ou tamari, que são molhos fermentados de soja; e nattô, que é o próprio feijão de soja fermentado, com gosto e sabor fortíssimos. Aqui, ao contrário, as pessoas estão usando qualquer coisa de soja achando que é bom - leite de soja, tofu, proteína de soja, extratos de soja. Uma japonesa obtém da soja uma média de 10 mg de isoflavonas por dia. As brasileiras estão ingerindo por dia 150 mg de isoflavonas (genisteína, genistina, daidzaína) em cápsulas, ou seja, dez vezes mais do que a média das japoneses consome.

Mas elas têm menos câncer de seios e ovários.
Sim, mas é porque a alimentação delas, como um todo, é menos rica em estrogênio e seus análogos do que a dieta ocidental, abundante demais em leite, laticínios, carne vermelha, frango e ovos, todos conectadíssimos ao surgimento de doenças crônicas e degenerativas.

E os milhões de crianças que se alimentam de leite de soja, correm algum risco?
Vários. Um deles é o desenvolvimento de distúrbios na tiróide. Não sei se você notou que há uma epidemia de problemas na tiróide hoje em dia. De onde vem isso? Do stress, mas também da alimentação. Um estudo mostra que bastam 30 g de tofu por dia, durante um mês, para causar problemas na tiróide.

Um ponto positivo parece ser a presença de uma forma de vitamina B12 na soja...
A vitamina B12 só existe nos organismos animais. A gente produz B12 dentro do corpo. Nos vegetais você a encontra em uma ou outra microalga, ou então em forma análoga. Acontece que os análogos da vitamina B12 que a soja contém não são absorvidos e ainda aumentam a necessidade de B12 no organismo. Pior: comidas à base de soja aumentam também a necessidade de vitamina D.

E a proteína da soja, serve para alguma coisa?
Não entendo por que alguém vai querer uma proteína tão desnaturada, já que é processada em alta temperatura até virar proteína isolada de soja, proteína vegetal texturizada. O processamento da proteína de soja resulta na formação da tóxica lisinoalanina e das altamente carcinogênicas nitrosaminas. Fora um conteúdo extra de alumínio em grande quantidade - e o alumínio é tóxico para o sistema nervoso, para os rins, para a medula óssea...

Você tem mais algum horror pra contar sobre a soja?
Só mais um: o ácido glutâmico livre, MSG, GMS, glutamato monossódico ou simplesmente glutamato de sódio, é uma poderosa neurotoxina formada naturalmente durante o processamento da soja. Estimula a tal ponto nossos receptores de sabor no cérebro que pode matar neurônios. São documentados os casos de morte súbita por excitotoxinas, outro apelido dessas neurotoxinas, entre as quais se inclui o aspartame. Ainda assim, esse derivado da soja está espalhado por inúmeros produtos industrializados (bem como o aspartame). E nos próprios alimentos à base de soja, mais glutamato é adicionado para realçar o sabor sem que seja preciso avisar no rótulo, já que se trata de um derivado "natural" da soja, então a lei dispensa.

Como se pode evitar o consumo de glutamato?
Lendo os rótulos, evitando produtos industrializados, preferindo comer o que está ainda na sua forma natural. E, num restaurante japonês, pedindo missoshiro sem ajinomoto, que é o próprio glutamato. Eles tentam recusar, porque a sopa de misso já está pronta, mas você repete com firmeza e eles preparam outra na hora. Não existe nada mais fácil, saudável e nutritivo do que uma missoshiro: o lado maravilhoso da soja.



Bunge, uma das empresas que "investiu" na aprovação do Código Florestal



Bandeira levantada pela Vera Falcão: Que a BUNGE produz soja transgênica, todo mundo já está careca de saber - óleo de soja, margarina, maionese, rações são alguns dos produtos que a empresa fabrica e que, espero, ninguém com bom senso, consuma.

Além disso, a BUNGE possui enorme interesse em conquistar cada vez mais espaço para plantar soja, o que está aumentando o nível de desmatamentos no país - a ideia é derrubar a mata para obter o solo e plantar... soja!

Soja para as rações que irão alimentar o gado, mas também para entrar na composição de quase tudo que é industrializado (leia os rótulos e veja que a palavra soja é figurinha carimbada na maioria dos produtos, seja na forma de farinha, lecitina etc) e também para abastecer o mercado de vegetarianos que, na sua maioria, seguem uma dieta que elege a soja como prato principal!

Para garantir que haja mais espaço para o plantio, a BUNGE investiu uma grana pesada, leia abaixo:

Deputados que aprovaram novo Código Florestal receberam doação de empresas desmatadoras - BUNGE doou mais de R$ 2,5 milhões para candidatos que participaram do processo eleitoral em favor da aprovação do "NOVO" CÓDIGO FLORESTAL. 

"Dos 18 deputados federais que integraram a comissão especial do Código Florestal, em julho/2010, 13 receberam juntos aproximadamente R$ 6,5 milhões doados por empresas do setor de agronegócio, pecuária e até do ramo de papel e celulose durante campanha à reeleição, de acordo com as declarações disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). (...)

A Bunge Fertilizantes, uma das principais empresas do agronegócio, é um exemplo de que a doação para campanhas de deputados não foi feita de forma aleatória. A empresa é a que mais vezes aparece nas declarações dos deputados da bancada ruralista.

Ela contribuiu com as despesas de oito dos 13 que votaram a favor do novo código e que concorreram à reeleição. Destes, sete receberam o valor igual de R$ 70 mil e um ganhou R$ 80 mil, o que resulta em R$ 500 mil distribuídos somente entre políticos da comissão especial. 

No total, a Bunge doou pouco mais de R$ 2,5 milhões para candidatos que participaram do processo eleitoral. Portanto, 20% do total destinado por essa empresa às campanhas políticas ficaram no grupo de ruralistas da comissão especial, já que a soma de doações feitas para estes oito candidatos alcançou R$ 500 mil."

Fonte: Centro de Estudos Ambientais



Há algum tempo o vegetarianismo entrou em pauta. Seja pela preocupação com o meio ambiente, seja pelo sempre questionado consumo de carne, muitas pessoas mudaram seus hábitos alimentares ou pensaram em fazê-lo.

Eric Slywitch é médico e especialista em nutrição. Vegetariano, dedica seu trabalho a orientar as pessoas que desejam adotar esta dieta. É autor dos livros "Virei Vegetariano e Agora?" e "Alimentação sem Carne", nos quais mostra os benefícios de abandonar o consume de carnes, sempre embasado em pesquisas científicas.

Em entrevista à Livraria da Folha, Slywitch explica o que é ser vegetariano, desfaz a confusão de que quem adota esta dieta não come apenas carne vermelha e derruba o mito que basta substituir os produtos de origem animal por soja.

Entre outras dúvidas, o médico mostra quais os passos a serem seguidos por quem deseja mudar sua alimentação, como os pais devem agir com seus filhos quando estes decidem ser vegetarianos e como alimentar um bebê com esta dieta.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Livraria da Folha: Existem diversas dúvidas a respeito do que é ser vegetariano. O que é ser vegetariano?

Eric Slywitch: Vegetarianismo é a prática de se alimentar sem nenhum produto que implique na morte de um ser do reino animal.
De forma genérica, vegetariano é o indivíduo que não utiliza nenhum tipo de carne (vermelhas ou brancas) na sua dieta. Assim, a dieta vegetariana é aquela que não utiliza nenhum tipo de carne.
Vegetarianismo é sinônimo de alimentação sem carne. Essa é a característica comum de todos os vegetarianos.
O vegetariano pode ou não utilizar derivados animais na sua alimentação.


Livraria da Folha: Quais os cuidados que devem ser tomados ao adotar uma dieta vegetariana?

Slywitch: O cuidado maior é saber que os substitutos das carnes são os feijões. É comum o vegetariano iniciante abusar do consumo de ovos, queijo e até soja com a intenção de ingerir a "proteína que tinha na carne".
Trocado a carne pelos feijões, é importante que o vegetariano utilize os demais grupos alimentares na elaboração do cardápio.
Na rua, ao escolher pratos vegetarianos pode haver um pouco de dificuldade, pois pratos inocentes, como um simples molho ao sugo, podem conter caldo de carne. Com o tempo, o vegetariano aprende onde estão algumas "armadilhas".


Livraria da Folha: Por que ser vegetariano? Quais os benefícios para a saúde?

Slywitch: Há, basicamente, 3 motivos para uma pessoa se tornar vegetariana: ética, saúde e meio-ambiente.
Pelo motivo ético, parar de comer carne significa deixar de infringir dor e sofrimento aos animais.
Do ponto de vista da saúde, estudos com populações vegetarianas, quando comparadas com as que comem carne, mostram redução de inúmeras doenças:
- Redução das mortes por doença cardiovascular em 31% em homens vegetarianos e 20% em mulheres vegetarianas (reunião de 5 estudos prospectivos totalizando 76 mil indivíduos).
- Níveis sanguíneos de colesterol 14% mais baixos em ovo-lacto-vegetarianos do que nos onívoros.
- Níveis sanguíneos de colesterol 35% mais baixos em veganos do que nos onívoros.
- Menor pressão arterial (redução de 5 a 10 mmHg) nos vegetarianos.
- Redução de até 50% do risco de apresentar diverticulite nos vegetarianos.
- Onívoros apresentam o dobro do risco de apresentar diabetes quando comparados com vegetarianos (estudo com 34.198 indivíduos adventistas).
- Há estudos recentes demonstrando que os diabéticos, quando adotam uma dieta vegana com baixo teor de gordura (comparados com os que adotam uma dieta preconizada pela Associação de Diabetes Americana) têm o dobro de benefícios com relação à perda de peso, uso de medicamentos, redução do "colesterol ruim" e da perda de proteína pelos rins (microalbuminúria).
- Probabilidade duas vezes menor de apresentar pedras na vesícula nas mulheres vegetarianas (estudo com 800 mulheres entre 40 e 69 anos).
- Os onívoros têm um risco 54% maior de ter câncer de próstata (estudo com 34.198 indivíduos adventistas).
- Os onívoros têm um risco 88 % maior de ter câncer de intestino grosso (cólon e reto). A carne vermelha ou branca está vinculada (de forma independente) com o risco aumentado de câncer de intestino grosso (estudo com 34.198 indivíduos adventistas).
- Redução da incidência de obesidade em vegetarianos. O estudo EPIC-Oxford avaliou 33.883 onívoros e 31.546 vegetarianos e constatou que a obesidade estava presente em 7,1% dos homens e 9,3% das mulheres onívoras, contra 1,6% dos homens e 2,5% das mulheres veganas, respectivamente.
- Pelo menor teor de proteínas e por melhorar o perfil lipídico, a dieta vegetariana pode ser benéfica para os que estão perdendo a função renal.
- Alguns estudos apontam que uma dieta vegetariana sem derivados animais e com predominância de alimentos crus reduz os sintomas de fibromialgia.
O meio-ambiente agradece ao pararmos de comer carne, pois a pecuária é uma atividade que contribui de forma significativa com a contaminação de mananciais aquíferos do planeta, a desertificação de solos, a devastação de florestas e ecossistemas, além de contribuir com o aumento de emissão de gazes que geram o efeito estufa, pois a pecuária é a principal fonte dessas emissões oriundas das atividades humanas segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Cerca de 18% de todos os gazes com potencial de causar efeito estufa provém da pecuária, enquanto 13% provém dos meios de transporte.



Livraria da Folha: O que levou você a seguir esta dieta?

Slywitch: Na adolescência, praticando artes marciais, me interessei pela filosofia oriental, especialmente o budismo. Aos poucos comecei a questionar o consumo da carne e por isso abandonei seu consumo.


Livraria da Folha: Há riscos para saúde ao abandonar o consumo de carne?

Slywitch: Podemos correr riscos de deteriorar a saúde se qualquer grupo alimentar for indevidamente substituído. A baixa ingestão de frutas e verduras pela população (que come carne) foi a responsável pela fortificação de farinhas com esses nutriente.
Parar de comer carne implica em utilizar outros alimentos que compensem sua abstenção no cardápio.
Sendo feito isso, não há risco algum para a saúde.


Livraria da Folha: Como substituir os nutrientes oferecidos pela carne?

Slywitch: Recomendo que o vegetariano sempre ingira feijões, o que inclui ervilha, lentilha, grão de bico... Esses são os melhores substitutos da carne.
A soja é desnecessária para o vegetariano. Ele pode utilizá-la, mas a sua ausência no cardápio não traz problema algum.
Os demais alimentos também são bem conhecidos como parte de uma dieta saudável: cereais (de preferência integrais), verduras, legumes, batatas, frutas, condimentos, oleaginosas (opcionais, pois apesar de benéficas têm maior custo). Para os que utilizam, o cardápio pode contemplar ovos e laticínios.


Livraria da Folha: Existe alguma restrição para adotar esta dieta? Crianças, por exemplo, podem segui-la?

Slywitch: Não há riscos se a alimentação está equilibrada.
Pais católicos criam filhos católicos. Pais judeus criam filhos judeus.
Pais onívoros criam seus filhos comendo carne. Pais vegetarianos criam filhos vegetarianos.
É direito dos pais passarem os valores de vida que têm aos filhos, desde que aprendam sobre o que deve ser feito para suprir com segurança as necessidades do bebê.
Bebês que comem carne podem precisar de suplementos de ferro em determinado momento de vida, assim como o vegetariano.
O ponto de destaque é a vitamina B12, que sempre deve ser suplementada no vegetariano, apesar de sabermos que o que come carne também pode ter deficiência.
Todos os outros nutrientes podem ser supridos como na dieta com carne sem dificuldades.


Livraria da Folha: Como montar uma dieta vegetariana pela primeira vez?

Slywitch: O cardápio básico deve conter cereais (de preferência integrais), frutas, verduras, legumes, feijões e óleos de boa qualidade (como o de oliva). As oleaginosas são opcionais. A redução de alimentos processados, gordurosos, frituras e doces é bem vinda, apesar de ser a recomendação solicitada a quem come carne também.
Se tiver um profissional de saúde para avaliar a sua dieta, isso será proveitoso também.


Livraria da Folha: Existem diferentes tipos de vegetarianos? Quem são os veganos?

Slywitch: Os tipos são vários, como pode ver abaixo:
- Ovo-lactovegetariano: é o vegetariano que utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação.
- Lactovegetariano: é o vegetariano que não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios.
- Vegetariano estrito: é o vegetariano que não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação. É também conhecido como vegetariano puro.
- Vegano: é o indivíduo vegetariano estrito que recusa o uso de componentes animais não alimentícios, como vestimentas de couro, lã e seda, assim como produtos testados em animais. Em inglês você vai encontrar o termo "vegan" como referência a esse indivíduo. No Brasil esse termo foi traduzido como vegano.
- Crudivorista: é, na grande maioria dos casos, um vegetariano estrito que utiliza alimentos crus, ou aquecidos no máximo a 42oC. Alguns podem aceitar leite cru e carne crua também, descaracterizando o termo vegetariano estrito. A utilização de alimentos em processo de germinação (cereais integrais, leguminosas e olegainosas) é comum nessa dieta. Diferente do que se pode imaginar, essa dieta apresenta preparações bastante sofisticadas e saborosas.
- Frugivorismo: vegetariano estrito que utiliza apenas frutos na sua alimentação. O conceito de "frutos", nesse caso, segue a definição botânica, que inclui os cereais, alguns legumes (abobrinha, berinjela...), oleaginosos e as frutas.
- Macrobiótico: designa uma forma de alimentação que pode ou não ser vegetariana. O macrobiótico tem um tipo de alimentação específica, baseada em cereais integrais, com um sistema filosófico de vida bastante peculiar e caracterizado. A dieta macrobiótica, diferentemente das vegetarianas, apresenta indicações específicas quanto à proporção dos grupos alimentares a serem utilizados. Essas proporções seguem diversos níveis, podendo ou não incluir as carnes (geralmente brancas). A macrobiótica não recomenda o uso de leite, laticínios ou ovos.
- Semi-vegetariano: indivíduo que faz uso de carnes, geralmente brancas, em menos de 3 refeições por semana. Alguns consideram essa terminologia quando em apenas uma refeição por semana. Esse termo ganha importância nos estudos científicos, na comparação dos efeitos à saúde entre vegetarianos e onívoros, já que, teoricamente, o semi-vegetariano consome carne, mas menos do que um onívoro. Atenção: esse indivíduo não é vegetariano.


Livraria da Folha: Alguns pais assustam-se quando os filhos adotam a dieta. Quais os conselhos que você dá a pais e filhos?

Slywitch: Conversem! Os filhos devem mostrar aos pais os motivos que os levaram a adotar o vegetarianismo. Os pais devem se conter quando o intuito é criticar a decisão dos filhos.
Os pais devem saber que, quando uma pessoa (o filho) adotou o vegetarianismo pensando nos animais, a retaliação da escolha do filho apenas vai criar conflitos dentro de casa, pois nesse caso o que está mandando é a emoção, o coração. O vegetariano que foi tocado pela questão dos animais, geralmente, não consegue realmente comer mais carne.
A família terá que se abrir para repensar o preparo dos pratos. Os pais podem ajudar muito os filhos a adotarem a dieta com mais segurança.

Fonte: Folha Livros








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