domingo, 30 de maio de 2010

Segundas sem carne - a campanha continua


O blog não é vegetariano, mas apóia o vegetarianismo como opção inteligente ao consumo de carnes e seus derivados. Você pode não encontrar receitas à base de carnes em geral, mas tampouco encontra sugestão de produtos industrializados, como soja, margarina, mel de abelhas e gelatina, além de quaisquer enlatados e açúcar, é claro.

A Campanha Segundas sem carne, divulgada anteriormente, é o primeiro passo à utopia de um mundo onde a carne só será consumida 1 vêz por semana e a pecuária não transformará mais a Amazônia em pasto, veja a Farra do Boi, e o Cerrado em moncultura de soja transgênica para alimentar o gado.

Por que as fotos de Gisele Bundchen de lingerie após a gravidez?
Ora, porque um dos segredos de beleza dessa gaúcha criada à churrasco, que já foi vaiada por usar pele de animais, é justamente comer carne apenas 1 vez por semana.

Abaixo, texto da Revista Izunome, edição de abril de 2009

Mortalidade diminui com redução da carne vermelha

O consumo e carne vermelha e de carnes processadas aumenta os riscos de morte por câncer, por problemas cardiovaculares, entre outras causas. A valiação é de uma pesquisa publicada, em março, na “Jama”, revista da Associação Médic Americana, e realizada sob a liderança do doutor Rashmi Sinha, do Instituto Nacional do Câncer de Rockville, em Maryland, nos EUA.

Os cientistas analisaram os questionários preenchidos por mais de 500 mil norte-americanos (322.263 homens e 223.390 mulheres) sobre sua alimentação e outros hábitos de saúde. Divididos em cinco grupos, os voluntários tinham entre 50 e 71 anos de idade no início da pesquisa, em 1995. No período de acompanhamento, de 1995 a 2005, morreram 47.976 homens e 23.276 mulheres.

Os maiores consumidores de carne vermelha, com média de 68g. a cada mil calorias diárias, apresentaram, segundo a pesquisa, o índice mais elevado de mortalidade. Com a redução do consumo de carne vermelha para 9gr. a cada mil calorias ingeridas por dia, poderiam ser adiadas por volta de 11% das mortes em homens e 16% em mulheres.

Em relação às carnes processadas, os maiores usuários, com média de 22,6gr. a cada mil calorias diárias, demonstraram riscos mais altos de morte do que os consumidores de menores quantidades (1,6gr. em média).
Os cientistas ressaltaram também que cozinhar carnes a temperaturas elevadas produz substâncias cancerígenas. Por ser fonte de gordura saturada, esse alimento está vinculado aos cânceres de cólon e de mama.

Além do que, a ingestão menor de carne se relaciona com a diminuição de fatores de risco das doenças coronárias, com a pressão sanguínea e com os níveis de colesterol.
De acordo com o presidente da ONG Câncer Council Australia, Ian Olver, “este estudo amplo fornece mais provas para apoiar as recomendações de grupos como o Fundo Mundial para a pesquisa do Câncer, demonstrando uma associação entre o alto consumo de carnes vermelhas e carnes processadas com o crescimento de risco de morte por câncer.

Situação no Brasil e recomendações da OMS
O coordenador da unidade coronária do Hospital Albert Einstein, cardiologista Marcos Knobel, afirmou que os problemas estão atrelados à gordura da carne, ao modo de preparo e aos alimentos adicionados à refeição. Ao comer um bife à milanesa ou um bife com ovo frito, uma pessoa terá bem ultrapassado sua cota ideal de colesterol. O sal aumenta o risco de hipertensão arterial sistêmica. Ainda para Knobel, por geralmente conter sódio e óleos para conservação, a carne processada é ainda mais danosa.

Uma informação interessante para os “churrasqueiros de plantão”: no preparo do churrasco, a fumaça do carvão solta substâncias cancerígenas, como alcatrão e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos.
O cirurgião oncológico Benedito Mauro Rossi, do Hospital A.C.Camargo, disse que, no Brasil, o consumo de carne também será bem vinculado ao câncer. No Rio Grande do Sul, com elevado consumo de churrasco, a incidência de câncer de intestino é de 28,5 casos por 100 mil habitantes. No Amapá, é de 1,51 caso a cada 100 mil pessoas.
O grande consumo de carne vermelha também pode levar à presença excessiva de ferro no organismo, podendo causar danos oxidativos e agredir as células do intestino grosso, o que também provoca câncer.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere a ingestão semanal e máxima de 300gr. de carne, sem contar frango e peixe. Para substituir o ferro contido na carne vermelha, recomenda-se ampliar o consumo de vegetais folhosos verde-escuros, também ricos nesse mineral.

Para conservar carnes processadas, como hambúrguer, lingüiças e salames, são empregados nitritos e nitratos, transformados, no estômago em nitrosaminas, o que faz crescer a possibilidade da ocorrência de câncer no estômago e no intestino.


Mais informações em:
Folhaonline
UOL
Carnes orgânicas: o quê e como comer
A soja é desnecessária

Vídeo desenvolvido pela população de Caetité após 20 anos de silêncio



Segundo o que se comenta na cidade desde ontem, o acidente, visto como dos mais graves de uma série ocorrida desde que a INB começou a minerar, em 2000, levou a direção da INB a suspender as atividades, deslocando todos os setores para um esforço concentrado a fim de recolher o solo atingido pelo urânio: retro-escavadeiras estariam trabalhando no local a todo vapor, para concluir logo a coleta e depósito do solo nas pilhas de estéril, antes da chegada de equipes de fiscalização dos órgãos ambientais.

Este é mais um evento, que só vem comprovar a insegurança nas instalações e no processo produtivo da INB, detalhadamente descrita no Relatório sobre Fiscalização e Segurança Nuclear no Brasil, da Câmara de Deputados, também evidenciada em parecer do Tribunal de Contas da União sobre o setor nuclear.

A situação na URA/Caetité é tão grave que gerou uma Ação Civil Pública por parte do Ministério Público Federal, em julho do ano passado, recomendando a suspensão imediata das atividades da mineradora até que seja garantida a segurança dos trabalhadores, da população, do meio ambiente, e sanadas as irregularidades do sistema de radioproteção e segurança, principalmente, a separação entre o fomento e a fiscalização das atividades nucleares.

Curta metragem e texto extraídos do excelente Perigo Concreto

Mais informação:
Autossuficiência em Urânio
 Acordo nuclear com Irã e o urânio de Caetité.
De Caetité para o mundo e o Brasil na contramão

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Acordo nuclear com Irã e o urânio de Caetité

Notícia de hoje me lembrou Caetité, município brasileiro esquecido pelo resto do país, que vem sendo considerado o pólo da exploração de urânio pelo governo, que por sua vez está enfrentando os EUA em mais uma opção equivocada em autossuficiência energética.

RIO DE JANEIRO — Brasil e Turquia responderam com dureza nesta sexta-feira às afirmações americanas de que o mundo ficou "mais perigoso" depois de um acordo nuclear com o Irã, e acusaram as potências atômicas de usarem um duplo discurso ao pedirem o desarmamento sem eliminar os próprios arsenais.
Em meio a uma polêmica com os Estados Unidos depois da assinatura de um acordo entre Turquia, Brasil e Irã para enriquecimento de urânio iraniano em território turco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, levaram mais tensão ao debate em seus discursos durante o Terceiro Fórum das Civilizações, no Rio de Janeiro.
"A existência de armas de destruição em massa é o que torna o mundo mais perigoso", e não os acordos com o Irã, disse Lula diante de representantes de 119 países.
Lula respondia assim às fortes críticas feitas pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na quinta-feira, em relação à assinatura do acordo com o Irã por parte de Turquia e Brasil, dois países que ocupam assentos rotativos no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Por esse acordo, Teerã entregará 1.200 kg de urânio levemente enriquecido à Turquia, e receberá 120 kg de combustível nuclear para um reator de pesquisas médicas em um prazo de um ano.
"Pensamos que fazer o Irã ganhar tempo, permitir que o Irã ignore a unanimidade internacional existente sobre seu programa nuclear, torna o mundo mais perigoso, e não menos", disse Hillary, que também enfatizou a existência de "sérias divergências" entre EUA e Brasil sobre este tema.
O presidente brasileiro, que nos últimos dias não ocultou seu mal-estar em relação à forma com a qual os Estados Unidos receberam o acordo, afirmou que Brasil e Turquia foram "ao Irã buscar uma solução negociada", e defendeu novamente a busca de uma saída com diálogo para a crise que envolve o programa nuclear iraniano.
As potências nucleares acreditam que o Irã pretende obter armas atômicas, e depois de assinado o acordo com Brasil e Turquia, foi enviado ao Conselho de Segurança da ONU um novo projeto de sanções contra Teerã, redigido por Estados Unidos e aprovado pelos grandes países nucleares que revisam o tema (China, França, Inglaterra e Alemanha).
Erdogan, por sua vez, questionou a credibilidade das potências nucleares em se pronunciar sobre outros países que teriam ambições atômicas.
O primeiro-ministro turco afirmou que as potências atômicas "deveriam eliminar" suas próprias armas nucleares para poder ser mais "convincentes" em suas exigências perante o Irã.
"Quando ouvimos pessoas falando sobre impedir que o Irã consiga armas nucleares, quem fala isso têm armas nucleares!", exclamou Erdogan em meio a aplausos do público, que escutou parte de seu discurso com tradução simultânea.
"Aqueles que dizem isso deveriam eliminar as armas nucleares de seus próprios países. (...) É a única forma de serem convincentes", completou o líder turco, ao lado do presidente brasileiro e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
O titular da ONU não fez nenhuma referência à questão iraniana durante seu discurso, apesar de, na véspera, durante coletiva de imprensa, ter afirmado que "seria de grande ajuda se o Irã deixasse de enriquecer urânio a 20% em seu território".
Os Estados Unidos e a Rússia tinham considerado que o acordo poderia ser a última oportunidade de diálogo com o Irã antes de novas sanções, mas o documento não os deixou satisfeitos, principalmente porque Terrã anunciou horas depois que continuaria enriquecendo urânio.
Brasil e Turquia criticaram os planos por sanções contra o Irã. Brasília argumenta que o acordo alcançado segue os pedidos feitos pelo presidente americano Barack Obama em uma carta enviada a Lula há 20 dias.
A imprensa brasileira divulgou na quinta-feira uma cópia da carta na qual, além das coincidências com os pedidos de Washington, fica claro que o governo de Obama buscaria sanções contra o Irã apesar do acordo.
O Fórum de Civilizações ocorrerá até sábado e, paralelamente aos eventos, estão previstas reuniões bilaterais entre Lula e Erdogan, e entre o secretário-geral da ONU e ambos os preside


Mais informação:
De Caetité para o mundo e o Brasil na contramão
Vídeo desenvolvido pela população de Caetité após 20 anos de silêncio
Autossuficiência em Urânio
Greenpeace prevê danos ambientais no programa nuclear brasileiro

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Geléias para adulto: pimenta, manga com pimenta rosa, gengibre, vinho quente, hortelã e capim limão



Promessa é dívida.
Há meses, me pediram uma receita de geléia de pimenta.
Segue abaixo a versão adaptada (e ardida):

Geléia de pimenta dedo de moça com abacaxi ou maçã
2 abacaxis (ou 1 dúzia de maçãs), priorize as frutas orgânicas
200gr de rapadura
6 pimentas dedo de moça sem os caroços
0,5 lt de água
Bata no liquidificador, os abacaxis picados com 3 pimentas e a água.
Leve ao fogo com a rapadura e as pimentas restantes picadas finamente. Deixe apurar e reduzir pela metade.
Espere esfriar, veja se deu "ponto de doce", vai endurecer mais enquanto esfria. O segredo de qualquer geléia e doce em pasta, é desligar o fogo um pouco antes do ponto ideal.
Guarde em vidro na geladeira
Pode ser feita com morango, kiwi, manga, cupuaçu e até maçã, que é o melhor resultado.
Caso faça com maçã ou as outras frutas acima, não bata no liquidificador (como se faz com o abacaxi), pique na ponta da faca e pingue o sumo de 1 limão antes de levar ao fogo, para que o suco não escureça.

Para uma geléia mais translúcida, coe o suco antes de levar ao fogo. As fibras do abacaxi deixam a geléia com consistência de chutney. O mesmo não acontece com as outras frutas sugeridas.

Para uma versão "dragão" (digna de quem cospe fogo), mantenha as sementes em metade das pimentas.

Propriedades da pimenta dedo de moça linkadas.


A foto acima, minha, mostra as 2 pimentas usadas para as geléias de adulto: a dedo de moça da receita acima e a pimenta rosa da geléia de manga com pimenta rosa abaixo.



Geléia de manga com pimenta rosa em grãos

Essa combinação perfumada entrou na moda há alguns anos, já rendeu sorvetes, caipirinhas, mousses, geléias gourmets de empório e até saladas verdes, massas recheadas e peixes assados com topping de manga em cubos e salpicos de pimenta rosa.

Alguns lugares estão inovando e fazendo caipirinhas de maracujá e carambola com a pimenta rosa. Entretanto, com manga é como fica mais gostoso.
Você pode encontrar muitas receitas pela internet, todas adaptáveis. Como venho falando de geléias, por causa do friozinho que chega e nos deixa sem tantas opções de fruta orgânica - "não estão na época", nos lembra o produtor rural.

Uma boa forma de armazenagem é justamente a elaboração de geléias e compotas. E as postadas, em específico, são ótimo acompanhamento para as comidas mais pesadas dessa época do ano, como assados, frituras e fondues.

Importante, a pimenta rosa, assim como a pimenta biquinho, não arde nada e comprada a granel é tão barata quanto as versões comuns da pimenta do reino. Pimenta Rosa não é sequer da família das pimenteiras, é o fruto da aroeira (abaixo).

Receita:
2 kg da fruta (manga) fresca picada
300gr de rapadura
1/4 de xícara de pimenta rosa em grãos
sumo de 1 limão
Ferva todos os ingredientes, exceto o limão.
Abaixe o fogo e espere reduzir pela metade.
Adicione o limão.
Apague o fogo e espere esfriar para armazenar na geladeira em vidro fechado.
Propriedades mecidinais da manga e da pimenta rosa nos links.



Geléia de vinho quente
1 dúzia de maçãs

500ml de vinho do Porto
500ml de vinho tinto seco
300gr de rapadura
2 paus de canela
3 cravos da Índia picados em 3 sem as coroas
casca de 1 laranja descascada em espiral
sumo de 1 limão (tente o galego)
Pique as maçãs descascadas
Ferva todos os ingredientes, exceto o limão.
Abaixe o fogo e espere reduzir pela metade.
Adicione o limão.
Apague o fogo e espere esfriar para armazenar na geladeira em vidro fechado.
Antes de guardar, remova o cravo e a canela, deixe a casca da laranja se gostar.
Os vinhos e as frutas podem ser facilmente encontrados nas versões orgânicas e biodinâmicas.



Geléia de gengibre:
1 dúzia de maçãs
200 gr de gengibre
300 gr de rapadura
0,5 lt de água
sumo de 1 limão
Pique as maçãs descascadas
Fatie finamente o gengibre
Leve ao fogo o gemgibre com a rapadura em panela de barro ou pedra. Cozinhe até engrossar a calda. Os gengibres devem estar macios. Passe-os pela peneira e volte ao fogo para dar ponto.
Junte as maçãs e deixe apurar até amolecer, adicione a água para acelerar.
Esprema o limão quando apagar o fogo.
Deixe para apagar o fogo antes do ponto ideal, todo doce endurece depois que esfria.
Se gostar, adicione a raspa da casca do limão e deixe os pedaços de gengibre caramelizados, ou mesmo com a casca desde o início da receita.
Não deve precisar de mais água ao longo do cozimento e pode ser feito com suco de maçã e cidra.

Grávidas não devem tomar infusões e bebidas quentes a base de gengibre sob risco de aborto espontâneo, especialmente no início da gestação.


Geléia de hortelã ou capim limão:
Segue o mesmo princípio das geléias acima.

Vamos à ela:
1 dúzia de maçãs orgânicas
2 maços de hortelã, apenas as folhas (ou 1 maço grande de capim limão fresco, não pode ser a erva seca)
300gr rapadura
0,5lt de água (pode ser feito com os chás de ambas, hortelã e capim limão)
sumo de 1 limão
Despreze os talos do maço de hortelã, fatie as folhas finamente.
Pique as maçãs descascadas.
Junte na panela com a rapadura, deixe reduzir pela metade.
Apague o fogo e espere esfriar, pingue o limão e guarde em vidros na geladeira.

Se você gosta da combinação de abacaxi com hortelã, pode fazer a receita trocando as maçãs por 2 abacaxis como na geléia de pimenta.

Mais informação:
Pimentas
Cupuaçu

Rapadura
Capim limão
Chás gelados
Adoçantes naturais
Vinhos orgânicos e biodinâmicos

Canela da China x canela nacional batizada

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mel de abelhas x Melado de cana



São os 2 adoçantes naturais mais populares para você que, inteligentemente passa ao largo do açúcar refinado e seus derivados.

Melado é a versão líquida da rapadura, excelente, alimento importantíssimo no nosso sertão e agreste - atualmente disponível inclusive em versões orgânicas de cultivo sustentável.
Mel, alimento medicinal usado desde o início dos tempos com propriedades expectorantes, laxativas, depurativas e relaxantes reconhecidamente comprovadas, de sabor inconfundível, é a opção de todo urso antes de hibernar no inverno, em função de seu alto valor energético
O mel é o único alimento que contempla os 5 sabores medicinais listados na medicina tradicional chinesa: ácido, picante, doce, salgado e amargo, além de nunca estragar e deteriorar e, por todas essas propriedades, é usado largamente pela medicina tradicional indiana, Ayurveda, para inúmeros fins, mas principalmente ajudando a digerir derivados lácteos, o que reduz a absorção de muco, diminuindo incidência alérgica, estados depressivos e desenvolvimento de todos os tipos de câncer.

Do ponto de vista ambiental, a coisa fica um pouco mais complicada.
O mel é um alimento de origem animal, o produto desenvolvido pelas abelhas para alimentar toda a colméia, o que torna seu consumo complicado por definição, já que para alimentar um grupo (humano), implica a privação de outro (abelhas), além de todo o impacto ainda não estudado no ecosistema do entorno, principalmente quando há cultivos transgênicos nas proximidades.
Veganos não consomem mel por considerarem crueldade animal com o um grupo que não pode se defender e tampouco estava adaptado a alimentar outro grupo, como nós.
Eu achava exagero, mas comecei a pesquisar o assunto e vi que eles têm sua razão e, em virtude da apicultura, inclusão de abelhas africanas no Cerrado e até o uso de pesticidas por nós, as abelhas estão desenvolvendo vírus, sendo extintas e até desaparecendo em algumas regiões.

O fenômeno acontece nos Estados Unidos. Mais da metade dos estados perderam entre 50% e 90% das abelhas - e haja abelha. Em todo o país, são 2,4 milhões de colméias comerciais, cada uma com cerca de 30 mil abelhas. O grande mistério é que não há corpos. Elas simplesmente desaparecem.

As abelhas são vitais para o ser humano. Essenciais para a agricultura, elas polinizam cerca de 90 tipos de frutas, vegetais e a soja. Assim, os vegetais crescem fortes e ricos em vitaminas. "Sem as abelhas, o homem pode desaparecer em quatro anos", disse Albert Einstein, numa previsão catastrofista, na primeira metade do século 20.

Os apicultores, criadores de abelhas, foram os primeiros a alertar para a mortalidade anormal dos insetos. Eles acusam agricultores de utilizar grandes quantidades de pesticidas, para proteger suas plantações. Os produtos químicos seriam, então, os assassinos. Mas cientistas também descobriram que as colônias estavam sendo atacadas por vírus e fungos, além de um parasita chamado Varroa destructor, uma espécie de ácaro, que tem o pouco simpático apelido de "vampiro de abelhas". Até agora, cada um defendia sua teoria, mas ninguém conseguia uma prova definitiva contra os suspeitos.

As abelhas são usadas como indicadores de diversidade biológica e qualidade ambiental, já que são extremamente sensíveis ao meio. A extinção deste grupo é uma grave perda para os ecossistemas, pois são os maiores polinizadores da natureza. Nos biomas neo-tropicais são freqüentes espécies vegetais polinizadas por apenas poucas espécies de abelhas, relações essas bastante estreitas, moldadas ao longo de processos co-evolutivos que geram a interdependência das espécies. Nestes casos, a extinção dos polinizadores específicos pode levar à extinção da planta, no Havaí, por exemplo, a extinção de polinizadores nativos já impede a renovação natural da vegetação.

Do ponto de vista nutricional, o melado é inclusive mais rico em todos os sais minerais, com avantagem de ser menos calórico. A tabela abaixo faz uma interessante análise comparativa e foi extraída do livro de Sonia Hirsch, "O mínimo para você se sentir o máximo":

Mel  x  Melado  (1 colher rasa)
                     Mel x Melado
Calorias:         64 x 43
Carboidratos:  17 x 16g
Cálcio:           1.0 x 136mg
Ferro:            0.1 x 3.0 mg
Magnésio:       0.5 x 51mg
Potássio:        11 x 585mg
Cobre:            0.0 x 0.3mg
Selênio:          0.2 x 12 mg

Não acredito que as pessoas devam privar-se de mel para o resto da vida, mas espero que o façam como sempre foi feito por aqueles que nos antecederam nessa terra que preservamos para os que estão por vir, com critério.

O problema não é consumir o mel, mas fazê-lo de forma consciente, em comunhão com o meio, levando em consideração seu impacto. Em pouca quantidade, quando for estritamente necessário, nunca como um substituto de sobremesas, cobrindo dúzias de bananas, adoçando à xícaras bolos e sobremesas. A alimentação saudável e livre de açúcar nunca cobraria uma conta dessas do planeta.
A apicultura em larga escala é claramente insustentável e está impactando em nossos plantios e cultivos.

Abaixo, 2 receitas de remédios naturais ayurvedas à base de mel de abelhas, impossíveis de serem substituídas por melado de cana, ou quaisquer outras formas de xarope ou adoçantes naturais:

Brahmastra para curar gripes e resfriados:
0,5 lt de água
1 col de sopa de mel de abelhas
1 pau de canela
3 cravos da Índia
1 "dedinho" de gengibre
sumo de 1 limão
Ferver todos os ingredientes, exceto o limão. Apagar o fogo, esperar esfriar um pouco, espremer o limão e tomar ainda quente. Não deve ser ingerido por gravidas, pode causar aborto espontâneo.

Trikatu, principal composto estimulante ayurveda, cuja tradução do sânscrito significa "três temperos"
(dica da Syl, amiga querida desse blog)
1 parte de gengibre em pó,
1 parte de canela em pó,
1 parte de pimenta do reino moida grossa (ou curcuma)
1 parte de mel.
Ingerir 1 colherzinha de café 2-3 vezes ao dia quando fores comer pratos com leite ou para prevenir o peso em dias frios e chuvosos. O Trikatu ainda é formidável para quando começamos a desenvolver gripes e resfriados.
Trikatu é um anti-muco e pó digestivo que são usados para melhorar função gástrica e respiratória. É útil em casos de obesidade, digestão fraca, alto colesterol, altos triglicerídeos, hipotireoidismo, metabolismo lento, congestão, tosse, e edema.
Como contém frutas de pimenta preta (Flautista Nigrum), indiano pimenta longa (Flautista Longum) e os rizomas de gengibre (Zingiber Officinalis), é uma combinação comum que é usada para estimular e para manter os sistemas digestivos e respiratórios.
Este faz reduzindo Kapha (água e terra) e Pitta crescente (fogo) pelo rejuvenescimento de Agni baixo (fogo) e o consumome de Ama (toxinas). Fortemente, esquenta e retira frio, congestão, ressuscitando funções orgânicas fracas.
Igualmente afrodisíaco, fortalece-se funções reprodutivas, aquece, e estimula os órgãos reprodutivos.
Trikatu é um seguro digestivo estimulante e expectorante. É antialergênico, carminative, antiflatulência, e atua como um anti-histamínico natural. Eficaz em dispepsia, fornece um calor equilibrado aquecer digestão e circulação e prevenir a formação de mucosa gástrico. Trikatu é usado internamente no tratamento de desordens gástricas e abdominais, asma, bronquite, tosses, disenteria e insônia.
Sua administração promove a secreção de sucos digestivos, aumentando apetite. Trikatu estimula a formação de ácido clorídrico.
Ajuda impedir distensão gasosa.
É prescrito como uma parte essencial de muitas preparações de multi-erva, como foi mostrado aumentar
Sua administração promove a secreção de sucos digestivos, aumentando apetite. Trikatu estimula a formação de ácido clorídrico.
Ajuda a impedir distensão gasosa.
É prescrito como uma parte essencial de muitas preparações de multi-erva, como foi mostrado aumentar o metabolismo de nutrientes, comidas, e medicinas. Promove absorção rápida de nutrientes pela área de gastrointestinal.
Seu efeito de realçamento metabólico e digestibilidade de nutrientes melhoram propriedades deixar Trikatu particularmente benéfico no apoio de saúde respiratória.
Trikatu idealmente é tomado uma hora antes de cada refeição numa dose de ½ a 1 colher de chá. Também pode ser tomado junto com ou depois de uma refeição. Como Trikatu tem um gosto pungente, melhor é consumido misturado com mel numa pasta grossa.


Sobre o Agave Azul, considerado o mel vegetal mexicano, é bom produto, até por ser vegetal e isento de sacarose.
Agave Azul é uma planta derivada da Agave, da família do nosso Sisal, cujo cultivo já rende o desenvolvimento de um adoçante natural e orgânico. Toda suculenta rende um xarope, alguns agradáveis (como o agave e o sisal), outros não, como a maioria dos cactus.
Atente para uma coisa, quanto maior a distância que determinado produto exige para percorrer, maior o impacto dele no meio ambiente. Em "O mundo é o que você come", fica bem claro que a melhor dieta a ser seguida é a dos 150km, consumir o que é produzido localmente, evitando assim que áreas nativas sejam devastadas para atender à demanas internacionais de cultivos orgânicos e ainda, não emitindo excesso de CO2 na logística de transporte.


Mais informação:
Cheiro de goiaba, a defesa da rapadura brasileira
Mamãe não passou açúcar em mim
Adoçantes naturais

As imagens do vazamento de óleo




Tragédia ao vivo
Imagens do vazamento de petróleo na costa dos Estados Unidos começaram a ser transmitidas pela internet depois que o Congresso norte-americano exigiu mais transparência da petroleira British Petroleum.
Uma câmera instalada a cerca de 1,6 mil metros de profundidade mostra uma enorme quantidade de petróleo vazando próximo da tubulação que carrega o óleo para a superfície, enquanto peixes e até uma enguia nadam ao redor e dentro do óleo.
As imagens foram colocadas no site da Câmara de Representantes do Congresso norte-americano, no endereço www.globalwarming.house.gov.

Verdade exposta
Na quinta-feira, um porta-voz da BP disse que o vazamento pode ser maior do que os 5 mil barris diários estimados anteriormente.
Em declarações à agência AFP, Mark Proegler afirmou que essa quantidade de óleo já está sendo bombeada através de um tubo inserido na tubulação avariada, mas que ainda há petróleo vazando.
"Agora que estamos coletando 5 mil barris por dia (o vazamento) pode ser um pouco mais que isso", disse. Estimativas de analistas independentes apontam que a perda de petróleo pode ser dez vezes maior que isso.

Impaciência com a incompetência
Em uma carta enviada à direção da BP, o governo Obama expressou sua impaciência com as medidas de contenção da mancha.
"Na reação a esse vazamento de óleo, é crítico que todas as ações sejam conduzidas de maneira transparente, com todos os dados e informações relacionados ao vazamento (sendo) prontamente disponibilizados para o governo dos Estados Unidos e o povo norte-americano", disseram as autoridades.
A secretária de Segurança Doméstica, Janet Napolitano, e a administradora da Agência de Proteção Ambiental, Lisa Jackson, disseram que as medidas da BP até o momento estão "aquém tanto em seu escopo quanto em eficácia."

Espalhamento
O vazamento começou em 20 de abril, quando uma plataforma de petróleo no Golfo do México explodiu e afundou, deixando 11 mortos.
A mancha de óleo resultante já chegou a praias a 90 km do local do acidente. O óleo atingiu a costa do Estado de Louisiana.
Nesta sexta-feira, as autoridades temem que o petróleo continue destruindo ecossistemas das zonas alagadas no Delta do Mississipi.
Há também temores de que as correntes marinhas levem a poluição para a Flórida.


Mais informação, aqui.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Gaia e Lovelock


Se não for o maior, um dos maiores certamente.
Polemista, purista e contraditório, vale a pena ler todos os livros de James Lovelock.

"A Vingança de Gaia" é o meu favorito, até porque plasmou a questão para outro pensador que admiro profundamente, Leonardo Boff.


O livro argumenta que a sociedade humana, através da emissão de gases causadores do efeito estufa e de outras formas de degradação ambiental, trouxe o mundo natural até a beira de uma crise.
As temperaturas irão aumentar, avisa o Professor Lovelock, o abastecimento regular de água estará inviabilizado, a vida nos oceanos estará comprometida, a produção de alimentos entrará em declínio, e ocorrerão migrações em massa na direção das áreas do planeta que ainda estarão habitáveis.
Em face da predominância atual dos combustíveis fósseis como fontes de energia, ele considera que uma mudança em ampla escala na direção da energia nuclear é vital para que o abastecimento de eletricidade continue de forma confiável e para que seja possível reduzir as emissões de dióxido de carbono.

A Terra, propõe James Lovelock, comporta-se como se fôsse um superorganismo, composto por todos os seres vivos e seu ambiente material. Quando, nos anos setenta, ele esboçou pela primeira vez sua brilhante teoria da Gaia, pessoas no mundo inteiro a abraçaram, e num curto espaço de tempo o conceito de Gaia deixou de ser uma idéia à margem do pensamento científico para constituir-se numa de suas correntes principais.
James Lovelock argumenta que coisas como a proporção de oxigênio na atmosfera, a formação de nuvens, e a salinidade dos oceanos possam estar sendo controlados por processos físicos, químicos e biológicos, assim como ocorre num organismo vivo. Ele acredita que "o auto-controle do clima e da composição química do meio em que vivemos é um processo que resulta da evolução em conjunto das rochas, do ar e do oceano - além da evolução dos organismos. Esta auto-regulação, embora raramente otimizada, como podemos ver através das anormalidades climáticas que ocorrem, todavia mantém a Terra em condições de habitabilidade." 
Novas áreas de pesquisa têm sido abertas por este conceito inovador. Lovelock acrescenta: "Se considerarmos o planeta como sendo um superorganismo do qual somos uma parte - não os proprietários ou inquilinos, nem mesmo passageiros - poderíamos ter ainda muito tempo pela frente e nossa espécie poderia sobreviver pelo tempo que a ela estava destinado. Só depende de mim e de você."



Mais informação:
Leonardo Boff
A Revolução dos cocos
75 livros sobre sustentabilidade
Ponto de mutação, Fritjof Capra

terça-feira, 18 de maio de 2010

O mundo é o que você come

Bárbara Kingsolver aborda uma questão fundamental: como uma família de 4 pessoas pode se alimentar e viver de forma sustentável, do que é capaz de produzir em equilíbrio com seu entorno. Grandes entusiastas de produtores rurais locais e as feiras que os mesmos proporcionam, a escritora, o marido e 2 filhas menores decidem viver na fazenda da família e colocam a experiência na prática.

Os 4 passam um ano se alimentando com o que plantam e criam — aspargos, abóboras, tomates, acelgas, galinhas, frutas vermelhas, perus, ovos — respeitando sempre a época do ano e o que ela pode oferecer. Diferente de todos os outros livros de memórias, "O mundo é o que você come", nos traz um tema urgente e universal, ao mesmo tempo em que nos dá uma lição de coragem e força de vontade.

Se o livro pudesse ser definido em uma única frase, seria "Não está na época", que não ouvimos mais nos dias de hoje, já que toda a comida do mundo está disponível em qualquer local àqueles que puderem pagar, não importando se determinado vegetal tiver que viajar quilômetros ou ser alterado geneticamente e banhado em pesticidas.

As receitas dessa família que conservou tomates em invernos com geada e campos nevados, está no site  Milagre Vegetal e Animal.

Em tempo, não são vegetarianos, fizeram seus queijos, conservas e salsichas caseiros, deceparam as aves pessoalmente cientes do equilíbrio do rebanho - mas recusam-se veementemente a consumir carne de animais criados confinados, assim como a comprar especiarias que demandem combustível fóssil na logística de transporte ou quaisquer subprodutos industrializados de soja, refrigerantes, balas, biscoitos, enlatados, etc. , principalmente, nos alertam com muita propriedade aos inúmeros equívocos da "indústria da soja", da "alimentação saudável e politicamente correta", além das agroindústrias que se criaram na carona da certificação orgânica, que faliu inúmeros produtores locais como critica igualmente um filme postado aqui, Food Inc. - você nunca mais verá seu jantar da mesma forma. Mas não se anime, a maioria das refeições não leva carne alguma e quando leva, é pouca.

No Submarino, o livro está  à venda, acompanhado de shopping bag. Na banca de jornal do meu bairro, estava à venda por R$9,90.

Observe que o mundo é o que você come, bebe e inala


Veja também uma das muitas receitas do livro feita por mim: souflée de milho verde com queijo de cabra.
A sopa fria de pepino com iogurte e hortelã tb é divina e facílima, vale tentar e a receita está no link oficial acima do Milagre Vegetal e Animal.


Mais informação:
Soja é desnecessária
O mundo é o que você compra
As frutas que ninguém come mais
Orgânicos podem ser mais baratos
O custo de uma salada embalada
Slow Food: tradição, gastronomia, prazer e desmatamento
Farm City: a fazenda urbana para comprar orgânico, local e justo

sábado, 15 de maio de 2010

Pavê de iogurte com castanha do Pará

Provei na degustação do supermercado pelo dia da mulher, em março, adorei - até porque detesto pavê de biscoito champagne e maisena.

Deram a receita e eu guardei. Mas hoje, ela está aqui, para que ninguém nunca mais precise fazer um pavê açucarado com latas de leite condensado ou bombons sonho de valsa.





Ingredientes:
1 copo de creme de leite fresco, orgânico ou de cabra preferencialmente
1 iogurte natural sem açúcar, orgânico ou de cabra preferencialmente (mas a Karin também ensina a fazer em casa)
250g de qualquer biscoito 100% integral, até as sobras de pães e bolos integrais torradas podem ser aproveitadas
400g de geléia ou creme doce (damasco ou ameixa, cupuaçu, morango, goiabada, frutas assadas, a ambrosia de iogurteo doce de leite de coco em rapadura, o Nutella caseiro e sem açúcar postado na Ceia de Natal, ou mesmo a combinação dos muitos dos citados)
200gr de castanha do Pará em pedaços médios, mas pode ser feito com qualquer outra castanha
Modo de preparo:
Bata o creme de leite por 5 min até atingir ponto de chantilly (para fazer chantilly caseiro apenas com iogurte, veja aqui.)
Triture o biscoito e umedeça com iogurte
Cubra com a geléia
Arrume as castanhas por cima
Finalize com o creme
Salpique canela, cacau em pó, mais castanhas moídas, frutas picadas, a própria geléia, faça um fio com melado de cana....
Deixe gelar por 45 minutos
Rende um pirex médio


A maioria dos ingredientes pode ser comprada a granel.
Comprando castanhas, dê preferência às orgânicas, não são pulverizadas com inseticida.

Reciclagem de Eletroeletrônicos

Mais uma boa dica do Instituto Akatu.

Em tempo, somos recordistas mundiais, já que o relatório divulgado pela ONU no início do ano classificou o Brasil como o maior produtor de lixo eletrônico entre os países emergentes, com uma média de meio quilo por habitante por ano.

Ainda, o link para a listagem dos locais de descarte.


Mais informação: lixo eletrônico pode virar trilho de trem e aparelho telefônico.


Vídeo abaixo traz boas dicas de como proceder com o lixo eletrônico produzido:




A reportagem do Akatu na íntegra:

Site orienta consumidores no descarte de resíduos eletroeletrônicos


Além de auxiliar consumidores no processo de descarte de eletroeletrônicos, serviço informa sobre programas de logística reversa realizados por fabricantes do setor

Desde segunda-feira última (10/4), consumidores de todo o Brasil contam com um serviço online de informações sobre programas de logística reversa realizados por fabricantes de eletroeletrônicos. No mesmo site há também orientações para o descarte correto de televisores, computadores, celulares e outros resíduos eletroeletrônicos. Trata-se do hotsite “Eletroeletrônicos”. Para acessá-lo, clique aqui.

A iniciativa é do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) e foi lançada durante a cerimônia de assinatura de uma parceria entre o Cempre e o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O convênio prevê a produção conjunta de um estudo qualitativo preciso sobre o atual cenário e as atividades do setor de eletroeletrônicos. O mapeamento servirá como base de orientação das políticas públicas que regulamentam o setor.

Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, declarou que a iniciativa reflete a junção da gestão pública ambiental com a iniciativa privada para a formatação de um diagnóstico preciso sobre as atividades de reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil. "Para ser sério, um estudo deve passar necessariamente pela iniciativa privada, que é quem detém os números de mercado do setor", defendeu.

Victor Bicca, presidente do Cempre, ressaltou a postura pro-ativa da parceria já que foi firmada mesmo antes da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. "O estudo vai orientar políticas públicas para a reciclagem e vai revelar de fato onde estão os principais entraves para a reciclagem dos eletroeletrônicos no Brasil".


Política Nacional de Resíduos Sólidos

Depois de tramitar por quase 20 anos na Camara dos Deputados, a proposta da Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em março último e está prestes a ser votada pelo Senado. A expectativa é que a lei seja sancionada pelo presidente da República no Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora em 5 de junho.

Na prática, a proposta obriga os fabricantes a realizar a logística reversa, que consiste no reconhecimento de seus produtos pós-consumo. Segundo o Cempre, apenas 12% das 170 mil toneladas do lixo urbano produzido diariamente no Brasil é reciclado. Aprovada a lei, prevê-se que o Brasil passe a reciclar 25% do material até 2015.

Um relatório divulgado pela ONU no início do ano classificou o Brasil como o maior produtor de lixo eletrônico entre os países emergentes, com uma média de meio quilo por habitante por ano. Número acima dos chineses e indianos, com 250g e 100g, respectivamente. Clique aqui para ler o relatório na íntegra.


Mais informação:
Onde descartar lâmpadas, baterias e termômetros com mercúrio

quinta-feira, 13 de maio de 2010

1 bicicleta a mais = 1 carro a menos


O chargista André Dahmer, responsável pelos Malvados, já "emplacou" sua bicicleta e você?

Ainda não?
Então vá na próxima bicicletada :-)

Pedalar é coisa séria:

"Uma bicicletada não só por mais mobilidade no meio urbano, mas também criticando a forma como ele nós é imposto e o modo como ele é constituido/construido. Visando somente os interesses corporativos, comerciais ou estatais, sem qualquer intervenção ou questionamento da população. E, além de tudo, um meio feito principalmente para carros, onde a solução para o número absurdo de automóveis é a construção de mais vias, ruas e estradas, aumentando cada vez mais as distâncias e nos tornando dia após dia mais dependentes do transporte motorizado."

Veja também o espaço ocupado por 54 pessoas, 54 carros, 54 biciletas e 1 único ônibus.

Guardanapos de pano

Dica de elegância e sustentabilidade da Cozinha Verde da Rita Lobo:

As outras também são boas, principalmente o minhocário para a compostagem do lixo, mas atente que o guardanapo de papel não recicla ainda.

O macete que a Rita passa: guardanapos brancos limpam mais facilmente, os coloridos tendem a ficar manchados.

A leitora do blog comprou uma toalha de mesa imensa e aproveitou parte do tecido sobressalente para fazer 8 guardanapos combinando. Imagino que a mesma prática possa ser aplicada à toalhas velhas e rasgadas.


Os guardanapos das fotos, retiradas do blog da designer Ana Claudia Cavalcanti , foram amarrados com folhas de capim limão, abaixo, e um galhinho de lavanda, acima, em jogos americanos de bambu e "louça" de mdf.



Mais informação: Lixo cinza

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pneu verde - pneus de biomassa em estradas verdes cogeradoras de energia limpa


Pneus renováveis - Biopneus
Além de usar biocombustível, os motoristas logo poderão dirigir carros que utilizam "biopneus", ou pneus verdes, menos ecologicamente danosos dos que os pneus atuais.
Nos biopneus, um dos principais ingredientes dos pneus tradicionais, derivado do petróleo, é substituído por um composto derivado de plantas.

Hoje, cada pneu fabricado consome 26 litros de petróleo. A cada ano, são produzidos perto de um bilhão de pneus. E ainda não há uma solução definitiva para a reciclagem dos pneus usados.


Como no caso do etanol brasileiro, a solução para a fabricação dos pneus verdes, a partir de matérias-primas renováveis, pode vir da cana-de-açúcar, mas também do milho e até de uma gramínea, a switchgrass, muito pesquisada nos Estados Unidos.
O novo processo usa os açúcares derivados da biomassa para produzir um composto químico chamado isopreno, hoje um derivado do petróleo, um dos principais componentes do pneu.
"Tem havido uma busca intensiva, há anos, por fontes alternativas de isopreno, em particular a partir de recursos renováveis, como a biomassa," disse o Dr. Joseph McAuliffe, que apresentou o novo processo durante a Conferência Anual da Sociedade Química Americana, nos Estados Unidos.
"Um dos desafios técnicos tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Nós resolvemos isto utilizando um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os carboidratos da biomassa em nosso bioisopreno," diz McAuliffe, que trabalha para a Genencor, uma empresa de biotecnologia.

 

Bioisopreno
A empresa agora firmou um contrato com a Goodyear, uma das maiores fabricantes de pneus do mundo, para levar o processo para escala industrial, integrando o processo de fermentação, recuperação e purificação do bioisopreno.
O isopreno tem várias utilizações além da fabricação de pneus, de luvas cirúrgicas e produtos de higiene feminina a adesivos de alta fusão e copolímeros de bloco. Sua produção atinge quase um bilhão de toneladas anuais.
"Este é um mercado enorme," disse McAuliffe. "O bioisopreno servirá como uma alternativa renovável e economicamente competitiva ao isopreno. É o tipo de material que poderá abrir novos mercados, por isso eu acredito os números de consumo atual do isopreno subirão muito quando o isopreno renovável estiver disponível," prevê ele.
O pesquisador afirma que o isopreno derivado da biomassa poderá estar no mercado dentro de cinco anos, viabilizando o início da produção dos pneus verdes.

Mais informação:
Estradas verdes
Gasolina verde
Graxa verde

Biocombustível a partir do lixo
Energia Piezoelétrica
E se cada família chinesa comprar um carro?
Conversão de plástico em óleo ou faça seu combustível em casa

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pesto


É um molho cru, fácil de fazer, que permite centenas de variações e ainda conserva as folhas por meses - uma mão na roda.
Muito tradicional na Europa, principalmente na Itália, onde faz-se pesto de tudo, até de tomate seco e azeitona, além de salsinha, hortelã e espinafre.
É ótimo com massas, até pizza e espagueti, mas vira uma espécie de antipasti em queijos de entrada, como ricota ou muzzarela de bufala, como na foto acima e é o melhor acompanhamento para pão italiano com um bom vinho tinto orgânico.

A receita tradicional, feita em pilão de pedra, leva manjericão, azeite, pinhole, alho, queijo pecorino e sal, exatamente como na foto abaixo.


Eu faço no liquidificador com castanha de caju não salgada comprada a granel, huile de noix ou azeite extra virgem orgânico e aromatizado com alho ou azeitona, manjericão orgânico, sal grosso e alho, acompanhando farfale ou fusili integral. Fica ótimo, principalmente com queijo de cabra em cubinhos e um limãozinho por cima na hora de servir.
A cor é linda, verde bem forte. Só use as folhinhas, reserve os talos do manjericão, para que não fique muito fibroso.
Com tomate cereja fica com cara de salada natalina.

O pesto de azeitona, feito com azeitonas batidas com azeite e limão, chama-se olivita na Itália e tapenade na França.
Veja também o Salmorejo Madrileño, um pesto espanhol de tomate fresco, levinho e ideal para o calor.

Telefone Ecológico

Lixo eletrônico é um problema sério já tratado aqui, abaixo segue uma opção execelente para reciclagem de material de informática:

O Ibratele Ecoline é 100% feito com material reciclado, além de ser reciclável. Feito de carcaça de computadores velhos, tem o manual impresso na caixa de papelão reciclado para economizar papel. Apesar de ser quase três vezes mais barato que o clássico da marca, vende a mesma quantidade que o original.


Fonte: Época Negócios 

O produto, apesar de sequer constar do catálogo de produtos no site do fabricante, está à venda na Casa e Video, Shopping UOL e Carrefour - o que só confirma a reportagem da Época, falta informação para o consumidor.

sábado, 8 de maio de 2010

Vazamento de óleo no Golfo do México



Óleo não para de vazar no Golfo do México e deixa governo americano incapaz de medir o alcance e o impacto do acidente. Greenpeace cobra moratória de exploração em alto mar. 

Doze dias depois do início de um derramamento de óleo no Golfo do México que não dá sinais de arrefecimento, o governo americano sinalizou claramente que não faz a menor ideia sobre qual é a extensão do acidente. Não há posição oficial sobre o tamanho da mancha, a proporção do vazamento, nem os meios mais eficazes de estancá-lo. O comandante da Guarda Costeira Thad Allen em entrevista à rede de televisão CNN, reconheceu que a impossibilidade de mensurar o problema só o torna mais complexo.
Apesar das dúvidas, há pelo menos uma certeza. O acidente com a plataforma de petróleo da British Petroleum no Golfo do México é grande e suas consequências provevelmente serão devastadoras para a biodiversidade e para as economias de estados americanos em cujos litorais o óleo começa a chegar . O presidente Barack Obama, depois de visitar a região, qualificou o derramamento como “potencialmente sem precedentes”. O Greenpeace pediu o fim da exploração de petróleo em alto mar.
Passados mais dois dias de vazamento, as estimativas são de que a mancha teria mais que triplicado de quantidade - de 3 mil quilômetros quadrados no fim da sexta-feira, dia 30, a quase 10 mil quilômetros quadrados, de acordo com imagens de satélites europeus. Dependendo de ventos e maré, o óleo rumará em direção à costa do Alabama e da Flórida .
O acidente acontece um mês depois de Obama ter dado aval para a expansão de projetos de exploração em alto mar, com a justificativa de que as plataformas hoje estariam seguras e não causariam vazamentos. Os projetos estão agora suspensos, aguardando o fim das investigações sobre as causas do desastre.
“Á pergunta sobre se o que está sendo feito é suficiente, a resposta é que não há ‘suficiente’. Tudo está fora do controle. Não podemos remediar este acidente, apenas evitar que outros ocorram”, afirmou Mark Floegel, Diretor de Pesquisa do Greenpeace. “Precisamos que o presidente Obama tome posturas mais radicais para evitar que novos desastres aconteçam. O anúncio de que as operações ficarão suspensas é pouco. Queremos uma moratória completa de exploração de petróleo em alto mar nos Estados Unidos”, disse Mark.


Mais informação:

Local de reprodução de várias espécies de mamíferos, aves e peixes, alguns em perigo de extinção, o Golfo do México e a costa da Lousiana estão banhadas em óleo. 

A conta ambiental começou a ficar bem mais salgada. As primeiras aves com o corpo coberto de óleo do vazamento da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México foram encontradas na costa da Lousiana, onde a mancha de óleo do tamanho da metade de Sergipe bateu na manhã de sexta-feira, dia 30. O acontecimento, tanto temido pelas autoridades americanas quanto pelos ambientalistas, traz um prejuízo econômico, segundo os primeiros cálculos, de cerca de bilhão de dólares.
O óleo não poderia ter sido derramado em momento pior. O mês de abril é temporada de reprodução de peixes, pássaros, tartarugas e outras criaturas marinhas no Golfo do México. Durante o período, as espécie, por instinto, tendem a se assentar e, com isso, ficam impossibilitadas de reagir a tempo e fugir do perigo. Segundo afirmam pesquisadores, 90% de todas as espécies marinhas do Golfo do México fazem uso das regiões costeiras e dos estuários do Rio Mississipi ao menos uma vez na vida para reprodução.
A costa da Lousiana, local onde se encontram 40% das regiões de mangue dos Estados Unidos, é pouso para mais de cinco mil espécies de aves migratórias. A lista completa dos animais na mira do óleo inclui 400 espécies, encabeçada pelo atum-azul, em alto perigo de extinção. Das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, cinco migram para a região para cuidar de seus filhotes em abril. Tubarões e mamíferos marinhos, como as baleias Cachalote, Azul, Fin e Sei também nadam no óleo. Uma equipe do Greenpeace dos Estados Unidos está a caminho da Lousiana para documentar e expor os impactos ambientais causados pelo vazamento de óleo.




“As aves marinhas possuem um óleo natural que cobre o corpo e as possibilita de mergulhar no mar sem afundar”, explica Leandra Golçalves, Coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace. Com o tingimento das penas de negro petróleo, as aves perdem esta cobertura natural e ficam impossibilitadas de mergulharem. “Isto sem falar nos níveis de toxicidade a qual os peixes e as baleias estão expostos. A cada vez que uma baleia vai à superfície para respirar, está levando petróleo aos pulmões”, acrescenta Leandra.
O acidente, causado por uma falha no sistema de segurança de uma plataforma construída em 2001 usando a mais recente tecnologia para a área pode vir a se tornar o maior da história dos Estados Unidos. Estimativas oficiais são de que o volume de óleo derramado já ultrapassa os de grandes acidentes como o da Exxon Valdez, em 1989, no Alasca e o de Santa Bárbara, Calif, em 1969. Por via das dúvidas, o presidente Obama vez sendo orientado a suspender novos projetos de exploração de petróleo até que maiores investigações sobre o caso garantam maior segurança.
"Ainda hoje, apesar da alta tecnologia para a exploração de gás e óleo já desenvolvida no mundo, são poucas as medidas eficientes para evitar o impacto ambiental de vazamentos de petróleo no mar. A região que foi afetada pelo Exxon Valdez, por exemplo, ainda não se recuperou totalmente dos impactos, mesmo depois de 21 anos do ocorrido”, diz Leandra. "Está mais do que na hora dos governos e sociedade repensarem o modelo de desenvolvimento que queremos para o futuro. Para evitar esse tipo de impacto só existe uma maneira: diminuir a exploração de petróleo e migrar para uma matriz energética mais limpa e renovável", conclui.


A foto, de O Globo, não é do Golfo do México, mas da Baía de Guanabara - Praia de Mauá, em Magé (RJ).


As imagens do vazamento já estão disponíveis na postagem homônima e linkada


Mais informação
Para entender o vazamento da Chevron
As imagens do vazamento da Deepwater
Remoção de óleo com mamona e castanha de caju
Exxon Mobil sozinha polui mais do que muitos países
Como a ação humana aumenta a incidência de terremotos
BP controla o vazamento e o vídeo da Fundação Cousteau
O mito da autossuficiência em petróleo: No país do pré-sal, a gasolina mais cara do mundo
Diretoria da Transocean, proprietária da plataforma que explodiu no Golfo, é premiada e 2010 é considerado o melhor ano em questões de segurança

Casa construída com 18 toneladas de plástico



Casas verdes
A companhia Affresol desenvolveu uma tecnologia que transforma plástico e minerais em um material batizado de Thermo Poly Rock, que poderia revolucionar a indústria de construção.
O projeto, apoiado pelo governo do País de Gales e por organizações ambientais, já lançou uma linha de casas verdes e construções modulares portáteis de quatro toneladas.
O secretário da Economia do País de Gales, Ieuan Wyn Jones, disse que "o novo processo sustentável" tem muito potencial e pode gerar uma grande quantidade de empregos.

Material estrutural
A empresa diz que o processo tem baixo consumo de energia e transforma plástico em um material durável e resistente.
As placas de Thermo Poly Rock formam as paredes de sustentação da casa, que pode ser coberta externamente com tijolos ou pedra, enquanto o interior pode ganhar uma camada de isolamento térmico e ficar com a mesma aparência de uma casa tradicional. As telhas também são feitas de material reciclado.
O diretor-gerente da Affresol, Ian McPherson, diz que o novo material é mais leve e resistente que concreto, é térmico, impermeável, não-inflamável e não apodrece.

Casas recicláveis
A empresa estima que a vida útil das casas seja de cerca de 60 anos, mas diz que os elementos do Thermo Poly Rock podem ser novamente reciclados ao fim deste período.
"Todos os países do mundo têm problemas com lixo e agora temos a oportunidade de transformar este lixo em um recurso de construção de moradias 100% reciclável", diz McPherson.
Agora a empresa aguarda aprovação para construir 19 casas em Merthyr, no País de Gales, como parte de um projeto-piloto.


Mais informação:
A casa sustentável é mais barata
Catedral construída com entulho de construção civil
Em Bogotá, uma rua inteira foi construída com material reciclado
Michael Reynolds, Garbage Warrior, e a bioarquitetura do Novo México

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pastas para noites de festa


Por um acaso, são em base de ricota, mas não torça o nariz, valem a tentativa.

Ricota leva fama de queijo sem graça, natureba, em grande parte pelos sanduíches naturais que nos assolaram como sinônimo de comida saudável.
Entretanto é o queijo típico da Sicília, onde há concursos para eleger os melhores fabricantes e é presença obrigatória em qualquer antipasti, além de constar na massa dos gnocchis. Pão italiano com ricota de cabra ao molho pesto é iguaria digna de acompanhar o vinho da casa.

Muito versátil, até por ser ideal para ser consumido em climas quentes e fica delicioso temperado com azeite aromatizado, azeitona, espinafre, tomate, cebola, manjericão, manjerona, orégano...
Combina bem com outros queijos orgânicos, como parmegianno e gorgonzola, transformando-se no recheio ideal de legumes assados, como abobrinha, beringela, pimentão e tomate, além de qualquer massa e omeletes.

A ricota pura pode ser sem graça, mas sua versatilidade aplica-se até à sobremesas, como cheesecake ou mesmo em entradas como cambuquira recheada.
A versão defumada da ricota salgada é muito diferente do convencional, supreende, sendo usada até em feijoadas e caçarolas tipo "cozido à alentejana" por lembrar extremamente o toucinho.

Não acredita? Dos 4 pratos servidos pela chef Fabrizia Lanza (neta de sicilianos) em seu menu degustación, 2 incluíam ricota, incluindo a sobremesa: canolis de creme patissier e ricota, acompanhados de gelatina de café.

Hoje, deixo receitas de pastas com ricota para noites de festa:

Pasta de ricota com geléia de damasco e tabasco, de Juliana Venturelli
Amasse a ricota fresca, tempere com sal marinho e tabasco
Junte a geléia de damasco sem misturar bem, deixando uns "veios", adicione damasco picado se gostar.
Salpique pistache moído por cima

Pasta de ricota defumada com geléia de tâmara seca, de Evaldo Ebineder
Rale a ricota defumada no ralo grosso.
Junte a geléia caseira de tâmara seca, sem misturar bem.
Salpique castanha de caju moída por cima.

Eu já fiz a pasta de ricota defumada com geléia de ameixa caseira, no lugar da tâmara, e ficou muito bom também. Não precisou de sal ou qualquer outro tempero, a ricota defumada já é muito forte.
A geléia de tâmara ou ameixa pode ser feita da mesma forma que a de damasco e ameixa linkadas acima e, para as pastas, é melhor que não sejam batidas no liquificador, mas deixadas com os pedaços das frutas.

Ambas as pastas ficam ótimas com  marsala de festa e um fio de azeite aromático por cima

A foto são do blog Zakuskas ("tira-gosto" em russo), onde a autora ensina a fazer a versão caseira do queijo árabe chancliche, a base de ricota.

A receita do Chancliche:
1 ricota de aproximadamente 1 Kg
Todo o preparado do Zattar Caseiro Fresco
1/2 xícara de azeite aromatizado
1 colher de sopa (rasa) de sal marinho
A parte mais complicada da receita: Amasse bem todos os ingredientes até darem liga. Com as mãos untadas em azeite faça bolinhas, passe na cobertura que mais te agrada , coloque-os numa assadeira sobre papel manteiga e leve à geladeira por pelo menos 5 horas, para que fiquem firmes. Embale com filme plástico e conserve na geladeira.
Como neste caso o Zattar é fresco, não convém deixar mais do que 3 ou 4 dias.
Sugestões de Cobertura:
- Pimenta Calabresa Seca
- Orégano
- Gergelim
- Zattar

Para fazer o Zattar:
2 col sopa de Sumac
2 col sopa de gergelim moído
2 col sopa de gergelim inteiro
1 col sopa de tomilho fresco
1 col sop de hortelã picada
1 col sopa de orégano fresco
Misturar bem todos os ingredientes. Pronto


Exceto pela ricota, todos os ingredientes podem ser comprados a granel.

Para combinar com elas:
Massalas de  festa , azeites aromáticos e vinhos orgânicos

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sopinhas Rehab



São para consumo constante, no jantar então é melhor ainda, mas como há fases na vida em que perdemos a linha grastronomicamente falando, deixo as sopas como sugestão para aqueles momentos de desintoxicação, o "day after" do pé na jaca.

Fáceis, tudo pode ser encontrado nas versões orgânicas e a receita é a mesma para todas as sopas, salvo poucas variações:

Creme de inhame com agrião
Cozinhar meio quilo de inhame em 2 litros de água, ferver
Quando o inhame estiver molinho, retirar com escumadeira, descascar e bater no liquidificador com a água do cozimento coada (inhame é "peludo").
Levar esse creme de volta à  panela com meia cabeça de alho dourada em 4 colheres de sopa de azeite.
Provar o sal, temperar com pimenta, cominho, curry, açafrão...
Quando ferver, apagar o fogo e juntar 1 maço de agrião limpo e picadinho.

Creme de abóbora com bertalha
Faz-se da mesma forma que o creme de inhame, eu gosto de juntar um inhame pequeno, acho que deixa qualquer sopa mais cremosa e não interfere no gosto.

Creme de batata doce com espinafre.
Exatamente como as sopas acima, um inhame pequeno cozido junto e as folhinhas picadas só depois do creme refogado ser fervido.

Creme de cenoura com as ramas da cenoura
Exatamente como as sopas acima, um inhame pequeno cozido junto e as folhinhas picadas só depois do creme refogado ser fervido.

Creme de batata baroa (mandioquinha) com couve
Fervi a baroa, cozinhei e descasquei com um inhaminho, como nas sopas acima. Entretanto, bati no liquidificador com a couve crua, porque não queria fatiar o maço (imenso). Se gostar de encontrar as folhas na sopa, junte só depois de batido. Na minha opinião, foi a que ficou mais saborosa, pelo gosto inconfundível da baroa.


Não ferva as folhas com os legumes antes do liquificador, ficam marrons e amargam, o próprio calor da panela cozinha essas folhas e as mantém verdes - mesmo no caso da couve.
A batata doce escurece se cozida em panela de ferro, sua sopa pode ficar cinza... o jeito é cozinhar a batata doce em panela de barro-pedra. Os outros legumes encararam bem minha panela de ferro.
Você pode trocar as folhas entre si, os legumes combinam com todas.




Acompanhamentos para quem quiser incrementar: tomate seco e azeitona picadinhos por cima, shiitake ou qualquer outro cogumelo com pimentão vermelho no refogado do alho, cheiro verde com pimenta malagueta fresca picados por cima, cebola em gomos (ou cenoura em cubos) refogada no shoyu igualmente por cima, macarrãozinho integral (conchinha) misturado ao creme...

Toda sopa fica incrível cozida em caldo especiais, leite de coco caseiro ou mesmo com uma colher de iogurte natural, creme de leite fresco ou manteiga adicionados depois da última fervura. Todo lácteo tem que ser orgânico e fresco, se não tiver em casa, esqueça.

Para mim basta 1 fio de azeite extra-virgem aromatizado (ou do huile de noix), uma fatia do Pão de Raízes quentinho e pronto! Se não estiver em rehab, uma tacinha de vinho tinto também combina muito.

Para ter mais idéias de vegetais, veja como as hortaliças tradicionais estão em extinção pelas tentações da cidade grande.


Para sopas mais tradicionais (e deliciosas) que passam batido da comida de hospital, veja a postagem Sopas que amamos, para passar longe da comida de doente.
Para os caldos cozidos com carnes e muitos temperos, que se fazem presente em todas as tradições gastronômicas, leia a postagem Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso




Para quem quer tomar sopa, mas não está a fim de cozinhar absolutamente nada: Missoshiro e Sopa de Alho

Para fazer missoshiro: dissolva o missô em água fervendo e junte cebolinha picada por cima.
Variações: cogumelos, cebolas em gomos, cenoura em rodelas e tofu em cubos, tudo refogado em óleo de gergelim, cubra com o caldo de missô e deixe apurar por 5 minutos.
Se gosta de missoshiro, conheça também o Udon.

Para fazer sopa de alho:
6 xícaras de água
6 fatias ou 150 g de pão integral
6 colheres (sopa) de azeite aromatizado
6 dentes de alho cortados em lâminas
1 colher (sopa) de páprica defumada doce ou picante, à sua escolha
sal ou a gosto
Leve a água para aquecer. Enquanto isto, esmigalhe ou corte o pão em pedaços pequenos e reserve. Numa panela, aqueça o azeite com as fatias de alho. Quando começarem a querer dourar, junte o pão e mexa bem. Junte a páprica e o sal, mexa e junte a água quente. Misture e deixe ferver por cerca de 5 minutos ou até o pão se desmanchar. Sirva quente.
Opcional: junte 1 ovo caipira em cada prato e depeje o líquido quente, tampe e espere 3 minutos antes de se servir


Todas as fotos são da sopa de alho, deliciosa e surpreendente, além de facílima e muito rápida. Uma tradição boêmia na Espanha e em Portugal, que também é encontrada pelos nomes de Açorda de alho ou Sopa Alentejana.

domingo, 2 de maio de 2010

Ambrosia, pudim e doce de leite não-condensado


Faz-se assim, rápido e fácil:
2 copos de iogurte orgânico (400gr)
1 copo de suco de laranja (200ml)
200gr de rapadura
2 ovos caipiras
1 colher de sopa de araruta
Bate no liquidificador e leva ao fogo em panelinha de barro ou pedra, fogo médio.
Salpica raspa da casca da laranja quando ficar pronto, em ponto de doce de leite.
Quem gostar, pode adicionar 3 cravos da índia e 1 pau de canela ainda no cozimento. 

Para fazer pudim de leite não-condensado:
A mesma receita da ambrosia acima, mas adicione mais 1 ovo caipira e assa em banho maria em forma própria de pudim, fuja do alumínio, tente pirex ou cerâmica. Não faça a calda em açúcar, use rapadura ou melado. Junte cacau em pó orgânico para fazer um pudim de chocolate.

Para quem não consome lactose, o leite usado nas 2 receitas pode ser vegetal, como o leite de castanha do Pará ou leite de coco caseiro. E o suco de laranja substituído por qualquer líquido, até água, ou mesmo aumento da dose do leite vegetal escolhido. Para mais leites vegetais livres de soja, leia A soja é desnecessária.

Para quem não come ovos de jeito nenhum, a receita da ambrosia não dá ponto com mais nada. Já o pudim, pode ser feito substituindo os ovos por gelatina de algas marinhas (agar agar) dissolvida em todos os líquidos. Esse pudim vegano, não deve ir ao forno, é feito direto da panela no fogão à forma na geladeira e pode levar umas gotinhas de baunilha.

Aqui, você não encontra receitas com enlatado e menos ainda subsprodutos industrializados milagrosos de soja, mas opções inteligentes para subsituir com prazer - comida boa, de verdade, tem cara (e cheiro) de comida, você reconhece quando encontra na feira.

Mais um dica: para fazer um doce de leite caseiro e sugar-free, a maneira mais simples é muito parecida com as receitas dos pudins acima: 400ml de iogurte ou leite vegetal, 200gr de rapadura e 1 colher de sopa cheia de araruta, na panela em fogo brando. Adicione 1 cravinho da Índia para dar sabor.
Se não der ponto, junte um pouco mais de araruta - dissolvida para não encaroçar e espere reduzir um pouco.


A foto, é do site da Abril, de uma receita tradicional de ambrosia, açucarada, mas que traz uma idéia boa e perfumada ao substituir a laranja por tangerina (mexerica).