segunda-feira, 29 de março de 2010

Compras a granel



Recebi o email abaixo de um colega offshore e passo adiante, porque me deu gancho para falar de um assunto que sempre está na roda, mas nunca foi tratado com o devido respeito: compras a granel

Segue a mensagem:

“Sinceramente, não sei se o cálculo desse exemplo abaixo está correto, mas outro dia, entrei num supermercado para comprar orégano e adquiri uma embalagem (saquinho) do produto, contendo 3g, ao preço de R$1,99. Normalmente esse tipo de produto é vendido nos supermercados em embalagens que variam de 3g a 10 g. Cheguei em casa e resolvi fazer os cáculos e constatei que estava pagando proporcionalmente, R$663,33 pelo kg do produto. Será que uma especiaria vale tudo isso???

Agora, com mais estes exemplos (abaixo) de produtos vendidos em pequenas porções, fico com a sensação que as indústrias utilizam-se "espertamente" desse procedimento para desorientar o consumidor, que perde totalmente a percepção real do valor que está pagando pelos produtos.

TODOS os fabricantes e comerciantes deveriam ser obrigados por lei (mais uma?!) a estamparem em locais visíveis, os valores em kg, em metro, em litro etc. de todas e quaisquer mercadorias com embalagens inferiores aos seus padrões de referências.
Entendo que o consumidor tem o sagrado direito de ter a percepção correta e transparente do valor cobrado pelos fabricantes e comerciantes em seus produtos.

VEJAM O ABSURDO:
Você sabe o que custa quase R$13.575,00 o litro?
Resposta: TINTA DE IMPRESSORA!

VOCÊ JÁ TINHA FEITO O CÁLCULO?
Veja o que estão fazendo conosco!
Já nos acostumamos aos roubos e furtos, e ninguém reclama mais.
Há pouco tempo as impressoras eram caras e barulhentas. Com as impressoras a jatos de tinta, as impressoras matriciais domésticas foram descartadas, pois todos foram seduzidos pela qualidade, velocidade e facilidade das novas impressoras.

Aí, veio a "Grande Sacada" dos fabricantes:
oferecer impressoras cada vez mais e mais baratas, e cartuchos cada vez mais e mais caros. Nos casos dos modelos mais baratos, o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora.
Olhe só o cúmulo: pode acontecer de compensar mais trocar a impressora do que fazer a reposição de cartuchos.

VEJA ESTE EXEMPLO:
Uma HP DJ3845 é vendida, nas principais lojas, por aproximadamente R$170,00. A reposição dos dois cartuchos (10 ml o preto e 8 ml o colorido), fica em torno de R$ 130,00.
Daí, você vende a sua impressora semi-nova, sem os cartuchos, por uns R$90,00 (para vender rápido).
Junta mais R$80,00, e compra uma nova impressora e com cartuchos originais de fábrica.
Os fabricantes fingem que nem é com eles; dizem que é caro por ser "tecnologia de ponta".
Para piorar, de uns tempos para cá passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta (mantendo o preço).Um cartucho HP, com míseros 10 ml de tinta, custa R$55,99. Isso dá R$5,59 por mililitro.
Só para comparação, a Champagne Veuve Clicquot City Travelle custa, por mililitro, R$1,29.
Só acrescentando: as impressoras HP 1410, HP J3680 e HP3920, que usam os cartuchos HP 21 e 22, estão vindo somente com 5 ml de tinta!
A Lexmark vende um cartucho para a linha de impressoras X, o cartucho 26, com 5,5 ml de tinta colorida, por R$75,00. Fazendo as contas: 1.000 ml / 5.5 ml = 181 cartuchos R$75,00 = R$13.575,00.

Veja só: R$13.575,00 por um litro de tinta colorida. Com este valor, podemos comprar, aproximadamente:

- 300 gr de OURO;
- 3 TVs de Plasma de 42';
- 1 UNO Mille 2003;
- 45 impressoras que utilizam este cartucho;
- 4 notebooks;
- 8 Micros Intel com 256 MB.”



Não vou tratar de cartuchos, tampouco de informática, mas de valores agregados por montante.
Em bate-papo anterior com Ti, no post de Castanha do Pará, conversamos sobre as (boas) compras a granel e o exemplo do orégano foi justamente o que veio à tona.

É justo 1kg de orégano ser mais caro do que 1kg de carne (ou shitake)? Pior, 1kg de orégano (que só serve para dar sabor, não alimenta nada) ter um valor de mercado acima do salário mínimo?
Você é obrigado a levar 10 embalagens porque precisa de 100gr e só vendem saquinhos de 10gr?

Claro que não para todas as perguntas, até porque orégano nem é uma especiaria como reclamou com muita propriedade o rapaz do email aí acima, mas uma erva aromática que dá em qualquer vasinho.

Na minha casa, as compras são feitas basicamente em 2 lugares: feira de orgânicos e empório a granel. No supermercado, o número de atravessadores é tão grande, que o custo final embutido torna as mercadorias muito mais caras. E quem paga essa diferença, somos nós, o consumidor final.
Alguns ítens não têm escapatória, como produto de limpeza, por exemplo. Entretanto, se você puder deixar para comprar seus legumes, verduras e frutas orgânicos direto do produtor na feira local, você só tem a ganhar. O produtor trabalha com mercadoria mais fresca, não embalada, é responsável pelo próprio frete, o que reduz o custo, e pode te oferecer uma infinidade de produtos dispensados pelas grandes redes varejistas por não serem considerados comercialmente vantajosos.

Quer um exemplo?
Na Feira do Russel, insistentemente divulgada aqui, você encontra com a mesma facilidade da alface, produtos incomuns como: azedinha, escarola, carvalho roxo, capim limão, beldroega, radichio, aneto, chicória frisée, cará do norte, taioba, flores de capuchinha, fruta pão... Além dos tradicionais, como agrião, rúcula, espinafre, couve, banana, laranja, goiaba, manga, mamão, limão galego, queijos, ovos e até frango caipira, vinho, cachaça... E tudo orgânico, certificado e mais barato do que no hipermercado.



Entretanto, como não dá para viver de folha e acompanhamentos de luxo, então a saída é partir para o mercado cerealista, empório árabe, mercearia a granel, armazém de secos e molhados... ou qualquer outro nome que se dê àquele lugar tão simpático cheio de barris de azeitona pelo chão, onde a ameixa seca é vendida à quilo num vidrão do balcão e tem de tudo um pouco.

Como eu moro no RJ, o mais tradicional na zona urbana é o empório árabe Casa Pedro, que tem absolutamente de tudo que não seja perecível (até manteiga de garrafa, azeite extra-virgem e rapadura) e vive entupido de gente, é claro. A Cadeg e a Ceasa, além de mais afastadas, têm foco de revenda tradicional e são mais voltadas à flores e arranjos, no caso da Cadeg, e ao horti-fruti convencional, no caso da Ceasa. Bom programa de final de semana, ir almoçar na Cadeg, dizem ter até roda de samba. E a Cadeg, em Benfica, foi recentemente promovida à Mercado Municipal Carioca, vale muito a pena passar pelo menos um dia lá. Outro empório a granel muito simpático no RJ é o simpático Xodó de Minas, com perfil de produtos típicos brasileiros. Em Copacabana, além do Xodó e da Casa Pedro, também há a Herborista, na Rua Barata Ribeiro 407, vendendo a granel e com a maior variedade de produtos naturais que eu já vi, incluindo cosméticos biodegradáveis e não-testados em animais e ervas curativas das mais variadas.

No bairro do Flamengo, há 2 lojas de produtos naturais que vendem grãos a granel e orgânicos, da Biorga, Demeter e da biodinâmica Wolkmann: Natuflora na Rua Senador Vergueiro, 93 e o Mercadinho Grão Integral da Galeria , onde se vende à granel e orgânico de tudo, na Rua das Laranjeiras, 43.
No Catete, existe uma lojinha completíssima O Nosso Armazen, indicação de uma leitora atenta.

A própria Feira de São Cristóvão é um programa, além de ser a maior referência em artigos nordestinos fora do Nordeste. Tudo que você possa imaginar, em quantidade e a preços locais.

Mesmo quem more em cidades de interior, também pode ter essa facilidade nos mercados cerealistas, onde os grãos são vendidos a granel e muitas vezes para os produtores rurais. Da mesma forma que se vende farelo de trigo para o gado, você pode encontrar arroz integral, aveia, painço, cevadinha, feijões, ervilhas, tapioca, frutas secas, castanhas (principalmente as brasileiras, como de caju, do Pará e amendoim), coco ralado seco, azeitonas, tremoços, etc.

Em SP, na Capital, há o imperdível Mercado Municipal, com mais de um empório disponível. Em Salvador, há o ótimo Mercado Modelo, cenário de tantas histórias de Jorge Amado. Em Belém, o Ver-o-peso, como o próprio nome diz, vende-se à quilo há quase 400 anos.
Uma maneira muito inteligente de conhecer um povo, é visitar seu mercado central, observar que o mineiro depois do trabalho gosta de "parar para uma branquinha", o paraense come peixe (de rio) frito com açaí logo pela manhã, já o paulistano seleciona seus embutidos e pães com o mesmo fornecedor há anos. Em Salvador vende-se muito camarão seco para os acarajés, enquanto em Belém há centenas de barriquinhas de água de cheiro, inclusive para usos mágicos. A cultura de um povo está toda resumida ali.

Algumas casas de artigos orientais também vendem seus produtos típicos a granel, a Liberdade é uma referência indiscutível, mas em outras cidades com colônia oriental expressiva também é possível encontrar. Aqui no RJ, as mais conhecidas são a Casa Vitana e as mercearias Fuji e Mei-Jo, ambas em Laranjeiras (R. Laranjeiras 280) e no Flamengo (Mq Abrantes 219).


Claro que nas principais capitais, a oferta de produtos tende a ser mais variada e é muito mais fácil encontrar itens sofisticados como shitake, tomate seco e açafrão. Mas na zona rural, ou mesmo em cidades periféricas, a vantagem é o preço mais baixo para os ítens de subsistência. Em todo caso, a compra a granel sempre vale a pena, para o seu bolso e para o aterro sanitário mais próximo.


Comprando castanhas e frutas secas, dê preferência às orgânicas, não são pulverizadas com inseticida.


Outros empórios:
http://www.emporiograosdaterra.com.br/
http://www.emporiosabordaterra.com.br/
http://www.tioaliemporioarabe.com.br/
http://www.emporiodoarrozintegral.com.br/



Atualização de 2014: O jornal O Globo publicou uma reportagem com conteúdo muito similar ao email anônimo que inicia essa postagem amadora, citando justamente os mesmos exemplos, orégano e tinta de impressora. Leia mais no artigo: Pequenas embalagens com preços exorbitantes





Mais informação aqui no blog:
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Orgânicos podem ser mais baratos
Carnes orgânicas, o quê e como comer
Canela da China x canela nacional batizada
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Favas olho de cabra orgânicas compradas a granel
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível




As fotos são de 3 dos 4 mercados citados: Municipal, Ver-o-Peso, Modelo e Feira de São Cristóvão e foram retiradas de sites aleatórios. As fotos dos grãos orgânicos a granel são minhas.

The Cove, documentário sobre golfinhos ganhador do Oscar




O documentário tenta desmascarar o governo Japonês, que encobre a mortandade de 23 MIL GOLFINHOS todos os anos.

"The Cove" ganhou o Oscar em sua categoria este ano, mas o protesto de seu diretor, Richard O´Balley foi retirado do ar na noite da premiação.


Há inúmeros registros no Youtube, mas nunca se sabe quais estão ativos ou não, é o caso de pesquisar.
Mais informação também no Wikipedia.


O que você pode fazer?
Simples, não frequente parques aquáticos, parte dos animais capturados acabam nos "Golfinhos de Miami" entre outros aquários públicos. Mostre às crianças que um animal enjaulado é um animal que foi sequestrado de sua família e que vai passar a vida escravizado.
Explique que festivais de caça aos cetáceos como ocorrem no Japão e Dinamarca, são completamente sem sentido no mundo atual.
Compre atum certificado como "dolphin free", se não conseguir passar sem.
É a demanda quem determina a oferta, nunca o contrário. O freguês tem sempre razão, nunca esqueça disso.


Mais informação:
Caça não é esporte
Guia Slow Fish Brasil
(os filmes) da Libertação animal
De onde vem o atum da latinha?
Finning - Até quando teremos esse absurdo?
Símbolo do RJ, boto sumirá das praias até 2050
Blackfish, o filme - entenda porque parques aquáticos com orcas e golfinhos deveriam ser fechados

sábado, 13 de março de 2010

Lixo Eletrônico

Há 2 semanas, vi um morador de rua e catador de lixo separar em sua sacola individual, um teclado em péssimas condições, que havia sido descartado normalmente.
Lixo eletrônico é um problema sério e muito atual, já que nossas máquinas tornam-se obsoletas cada vez mais rápido.

As empresas fornecedoras de serviços de telefonia celular já oferecem o serviço de reciclagem de seus aparelhos, mas a área computacional ainda não.



ONU adverte sobre perigo de resíduos eletrônicos para o meio ambiente
Fonte: UOL, 22/02/2010

O drástico crescimento da quantidade de dejetos eletrônicos (computadores, telefones celulares) provocará graves problemas sanitários e ambientais se não forem tomadas medidas urgentes de reciclagem, advertiu nesta segunda-feira a ONU.
"As vendas de produtos eletrônicos em países como China e Índia e nos continentes africano e sul-americano devem aumentar fortemente nos próximos dez anos", prevê um informe do Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (PNUMA).
"Se não for iniciada nenhuma política para coletar e reciclar estes equipamentos, muitos países vão ter montanhas de dejetos eletrônicos perigosos, com graves repercussões para o meio-ambiente e a saúde pública", alerta o relatório.
A quantidade de resíduos gerados por computadores deve crescer cerca de 500% na Índia, e entre 200 e 400% na África do Sul e na China em comparação com 2007. A progressão será também considerável para os telefones celulares, televisões e geladeiras.
A China já produz cerca de 2,3 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos anuais, atrás apenas dos Estados Unidos (3 milhões). Uma grande quantidade desse lixo "não é tratado devidamente", aponta a ONU.
Para Achim Steiner, diretor do PNUMA, a "China já não está sozinha para enfrentar esse imenso desafio", que também inclui "Brasil, Índia, México e outros países".
Ele afirma que é muito importante que métodos de reciclagem que "ofereçam o potencial de gerar empregos, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e recuperar importantes quantidades de metais, como a prata, o ouro e o cobre" sejam adotados imediatamente.
Os equipamentos eletrônicos atuais são integrados por até 60 componentes diferentes. Os telefones e os computadores portáteis consomem 3% do ouro e da prata extraídos durante o ano.



Lixo eletrônico ameaça países emergentes, mas reciclagem pode ser a solução
Relatório da ONU recomenda a reciclagem para evitar que o crescimento do consumo e o descarte incorreto de aparelhos eletrônicos provoquem danos ao ambiente e às pessoas
Por Fátima Cardoso, do Instituto Akatu, 25/02/2010

Ao mesmo tempo em que parte da população dos países emergentes melhora de vida, tendo mais acesso a bens de consumo como geladeiras, computadores e telefones celulares, cresce a preocupação com o destino desses equipamentos. Carregados de componentes tóxicos, eles são muitas vezes descartados incorretamente e abandonados em lixões, contaminando o solo, a água e provocando danos à saúde dos seres humanos.

A situação deve ficar pior nos próximos anos, de acordo com o relatório Reciclando - Do lixo eletrônico a recursos, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A venda dos produtos eletrônicos crescerá muito na China, na Índia e em mais nove países representativos dos emergentes na África e na América Latina. Segundo o relatório, se não houver a adequada coleta e a reciclagem desses materiais, esses países em desenvolvimento terão de conviver com montanhas de lixo eletrônico tóxico, o que trará graves conseqüências para o meio ambiente e para a saúde pública.

Atualmente, o mundo gera 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. São pilhas e pilhas de velhos e abandonados computadores, impressoras, telefones celulares, pagers, câmeras fotográficas digitais, tocadores de música digitais, geladeiras, televisores e brinquedos. A China, com 2,3 milhões de toneladas anuais, já é a vice-campeã mundial em quinquilharias descartadas, perdendo apenas para os Estados Unidos (3 milhões de toneladas anuais). Até 2020, esse número deve crescer entre 200% e 400%. Na Índia, o salto dever ficar em torno de 500%.

O Brasil ocupa o pouco honroso primeiro lugar no ranking de descarte de computadores per capita, que chega a pouco mais de 0,5kg por pessoa ao ano – como comparação, o índice na China é de 0,2kg por pessoa ao ano. Esse cálculo, conforme está explicado no relatório, é uma inferência a partir da expectativa de durabilidade dos computadores que já estão no mercado há alguns anos. Isso porque, segundo o relatório, não há dados consolidados disponíveis sobre a quantidade de computadores colocados atualmente no mercado, nem sobre o lixo eletrônico gerado.

Entre os 11 países avaliados, o Brasil passa pelo pequeno vexame de não ter dados disponíveis em vários gráficos, e de ainda receber o comentário de que as informações relativas ao país são “preliminares e incompletas”, pois “a informação sobre a situação do lixo eletrônico no Brasil é rara e não temos conhecimento de nenhuma avaliação abrangente”.

Transformar o problema em oportunidade
Segundo o relatório do PNUMA, a maior parte do lixo eletrônico na China é descartada e manejada incorretamente. Os recicladores – literalmente de fundo de quintal – costumam incinerar os equipamentos para extrair metais valiosos, como ouro, o que libera gases tóxicos e impede a recuperação de outros metais presentes nos aparelhos.

“Esse relatório mostra a urgência de estabelecer processos ambiciosos, formais e regulados para a coleta e a gestão do lixo eletrônico na China”, afirmou Achim Steiner, diretor-executivo do PNUMA, na divulgação do relatório. Ele chamou a atenção para o fato de que a China não está sozinha nesse desafio. “A Índia, o Brasil, o México e outros países também devem enfrentar danos ambientais e problemas de saúde se a reciclagem de lixo eletrônico for deixada às imprevisibilidades do setor informal.”

Steiner acredita que, agindo agora e planejando para o futuro, muitos países podem transformar o que ele chama de “desafio eletrônico” em uma “oportunidade eletrônica”. “Além de evitar problemas de saúde, aumentar os índices de reciclagem de lixo eletrônico nos países em desenvolvimento pode gerar empregos, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e recuperar uma ampla gama de metais valiosos, incluindo prata, outro, paládio, cobre e irídio”, completou Steiner.

Um ponto positivo do Brasil, apontado pelo relatório, é o fato de ser um dos países com grande potencial de introduzir tecnologias de ponta em reciclagem, pois o setor informal em manejo de lixo eletrônico é relativamente pequeno, ao contrário do que acontece na China, por exemplo. Os outros países em situação semelhante à brasileira são Colômbia, México, Marrocos e África do Sul.


Mais informação: lixo eletrônico pode virar trilho de trem
Perfeito, ainda estimula a construção de ferrovias e desafoga nossas estradas esburacadas e cheias de caminhões despejando fumaça negra.


Veja também onde reciclar eletroeletrônicos

quarta-feira, 3 de março de 2010

O lanche americano com a salada líquida espanhola



O lanche acima: tomato soup + cheese sandwich, sopa de tomate com sanduíche de queijo, é uma das duplas mais famosas em qualquer lanchonete norte americana.
É de comer ajoelhado, a sopa de tomate, sempre enlatada e com creme de leite, acompanha um sanduíche tostado de pão de forma branco com queijo fundido de sabor pronunciado.
Mas do ponto de vista nutricional, nada se salva, nem os tomates, cujo cultivo não-orgânico, os colocam no topo da lista de alimentos mais pulverizados.




Como eu sou fã de Gazpacho, uma sopa de tomate espanhola, que lá não é chamada de sopa mas de salada líquida, resolvi fazer a minha versão desse lanche e deu certo.



A receita do Gazpacho foi postada na Ceia de Natal e ninguém deu bola.
Transcrevo novamente na esperança de empolgar as pessoas, é digna de pedir missa de tão saborosa, muito saudável e todos os ingredientes podem ser facilmente encontrados nas versões orgânicas em qualquer supermercado.
1 fatia grande de pão 100% integral (ou 1 pão francês integral)
6 tomates orgânicos médios (ou 4 grandes)
2 pepinos
1 pimentão vermelho, amarelo ou chapéu de padre (pode ser feito com pimentão verde, mas não fica tão bom)
1 cebola (se sofrer de gases, esqueça da cebola)
1/2 cabeça de alho
azeite aromatizado com urucum, vinagre de maçã ou limão, sal e pimenta
Deixe o pão de molho em água, azeite e vinagre por algumas hrs, ou de um dia para o outro. Bata no liquidificador com todos os legumes, corrija a água, o azeite, o vinagre, o sal e a pimenta) e coloque para gelar.
Rende 4 a 5 litros
Dura 2 semanas na geladeira se feito com pelo menos 1/2 xícara de vinagre.



Gazpacho é uma entrada muito tradicional em toda a Espanha, não é considerado uma sopa por todo o forte movimento de resistência cultural deles.
Gazpacho es Gazpacho, y punto!
Pode ser servido em pratos fundos com crouton ou mesmo em jarras para cada um beber no seu copo. Eu gosto servido em copos largos e mais temperado, caprichado no azeite, vinagre e sal. Cuidado com a pimenta, costuma "pegar" por ser líquido.
Há quem coe, quem "esqueça" do pimentão (ou da cebola), substitua a água por caldo de peixe e até coloque uma cenoura para "colorir".
Todas as ideias são boas, eu faço como descrevi acima e sempre deu certo. Só não recomendo retirar o tomate, o pepino e o alho, além da base em pão, azeite e vinagre - são fundamentais.


Reza a lenda que o nome Gazpacho viria do árabe Gaasp, que por sua vez significaria pão molhado. Tentei o Google Tools para tradução e não encontrei essa versão, é o caso de alguém mais letrado tentar.

O Gazpacho pode ser inclusive um quebra-galho antes do jantar, para quem chega em casa com muita fome e não quer atacar a comida antes de dormir. A amiga muito querida que me ensinou, Ludmila - brasileira casada com espanhol, sempre faz um Gazpacho antes deles saírem para alguma festa ou jantar na casa de amigos. Forra as barriguinhas vazias de maneira mais inteligente que biscoito.


No lugar do queijo quente de pão branco e queijo fundido industrializado, usei pão alemão de centeio com linhaça 100% integral sem açúcar nem gordura, acompanhado de uma fatia caprichada de queijo de cabra, naturalmente orgânico. Ficou divino e durante o Carnaval, serviu como café da manhã para aqueles dias em que se acorda na hora do almoço - foi só deixar 2 jarras prontas na geladeira.

Uma outra receita muito parecida, mas menos incrementada é o Salmorejo madrileño, um pesto de tomates frescos que pode virar uma sopa fria também. Só leva tomates, azeite, alho, vinagre, sal e um pão dormido (opcional). Eu adoro e também faço sempre.

Deixo também fotos dos legumes que compõe um Gazpacho, 1 copo por dia dessa delícia e você estará consumindo todos eles sem sacrifício algum. Bom, não?





Mais informação:
Pizzas
Tortillas
Smoothies
Pão de queijo
Sanduíche de salada pós balada
Lancheiras e marmitas saudáveis
Azeites aromatizados e manteigas de legumes
Ketchup, mostarda e maionese caseiros (+ uma receita de salada de maionese sem maionese)