segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Nação Fast Food - uma rede de corrupção e Food Inc., você nunca mais verá seu jantar da mesma forma



Outro filme na linha do Super Size Me, criticando a indústria de fast food, mas que segue a escola do Robert Altman e mostra uma história ficcional onde vários personagens que não se conhecem, têm um ponto em comum. Leia o livro e assista ao filme.

A história começa com um executivo de marketing que precisa investigar porque foram encontradas fezes nos hamburguers comercializados, passando pela história de vida da atendente universitária de uma das lojas da rede e cobre todas as questões, incluindo a contratação de mão de obra mexicana ilegal e os inúmeros acidentes de trabalho nos frigoríficos terceirizados.

Em tempo, a melhor cena: os sabores churrasco-texano e frango-caribenho sendo obtidos em laboratório a partir de tubos de ensaio.

O filme está no Wikipedia e no Youtube.





Food, Inc. desnuda a indústria de alimentos

O filme de Robert Kenner, co-produzido por Eric Schlosser (de Fast Food Nation, disponível no Brasil) faz uma radiografia pesada da indústria de alimentos nos Estados Unidos, mas que cabe perfeitamente à nossa realidade, em tempos de economia globalizada.

O documentário faz uma incursão sobre os modos de produção da comida que chega às nossas mesas todos os dias, desde o modo como os animais “para fins industriais” são criados e abatidos, o excesso de uso de hormônios e antibióticos – que faz com que frangos engordem em tempo recorde – , a inserção na alimentação de variedades de soja geneticamente modificadas que resistem ao mais forte dos pesticidas, entre outros recursos utilizados pelas companhias para “aumentar a produtividade” – e que, em última instância, faz a comida ficar cada vez mais distante de sua natureza. Isso somado aos impactos à saude, como o aumento da incidência de obesidade, diabetes e contaminação por E.Coli decorrentes dessa ‘desnaturalização’ da comida.

Mas o filme aponta também caminhos, e mostra que está nas mãos do consumidor pressionar a indústria e as cadeias de supermercados por mudanças. A tão falada opção pelos orgânicos e alimentos produzidos localmente, por pequenos produtores, é apontada como um desses caminhos. Infelizmente, o preço ainda é um empecilho para muitos adotarem o orgânico como carro-chefe da alimentação. Esses dias, no supermercado, comparei o preço do frango produzido sem hormônios e antibióticos com o frango convencional. O frango orgânico custava 5 vezes mais que o convencional. Claro que, se mais consumidores buscarem essas alternativas, elas tenderão a baratear.

O link acima traz um trailer do filme


Dos 10 piores "alimentos" para a saúde, os lanches servidos em redes de fast food constam em quase todos os itens: sorvete industrializado, salgadinho de milho industrializado, pizza pronta, batata frita, batata chips, salsichas, bacon, donuts, refrigerante convencional e dietético.





Mais informação:
Boteco, o filme
O mundo é o que você come
O Mundo segundo a Monsanto
Super size me, a dieta do palhaço
Slow Food, desmatamento e prazer
"10 empresas controlam 85% dos alimentos”
Uma jornada criminosa no McDonald´s: a jornada móvel e variável de trabalho onde se paga menos de R$50,00 mensais a menores e ainda aumenta o rombo da nossa previdência

sábado, 28 de agosto de 2010

Turista Espacial



O filme francês La Belle Verte de 1996, Turista Espacial na tradução adaptada ao português, é uma comédia de ficção científica, onde uma extraterrestre visita à Terra em missão de paz e reconhecimento.
Oriunda de uma civilização mais evoluída, onde os habitantes dormem em gramados e vivem 270 anos, Mila, pousa em Paris sem sequer saber o que são automóveis, dinheiro, hierarquia e todos os apetrechos tecnológicos considerados indispensáveis pelos terráqueos.
Para quem leu o Bolo-Bolo é um prato cheio, mas o filme é ainda mais avançado em muitas questões, principalmente no que tange à posse da terra e necessidades de consumo.

Meu momento favorito foi quando os 2 filhos adolecentes resolvem visitá-la e pousam por engano no deserto africano, provavelmente no Outback australiano - adaptam-se maravilhosamente bem, acham a comida ótima e a qualidade da água disponível excelente. Ficam amigos das comunidades nômades, por quem são recebidos com muito carinho e, ao chegar em Paris, relatam à mãe: "Achamos que estava gagá quando falou conosco (por telepatia), aqui é ruim, mas onde pousamos, as pessoas vivem há 40.000 anos em paz com a terra, sem destruir nada, são muito evoluídos, comemos bem e fizemos grandes amigos".
Despendem-se dos amigos terráqueos lembrando que a era Pré-Renascentista foi antecedida por um caos, onde os humanos depojaram-se de tudo que não precisavam mais, acabaram com o consumo e assim, com todos os meios de produção que não interessavam mais.

Outra cena boa, quando a extraterrestre entra na Catedral de Notre Damme, observa uma imagem de Cristo crucificado e pensa em voz alta "te enviamos há 2.000 anos, não entenderam nada e ainda fizeram isso contigo..."

O filme já pode ser totalmente baixado no Youtube

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Chuveiro ecologicamente correto para praias

Dica da Luce, eu amei tanto, que transcrevo aqui.
Tomara que pegue nas praias desse vastíssimo país tropical, aquele desperdício precisa ser controlado.



Chuveiro ecologicamente correto

A Refresh Brasil lançou um chuveiro ecologicamente correto. O intuito da empresa é disponibilizar um produto que é sustentável desde sua produção até sua finalidade, a economia de água.


A ducha é leve e de fácil instalação. Colocado na areia, próximo ao mar, ele retêm a água salgada, filtra, faz a cloração e armazena em torno de dois litros de água por banho.

O chuveiro é feito de tubos de Polipropileno (PPR), material moderno, de alta qualidade e ecologicamente correto.

Além disso, em sua montagem o produto não utiliza colas tóxicas, o processo é substituído pela termofusão, ou seja, as uniões são feitas a altas temperaturas, eliminando a utilização de qualquer produto tóxico.
A ducha Refresh Brasil não utiliza água potável nem energia elétrica. Elimina 95% do sal e retira 99% das bactérias presentes na água.

 


Mais informação:
Verão sustentável
Vá pegar uma praia
Pia cheia de louça suja não é problema, é solução
Como funciona uma estação de tratamento de esgoto
Cosméticos "verdes" biodegradáveis e não testados em animais
Sanitário Ecofriendly, "número 2" usa mais água do que "número 1"
Boa ação de verão para o ano todo: deixe água para os animais de rua
A casa sustentável é mais barata - parte 20 (reuso de águas cinzas do banho para o sanitário)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Doação de sangue


Precisa sempre - especialmente em época de festas, como final de ano, Carnaval e Copa do Mundo, não toma nem 1hr. do tempo de ninguém e ainda faz bem à saúde. Ninguém tem desculpa para não doar.


Para doar, basta chegar na portaria do Hospital-Hemocentro com sua carteira de identidade ou qualquer documento com foto.




Você deve estar em boas condições de saúde, ter entre 18 e 60 anos e pesar 50kg ou mais.
NÃO vá em jejum, alimente-se de coisas leves e não gordurosas (evite derivados de leite, carne de porco e frituras), corte a ingestão de álcool por pelo menos 12 horas.

Se toma medicação regular, ligue antes para confirmar se há alguma restrição.
Aspirina costuma não ser aceita, por ser anticoagulante.

Pacientes quimioterápicos não devem doar sangue, tanto pela medicação, quanto pela fragilidade do organismo em tratamento.

Pessoas que já tiveram hepatite, doença de Chagas, malária e sejam soropositivas para HIV não podem doar em hipótese alguma.

Os que estiveram recentemente em alguns países africanos, da América Central, ou mesmo em regiões endêmicas brasileiras, como a Amazônia, provavelmente serão testados na triagem para as endemias regionais.

Àqueles que fizeram tatuagem ou sexo sem proteção com parceiro não regular em período inferior a 12 meses, também não costumam ser aceitos na triagem. Após 1 ano, podem doar normalmente.

E após doar, beba muito líquido durante o dia. Lembre que a prática da doação de sangue faz bem, pois estimula a produção da medula.





Onde doar:
Hospital Universitário Graffree e Guinle
Rua Mariz e Barros, 775 -Tijuca - Rio de Janeiro - RJ

Hospital Mário Kroeff - Associação Brasileira de Assistência ao Câncer
Rua Magé, nº326 - Penha Circular - Rio de Janeiro-RJ

Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer I
Pça. Cruz Vermelha, 23 - Centro - Rio de Janeiro - RJ

Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer II
Rua Equador, 831 - Santo Cristo - Rio de Janeiro-RJ

Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer III
Rua Visconde de Sta. Isabel, 274 - Vila Isabel -Rio de Janeiro-RJ

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho-UFRJ
Avenida Brigadeiro Trompowski, s/n - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro–RJ

Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ
Avenida 28 de setembro, 77 - Vila Isabel - Rio de Janeiro-RJ

Instituto de Hematologia do RJ - Hospital de Hematologia - HEMORIO
Rua Frei Caneca, 8 - Centro - Rio de Janeiro-RJ

Hospital Universitário Antonio Pedro - UFF
Rua Marques do Paraná, 303 - Centro - Niterói-RJ

Hospital Universitário de Nova Iguaçu
Avenida União, 673 - Nova Iguaçu–RJ

Instituto Oncológico Ltda.
Rua Dr. Barros Junior, 1135 - Nova Iguaçu-RJ

Radiclin
Rua 26, nº3 - Vila Santa Cecília - Volta Redonda-RJ

Hospital Geral Dr. Beda - Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia LTDA.
Rua Conselheiro Otaviano, 129 - Centro - Campos-RJ

Clínica Santa Maria Ltda.
Rua Conselheiro Otaviano, 195 - Centro - Campos-RJ




Mais informação:
Ilha das Flores
Natal sustentável
#LegalizarAborto
Carnaval sustentável
Na Jureia: doando sangue
Copa do Mundo sustentável

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Como comprar e reconhecer produtos orgânicos

Existem ainda muitas dúvidas sobre o que são produtos orgânicos, quais as vantagens e como fazer para reconhecer os mesmos.

No tópico sobre carnes orgânicas, surgiram algumas dúvidas sobre quais marcas seriam certificadas ou não e ainda, como confiar nessas certificações.
Barbara Kingsolver em seu maravilhoso livro “O mundo é o que você come” aborda uma questão ainda mais preocupante: caso você freqüente Feiras locais de produtores orgânicos, poderá notar que nenhum pequeno produtor rural é certificado.
O custo das certificações é tão alto que os mesmos iriam à falência caso pagassem tais custas. A autora, amiga pessoal e igualmente fazendeira, compra de velhos conhecidos e produz ela mesma o que sua família consome.

Como sou freqüentadora usual da maior e mais antiga Feira de Orgânicos de minha cidade, a Feira do Russel, resolvi abordar pessoalmente os feirantes e perguntar educadamente se os mesmos eram certificados. Muito poucos tinham a certificação para apresentar.
São pessoas muito simples e que geralmente trabalham em sistema de cooperativa. Esses homens e mulheres não têm como arcar com o custo alto, que, numa indústria, seria proporcional à obtenção de um ISO.
Mesmo os que vendem seus queijos e ovos caseiros, não podem apresentar qualquer garantia legal, o que não se aplica aos produtores tradicionais de queijo de cabra, búfala ou até à Naturallis e Vale da Palmeiras, que produz o melhor queijo de Minas industrializado que já comi, industrializado e orgânico.

Em tese, a comparação é inclusive procedente, pois as certificações internacionais do sistema ISO e OHSAS são certificações de qualidade de gestão e produção, incluindo sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Logo, se pouquíssimas empresas podem arcar com os custos e exigências que envolvem as auditorias para obtenção de uma certificação internacional, um número ainda menor de produtores rurais, pode certificar-se como orgânico.

Alguns produtores rurais entregam em casa, ou fazem “feirinhas particulares” em lojas e mercados de produtos naturais - pode ser ótimo para o consumidor ou não, depende de quem fornece. Já passei pela situação de comprar frutas e vegetais orgânicos por telefone e, quando da entrega, achar os mesmos “grandes e coloridos demais”, iguais aos de cultivos convencionais do supermercado.
Da mesma forma que comprei morangos orgânicos em uma barraca da Feira do Russel (sem certificação) e ao chegar em minha casa, notar que os frutos eram grandes, esbranquiçados e “duplos ou triplos”, fato comum em cultivo com pesticidas químicos, além de completamente distintos aos morangos pequeninos e vermelhinhos da Korin, Cultivar ou Tamiso (todos certificados pelo IBD).
Consumi, mas não voltei a comprar daqueles fornecedores - o que, por outro lado, não me impediu de continuar comprando de outros que igualmente entreguem em casa ou disponibilizem seus cultivos na mesma feira semanal.
Há uma empresa sólida e muito tradicional que faz esse serviço de entrega, a Sítio do Moinho, além de Paloma Niskier (21 2539-0059 e 21 9823-8240) , cujos produtos me pareceram acima de qualquer suspeita.

Caso queira procurar pelos principais pontos de venda e fornecedores em todos os estados do país, o Planeta Orgânico disponibiliza um mapa nacional de venda de produtos orgânicos.

A população em geral tem uma tendência a romantizar a figura do produtor rural e vilanizar à da grande empresa. Existem 2 equívocos nessa postura, primeiro porque a empresa agrícola orgânica (certificada) emprega centenas de pessoas de carteira assinada, cumpre a CLT e é extremamente fiscalizada pelos órgãos públicos e entidades certificadoras, como IBD, ABIO, CMO, ECOCERT, AVAL, AECO e afins.
Por último, um pequeno produtor rural, provavelmente não é certificado pelas razões citadas anteriormente, não é fiscalizado já que está à margem dos registros oficiais e, mesmo que seja muitíssimo bem intencionado, nada impede que algum dia, por intempéries climáticas ou um surto de pragas, se veja obrigado a colocar algum “aditivo” e tenha que empregar todas as crianças de sua família para não perder uma safra, o que também pode acontecer em qualquer produção local de subsistência da própria família.

A verdade é que ainda sequer existe uma política nacional que legisle sobre o cultivo de orgânicos. Os 600 selos certificadores hoje disponíveis surgiram por iniciativa bem intencionada dos próprios produtores rurais e hoje, criam mais confusão do que esclarecimento ao consumidor. É muito comum encontrar produtos com mais de 3 certificações e outros, do mesmo produtor, sem nenhuma. Pior, mesmo que esse produtor queira certificar tal produto, talvez não consiga por falta de um selo (dentre 600) que se aplique àquele caso específico.

Como já ensinavam os justos que nos antecederam: na dúvida, deixe seu bom senso prevalecer. Um suco pronto certificado como orgânico, além de hidropirataria, demandou combustível fóssil na logística de transporte e um mundo de embalagens, como tetra-pack ou long neck (ambas não-recicláveis), além de não ser 100% orgânico em sua totalidade, já que a legislação atual só obriga o fabricante a cumprir com 70% de ingredientes orgânicos para conseguir a mesma certificação que um produtor rural não pode pagar. Um suco caseiro, a partir das frutas compradas desse mesmo produtor rural (não certificado), além de mais saudável, é mais seguro.
Lembre ainda que no Ceará, a Ypioca, cacharia tradicional e outrora certificada, secou uma lagoa de reserva indígena.

Já que falamos de sucos, o suco orgânico mais vendido no país tem 2 certificações: IBD e EcoVida certificação participativa, provavelmente obtido antes do IBD.
O mesmo problema se aplica aos polêmicos cosméticos "verdes".

Comprando a granel, uma das muitas bandeiras desse blog, atente que quase nunca é orgânico e castanhas e frutas secas são pulverizadas com inseticida para afastar roedores e pragas em geral.
Já existem empórios cerealistas vendendo a granel e orgânico.
No bairro do Flamengo (RJ), há 2 lojas de produtos naturais que vendem grãos a granel e orgânicos-biodinâmicos, da Biorga, Demeter e da biodinâmica Wolkmann: Natuflora na Rua Senador Vergueiro, 93 e o Mercadinho Grão Integral da Galeria na Rua das Laranjeiras, 43.

A Korin é um exemplo que ilustra bem a confusão existente. A Korin é uma empresa de hortifrutigranjeiros que pertence à Fundação Mokiti Okada (FMO), mas a mesma fundação tem uma outra empresa apenas para certificar seus produtos, a Certificadora Mokiti Okada (CMO - um dos 600 selos verdes do país), o que faz com que todos os produtos da Korin sejam automaticamente certificados pela CMO.
Você deve estar pensando então que se a CMO (pertencente ao grupo FMO) já é certificadora, logo os produtos da Korin não precisariam de mais nenhum dos selos?
Errado, porque a empresa foi acusada de má fé e certificou-se também ao IBD, no caso dos vegetais. Já os ovos e frangos, além do IBD, passaram pela chancela da AVAL e da AECO, por estarem compreendidos em outras especificações sanitárias, como todo derivado animal...
Em tempo, a criação da Certificadora Mokiti Okada, custou uma fortuna à Fundação Mokiti Okada e foi criada com o intuito de suprir uma demanda que poderia servir à outros produtores-empresas, além da Korin.
Hoje, a empresa dá mais uma demonstração de boa prática ambiental disponibilizando suas embalagens em fécula de mandioca, sem qualquer alarde, enquanto a Taeq (segmento orgânico-wellness do Grupo Pão de Açúcar) divulgou falsas embalagens biodegradáveis em politileno em seu site, distribui as mesmas no comércio varejista e fez do assunto um dos temas do excelente e imparcial programa Cidades e Soluções sobre o Primeiro Supermercado Verde do país, não por coincidência um supermercado Pão de Açúcar.


Para chás orgânicos, há a Tribal Brasil e, bebendo na rua, a Mega Mate - veja melhor aqui.


Transcrevo abaixo a cartilha do Governo Federal desenvolvida em conjunto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Ministério do Desenvolvimento Agrário, chancelada pelo CONSEA, SDC, DEPROS e COAGRE.

O OLHO DO CONSUMIDOR É IMPORTANTE PARA GARANTIR A QUALIDADE DOS PRODUTOS ORGÂNICOS

Como identificar o produto orgânico no Mercado:

Para facilitar a identificação e dar mais garantia da qualidade dos produtos orgânicos, a legislação brasileira criou o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica – SISORG, no qual o Ministério da Agricultura passou a ser responsável por credenciar e fiscalizar as entidades que fazem a verificação se os produtos orgânicos que vão para o mercado estão de acordo com as normas oficiais.

Os produtos orgânicos que são acompanhados e aprovados por essas entidades credenciadas passam a utilizar o “Selo do SISORG”, que foi criado para facilitar a identificação dos produtos orgânicos no mercado


Este selo já começa ser utilizado este ano e, a partir de 2011, só poderão ir para o mercado os produtos orgânicos que estiverem com o selo, o que indica que sua produção está sendo acompanhada por uma entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura.
Outra maneira para o consumidor ter a garantia que o produto é orgânico será conferindo se seu nome está incluído no Cadastro Nacional de Produtores Orgânico, que estará disponível na página do Ministério da Agricultura, na internet.

Os produtos orgânicos na venda direta sem certificação:

As feiras e pequenos mercados de produtores orgânicos são, cada vez mais, ótimas opções para você comprar diversos produtos orgânicos fresquinhos e diretamente do agricultor.

A legislação brasileira reconhece a importância dos laços de confiança estabelecidos diretamente entre produtores e consumidores no sistema de venda direta (sem intermediários). Esse tipo de mercado tem crescido com a ampliação do número de feiras orgânicas e de produtores que fazem entrega em domicílio.

A partir de 1 de janeiro de 2011, todos os produtores que trabalham com venda direta sem certificação devem possuir a Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social – OCS. Esse cadastro é feito junto a Superintendência Federal de Agricultura da unidade da federação onde o produtor está sendo sediado e com isto garantimos a também rastreabilidade desses produtos para os casos em que surjam dúvidas da sua qualidade orgânica.

Atenção: Nestes casos os produtores não terão o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica.

Informações: organicos@agricultura.gov.br


Nota: vi recentemente uma Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social - OCS pendurada na barraca de um feirante orgânico, é um papel branco e timbrado com selo da República, como um alvará.
Feirantes convencionais também precisam de licença, com o mesmo timbre, apenas o texto e o tipo da licença são distintos. Vamos torcer para a fiscalização ficar em cima e essas licenças realmente servirem ao seu propósito.


Para não dizer que não falei de flores: fuja de tudo que levar açúcar refinado ou qualquer de suas muitas formas, não existe açúcar (mascavo, demerara, cristal, etc) orgânico - mais informação em Mamãe não passou açúcar em mim!



Para comprar direto do produtor:
Mapa Nacional de Feiras Orgânicas no site do Instituto de Defesa do Consumidor

Uma opção para nós brasileiros, que jogamos no lixo 1/3 de tudo que é comprado no supermercado:

Banco de alimentos



Mais informação:
Compras a granel
Adoçantes naturais
Agricultura Biodinâmica
O Brasil orgânico que funciona
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Hidroponia x Agricultura Orgânica
Mel de abelhas x Melado de cana
Orgânicos podem ser mais baratos
Indústria pesqueira x pesca artesanal
Carnes orgânicas: o quê e como comer
Guerra de sementes e transgenia corporativa
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
O mito do agrobusiness: Agronegócio perde em eficácia para agricultura familiar
Tudo que você queria saber sobre orgânicos, mas não tinha uma nutricionista para peguntar

sábado, 21 de agosto de 2010

Entramos no cheque especial





Flavio Vieira cantou a pedra ano passado, no Energia Eficiente
Esse ano, a conta venceu 1 mês antes.
Hoje, a humanidade entrou no cheque especial.


Do ponto de vista da capacidade da Terra em regenerar os recursos naturais utilizados pela humanidade, chegamos ao último dia ano. Chamamos esta data de DIA DA SOBRECARGA DA TERRA, que, infelizmente, cada ano chega mais cedo.
(texto WWF-Brasil)



Ecodebate: Overshoot day 21 de agosto de 2010
Sábado, 21 de agosto, os habitantes da Terra terão esgotado todos os recursos que o planeta lhes proporciona no período de um ano, passando a viver dos créditos relativos ao próximo ano, segundo cálculos efetuados pela ONG Global Footprint Network (GFN).

De acordo com o estudo, “foram necessários 9 meses para esgotar o total do exercício, em termos ecológicos.
A GFN calcula periodicamente o dia em que vão se esgotar os recursos naturais que o planeta é capaz de fornecer por um período de um ano, consumidos pela humanidade, aí incluídos o fornecimento de água doce e matérias-primas, entre elas as alimentares. Reportagem da AFP.
Para 2010, a ONG prevê o ‘Earth Overshoot Day’, ou Dia do Excesso, numa tradução livre, no próximo sábado, significando que em menos de nove meses esgotamos o que seria o orçamento ecológico do ano, revela o presidente da GFN, Mathis Wackernagel. No ano passado, segundo ele, o limite foi atingido no dia 25 de setembro, mas não é que o desperdício tenha sido diferente.
"Este ano revisamos os nossos próprios dados, verificando que, até então, havíamos superestimado a produtividade das florestas e pastos: exageramos a capacidade da Terra” de se regenerar e absorver nossos excessos.
Para o cálculo, a GFN baseia-se numa equação formada pelo fornecimento de serviços e de recursos pela natureza e os compara ao consumo humano, aos dejetos e aos resíduos – as emissões poluentes, como o CO2.
“Em 1980, a nossa “pegada ecológica” foi equivalente a tamanho da Terra. Hoje, é de 50 % a mais, insiste a ONG.
Assim, “se você gasta seu orçamento anual em nove meses, deve ficar provavelmente muito preocupado: a situação não é menos grave quando se trata de nosso orçamento ecológico”, explica Wackernagel. “A mudança climática, a perda da biodiversidade, o desmatamento, a falta de água e de alimentos são sinais de que não podemos mais continuar a consumir o nosso crédito.
Para inverter a tendência, é preciso “que a população mundial comece a diminuir” – um tabu que começa a ser desmistificado pouco a pouco entre os demógrafos e os defensores do meio ambiente, inclusive no seio das Nações Unidas.
“As pessoas pensam que seria terrível mas, para nós, representaria uma vantagem econômica. Mas é uma escolha”, comenta Wackernagel.










Para saber o tamanho da pegada que você deixa no planeta e o quanto pode ser melhorado, faça o teste virtual do My Foot Print

Visite também a página do Ecological Foot Print no Wikipedia e, caso queira aprofundar-se faça também o Footprint da WWF.




















Para por em prática:
Reuse a água da máquina de lavar;
Compre móveis de segunda mão em antiquários ou feiras de rua, monocultura de eucalipto não é reflorestamento;
Use sapatos em couro vegetal ou materiais alternativos;
Recicle os eletro-eletrônicos;
Nos meses de calor, use a energia elétrica de forma inteligente. Não desperdice.
Adote animais de estimação, castre-os adotando ou não;
Compre livros em sebo e roupas em brechó e bazar;
Priorize tudo que for orgânico, agrotóxicos intoxicam a comida, o solo, os lençóis freáticos e até os trabalhadores envolvidos no plantio;
Reduza todos os derivados animais, incluindo mel de abelhas;
Comendo carne, opte pela "verdes" e lembre que do peixe, se aproveita até a cabeça;
Fuja das bebidas prontas, além de cheias de conservantes, hidropirataria é crime, ninguém vê e quem paga a conta final é o consumidor;
Água mineral engarrafada é crime ambiental.;
Recicle tudo, reúse ao máximo, reduza embalagens, cozinhe mais em casa e compre à granel e em feiras de orgânicos;
Atente ao lixo cinza, como fio dental, cotonete, fraldas-absorventes e guardanapo, aparentemente inocentes.
Cosméticos e artigos de higiene pessoal, só os "verdes", não testam em animais, são hipoalergênicos e ainda por cima, biodegradáveis;
A soja não é a salvação da lavoura, muito pelo contrário, sua monocultura transgênica, transformou o cerrado num solo semi-árido e expulsou os pequenos produtores, além de dizimar centenas de espécies animais nativos, que dependiam daquele ecossistema em equilíbrio e ser extremamente tóxica;
Repense todos os materiais e técnicas se estiver construindo ou reformando sua casa, existem centenas de opções sustentáveis para todos os gostos e bolsos, uma ideia boa e simples é adaptar a tubulação da pia à do sanitário e, com isso, economizar e reutilizar águas cinzas.
Priorize transporte coletivo ou vá de bicicleta, caso não seja possível, organize mutirões de carona;
E açúcar mata, devasta quilômetros de mata atlântica nativa para a monocultura da cana, que até hoje emprega mão de obra escrava e infantil.






Filme emblemático e muito palatável: The 11th Hour

O documentário, "The 11th Hour", narrado e produzido por Leonardo DiCaprio, aborda os desastres naturais causados pela própria humanidade. Mostra como o ecossistema tem sido destruído e o que é possível fazer para reverter esse quadro. Entrevistas com mais de 50 renomados cientistas e líderes, como Stephen Hawking e o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev, ajudam a esclarecer essas importantes questões, assim como indicar alternativas possíveis à sustentabilidade.

O filme pode ser encontrado na íntegra no Youtube, mas os links variam, é preciso pesquisar.

Comunidade "The 11th hour action" para discutir soluções sustentáveis para o planeta, criada a partir da temática do filme.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Fibrocimento de bambu: telha de amianto sem asbestose

A telha de amianto é um dos revestimentos mais baratos e populares de nosso país, comum de Norte à Sul, as telhas são impermeáveis, de fácil e rápida aplicabilidade, sendo ainda encontradas a preços baixos.
Muito comuns inclusive como forração à alvenaria em casos de ar condicionado central.
Seria o ovo de Colombo, não fosse um probleminha, amianto libera asbestos, um pó finíssimo, que penetra nos pulmões e causa uma doença derivada de sua inalação: asbestose.

Asbestose não tem cura e mata mais do que as estatísticas indicam, até porque as fábricas, em sua maioria de fundo de quintal, não fornecem equipamento de proteção individual adequado aos trabalhadores. O cenário da produção de telha de amianto no Brasil é um galpão industrial (com forração em telha de amianto!) onde os operários sem camisa, de bermudas, chinelos e máscaras cirúrgicas descartáveis, trabalham sem carteira assinada nem plano de saúde. Quando o correto seriam macacões, óculos protetores da mucosa ocular, máscaras industriais, luvas e ambientes devidamente ventilados, além de todos os adicionais previstos em lei.
Em tempo, o amianto já foi banido de diversos países desenvolvidos, mas continua sendo produzido nesses tristes trópicos.

A Politécnica da USP correu atrás desse prejuízo social e ambiental, já que amianto é derivado de petróleo, e desenvolveu a primeira telha de fibrocimento para substituir às de amianto, a partir de materiais biodegradáveis como bambu, ostras e até ossos humanos.



Pesquisadores da Escola Politécnica da USP criaram um novo tipo de fibrocimento com uma tecnologia inédita no mundo, sem amianto e com excelente resistência.

O fibrocimento desenvolvido se caracteriza por propriedades mecânicas que variam ao longo do material, diferente dos convencionais, que têm as mesmas propriedades em toda a sua extensão.

Inspiração na natureza
"Inspirados na natureza, desenvolvemos um fibrocimento com gradação funcional", conta o engenheiro Cléber Dias. "O conceito é inspirado em materiais como o bambu, as ostras e, até mesmo, o osso humano.

Dias explica que a gradação funcional significa a variação de valor de uma ou mais propriedades ao longo do material. "Por exemplo, podemos variar a porosidade ao longo de um material e estaremos variando, consequentemente, sua resistência mecânica em pontos diferentes", descreve.
Ele conta que as indústrias brasileiras de fibrocimento começaram a migrar para a fabricação do produto sem o uso do amianto, material que teve o uso banido em diversos países.
Porém, os fibrocimentos produzidos com fibras alternativas (sintéticas) apresentaram desempenho inferior e o custo de produção era mais alto que o do cimento-amianto. Dias lembra que as fibras de polipropileno e PVA são as mais utilizadas para substituir o amianto.

Telhas onduladas sem amianto
Os engenheiros realizaram testes com a fabricação de telhas onduladas de fibrocimento em que foram alteradas suas resistências mecânicas em pontos específicos. "As telhas foram fabricadas em máquinas Hatschek e as alterações da resistência mecânica foram conseguidas aplicando misturas de cimento, polímeros e fibras, de poli (vinil álcool), PVA, ou vidro álcali-resistente", explica Dias.
A gradação funcional nas telhas pode ser obtida de duas maneiras. Na primeira, durante a formação da telha na prensa da Hatschek, são aplicadas misturas fibrosas em pontos específicos da telha. "Apesar de a telha apresentar altas concentrações de fibras em determinados pontos, na média, o teor de fibras é menor que o teor convencionalmente utilizados nos produtos homogêneos", compara.
A outra forma, segundo Dias, é variar a composição de cada tanque do maquinário Hatschek. "Nesse caso podemos produzir placas constituídas de camadas com diferentes composições. Essa forma não foi avaliada, pois necessitaríamos de um investimento muito alto. Mas fizemos os fibrocimentos com camadas diferentes em laboratório e os resultados foram muito bons", afirma.

Fibrocimento verde
Ele ressalta, no entanto, que muitos estudos ainda são necessários e que outros pesquisadores devem dar prosseguimento ao trabalho atuando na indústria.
"Nesse tipo de fabricação, os custos são menores devido à redução do teor de fibras sintéticas. Mesmo assim, a capacidade de carga das telhas de fibrocimento pôde ser melhorada," garante o engenheiro.
Além das telhas onduladas, Dias garante que o fibrocimento com gradação funcional também pode ser utilizado na fabricação de placas planas.
O pesquisador também destaca que o processo produtivo resultará em um produto menos agressivo ao meio ambiente, já que o consumo de fibras derivadas de petróleo será reduzido. "O produto deverá ficar, consequentemente, mais acessível ao consumidor", diz Dias.


Mais informação:
Bioconstruções com Bambu
A casa sustentável é mais barata
Minha Casa Minha Vida financia casa bioconstruída

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A maior turbina movida a energia de marés do mundo será testada na Escócia

Veja o exemplo escocês e lembre que, aqui no Brasil, quando associamos energia ao oceano, só pensamos no pré-sal.




A maior turbina movida a energia de marés do mundo será testada na Escócia

Criada pela empresa Atlantis Resources, a turbina AK-1000 será instalada para testes no Centro Europeu de Energia Marinha em Orkney, na Escócia.

Segundo a empresa a turbina subaquática foi desenvonvida para suportar a pressão das mais fortes correntes marinhas.
Com hélices de 18 m de diâmetro, mais de 22 m de altura e 1,3 mil toneladas, ela pode gerar até 1 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer cerca de mil casas.
A empresa também afirma que por causa de sua baixa velocidade, a turbina não causará danos à vida marinha.
Se passar nos testes, a turbina podera ser a primeira de muitas a serem instaladas na costa da Escócia.







Hidroelétrica marinha


Começou a ser instalado nas costas das Ilhas Orkney, na Escócia, o primeiro protótipo em escala piloto de um novo conceito de geração de eletricidade limpa a partir das ondas do mar.

A principal vantagem do sistema é o pequeno número de partes móveis, que deverão minimizar a necessidade de manutenção. Apenas o oscilador metálico e os pistões ficam sob a água. Pás, engrenagens e geradores, além de todo o circuito de potência para captura da eletricidade, ficam em terra, dentro da usina.
Segundo seu idealizador, o sistema é ideal para áreas com profundidades entre 12 e 16 metros e com grande fluxo direcional de ondas, permitindo que a usina gere energia de forma contínua na maior parte do tempo.

Os riscos ao meio ambiente são mínimos, o que é garantido pelo uso da água como fluido hidráulico, em vez de óleo, que poderia causar danos caso houvesse vazamentos. O sistema também é absolutamente silencioso e não afeta a paisagem.

Embora o conceito esteja em estágio inicial de desenvolvimento, os cientistas afirmam ter localizado áreas potencialmente favoráveis ao conceito Oyster em várias partes do mundo.

"Nossas modelagens por computador das regiões costeiras adequadas para esta tecnologia mostram que a Espanha, Portugal, Irlanda e Inglaterra são os candidatos naturais na Europa. Mas globalmente há um potencial gigantesco em áreas como a costa oeste dos Estados Unidos e as costas da África do Sul, da Austrália e do Chile," disse o professor Whittaker.



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domingo, 15 de agosto de 2010

Indústria pesqueira x pesca artesanal

Uma reportagem me lembrou um filme, que por sua vez, lembrou um quadro e remeteu à receitas antigas...




O filme, premiado como melhor animação de 2006, é um desenho animado para crianças de todas as idades, Happy Feet, a história de um pinguinzinho diferente dos demais e, exatamente por isso, o que vai encontrar uma solução para o grande problema de sua sociedade: a escassez de peixes, base da alimentação dos pinguins. Happy Feet é um filme ótimo por trazer muitas mensagens em sua historinha, desde a mensagem infantil que mostra como alguém considerado incapaz é talentoso de outras formas, até o impacto ambiental da indústria pesqueira nos cardumes e como a pesca em larga escala impacta na cadeia alimentar de todo um ecossistema.
Em tempo, tubarões e orcas se alimentam das focas, que se alimentam dos pinguins, que se alimentam dos peixes pescados sem critério pelo homem...



O quadro acima, "O pescador" de Tarsila do Amaral, mostra como funciona a pesca artesanal e nos dá uma pálida idéia de que a indústria pesqueira está equivocada, como bem reclamaram o pinguins no desenho animado.
Esse único peixe pescado pelo pescador caiçara é a base da alimentação de toda uma família, assim como um fazendeiro diz que "do boi só não se aproveita o berro", um pescador, do mar tira de tudo. Até a cabeça do peixe vira gelatina e sua ovas, um caviar caseiro.
Quando vamos à feira livre e vemos quilômetros de postas de salmão e badejo, desconsideramos que tudo que não é filé, foi jogado fora e logo, mais peixes foram pescados para suprir o espaço deixado por aquelas "sobras".

Gastronomia significa em grego "as regras do estômago" e o mundo em que vivemos exige que o ecosistema interno de um ser humano conviva pacificamente com seu entorno, sem pessoas obesas vizinhas de favelados.

Uma comunidade pesqueira é algo a ser preservado, porque vai muito além da pesca industrial fiscalizada pelo biólogo a bordo, que só recolhe sardinhas acima de 17cms, preservando os filhotes, mas fornecendo à população peixes contaminados com metais pesados ou criados à ração.

Leia melhor abaixo como a pesca artesanal, que sempre manteve o equlíbrio entre homens e oceanos, hoje encontra-se em extinção:

Pesca artesanal ameaçada de extinção
A especulação imobiliária na costa brasileira e o modelo industrial de pesca ameaçam as comunidades tradicionais de pescadores. O alerta de especialistas foi o destaque da conferência “A Qualidade de Vida das Comunidades Pesqueiras”, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC, na semana passada.
Cerca de três milhões de pessoas dependem diretamente da pesca artesanal no Brasil, segundo dados apresentados pelo pesquisador da Universidade Federal Rural do Amazonas (Ufram), Eduardo Tavares Paes. Só no estado do Pará, a atividade corresponde a 80% da produção total.

“A falta de políticas públicas para conter ataques pela via marítima e terrestre, no entanto, tem comprometido o meio de sobrevivência dessas famílias”, aponta o especialista em Pesca e Aquicultura.
Dissertação de mestrado em Ergonomia da pesquisadora Cíntia Araújo traduz em números a tendência. O estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) revela que, hoje, só 30% dos 42 pescadores da praia de Ponta Negra, um dos principais pontos turísticos de Natal, vivem exclusivamente da pesca.
“São comunidades que há poucas décadas sobreviviam apenas da pesca, mas que estão ameaçadas por pressões externas”, ressalta. Cíntia ainda explica que, em Ponta Negra, há muitos casos em que os próprios pais desenvolveram resistência em aceitar a opção dos filhos de se tornarem pescadores. “Obrigados a buscar moradia e meios de renda na cidade, muitas famílias já estão desacreditadas em recuperar o modo de vida tradicional”, diz a pesquisadora.

Resistência
Filho de pescador, pescador e pai de pescadores, Jorge Nunes de Souza e outras 180 pessoas enfrentam a pressão de empresários do ramo hoteleiro e da indústria naval pesqueira na praia de Itapuã, em Salvador (BA). “Não há como competir com os interesses dos donos de resorts e grandes embarcações. Estamos resistindo enquanto podemos”, comenta o homem de 52 anos, presidente da Associação Livre de Pescadores e Amigos da Pesca de Itapuã e um dos convidados para a palestra.
Jorge, mais conhecido como Seu Chico, explica que a retirada das famílias do litoral para as cidades dificulta o repasse da tradição. “Os jovens perdem contato com o mar e acabam não se interessando pela profissão dos pais”, lamenta ele, que usa canoa e remos na pesca.

Políticas
Assegurar a posse de terras às populações que tradicionalmente ocupam o litoral, limitar a atuação de navios pesqueiros e criar escolas que incluam conteúdos ligados à pesca no currículo são algumas das soluções apresentadas pelo antropólogo Roberto Kant de Lima, da Universidade Federal Fluminense (UFF), para os problemas nas regiões de pesca artesanal.
“É preciso levar em conta as necessidades de cada comunidade antes de estabelecer regras. Hoje existe uma imposição de valores”, observa o palestrante convidado para a conferência.
Apresentadora do debate, a professora da UnB Fernanda Sobral, destacou a importância de incluir as comunidades pesqueiras nos estudos das Ciências do Mar, tema da 62ª SBPC. “As ciências sociais também merecem espaço nas pesquisas marítimas. Os oceanos também seu lado humano nas comunidades que dependem de seus recursos”, observa.


Comunidades caiçaras em declínio e decadência
O litoral norte de São Paulo compreende uma faixa territorial de exuberante beleza natural que abrange os municípios de Bertioga, São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba. Cercada pela Mata Atlântica, a região reúne mais de uma centena de praias, algumas ainda selvagens, além de cachoeiras e cursos d’água, entre outras riquezas biológicas. É impossível não associar esse magnífico conjunto a um pedaço de paraíso terreno. Contudo, o que os olhos não veem faz o corpo e a alma padecerem. O deslumbrante e inspirador recanto desmascara-se para revelar um cotidiano de restrições e péssimas condições de vida que aflige não só a saúde física, mas também a saúde psíquica dos moradores de suas cidades e vilarejos, conforme constata estudo multidisciplinar conduzido pela socióloga Sônia Regina da Cal Seixas, da Unicamp.
Financiado pela Fapesp, o trabalho associa às condições socioambientais da região o significativo número de casos diagnosticados como depressão em comunidades de pescadores artesanais e se insere numa inovadora abordagem que busca compreender o sofrimento e demais transtornos psíquicos enquanto manifestações sociais, e não somente como enfermidade psicopatológica, propondo um outro olhar para as chamadas “dores da alma”.

Quando se menciona ambiente, do ponto de vista sociológico, esclarece Sônia, tem-se como referência as transformações socioambientais recentes a que as sociedades contemporâneas estão submetidas, considerando-se nessa perspectiva as mudanças que os seres humanos têm promovido no tecido social: uso indiscriminado dos recursos naturais, aumento de poluição ambiental, desmatamento, insegurança na produção de alimentos, bem como as alterações no perfil das relações de trabalho, nas relações sociais, e o crescimento da violência urbana, entre outras.

De acordo com ela, os resultados dos trabalhos que vem conduzindo há duas décadas permitem constatar que tais transformações têm um significado especial para o indivíduo e acabam por afetar de alguma forma a sua qualidade de vida, seja em suas condições objetivas (moradia, transporte, emprego, salário), seja em suas condições subjetivas (culturais, afetivas, sexuais, espirituais, valores e crenças).

Supõe-se também que aquelas mudanças estejam relacionadas com situações significativas que promovem o adoecimento humano. Contudo, observa Sônia, na maioria das vezes a literatura corrente as relaciona apenas ao adoecimento físico (como doenças cardiovasculares, desnutrição, doenças do aparelho respiratório, doenças musculares), não se permitindo aprofundá-la também em relação ao sofrimento mental.

Conforme ela pondera ainda, o fenômeno da depressão está atrelado, primordialmente, à abordagem psiquiátrica, excluindo outras possibilidades analíticas que, em última instância, refletem na atuação e conduta dos profissionais de saúde para com o paciente depressivo.
“Considerações de ordem socioambiental e cultural têm pouco espaço de contribuição, postergando as análises psicanalíticas, e mesmo sociológicas para um lugar pouco valorizado”, enfatiza Sônia, que é doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp.

Via crucis
Mudar esse quadro, no sentido de situar as “dores da alma” como uma categoria capaz de auxiliar na compreensão da realidade e complexidade da vida contemporânea, tem sido o compromisso da pesquisadora desde que despertou para a temática ao analisar, em 1990, ainda em seu mestrado, os impactos da implantação do pólo petroquímico da Petrobras (Replan) na saúde da população do município de Paulínia (SP).

Ao longo dos seis anos seguintes, durante o doutorado, constatou a ocorrência de diagnósticos de depressão e outros sofrimentos psíquicos oriundos de transformações socioambientais entre moradores de outras quatro cidades de São Paulo (Campinas, Sumaré, Piracicaba e Bragança Paulista), particularmente relacionados à industrialização, migração e degradação dos rios integrantes da bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

O enfoque primordial de seus estudos, explica Sônia, adveio da observação de usuários de serviços básicos de saúde que se repetiam exaustivamente nas consultas com sintomas mórbidos de dores, sensações corpóreas, insônia, tristeza, medo, dentre outros, “refletindo em seus corpos uma dor do existir social, traduzido pela ausência de expressão verbal e política, e a inexistência de um projeto social e coletivo de vida”.

Para esses usuários, prossegue a socióloga, a trajetória não foi nada fácil, pois representou uma penosa via sacra por várias especialidades médicas na busca de tratamento, até serem por fim acolhidos na área de saúde mental, com todo o significado que isso implica: “alta medicalização, surtos psicóticos e internações hospitalares, bem como a perda de referências importantes para o viver”.

Em 2002, ela redirecionou o foco de suas pesquisas, buscando identificar a presença de depressão entre os moradores de um lugarejo ao qual dificilmente se relacionaria o transtorno: Itaipu, uma bucólica e paradisíaca vila de pescadores artesanais no litoral fluminense. Mas encontrou um número significativo de pessoas residentes nesta comunidade diagnosticadas pelo serviço de saúde pública como portadores de depressão, síndrome do pânico e outros sofrimentos psíquicos. Os mesmos achados se repetiram em diagnósticos de médicos psiquiatras da rede pública quando desenvolveu, dois anos depois, estudo semelhante em quatro municípios do litoral norte paulista.

“É comum na literatura corrente associar a presença de depressão ao tecido urbano industrial. No entanto, ao confirmar sua presença de forma significativa em comunidades litorâneas, as pesquisas indicaram que os estados depressivos e outros transtornos mentais tornaram-se expressivos em diversificados grupos sociais e não estão mais restritos a comunidades eminentemente urbanas, mas sim bastante disseminados na sociedade contemporânea sem distinção de espaço geográfico”, argumenta Sônia, lembrando que os grupos sociais escolhidos para os estudos estão submetidos a transformações socioambientais bastante acentuadas nos últimos anos.

“Se por um lado, em Paulínia, encontra-se um pólo petroquímico que impõe limites expressivos no cotidiano da população, como poluição ambiental oriunda das indústrias e violência urbana, dentre as mais importantes, em Itaipu percebe-se uma comunidade desterritorializada, impedida de viver da pesca artesanal, seja em função da agressiva especulação imobiliária que assola a região oceânica na qual a colônia se insere, ou mesmo em função da presença marcante do narcotráfico na região”, ilustra a pesquisadora do Nepam.

Caiçara expulso
Assim como em Itaipu, a região do litoral norte paulista vem passando por profundas e significativas mudanças socioambientais decorrentes da explosão do mercado imobiliário, com a instalação da indústria do turismo veranista. Tal fator, explica Sônia, deflagrou conflitos entre os moradores nativos (caiçaras) e os estrangeiros (turistas), que se apropriam do espaço e se apossam do lugar, trazendo novos valores e, muitas vezes, abafando ou modificando valores tradicionais.

Tais impactos, mostra a investigação por ela coordenada, se refletem na degradação da qualidade ambiental e descaracterizam o modo de vida de seus moradores nos aspectos econômico (afetando a pesca artesanal e a agricultura de subsistência), cultural e social. A especulação imobiliária trouxe a reboque outro agravante: a migração. Atraídos por empregos na construção civil, na última década, um grande número de migrantes, provenientes sobretudo do norte de Minas e sertão da Bahia, veio a ocupar a região de forma desordenada, originando problemas de moradia – devido à ocupação irregular das encostas –, saneamento básico, estrangulamento dos serviços públicos (normalmente precários), e, com o declínio do mercado imobiliário, de desemprego.

Emblemática da deterioração da qualidade de vida é a diminuição da população de pescadores, como resultado da desvalorização da atividade pesqueira. O tradicional caiçara, espoliado de seu modo habitual de produção, e, principalmente de sua terra, viu-se obrigado a procurar novos meios de sobrevivência, como empregos domésticos (caseiros e vigias), na construção civil e em pequenos comércios regionais.
“Essas transformações geram um impacto significativo na qualidade de vida das comunidades, já que existe uma íntima relação entre a pessoa e seu habitat. No caso das famílias pobres, o sentimento de ser marginal, de estar fora dos padrões de moradia e de consumo decorrentes, é um fator-chave para que a segregação produza efeitos profundos de desintegração social, conduzindo a um grande desgaste psíquico e emocional”, afirma Sônia.

Desilusão
O seu mais recente estudo, financiado pela Fapesp e realizado com a colaboração de João Luiz de Moraes Höeffel (professor da USF, em Bragança Paulista, que tem trabalhado outros aspectos socioambientais na região), investigou, entre 2003 e 2008, a qualidade de vida dos moradores de dois bairros rurais das cidades de Nazaré Paulista e Vargem (SP).

Os municípios, assim como cinco outros pertencentes à Área de Preservação Ambiental (APA) do Sistema Cantareira (Atibaia, Bragança Paulista, Joanópolis, Mairiporã e Piracaia) sofreram as consequências da construção dos reservatórios do sistema de abastecimento de água para a cidade de São Paulo, entre 1969 e 1983. Na ocasião foram inundados casas de sitiantes, extensas áreas agrícolas, capelas e diversos tipos de comércio, provocando dessa forma uma intensa reconfiguração da estrutura econômica, da paisagem e das relações socioculturais. Houve ainda na região a ampliação das rodovias D. Pedro I e Fernão Dias.
“Acredita-se que esses eventos causaram uma intensa ruptura social, ambiental, econômica e cultural através de extraordinárias mudanças impostas à região, alterando tanto o ambiente, quanto a qualidade de vida da população”, aponta Sônia.

Segundo ela, muitas das diferentes maneiras que seus moradores têm encontrado para lidar com as transformações podem ocorrer por meio do sofrimento psíquico, devido à presença de um número assustador de diagnósticos de depressão apurado nos prontuários de atendimento da área de psicologia de adultos, em Nazaré Paulista: nada menos que 24% da população adulta de usuários do serviço, naquele período. A estatística média mundial é de 3% a 10% nos serviços de saúde primários.

Para Sônia, os achados dos estudos permitem consolidar a hipótese de que as transformações socioambientais, principalmente as ocorridas nas quatro últimas décadas, têm sido fundamentais e contribuintes do quadro de transtornos psíquicos que se manifesta na população e que acaba sendo, por fim, diagnosticado e tratado clinicamente como depressão. As investigações pretendem, portanto, ser uma contribuição importante para os trabalhos nas áreas de teoria social, sociologia ambiental e de saúde mental, já que essa morbidade, a despeito de sua significativa importância no contexto contemporâneo, carece de outras interpretações interdisciplinares.


Para fazer a gelatina com a cabeça do peixe ou o caviar caseiro a partir das ovas, siga os bons conselhos de Sonia Hirsch, nos links e receitas abaixo.
Em tempo, não defendo que ninguém comece a comer peixe ou qualquer outro derivado animal por causa das receitas, mesmo o consumo de mel de abelhas impacta no meio-ambiente, além das condições sempre suspeitas em que os animais são mantidos.

Cabeça de peixe faz bem
Primeiro lava bem a cabeça do peixe - só tem que estar muito fresca. Cozinha com água, limão e temperos por meia hora. Sal, nunca: às vezes shoyu, na hora de comer.
Dispensa os olhos e tira com paciência todos os ossinhos, espremendo bem para aproveitar todos os caldos e cartilhagens.A carne, bem como a água dos ossinhos, volta para o caldo - que às vezes leva alho e cebola, às vezes só muito alho, bastante salsa e cebolinha, freqüentemente alecrim e vira um molho gelatinoso, bom para acompanhar legumes cozidos
Ou se batido no liquidificador, com muito pouca água e 3 dentes de alho cru, vira uma gelatina dura, que desenforma e tudo, ideal para ser servida como pastinha. Vão jurar que é de atum-sardinha em lata com maionese e endurecido com gelatina em pó sem sabor. E nem precisa da maionese ou da gelatina industriais.
A água que sobrou do cozimento, ainda pode cozinhar feijão, arroz ou mesmo servir de base para outras sopas.

Para ver como fazer esse caldo de peixe, leia a postagem onde se ensina o passo a passo: Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso



Caviar caseiro em Minha mãe cozinhava assim
Sonia comprou ovas de tainha na feira e se refestelou, transcrevo na íntegra:
"Lavei, limpei minimamente e fiz o resto lembrando dos gestos de minha mãe: sal no prato, as ovas, sal por cima, tudo inclinado para a água escorrer. Deu certíssimo, a ova ficou salgada em oito horas. Retirei o excesso e deixei secar.
O resultado foi uma iguaria das mais finas, característica da Sicília, da Grécia, da Turquia, a bottarga, ou boutargue, que se desmancha com miolo de pão e temperos e vira patê – tarama salata – ou se come em fatias finíssimas, sobre uma torrada, com gotinhas de limão.
Maio e junho são os meses em que as ovas costumam aparecer na feira, se você quiser fazer em casa. Se não, japoneses também são adeptos, e com sorte se encontram ovas secas salgadas, de tainha ou de atum, nas lojas especializadas."

Para ver como fazer esse caviar caseiro, veja  apostagem "Caviar doméstico e Ceviche Panamenho"



Mais informação:
Guia Slow Fish Brasil
Você ainda come salmão?
De onde vem o atum em lata?
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Mel de abelhas x melado de cana
Carnes Orgânicas, o quê e como comer
Porque devemos reduzir o consumo de camarão
Slow Food, vegetarianos, soja e tradição gastronômica
O mar não está para peixe: Slow fish ou "O fim da linha"
Cove, documentário premiado sobre a mortandade de golfinhos
Tubalhau, o bacalhau de tubarão protegido por lei e pescado em Fernando de Noronha

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Como funciona a indústria de cosméticos: toxidade e poluição irregulares

O filme, que é revelador como um documentario de Michael Moore, explica como substâncias como cromo e mercúrio vão parar no seu batom e até em xampus para bebês, contaminando a água da cidade onde a indústria se localiza e até os funcionários da linha de produção, além de praticarem biopirataria.
Veja como o Ibama multou a Natura e outras empresas de cosmético por biopirataria.

Assista a história de um sistema e sociedade em crise e repense se vale a pena comprar tanto sem saber o que se está levando. Uma mulher normal usa em média 12 cosméticos diferentes por dia, homens usam em torno de 6.

Para se aprofundar no assunto, visite também o site da Campanha pelos cosméticos seguros.







Mais informação:
Vitrines sustentáveis
Como funcionam testes em animais
Desodorantes veganos sem alumínio
Artigos de couro vegetal em lojas convencionais
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
A polêmica dos cosméticos verdes e um par de dicas do tempo da vovó
06 substâncias perigosas e 09 de origem animal que usamos inocentemente no dia a dia



Outros filmes da The story of stuff:
A história das soluções, da falência e da mudança
A história da indústria de eletrônicos
A história da água engarrafada
A história das coisas

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Imagem do dia: 60 pessoas = 60 carros ou 60 bicicletas ou 1 ônibus

As fotos abaixo, feitas na cidade de Munique na Alemanha, mostram 60 pessoas e o espaço ocupado por elas caso cada uma estivesse utilizando um carro. Mostra também o espaço que ocuparia um ônibus com todas estas 60 pessoas dentro, e ainda o espaço ocupado por 60 bicicletas.
Fonte: UNICARONAS






Antes que alguém lembre do slogan da indústria automobilística "apaixonados por carros, como todo brasileiro", leia o excelente artigo de Dennis Russo que nos lembra de outra coisa mais importante do que essa suposta paixão:
"...presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!"

Leia o artigo abaixo na íntegra:

Nós não somos dinamarqueses

Em 1962, Copenhague, a capital dinamarquesa, foi tomada por uma polêmica. Estava nos jornais:
“Nós não somos italianos”, dizia uma manchete.
“Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”, explicava outra.

O motivo da polêmica:

Um jovem arquiteto chamado Jan Gehl, que tinha conseguido um emprego na prefeitura meses antes, estava colocando suas manguinhas de fora. Gehl, que tinha 26 anos e era recém casado com uma psicóloga, vivia ouvindo dela a seguinte pergunta: “por que vocês arquitetos não se preocupam com as pessoas?”. Gehl resolveu preocupar-se. E teve uma ideia.

Havia em Copenhague uma rua central, no meio da cidade, cheia de casas imponentes e de comércios importantes. Era uma rua que tinha sido o centro da vida na cidade desde que Copenhague surgiu, no século 11 – a rua viva, onde as pessoas se encontravam, onde conversavam, onde os negócios começavam, os casais se conheciam, as crianças brincavam, a vida pública acontecia. Nos anos 1950, os carros chegaram e aos poucos essa rua foi virando um lugar barulhento, fumacento e perigoso. As pessoas já não iam mais lá. Trechos inteiros tinham sido convertidos em lúgrubes estacionamentos.

Pois bem. Aquele jovem arquiteto tinha um plano: fechar a rua para carros.

Copenhague não aceitou facilmente a novidade. Os comerciantes se revoltaram, alegaram que os clientes não conseguiriam chegar. São dessa época as manchetes de jornal citadas no começo do texto. O que os jornais diziam fazia algum sentido: Copenhague não é no Mediterrâneo. Lá faz frio de congelar – o mês de dezembro inteiro oferece um total de 42 horas de luz solar. Ninguém quer andar de bicicleta, ninguém quer caminhar. Deixe meu carro em paz.

Mas o jovem arquiteto ganhou a disputa. Nascia o Strøget, o calçadão de pedestres no meio da cidade que hoje é a maior atração turística de Copenhague. As pessoas adoraram a rua para pedestres desde que ela foi fundada. Na verdade, o comércio da região acabou lucrando muitíssimo mais, porque a área ganhou vida e gente passou a caminhar por lá a todo momento. É até lotado demais hoje em dia.

O arquiteto Gehl caiu nas graças da cidade e continuou colaborando com a prefeitura. Suas ideias foram se aprimorando. Ele descobriu que o ideal não é segregar pedestres de ciclistas de motoristas: é melhor misturá-los. Alguns de seus projetos mais interessantes são ruas mistas, nas quais os motoristas sentem-se vigiados e dirigem com um cuidado monstro. Outra sacada: que essa história de construir ruas para diminuir o trânsito é balela. Quanto mais rua se constrói, mais trânsito aparece. Quanto mais ciclovia, mais gente abandona o carro.

Em grande medida graças às ideias de Gehl, Copenhague é a grande cidade europeia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo com o clima horrível de lá, e a população tem baixos índices de obesidade e doença cardíaca.

“Copenhaguizar” virou um verbo: significa tornar uma cidade mais agradável à maneira de Copenhague. Jan Gehl abriu um escritório de arquitetura cuja filosofia é “primeiro vem a vida, depois vêm os espaços, depois vêm os prédios”. Ele passou a ser contratado por várias cidades australianas interessadas em “copenhaguização”. Seus projetos revolucionaram Sidney, Perth e Melbourne, tornando seus centros mais divertidos, cheios de cafés, arte e vida, reduzindo carros, atraindo gente para fora de casa. De uns tempos para cá, Gehl, que hoje tem 74 anos, passou a ser procurado pela “big league” das cidades: Londres e Nova York o contrataram como consultor para transformar seus espaços urbanos. Ambas têm feito muito desde então.

Enquanto isso, aqui na minha cidade, se alguém fala em melhorar o espaço público, logo ouve:

“Nós não somos dinamarqueses. Usar espaços públicos é contrário à mentalidade brasileira.”
50 anos atrasado.

Outra frase que se ouve muito aqui:
“Brasileiro adora carro.”
Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!





O chargista André Dahmer, responsável pelos Malvados, já "emplacou" sua bicicleta e você?

Pedalar é coisa séria:

"Uma bicicletada não só por mais mobilidade no meio urbano, mas também criticando a forma como ele nós é imposto e o modo como ele é constituído/construído. Visando somente os interesses corporativos, comerciais ou estatais, sem qualquer intervenção ou questionamento da população. E, além de tudo, um meio feito principalmente para carros, onde a solução para o número absurdo de automóveis é a construção de mais vias, ruas e estradas, aumentando cada vez mais as distâncias e nos tornando dia após dia mais dependentes do transporte motorizado."






Mais informação:
Ciclofaixas x ciclovias
A Automovelcracia de Eduardo Galeano
E se cada família chinesa comprar 1 carro?
Entre rios: o projeto de transporte fluvial de SP