sábado, 20 de fevereiro de 2010

Biocombustível para aviões será feito a partir do lixo



O primeiro biocombustível que eu simpatizo. Explico melhor, há uma grande empolgação em torno dos biocombustíveis. A mamona, soja, babaçu, dendê e até o cacau tornaram-se literalmente a salvação da lavoura, como já foi o Pró-álcool há alguns anos.

Do ponto de vista ambiental é uma temeridade, por 2 razões:
1. Devasta-se uma área nativa para uma monocultura, transgênica provavelmente
2. Não conscientiza o cidadão, consumidor final, que o problema não é só o combustível fóssil, mas o fato dele ter 3 carros na garagem e até ferro e aço serem transportados em caçamba de caminhão, quando a solução seria a ferrovia e a navegação de cabotagem.

A saída sempre é a diminuição do consumo, consumo consciente, aliada ao pensamento global, nesse caso o transporte coletivo.

Acha que eu exagero? Leia também sobre o aumento de emissões a partir dos biocombustíveis, aqui.

Abaixo, segue uma iniciativa inteligente na área, aplicando reúso do resíduo urbano em prol de um transporte coletivo de longa distância. Tudo certo, reduz o lixo urbano, não utiliza combustível fóssil e aplica-se a um processo insubstituível.



Biocombustível do lixo

A companhia de aviação British Airways fechou um acordo para a construção da primeira planta europeia de produção de biocombustível para aviões.

Segundo o repórter da BBC Richard Scott, a unidade deverá ser capaz de produzir 60 milhões de litros de combustível para abastecer os jatos da empresa britânica.

Para isso, serão consumidas 500 mil toneladas de lixo por ano.

Utilidade do lixo

A planta começará a ser erguida em 2012 na zona leste de Londres pela empresa americana Solena Group e deverá entrar em operação daqui a quatro anos. Pelo acordo, o grupo americano custeará a construção, enquanto a British Airways se compromete a comprar toda a sua produção.

Segundo a companhia, com esses 60 milhões de litros será possível abastecer apenas 2% dos voos que decolam do Heathrow, o principal aeroporto inglês.

Além de ser menos poluente, esse biocombustível é mais benéfico ao meio ambiente por reaproveitar o lixo comum. Normalmente, esse material permanece em aterros sanitários produzindo gás metano, um dos gases causadores do efeito estufa.

Biocombustíveis para aviação

A iniciativa da British Airways vem na esteira de outras medidas adotadas por empresas do setor.

Em fevereiro de 2008, a Virgin Atlantic Airways realizou um voo pioneiro à base de biocombustível entre Londres e Amsterdã. O Boeing 747 voou sem passageiros a bordo e teve um de seus quatro motores movido por um biocombustível produzido a partir de óleo de coco babaçu.

Desde então, diversos vôos a partir de outros biocombustíveis experimentais vêm sendo realizados pelo projeto Combustível Sustentável para Aviação, uma iniciativa que inclui companhias aéreas, como a própria Virgin e a Continental Airlines, além de fabricantes de aeronaves como a Boeing.

Em um relatório divulgado em junho do ano passado, o grupo diz que seus biocombustíveis produzem 65% a 80% menos gás carbônico do que os combustíveis à base de petróleo.

"Todas as combinações utilizadas em voos de teste atingiram ou mesmo superaram as expectativas de desempenho como combustível de avião", diz o relatório. "Para todos os voos experimentais, os biocombustíveis não demonstraram qualquer efeito adverso nas aeronaves", completa o texto.


Mais informação:
Avião solar
Avião a hidrogênio
Veleiro e ônibus a hidrogênio
E se cada família chinesa comprar um carro?
Conversão de plástico em óleo ou faça seu combustível em casa
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem


As fotos, do fotógrafo Marcos Prado, retratam Jardim Gramacho, um lixão urbano a 2hrs do Rio de Janeiro e podem ser encontradas no livro homônimo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Café da manhã de verão



No inverno, come-se mais, é natural.
Agora, deixo dicas para o calorão:

Sucos verdes

Smoothies

Vitamina de banana com aveia no leite de castanha do Pará

Açaí com abacaxi
 
Lassi indiano

Milkshake de morango e iogurte de morango super-rápido

Milkshake de iogurte com canela

Cremes de frutas sem açúcar

Creme de abacate com laranja ou ameixas

Gelatina caseira

Sorvete de morango na coalhada

A salada de futas com maracujá e creme de iogurte ou qualquer torta crua, como a de tâmaras com castanha do Pará ou de damasco com cacau descritas na Ceia de Natal

Torta tropical crua

As limonadas com iogurte, chá gelado e até couve

Refrescos de melão\melancia com gengibre:
1 pedaço da fruta
1 dedinho de gengibre
muita água (se possível de coco), é refresco - suco grosso tem muita frutose e entra direto no sangue por ser líquido.
Bater tudo e coar, nem precisa de açúcar 

Água de coco é muito hidratante e, com a gordura natural do coco, ainda lubrifica os intestinos.


Para passar na torrada do pão sempre 100% integral (ou no beiju de tapioca), muitas pastas e manteigas caseiras:
Geléia de damasco ou ameixas secas
Geléia de morango ou qualquer fruta vermelha, até jabuticaba
Patês de castanhas e o cream cheese de castanha de caju
Queijo de Pinhão
A "manteiga" de alho (ou cebola, cogumelos e até beringela), o guacamole e os patês de feijão descritos na Ceia de Natal
Manteiga e queijo de Minas de boa qualidade, orgânicos (a Naturallis e a Vale das Palmeiras produzem e distribuem para os principais supermercados)
O patê de tahine com melado de cana (frio e na torrada, lembra manteiga de amendoim e derretido, lembra doce de leite, perfeito com coco ralado na tapioca)


As brasileiríssimas tapioca, pamonha e cuscuz, também são sempre bem vindos.

E para quem não abre mão de um copo de leite gelado, veja como fazer o leite de castanhas naturalmente adoçado com passas, cujo bagaço vira um cookie.

Fuja de pão branco, bebida pronta , requeijão de copo e margarina


A foto é do café da manhã na roça das irmãs, lá do Come-se


Mais informação:
Os brunchs do feriadão
Café da manhã de inverno

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Dica de carnaval: refresco de capim limão


Além do Guia de Blocos do RJ, é claro.
Só no RJ, o último dia de feriado ainda lista 165 blocos!

Mas vamos à receita, que por sinal caiu bem nesses dias em que se chega em casa de biquini quase de madrugada, com o corpo moído de tanto seguir banda.

Refresco de capim limão (ou erva cidreira):
Faça um chá da erva seca, espere esfriar e bote para gelar
Coe e mantenha em jarras na geladeira.
Quando chegar em casa, pingue meio limão para cada meio litro de chá.
Adoce (açúcar não, por favor) e tome.



Capim limão combate o câncer, é delicioso, relaxante e super refrescante nesse calorão.

Se encontrar o capim limão fresco, pode fazer o suco direto da folha, batendo no liquidificador com água gelada. A Karin faz assim e eu, quando encontro no Russel, também faço.
O luxo de tomar esse refresco de capim limão fresco, levinho e delicioso, já é uma razão para manter uma horta caseira, ou pelo menos um pé da erva em vaso

Mas ter a erva seca em casa e deixar uma jarra de chá na geladeira, é uma mão na roda e nem precisa lavar o liquidificador depois. Esse chá gelado também pode ser a base da levíssima limonada de capim limão feita com limão galego. Basta pingar meio limão para cada meio litro de chá, nem precisa adoçar.

O kilo da erva seca comprada a granel no empório é mais barato do que uma caixa com 10 saquinhos de chá do supermercado e dispensa todas as embalagens.
Sabe quanto rende 1kg de erva seca para chá?
Uma sacola de supermercado cheia. Dá uma olhada nos potes da cozinha daqui de casa para ter uma idéia da economia.

Para quem já mantém uma horta caseira, capim limão é de fácil cultivo e está na moda até em receitas de peixe e aves, além de render também a deliciosa e sofisticada geléia de capim limão.


Para os que não abrem mão de um copo de leite gelado, antes de dormir ou pela manhã, veja como fazer um leite de castanhas do Pará naturalmente adoçado com passas claras, cujo bagaço residual vira um cookie de aveia!

A foto é do Wikipedia

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Consumo inteligente de energia no Verão

Eu acordei bem no deserto do Saara...

Acordou no Saara?
Tem sorte, aqui no RJ está mais quente!



As dicas do Instituto Akatu para reduzir o consumo de energia nesse calorão:

Calor leva o consumo de energia a bater recordes no Brasil

Mas o conforto dos eletrodomésticos como o ar-condicionado pode ser aproveitado sem desperdícios
Por Fátima Cardoso, do Instituto Akatu

Nunca antes na história deste país se consumiu tanta energia elétrica. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pelo controle das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), que cobre quase todo o país, anunciou que no dia 3 de fevereiro de 2010, uma quarta-feira, foi batido um recorde histórico. Pouco depois das 15 horas, foi atingido um ponto máximo de demanda instantânea – 70.400 MW – jamais visto no Sistema Nacional. Nunca o consumo máximo havia ultrapassado a marca de 70.000 MW.

Ao longo da primeira semana de fevereiro, os recordes históricos de consumo de energia foram batidos dia após dia. De acordo com a ONS, os recordes ocorreram devido às altas temperaturas no Brasil, que rondou os 35º C em várias regiões do país. Com tanto calor, aumenta o número de aparelhos de ar-condicionado e de ventiladores ligados pelo país afora.

A pior notícia é que, para atender um consumo tão alto, foi necessário ligar mais usinas termelétricas, que geram energia com a queima de gás natural. O gás é um combustível fóssil, que emite poluentes e gases de efeito estufa, os responsáveis pelo aumento do aquecimento global. O aquecimento global poderá levar às mudanças climáticas que ameaçam a natureza e a vida humana.

No Brasil, em torno de 92% da energia elétrica é gerada pelas usinas hidrelétricas, que têm alguns impactos ambientais importantes, como o alagamento de grandes áreas e o deslocamento de populações, mas são consideradas “limpas” em relação à emissão de poluentes. As poluidoras termelétricas a gás são responsáveis pela geração de 4% da eletricidade do país.

Entretanto, o consumo de eletricidade vem aumentando a cada ano – em dezembro de 2009, por exemplo, foi 8,4% maior do que em dezembro de 2008. O setor comercial e o residencial foram os maiores responsáveis por esse aumento. Para aumentar rapidamente a oferta de energia, o governo federal tem investido cada vez mais nas termelétricas. Isso significa que, ao consumir eletricidade, os brasileiros contribuirão cada vez mais para a emissão de gases de efeito estufa e, conseqüentemente, para intensificar o aquecimento global.

A tendência é que o consumo de energia elétrica cresça cada vez mais, pois o aumento do poder aquisitivo das pessoas das classes D e E levou-as a comprar mais eletrodomésticos. Para viver com o conforto proporcionado por esses aparelhos, entretanto, não é preciso desperdiçar energia. Veja abaixo algumas dicas:

Ar-condicionado: use com moderação

Os aparelhos de ar-condicionado são os maiores consumidores de energia elétrica em uma residência. Durante o verão, são responsáveis por um terço do gasto de eletricidade doméstico. Para manter a casa fresca sem desperdício, deixe as janelas e as portas do ambiente refrigerado fechadas e desligue o aparelho quando o ambiente estiver vazio. Feche as janelas ou as cortinas, para impedir que o sol bata lá dentro, pois isso vai aumentar a temperatura interna e exigir mais trabalho do aparelho. Ao comprar um aparelho de ar-condicionado, prefira os que têm o selo Procel, pois são mais eficientes e gastam menos energia.

Banho sem desperdício

A maioria das casas no Brasil ainda tem chuveiro elétrico, o maior devorador de eletricidade dentro de uma residência, responsável por quase 25% do consumo. O jeito mais simples de economizar energia elétrica é regulá-lo na posição “inverno” somente quando estiver frio. E, é claro, passar menos tempo embaixo do chuveiro, fechando-o enquanto se passa sabonete ou xampu. Ao diminuir o tempo do banho de 12 para 6 minutos, uma pessoa economiza energia suficiente para manter uma lâmpada acesa por 7 horas.

Geladeira mais econômica

A geladeira é um prato cheio para economizar energia. Como fica ligada o tempo todo, é responsável por 22% do consumo doméstico de eletricidade de uma casa, quase empatando com o “campeão” chuveiro. Se sua geladeira tiver mais de 10 anos, vale a pena pensar em trocá-la por uma nova, pois as mais antigas consomem muito mais energia. Se decidir comprar uma nova, prefira as que têm o selo Procel com nota “A” na etiqueta do Inmetro o que indica que gastam menos energia do que as geladeiras equivalentes na mesma categoria, e por isso recebem o selo Procel .

Seja nova ou antiga, evite ficar abrindo a porta da geladeira o tempo todo, pois isso faz com que ela tenha de trabalhar mais para manter a temperatura fria. Pelo mesmo motivo, não deixe a porta muito tempo aberta enquanto escolhe o que quer pegar. Evite forrar as prateleiras com plásticos ou vidro e procure não abarrotá-las, desta forma deixando espaço para a circulação do ar. E não guarde líquidos nem alimentos ainda quentes na geladeira, pois o motor vai ter de trabalhar mais para esfriá-los, e isso vai provocar mais gasto de energia.

Aparelhos desligados de verdade

Um jeito fácil economizar energia é desligar “de verdade” os aparelhos eletrônicos que funcionam com controle remoto. Isto significa apertar o botão on/off e não apenas desligar no controle remoto. Para que o controle remoto possa ligar um aparelho instantaneamente, como a TV ou o som, é preciso que fique ativado o “stand-by”. Mas, o “stand-by” é um devorador de energia elétrica, sendo responsável por até 25% do consumo de energia dos equipamentos eletroeletrônicos.

Lembre-se também de desligar computadores e monitores de vídeo, mesmo quando deixar de usá-los apenas por pouco tempo. Muitas pessoas acreditam que o processo de ligar e desligar computadores e monitores consome muita energia, mas isso não é verdade. Os computadores devem ser desligados sempre que forem ficar mais de meia hora inativos, e os monitores, quando forem ficar sem uso por mais de quinze minutos.

Mais luz com menor gasto

Outro jeito simples de economizar energia elétrica é trocar as lâmpadas da casa pelas mais econômicas, como as fluorescentes. Elas são mais caras, mas economizam até 80% de energia em relação à lâmpada comum e duram até 13 vezes mais. Com isso, o preço maior pago por elas é compensado, em 8 meses, pela economia de energia elétrica. Procure usar a luz natural sempre que for possível, deixando janelas e cortinas abertas. E apague as luzes sempre que sair de um ambiente.

Roupa lavada e passada sem desperdício

Na hora de usar a máquina de lavar roupa, economize água e energia lavando, de uma só vez, a quantidade máxima de roupa indicada pelo fabricante do equipamento. Se usar a secadora, utilize também a capacidade máxima, evitando o desperdício de energia elétrica. Ao passar a roupa, espere acumular uma quantidade razoável de peças e passe tudo de uma vez só, desta forma você só esquenta o ferro uma única vez. Passe primeiro as roupas delicadas, que precisam de menos calor. No final, depois de desligar o ferro, aproveite o menor calor para passar algumas roupas leves.


Dicas minhas:
1. Não compre roupas que precisem passar a ferro, fique livre dessa trabalheira - eu fiquei, meu ferro está sem uso há 5 anos :-)))
Se você é um homem infeliz que usa camisas sociais, entre na moda do tecido amassadinho e deixe sua mulher-mãe-passadeira feliz - seu chefe também está suando em bicas e será solidário.
2. Troque todas as suas lâmpadas por econômicas e mantenha as janelas-cortinas abertas para a luz natural entrar
3. Aproveite que vai aposentar o ferro elétrico e aposente também a secadora de roupas e o secador de cabelos, à excessão de lugares que nevam, ninguém precisa de nenhum dos dois.
4. Esqueça que chuveiro elétrico existe, é uma porcaria mesmo - aliás, para quê água quente nesse calorão? E não tome banhos longos em época nenhuma do ano, quente ou frio, a economia de água é ainda mais importante que a de luz.
5. Fogão e geladeira não devem ficar na mesma parede da cozinha, principalmente um ao lado do outro, a geladeira gasta energia em dobro para manter tudo frio.
6. Não coloque nada quente dentro da geladeira, espere esfriar do lado de fora, para que a mesma não trabalhe em dobro.
7. E, independente da época do ano, chame apenas 1 elevador de cada vez, economiza-se até 40% de energia


Mais informação:
Verão sustentável

Agrotóxicos, orgânicos e trabalho escravo 7


Venenos legalizados
O Globo, 24.01.10

Cientistas organizam uma lista de alerta sobre agrotóxicos tolerados pela lei brasileira, mas que representam uma ameaça à saúde. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e enfrenta problema crônico de contaminação. Ainda em seu início, a lista já inclui 27 substâncias, cuja venda é permitida, mas sobre as quais há suspeita de causar desequilíbrios hormonais, com danos que vão de obesidade e depressão à redução de fertilidade masculina.
Os estudos serão apresentados ao Ministério da Saúde, responsável por determinar restrições ao uso de agrotóxicos. As substâncias analisadas levam muito tempo para serem eliminadas do meio ambiente. Por isso, são contaminantes perigosos. O contato inicial acontece nas zonas de produção agropecuária e chegam às cidades através do consumo de produtos com traços dos compostos.
O grupo de pesquisa – que reúne universidades como UFRJ, Unicamp e USP, além de três sociedades científicas – diz combater uma tendência histórica do governo de só controlar substâncias após outros países tomarem a iniciativa.
- Lidamos muito mais com alguns compostos prejudiciais à saúde do que europeus e americanos – alerta Tomaz Langenbach, coordenador do Programa de Pesquisa e Manejo de Risco da UFRJ – Aqui, as moléculas se movimentam de forma diferente: como nosso clima é mais quente, há uma evaporação maior, levando mais substâncias ao ar. Os problemas chegam à comida. Se um alimento é muito consumido por aqui, a tolerância a substâncias danosas deve ser menor.


Poluição do ar também preocupa pesquisadores
Como Langenbach ressalta, a ingestão não é a única forma de intoxicação. A inalação é ainda mais perigosa – e, supreendentemente, menos conhecida:
- Não há estudos no Brasil relacionados à poluição do ar. É lamentável, porque, nos cinturões agrícolas, a população está exposta aos pesticidas aplicados nas plantações.
Langenbach compõe o grupo de pesquisas capitaneado pela Sociedade Brasileira de Mutagênese, Carcinogênese e Teratogênese Ambiental. A instituição quer propor que o governo tenha sua própria metodologia para definir que substâncias devem ser controladas. O grupo escolheu começar seus estudos pelos agrotóxicos, mas outros compostos, cujo efeito ainda é estudado, podem ser analisados depois. Entre eles, o bisfenol A, presente em latas, embalagens e brinquedos, que teria ligação com casos de câncer e doenças cardíacas.
- Como há sempre substâncias sendo descobertas, a legislação não pode ser estática – ressalta Rúbia Kuno, integrante do grupo de pesquisadores e gerente da Divisão de Toxicologia da Companhia Ambiental de SP. – Alguns compostos são perfeitamente substituíveis, e este é o caso de muitos agrotóxicos. Mas, para outras substâncias, a mudança deve ser feita de forma gradual, para que a indústria possa trocá-las por outras menos danosas.
Os pesquisadores também vão propor que o governo federal analise periodicamente os mananciais para descobrir quais substâncias estão mais concentradas na água.
- Todas as substâncias eliminadas pela urina estão nos mananciais, como restos de medicamentos e cafeína – destaca Rúbia.
- A alta concentração de qualquer uma delas é prejudicial à vida aquática. É importante, portanto, fazer algum mapeamento.


Composto usado em antiaderente atacaria tireóide
Uma outra substância comum também tem sido alvo de preocupação, depois que um estudo sugeriu haver um possível elo com problemas na tireóide. A substância se chama ácido perfluoroctanoico (PFOA, na sigla em inglês). É usada em frigideiras e panelas antiaderentes e materiais resistentes à água. Segundo uma pesquisa publicada na revista “Environmental Health Perspectives”, pessoas com altos níveis de PFOA no sangue correm mais riscos de problemas na glândula. O PFOA é um produto químico comum, usado em produtos industriais e utensílios para cozinha, em coberturas de carpetes para evitar manchas e telas à prova d´água. Para os pesquisadores, a relação com doenças pode ser complexa e indireta. Daí a necessidade de novas análises para confirmar os possíveis efeitos nocivos do ácido.
- Precisamos saber o que estas substâncias estão causando – diz Tamara Galloway, professora da Universidade Exeter e principal autora.
Sua equipe observou que as pessoas com maior nível de concentração do ácido (acima de 5,7 nanogramas por mililitro) apresentavam mais do que o dobro de probabilidades de sofrer alguma doença na tireóide que os indivíduos com os menores níveis de PFOA (menos de 4ng|ml). Foram analisados exames de sangue de 3.966 americanos adultos, entre 1999 e 2006.
Porém, estudos prévios em pessoas que vivem em áreas próximas de indústrias de PFOA não mostraram associação entre a exposição a este químico e danos na função da tireóide.
- Ainda não se pode dizer que doenças da tireóide e PFOA estão definitivamente vinculadas – afirma Ashley Grossman, professora de neuroendocrinologia na Universidade de Londres. – Geralmente problemas da tireóide são causados por falha do sistema autoimune, devido a uma autoregressão do organismo. E talvez o PFOA tenha algum efeito no sistema imune.
Dependendo da alteração, ocorrem perda de cabelo, ganho de peso e sensação de cansaço. Emagrecimento e coração acelerado podem ser sintomas de hipertireoidismo.


Mais informação:
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Como remover agrotóxicos dos alimentos
O mundo segundo a Monsanto
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
Parasiticida de sisal
Alterações genéticas por intoxicação permanecem por gerações
Du Pont, Nomex e as panelas com material para brigadistas


A imagem é da Folha Online

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

E se cada família chinesa comprar um carro?

Dou um tempo nos orgânicos e trago essa entrevista oportuna, já que vivemos num país onde o slogan da indústria automobilística é "apaixonados por carro, como todo brasileiro".



NO DIA EM QUE CADA FAMÍLIA CHINESA TIVER SEU CARRO
Por Mauro Kahn

As estatísticas mostram que atualmente existe um carro na China para cada 35 chineses. Apesar de ainda estarem longe do Brasil, em que a média é de um carro para cada 8 brasileiros, e principalmente dos EUA, onde há quase um carro para cada cidadão americano, o que acontecerá com o Mundo quando cada família chinesa tiver o seu carro?

Com o Mundo ainda é difícil prever com precisão, mas é certo afirmar sobre os efeitos na própria China, onde o tráfego e a poluição serão absolutamente insustentáveis. Basta lembrar dos recentes Jogos Olímpicos de Pequim, há dois anos atrás, quando a população local foi obrigada pelo governo a manter seus carros nas garagens para que a qualidade do ar da cidade não assustasse os visitantes.

Mesmo perante este tipo de situação o governo chinês não cogita tirar o pé do acelerador, explorando ao máximo o notório potencial do país, custe o que custar. Chega-se a acreditar que num futuro próximo, se a meta chinesa for ao menos parcialmente cumprida, a frota de veículos chinesa beirará os 300 milhões de veículos, número assustador se comparado aos 38 milhões atuais e ainda superior ao da já alarmante frota norte-americana de 230 milhões de veículos.

Se não bastasse a quantidade, os chineses pecam igualmente pela qualidade de seus produtos de ciclo de vida conhecidamente reduzidos, ao exemplo das canetas que de lá importamos a R$0,15 e não hesitamos em descartar no primeiro momento em que começam a falhar. O que farão os chineses quando carros ficarem velhos? Produzirão o maior volume de sucata da história da humanidade, alé,dos bilhões de litros de óleos lubrificantes irão queimar hidrocarbonetos em uma velocidade incrível.

Consome-se, hoje no mundo, mais de 30 bilhões de barris de petróleo por ano, num planeta onde as reservas são sabidamente decrescentes. Perante um aumento potencialmente tão expressivo da frota mundial, até que nível isto iria elevar o consumo? Quanto custará o litro da gasolina mantendo-se a lei da oferta e da procura? Poderíamos supor que as cotações nunca mais voltassem aos dois dígitos e ficaríamos muito contentes se não fossem além dos US$ 200,00 o barril. Quando isto ocorrer certamente iremos buscar uma maior eficiência energética e também o uso racional do automóvel. Caso contrário, a combustão de hidrocarbonetos e a demanda por parques de refino cada vez maiores, como já ocorre na China, tornarão mais caótica ainda a poluição atmosférica, até porque os automóveis chineses serão muito mais atrativos pelo seu baixo preço do que por sua eficiência energética e/ou ambiental.

Obviamente, os carros chineses não serão um problema apenas dentro da China. Como tudo que lá se produz lá para o mercado local, os carros chineses também serão exportados em larga escala. Seria bastante razoável prever que, à altura em que andassem em seus 300 milhões de carros, os chineses já houvessem exportado cerca de outros 300 milhões para o resto do mundo, até porque isto irá ocorrer a um preço extremamente competitivo, totalizando o incrível número de 600 milhões de veículos chineses então presentes no planeta, isto será equivalente a toda atual frota mundial atual.

Em 2009, a China chegou ao primeiro lugar do Ranking dos Países Exportadores, ultrapassando a Alemanha. Dito isto, nada mais justo que cada um dos 1,5 bilhões dos chineses pretenda elevar sua renda e seu nível de consumo. Contudo, preocupa-se sobre onde encontraremos tantos recursos naturais para suportar tal crescimento? Qual será o destino de tantos resíduos? Esperamos encontrar essas respostas o mais rápido possível, ou nunca precisar encontrá-las.

Fonte: Clube do Petróleo

A foto é de um engarrafamento em Pequim


Mais informação:
O mito da autossuficência em petróleo: No pais do pré-sal, a gasolina mais cara do mundo
Conversão de plástico em óleo ou faça seu combustível em casa
O preço do crescimento chinês: vilas de câncer

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Agrotóxicos, orgânicos e trabalho escravo 6

Todo alimento orgânico é muito mais que um produto sem agrotóxicos. É o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos, etc.), conservando-os a longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. Deste modo, para se obter um alimento verdadeiramente orgânico, é necessário administrar conhecimentos de diversas ciências (agronomia, ecologia, sociologia, economia, entre outras) para que o agricultor, através de um trabalho harmonizado com a natureza, possa ofertar ao consumidor alimentos que promovam não apenas a saúde deste último, mas também do planeta como um todo. Para alcançar este objetivo, existe uma disciplina teórica que integra as descobertas de várias ciências, buscando compreender em profundidade a natureza e os princípios que a regem.

Fonte: Planeta Orgânico



Onde comprar?
Geralmente, grandes redes de supermercados oferecem áreas exclusivas a esses produtos, especialmente os legumes e verduras.

Há disponível um mapa nacional listando todos os supermercados, lojas, feiras e até empresas que fazem entregas a domicílio.

Eu sou uma grande entusiasta das Feiras, como a da Água Branca (SP) e a da Glória (RJ). Acredito que o contato olho no olho seja a melhor maneira de conhecer novas verduras, aprender receitas, ouvir histórias e até desmistificar alguns (pré) conceitos.
Numa feira livre, você pode comprar comidinhas para consumo imediato, bater papo, trocar dicas variadas e até ouvir boa música.
As barracas oferecem produtos semelhantes, mas variados, e você tem o direito de escolha sobre onde o que quer está com uma "cara" melhor e preço mais interessante.

Como a Feira é de produtores orgânicos, todos são registrados pela ABIO, o que os obriga a serem qualificados e realmente entender do assunto. Geralmente um produtor orgânico, trabalha em parceria com um agrônomo ou mesmo nutricionista. Muitas vezes o barraqueiro é o próprio agrônomo e além de vender seu cultivo, também disponibiliza um cosmético cosmético certificado não-testado em animais  e todo embalado em papel reciclado, que você nem ouviu falar ainda, ou um chocolate belga orgânico com 85% de cacau puro, entre outras mercadorias imperdíveis, como vestidos em renda nordestina feito pela cooperativa das mulheres de pescadores, brinquedos de pet reciclado, livros e muito mais.

O fato de o produtor lidar direto com o cliente, acaba com os atravessadores e faz com que o custo final, caia. O produtor, que geralmente trabalha em cooperativa e é co-proprietário do "negócio", domina todas as etapas da produção, incluindo a logística final e muitas vezes é co-proprietário até da terra que cultiva.
Uma cooperativa de orgânicos com respectiva venda em Feira é a aplicação mais exemplar da autogestão e sustentabilidade.
Num supermercado ou rede varejista, isso seria impossível, além de ter toda uma tributação embutida no preço final do produto. Nesse mega negócio, todos saem perdendo, incluindo nós, o consumidor final.

Se ainda não leu a Colheita Feliz, de Flavio Vieira, leia. O produtor local oferece produtos da época, cujo cultivo é mais simples, e ainda consome menos combustível fóssil no transporte, já que está próximo.
Sustentabilidade começa pensando globalmente para agir localmente, exatamente como uma simples feirinha de bairro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Agrotóxico, orgânicos e trabalho escravo 5



Uma das muitas questões acerca da produção orgânica envolve reponsabilidade social, independente de pesticidas e agrotóxicos, toda produção para ser considerada orgânica deve empregar pessoas de acordo com as leis trabalhistas vigentes.
Logo, não pode empregar crianças nem envolver trabalho escravo ou sub-humano.



Flavio Vieira, do Energia Eficiente, postou sobre a Colheita Feliz e a possibilidade viável de comprar de pequenos produtores locais. Vale a pena ler.

Aqui também já postado acerca dos campeões de trabalho escravo em nosso país, a agropecuária, que transforma a Amazônia em pasto na Farra do Boi na Amazônia, de acordo com o vasto e detalhado relatório do Greenpeace.

Uma das muitas vantagens em comprar de produtores orgânicos locais é, além de reduzir o frete feito em combustível fóssil, a certeza de que aquelas pessoas que trabalham em cooperativa, estão vivendo a autogestão e não sendo exploradas por uma grande corporação ou um latifundiário da bancada ruralista. Quando toda forma de produção atinge larga escala, o controle sobre o processo se perde, como ocorreu com a inicialmente bem intencionada iniciativa das bandejas em fécula.

As empresas "limpas" e quem está na "lista negra":

A lista negra dos que exploram, boicote essas empresas e exerça sua cidadania.

As empresas sérias que já são signatárias do Pacto Nacional para erradicação desse câncer social.



Mais informação sobre a realidade nacional:
Soja e Milho, monocultura, transgenia e exploração social
Construção Civil em obra da Claro telefonia celular
O lado B da monocultura transgênica da soja que ainda transforma o Cerrado em deserto.
Aumento do trabalho infantil
A soja é desnecessária