segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Casas na árvore

Quando os ambientalistas falam que uma das muitas soluções para o aquecimento global seria o aumento do plantio de árvores, a maioria das pessoas torce o nariz pensando "e a população vai morar aonde, na floresta?"

Exatamente, na floresta. Cercados de verde, mas com banda larga, transporte coletivo movido a energia limpa e toda infra-estrutura em sistema autogestionário e participativo.

Casas na árvore, para todos os bolsos e gostos. Se possível, construídas com materiais reciclados, telhado vivo, composteira, muitas calhas reaproveitando a água das chuvas e janelas-claraboias imensas para a luz natural entrar.

E na hora de decorar, use ecotintas, instale um biodigestor e pelo menos uma placa de energia solar para aquecer a água do banho, compre móveis de segunda mão e reuse a água da máquina de lavar e dos sanitários.
Ar condicionado nem pensar, afinal a mata é fresca.

Frans Krajcberg sempre viveu como o Tarzan, em sua casa na árvore, aqui mesmo no Brasil.

Há 18 anos, acontecia aqui no RJ, a ECO-92. Eu era garota e, levada por meus pais, pude ir à exposição mais badalada dos muitos encontros que pontuaram esse momento, a de Frans KrajcbergDesde então, meu olhar para a arquitetura mudou e casas na árvore tornaram-se uma espécie de utopia pessoal.

A obra dele continua atual, Krajcberg foi o artista homenageado nos 60 anos do MAM de SP e a temática da mostra foi toda em função de sua luta contra as queimadas de florestas nativas, extração de minérios e proteção de áreas de desova de tartarugas marinhas.

O acervo do artista polonês, doado ao Estado da Bahia, é composto por mais de mil esculturas, relevos, desenhos, fotografias e filmes, que continuarão abrigados no sítio de Frans Kracjberg, localizado em Nova Viçosa, Extremo Sul da Bahia. Sua obra reflete a paisagem brasileira, em especial, a Floresta Amazônica, e sua constante preocupação com o meio ambiente.

“Eu viajo, filmo e fotografo a destruição. O fogo e tudo o que o fogo deixou, eu mostro. Veja, ontem foi uma bela árvore, uma bela vida. Há uma consciência de que precisamos lutar pela preservação. Essa é toda minha luta com meu trabalho. Eu não posso gritar. Se eu sair gritando vão me levar para o manicômio. Para mim, o único meio de preservar é pegar uma coisa morta e mostrar: veja o que o homem praticou”, comentou Krajcberg sobre seu trabalho, tido como ícone mundial de defesa a natureza.

Frans Krajcbeg nasceu na Polônia em 1921. Estudou Engenharia e Artes na Universidade de Leningrado, na Rússia e, posteriormente, na Academia de Belas Artes de Stutgart, na Alemanha. Chegou ao Brasil em 1948 e, em 1951, participou da 1ª Bienal de São Paulo, iniciando sua carreira artística. Em 1964, começou a executar suas primeiras esculturas com troncos de árvores mortas. Vive no Sul da Bahia, desde 1972.








As fotos abaixo nos deixam pensando se realmente vale a pena pagar cota-extra,  pegar engarrafamento e gastar até 1/3 do que ganhamos em aluguel. Atente também que reflorestamento de eucalipto não é reflorestamento, mas um engodo.





























Versão luxo e com design premiado:








As fotos e informações sobre Frans Krajecberg foram retiradas de uma revista de arte de Toronto e de um jornal local baiano. As demais fotografia circulam há anos pela internet e estão disponíveis em milhares de sites.



Mais informação:

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas da vovó



A reportagem do jornal O Globo transcrita abaixo levanta 2 questões interessantes:
1. Nunca houve uma fundamentação técnica suficiente para definir um cosmético como orgânico. Como um produto dessa natureza vai garantir sua preservação sem o uso de conservantes químicos?
2. Mesmo havendo eventuais reações alérgicas, é melhor usar no corpo o composto de uma planta do que de um derivado de petróleo.

Pela minha experiência pessoal, há empresas "verdes" seríssimas, algumas inclusive já citadas aqui, como a Granado, Lush e Flor da Pele . Usei os produtos de muitas das empresas acima e afirmo que não conheci melhores, até por ser muito alérgica - se não fossem realmente bons, teriam me dado muitas reações.
Mas observe que muitas empresas podem deixar de ser verdes de uma hora para a outra, basta mudar a direção, manter-se atualizado é o mais importante. Na dúvida, a postagem Como funcionam testes em animais esclarece muita coisa.


Para entender a diferença de natural x biodegradável, leia a postagem Biodegradável: biodegradabilidade é a medida de degradação de uma substância por microorganismos em um tempo determinado. Até plástico se biodegrada, só que o processo leva 400 anos...

Para se aprofundar em aspectos técnicos, veja o selo ECOCERT na vitrine da loja L´Occitane do Shopping Rio Sul. E o vídeo imperdível da Campanha pelos cosméticos seguros: Como funciona a indústria e cosméticos.


Atente sempre que em contrapartida, há muitas empresas que vendem uma imagem de cosmetologia natural e sustentável, mas passam longe de ambos. Minha irmã usava um óleo corporal trifásico de maracujá, cujo rótulo descrevia claramente "oleo de soja" e "essência de maracujá". Para piorar, essa empresa, uma das maiores do país, cujos gastos em propaganda acerca de sua suposta sustentabilidade são maiores do que seus investimentos em tecnologia, testava até pouco tempo seus produtos em animais.

Por outro lado, há empresas declaradamente tradicionais, que vêm apostando em linhas sustentáveis dentro de seus catálogos, como a Revlon com a linha de produtos Pure Blends e surpresas inimagináveis como visitar uma ecovila hare krishna, um ashram, e encontrar o melhor demaquilante que existe: o óleo caseiro sem certificação alguma, feito em olaria de barro pelos próprios moradores com as ervas plantadas na própria hortinha.

O consumidor precisa estar bem informado para saber diferenciar um produto que se diz "verde", como o óleo trifásico descrito acima, de uma linha realmente orgânica oriunda de um laboratório tradicional, como a Pure Blends.


Atente que dos 06 produtos perigosos e dos 09 de origem animal usados inocentemente no dia a dia, a maioria é justamente de artigos de higiene.


Um bom índice de qualidade é observar se os produtos são: não-testados em animais, com Ph neutro e livres de: sal, derivados de petróleo, lauril-sulfatos, corantes e parabenos.

Observe também que QUALQUER PRODUTO PARA SER CONSIDERADO ORGÂNICO DEVE SER COMPOSTO DE PELO MENOS 70% DE INGREDIENTES ORIUNDOS DE CULTIVOS ORGÂNICOS e geralmente, empresas ambientalmente ética demonstram preocupação com lixo urbano e exaustão de recursos na matéria-prima, apelando para: venda de refis em embalagens recicláveis.


Para saber exatamente quem testa ou não em animais, vá ao guia da Peta, amigável e listando em ordem alfabética e para as marcas nacionais, o melhor guia é o da PEA e há uma postagem exclusiva mastigando os detalhes: Como funcionam testes em animais


Para sapatos e bolsas ecologicamente corretos, há o post: Os artigos de couro vegetal comprados no comércio convencional, calçados e bolsas que não precisam matar animais.


Caso queira partir para uma opção mais radical e fazer todos os seus cosméticos em casa, observe que tem muito curioso na internet e que muitas receitinhas caseiras não funcionam e são até perigosas. Nem tudo que é natural, é seguro!

Pensou em baton? Então leia: Fazendo baton em casa

E em desodorante: Desodorantes veganos sem alumínio

Se gosta de incensos e aromatizadores sintéticos, fique de olho, o mundo também é o que você cheira. As dicas da vovó também servem para perfumar a casa.




Polêmica verde chega às prateleiras dos cosméticos
 
Produtos orgânicos ganham adeptos, embora falta de regulamentação e reações alérgicas causem desconfiança na comunidade científica.

Maria Viana e Renato Grandelle
Fonte: O Globo, 01/ 11/ 2009

Uma nova indústria ganha adeptos, acumula lucros, mas ainda não tem o respaldo médico. Os cosméticos orgânicos, com produtos até cinco vezes mais caros do que os convencionais, apóiam-se no marketing verde para anunciar suas vantagens. As ditas benesses, porém, não são reconhecidas pela ANVISA e vistas com ressalva por dermatologistas. De acordo com os cientistas ouvidos pelo Globo, a composição baseada em vegetais nem sempre traz bons resultados. As plantas têm substâncias químicas que podem causar alergia, irritação ocular e até fototoxidade – uma espécie de queimadura quando a pele é exposta ao sol.

A ANVISA cogitou criar uma regulamentação própria para cosméticos orgânicos, mas a discussão não foi adiante. O posicionamento oficial da agência é de que as empresas que divulgam seus produtos como naturais o fazem apenas por marketing. Já o Centro de Pesquisas Químicas da UniCamp alerta para a falta de pesquisas provando a eficácia dos ingredientes naturais.
– Nunca recebemos uma fundamentação técnica suficiente para definir um cosmético como orgânico – ressalta Josineire Sallum, gerente-geral de cosméticos da ANVISA.
Como um produto dessa natureza vai garantir sua preservação sem o uso de conservantes químicos?

A falta de regulamentação que servisse como um referencial aos cosméticos orgânicos atentaria contra a segurança dos produtos. Prova disse é o registro de reações alérgicas em alguns consumidores. São fenômenos explicados pela presença de certas substâncias químicas em vegetais, mesmo naqueles cultivados sem uso de herbicidas ou agrotóxicos.

Para o professor João Ernesto de Carvalho, do Centro de Pesquisas Químicas da UniCamp, o controle de qualidade dos cosméticos orgânicos ainda precisa de ajustes.
– É obrigação do produto não ter resíduos de herbicidas, seja ele orgânico ou convencional – alerta – Divulgar só essa informação, como se fosse um diferencial, não passa de uma estratégia para atrair o consumidor. O ponto fraco dos cosméticos orgânicos é a falta de estudos clínicos que comprovem sua eficácia.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia também desconhece estudos que mostrem a superioridade dos cosméticos orgânicos sobre os demais.
– É um mito dizer que esses produtos são mais seguros – afirma Flavia Addo, do Departamento de Cosmiatria da SBD. – Faltam estudos sobre as propriedades biológicas dos produtos orgânicos. Eles podem trazer danos à pele da mesma forma e proporção que os artigos convencionais.

A falta de reconhecimento não inibe o mercado, que reserva novidades para os próximos anos. Uma delas é a expansão dos cosmecêuticos, cápsulas que, além de proteger a pele, fazem as vezes de suplemento alimentar. Os próprios fabricantes, porém, alertam que o uso de filtro solar não pode ser dispensado.


Fabricantes apostam em cosméticos comestíveis
A boca é mesmo a maior aposta do mercado de cosméticos. Algumas empresas estrangeiras, como as americanas Intelligent Nutrients e Yes Carrots, investem em produtos comestíveis, como o batom feito com manteiga de cupuaçu e o spray de cabelo composto por óleo de buriti e açaí, que pode ser bebido.

Por trás do exotismo que move vaidosos (e gulosos) lá fora estão empresas brasileiras. Fornecedora de matérias primas para quase 50 países, a Beraca inaugurou no ano passado, uma nova fábrica na Amazônia – além de uma filial em Paris.

– Enquanto a pele absorve tudo, o sistema digestivo tem muitas formas de filtrar substâncias danosas. Por isso há empresas que agora, só investem em cosméticos que podem ser ingeridos – explica Filipe Sabará, diretor de negócios da Beraca.

Dois anos atrás, 18% do faturamento da empresa vinha de exportações para fabricantes de cosméticos. No ano passado, esse setor responderá por metade do lucro computado por Sabará. Para atender à demanda, a Beraca capacitou cooperativas e associações na Amazônia, garantindo a entrega de produtos onde só é possível chegar de barco – e, ainda assim, depois de 3 semanas de viagem.

A Beraca não é a única a usufruir do sucesso dos produtos verdes. Uma das líderes do mercado nacional, a Weleda usa o respeito aos ciclos naturais como porta-bandeira de suas ações. Segundo a diretora-executiva da empresa, Mara Pezzotti, as representantes nacionais do setor podem compensar a falta de regulamentação governamental criando um padrão único de qualidade – uma iniciativa bem sucedida na Europa.

Há muitos produtos que anunciam a presença de um ingrediente natural. Se criarmos uma associação e um selo de qualidade, vamos conscientizar o consumidor – opina.
– Mesmo havendo eventuais reações alérgicas, é melhor usar no corpo o composto de uma planta do que de um derivado de petróleo.


Leia abaixo a relação de metais pesados normalmente contidos em cosméticos, além dos respectivos danos à saúde:

Componentes nocivos - Onde encontrar - O que pode causar

Chumbo e metais pesados (como arsênico, mercúrio, alumínio, zinco, cromo e ferro) - Chumbo pode ser encontrado em batons e no corante das tinturas de cabelo. Os outros metais integram a composição de delineadores, esmaltes e pasta de clareamento dos dentes - Anemia alterações fisiológicas e de comportamento do organismo humano

Amônia - Tinturas de cabelo e produtos de alisamento e relaxamento dos fios - Queimaduras capilares, irritação das vias aéreas, comprometimento da resistência e da elasticidade das madeixas, causando sua queda

Resorcinol (corante) - Loções e cremes esfoliantes - Irritação na pele, levando às alergias ou às vermelhidões

Água oxigenada (peróxido) - Cosméticos para clarear os cabelos - Ressecamento dos fios e irritação na pele

Hidróxido de sódio (soda cáustica) - Produtos de alisamento capilar - Forte irritação do couro cabeludo e, em contato com os olhos, pode levar à cegueira

Diazolidinyl Urea e Imidazolidinyl Urea - Maquiagem facial, cremes para as unhas, produtos para cabelos e pele - Dermatites na pele e irritação no couro cabeludo
Guanidina - Produtos para fazer escova progressiva e alisamento - Irritação no couro cabeludo



Mais informação:

Dica de beleza de 2 moças em idades distintas, ambas amigas desse blog, Sônia Hirsch e Karin Fromm.
Defendem que se você não pode por na boca, não deve passar na pele. Faz sentido, a pele absorve e o produto (geralmente colorido e perfumado) acaba na circulação sanguínea. Daí a proibição de tintura de cabelo para grávidas.
Karin, ainda moça, controla a oleosidade com máscaras de argila e Sônia hidrata sua pele madura com óleo de amendoim.

Adotei ambas as dicas, removo a maquiagem e poeira do dia a dia com algum óleo vegetal extra-virgem (gergelim, semente de uva, abacate, amêndoa ou mesmo amendoim) e faço a máscara 1 vêz por semana.
Gosto tanto de argila, que adaptei um emplastro medicinal de inhame com gengibre à argila e não quero outra vida, há uma postagem específica para O emplastro de inhame com gengibre (e argila)

Aproveito e deixo outras para nós brasileiras, que somos consideradas as mulheres mais bonitas do mundo:
1. Esfoliante de sal grosso: misture sal grosso ao sabonete líquido ou a qualquer óleo vegetal e passe na pele do corpo antes do banho, remove todas as células mortas e promove a renovação celular.
Para esfoliar o rosto, triture o sal grosso (eu faço uma trouxa no pano de prato e bato com a colher de pau, mas um processador de alimentos também funciona) e misture esse sal não tão grosso a qualquer óleo vegetal. A pele do rosto fica nova, muito bom antes de qualquer máscara.
2. Babosa, é considerado uma panacéia, você pode bater a folha inteira no liquidificador ou retirar apenas a baba. Essa baba (com ou sem a casca) pode ser passada toda noite na pele ou mesmo servir de base para a máscara de argila da Karin.
3.Vinagre, é o melhor produto para o cabelo que existe, especialmente as versões de limão e maçã, mais suaves, você pode passar direto no couro cabeludo todos os dias antes da lavagem com xampu ou diluir em água e jogar esse rinse de vinagre após a lavagem, sem enxágue, deixando secar naturalmente. Não deixa cheiro depois que seca.
4.Chá de camomila gelado em compressas de algodão, cura até queimadura química, desincha olheiras e é altamente hidratante e calmante para peles com tendência a irritações e vermelhidão.
5.Essa me foi ensinada em uma reunião do vigilantes do peso há alguns anos, pela orientadora já senhora e muito bem conservada. Beba muita água, além de inibir a fome (era o caso dos presentes), é o melhor "creme" hidratante que existe, hidrata de dentro para fora.

Muitas frutas, vegetais - cores, fibras, vitaminas e sais minerais, ainda regulariza o intestino. Azeite de boa qualidade, grãos integrais (fuja do açúcar em todas as suas formas), uma pimentinha de vez em quando, canela ou outra especiaria para perfumar e combater os fungos...

Um solzinho de vez em quando não mata ninguém, ao contrário do que dizem.

E durma bem, sofrer envelhece e a culpa mata mais do que o trânsito, chás feitos em casa podem ajudar a relaxar, além de manter a pele hidratada e o intestino lubrificado.

Meditar/orar e fazer exercícios que realmente proporcionem prazer, vão fazer milagres pelo seu sono e juventude.

E quando falamos em óleos vegetais, nos referimos aos óleos essenciais (medicinais) e aos que possam ser ingeridos. Àqueles perfumados à venda nas farmácias, como óleo de amêndoas para uso cosmético, é igualzinho ao trifásico de maracujá que minha irmã comprou inocentemente, não presta. Leia o rótulo, se levar algo diferente do que "óleo natural prensado" (prensado a frio no caso dos extra-virgens), você está levando química.

Se você achar no empório a granel, delicatessen, mercearia ou supermercado óleos-azeites de semente de uva, gergelim, girassol, amêndoas, oliva, etc - extra-virgem ou não, mas próprios para consumo, não tenha dúvida, são esses que podem ser passados na pele sem risco e não se surpreenda se forem muito mais baratos do que os óleos cosméticos - a tributação em cima é inclusive menor. A Shantala, massagem indiana para bebês, é toda feita com óleo de coco (ajuda a deslizar as mãos), já nós ocidentais, compramos óleo de bebê totalmente mineral (a base de petróleo) e perfumado sinteticamente.

Caso queira partir para uma opção mais radical e fazer todos os seus cosméticos em casa, repense e pesquise, tem muito curioso na internet e nem tudo que é natural é seguro, algumas receitinhas "inofensivas", podem queimar sua pele e até retina!


E a imagem abaixo que não nos deixa esquecer de outra questão: falta de água. Fique atento e não desperdice. Banho é uma delícia e cuidar de si um privilégio, mas exatamente por isso, a água deve ser direito de todos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mamãe não passou açúcar em mim!

Desde que criei esse blog, há quase 1 ano, tenho o marcador açúcar disponível e comprometi-me a sempre postar receitas sugar-free.
Aqui, não há nenhuma receita sequer com açúcar refinado ou sua forma mais popular, farinha branca e carboidratos refinados em geral. Em todas as muitas receitas disponíveis, há o compromisso de oferecer a opção com melado ou rapadura e farinha-arroz-massa integral.



Caso você ainda não saiba, o açúcar branco é a droga mais perigosa de nossa sociedade. Você, que vive com uma balinha no bolso, está viciado e foi traído e enganado pela cultura de massa.

Não exagero, açúcar refinado mata e pior, é socialmente estimulado desde que somos bebês, onde o sinônimo da comida caseira é um prato cuja base é arroz branco (refinado ou beneficiado) e todos os salgadinhos de festa, são em massa base de farinha branca com água (receita de cola caseira).

Ainda, sobre o açúcar, há pelo menos 2 livros imperdíveis: "Sugar Blues", de William Dufty e "Sem Açúcar e com Afeto", da querida Sônia.
Em ambos, estão disponíveis inúmeras receitas saudáveis e dados impressionantes relacionando o consumo de açúcares refinados com grande parte das doenças "modernas", além da Peste Negra e claro, da diabetes.

No Sugar Blues, Willian Dufty, faz uma pergunta até então impensada "Você já notou que os índios sempre fumaram tabaco sem desenvolver câncer de pulmão, mas quando adicionamos açúcar refinado ao processo de secagem das folhas, o cigarro industrializado tornou-se cancerígeno?"






A informação trocada no meu bate-bola com Sônia acerca da cerveja ser considerada alimento medicinal recomendado até para lactantes (por ser fermentado e à base de trigo, como pão), disponível no post sobre long necks, foi igualmente retirada do Sugar Blues.


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Sônia Hirsch, em seus livros, não alivia o açúcar, nos ensina a ler rótulos com mais atenção e nos lembra que não havia um pé de cana de açúcar no Brasil, quando os portugueses aqui chegaram. As primeiras mudas vieram de caravela importadas da Índia.
Em tempo, sabia que se você for chupar em cana de açúcar a quantidade de açúcar branco e refinado que consome diariamente, passaria horas e horas enfrentando aqueles bambus? O processo de refino estranhamente chamado de beneficiamento, é justamente o que retira todos os sais minerais e vitaminas da cana, potencializando milhares de vezes um único princípio ativo: o que permite adoçar.





Atente que até mostarda industrializada leva açúcar atualmente!

E se gosta e tem o hábito de consumir pão, priorize pães 100% integrais, raros de encontrar no supermercado, onde o pão integral industrializado é molengo e a base de farinha enriquecida com ferro e ácido fólico, o nome pomposo da farinha branca. Lojas de produtos naturais e feiras de orgânicos vendem pães caseiros 100% integrais, alguns pães multigrãos de receita alemã e industrializados são 100% integrais e confiáveis, além de deliciosos. Leia o rótulo, pão integral é farinha de trigo integral, água e fermento, se for multigrão, será composto de farinha integral, água, fermento e aveia, linhaça, fubá, centeio, etc... mas nunca levará farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico.
O melhor pão 100% integral do RJ é o querido Pão do Bento e eu mesma faço em casa meu Pão de Raízes, que permite tantas variações, inclusive com a adoção de aveia e fubá, 100% orgânico e integral.


A Comunidade Sugar Blues do Orkut apresenta-se com o seguinte texto que nos leva à reflexão:

Você sabe que algo vicia quando produz:
1-desejo continuado
2-necessidade irresistível
3-dependência física
4-tolerância
5-psicotoxidez
6-psicose na abstinência

Você está com a saúde debilitada, vive gripado e com CORIZA?
Não consegue se livrar da ACNE?
O COLESTEROL não baixa?
Sofre de ENXAQUECA?
Tem INSONIA?
Morre de SEDE deliberadamente?
Sua MENSTRUAÇÂO está irregular, você tem corrimento?
Não consegue descobrir o motivo? Já fez uma infinidade de exames e não chegou a conclusão nenhuma?
Preste atenção na sua alimentação!
Provavelmente, você consome muito açúcar...


Lembre ainda da história recente de nosso país, onde o único presidente eleito impedido por processo a continuar seu mandato foi um "usineiro", representante das oligarquias nordestinas, monoculturas latifundiárias, que transformaram nosso sertão e agreste num curral eleitoral, sinônimo de atraso e subdesenvolvimento dessa cultura agrícola que escraviza crianças.


Mais informação no brilhante artigo de Denis Russo:

Farinha de trigo, açúcar e cocaína
segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 16:12

Se um dia alguém resolver erigir um monumento em praça pública às boas intenções frustradas do pensamento científico, podia ser uma estátua monumental de um prato cheio de pó branco. Assim homenagearíamos de uma só vez três enganos cientificistas: a FARINHA DE TRIGO REFINADA, o AÇÚCAR BRANCO e a COCAÍNA. Três pós acéticos e quase idênticos, três frutos do pensamento que dominou o último século e meio: o reducionismo científico. Três matadores de gente.

Não é por acaso que os três são tão parecidos. Todos eles são o resultado de um processo de “refino” de uma planta – trigo, cana e coca. Refino! Soa quase como ironia usar essa palavra chique para definir um processo que, em termos mais precisos, deveria chamar-se “linchamento vegetal” ou algo assim. Basicamente se submete a planta a todos os tipos de maus-tratos imagináveis: esmagamento entre dois cilindros de aço, fogo, cortes de navalha, ataques com ácido. Até que tenha-se destruído ou separado toda a planta menos a sua “essência”. No caso do trigo e a da cana, o carboidrato puro, pura energia. No caso da coca, algo bem diferente, mas que parece igual. Não a energia que move as coisas do carboidrato, mas a sensação de energia ilimitada, injetada diretamente nas células do cérebro.
Começou-se a refinar trigo, cana e coca mais ou menos na mesma época, na segunda metade do século 19, com mais intensidade por volta de 1870. No livro (que recomendo muitíssimo) “Em Defesa da Comida”, o jornalista Michael Pollan conta como a tal “cultura ocidental” adorou a novidade. Os cientistas ficaram em êxtase, porque acreditavam que o modo de compreender o universo é dividi-lo em pequenos pedacinhos e estudar um pedacinho de cada vez (esse é o tal reducionismo científico). Nada melhor para eles, então, do que estudar apenas o que importa nas plantas, e não aquele lixo inútil – fibras, minerais, vitaminas e outras sujeiras. Os capitalistas industriais também curtiram de montão. Um pó refinado é super lucrativo, muito fácil de produzir em quantidades imensas, praticamente não estraga, pode ser transportado a longuíssimas distâncias. A indústria de junk food floresceu e sua grana financiou as pesquisas dos cientistas, que, animadíssimos, queriam mais.

Sabe por que esses pós refinados não estragam? Porque praticamente não têm nutrientes. As bactérias e insetos não se interessam pelo que não tem nutriente.

Os três tem efeito parecido na gente. Eles nos jogam no céu com uma descarga de energia e, minutos depois, nos deixam despencar. Aí a gente quer mais. Como eles foram separados das partes mais duras das plantas – as fibras – nosso corpo os absorve como um ralo, de uma vez só. Seu efeito eletrificante manda sinais para o organismo inteiro, o metabolismo se acelera. Aí o efeito vai embora de repente. E o corpo é pego no contrapé.

Cocaína, farinha e açúcar eram O Bem no final do século 19. Eram conquistas da engenhosidade humana. Eram a prova viva de que a ciência ainda iria conquistar tudo, de que o homem é maior do que a natureza, de que o progresso é inevitável e lindo. Cocaína era “o elixir da vida”. Nas palavras publicadas numa revista do século 19, “um substituto para a comida, para que as pessoas possam eventualmente passar um mês sem comer.” Farinha e açúcar davam margem a fantasias de ficção científica, como a pílula que dispensaria o humano do ato animal e inferior de comer.

O equívoco da cocaína ficou demonstrado mais cedo, já nas primeiras décadas do século 20. De medicamento patenteado pela Bayer, virou “droga”, proibida, enquanto exterminava uma população de viciados. A proibição amplificou seus males, transformando-a de algo que afeta alguns em algo que machuca o planeta inteiro, movendo a indústria do tráfico, que abastece quase todo o crime organizado e o terrorismo do globo.

Levaria muito tempo até que os outros dois comparsas fossem desmascarados. Até os anos 1990, farinha e açúcar ainda eram “O Bem”, enquanto “O Mal” era a gordura, o colesterol. Os médicos recomendavam que se substituisse gorduras por carboidratos e o mundo ocidental se entupiu de farinha e açúcar. Começou ali uma epidemia de diabetes tipo 2, causada pelas pancadas repentinas que farinhas e açúcar dão no nosso organismo. Começou também uma epidemia de obesidade. Sem falar que revelou-se que açúcar e farinha estão envolvidos no complô para expulsar frutas, folhas e legumes dos nossos pratos, o que está exterminando gente com câncer e doenças cardíacas. Como câncer e coração são as maiores causas de morte do mundo urbanizado, chega-se à constatação dolorosa: farinha e açúcar são na verdade muito mais letais do que cocaína. É que cocaína viciou poucos, mas açúcar e farinha viciaram quase todo mundo.

Agora os três pós brancos são “O Mal”. A humanidade está mobilizada para exterminá-los. Há até uma nova dieta vendendo toneladas de livros pela qual corta-se todos os carboidratos da dieta e come-se apenas gordura.

Em 1870, caímos na ilusão de que era possível “refinar” plantas até extrair delas o bem absoluto, apenas para nos convencermos décadas depois de que tínhamos criado o mal absoluto. Mas será que o problema não é essa mania humana de separar as coisas entre “O Bem” e “O Mal” em vez de entender que o mundo é mais complexo que isso e que há bem e mal em cada coisa? Trigo, cana e coca, se mastigados inteiros – integrais – são nutritivos e inofensivos e protegem contra doenças crônicas. Precisamos parar de tentar “refinar” a natureza e entender que ela é melhor integral.






E caso você queira ir ainda mais fundo, recomendo fortemente o blog de Pat Feldman, cujo marido neurologista escreveu livros sobre a CURA DA ENXAQUECA pela mudança alimentar - cortando açúcar e produtos refinados, é claro. A pesquisa desse casal foi ainda mais longe e mostra muitos casos de cura da forma mais leve de AUTISMO, a Síndrome de Asperger, a partir da exclusão de carboidratos processados.







E se você já está diabético, veja a história impressionante de um grupo de pessoas doentes que conseguiu reverter o quadro em 30 dias, sem remédios, adotando uma dieta a base de frutas, verduras, legumes e grãos integrais - todos crus - em Simply Raw: porque podemos viver 120 anos


Cuidado! Muita rapadura vem contaminada com lixo: O lado duro da rapadura




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"É câncer, mas não é nada."
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