quarta-feira, 26 de maio de 2010

Geleias para adulto: pimenta, manga com pimenta rosa, gengibre, vinho quente, hortelã e capim limão



Fazer geleia é simples, basta cozinhar a fruta com açúcar (ou rapadura como preferimos por aqui). O problema é que algumas frutas não rendem nada, como as frutas vermelhas tradicionais, o que torna qualquer geleia de morango orgânico uma pequena fortuna. A solução então é juntar peras ou maçãs para dar volume, diminuir o adoçante escolhido e reduzir o custo.


Segue uma receita básica de geleia de frutas vermelhas:
Geleia de morango
É o mesmo sistema da geleia de cupuaçu, mas como morango não rende nada e o orgânico ainda é mais caro, um vidro de geleia saía a R$15,00 - junte pera ou maçã à receita para dar volume.
Eu faço assim:
2 caixas, 500gr de morango orgânico
2 peras ou maçãs descascadas e descaroçadas
1 xíc. de rapadura ralada
1 cravo da Índia sem a coroa, partido em 3
300ml. de água
Sumo de 1 limão
Cozinhar tudo junto, exceto o limão, mexendo sempre com colher de pau.Deixe a água reduzir
Quando começar a descolar do fundo da panela, juntar o sumo de limão e mexer até dar o ponto de geleia.
Endurece depois que esfria e não dura mais de 2 semanas, podendo ser congelado.
Pode ser feita igualmente com jabuticaba e qualquer uma das “frutas vermelhas”, como framboesa, amora e cassis.



Geleia de pimenta dedo de moça com abacaxi ou maçã
2 abacaxis (ou 1 dúzia de maçãs), priorize as frutas orgânicas
500gr de rapadura
6 pimentas dedo de moça sem os caroços
0,5 lt de água
Bata no liquidificador, os abacaxis picados com 3 pimentas e a água.
Leve ao fogo com a rapadura e as pimentas restantes picadas finamente. Deixe apurar e reduzir pela metade.
Espere esfriar, veja se deu "ponto de doce", vai endurecer mais enquanto esfria. O segredo de qualquer geleia e doce em pasta, é desligar o fogo um pouco antes do ponto ideal.
Guarde em vidro na geladeira
Pode ser feita com morango, kiwi, manga, cupuaçu e até maçã, que é o melhor resultado.
Caso faça com maçã ou as outras frutas acima, não bata no liquidificador (como se faz com o abacaxi), pique na ponta da faca e pingue o sumo de 1 limão antes de levar ao fogo, para que o suco não escureça.

Para uma geleia mais translúcida, coe o suco antes de levar ao fogo. As fibras do abacaxi deixam a geleia com consistência de chutney. O mesmo não acontece com as outras frutas sugeridas.

Para uma versão "dragão" (digna de quem cospe fogo), mantenha as sementes em metade das pimentas.

Propriedades da pimenta dedo de moça linkadas.


A foto acima, minha, mostra as 2 pimentas usadas para as geleias de adulto: a dedo de moça da receita acima e a pimenta rosa da geleia de manga com pimenta rosa abaixo.




Geleia de manga com pimenta rosa em grãos

Essa combinação perfumada entrou na moda há alguns anos, já rendeu sorvetes, caipirinhas, mousses, geleias gourmets de empório e até saladas verdes, massas recheadas e peixes assados com topping de manga em cubos e salpicos de pimenta rosa.

Alguns lugares estão inovando e fazendo caipirinhas de maracujá e carambola com a pimenta rosa. Entretanto, com manga é como fica mais gostoso.
Você pode encontrar muitas receitas pela internet, todas adaptáveis. Como venho falando de geleias, por causa do friozinho que chega e nos deixa sem tantas opções de fruta orgânica - "não estão na época", nos lembra o produtor rural.

Uma boa forma de armazenagem é justamente a elaboração de geleias e compotas. E as postadas, em específico, são ótimo acompanhamento para as comidas mais pesadas dessa época do ano, como assados, frituras e fondues.

Importante, a pimenta rosa, assim como a pimenta biquinho, não arde nada e comprada a granel é tão barata quanto as versões comuns da pimenta do reino. Pimenta Rosa não é sequer da família das pimenteiras, é o fruto da aroeira (abaixo).

Receita:
2 kg da fruta (manga) fresca picada
500gr de rapadura
1/4 de xícara de pimenta rosa em grãos
sumo de 1 limão
Ferva todos os ingredientes, exceto o limão.
Abaixe o fogo e espere reduzir pela metade.
Adicione o limão.
Apague o fogo e espere esfriar para armazenar na geladeira em vidro fechado.
Propriedades medicinais da manga e da pimenta rosa nos links.





Geleia de vinho quente
1 dúzia de maçãs
500ml de vinho do Porto
500ml de vinho tinto seco
500gr de rapadura
2 paus de canela
3 cravos da Índia picados em 3 sem as coroas
casca de 1 laranja descascada em espiral
sumo de 1 limão (tente o galego)
Pique as maçãs descascadas
Ferva todos os ingredientes, exceto o limão.
Abaixe o fogo e espere reduzir pela metade.
Adicione o limão.
Apague o fogo e espere esfriar para armazenar na geladeira em vidro fechado.
Antes de guardar, remova o cravo e a canela, deixe a casca da laranja se gostar.
Os vinhos e as frutas podem ser facilmente encontrados nas versões orgânicas e biodinâmicas.





Geleia de gengibre:
1 dúzia de maçãs
200 gr de gengibre
500 gr de rapadura
0,5 lt de água
sumo de 1 limão
Pique as maçãs descascadas
Fatie finamente o gengibre
Leve ao fogo o gengibre com a rapadura em panela de barro ou pedra. Cozinhe até engrossar a calda. Os gengibres devem estar macios. Passe-os pela peneira e volte ao fogo para dar ponto.
Junte as maçãs e deixe apurar até amolecer, adicione a água para acelerar.
Esprema o limão quando apagar o fogo.
Deixe para apagar o fogo antes do ponto ideal, todo doce endurece depois que esfria.
Se gostar, adicione a raspa da casca do limão e deixe os pedaços de gengibre caramelizados, ou mesmo com a casca desde o início da receita.
Não deve precisar de mais água ao longo do cozimento e pode ser feito com suco de maçã e cidra.





Geleia de hortelã ou capim limão:
Segue o mesmo princípio das geleias acima.

Vamos à ela:
1 dúzia de maçãs orgânicas
2 maços de hortelã, apenas as folhas (ou 1 maço grande de capim limão fresco, não pode ser a erva seca)
300gr rapadura
0,5lt de água (pode ser feito com os chás de ambas, hortelã e capim limão)
sumo de 1 limão
Despreze os talos do maço de hortelã, fatie as folhas finamente.
Pique as maçãs descascadas.
Junte na panela com a rapadura, deixe reduzir pela metade.
Apague o fogo e espere esfriar, pingue o limão e guarde em vidros na geladeira.

Se você gosta da combinação de abacaxi com hortelã, pode fazer a receita trocando as maçãs por 2 abacaxis como na geleia de pimenta.



A sabedoria popular e a medicina chinesa ensinam que grávidas não devem tomar infusões e bebidas quentes a base de gengibre, canela e especiarias em geral sob risco de aborto espontâneo, especialmente no início da gestação, devido aos poderes expectorantes das substâncias. Não há estudos científicos, a escolha é sua.



Mais informação:
Cupuaçu
Rapadura
Capim limão
Adoçantes naturais
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
As frutas que ninguém come mais
Canela da China x canela nacional batizada

terça-feira, 25 de maio de 2010

Mel de abelhas x Melado de cana



São os 2 adoçantes naturais mais populares para você que, inteligentemente passa ao largo do açúcar refinado e seus derivados.

Melado é a versão líquida da rapadura, excelente, alimento importantíssimo no nosso sertão e agreste - atualmente disponível inclusive em versões orgânicas de cultivo sustentável.
O mel é um alimento medicinal usado desde o início dos tempos com propriedades expectorantes, laxativas, depurativas e relaxantes reconhecidamente comprovadas, de sabor inconfundível, é a opção de todo urso antes de hibernar no inverno, em função de seu alto valor energético
O mel é o único alimento que contempla os 5 sabores medicinais listados na medicina tradicional chinesa: ácido, picante, doce, salgado e amargo, além de nunca estragar e deteriorar e, por todas essas propriedades, é usado largamente pela medicina tradicional indiana para inúmeros fins, mas principalmente ajudando a digerir derivados lácteos, o que reduz a absorção de muco, diminuindo incidência alérgica, estados depressivos e desenvolvimento de todos os tipos de câncer.

Do ponto de vista ambiental, a coisa fica um pouco mais complicada.
O mel é um alimento de origem animal, o produto desenvolvido pelas abelhas para alimentar toda a colméia, o que torna seu consumo complicado por definição, já que para alimentar um grupo (humano), implica a privação de outro (abelhas), além de todo o impacto ainda não estudado no ecosistema do entorno, principalmente quando há cultivos transgênicos nas proximidades.
Veganos não consomem mel por considerarem crueldade animal com o um grupo que não pode se defender e tampouco estava adaptado a alimentar outro grupo, como nós.
Eu achava exagero, mas comecei a pesquisar o assunto e vi que eles têm sua razão e, em virtude da apicultura, inclusão de abelhas africanas no Cerrado e até o uso de pesticidas por nós, as abelhas estão desenvolvendo vírus, sendo extintas e até desaparecendo em algumas regiões.

O fenômeno acontece nos Estados Unidos. Mais da metade dos estados perderam entre 50% e 90% das abelhas - e haja abelha. Em todo o país, são 2,4 milhões de colméias comerciais, cada uma com cerca de 30 mil abelhas. O grande mistério é que não há corpos. Elas simplesmente desaparecem.

As abelhas são vitais para o ser humano. Essenciais para a agricultura, elas polinizam cerca de 90 tipos de frutas, vegetais e a soja. Assim, os vegetais crescem fortes e ricos em vitaminas. "Sem as abelhas, o homem pode desaparecer em quatro anos", disse Albert Einstein, numa previsão catastrofista, na primeira metade do século 20.

Os apicultores, criadores de abelhas, foram os primeiros a alertar para a mortalidade anormal dos insetos. Eles acusam agricultores de utilizar grandes quantidades de pesticidas, para proteger suas plantações. Os produtos químicos seriam, então, os assassinos. Mas cientistas também descobriram que as colônias estavam sendo atacadas por vírus e fungos, além de um parasita chamado Varroa destructor, uma espécie de ácaro, que tem o pouco simpático apelido de "vampiro de abelhas". Até agora, cada um defendia sua teoria, mas ninguém conseguia uma prova definitiva contra os suspeitos.

As abelhas são usadas como indicadores de diversidade biológica e qualidade ambiental, já que são extremamente sensíveis ao meio. A extinção deste grupo é uma grave perda para os ecossistemas, pois são os maiores polinizadores da natureza. Nos biomas neo-tropicais são freqüentes espécies vegetais polinizadas por apenas poucas espécies de abelhas, relações essas bastante estreitas, moldadas ao longo de processos co-evolutivos que geram a interdependência das espécies. Nestes casos, a extinção dos polinizadores específicos pode levar à extinção da planta, no Havaí, por exemplo, a extinção de polinizadores nativos já impede a renovação natural da vegetação.




Do ponto de vista nutricional, o melado é inclusive mais rico em todos os sais minerais, com avantagem de ser menos calórico. A tabela abaixo faz uma interessante análise comparativa e foi extraída do livro de Sonia Hirsch, "O mínimo para você se sentir o máximo":

Mel  x  Melado  (1 colher rasa)
                     Mel x Melado
Calorias:         64 x 43
Carboidratos:  17 x 16g
Cálcio:           1.0 x 136mg
Ferro:            0.1 x 3.0 mg
Magnésio:       0.5 x 51mg
Potássio:        11 x 585mg
Cobre:            0.0 x 0.3mg
Selênio:          0.2 x 12 mg

Não acredito que as pessoas devam privar-se de mel para o resto da vida, mas espero que o façam como sempre foi feito por aqueles que nos antecederam nessa terra que preservamos para os que estão por vir, com critério.

O problema não é consumir o mel, mas fazê-lo de forma consciente, em comunhão com o meio, levando em consideração seu impacto. Em pouca quantidade, quando for estritamente necessário, nunca como um substituto de sobremesas, cobrindo dúzias de bananas, adoçando à xícaras bolos e sobremesas. A alimentação saudável e livre de açúcar nunca cobraria uma conta dessas do planeta.
A apicultura em larga escala é claramente insustentável e está impactando em nossos plantios e cultivos.

Abaixo, 2 receitas de remédios naturais em base de mel de abelhas, impossíveis de serem substituídas por melado de cana, ou quaisquer outras formas de xarope ou adoçantes naturais:

Brahmastra para curar gripes e resfriados:
0,5 lt de água
1 col de sopa de mel de abelhas
1 pau de canela
3 cravos da Índia
1 pitada de pimenta
1 "dedinho" de gengibre
sumo de 1 limão
Ferver todos os ingredientes, exceto o limão. Apagar o fogo, esperar esfriar um pouco, espremer o limão e tomar ainda quente. Não deve ser ingerido por gravidas, pode causar aborto espontâneo.

Trikatu, principal composto estimulante ayurveda, cuja tradução do sânscrito significa "três temperos"
(dica da Syl, amiga querida desse blog)
1 parte de gengibre em pó,
1 parte de canela em pó,
1 parte de pimenta do reino moida grossa (ou curcuma)
1 parte de mel.
Ingerir 1 colherzinha de café 2-3 vezes ao dia quando fores comer pratos com leite ou para prevenir o peso em dias frios e chuvosos.
O Trikatu ainda é formidável para quando começamos a desenvolver gripes e resfriados. Trikatu é um anti-muco e pó digestivo que são usados para melhorar função gástrica e respiratória. É útil em casos de obesidade, digestão fraca, alto colesterol, altos triglicerídeos, hipotireoidismo, metabolismo lento, congestão, tosse, e edema.
Como contém frutas de pimenta preta (Flautista Nigrum), indiano pimenta longa (Flautista Longum) e os rizomas de gengibre (Zingiber Officinalis), é uma combinação comum que é usada para estimular e para manter os sistemas digestivos e respiratórios. Igualmente afrodisíaco, fortalece-se funções reprodutivas, aquece, e estimula os órgãos reprodutivos.
Trikatu é um seguro digestivo estimulante e expectorante. É antialergênico, carminative, antiflatulência, e atua como um anti-histamínico natural. Ajuda a impedir distensão gasosa.

Trikatu idealmente é tomado uma hora antes de cada refeição numa dose de ½ a 1 colher de chá. Também pode ser tomado junto com ou depois de uma refeição. Como Trikatu tem um gosto pungente, melhor é consumido misturado com mel numa pasta grossa.



Sobre o Agave Azul, considerado o mel vegetal mexicano, é bom produto, até por ser vegetal e isento de sacarose.
Agave Azul é uma planta derivada da Agave, da família do nosso Sisal, cujo cultivo já rende o desenvolvimento de um adoçante natural e orgânico. Toda suculenta rende um xarope, alguns agradáveis (como o agave e o sisal), outros não, como a maioria dos cactus.
Atente para uma coisa, quanto maior a distância que determinado produto exige para percorrer, maior o impacto dele no meio ambiente. Em "O mundo é o que você come", fica bem claro que a melhor dieta a ser seguida é a dos 150km, consumir o que é produzido localmente, evitando assim que áreas nativas sejam devastadas para atender à demanas internacionais de cultivos orgânicos e ainda, não emitindo excesso de CO2 na logística de transporte.


Cuidado! Muita rapadura vem contaminada com lixo: O lado duro da rapadura


Imagem: StepInToMyGreenWorld



Mais informação:
Adoçantes naturais
Refrigerante caseiro
Gripes e Resfriados
Leites Vegetais x Leite animal
Mamãe não passou açúcar em mim!
Os prós e contras do agave orgânico
Cheiro de goiaba, a defesa da rapadura brasileira

terça-feira, 18 de maio de 2010

O mundo é o que você come

Bárbara Kingsolver aborda uma questão fundamental: como uma família de 4 pessoas pode se alimentar e viver de forma sustentável, do que é capaz de produzir em equilíbrio com seu entorno. Grandes entusiastas de produtores rurais locais e as feiras que os mesmos proporcionam, a escritora, o marido e 2 filhas menores decidem viver na fazenda da família e colocam a experiência na prática.

Os 4 passam um ano se alimentando com o que plantam e criam — aspargos, abóboras, tomates, acelgas, galinhas, frutas vermelhas, perus, ovos — respeitando sempre a época do ano e o que ela pode oferecer. Diferente de todos os outros livros de memórias, "O mundo é o que você come", nos traz um tema urgente e universal, ao mesmo tempo em que nos dá uma lição de coragem e força de vontade.

Se o livro pudesse ser definido em uma única frase, seria "Não está na época", que não ouvimos mais nos dias de hoje, já que toda a comida do mundo está disponível em qualquer local àqueles que puderem pagar, não importando se determinado vegetal tiver que viajar quilômetros ou ser alterado geneticamente e banhado em pesticidas.

As receitas dessa família que conservou tomates em invernos com geada e campos nevados, está no site  Milagre Vegetal e Animal.

Em tempo, não são vegetarianos, fizeram seus queijos, conservas e salsichas caseiros, deceparam as aves pessoalmente cientes do equilíbrio do rebanho - mas recusam-se veementemente a consumir carne de animais criados confinados, assim como a comprar especiarias que demandem combustível fóssil na logística de transporte ou quaisquer subprodutos industrializados de soja, refrigerantes, balas, biscoitos, enlatados, etc. , principalmente, nos alertam com muita propriedade aos inúmeros equívocos da "indústria da soja", da "alimentação saudável e politicamente correta", além das agroindústrias que se criaram na carona da certificação orgânica, que faliu inúmeros produtores locais como critica igualmente um filme postado aqui, Nação Fast Food - uma rede de corrupção e Food Inc., você nunca mais verá seu jantar da mesma forma Mas não se anime, a maioria das refeições não leva carne alguma e quando leva, é pouca.

No Submarino, o livro está  à venda, acompanhado de shopping bag. Na banca de jornal do meu bairro, estava à venda por R$9,90.


Observe que o mundo é o que você come, mas também o que bebe e inala




Receita de Bárbara Kingsolver, extraída do excelente livro "O mundo é o que você come" e adaptada por mim: souflée de milho verde com queijo de cabra.

Deu certo, ficou com uma carinha ótima, cheiroso, rendeu muito, além de ser uma delícia.
Siga a sugestão da autora e faça a receita dobrada, assim você vai ter o que comer durante mais tempo sem adição de trabalho.



Segue a receita adaptada:
3 xícaras de milho verde orgânico cozido (compre as espigas, cozinhe e debulhe com uma faca)
3 ovos caipiras
1 xícara de leite orgânico ou vegetal (cococastanhas ou pinhão), fiz com o leite de castanhas e não interferiu em nada.
1 xícara de queijo de cabra tipo "bola"
1 colher de sopa de fermento biológico
1 colher de sopa de manjerona seca comprada a granel
sal, pimenta e noz moscada
Bater tudo no liquidificador e assar em pirex untado com azeite.
Acompanha tudo e pode ser feito adicionando azeitonas picadas, palmito de açaí ou pupunha, cogumelos, cenoura ralada, folhas de espinafre e até abóbora em cubos


A sopa fria de pepino com iogurte e hortelã também é divina e facílima, vale tentar e a receita está no link oficial acima do Milagre Vegetal e Animal.



Mais informação:
Soja é desnecessário
Leites Vegetais x Leite animal
O Brasil orgânico que funciona
O mundo é o que você compra
As frutas que ninguém come mais
Orgânicos podem ser mais baratos
Os prós e contras do agave orgânico
10 empresas controlam 85% dos alimentos
Slow Food: tradição, gastronomia, prazer e desmatamento
Farm City: a fazenda urbana para comprar orgânico, local e justo

sábado, 15 de maio de 2010

Reciclagem de Eletroeletrônicos

Mais uma boa dica do Instituto Akatu.

Em tempo, somos recordistas mundiais, já que o relatório divulgado pela ONU no início do ano classificou o Brasil como o maior produtor de lixo eletrônico entre os países emergentes, com uma média de meio quilo por habitante por ano.

Ainda, o link para a listagem dos locais de descarte.


Mais informação: lixo eletrônico pode virar trilho de trem e aparelho telefônico.


Vídeo abaixo traz boas dicas de como proceder com o lixo eletrônico produzido:




A reportagem do Akatu na íntegra:

Site orienta consumidores no descarte de resíduos eletroeletrônicos


Além de auxiliar consumidores no processo de descarte de eletroeletrônicos, serviço informa sobre programas de logística reversa realizados por fabricantes do setor

Desde segunda-feira última (10/4), consumidores de todo o Brasil contam com um serviço online de informações sobre programas de logística reversa realizados por fabricantes de eletroeletrônicos. No mesmo site há também orientações para o descarte correto de televisores, computadores, celulares e outros resíduos eletroeletrônicos. Trata-se do hotsite “Eletroeletrônicos”. Para acessá-lo, clique aqui.

A iniciativa é do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) e foi lançada durante a cerimônia de assinatura de uma parceria entre o Cempre e o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O convênio prevê a produção conjunta de um estudo qualitativo preciso sobre o atual cenário e as atividades do setor de eletroeletrônicos. O mapeamento servirá como base de orientação das políticas públicas que regulamentam o setor.

Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, declarou que a iniciativa reflete a junção da gestão pública ambiental com a iniciativa privada para a formatação de um diagnóstico preciso sobre as atividades de reciclagem de eletroeletrônicos no Brasil. "Para ser sério, um estudo deve passar necessariamente pela iniciativa privada, que é quem detém os números de mercado do setor", defendeu.

Victor Bicca, presidente do Cempre, ressaltou a postura pro-ativa da parceria já que foi firmada mesmo antes da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. "O estudo vai orientar políticas públicas para a reciclagem e vai revelar de fato onde estão os principais entraves para a reciclagem dos eletroeletrônicos no Brasil".


Política Nacional de Resíduos Sólidos

Depois de tramitar por quase 20 anos na Camara dos Deputados, a proposta da Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em março último e está prestes a ser votada pelo Senado. A expectativa é que a lei seja sancionada pelo presidente da República no Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora em 5 de junho.

Na prática, a proposta obriga os fabricantes a realizar a logística reversa, que consiste no reconhecimento de seus produtos pós-consumo. Segundo o Cempre, apenas 12% das 170 mil toneladas do lixo urbano produzido diariamente no Brasil é reciclado. Aprovada a lei, prevê-se que o Brasil passe a reciclar 25% do material até 2015.

Um relatório divulgado pela ONU no início do ano classificou o Brasil como o maior produtor de lixo eletrônico entre os países emergentes, com uma média de meio quilo por habitante por ano. Número acima dos chineses e indianos, com 250g e 100g, respectivamente. Clique aqui para ler o relatório na íntegra.


Mais informação:
Onde descartar lâmpadas, baterias e termômetros com mercúrio
Sem obsolescência programada e com garantia de 25 anos, mas não se encontra em lugar nenhum

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Guardanapos de pano

Dica de elegância e sustentabilidade da Cozinha Verde da Rita Lobo:

As outras também são boas, principalmente o minhocário para a compostagem do lixo, mas atente que o guardanapo de papel não recicla ainda.

O macete que a Rita passa: guardanapos brancos limpam mais facilmente, os coloridos tendem a ficar manchados.

A leitora do blog comprou uma toalha de mesa imensa e aproveitou parte do tecido sobressalente para fazer 8 guardanapos combinando. Imagino que a mesma prática possa ser aplicada à toalhas velhas e rasgadas.


Os guardanapos das fotos, retiradas do blog da designer Ana Claudia Cavalcanti , foram amarrados com folhas de capim limão, abaixo, e um galhinho de lavanda, acima, em jogos americanos de bambu e "louça" de mdf.



terça-feira, 11 de maio de 2010

Pneu verde - pneus de biomassa em estradas verdes cogeradoras de energia limpa


Pneus renováveis - Biopneus
Além de usar biocombustível, os motoristas logo poderão dirigir carros que utilizam "biopneus", ou pneus verdes, menos ecologicamente danosos dos que os pneus atuais.
Nos biopneus, um dos principais ingredientes dos pneus tradicionais, derivado do petróleo, é substituído por um composto derivado de plantas.

Hoje, cada pneu fabricado consome 26 litros de petróleo. A cada ano, são produzidos perto de um bilhão de pneus. E ainda não há uma solução definitiva para a reciclagem dos pneus usados.


Como no caso do etanol brasileiro, a solução para a fabricação dos pneus verdes, a partir de matérias-primas renováveis, pode vir da cana-de-açúcar, mas também do milho e até de uma gramínea, a switchgrass, muito pesquisada nos Estados Unidos.
O novo processo usa os açúcares derivados da biomassa para produzir um composto químico chamado isopreno, hoje um derivado do petróleo, um dos principais componentes do pneu.
"Tem havido uma busca intensiva, há anos, por fontes alternativas de isopreno, em particular a partir de recursos renováveis, como a biomassa," disse o Dr. Joseph McAuliffe, que apresentou o novo processo durante a Conferência Anual da Sociedade Química Americana, nos Estados Unidos.
"Um dos desafios técnicos tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Nós resolvemos isto utilizando um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os carboidratos da biomassa em nosso bioisopreno," diz McAuliffe, que trabalha para a Genencor, uma empresa de biotecnologia.

 

Bioisopreno
A empresa agora firmou um contrato com a Goodyear, uma das maiores fabricantes de pneus do mundo, para levar o processo para escala industrial, integrando o processo de fermentação, recuperação e purificação do bioisopreno.
O isopreno tem várias utilizações além da fabricação de pneus, de luvas cirúrgicas e produtos de higiene feminina a adesivos de alta fusão e copolímeros de bloco. Sua produção atinge quase um bilhão de toneladas anuais.
"Este é um mercado enorme," disse McAuliffe. "O bioisopreno servirá como uma alternativa renovável e economicamente competitiva ao isopreno. É o tipo de material que poderá abrir novos mercados, por isso eu acredito os números de consumo atual do isopreno subirão muito quando o isopreno renovável estiver disponível," prevê ele.
O pesquisador afirma que o isopreno derivado da biomassa poderá estar no mercado dentro de cinco anos, viabilizando o início da produção dos pneus verdes.


Asfalto de estradas e ruas será usado para gerar energia


Pesquisadores descobriram uma forma eficiente de transformar o calor do asfalto de rodovias, ruas e estacionamentos em uma fonte barata e não-poluente de energia. O asfalto, que fica extremamente quente sob o Sol, é utilizado como um coletor térmico da energia solar para gerar eletricidade.
Eliminação das "ilhas de calor"
Além de usar os milhões de quilômetros quadrados de asfalto já disponíveis em rodovias e ruas, gerando eletricidade ou água quente, o projeto ainda beneficia o meio ambiente e a qualidade de vida nas cidades, capturando o calor do asfalto e minimizando um efeito conhecido pelos urbanistas como "ilhas de calor."
Os pesquisadores do Instituto Politécnico Worcester, nos Estados Unidos, utilizaram testes em pequena e em larga escala, além de modelos computadorizados, para mensurar o potencial de captura do calor acumulado no asfalto e sua utilização para geração de energia.
Água quente e eletricidade
Os testes utilizaram termopares incorporados no asfalto, para medir a penetração do calor, e canos de cobre, para medir a eficiência com que o calor pode ser transferido para um fluxo de água. A água quente gerada pode ser utilizada diretamente em residências e indústrias, ou ser direcionada para um gerador termoelétrico para produzir eletricidade.
Outra vantagem verificada durante as pesquisas é que o asfalto retém o calor por várias horas depois que o Sol se pôs, transformando o sistema em uma opção mais eficiente do que as células solares fotovoltaicas.
Eficiência e custos
Testando várias composições de asfalto, os pesquisadores descobriram que a adição de agregados eficientes na condução de calor, como o quartzito, pode aumentar significativamente a absorção do calor do Sol pelas rodovias e ruas. Uma tinta especial também foi avaliada, reduzindo a reflexão da superfície do asfalto e fazendo com que ele absorva ainda mais calor.
Os pesquisadores estão agora passando para a etapa de avaliação dos custos de implantação do sistema. Para viabilizar economicamente o projeto, eles afirmam que será necessário substituir os tubos de cobre usados na pesquisa por um trocador de calor metálico projetado especificamente para essa tarefa, capaz de capturar a maior quantidade possível de calor do asfalto.
O trocador de calor será projetado de forma a poder ser incorporado nas rodovias e ruas já existentes durante o seu recapeamento, um processo de recuperação que normalmente ocorre a cada 10 anos de vida útil do asfalto.

Partindo de um material desenvolvido por pesquisadores japoneses, engenheiros holandeses estão criando a primeira "estrada verde", capaz de eliminar da atmosfera a poluição emitida pelos veículos que trafegam por ela.
Estrada verde
Uma pequena estrada na cidade de Hengelo, Holanda, será pavimentada com um concreto especial contendo um aditivo capaz de capturar as partículas de óxidos de nitrogênio emitidas pelos escapamentos dos carros e caminhões.
Mais conhecidos pela sigla NOx, os óxidos de nitrogênio estão entre os mais danosos gases poluentes emitidos na atmosfera, sendo os principais responsáveis pela chamada chuva ácida.
Concreto purificador de ar
O concreto purificador de ar recebe em sua formulação um aditivo à base de dióxido de titânio. Quando exposto à luz do Sol, o material reage com os óxidos de nitrogênio, transformando-os em nitratos, que são inofensivos ao meio ambiente. Basta uma chuva para que todo o pó inerte seja lavado e a estrada fique limpa de novo.
A estrada de Hengelo foi escolhida porque está sendo reconstruída e por causa da excelente qualidade do ar da região, que permitirá um acompanhamento preciso dos resultados obtidos com a pavimentação capaz de eliminar a poluição do ar. As obras deverão terminar até o final de 2008.




Mais informação:
Reciclagem de pneus e cintos de segurança
E se cada família chinesa comprar um carro?
Aproveitamento do pneu na construção civil


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pestos e Olivitas italianas, Tapenades francesas e o Salmorejo madrileño



É um molho cru, fácil de fazer, que permite centenas de variações e ainda conserva as folhas por meses - uma mão na roda.
Muito tradicional na Europa, principalmente na Itália, onde faz-se pesto de tudo, até de tomate seco e azeitona, além de salsinha, coentro, hortelã, agrião e espinafre.
É ótimo com massas, até pizza e espagueti, mas vira uma espécie de antipasti em queijos de entrada, como ricota ou muzzarela de bufala, como na foto acima e é o melhor acompanhamento para pão italiano com um bom vinho tinto orgânico.
E há quem não abra mão de um bom pesto em cima de sua polenta, eu adoro, principalmente o de agrião.

A receita tradicional, feita em pilão de pedra, leva manjericão, azeite, pinhole, alho, queijo pecorino e sal, exatamente como na foto abaixo.


Eu faço no liquidificador com castanha de caju não salgada comprada a granel, huile de noix ou azeite extra virgem orgânico e aromatizado com alho ou azeitona, manjericão orgânico, sal grosso e alho, acompanhando farfale ou fusili integral. Fica ótimo, principalmente com queijo de cabra em cubinhos e um limãozinho por cima na hora de servir.
A cor é linda, verde bem forte. Só use as folhinhas, reserve os talos do manjericão, para que não fique muito fibroso. Acompanhado de tomate cereja fica com cara de salada natalina.

Não tendo castanhas em casa, faça seu pesto simples, batido com azeite e alho, bastam as folhas para dar substância ao molho. O limão sempre ajuda a conservar e evitar que escureçam, mas 1 gotinha de vinagre também resolve. Sal, pimenta para quem gosta e estamos conversados.





O pesto de azeitona, feito com azeitonas (verdes ou negras) batidas com azeite e limão, chama-se olivita na Itália e tapenade na França.









Veja também o Salmorejo Madrileño, um pesto espanhol de tomate fresco, levinho e ideal para o calor:
- 3 tomates orgânicos
- 1 dente de alho pequeno sem o aberto no meio (sem a veia do meio)
- 2 colheres de azeite de oliva extra virgem aromatizado com tomilho
- 4 colheres de vinagre (o mais suave que tiver, eu uso de maçã, mas tem o de arroz que é bem fraquinho)
- pitada de sal a gosto
Bate tudo no liquidificador, sirva com pão integral na chapa.
Se adicionar um pão dormido (duro), sirva como sopa fria, como o Gazpacho Andaluz, que também é da Andaluzia e em base de azeite e vinagre com muitos vegetais.



As fotos vieram de busca aleatória no Google Images e estão presentes em dezenas de outros sites. Aparecendo seus autores, damos os créditos imediatamente.



sábado, 8 de maio de 2010

Vazamento de óleo no Golfo do México



Óleo não para de vazar no Golfo do México e deixa governo americano incapaz de medir o alcance e o impacto do acidente. Greenpeace cobra moratória de exploração em alto mar. 

Doze dias depois do início de um derramamento de óleo no Golfo do México que não dá sinais de arrefecimento, o governo americano sinalizou claramente que não faz a menor ideia sobre qual é a extensão do acidente. Não há posição oficial sobre o tamanho da mancha, a proporção do vazamento, nem os meios mais eficazes de estancá-lo. O comandante da Guarda Costeira Thad Allen em entrevista à rede de televisão CNN, reconheceu que a impossibilidade de mensurar o problema só o torna mais complexo.
Apesar das dúvidas, há pelo menos uma certeza. O acidente com a plataforma de petróleo da British Petroleum no Golfo do México é grande e suas consequências provevelmente serão devastadoras para a biodiversidade e para as economias de estados americanos em cujos litorais o óleo começa a chegar . O presidente Barack Obama, depois de visitar a região, qualificou o derramamento como “potencialmente sem precedentes”. O Greenpeace pediu o fim da exploração de petróleo em alto mar.
Passados mais dois dias de vazamento, as estimativas são de que a mancha teria mais que triplicado de quantidade - de 3 mil quilômetros quadrados no fim da sexta-feira, dia 30, a quase 10 mil quilômetros quadrados, de acordo com imagens de satélites europeus. Dependendo de ventos e maré, o óleo rumará em direção à costa do Alabama e da Flórida .
O acidente acontece um mês depois de Obama ter dado aval para a expansão de projetos de exploração em alto mar, com a justificativa de que as plataformas hoje estariam seguras e não causariam vazamentos. Os projetos estão agora suspensos, aguardando o fim das investigações sobre as causas do desastre.
“Á pergunta sobre se o que está sendo feito é suficiente, a resposta é que não há ‘suficiente’. Tudo está fora do controle. Não podemos remediar este acidente, apenas evitar que outros ocorram”, afirmou Mark Floegel, Diretor de Pesquisa do Greenpeace. “Precisamos que o presidente Obama tome posturas mais radicais para evitar que novos desastres aconteçam. O anúncio de que as operações ficarão suspensas é pouco. Queremos uma moratória completa de exploração de petróleo em alto mar nos Estados Unidos”, disse Mark.


Mais informação:

Local de reprodução de várias espécies de mamíferos, aves e peixes, alguns em perigo de extinção, o Golfo do México e a costa da Lousiana estão banhadas em óleo. 

A conta ambiental começou a ficar bem mais salgada. As primeiras aves com o corpo coberto de óleo do vazamento da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México foram encontradas na costa da Lousiana, onde a mancha de óleo do tamanho da metade de Sergipe bateu na manhã de sexta-feira, dia 30. O acontecimento, tanto temido pelas autoridades americanas quanto pelos ambientalistas, traz um prejuízo econômico, segundo os primeiros cálculos, de cerca de bilhão de dólares.
O óleo não poderia ter sido derramado em momento pior. O mês de abril é temporada de reprodução de peixes, pássaros, tartarugas e outras criaturas marinhas no Golfo do México. Durante o período, as espécie, por instinto, tendem a se assentar e, com isso, ficam impossibilitadas de reagir a tempo e fugir do perigo. Segundo afirmam pesquisadores, 90% de todas as espécies marinhas do Golfo do México fazem uso das regiões costeiras e dos estuários do Rio Mississipi ao menos uma vez na vida para reprodução.
A costa da Lousiana, local onde se encontram 40% das regiões de mangue dos Estados Unidos, é pouso para mais de cinco mil espécies de aves migratórias. A lista completa dos animais na mira do óleo inclui 400 espécies, encabeçada pelo atum-azul, em alto perigo de extinção. Das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, cinco migram para a região para cuidar de seus filhotes em abril. Tubarões e mamíferos marinhos, como as baleias Cachalote, Azul, Fin e Sei também nadam no óleo. Uma equipe do Greenpeace dos Estados Unidos está a caminho da Lousiana para documentar e expor os impactos ambientais causados pelo vazamento de óleo.




“As aves marinhas possuem um óleo natural que cobre o corpo e as possibilita de mergulhar no mar sem afundar”, explica Leandra Golçalves, Coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace. Com o tingimento das penas de negro petróleo, as aves perdem esta cobertura natural e ficam impossibilitadas de mergulharem. “Isto sem falar nos níveis de toxicidade a qual os peixes e as baleias estão expostos. A cada vez que uma baleia vai à superfície para respirar, está levando petróleo aos pulmões”, acrescenta Leandra.
O acidente, causado por uma falha no sistema de segurança de uma plataforma construída em 2001 usando a mais recente tecnologia para a área pode vir a se tornar o maior da história dos Estados Unidos. Estimativas oficiais são de que o volume de óleo derramado já ultrapassa os de grandes acidentes como o da Exxon Valdez, em 1989, no Alasca e o de Santa Bárbara, Calif, em 1969. Por via das dúvidas, o presidente Obama vez sendo orientado a suspender novos projetos de exploração de petróleo até que maiores investigações sobre o caso garantam maior segurança.
"Ainda hoje, apesar da alta tecnologia para a exploração de gás e óleo já desenvolvida no mundo, são poucas as medidas eficientes para evitar o impacto ambiental de vazamentos de petróleo no mar. A região que foi afetada pelo Exxon Valdez, por exemplo, ainda não se recuperou totalmente dos impactos, mesmo depois de 21 anos do ocorrido”, diz Leandra. "Está mais do que na hora dos governos e sociedade repensarem o modelo de desenvolvimento que queremos para o futuro. Para evitar esse tipo de impacto só existe uma maneira: diminuir a exploração de petróleo e migrar para uma matriz energética mais limpa e renovável", conclui.






Tragédia ao vivo
Imagens do vazamento de petróleo na costa dos Estados Unidos começaram a ser transmitidas pela internet depois que o Congresso norte-americano exigiu mais transparência da petroleira British Petroleum.
Uma câmera instalada a cerca de 1,6 mil metros de profundidade mostra uma enorme quantidade de petróleo vazando próximo da tubulação que carrega o óleo para a superfície, enquanto peixes e até uma enguia nadam ao redor e dentro do óleo.
As imagens foram colocadas no site da Câmara de Representantes do Congresso norte-americano, no endereço www.globalwarming.house.gov.
Verdade exposta
Na quinta-feira, um porta-voz da BP disse que o vazamento pode ser maior do que os 5 mil barris diários estimados anteriormente.
Em declarações à agência AFP, Mark Proegler afirmou que essa quantidade de óleo já está sendo bombeada através de um tubo inserido na tubulação avariada, mas que ainda há petróleo vazando.
"Agora que estamos coletando 5 mil barris por dia (o vazamento) pode ser um pouco mais que isso", disse.
Estimativas de analistas independentes apontam que a perda de petróleo pode ser dez vezes maior que isso.
Impaciência com a incompetência
Em uma carta enviada à direção da BP, o governo Obama expressou sua impaciência com as medidas de contenção da mancha.
"Na reação a esse vazamento de óleo, é crítico que todas as ações sejam conduzidas de maneira transparente, com todos os dados e informações relacionados ao vazamento (sendo) prontamente disponibilizados para o governo dos Estados Unidos e o povo norte-americano", disseram as autoridades.
A secretária de Segurança Doméstica, Janet Napolitano, e a administradora da Agência de Proteção Ambiental, Lisa Jackson, disseram que as medidas da BP até o momento estão "aquém tanto em seu escopo quanto em eficácia."
Espalhamento
O vazamento começou em 20 de abril, quando uma plataforma de petróleo no Golfo do México explodiu e afundou, deixando 11 mortos.
A mancha de óleo resultante já chegou a praias a 90 km do local do acidente. O óleo atingiu a costa do Estado de Louisiana.
Nesta sexta-feira, as autoridades temem que o petróleo continue destruindo ecossistemas das zonas alagadas no Delta do Mississipi.
Há também temores de que as correntes marinhas levem a poluição para a Flórida.



A foto, de O Globo, não é do Golfo do México, mas da Baía de Guanabara - Praia de Mauá, em Magé (RJ).

Casa construída com 18 toneladas de plástico no País de Gales



Casas verdes
A companhia Affresol desenvolveu uma tecnologia que transforma plástico e minerais em um material batizado de Thermo Poly Rock, que poderia revolucionar a indústria de construção.
O projeto, apoiado pelo governo do País de Gales e por organizações ambientais, já lançou uma linha de casas verdes e construções modulares portáteis de quatro toneladas.
O secretário da Economia do País de Gales, Ieuan Wyn Jones, disse que "o novo processo sustentável" tem muito potencial e pode gerar uma grande quantidade de empregos.

Material estrutural
A empresa diz que o processo tem baixo consumo de energia e transforma plástico em um material durável e resistente.
As placas de Thermo Poly Rock formam as paredes de sustentação da casa, que pode ser coberta externamente com tijolos ou pedra, enquanto o interior pode ganhar uma camada de isolamento térmico e ficar com a mesma aparência de uma casa tradicional. As telhas também são feitas de material reciclado.
O diretor-gerente da Affresol, Ian McPherson, diz que o novo material é mais leve e resistente que concreto, é térmico, impermeável, não-inflamável e não apodrece.

Casas recicláveis
A empresa estima que a vida útil das casas seja de cerca de 60 anos, mas diz que os elementos do Thermo Poly Rock podem ser novamente reciclados ao fim deste período.
"Todos os países do mundo têm problemas com lixo e agora temos a oportunidade de transformar este lixo em um recurso de construção de moradias 100% reciclável", diz McPherson.
Agora a empresa aguarda aprovação para construir 19 casas em Merthyr, no País de Gales, como parte de um projeto-piloto.


Mais informação:
A casa sustentável é mais barata
Catedral construída com entulho de construção civil
Em Bogotá, uma rua inteira foi construída com material reciclado
Michael Reynolds, Garbage Warrior, e a bioarquitetura do Novo México

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sopinhas Rehab


São para consumo constante, no jantar então é melhor ainda, mas como há fases na vida em que perdemos a linha grastronomicamente falando, deixo as sopas como sugestão para aqueles momentos de desintoxicação, o "day after" do pé na jaca.

Fáceis, tudo pode ser encontrado nas versões orgânicas e a receita é a mesma para todas as sopas, salvo poucas variações:

Creme de inhame com agrião
Cozinhar meio quilo de inhame em 2 litros de água, ferver
Quando o inhame estiver molinho, retirar com escumadeira, descascar e bater no liquidificador com a água do cozimento coada (inhame é "peludo").
Levar esse creme de volta à  panela com meia cabeça de alho dourada em 4 colheres de sopa de azeite.
Provar o sal, temperar com pimenta, cominho, curry, açafrão...
Quando ferver, apagar o fogo e juntar 1 maço de agrião limpo e picadinho.

Creme de abóbora com bertalha
Faz-se da mesma forma que o creme de inhame, eu gosto de juntar um inhame pequeno, acho que deixa qualquer sopa mais cremosa e não interfere no gosto.

Creme de batata doce com espinafre.
Exatamente como as sopas acima, mas não precisa de um inhame pequeno cozido junto porque batata doce já é massudo, coloque se gostar mas junte mais água. As folhinhas picadas só depois do creme refogado ser fervido.

Creme de cenoura com as ramas da cenoura
Exatamente como as sopas acima, um inhame pequeno cozido junto e as folhinhas picadas só depois do creme refogado ser fervido.

Creme de batata baroa (mandioquinha) com couve
Fervi a baroa, cozinhei e bati com pele e tudo (batata não tem casca, tem pele), como nas sopas acima. Entretanto, bati no liquidificador com a couve crua, porque não queria fatiar o maço (imenso). Se gostar de encontrar as folhas na sopa, junte só depois de batido. Como a de batata doce, não precisa de um inhame pequeno cozido junto porque batata baroa também é massudo, coloque se gostar mas junte mais água.
Na minha opinião, foi a que ficou mais saborosa, pelo gosto inconfundível da baroa.

Creme de aipim (mandioca) com taioba
Cozinhe o aipim com casca e tudo até a água evaporar, descasque, bata no liquidificador com 3 vezes o peso em água. Volte à panela para refogar no alho com azeite, junte alho poró se gostar. A taioba pode ser picada ou batida junto, só deve estar crua para cozinhar no bafo e não amargar e escurecer. O mesmo processo das demais.
Como a de batata doce, não precisa de um inhame pequeno cozido junto porque madioca também é massudo, coloque se gostar mas junte mais água.


Não ferva as folhas com os legumes antes do liquidificador, ficam marrons e amargam, o próprio calor da panela cozinha essas folhas e as mantém verdes - mesmo no caso da couve.
A batata doce escurece se cozida em panela de ferro, sua sopa pode ficar cinza... o jeito é cozinhar a batata doce em panela de barro-pedra. Os outros legumes encararam bem minha panela de ferro.
Você pode trocar as folhas entre si, os legumes combinam com todas.




Acompanhamentos para quem quiser incrementar: tomate seco e azeitona picadinhos por cima, shiitake ou qualquer outro cogumelo com pimentão vermelho e alho poró no refogado do alho, cheiro verde com pimenta malagueta fresca picados por cima, cebola em gomos (ou cenoura em cubos) refogada no shoyu com cebolinha igualmente por cima, macarrãozinho integral (conchinha) misturado ao creme...

Toda sopa fica incrível cozida em caldo especiais, leite de coco caseiro ou mesmo com uma colher de iogurte natural, creme de leite fresco ou manteiga adicionados depois da última fervura. Todo lácteo tem que ser orgânico e fresco, se não tiver em casa, esqueça.

Para mim basta 1 fio de azeite extra-virgem aromatizado (ou do huile de noix), uma fatia do Pão de Raízes quentinho e pronto! Se não estiver em rehab, uma tacinha de vinho tinto também combina muito.

Para ter mais ideias de vegetais, veja como as hortaliças tradicionais estão em extinção pelas tentações da cidade grande.


Para sopas mais tradicionais (e deliciosas) que passam batido da comida de hospital, veja a postagem Sopas que amamos, para passar longe da comida de doente.
Para os caldos cozidos com carnes e muitos temperos, que se fazem presente em todas as tradições gastronômicas, leia a postagem Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso




Para quem quer tomar sopa, mas não está a fim de cozinhar absolutamente nada: Missoshiro e Sopa de Alho

Para fazer missoshiro: dissolva o missô em água fervendo e junte cebolinha picada por cima.
Variações: cogumelos, cebolas em gomos, cenoura em rodelas e tofu em cubos, tudo refogado em óleo de gergelim, cubra com o caldo de missô e deixe apurar por 5 minutos.
Se gosta de missoshiro, conheça também o Udon - um dos melhores pratos orientais na minha opinião.

Para fazer sopa de alho:
6 xícaras de água
6 fatias ou 150 g de pão integral
6 colheres (sopa) de azeite aromatizado
6 dentes de alho cortados em lâminas
1 colher (sopa) de páprica defumada doce ou picante, à sua escolha
sal ou a gosto
Leve a água para aquecer. Enquanto isto, esmigalhe ou corte o pão em pedaços pequenos e reserve. Numa panela, aqueça o azeite com as fatias de alho. Quando começarem a querer dourar, junte o pão e mexa bem. Junte a páprica e o sal, mexa e junte a água quente. Misture e deixe ferver por cerca de 5 minutos ou até o pão se desmanchar. Sirva quente.
Opcional: junte 1 ovo caipira em cada prato e depeje o líquido quente, tampe e espere 3 minutos antes de se servir


Todas as fotos são da sopa de alho, deliciosa e surpreendente, além de facílima e muito rápida e, até então sem créditos. Uma tradição boêmia na Espanha e em Portugal, que também é encontrada pelos nomes de Açorda de alho ou Sopa Alentejana.