terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Empresa japonesa instalada no Aquífero Guarani exporta água engarrafada

Mais uma empresa secando nossas fontes, a japonesa Anew, que vende por marketing direto para todo o mundo, instalou suas instalações exatamente no terreno acima do Aquífero Guarani, aquele mesmo cuja potencial é capaz de suprir a humanidade pelos próximos 2 séculos.

Veja também o que a Nestlé já fez em São Lourenço e a Ypioca, na reserva indígena do Ceará.

Hidropirataria é crime ambiental, cuja fiança é paga pelo consumidor e morador da região.
Leia melhor sobre o assunto no post acerca do premiado documentário Flow, por amor à água - que retrata a degradação da biodiversidade causada pela desertificação após instalação de indústria de bebidas em uma região.

Observe que a Anew exporta água mineral e divulga seus produtos numa área do site chamada "santuário".
Aquela água engarrafada em plástico é sagrada para quem?

Leia sobre a toxidade de embalagens plásticas e seu composto Bisfenol-A, que vem sendo banido em países desenvolvidos. Veja também a animação sobre a indústria da água engarrafada e o movimento de estabelecimentos que defendem a água na jarra gratuita em bares e restaurantes, reduzindo o lixo urbano e ainda garantindo à população seu direito inviolável de matar a própria sede.

Cada garrafinha de água mineral consome 8 vezes o seu peso final em petróleo para ser produzida.

O comércio de água engarrafada é um dos maiores crimes ambientais do nosso tempo, além do excesso de lixo pelas garrafinhas plásticas, a água mineral comercializada é quase um produto artificial em função dos minerais serem adicionados sinteticamente, já que as fontes minerais originais terem secado tamanha a demanda. Some a tudo isso o crime de hidropirataria, que ninguém rastreia, afinal a fábrica instala-se em área de concessão pública, conta com isenção de impostos porque gera empregos, seca as fontes de água locais, puxa mais água dos lençóis freáticos do entorno para nos vender a mesma água com minerais adicionados sinteticamente e embalada em plástico que será transportado em caçamba de caminhão. Pior, quando as fontes secarem, os donos da mesma fábrica (ou acionistas majoritários e CEO´s) simplesmente abandonam aquelas instalações fabris, a essa altura obsoletas, para instalar-se em outro local, com isenção de impostos, é claro. Às populações locais, sobram instalações fabris abandonadas, desemprego estrutural, exército reserva de mão de obra super capacitado, solos desertificados e fontes secas.

Pense ainda que uma empresa que vende um produto engarrafado em plástico deveria ser responsável pela logística reversa da reciclagem dessas garrafinhas, de acordo com a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Estou deixando abaixo muitos links sobre todos os assuntos abordados, sugestões de filmes, outros casos de hidropirataria com processos judiciais movidos em Ação Popular pela própria população e sugestões para países com problemas de potabilidade, como o Brasil.

Mais do que nunca, é imprescindível entender que para cada litro de bebida pronta (refrigerante, chá, suco e cerveja), são consumidos em média 5lts de água. O custo indireto desse desperdício não pode ser repassado ao consumidor, afinal 1lt de mate (ou guaraná) não pode custar R$10,00, é inviável comercialmente - mas a longo prazo, a população do entorno das fábricas paga um preço muito mais alto. Hidropirataria é o crime ambiental que ninguém rastreia.

Lembre sempre que cada garrafinha de água mineral consome 8 vezes o seu peso em petróleo para ser produzida e que muitos restaurantes já aderiram ao movimento Água na Jarra, cedendo ou cobrando barato por uma jarra de água potável. Leia sobre o movimento e estabelecimentos que aderiram, na postagem "Água na jarra: estabelecimentos e receitas de águas aromatizadas".

Garantir água potável a todos é um direito constitucional e inalienável - é inaceitável desenvolvermos tecnologia nuclear antes de erradicar a mortalidade infantil.
Uma sociedade que empurra as próprias fezes com água doce, mas que em contrapartida compra água mineralizada quimicamente, tem problemas muito maiores e mais prementes do que autossuficiência em petróleo e urânio.



Para entender em números esse comércio criminoso:
"Por meio de ações publicitárias globais, o setor de água engarrafada, por exemplo, ajudou a criar a impressão de que água na garrafinha é mais saudável, mais saborosa e está mais na moda do que a boa e velha água “torneiral”, mesmo quando estudos demonstram que algumas marcas de água engarrafada são menos seguras do que água da rede e custam de 240 a 10 mil vezes mais. A indústria de água engarrafada movimenta hoje US$ 60 bilhões e vendeu 241 bilhões de litros de água em 2008, mais que o dobro da quantidade vendida em 2000. "

Fonte: Atlas WWI - Estado do Mundo 2010





Segue material promocional retirado diretamente do site da empresa:

Originária do aquífero Guarani, o maior reservatório de água potável do mundo, e captada na fonte Arigatô, localizada no Centro Mundial do Movimento Anew, a Água Anew é natural e pura. Tem baixa concentração de sais dissolvidos (28,62mg/L) e baixíssimo teor de sódio (apenas 0,196 mg/L), características fundamentais para que uma água mineral seja leve e de excelente qualidade. Com instalações modernas que garantem a qualidade desde a captação até o processo de envasamento, a Água Anew passa constantemente por controle de qualidade para atender ao padrão do mercado internacional - sendo, inclusive, a primeira água do Brasil a ser exportada para o rígido mercado japonês.




A imagem foi retirada do site de uma loja japonesa que comercializa o produto sem nos pagar um centavo.


Mais informação:
Flow, por amor à água
A história da água engarrafada

Beber água pura não deveria ser caro
Quanta água existe de fato no planeta?
Ouro Azul: A guerra mundial pela água
A hidropirataria continua em São Lourenço
Consumo de água x aumento da população urbana

Quando a sustentabilidade me deixou na mão 02: filtro de barro
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável
Nestlé mata Água Mineral em São Lourenço - a PureLife é uma água química

Carta de São Paulo, Recursos hídricos no Sudeste: segurança, soluções, impactos e riscos

2 comentários:

Sonia Peña disse...

Ah! Carol,
Fiquei sem palavras...talvez pela boca seca e pela dor na alma.

Bjos.

PS:
o email está no blog.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Eu vou escrever sobre os aquíferos brasileiros qquer dia desses. É escandaloso.
A primeira coisa que a gente deve fazer para proteger nossas fontes é não comprar nenhuma bebida industrizalida, principalmente água mineral. O melhor filtro de água do mundo é brasileiro e de barro.
Reutilizar todas as águas cinzas das residências tb é fundamental. A gente empurra os dejetos sanitários com água doce e tratada...