terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Soja é desnecessário

Para você que come hamburguer de soja, toma sucos do tipo Ades e ainda belisca sojinhas torradas e sua centena de sub-produtos, como maionese e "danoninhos" veganos. Observe que os orientais, que consomem e produzem soja há 5.000 anos, só o fazem em produtos fermentados, como tempêshoyumissô e (pouco) tofuLeite e carne de soja, assim como todos os derivados industriais, são equívocos por centenas de aspectos.
Para mais informações sobre a toxidade da soja, veja o blog de Sonia Hirsch e seu site oficial com especial apenas sobre a soja. A boa alimentação passa longe de produtos industrializados e está totalmente baseada em legumes, verduras, frutas e grãos integrais de cultivo orgânico.

Veja também a posição do Greenpeace sobre a sábia decisão do Banco do Brasil de não conceder mais financiamento aos produtores de soja que ocupam áreas desmatadas.


Mais alguns elementos à discussão que elevou a soja à condição de panacéia:

1. Toda bebida pronta é crime de hidropirataria, pois consome 5lts de água para cada litro de bebida engarrafada. Veja em Flow, por amor à água como uma indústria de bebidas desertificou seu entorno e em Hidropirataria em São Lourenço como a plantação de soja "bebe":
"Que dizer ante o fato da produção de um quilo de soja exigir 100 litros d’água. Assim, um caminhão cheio de soja arrasta, atrás de si, 100 caminhões de água. Hidropirataria.
Além da água para a planta, há desmatamento, com destruição do cerrado, alterações dos lençóis freáticos, contaminação com herbicidas à base de fósforo que provocam alterações no ciclo biológico dos rios."

2. Tetrapack não recicla

3. O forro do tetrapack em plástico é tóxico, especialmente em contato com líquidos e já foi até banido em países desenvolvidos, veja melhor como o Bisfenol-A está sendo banido.

4. Conservantes são sintéticos, poluem, matam e viciam

5. Açúcar refinado é droga, legalizada e estimulada

6. Soja in natura é tóxica e jamais deveria ser consumida sem ser da forma tradicional, fermentada, como fazem os orientais com shoyu, missô, tempê e tofu (se fervido por meia hr). A primeira semente de soja foi trazida ao Brasil por Pagu, encantada com a revolução chinesa há menos de 100 anos. Os orientais consomem soja há 5.000 anos, sabem do que estão falando. E não cultivam metade das hortaliças que nós produzimos, por falta de solo e condições climáticas. Leia sobre as hortaliças em extinção pelas tentações (industrializadas) da cidade grande.

7. 80% da soja produzida no Brasil é transgênica e está transformando o Cerrado numa monocultura latifundiária. Observe que a Bunge foi justamente uma das empresas que "investiu" na aprovação do Código Florestal e que já somos o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Atente também que a maior produtora de soja do planeta, a Monsanto, foi eleita a pior empresa do mundo.

8. Opções caseiras e orgânicas:
leite de coco caseiro
leite de pinhão caseiro
leite de castanha do Pará caseiro


Todos os leites podem ser feitos também com arroz integral orgânico (já que a Bayer também já fez o favor de desenvolver uma versão transgênica), aveia e até quinua.
Para fazer em aveia:
‎1 xícara de aveia em flocos, 2 xícaras de água filtrada deixar de molho por 2 horas, bater no liquidificar e coar não precisa ferver.
Bateu, coou, tá pronto pro uso, molho branco para o estrogonofe, bater com frutas, com café etc etc etc..

Para fazer o leite de arroz integral que vira um creme orgânico:
Cozinhe normalmente um arroz integral biodinâmico com 4 x mais água do que o indicado, bata no liquidificador e coe. Ou use o gel que fica por cima como uma gelatina que serve de calda para saladas de frutas cruas e cozidas no próprio caldo. Dilua em água o que precisar, se gostar de um leite mais ralo.
Tem gente que deixa arroz de molho de véspera, como feijão. Não precisa para fazer o leite, mas se gosta, deixe. São 4 partes de água para 1 de arroz, você vai fazer um creme de arroz como risoto (mas sem refogar em alho, azeite, sal, etc), esperar esfriar e bater no liquidificador e ver se precisa então diluir em mais água para virar seu leite. Coe se gostar de um creme mais homogêneo, deixe os carocinhos cozidos, se gostar mais rústico. O creme em si se presta a infinitas receitas, como: molho branco, strogonoff, moussesgelatinas e galatinespudinssorvetespavês e as muitas variações de arroz doce.  Sendo ainda que todo leite vegetal engrossado com aveia ou araruta vira um creme de leite caseiro, servindo como base para cremes de milho e espinafre tradicionais. Sendo ainda que todo leite vegetal engrossado com aveia ou araruta vira um creme de leite caseiro, servindo como base para receitas tradicionais de cremes de milho e espinafre. Qualquer pûre simples pode ser feito sem um pingo de leite vegetal ou animal, basta bater uma raiz cozida com o vegetal escolhido, como cenoura com inhame, batata doce com bertalha, etc.






...mas pra que tanta soja?

Leite de soja é uma ideia fácil de assimilar devido ao mito de que leite de vaca é um alimento bom para humanos
Queijo de soja é uma ideia fácil de assimilar devido ao mito de que queijo é um alimento bom para humanos.
Carne de soja é uma ideia fácil de assimilar devido ao mito de que carne é um alimento bom para humanos
Quando deixam de consumir leite, queijo e carne, muitos humanos ficam felizes porque podem substituir por leite, queijo e carne de um novo mito: a soja

COMA
FEIJÃO PRETO
FEIJÃO FRADINHO
FEIJÃO MULATINHO
FEIJÃO CARIOQUINHA
FEIJÃO VERMELHO
FEIJÃO BRANCO
FEIJÃO JALO
FEIJÃO GUANDU
FEIJÃO MOIASHI
FEIJÃO AZUKI
FEIJÃO CORADO
FEIJÃO DE CORDA
FEIJÃO RAJADO
FEIJÃO VERDE
FAVAS TREMOÇOS
GRÃO-DE-BICO
LENTILHA
ERVILHA FRESCA
ERVILHA SECA
VAGEM-MANTEIGA
VAGEM-MACARRÃO
AMENDOIM
E QUALQUER
OUTRO FEIJÃO

NÃO COMA
FEIJÃO DE SOJA


A soja é muito ácida. Só serve para comer depois de ser fermentada em forma de missô, shoyu, tempê e natô



O LADO MARAVILHOSO DA SOJA
entrevista com Sonia Hirsch

Sonia Hirsch, você agora é contra a soja?
Nunca fui a favor, a não ser nas formas fermentadas: misso, shoyu, tempê, natô. Já no meu primeiro livro, Prato feito, que é de 1983, aviso que a soja não deve ser consumida como feijão.

Mas seus livros dão muitas receitas de tofu.
Tofu é bom de vez em quando, porque parte da acidez da soja sai no soro. O tofu é feito de leite de soja talhado. Funciona muito bem para substituir o queijo quando a gente está querendo parar de comer laticínios, mas não dá para abusar. O mundinho natural e macrô adora, mas eu mesma como pouco, porque minha pele não gosta.

E a carne de soja? Você dá uma receita de picadinho de carne de soja no Prato feito.
Essa receita foi uma exceção, é a única que você encontra em todo o meu trabalho. Está lá como uma homenagem ao Bira, cozinheiro macrô que morou muito tempo no Rio e ficou famoso pelo picadinho. Eu mesma já não gostava de carne de soja na época, início dos anos 80; achava aquele negócio muito esquisito. Mas o Bira fez o picadinho num evento do Circo Voador na Quinta da Boa Vista, a galera gostou e eu pensei: vou botar a receita, afinal ele merece... Depois fiz a autocrítica no próprio livro, a partir da décima edição. Demorou...

Mas afinal, por que você está revoltada com a soja?
Estou revoltada com o uso que estão fazendo dela. Porque o consumo liberal de soja é muito prejudicial à saúde, tanto em forma de comida e bebida quanto em fórmulas farmacêuticas para suplementação hormonal.

Prejudicial, como assim? A soja não é o tesouro da Ásia?
O cultivo da soja na Ásia é muito antigo, tanto que ela é um dos cinco grãos sagrados dos chineses, junto com arroz, trigo, cevada e painço; mas não para fins alimentares. Seu dom é agrícola. Por ser muito rica em proteínas, a soja, que é uma leguminosa como todos os feijões, é também muito rica em nitrogênio, elemento essencial para a fertilidade do solo. Plantar a soja entre as outras culturas e cortá-la quando as favas de feijão se formam, deixando-a apodrecer no solo, traz o maior benefício para a lavoura. Sem ela a terra se esgotaria. Como alimento, porém, ela tem inúmeros inconvenientes. Como todos os feijões, mas muito mais acentuados.

Os feijões são inconvenientes?
Hipócrates já dizia que os feijões são tão ricos em nutrientes que poderíamos viver só deles - se não fossem tão tóxicos. Por isso, recomendava comer os feijões em pequena quantidade e sempre acompanhados por algum cereal, para equilibrá-los. A uma pessoa doente, Hipócrates proibia os feijões. O dr. Barcellos, médico, em sua dieta contra o câncer e todas as alergias, proíbe os feijões todos. Inclusive o amendoim e os feijões verdes, como a vagem, a ervilha fresca, o petit-pois. Aponta como problema a qualidade extremamente ácida e tóxica das proteínas dos feijões. E realmente, se você pára de comer feijão as indisposições melhoram. Feijão é coisa para gente saudável!

Mas e a soja?
Então, a soja é o mais proteico de todos os feijões, por isso o mais tóxico. Hoje existem muitos estudos esclarecendo vários pontos. Um: a soja contém altos níveis de ácido fítico, ou fitatos, que reduzem a assimilação de cálcio, magnésio, cobre, ferro e zinco em adultos e crianças, prejudicando a saúde e o crescimento. E os métodos convencionais, como deixar de molho, germinar os grãos ou cozinhar longamente em fogo baixo, não neutralizam o ácido fítico da soja; somente a fermentação tem esse poder. Dois: a soja contém inibidores de tripsina que interferem na digestão das proteínas e podem causar distúrbios pancreáticos e retardo no crescimento. Três: desde 1953 é conhecido o impacto negativo das isoflavonas sobre a saúde humana. A esse respeito, você encontra uma lista de 150 estudos científicos que não podem ser ignorados em www.westonaprice.org/soy/dangersisoflavones.html#studies .

Mas as isoflavonas não são fitoestrógenos, bons para reposição hormonal?
Os fitoestrógenos da soja atrapalham as funções endócrinas, têm o potencial de causar infertilidade e de promover câncer de seio em mulheres adultas. São poderosos agentes inibidores da tiróide, causando hipotiroidismo e podendo provocar câncer de tiróide.

Nesse caso, as mulheres japonesas, que consomem tanta soja, não deveriam estar mal de saúde?
Pra começar, elas não consomem tanta soja; vivem muito mais de arroz, algas marinhas, vegetais, peixes e frutos do mar. Da soja usam basicamente misso, que é a massa fermentada e salgada de soja; shoyu ou tamari, que são molhos fermentados de soja; e nattô, que é o próprio feijão de soja fermentado, com gosto e sabor fortíssimos. Aqui, ao contrário, as pessoas estão usando qualquer coisa de soja achando que é bom - leite de soja, tofu, proteína de soja, extratos de soja. Uma japonesa obtém da soja uma média de 10 mg de isoflavonas por dia. As brasileiras estão ingerindo por dia 150 mg de isoflavonas (genisteína, genistina, daidzaína) em cápsulas, ou seja, dez vezes mais do que a média das japoneses consome.

Mas elas têm menos câncer de seios e ovários.
Sim, mas é porque a alimentação delas, como um todo, é menos rica em estrogênio e seus análogos do que a dieta ocidental, abundante demais em leite, laticínios, carne vermelha, frango e ovos, todos conectadíssimos ao surgimento de doenças crônicas e degenerativas.

E os milhões de crianças que se alimentam de leite de soja, correm algum risco?
Vários. Um deles é o desenvolvimento de distúrbios na tiróide. Não sei se você notou que há uma epidemia de problemas na tiróide hoje em dia. De onde vem isso? Do stress, mas também da alimentação. Um estudo mostra que bastam 30 g de tofu por dia, durante um mês, para causar problemas na tiróide.

Um ponto positivo parece ser a presença de uma forma de vitamina B12 na soja...
A vitamina B12 só existe nos organismos animais. A gente produz B12 dentro do corpo. Nos vegetais você a encontra em uma ou outra microalga, ou então em forma análoga. Acontece que os análogos da vitamina B12 que a soja contém não são absorvidos e ainda aumentam a necessidade de B12 no organismo. Pior: comidas à base de soja aumentam também a necessidade de vitamina D.

E a proteína da soja, serve para alguma coisa?
Não entendo por que alguém vai querer uma proteína tão desnaturada, já que é processada em alta temperatura até virar proteína isolada de soja, proteína vegetal texturizada. O processamento da proteína de soja resulta na formação da tóxica lisinoalanina e das altamente carcinogênicas nitrosaminas. Fora um conteúdo extra de alumínio em grande quantidade - e o alumínio é tóxico para o sistema nervoso, para os rins, para a medula óssea...

Você tem mais algum horror pra contar sobre a soja?
Só mais um: o ácido glutâmico livre, MSG, GMS, glutamato monossódico ou simplesmente glutamato de sódio, é uma poderosa neurotoxina formada naturalmente durante o processamento da soja. Estimula a tal ponto nossos receptores de sabor no cérebro que pode matar neurônios. São documentados os casos de morte súbita por excitotoxinas, outro apelido dessas neurotoxinas, entre as quais se inclui o aspartame. Ainda assim, esse derivado da soja está espalhado por inúmeros produtos industrializados (bem como o aspartame). E nos próprios alimentos à base de soja, mais glutamato é adicionado para realçar o sabor sem que seja preciso avisar no rótulo, já que se trata de um derivado "natural" da soja, então a lei dispensa.

Como se pode evitar o consumo de glutamato?
Lendo os rótulos, evitando produtos industrializados, preferindo comer o que está ainda na sua forma natural. E, num restaurante japonês, pedindo missoshiro sem ajinomoto, que é o próprio glutamato. Eles tentam recusar, porque a sopa de misso já está pronta, mas você repete com firmeza e eles preparam outra na hora. Não existe nada mais fácil, saudável e nutritivo do que uma missoshiro: o lado maravilhoso da soja.



Bunge, uma das empresas que "investiu" na aprovação do Código Florestal



Bandeira levantada pela Vera Falcão: Que a BUNGE produz soja transgênica, todo mundo já está careca de saber - óleo de soja, margarina, maionese, rações são alguns dos produtos que a empresa fabrica e que, espero, ninguém com bom senso, consuma.

Além disso, a BUNGE possui enorme interesse em conquistar cada vez mais espaço para plantar soja, o que está aumentando o nível de desmatamentos no país - a ideia é derrubar a mata para obter o solo e plantar... soja!

Soja para as rações que irão alimentar o gado, mas também para entrar na composição de quase tudo que é industrializado (leia os rótulos e veja que a palavra soja é figurinha carimbada na maioria dos produtos, seja na forma de farinha, lecitina etc) e também para abastecer o mercado de vegetarianos que, na sua maioria, seguem uma dieta que elege a soja como prato principal!

Para garantir que haja mais espaço para o plantio, a BUNGE investiu uma grana pesada, leia abaixo:

Deputados que aprovaram novo Código Florestal receberam doação de empresas desmatadoras - BUNGE doou mais de R$ 2,5 milhões para candidatos que participaram do processo eleitoral em favor da aprovação do "NOVO" CÓDIGO FLORESTAL. 

"Dos 18 deputados federais que integraram a comissão especial do Código Florestal, em julho/2010, 13 receberam juntos aproximadamente R$ 6,5 milhões doados por empresas do setor de agronegócio, pecuária e até do ramo de papel e celulose durante campanha à reeleição, de acordo com as declarações disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). (...)

A Bunge Fertilizantes, uma das principais empresas do agronegócio, é um exemplo de que a doação para campanhas de deputados não foi feita de forma aleatória. A empresa é a que mais vezes aparece nas declarações dos deputados da bancada ruralista.

Ela contribuiu com as despesas de oito dos 13 que votaram a favor do novo código e que concorreram à reeleição. Destes, sete receberam o valor igual de R$ 70 mil e um ganhou R$ 80 mil, o que resulta em R$ 500 mil distribuídos somente entre políticos da comissão especial. 

No total, a Bunge doou pouco mais de R$ 2,5 milhões para candidatos que participaram do processo eleitoral. Portanto, 20% do total destinado por essa empresa às campanhas políticas ficaram no grupo de ruralistas da comissão especial, já que a soma de doações feitas para estes oito candidatos alcançou R$ 500 mil."

Fonte: Centro de Estudos Ambientais



Há algum tempo o vegetarianismo entrou em pauta. Seja pela preocupação com o meio ambiente, seja pelo sempre questionado consumo de carne, muitas pessoas mudaram seus hábitos alimentares ou pensaram em fazê-lo.

Eric Slywitch é médico e especialista em nutrição. Vegetariano, dedica seu trabalho a orientar as pessoas que desejam adotar esta dieta. É autor dos livros "Virei Vegetariano e Agora?" e "Alimentação sem Carne", nos quais mostra os benefícios de abandonar o consume de carnes, sempre embasado em pesquisas científicas.

Em entrevista à Livraria da Folha, Slywitch explica o que é ser vegetariano, desfaz a confusão de que quem adota esta dieta não come apenas carne vermelha e derruba o mito que basta substituir os produtos de origem animal por soja.

Entre outras dúvidas, o médico mostra quais os passos a serem seguidos por quem deseja mudar sua alimentação, como os pais devem agir com seus filhos quando estes decidem ser vegetarianos e como alimentar um bebê com esta dieta.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Livraria da Folha: Existem diversas dúvidas a respeito do que é ser vegetariano. O que é ser vegetariano?

Eric Slywitch: Vegetarianismo é a prática de se alimentar sem nenhum produto que implique na morte de um ser do reino animal.
De forma genérica, vegetariano é o indivíduo que não utiliza nenhum tipo de carne (vermelhas ou brancas) na sua dieta. Assim, a dieta vegetariana é aquela que não utiliza nenhum tipo de carne.
Vegetarianismo é sinônimo de alimentação sem carne. Essa é a característica comum de todos os vegetarianos.
O vegetariano pode ou não utilizar derivados animais na sua alimentação.


Livraria da Folha: Quais os cuidados que devem ser tomados ao adotar uma dieta vegetariana?

Slywitch: O cuidado maior é saber que os substitutos das carnes são os feijões. É comum o vegetariano iniciante abusar do consumo de ovos, queijo e até soja com a intenção de ingerir a "proteína que tinha na carne".
Trocado a carne pelos feijões, é importante que o vegetariano utilize os demais grupos alimentares na elaboração do cardápio.
Na rua, ao escolher pratos vegetarianos pode haver um pouco de dificuldade, pois pratos inocentes, como um simples molho ao sugo, podem conter caldo de carne. Com o tempo, o vegetariano aprende onde estão algumas "armadilhas".


Livraria da Folha: Por que ser vegetariano? Quais os benefícios para a saúde?

Slywitch: Há, basicamente, 3 motivos para uma pessoa se tornar vegetariana: ética, saúde e meio-ambiente.
Pelo motivo ético, parar de comer carne significa deixar de infringir dor e sofrimento aos animais.
Do ponto de vista da saúde, estudos com populações vegetarianas, quando comparadas com as que comem carne, mostram redução de inúmeras doenças:
- Redução das mortes por doença cardiovascular em 31% em homens vegetarianos e 20% em mulheres vegetarianas (reunião de 5 estudos prospectivos totalizando 76 mil indivíduos).
- Níveis sanguíneos de colesterol 14% mais baixos em ovo-lacto-vegetarianos do que nos onívoros.
- Níveis sanguíneos de colesterol 35% mais baixos em veganos do que nos onívoros.
- Menor pressão arterial (redução de 5 a 10 mmHg) nos vegetarianos.
- Redução de até 50% do risco de apresentar diverticulite nos vegetarianos.
- Onívoros apresentam o dobro do risco de apresentar diabetes quando comparados com vegetarianos (estudo com 34.198 indivíduos adventistas).
- Há estudos recentes demonstrando que os diabéticos, quando adotam uma dieta vegana com baixo teor de gordura (comparados com os que adotam uma dieta preconizada pela Associação de Diabetes Americana) têm o dobro de benefícios com relação à perda de peso, uso de medicamentos, redução do "colesterol ruim" e da perda de proteína pelos rins (microalbuminúria).
- Probabilidade duas vezes menor de apresentar pedras na vesícula nas mulheres vegetarianas (estudo com 800 mulheres entre 40 e 69 anos).
- Os onívoros têm um risco 54% maior de ter câncer de próstata (estudo com 34.198 indivíduos adventistas).
- Os onívoros têm um risco 88 % maior de ter câncer de intestino grosso (cólon e reto). A carne vermelha ou branca está vinculada (de forma independente) com o risco aumentado de câncer de intestino grosso (estudo com 34.198 indivíduos adventistas).
- Redução da incidência de obesidade em vegetarianos. O estudo EPIC-Oxford avaliou 33.883 onívoros e 31.546 vegetarianos e constatou que a obesidade estava presente em 7,1% dos homens e 9,3% das mulheres onívoras, contra 1,6% dos homens e 2,5% das mulheres veganas, respectivamente.
- Pelo menor teor de proteínas e por melhorar o perfil lipídico, a dieta vegetariana pode ser benéfica para os que estão perdendo a função renal.
- Alguns estudos apontam que uma dieta vegetariana sem derivados animais e com predominância de alimentos crus reduz os sintomas de fibromialgia.
O meio-ambiente agradece ao pararmos de comer carne, pois a pecuária é uma atividade que contribui de forma significativa com a contaminação de mananciais aquíferos do planeta, a desertificação de solos, a devastação de florestas e ecossistemas, além de contribuir com o aumento de emissão de gazes que geram o efeito estufa, pois a pecuária é a principal fonte dessas emissões oriundas das atividades humanas segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Cerca de 18% de todos os gazes com potencial de causar efeito estufa provém da pecuária, enquanto 13% provém dos meios de transporte.



Livraria da Folha: O que levou você a seguir esta dieta?

Slywitch: Na adolescência, praticando artes marciais, me interessei pela filosofia oriental, especialmente o budismo. Aos poucos comecei a questionar o consumo da carne e por isso abandonei seu consumo.


Livraria da Folha: Há riscos para saúde ao abandonar o consumo de carne?

Slywitch: Podemos correr riscos de deteriorar a saúde se qualquer grupo alimentar for indevidamente substituído. A baixa ingestão de frutas e verduras pela população (que come carne) foi a responsável pela fortificação de farinhas com esses nutriente.
Parar de comer carne implica em utilizar outros alimentos que compensem sua abstenção no cardápio.
Sendo feito isso, não há risco algum para a saúde.


Livraria da Folha: Como substituir os nutrientes oferecidos pela carne?

Slywitch: Recomendo que o vegetariano sempre ingira feijões, o que inclui ervilha, lentilha, grão de bico... Esses são os melhores substitutos da carne.
A soja é desnecessária para o vegetariano. Ele pode utilizá-la, mas a sua ausência no cardápio não traz problema algum.
Os demais alimentos também são bem conhecidos como parte de uma dieta saudável: cereais (de preferência integrais), verduras, legumes, batatas, frutas, condimentos, oleaginosas (opcionais, pois apesar de benéficas têm maior custo). Para os que utilizam, o cardápio pode contemplar ovos e laticínios.


Livraria da Folha: Existe alguma restrição para adotar esta dieta? Crianças, por exemplo, podem segui-la?

Slywitch: Não há riscos se a alimentação está equilibrada.
Pais católicos criam filhos católicos. Pais judeus criam filhos judeus.
Pais onívoros criam seus filhos comendo carne. Pais vegetarianos criam filhos vegetarianos.
É direito dos pais passarem os valores de vida que têm aos filhos, desde que aprendam sobre o que deve ser feito para suprir com segurança as necessidades do bebê.
Bebês que comem carne podem precisar de suplementos de ferro em determinado momento de vida, assim como o vegetariano.
O ponto de destaque é a vitamina B12, que sempre deve ser suplementada no vegetariano, apesar de sabermos que o que come carne também pode ter deficiência.
Todos os outros nutrientes podem ser supridos como na dieta com carne sem dificuldades.


Livraria da Folha: Como montar uma dieta vegetariana pela primeira vez?

Slywitch: O cardápio básico deve conter cereais (de preferência integrais), frutas, verduras, legumes, feijões e óleos de boa qualidade (como o de oliva). As oleaginosas são opcionais. A redução de alimentos processados, gordurosos, frituras e doces é bem vinda, apesar de ser a recomendação solicitada a quem come carne também.
Se tiver um profissional de saúde para avaliar a sua dieta, isso será proveitoso também.


Livraria da Folha: Existem diferentes tipos de vegetarianos? Quem são os veganos?

Slywitch: Os tipos são vários, como pode ver abaixo:
- Ovo-lactovegetariano: é o vegetariano que utiliza ovos, leite e laticínios na sua alimentação.
- Lactovegetariano: é o vegetariano que não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios.
- Vegetariano estrito: é o vegetariano que não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação. É também conhecido como vegetariano puro.
- Vegano: é o indivíduo vegetariano estrito que recusa o uso de componentes animais não alimentícios, como vestimentas de couro, lã e seda, assim como produtos testados em animais. Em inglês você vai encontrar o termo "vegan" como referência a esse indivíduo. No Brasil esse termo foi traduzido como vegano.
- Crudivorista: é, na grande maioria dos casos, um vegetariano estrito que utiliza alimentos crus, ou aquecidos no máximo a 42oC. Alguns podem aceitar leite cru e carne crua também, descaracterizando o termo vegetariano estrito. A utilização de alimentos em processo de germinação (cereais integrais, leguminosas e olegainosas) é comum nessa dieta. Diferente do que se pode imaginar, essa dieta apresenta preparações bastante sofisticadas e saborosas.
- Frugivorismo: vegetariano estrito que utiliza apenas frutos na sua alimentação. O conceito de "frutos", nesse caso, segue a definição botânica, que inclui os cereais, alguns legumes (abobrinha, berinjela...), oleaginosos e as frutas.
- Macrobiótico: designa uma forma de alimentação que pode ou não ser vegetariana. O macrobiótico tem um tipo de alimentação específica, baseada em cereais integrais, com um sistema filosófico de vida bastante peculiar e caracterizado. A dieta macrobiótica, diferentemente das vegetarianas, apresenta indicações específicas quanto à proporção dos grupos alimentares a serem utilizados. Essas proporções seguem diversos níveis, podendo ou não incluir as carnes (geralmente brancas). A macrobiótica não recomenda o uso de leite, laticínios ou ovos.
- Semi-vegetariano: indivíduo que faz uso de carnes, geralmente brancas, em menos de 3 refeições por semana. Alguns consideram essa terminologia quando em apenas uma refeição por semana. Esse termo ganha importância nos estudos científicos, na comparação dos efeitos à saúde entre vegetarianos e onívoros, já que, teoricamente, o semi-vegetariano consome carne, mas menos do que um onívoro. Atenção: esse indivíduo não é vegetariano.


Livraria da Folha: Alguns pais assustam-se quando os filhos adotam a dieta. Quais os conselhos que você dá a pais e filhos?

Slywitch: Conversem! Os filhos devem mostrar aos pais os motivos que os levaram a adotar o vegetarianismo. Os pais devem se conter quando o intuito é criticar a decisão dos filhos.
Os pais devem saber que, quando uma pessoa (o filho) adotou o vegetarianismo pensando nos animais, a retaliação da escolha do filho apenas vai criar conflitos dentro de casa, pois nesse caso o que está mandando é a emoção, o coração. O vegetariano que foi tocado pela questão dos animais, geralmente, não consegue realmente comer mais carne.
A família terá que se abrir para repensar o preparo dos pratos. Os pais podem ajudar muito os filhos a adotarem a dieta com mais segurança.

Fonte: Folha Livros








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15 comentários:

sylribeiro disse...

sensacional!
carol vou compartilhar na minha pagina uma parte desta materia, com o link para lerem a materia inteira aqui! mil beijos e obrigado por essa super postagem!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi querida, obrigada :-)
Adicionei uns links de receitas que esqueci ontem.
grande beijo

Mari Lee disse...

Muito legal!
Obrigada por partilhar.

Eu acho pertinente lembrar, ainda, que quase toda a soja produzida no Brasil, uns 70% ou 80%, é exportada e vai ser consumida na Europa e outros lugares como ração para o gado e outros animais que as pessoas comem!

Mais uma coisa, que conta como motivo para se tornar vegetariano tanto do ponto de vista ambiental quanto ético: uma mesma área de cultivo poderia ser utilizada para produzir vegetais para consumo humano e para consumo de animais como gado. Se for para alimentar pessoas, será possível alimentar sete vezes mais pessoas, com a mesma produção.
Quem se preocupa 1) com a expansão da agricultura sobre ecossistemas nativos e 2) com a fome mundial, deveria se tornar vegetariano.

Abraço!

CaCo disse...

Ótimo texto! mas dá aquela sensação de que temos muitas que travar nesse caminho como nutricionista.
Adorei seu espaço, agora vou ler as matérias relacionadas :)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi pessoal, tem um filme excelente que mostra todo esse ciclo soja para exportação - desmatamento - consumo de carne, é o Meat your meet, disponível no Youtube.
Dêem uma lida tb na Cartilha da SVB sobre as questões estritamente ambientais do consumo de carne, toda transcrita aqui no blog.

Abs :-)

Clara disse...

ótimo artigo, já encaminhei para alguns familiares. só uma dúvida, pelo que sei o tofu também não é fermentado, que eu saiba só o tempeh.me corrija se estiver errada.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Clara, tofu não é fermentado.
Fermentados só o tempeh, natô, missô e shoyu.
Tofu só pode ser comido em muito pouca quantidade e mesmo assim, acompanhando vegetais, ou enriquecendo uma missoshiro, como sabiamente fazem os orientais.
Tofu não é para virar maionese, mousse de chocolate e empadinha, como nós fazemos...
Bjs
Carol

Alexandra disse...

Bacana. Por essas bandas, chamam os semi-vegetarianos de "flexitarians", o termo que o Michael Pollan usa no livro In Defense of Food. Segundo os estudos, não há muita diferença em termos de saúde entreos "flexitarians" e os vegetarianos... O proprio Mark Bittman, colunista do NY Times, passou por essa experiencia. Ele diminuiu o consumo de carne aumentando as refeições veganas e apesar de continuar comendo carne de vez em quando, o resultado foi praticamente imediato: ele perdeu uns 20 quilos, o colesterol e a pressão arterial se normalizaram, a saúde dele se recuperou bem. Aqui em casa foi parecido, fomos diminuindo o consumo da carne e eu passei a me sentir mais alerta, com mais energia, e o meu marido, que estava um pouco acima do peso, perdeu bastante peso. Ele, que não cogitava de maneira alguma ser vegetariano, hoje está convencido que TODOS temos que minimizar o consumo de carne.

Pessoalmente eu sou foodie demais pra me tornar completamente vegetariana mas promovo muito a diminuição do consumo da carne...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Alexandra, acho sensacional qdo vejo o Bill Clinton e Mike Tyson magrinhos por terem se tornado veganos. Essas histórias são lindas.
Mas comigo nunca funcionou, eu só "seco" se cortar carboidrato. Dieta vegana comigo deixa um barrigão...

Bjs,
Carol

Mariana MT disse...

Carol...estava lendo uns artigos sobre agrotóxicos, bla, bla, bla, lembrei do seu blog, uma coisa leva a outra, vim parar neste post e tenho uma pergunta para te fazer: se o tofu é "permitido" e não é fermentado, porque o leite de soja - caseiro - é tão mais vilão assim?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Mariana,
na verdade, não é liberado não.
Acontece que o tofu se come normalmente com vegetais e em pouca quantidade, até pela sensação de saciedade que proporciona.
O leite de soja vem adoçado, aromatizado e pior, aos litros e se for industrializado, comercializado em tetrapack.

Mariana MT disse...

Então, o leite de soja que consumo eu mesma faço. Normalmente elimino o açucar porque tomo batido com morango ou maracujá. Não compro Ades, porque boicoto a Unilever e seus testes horrendos em animais.

Mas em casa, eventualmente faço tanto o leite de soja como o tofu. Também como a soja em saladas, mais no verão e eventualmente uso tabém a PTS.

Mas não sou uma dependente de soja. Descobri a PTS há pouco tempo, depois que minha irmã virou vegetariana.

E por não ser dependente, consumo com moderação (rs). Mas por sorte, nunca gostei muito de carne e não tenho a necessidade de comer substitutos para ela. Meu negócio é legume, verdura e grãos e seu blog me ensinou ainda mais...

Minha maior felicidade foi a libertação do clássico arroz branco e feijão carioca.´Hoje em dia até meus filhos preferem arroz integral e faço diferentes tipos de feijão...e para cada um deles conto uma história diferente para animar os pequenos.

O feijão roxo, o que mais gosto, é plantado pela Bela (da Bela e a Fera) na hortinha que ela tem...hahahahaha

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Mariana, que fofa sua mensagem. Sensacional a historinha da hortinha no castelo da Fera, mas mantida pela Bela!

Olha, pq vc não substitui esse leite de soja caseiro, que deve te dar um trabalhão, pelo leite de coco, castanhas ou mesmo arroz? Além de mais saudável, são mais fáceis de fazer.
E soja quase sempre é transgênica, a gente compra um produto tóxico e ainda financia essa monocultura latifundiária que tranformou o cerrado numa agroindústria...

Bjs :-)))

Vera Falcão disse...

Pessoas que incentivavam o uso da soja, durante muito tempo, agora estão criticando-o. Ainda bem que acordaram, mas um dos grandes motivos disso é que agora acusam a soja de desmatamento e que grande parte dela serve como ração para os animais. É, o mundo dá muitas voltas. Espero que os blogs de receitas veganas comecem a fazer uma limpa nas suas receitas e retirar toda a soja que contém.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Querida Vera, me honra com sua visita.
Torçamos por essa limpa, sim. Um crime socio-ambiental numa terra em que se plantando, dá de tudo.
beijo enorme,
Carol