segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Nação Fast Food - uma rede de corrupção
Outro filme na linha do Super Size Me, criticando a indústria de fast food, mas que segue a escola do Robert Altman e mostra uma história ficcional onde vários personagens que não se conhecem, têm um ponto em comum. Leia o livro e assista ao filme.
Para quem assistiu ao Food Inc, faz uma dobradinha interessante, até por mostrar os muitos lados da mesma questão. Se no Food Inc. você nunca mais enxerga o seu jantar da mesma forma, no Fast Food Nation, você nunca mais verá o seu hamburguer da mesma maneira.
A história começa com um executivo de marketing que precisa investigar porque foram encontradas fezes nos hamburguers comercializados, passando pela história de vida da atendente universitária de uma das lojas da rede e cobre todas as questões, incluindo a contratação de mão de obra mexicana ilegal e os inúmeros acidentes de trabalho nos frigoríficos terceirizados.
Em tempo, a melhor cena: os sabores churrasco-texano e frango-caribenho sendo obtidos em laboratório a partir de tubos de ensaio.
O filme está no Wikipedia e no Youtube.
Mais informação:
Comida di Buteco
Slow Food, desmatamento e prazer
O Mundo segundo a Monsanto
Uma jornada criminosa no McDonald´s: a jornada móvel e variável de trabalho onde se paga menos de R$50,00 mensais a menores e ainda aumenta o rombo da nossa previdência
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sábado, 28 de agosto de 2010
Turista Espacial
O filme francês La Belle Verte de 1996, Turista Espacial na tradução adaptada ao português, é uma comédia de ficção científica, onde uma extraterrestre visita à Terra em missão de paz e reconhecimento.
Oriunda de uma civilização mais evoluída, onde os habitantes dormem em gramados e vivem 270 anos, Mila, pousa em Paris sem sequer saber o que são automóveis, dinheiro, hierarquia e todos os apetrechos tecnológicos considerados indispensáveis pelos terráqueos.
Para quem leu o Bolo-Bolo é um prato cheio, mas o filme é ainda mais avançado em muitas questões, principalmente no que tange à posse da terra e necessidades de consumo.
Meu momento favorito foi quando os 2 filhos adolecentes resolvem visitá-la e pousam por engano no deserto africano, provavelmente no Outback australiano - adaptam-se maravilhosamente bem, acham a comida ótima e a qualidade da água disponível excelente. Ficam amigos das comunidades nômades, por quem são recebidos com muito carinho e, ao chegar em Paris, relatam à mãe: "Achamos que estava gagá quando falou conosco (por telepatia), aqui é ruim, mas onde pousamos, as pessoas vivem há 40.000 anos em paz com a terra, sem destruir nada, são muito evoluídos, comemos bem e fizemos grandes amigos".
Despendem-se dos amigos terráqueos lembrando que a era Pré-Renascentista foi antecedida por um caos, onde os humanos depojaram-se de tudo que não precisavam mais, acabaram com o consumo e assim, com todos os meios de produção que não interessavam mais.
Outra cena boa, quando a extraterrestre entra na Catedral de Notre Damme, observa uma imagem de Cristo crucificado e pensa em voz alta "te enviamos há 2.000 anos, não entenderam nada e ainda fizeram isso contigo..."
O filme já pode ser totalmente baixado no Youtube
Novas ciclovias serão integradas ao metrô
RIO - A nova geração de ciclovias da cidade começará a ser implantada em setembro. Em vez de priorizar o lazer, os traçados passarão a buscar a funcionalidade, para um deslocamento mais eficiente. Além da integração com pistas já existentes, o objetivo da prefeitura é que as novas ciclovias facilitem o acesso ao transporte público, com ligação com estações do metrô, por exemplo. Dessa forma, a bicicleta poderá ganhar espaço na cidade como um meio de transporte não poluente.
A licitação de três pacotes de obras está em fase final: os envelopes com as propostas das empresas que disputam a Zona Sul serão abertos no próximo dia 9. Nessa região, a prefeitura investirá R$ 900 mil em quatro trajetos, totalizando 5,3 quilômetros: a ligação da Gávea ao Jardim Botânico; da Praia de Ipanema à estação General Osório do metrô; de Copacabana a Botafogo, via Figueiredo Magalhães; e a conexão da ciclofaixa Mané Garrincha (Copacabana-Centro) com a Praia Vermelha, na Urca. Também serão instalados bicicletários junto às estações de metrô e em outros locais de grande movimento. Novas ciclovias vão se ligar às já existentes
No dia 10 de setembro, serão abertos os envelopes para a construção de dez quilômetros de ciclovias no eixo Grajaú-Tijuca (que deverão consumir R$ 1,4 milhão) e 13,4 quilômetros em Jacarepaguá (R$ 1,3 milhão).
Na Zona Norte, serão três rotas diferentes: duas ligando a Praça Saens Peña ao Maracanã, sendo que uma pela Rua Barão de Mesquita e outra pela Praça Varnhagen, e a terceira entre Vila Isabel e Grajaú, passando pela Rua Nossa Senhora de Lourdes. Já na Zona Oeste, serão duas rotas: uma ligará a Praça Seca a Vila Valqueire; a outra, em Curicica, ficará entre a Rua de Reverência e a Rodolfo Portugal Milward.
A previsão do subsecretário municipal de Meio Ambiente, Altamirando Fernandes Moraes, é que as obras terminem em janeiro. Mas, se alguma empresa for eliminada do processo licitatório, ela terá pelo menos cinco dias de prazo para recorrer, podendo atrasar o cronograma. A vencedora será a que apresentar o menor custo, pois a prefeitura já tem o projeto definido. Se não houver contestação, no final de setembro devem começar as obras.
Para o presidente da ONG Transporte Ativo, José Lobo, o potencial para uso da bicicleta como meio de transporte diário na cidade é muito grande. A estimativa da entidade é que 500 mil pessoas na Região Metropolitana, sendo que 250 mil na capital, pedalem no trajeto entre casa e trabalho diariamente. A conta considera aqueles que pegam a bicicleta, por exemplo, para ir até uma estação de metrô ou trem, para lá pegar outra condução para o destino final.
O especialista frisa, no entanto, que não basta fazer novos traçados. É fundamental cuidar dos pontos já existentes, alguns obstruídos pela ocupação das calçadas, além de instalar bicicletários nas ruas: - Para usar a bicicleta, os usuários precisam ter locais apropriados para deixá-las estacionadas. Também é preciso haver uma boa conservação da rede de ciclovias O Rio tem hoje cerca de 150 quilômetros de ciclovia. A estimativa da prefeitura é que o tamanho mais que dobre até 2012, com um acréscimo de 172,4 quilômetros, sendo 64,16 construídos em 2010; 58,19 em 2011; e 50,05 no ano seguinte. A conta inclui os 13 quilômetros que devem ser criados na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão. Assim, o Rio poderá ter mais de 320 quilômetros de ciclovias.
Fonte: O Globo
Mais informação:
Malha cicloviária carioca
1 bibleta a mais = 1 carro a menos
O Rio de Janeiro continua lindo
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Chuveiro ecologicamente correto
Dica da Luce, eu amei tanto, que transcrevo aqui.
Tomara que pegue nas praias desse vastíssimo país tropical, aquele desperdício precisa ser controlado.
Chuveiro ecologicamente correto
A Refresh Brasil lançou um chuveiro ecologicamente correto. O intuito da empresa é disponibilizar um produto que é sustentável desde sua produção até sua finalidade, a economia de água.
A ducha é leve e de fácil instalação. Colocado na areia, próximo ao mar, ele retêm a água salgada, filtra, faz a cloração e armazena em torno de dois litros de água por banho.
O chuveiro é feito de tubos de Polipropileno (PPR), material moderno, de alta qualidade e ecologicamente correto.
Além disso, em sua montagem o produto não utiliza colas tóxicas, o processo é substituído pela termofusão, ou seja, as uniões são feitas a altas temperaturas, eliminando a utilização de qualquer produto tóxico.
A ducha Refresh Brasil não utiliza água potável nem energia elétrica. Elimina 95% do sal e retira 99% das bactérias presentes na água.
O Espírito Santo dá o exemplo na campanha realizada no verão passado para combater o desperdício de água, veja aqui.
Outro chuveiro ecologicamente correto: Eco Drop
Mais informação:
Vá pegar uma praia
Tomara que pegue nas praias desse vastíssimo país tropical, aquele desperdício precisa ser controlado.
Chuveiro ecologicamente correto
A Refresh Brasil lançou um chuveiro ecologicamente correto. O intuito da empresa é disponibilizar um produto que é sustentável desde sua produção até sua finalidade, a economia de água.
A ducha é leve e de fácil instalação. Colocado na areia, próximo ao mar, ele retêm a água salgada, filtra, faz a cloração e armazena em torno de dois litros de água por banho.
O chuveiro é feito de tubos de Polipropileno (PPR), material moderno, de alta qualidade e ecologicamente correto.
Além disso, em sua montagem o produto não utiliza colas tóxicas, o processo é substituído pela termofusão, ou seja, as uniões são feitas a altas temperaturas, eliminando a utilização de qualquer produto tóxico.
A ducha Refresh Brasil não utiliza água potável nem energia elétrica. Elimina 95% do sal e retira 99% das bactérias presentes na água.
O Espírito Santo dá o exemplo na campanha realizada no verão passado para combater o desperdício de água, veja aqui.
Outro chuveiro ecologicamente correto: Eco Drop
Mais informação:
Vá pegar uma praia
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Doação de sangue
Precisa sempre - especialmente em época de festas, como final de ano, Carnaval e Copa do Mundo, não toma nem 1hr. do tempo de ninguém e ainda faz bem à saúde. Ninguém tem desculpa para não doar.
Para doar, basta chegar na portaria do Hospital-Hemocentro com sua carteira de identidade ou qualquer documento com foto.

Você deve estar em boas condições de saúde, ter entre 18 e 60 anos e pesar 50kg ou mais.
NÃO vá em jejum, alimente-se de coisas leves e não gordurosas (evite derivados de leite, carne de porco e frituras), corte a ingestão de álcool por pelo menos 12 horas.
Se toma medicação regular, ligue antes para confirmar se há alguma restrição.
Aspirina costuma não ser aceita, por ser anticoagulante.
Pacientes quimioterápicos não devem doar sangue, tanto pela medicação, quanto pela fragilidade do organismo em tratamento.
Pessoas que já tiveram hepatite, doença de Chagas, malária e sejam soropositivas para HIV não podem doar em hipótese alguma.
Os que estiveram recentemente em alguns países africanos, da América Central, ou mesmo em regiões endêmicas brasileiras, como a Amazônia, provavelmente serão testados na triagem para as endemias regionais.
Àqueles que fizeram tatuagem ou sexo sem proteção com parceiro não regular em período inferior a 12 meses, também não costumam ser aceitos na triagem. Após 1 ano, podem doar normalmente.
E após doar, beba muito líquido durante o dia. Lembre que a prática da doação de sangue faz bem, pois estimula a produção da medula.

Onde doar:
Hospital Universitário Graffree e Guinle
Rua Mariz e Barros, 775 -Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
Hospital Mário Kroeff - Associação Brasileira de Assistência ao Câncer
Rua Magé, nº326 - Penha Circular - Rio de Janeiro-RJ
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer I
Pça. Cruz Vermelha, 23 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer II
Rua Equador, 831 - Santo Cristo - Rio de Janeiro-RJ
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer III
Rua Visconde de Sta. Isabel, 274 - Vila Isabel -Rio de Janeiro-RJ
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho-UFRJ
Avenida Brigadeiro Trompowski, s/n - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro–RJ
Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ
Avenida 28 de setembro, 77 - Vila Isabel - Rio de Janeiro-RJ
Instituto de Hematologia do RJ - Hospital de Hematologia - HEMORIO
Rua Frei Caneca, 8 - Centro - Rio de Janeiro-RJ
Hospital Universitário Antonio Pedro - UFF
Rua Marques do Paraná, 303 - Centro - Niterói-RJ
Hospital Universitário de Nova Iguaçu
Avenida União, 673 - Nova Iguaçu–RJ
Instituto Oncológico Ltda.
Rua Dr. Barros Junior, 1135 - Nova Iguaçu-RJ
Radiclin
Rua 26, nº3 - Vila Santa Cecília - Volta Redonda-RJ
Hospital Geral Dr. Beda - Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia LTDA.
Rua Conselheiro Otaviano, 129 - Centro - Campos-RJ
Clínica Santa Maria Ltda.
Rua Conselheiro Otaviano, 195 - Centro - Campos-RJ

Mais informação:
Ilha das Flores
Natal sustentável
Carnaval sustentável
Na Juréia: doando sangue
Copa do Mundo sustentável
Não telefone para o BBB, telefone para a Cruz Vermelha
Para doar, basta chegar na portaria do Hospital-Hemocentro com sua carteira de identidade ou qualquer documento com foto.

Você deve estar em boas condições de saúde, ter entre 18 e 60 anos e pesar 50kg ou mais.
NÃO vá em jejum, alimente-se de coisas leves e não gordurosas (evite derivados de leite, carne de porco e frituras), corte a ingestão de álcool por pelo menos 12 horas.
Se toma medicação regular, ligue antes para confirmar se há alguma restrição.
Aspirina costuma não ser aceita, por ser anticoagulante.
Pacientes quimioterápicos não devem doar sangue, tanto pela medicação, quanto pela fragilidade do organismo em tratamento.
Pessoas que já tiveram hepatite, doença de Chagas, malária e sejam soropositivas para HIV não podem doar em hipótese alguma.
Os que estiveram recentemente em alguns países africanos, da América Central, ou mesmo em regiões endêmicas brasileiras, como a Amazônia, provavelmente serão testados na triagem para as endemias regionais.
Àqueles que fizeram tatuagem ou sexo sem proteção com parceiro não regular em período inferior a 12 meses, também não costumam ser aceitos na triagem. Após 1 ano, podem doar normalmente.
E após doar, beba muito líquido durante o dia. Lembre que a prática da doação de sangue faz bem, pois estimula a produção da medula.

Onde doar:
Hospital Universitário Graffree e Guinle
Rua Mariz e Barros, 775 -Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
Hospital Mário Kroeff - Associação Brasileira de Assistência ao Câncer
Rua Magé, nº326 - Penha Circular - Rio de Janeiro-RJ
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer I
Pça. Cruz Vermelha, 23 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer II
Rua Equador, 831 - Santo Cristo - Rio de Janeiro-RJ
Instituto Nacional de Câncer - INCA - Hospital do Câncer III
Rua Visconde de Sta. Isabel, 274 - Vila Isabel -Rio de Janeiro-RJ
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho-UFRJ
Avenida Brigadeiro Trompowski, s/n - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro–RJ
Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ
Avenida 28 de setembro, 77 - Vila Isabel - Rio de Janeiro-RJ
Instituto de Hematologia do RJ - Hospital de Hematologia - HEMORIO
Rua Frei Caneca, 8 - Centro - Rio de Janeiro-RJ
Hospital Universitário Antonio Pedro - UFF
Rua Marques do Paraná, 303 - Centro - Niterói-RJ
Hospital Universitário de Nova Iguaçu
Avenida União, 673 - Nova Iguaçu–RJ
Instituto Oncológico Ltda.
Rua Dr. Barros Junior, 1135 - Nova Iguaçu-RJ
Radiclin
Rua 26, nº3 - Vila Santa Cecília - Volta Redonda-RJ
Hospital Geral Dr. Beda - Instituto de Medicina Nuclear e Endocrinologia LTDA.
Rua Conselheiro Otaviano, 129 - Centro - Campos-RJ
Clínica Santa Maria Ltda.
Rua Conselheiro Otaviano, 195 - Centro - Campos-RJ

Mais informação:
Ilha das Flores
Natal sustentável
Carnaval sustentável
Na Juréia: doando sangue
Copa do Mundo sustentável
Não telefone para o BBB, telefone para a Cruz Vermelha
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Existem ainda muitas dúvidas sobre o que são produtos orgânicos, quais as vantagens e como fazer para reconhecer os mesmos.
No tópico sobre carnes orgânicas, surgiram algumas dúvidas sobre quais marcas seriam certificadas ou não e ainda, como confiar nessas certificações.
Barbara Kingsolver em seu maravilhoso livro “O mundo é o que você come” aborda uma questão ainda mais preocupante: caso você freqüente Feiras locais de produtores orgânicos, poderá notar que nenhum pequeno produtor rural é certificado.
O custo das certificações é tão alto que os mesmos iriam à falência caso pagassem tais custas. A autora, amiga pessoal e igualmente fazendeira, compra de velhos conhecidos e produz ela mesma o que sua família consome.
Como sou freqüentadora usual da maior e mais antiga Feira de Orgânicos de minha cidade, a Feira do Russel, resolvi abordar pessoalmente os feirantes e perguntar educadamente se os mesmos eram certificados. Muito poucos tinham a certificação para apresentar.
São pessoas muito simples e que geralmente trabalham em sistema de cooperativa. Esses homens e mulheres não têm como arcar com o custo alto, que, numa indústria, seria proporcional à obtenção de um ISO.
Mesmo os que vendem seus queijos e ovos caseiros, não podem apresentar qualquer garantia legal, o que não se aplica aos produtores tradicionais de queijo de cabra, búfala ou até à Naturallis e Vale da Palmeiras, que produz o melhor queijo de Minas industrializado que já comi, industrializado e orgânico.
Em tese, a comparação é inclusive procedente, pois as certificações internacionais do sistema ISO e OHSAS são certificações de qualidade de gestão e produção, incluindo sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Logo, se pouquíssimas empresas podem arcar com os custos e exigências que envolvem as auditorias para obtenção de uma certificação internacional, um número ainda menor de produtores rurais, pode certificar-se como orgânico.
Alguns produtores rurais entregam em casa, ou fazem “feirinhas particulares” em lojas e mercados de produtos naturais - pode ser ótimo para o consumidor ou não, depende de quem fornece. Já passei pela situação de comprar frutas e vegetais orgânicos por telefone e, quando da entrega, achar os mesmos “grandes e coloridos demais”, iguais aos de cultivos convencionais do supermercado.
Da mesma forma que comprei morangos orgânicos em uma barraca da Feira do Russel (sem certificação) e ao chegar em minha casa, notar que os frutos eram grandes, esbranquiçados e “duplos ou triplos”, fato comum em cultivo com pesticidas químicos, além de completamente distintos aos morangos pequeninos e vermelhinhos da Korin, Cultivar ou Tamiso (todos certificados pelo IBD).
Consumi, mas não voltei a comprar daqueles fornecedores - o que, por outro lado, não me impediu de continuar comprando de outros que igualmente entreguem em casa ou disponibilizem seus cultivos na mesma feira semanal.
Há uma empresa sólida e muito tradicional que faz esse serviço de entrega, a Sítio do Moinho, além de Paloma Niskier (21 2539-0059 e 21 9823-8240) , cujos produtos me pareceram acima de qualquer suspeita. Caso queira procurar pelos principais pontos de venda e fornecedores em todos os estados do país, o Planeta Orgânico disponibiliza um mapa nacional de venda de produtos orgânicos.
A população em geral tem uma tendência a romantizar a figura do produtor rural e vilanizar à da grande empresa. Existem 2 equívocos nessa postura, primeiro porque a empresa agrícola orgânica (certificada) emprega centenas de pessoas de carteira assinada, cumpre a CLT e é extremamente fiscalizada pelos órgãos públicos e entidades certificadoras, como IBD, ABIO, CMO, ECOCERT, AVAL, AECO e afins.
Por último, um pequeno produtor rural, provavelmente não é certificado pelas razões citadas anteriormente, não é fiscalizado já que está à margem dos registros oficiais e, mesmo que seja muitíssimo bem intencionado, nada impede que algum dia, por intempéries climáticas ou um surto de pragas, se veja obrigado a colocar algum “aditivo” e tenha que empregar todas as crianças de sua família para não perder uma safra, o que também pode acontecer em qualquer produção local de subsistência da própria família.
A verdade é que ainda sequer existe uma política nacional que legisle sobre o cultivo de orgânicos. Os 600 selos certificadores hoje disponíveis surgiram por iniciativa bem intencionada dos próprios produtores rurais e hoje, criam mais confusão do que esclarecimento ao consumidor. É muito comum encontrar produtos com mais de 3 certificações e outros, do mesmo produtor, sem nenhuma. Pior, mesmo que esse produtor queira certificar tal produto, talvez não consiga por falta de um selo (dentre 600) que se aplique àquele caso específico.
Como já ensinavam os justos que nos antecederam: na dúvida, deixe seu bom senso prevalecer. Um suco pronto certificado como orgânico, além de hidropirataria, demandou combustível fóssil na logística de transporte e um mundo de embalagens, como tetra-pack ou long neck (ambas não-recicláveis), além de não ser 100% orgânico em sua totalidade, já que a legislação atual só obriga o fabricante a cumprir com 70% de ingredientes orgânicos para conseguir a mesma certificação que um produtor rural não pode pagar. Um suco caseiro, a partir das frutas compradas desse mesmo produtor rural (não certificado), além de mais saudável, é mais seguro.
Lembre ainda que no Ceará, a Ypioca, cacharia tradicional e outrora certificada, secou uma lagoa de reserva indígena.
Já que falamos de sucos, o suco orgânico mais vendido no país tem 2 certificações: IBD e EcoVida certificação participativa, provavelmente obtido antes do IBD.
O mesmo problema se aplica aos polêmicos cosméticos "verdes".
Comprando a granel, uma das muitas bandeiras desse blog, atente que quase nunca é orgânico e castanhas e frutas secas são pulverizadas com inseticida para afastar roedores e pragas em geral.
Já existem empórios cerealistas vendendo a granel e orgânico.
No bairro do Flamengo (RJ), há 2 lojas de produtos naturais que vendem grãos a granel e orgânicos-biodinâmicos, da Biorga, Demeter e da biodinâmica Wolkmann: Natuflora na Rua Senador Vergueiro, 93 e o Mercadinho Grão Integral da Galeria na Rua das Laranjeiras, 43.
A Korin é um exemplo que ilustra bem a confusão existente. A Korin é uma empresa de hortifrutigranjeiros que pertence à Fundação Mokiti Okada (FMO), mas a mesma fundação tem uma outra empresa apenas para certificar seus produtos, a Certificadora Mokiti Okada (CMO - um dos 600 selos verdes do país), o que faz com que todos os produtos da Korin sejam automaticamente certificados pela CMO.
Você deve estar pensando então que se a CMO (pertencente ao grupo FMO) já é certificadora, logo os produtos da Korin não precisariam de mais nenhum dos selos?
Errado, porque a empresa foi acusada de má fé e certificou-se também ao IBD, no caso dos vegetais. Já os ovos e frangos, além do IBD, passaram pela chancela da AVAL e da AECO, por estarem compreendidos em outras especificações sanitárias, como todo derivado animal...
Em tempo, a criação da Certificadora Mokiti Okada, custou uma fortuna à Fundação Mokiti Okada e foi criada com o intuito de suprir uma demanda que poderia servir à outros produtores-empresas, além da Korin.
Hoje, a empresa dá mais uma demonstração de boa prática ambiental disponibilizando suas embalagens em fécula de mandioca, sem qualquer alarde, enquanto a Taeq (segmento orgânico-wellness do Grupo Pão de Açúcar) divulgou falsas embalagens biodegradáveis em politileno em seu site, distribui as mesmas no comércio varejista e fez do assunto um dos temas do excelente e imparcial programa Cidades e Soluções sobre o Primeiro Supermercado Verde do país, não por coincidência um supermercado Pão de Açúcar.
Para quem quer se manter informado das novidades que estão sendo lançadas, como cacau, café e até eventos regados a massas e vinhos totalmente certificados, visite o bom blog Orgânicos do Brasil.
Para chás orgânicos, há a Tribal Brasil e, bebendo na rua, a Mega Mate - veja melhor aqui.
Transcrevo abaixo a cartilha do Governo Federal desenvolvida em conjunto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Ministério do Desenvolvimento Agrário, chancelada pelo CONSEA, SDC, DEPROS e COAGRE.
O OLHO DO CONSUMIDOR É IMPORTANTE PARA GARANTIR A QUALIDADE DOS PRODUTOS ORGÂNICOS
Como identificar o produto orgânico no Mercado:
Para facilitar a identificação e dar mais garantia da qualidade dos produtos orgânicos, a legislação brasileira criou o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica – SISORG, no qual o Ministério da Agricultura passou a ser responsável por credenciar e fiscalizar as entidades que fazem a verificação se os produtos orgânicos que vão para o mercado estão de acordo com as normas oficiais.
Os produtos orgânicos que são acompanhados e aprovados por essas entidades credenciadas passam a utilizar o “Selo do SISORG”, que foi criado para facilitar a identificação dos produtos orgânicos no mercado

Este selo já começa ser utilizado este ano e, a partir de 2011, só poderão ir para o mercado os produtos orgânicos que estiverem com o selo, o que indica que sua produção está sendo acompanhada por uma entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura.
Outra maneira para o consumidor ter a garantia que o produto é orgânico será conferindo se seu nome está incluído no Cadastro Nacional de Produtores Orgânico, que estará disponível na página do Ministério da Agricultura, na internet.
Os produtos orgânicos na venda direta sem certificação:
As feiras e pequenos mercados de produtores orgânicos são, cada vez mais, ótimas opções para você comprar diversos produtos orgânicos fresquinhos e diretamente do agricultor.
A legislação brasileira reconhece a importância dos laços de confiança estabelecidos diretamente entre produtores e consumidores no sistema de venda direta (sem intermediários). Esse tipo de mercado tem crescido com a ampliação do número de feiras orgânicas e de produtores que fazem entrega em domicílio.
A partir de 1 de janeiro de 2011, todos os produtores que trabalham com venda direta sem certificação devem possuir a Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social – OCS. Esse cadastro é feito junto a Superintendência Federal de Agricultura da unidade da federação onde o produtor está sendo sediado e com isto garantimos a também rastreabilidade desses produtos para os casos em que surjam dúvidas da sua qualidade orgânica.
Atenção: Nestes casos os produtores não terão o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica.
Informações: organicos@agricultura.gov.br
Nota: vi recentemente uma Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social - OCS pendurada na barraca de um feirante orgânico, é um papel branco e timbrado com selo da República, como um alvará.
Feirantes convencionais também precisam de licença, com o mesmo timbre, apenas o texto e o tipo da licença são distintos. Vamos torcer para a fiscalização ficar em cima e essas licenças realmente servirem ao seu propósito.
Para não dizer que não falei de flores: fuja de tudo que levar açúcar refinado ou qualquer de suas muitas formas, não existe açúcar (mascavo, demerara, cristal, etc) orgânico - mais informação em Mamãe não passou açúcar em mim!
Para comprar direto do produtor:
Mapa Nacional de Feiras Orgânicas no site do Instituto de Defesa do Consumidor
Uma opção para nós brasileiros, que jogamos no lixo 1/3 de tudo que é comprado no supermercado:
Banco de alimentos
Mais informação:
Compras a granel
Adoçantes naturais
Agricultura Biodinâmica
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Mel de abelhas x Melado de cana
Orgânicos podem ser mais baratos
Indústria pesqueira x pesca artesanal
Carnes orgânicas: o quê e como comer
Slow Tea: chás e especiarias orgânicos
Como funciona a indústria de cosméticos
Agrotóxicos, orgânicos e trabalho escravo
Guerra de sementes e transgenia corporativa
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
O mito do agrobusiness: Agronegócio perde em eficácia para agricultura familiar
Tudo que você queria saber sobre orgânicos, mas não tinha uma nutricionista para peguntar
No tópico sobre carnes orgânicas, surgiram algumas dúvidas sobre quais marcas seriam certificadas ou não e ainda, como confiar nessas certificações.
Barbara Kingsolver em seu maravilhoso livro “O mundo é o que você come” aborda uma questão ainda mais preocupante: caso você freqüente Feiras locais de produtores orgânicos, poderá notar que nenhum pequeno produtor rural é certificado.
O custo das certificações é tão alto que os mesmos iriam à falência caso pagassem tais custas. A autora, amiga pessoal e igualmente fazendeira, compra de velhos conhecidos e produz ela mesma o que sua família consome.
Como sou freqüentadora usual da maior e mais antiga Feira de Orgânicos de minha cidade, a Feira do Russel, resolvi abordar pessoalmente os feirantes e perguntar educadamente se os mesmos eram certificados. Muito poucos tinham a certificação para apresentar.
São pessoas muito simples e que geralmente trabalham em sistema de cooperativa. Esses homens e mulheres não têm como arcar com o custo alto, que, numa indústria, seria proporcional à obtenção de um ISO.
Mesmo os que vendem seus queijos e ovos caseiros, não podem apresentar qualquer garantia legal, o que não se aplica aos produtores tradicionais de queijo de cabra, búfala ou até à Naturallis e Vale da Palmeiras, que produz o melhor queijo de Minas industrializado que já comi, industrializado e orgânico.
Em tese, a comparação é inclusive procedente, pois as certificações internacionais do sistema ISO e OHSAS são certificações de qualidade de gestão e produção, incluindo sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Logo, se pouquíssimas empresas podem arcar com os custos e exigências que envolvem as auditorias para obtenção de uma certificação internacional, um número ainda menor de produtores rurais, pode certificar-se como orgânico.
Alguns produtores rurais entregam em casa, ou fazem “feirinhas particulares” em lojas e mercados de produtos naturais - pode ser ótimo para o consumidor ou não, depende de quem fornece. Já passei pela situação de comprar frutas e vegetais orgânicos por telefone e, quando da entrega, achar os mesmos “grandes e coloridos demais”, iguais aos de cultivos convencionais do supermercado.
Da mesma forma que comprei morangos orgânicos em uma barraca da Feira do Russel (sem certificação) e ao chegar em minha casa, notar que os frutos eram grandes, esbranquiçados e “duplos ou triplos”, fato comum em cultivo com pesticidas químicos, além de completamente distintos aos morangos pequeninos e vermelhinhos da Korin, Cultivar ou Tamiso (todos certificados pelo IBD).
Consumi, mas não voltei a comprar daqueles fornecedores - o que, por outro lado, não me impediu de continuar comprando de outros que igualmente entreguem em casa ou disponibilizem seus cultivos na mesma feira semanal.
Há uma empresa sólida e muito tradicional que faz esse serviço de entrega, a Sítio do Moinho, além de Paloma Niskier (21 2539-0059 e 21 9823-8240) , cujos produtos me pareceram acima de qualquer suspeita. Caso queira procurar pelos principais pontos de venda e fornecedores em todos os estados do país, o Planeta Orgânico disponibiliza um mapa nacional de venda de produtos orgânicos.
A população em geral tem uma tendência a romantizar a figura do produtor rural e vilanizar à da grande empresa. Existem 2 equívocos nessa postura, primeiro porque a empresa agrícola orgânica (certificada) emprega centenas de pessoas de carteira assinada, cumpre a CLT e é extremamente fiscalizada pelos órgãos públicos e entidades certificadoras, como IBD, ABIO, CMO, ECOCERT, AVAL, AECO e afins.
Por último, um pequeno produtor rural, provavelmente não é certificado pelas razões citadas anteriormente, não é fiscalizado já que está à margem dos registros oficiais e, mesmo que seja muitíssimo bem intencionado, nada impede que algum dia, por intempéries climáticas ou um surto de pragas, se veja obrigado a colocar algum “aditivo” e tenha que empregar todas as crianças de sua família para não perder uma safra, o que também pode acontecer em qualquer produção local de subsistência da própria família.
A verdade é que ainda sequer existe uma política nacional que legisle sobre o cultivo de orgânicos. Os 600 selos certificadores hoje disponíveis surgiram por iniciativa bem intencionada dos próprios produtores rurais e hoje, criam mais confusão do que esclarecimento ao consumidor. É muito comum encontrar produtos com mais de 3 certificações e outros, do mesmo produtor, sem nenhuma. Pior, mesmo que esse produtor queira certificar tal produto, talvez não consiga por falta de um selo (dentre 600) que se aplique àquele caso específico.
Como já ensinavam os justos que nos antecederam: na dúvida, deixe seu bom senso prevalecer. Um suco pronto certificado como orgânico, além de hidropirataria, demandou combustível fóssil na logística de transporte e um mundo de embalagens, como tetra-pack ou long neck (ambas não-recicláveis), além de não ser 100% orgânico em sua totalidade, já que a legislação atual só obriga o fabricante a cumprir com 70% de ingredientes orgânicos para conseguir a mesma certificação que um produtor rural não pode pagar. Um suco caseiro, a partir das frutas compradas desse mesmo produtor rural (não certificado), além de mais saudável, é mais seguro.
Lembre ainda que no Ceará, a Ypioca, cacharia tradicional e outrora certificada, secou uma lagoa de reserva indígena.
Já que falamos de sucos, o suco orgânico mais vendido no país tem 2 certificações: IBD e EcoVida certificação participativa, provavelmente obtido antes do IBD.
O mesmo problema se aplica aos polêmicos cosméticos "verdes".
Comprando a granel, uma das muitas bandeiras desse blog, atente que quase nunca é orgânico e castanhas e frutas secas são pulverizadas com inseticida para afastar roedores e pragas em geral.
Já existem empórios cerealistas vendendo a granel e orgânico.
No bairro do Flamengo (RJ), há 2 lojas de produtos naturais que vendem grãos a granel e orgânicos-biodinâmicos, da Biorga, Demeter e da biodinâmica Wolkmann: Natuflora na Rua Senador Vergueiro, 93 e o Mercadinho Grão Integral da Galeria na Rua das Laranjeiras, 43.
A Korin é um exemplo que ilustra bem a confusão existente. A Korin é uma empresa de hortifrutigranjeiros que pertence à Fundação Mokiti Okada (FMO), mas a mesma fundação tem uma outra empresa apenas para certificar seus produtos, a Certificadora Mokiti Okada (CMO - um dos 600 selos verdes do país), o que faz com que todos os produtos da Korin sejam automaticamente certificados pela CMO.
Você deve estar pensando então que se a CMO (pertencente ao grupo FMO) já é certificadora, logo os produtos da Korin não precisariam de mais nenhum dos selos?
Errado, porque a empresa foi acusada de má fé e certificou-se também ao IBD, no caso dos vegetais. Já os ovos e frangos, além do IBD, passaram pela chancela da AVAL e da AECO, por estarem compreendidos em outras especificações sanitárias, como todo derivado animal...
Em tempo, a criação da Certificadora Mokiti Okada, custou uma fortuna à Fundação Mokiti Okada e foi criada com o intuito de suprir uma demanda que poderia servir à outros produtores-empresas, além da Korin.
Hoje, a empresa dá mais uma demonstração de boa prática ambiental disponibilizando suas embalagens em fécula de mandioca, sem qualquer alarde, enquanto a Taeq (segmento orgânico-wellness do Grupo Pão de Açúcar) divulgou falsas embalagens biodegradáveis em politileno em seu site, distribui as mesmas no comércio varejista e fez do assunto um dos temas do excelente e imparcial programa Cidades e Soluções sobre o Primeiro Supermercado Verde do país, não por coincidência um supermercado Pão de Açúcar.
Para quem quer se manter informado das novidades que estão sendo lançadas, como cacau, café e até eventos regados a massas e vinhos totalmente certificados, visite o bom blog Orgânicos do Brasil.
Para chás orgânicos, há a Tribal Brasil e, bebendo na rua, a Mega Mate - veja melhor aqui.
Transcrevo abaixo a cartilha do Governo Federal desenvolvida em conjunto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Ministério do Desenvolvimento Agrário, chancelada pelo CONSEA, SDC, DEPROS e COAGRE.
O OLHO DO CONSUMIDOR É IMPORTANTE PARA GARANTIR A QUALIDADE DOS PRODUTOS ORGÂNICOS
Como identificar o produto orgânico no Mercado:
Para facilitar a identificação e dar mais garantia da qualidade dos produtos orgânicos, a legislação brasileira criou o Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica – SISORG, no qual o Ministério da Agricultura passou a ser responsável por credenciar e fiscalizar as entidades que fazem a verificação se os produtos orgânicos que vão para o mercado estão de acordo com as normas oficiais.
Os produtos orgânicos que são acompanhados e aprovados por essas entidades credenciadas passam a utilizar o “Selo do SISORG”, que foi criado para facilitar a identificação dos produtos orgânicos no mercado

Este selo já começa ser utilizado este ano e, a partir de 2011, só poderão ir para o mercado os produtos orgânicos que estiverem com o selo, o que indica que sua produção está sendo acompanhada por uma entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura.
Outra maneira para o consumidor ter a garantia que o produto é orgânico será conferindo se seu nome está incluído no Cadastro Nacional de Produtores Orgânico, que estará disponível na página do Ministério da Agricultura, na internet.
Os produtos orgânicos na venda direta sem certificação:
As feiras e pequenos mercados de produtores orgânicos são, cada vez mais, ótimas opções para você comprar diversos produtos orgânicos fresquinhos e diretamente do agricultor.
A legislação brasileira reconhece a importância dos laços de confiança estabelecidos diretamente entre produtores e consumidores no sistema de venda direta (sem intermediários). Esse tipo de mercado tem crescido com a ampliação do número de feiras orgânicas e de produtores que fazem entrega em domicílio.
A partir de 1 de janeiro de 2011, todos os produtores que trabalham com venda direta sem certificação devem possuir a Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social – OCS. Esse cadastro é feito junto a Superintendência Federal de Agricultura da unidade da federação onde o produtor está sendo sediado e com isto garantimos a também rastreabilidade desses produtos para os casos em que surjam dúvidas da sua qualidade orgânica.
Atenção: Nestes casos os produtores não terão o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica.
Informações: organicos@agricultura.gov.br
Nota: vi recentemente uma Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social - OCS pendurada na barraca de um feirante orgânico, é um papel branco e timbrado com selo da República, como um alvará.
Feirantes convencionais também precisam de licença, com o mesmo timbre, apenas o texto e o tipo da licença são distintos. Vamos torcer para a fiscalização ficar em cima e essas licenças realmente servirem ao seu propósito.
Para não dizer que não falei de flores: fuja de tudo que levar açúcar refinado ou qualquer de suas muitas formas, não existe açúcar (mascavo, demerara, cristal, etc) orgânico - mais informação em Mamãe não passou açúcar em mim!
Para comprar direto do produtor:
Mapa Nacional de Feiras Orgânicas no site do Instituto de Defesa do Consumidor
Uma opção para nós brasileiros, que jogamos no lixo 1/3 de tudo que é comprado no supermercado:
Banco de alimentos
Mais informação:
Compras a granel
Adoçantes naturais
Agricultura Biodinâmica
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Mel de abelhas x Melado de cana
Orgânicos podem ser mais baratos
Indústria pesqueira x pesca artesanal
Carnes orgânicas: o quê e como comer
Slow Tea: chás e especiarias orgânicos
Como funciona a indústria de cosméticos
Agrotóxicos, orgânicos e trabalho escravo
Guerra de sementes e transgenia corporativa
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
O mito do agrobusiness: Agronegócio perde em eficácia para agricultura familiar
Tudo que você queria saber sobre orgânicos, mas não tinha uma nutricionista para peguntar
sábado, 21 de agosto de 2010
Entramos no cheque especial
Flavio Vieira cantou a pedra ano passado, no Energia Eficiente
Esse ano, a conta venceu 1 mês antes.
Overshoot day: 21 de agosto de 2010
Sábado, 21 de agosto, os habitantes da Terra terão esgotado todos os recursos que o planeta lhes proporciona no período de um ano, passando a viver dos créditos relativos ao próximo ano, segundo cálculos efetuados pela ONG Global Footprint Network (GFN).
De acordo com o estudo, “foram necessários 9 meses para esgotar o total do exercício, em termos ecológicos.
A GFN calcula periodicamente o dia em que vão se esgotar os recursos naturais que o planeta é capaz de fornecer por um período de um ano, consumidos pela humanidade, aí incluídos o fornecimento de água doce e matérias-primas, entre elas as alimentares. Reportagem da AFP.
Para 2010, a ONG prevê o ‘Earth Overshoot Day’, ou Dia do Excesso, numa tradução livre, no próximo sábado, significando que em menos de nove meses esgotamos o que seria o orçamento ecológico do ano, revela o presidente da GFN, Mathis Wackernagel. No ano passado, segundo ele, o limite foi atingido no dia 25 de setembro, mas não é que o desperdício tenha sido diferente.
"Este ano revisamos os nossos próprios dados, verificando que, até então, havíamos superestimado a produtividade das florestas e pastos: exageramos a capacidade da Terra” de se regenerar e absorver nossos excessos.
Para o cálculo, a GFN baseia-se numa equação formada pelo fornecimento de serviços e de recursos pela natureza e os compara ao consumo humano, aos dejetos e aos resíduos – as emissões poluentes, como o CO2.
“Em 1980, a nossa “pegada ecológica” foi equivalente a tamanho da Terra. Hoje, é de 50 % a mais, insiste a ONG.
Assim, “se você gasta seu orçamento anual em nove meses, deve ficar provavelmente muito preocupado: a situação não é menos grave quando se trata de nosso orçamento ecológico”, explica Wackernagel. “A mudança climática, a perda da biodiversidade, o desmatamento, a falta de água e de alimentos são sinais de que não podemos mais continuar a consumir o nosso crédito.
Para inverter a tendência, é preciso “que a população mundial comece a diminuir” – um tabu que começa a ser desmistificado pouco a pouco entre os demógrafos e os defensores do meio ambiente, inclusive no seio das Nações Unidas.
“As pessoas pensam que seria terrível mas, para nós, representaria uma vantagem econômica. Mas é uma escolha”, comenta Wackernagel.
Para saber o tamanho da pegada que você deixa no planeta e o quanto pode ser melhorado, faça o teste virtual do My Foot Print
Visite também a página do Ecological Foot Print no Wikipedia e, caso queira aprofundar-se faça também o Footprint da WWF.
Para por em prática:
Reúse a água da máquina de lavar;
Compre móveis de segunda mão em antiquários ou feiras de rua, monocultura de eucalipto não é reflorestamento;
Use sapatos em couro vegetal ou materiais alternativos;
Recicle os eletro-eletrônicos;
Nos meses de calor, use a energia elétrica de forma inteligente. Não desperdice.
Adote animais de estimação, castre-os adotando ou não;
Ter filhos não é uma decisão meramente pessoal, pense nisso;
Compre livros em sebo e roupas em brechó e bazar;
Priorize tudo que for orgânico, agrotóxicos intoxicam a comida, o solo, os lençóis freáticos e até os trabalhadores envolvidos no plantio;
Reduza todos os derivados animais, incluindo mel de abelhas;
Comendo carne, opte pela "verdes" e lembre que do peixe, se aproveita até a cabeça;
Fuja das bebidas prontas, além de cheias de conservantes, hidropirataria é crime, ninguém vê e quem paga a conta final é o consumidor;
O melhor filtro de água é o de barro, água mineral engarrafada é crime ambiental.;
Recicle tudo, reúse ao máximo, reduza embalagens, cozinhe mais em casa e compre à granel e em feiras de orgânicos;
Atente ao lixo cinza, como fio dental, cotonete, fraldas-absorventes e guardanapo, aparentemente inocentes.
Cosméticos e artigos de higiene pessoal, só os "verdes", não testam em animais, são hipoalergênicos e ainda por cima, biodegradáveis;
A soja não é a salvação da lavoura, muito pelo contrário, sua monocultura transgênica, transformou o cerrado num solo semi-árido e expulsou os pequenos produtores, além de dizimar centenas de espécies animais nativos, que dependiam daquele ecossistema em equilíbrio e ser extremamente tóxica;
Repense todos os materiais e técnicas se estiver construindo ou reformando sua casa, existem centenas de opções sustentáveis para todos os gostos e bolsos, uma idéia boa e simples é adaptar a tubulação da pia à do sanitário;
Priorize transporte coletivo ou vá de bicicleta, caso não seja possível, organize mutirões de carona;
E açúcar mata, devasta quilômetros de mata atlântica nativa para a monocultura da cana, que até hoje emprega mão de obra escrava e infantil.
A imagem foi retirada do site de outra instituição que trabalha nos esforços de minimizar as pegadas que deixamos, S Viva Israel
Esse ano, a conta venceu 1 mês antes.
Overshoot day: 21 de agosto de 2010
Sábado, 21 de agosto, os habitantes da Terra terão esgotado todos os recursos que o planeta lhes proporciona no período de um ano, passando a viver dos créditos relativos ao próximo ano, segundo cálculos efetuados pela ONG Global Footprint Network (GFN).
De acordo com o estudo, “foram necessários 9 meses para esgotar o total do exercício, em termos ecológicos.
A GFN calcula periodicamente o dia em que vão se esgotar os recursos naturais que o planeta é capaz de fornecer por um período de um ano, consumidos pela humanidade, aí incluídos o fornecimento de água doce e matérias-primas, entre elas as alimentares. Reportagem da AFP.
Para 2010, a ONG prevê o ‘Earth Overshoot Day’, ou Dia do Excesso, numa tradução livre, no próximo sábado, significando que em menos de nove meses esgotamos o que seria o orçamento ecológico do ano, revela o presidente da GFN, Mathis Wackernagel. No ano passado, segundo ele, o limite foi atingido no dia 25 de setembro, mas não é que o desperdício tenha sido diferente.
"Este ano revisamos os nossos próprios dados, verificando que, até então, havíamos superestimado a produtividade das florestas e pastos: exageramos a capacidade da Terra” de se regenerar e absorver nossos excessos.
Para o cálculo, a GFN baseia-se numa equação formada pelo fornecimento de serviços e de recursos pela natureza e os compara ao consumo humano, aos dejetos e aos resíduos – as emissões poluentes, como o CO2.
“Em 1980, a nossa “pegada ecológica” foi equivalente a tamanho da Terra. Hoje, é de 50 % a mais, insiste a ONG.
Assim, “se você gasta seu orçamento anual em nove meses, deve ficar provavelmente muito preocupado: a situação não é menos grave quando se trata de nosso orçamento ecológico”, explica Wackernagel. “A mudança climática, a perda da biodiversidade, o desmatamento, a falta de água e de alimentos são sinais de que não podemos mais continuar a consumir o nosso crédito.
Para inverter a tendência, é preciso “que a população mundial comece a diminuir” – um tabu que começa a ser desmistificado pouco a pouco entre os demógrafos e os defensores do meio ambiente, inclusive no seio das Nações Unidas.
“As pessoas pensam que seria terrível mas, para nós, representaria uma vantagem econômica. Mas é uma escolha”, comenta Wackernagel.
Para saber o tamanho da pegada que você deixa no planeta e o quanto pode ser melhorado, faça o teste virtual do My Foot Print
Visite também a página do Ecological Foot Print no Wikipedia e, caso queira aprofundar-se faça também o Footprint da WWF.
Para por em prática:
Reúse a água da máquina de lavar;
Compre móveis de segunda mão em antiquários ou feiras de rua, monocultura de eucalipto não é reflorestamento;
Use sapatos em couro vegetal ou materiais alternativos;
Recicle os eletro-eletrônicos;
Nos meses de calor, use a energia elétrica de forma inteligente. Não desperdice.
Adote animais de estimação, castre-os adotando ou não;
Ter filhos não é uma decisão meramente pessoal, pense nisso;
Compre livros em sebo e roupas em brechó e bazar;
Priorize tudo que for orgânico, agrotóxicos intoxicam a comida, o solo, os lençóis freáticos e até os trabalhadores envolvidos no plantio;
Reduza todos os derivados animais, incluindo mel de abelhas;
Comendo carne, opte pela "verdes" e lembre que do peixe, se aproveita até a cabeça;
Fuja das bebidas prontas, além de cheias de conservantes, hidropirataria é crime, ninguém vê e quem paga a conta final é o consumidor;
O melhor filtro de água é o de barro, água mineral engarrafada é crime ambiental.;
Recicle tudo, reúse ao máximo, reduza embalagens, cozinhe mais em casa e compre à granel e em feiras de orgânicos;
Atente ao lixo cinza, como fio dental, cotonete, fraldas-absorventes e guardanapo, aparentemente inocentes.
Cosméticos e artigos de higiene pessoal, só os "verdes", não testam em animais, são hipoalergênicos e ainda por cima, biodegradáveis;
A soja não é a salvação da lavoura, muito pelo contrário, sua monocultura transgênica, transformou o cerrado num solo semi-árido e expulsou os pequenos produtores, além de dizimar centenas de espécies animais nativos, que dependiam daquele ecossistema em equilíbrio e ser extremamente tóxica;
Repense todos os materiais e técnicas se estiver construindo ou reformando sua casa, existem centenas de opções sustentáveis para todos os gostos e bolsos, uma idéia boa e simples é adaptar a tubulação da pia à do sanitário;
Priorize transporte coletivo ou vá de bicicleta, caso não seja possível, organize mutirões de carona;
E açúcar mata, devasta quilômetros de mata atlântica nativa para a monocultura da cana, que até hoje emprega mão de obra escrava e infantil.
A imagem foi retirada do site de outra instituição que trabalha nos esforços de minimizar as pegadas que deixamos, S Viva Israel
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Fibrocimento verde: telha de amianto sem asbestose
A telha de amianto é um dos revestimentos mais baratos e populares de nosso país, comum de Norte à Sul, as telhas são impermeáveis, de fácil e rápida aplicabilidade, sendo ainda encontradas a preços baixos.
Muito comuns inclusive como forração à alvenaria em casos de ar condicionado central.
Seria o ovo de Colombo, não fosse um probleminha, amianto libera asbestos, um pó finíssimo, que penetra nos pulmões e causa uma doença derivada de sua inalação: asbestose.
Asbestose não tem cura e mata mais do que as estatísticas indicam, até porque as fábricas, em sua maioria de fundo de quintal, não fornecem equipamento de proteção individual adequado aos trabalhadores. O cenário da produção de telha de amianto no Brasil é um galpão industrial (com forração em telha de amianto!) onde os operários sem camisa, de bermudas, chinelos e máscaras cirúrgicas descartáveis, trabalham sem carteira assinada nem plano de saúde. Quando o correto seriam macacões, óculos protetores da mucosa ocular, máscaras industriais, luvas e ambientes devidamente ventilados, além de todos os adicionais previstos em lei.
Em tempo, o amianto já foi banido de diversos países desenvolvidos, mas continua sendo produzido nesses tristes trópicos.
A Politécnica da USP correu atrás desse prejuízo social e ambiental, já que amianto é derivado de petróleo, e desenvolveu a primeira telha de fibrocimento para substituir às de amianto, a partir de materiais biodegradáveis como bambu, ostras e até ossos humanos.
Pesquisadores da Escola Politécnica da USP criaram um novo tipo de fibrocimento com uma tecnologia inédita no mundo, sem amianto e com excelente resistência.
O fibrocimento desenvolvido se caracteriza por propriedades mecânicas que variam ao longo do material, diferente dos convencionais, que têm as mesmas propriedades em toda a sua extensão.
Inspiração na natureza
"Inspirados na natureza, desenvolvemos um fibrocimento com gradação funcional", conta o engenheiro Cléber Dias. "O conceito é inspirado em materiais como o bambu, as ostras e, até mesmo, o osso humano.
Dias explica que a gradação funcional significa a variação de valor de uma ou mais propriedades ao longo do material. "Por exemplo, podemos variar a porosidade ao longo de um material e estaremos variando, consequentemente, sua resistência mecânica em pontos diferentes", descreve.
Ele conta que as indústrias brasileiras de fibrocimento começaram a migrar para a fabricação do produto sem o uso do amianto, material que teve o uso banido em diversos países.
Porém, os fibrocimentos produzidos com fibras alternativas (sintéticas) apresentaram desempenho inferior e o custo de produção era mais alto que o do cimento-amianto. Dias lembra que as fibras de polipropileno e PVA são as mais utilizadas para substituir o amianto.
Telhas onduladas sem amianto
Os engenheiros realizaram testes com a fabricação de telhas onduladas de fibrocimento em que foram alteradas suas resistências mecânicas em pontos específicos. "As telhas foram fabricadas em máquinas Hatschek e as alterações da resistência mecânica foram conseguidas aplicando misturas de cimento, polímeros e fibras, de poli (vinil álcool), PVA, ou vidro álcali-resistente", explica Dias.
A gradação funcional nas telhas pode ser obtida de duas maneiras. Na primeira, durante a formação da telha na prensa da Hatschek, são aplicadas misturas fibrosas em pontos específicos da telha. "Apesar de a telha apresentar altas concentrações de fibras em determinados pontos, na média, o teor de fibras é menor que o teor convencionalmente utilizados nos produtos homogêneos", compara.
A outra forma, segundo Dias, é variar a composição de cada tanque do maquinário Hatschek. "Nesse caso podemos produzir placas constituídas de camadas com diferentes composições. Essa forma não foi avaliada, pois necessitaríamos de um investimento muito alto. Mas fizemos os fibrocimentos com camadas diferentes em laboratório e os resultados foram muito bons", afirma.
Fibrocimento verde
Ele ressalta, no entanto, que muitos estudos ainda são necessários e que outros pesquisadores devem dar prosseguimento ao trabalho atuando na indústria.
"Nesse tipo de fabricação, os custos são menores devido à redução do teor de fibras sintéticas. Mesmo assim, a capacidade de carga das telhas de fibrocimento pôde ser melhorada," garante o engenheiro.
Além das telhas onduladas, Dias garante que o fibrocimento com gradação funcional também pode ser utilizado na fabricação de placas planas.
O pesquisador também destaca que o processo produtivo resultará em um produto menos agressivo ao meio ambiente, já que o consumo de fibras derivadas de petróleo será reduzido. "O produto deverá ficar, consequentemente, mais acessível ao consumidor", diz Dias.
Fonte: Inovação Tecnológica
Muito comuns inclusive como forração à alvenaria em casos de ar condicionado central.
Seria o ovo de Colombo, não fosse um probleminha, amianto libera asbestos, um pó finíssimo, que penetra nos pulmões e causa uma doença derivada de sua inalação: asbestose.
Asbestose não tem cura e mata mais do que as estatísticas indicam, até porque as fábricas, em sua maioria de fundo de quintal, não fornecem equipamento de proteção individual adequado aos trabalhadores. O cenário da produção de telha de amianto no Brasil é um galpão industrial (com forração em telha de amianto!) onde os operários sem camisa, de bermudas, chinelos e máscaras cirúrgicas descartáveis, trabalham sem carteira assinada nem plano de saúde. Quando o correto seriam macacões, óculos protetores da mucosa ocular, máscaras industriais, luvas e ambientes devidamente ventilados, além de todos os adicionais previstos em lei.
Em tempo, o amianto já foi banido de diversos países desenvolvidos, mas continua sendo produzido nesses tristes trópicos.
A Politécnica da USP correu atrás desse prejuízo social e ambiental, já que amianto é derivado de petróleo, e desenvolveu a primeira telha de fibrocimento para substituir às de amianto, a partir de materiais biodegradáveis como bambu, ostras e até ossos humanos.
Pesquisadores da Escola Politécnica da USP criaram um novo tipo de fibrocimento com uma tecnologia inédita no mundo, sem amianto e com excelente resistência.
O fibrocimento desenvolvido se caracteriza por propriedades mecânicas que variam ao longo do material, diferente dos convencionais, que têm as mesmas propriedades em toda a sua extensão.
Inspiração na natureza
"Inspirados na natureza, desenvolvemos um fibrocimento com gradação funcional", conta o engenheiro Cléber Dias. "O conceito é inspirado em materiais como o bambu, as ostras e, até mesmo, o osso humano.
Dias explica que a gradação funcional significa a variação de valor de uma ou mais propriedades ao longo do material. "Por exemplo, podemos variar a porosidade ao longo de um material e estaremos variando, consequentemente, sua resistência mecânica em pontos diferentes", descreve.
Ele conta que as indústrias brasileiras de fibrocimento começaram a migrar para a fabricação do produto sem o uso do amianto, material que teve o uso banido em diversos países.
Porém, os fibrocimentos produzidos com fibras alternativas (sintéticas) apresentaram desempenho inferior e o custo de produção era mais alto que o do cimento-amianto. Dias lembra que as fibras de polipropileno e PVA são as mais utilizadas para substituir o amianto.
Telhas onduladas sem amianto
Os engenheiros realizaram testes com a fabricação de telhas onduladas de fibrocimento em que foram alteradas suas resistências mecânicas em pontos específicos. "As telhas foram fabricadas em máquinas Hatschek e as alterações da resistência mecânica foram conseguidas aplicando misturas de cimento, polímeros e fibras, de poli (vinil álcool), PVA, ou vidro álcali-resistente", explica Dias.
A gradação funcional nas telhas pode ser obtida de duas maneiras. Na primeira, durante a formação da telha na prensa da Hatschek, são aplicadas misturas fibrosas em pontos específicos da telha. "Apesar de a telha apresentar altas concentrações de fibras em determinados pontos, na média, o teor de fibras é menor que o teor convencionalmente utilizados nos produtos homogêneos", compara.
A outra forma, segundo Dias, é variar a composição de cada tanque do maquinário Hatschek. "Nesse caso podemos produzir placas constituídas de camadas com diferentes composições. Essa forma não foi avaliada, pois necessitaríamos de um investimento muito alto. Mas fizemos os fibrocimentos com camadas diferentes em laboratório e os resultados foram muito bons", afirma.
Fibrocimento verde
Ele ressalta, no entanto, que muitos estudos ainda são necessários e que outros pesquisadores devem dar prosseguimento ao trabalho atuando na indústria.
"Nesse tipo de fabricação, os custos são menores devido à redução do teor de fibras sintéticas. Mesmo assim, a capacidade de carga das telhas de fibrocimento pôde ser melhorada," garante o engenheiro.
Além das telhas onduladas, Dias garante que o fibrocimento com gradação funcional também pode ser utilizado na fabricação de placas planas.
O pesquisador também destaca que o processo produtivo resultará em um produto menos agressivo ao meio ambiente, já que o consumo de fibras derivadas de petróleo será reduzido. "O produto deverá ficar, consequentemente, mais acessível ao consumidor", diz Dias.
Fonte: Inovação Tecnológica
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
8.000km de costa precisam ser melhor aproveitados
Veja o exemplo escocês e lembre que, aqui no Brasil, quando associamos energia ao oceano, só pensamos no pré-sal.
A maior turbina movida a energia de marés do mundo será testada na Escócia
Criada pela empresa Atlantis Resources, a turbina AK-1000 será instalada para testes no Centro Europeu de Energia Marinha em Orkney, na Escócia.
Segundo a empresa a turbina subaquática foi desenvonvida para suportar a pressão das mais fortes correntes marinhas.
Com hélices de 18 m de diâmetro, mais de 22 m de altura e 1,3 mil toneladas, ela pode gerar até 1 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer cerca de mil casas.
A empresa também afirma que por causa de sua baixa velocidade, a turbina não causará danos à vida marinha.
Se passar nos testes, a turbina podera ser a primeira de muitas a serem instaladas na costa da Escócia.
Mais informação:
Como funciona a energia obtida pelas marés, energia limpa em ondas
Parque eólico brasileiro
BP controla vazamento no Golfo do México, vídeos da Fundação Cousteau
A maior turbina movida a energia de marés do mundo será testada na Escócia
Criada pela empresa Atlantis Resources, a turbina AK-1000 será instalada para testes no Centro Europeu de Energia Marinha em Orkney, na Escócia.
Segundo a empresa a turbina subaquática foi desenvonvida para suportar a pressão das mais fortes correntes marinhas.
Com hélices de 18 m de diâmetro, mais de 22 m de altura e 1,3 mil toneladas, ela pode gerar até 1 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer cerca de mil casas.
A empresa também afirma que por causa de sua baixa velocidade, a turbina não causará danos à vida marinha.
Se passar nos testes, a turbina podera ser a primeira de muitas a serem instaladas na costa da Escócia.
Mais informação:
Como funciona a energia obtida pelas marés, energia limpa em ondas
Parque eólico brasileiro
BP controla vazamento no Golfo do México, vídeos da Fundação Cousteau
domingo, 15 de agosto de 2010
Indústria pesqueira x pesca artesanal
Uma reportagem me lembrou um filme, que por sua vez, lembrou um quadro e remeteu à receitas antigas...
O filme, premiado como melhor animação de 2006, é um desenho animado para crianças de todas as idades, Happy Feet, a história de um pinguinzinho diferente dos demais e, exatamente por isso, o que vai encontrar uma solução para o grande problema de sua sociedade: a escassez de peixes, base da alimentação dos pinguins. Happy Feet é um filme ótimo por trazer muitas mensagens em sua historinha, desde a mensagem infantil que mostra como alguém considerado incapaz é talentoso de outras formas, até o impacto ambiental da indústria pesqueira nos cardumes e como a pesca em larga escala impacta na cadeia alimentar de todo um ecossistema.
Em tempo, tubarões e orcas se alimentam das focas, que se alimentam dos pinguins, que se alimentam dos peixes pescados sem critério pelo homem...
O quadro acima, "O pescador" de Tarsila do Amaral, mostra como funciona a pesca artesanal e nos dá uma pálida idéia de que a indústria pesqueira está equivocada, como bem reclamaram o pinguins no desenho animado.
Esse único peixe pescado pelo pescador caiçara é a base da alimentação de toda uma família, assim como um fazendeiro diz que "do boi só não se aproveita o berro", um pescador, do mar tira de tudo. Até a cabeça do peixe vira gelatina e sua ovas, um caviar caseiro.
Quando vamos à feira livre e vemos quilômetros de postas de salmão e badejo, desconsideramos que tudo que não é filé, foi jogado fora e logo, mais peixes foram pescados para suprir o espaço deixado por aquelas "sobras".
Gastronomia significa em grego "as regras do estômago" e o mundo em que vivemos exige que o ecosistema interno de um ser humano conviva pacificamente com seu entorno, sem pessoas obesas vizinhas de favelados.
Uma comunidade pesqueira é algo a ser preservado, porque vai muito além da pesca industrial fiscalizada pelo biólogo a bordo, que só recolhe sardinhas acima de 17cms, preservando os filhotes, mas fornecendo à população peixes contaminados com metais pesados ou criados à ração.
Leia melhor abaixo como a pesca artesanal, que sempre manteve o equlíbrio entre homens e oceanos, hoje encontra-se em extinção:
Pesca artesanal ameaçada de extinção
A especulação imobiliária na costa brasileira e o modelo industrial de pesca ameaçam as comunidades tradicionais de pescadores. O alerta de especialistas foi o destaque da conferência “A Qualidade de Vida das Comunidades Pesqueiras”, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC, na semana passada.
Cerca de três milhões de pessoas dependem diretamente da pesca artesanal no Brasil, segundo dados apresentados pelo pesquisador da Universidade Federal Rural do Amazonas (Ufram), Eduardo Tavares Paes. Só no estado do Pará, a atividade corresponde a 80% da produção total.
“A falta de políticas públicas para conter ataques pela via marítima e terrestre, no entanto, tem comprometido o meio de sobrevivência dessas famílias”, aponta o especialista em Pesca e Aquicultura.
Dissertação de mestrado em Ergonomia da pesquisadora Cíntia Araújo traduz em números a tendência. O estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) revela que, hoje, só 30% dos 42 pescadores da praia de Ponta Negra, um dos principais pontos turísticos de Natal, vivem exclusivamente da pesca.
“São comunidades que há poucas décadas sobreviviam apenas da pesca, mas que estão ameaçadas por pressões externas”, ressalta. Cíntia ainda explica que, em Ponta Negra, há muitos casos em que os próprios pais desenvolveram resistência em aceitar a opção dos filhos de se tornarem pescadores. “Obrigados a buscar moradia e meios de renda na cidade, muitas famílias já estão desacreditadas em recuperar o modo de vida tradicional”, diz a pesquisadora.
Resistência
Filho de pescador, pescador e pai de pescadores, Jorge Nunes de Souza e outras 180 pessoas enfrentam a pressão de empresários do ramo hoteleiro e da indústria naval pesqueira na praia de Itapuã, em Salvador (BA). “Não há como competir com os interesses dos donos de resorts e grandes embarcações. Estamos resistindo enquanto podemos”, comenta o homem de 52 anos, presidente da Associação Livre de Pescadores e Amigos da Pesca de Itapuã e um dos convidados para a palestra.
Jorge, mais conhecido como Seu Chico, explica que a retirada das famílias do litoral para as cidades dificulta o repasse da tradição. “Os jovens perdem contato com o mar e acabam não se interessando pela profissão dos pais”, lamenta ele, que usa canoa e remos na pesca.
Políticas
Assegurar a posse de terras às populações que tradicionalmente ocupam o litoral, limitar a atuação de navios pesqueiros e criar escolas que incluam conteúdos ligados à pesca no currículo são algumas das soluções apresentadas pelo antropólogo Roberto Kant de Lima, da Universidade Federal Fluminense (UFF), para os problemas nas regiões de pesca artesanal.
“É preciso levar em conta as necessidades de cada comunidade antes de estabelecer regras. Hoje existe uma imposição de valores”, observa o palestrante convidado para a conferência.
Apresentadora do debate, a professora da UnB Fernanda Sobral, destacou a importância de incluir as comunidades pesqueiras nos estudos das Ciências do Mar, tema da 62ª SBPC. “As ciências sociais também merecem espaço nas pesquisas marítimas. Os oceanos também seu lado humano nas comunidades que dependem de seus recursos”, observa.
Comunidades caiçaras em declínio e decadência
O litoral norte de São Paulo compreende uma faixa territorial de exuberante beleza natural que abrange os municípios de Bertioga, São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba. Cercada pela Mata Atlântica, a região reúne mais de uma centena de praias, algumas ainda selvagens, além de cachoeiras e cursos d’água, entre outras riquezas biológicas. É impossível não associar esse magnífico conjunto a um pedaço de paraíso terreno. Contudo, o que os olhos não veem faz o corpo e a alma padecerem. O deslumbrante e inspirador recanto desmascara-se para revelar um cotidiano de restrições e péssimas condições de vida que aflige não só a saúde física, mas também a saúde psíquica dos moradores de suas cidades e vilarejos, conforme constata estudo multidisciplinar conduzido pela socióloga Sônia Regina da Cal Seixas, da Unicamp.
Financiado pela Fapesp, o trabalho associa às condições socioambientais da região o significativo número de casos diagnosticados como depressão em comunidades de pescadores artesanais e se insere numa inovadora abordagem que busca compreender o sofrimento e demais transtornos psíquicos enquanto manifestações sociais, e não somente como enfermidade psicopatológica, propondo um outro olhar para as chamadas “dores da alma”.
Quando se menciona ambiente, do ponto de vista sociológico, esclarece Sônia, tem-se como referência as transformações socioambientais recentes a que as sociedades contemporâneas estão submetidas, considerando-se nessa perspectiva as mudanças que os seres humanos têm promovido no tecido social: uso indiscriminado dos recursos naturais, aumento de poluição ambiental, desmatamento, insegurança na produção de alimentos, bem como as alterações no perfil das relações de trabalho, nas relações sociais, e o crescimento da violência urbana, entre outras.
De acordo com ela, os resultados dos trabalhos que vem conduzindo há duas décadas permitem constatar que tais transformações têm um significado especial para o indivíduo e acabam por afetar de alguma forma a sua qualidade de vida, seja em suas condições objetivas (moradia, transporte, emprego, salário), seja em suas condições subjetivas (culturais, afetivas, sexuais, espirituais, valores e crenças).
Supõe-se também que aquelas mudanças estejam relacionadas com situações significativas que promovem o adoecimento humano. Contudo, observa Sônia, na maioria das vezes a literatura corrente as relaciona apenas ao adoecimento físico (como doenças cardiovasculares, desnutrição, doenças do aparelho respiratório, doenças musculares), não se permitindo aprofundá-la também em relação ao sofrimento mental.
Conforme ela pondera ainda, o fenômeno da depressão está atrelado, primordialmente, à abordagem psiquiátrica, excluindo outras possibilidades analíticas que, em última instância, refletem na atuação e conduta dos profissionais de saúde para com o paciente depressivo.
“Considerações de ordem socioambiental e cultural têm pouco espaço de contribuição, postergando as análises psicanalíticas, e mesmo sociológicas para um lugar pouco valorizado”, enfatiza Sônia, que é doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp.
Via crucis
Mudar esse quadro, no sentido de situar as “dores da alma” como uma categoria capaz de auxiliar na compreensão da realidade e complexidade da vida contemporânea, tem sido o compromisso da pesquisadora desde que despertou para a temática ao analisar, em 1990, ainda em seu mestrado, os impactos da implantação do pólo petroquímico da Petrobras (Replan) na saúde da população do município de Paulínia (SP).
Ao longo dos seis anos seguintes, durante o doutorado, constatou a ocorrência de diagnósticos de depressão e outros sofrimentos psíquicos oriundos de transformações socioambientais entre moradores de outras quatro cidades de São Paulo (Campinas, Sumaré, Piracicaba e Bragança Paulista), particularmente relacionados à industrialização, migração e degradação dos rios integrantes da bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
O enfoque primordial de seus estudos, explica Sônia, adveio da observação de usuários de serviços básicos de saúde que se repetiam exaustivamente nas consultas com sintomas mórbidos de dores, sensações corpóreas, insônia, tristeza, medo, dentre outros, “refletindo em seus corpos uma dor do existir social, traduzido pela ausência de expressão verbal e política, e a inexistência de um projeto social e coletivo de vida”.
Para esses usuários, prossegue a socióloga, a trajetória não foi nada fácil, pois representou uma penosa via sacra por várias especialidades médicas na busca de tratamento, até serem por fim acolhidos na área de saúde mental, com todo o significado que isso implica: “alta medicalização, surtos psicóticos e internações hospitalares, bem como a perda de referências importantes para o viver”.
Em 2002, ela redirecionou o foco de suas pesquisas, buscando identificar a presença de depressão entre os moradores de um lugarejo ao qual dificilmente se relacionaria o transtorno: Itaipu, uma bucólica e paradisíaca vila de pescadores artesanais no litoral fluminense. Mas encontrou um número significativo de pessoas residentes nesta comunidade diagnosticadas pelo serviço de saúde pública como portadores de depressão, síndrome do pânico e outros sofrimentos psíquicos. Os mesmos achados se repetiram em diagnósticos de médicos psiquiatras da rede pública quando desenvolveu, dois anos depois, estudo semelhante em quatro municípios do litoral norte paulista.
“É comum na literatura corrente associar a presença de depressão ao tecido urbano industrial. No entanto, ao confirmar sua presença de forma significativa em comunidades litorâneas, as pesquisas indicaram que os estados depressivos e outros transtornos mentais tornaram-se expressivos em diversificados grupos sociais e não estão mais restritos a comunidades eminentemente urbanas, mas sim bastante disseminados na sociedade contemporânea sem distinção de espaço geográfico”, argumenta Sônia, lembrando que os grupos sociais escolhidos para os estudos estão submetidos a transformações socioambientais bastante acentuadas nos últimos anos.
“Se por um lado, em Paulínia, encontra-se um pólo petroquímico que impõe limites expressivos no cotidiano da população, como poluição ambiental oriunda das indústrias e violência urbana, dentre as mais importantes, em Itaipu percebe-se uma comunidade desterritorializada, impedida de viver da pesca artesanal, seja em função da agressiva especulação imobiliária que assola a região oceânica na qual a colônia se insere, ou mesmo em função da presença marcante do narcotráfico na região”, ilustra a pesquisadora do Nepam.
Caiçara expulso
Assim como em Itaipu, a região do litoral norte paulista vem passando por profundas e significativas mudanças socioambientais decorrentes da explosão do mercado imobiliário, com a instalação da indústria do turismo veranista. Tal fator, explica Sônia, deflagrou conflitos entre os moradores nativos (caiçaras) e os estrangeiros (turistas), que se apropriam do espaço e se apossam do lugar, trazendo novos valores e, muitas vezes, abafando ou modificando valores tradicionais.
Tais impactos, mostra a investigação por ela coordenada, se refletem na degradação da qualidade ambiental e descaracterizam o modo de vida de seus moradores nos aspectos econômico (afetando a pesca artesanal e a agricultura de subsistência), cultural e social. A especulação imobiliária trouxe a reboque outro agravante: a migração. Atraídos por empregos na construção civil, na última década, um grande número de migrantes, provenientes sobretudo do norte de Minas e sertão da Bahia, veio a ocupar a região de forma desordenada, originando problemas de moradia – devido à ocupação irregular das encostas –, saneamento básico, estrangulamento dos serviços públicos (normalmente precários), e, com o declínio do mercado imobiliário, de desemprego.
Emblemática da deterioração da qualidade de vida é a diminuição da população de pescadores, como resultado da desvalorização da atividade pesqueira. O tradicional caiçara, espoliado de seu modo habitual de produção, e, principalmente de sua terra, viu-se obrigado a procurar novos meios de sobrevivência, como empregos domésticos (caseiros e vigias), na construção civil e em pequenos comércios regionais.
“Essas transformações geram um impacto significativo na qualidade de vida das comunidades, já que existe uma íntima relação entre a pessoa e seu habitat. No caso das famílias pobres, o sentimento de ser marginal, de estar fora dos padrões de moradia e de consumo decorrentes, é um fator-chave para que a segregação produza efeitos profundos de desintegração social, conduzindo a um grande desgaste psíquico e emocional”, afirma Sônia.
Desilusão
O seu mais recente estudo, financiado pela Fapesp e realizado com a colaboração de João Luiz de Moraes Höeffel (professor da USF, em Bragança Paulista, que tem trabalhado outros aspectos socioambientais na região), investigou, entre 2003 e 2008, a qualidade de vida dos moradores de dois bairros rurais das cidades de Nazaré Paulista e Vargem (SP).
Os municípios, assim como cinco outros pertencentes à Área de Preservação Ambiental (APA) do Sistema Cantareira (Atibaia, Bragança Paulista, Joanópolis, Mairiporã e Piracaia) sofreram as consequências da construção dos reservatórios do sistema de abastecimento de água para a cidade de São Paulo, entre 1969 e 1983. Na ocasião foram inundados casas de sitiantes, extensas áreas agrícolas, capelas e diversos tipos de comércio, provocando dessa forma uma intensa reconfiguração da estrutura econômica, da paisagem e das relações socioculturais. Houve ainda na região a ampliação das rodovias D. Pedro I e Fernão Dias.
“Acredita-se que esses eventos causaram uma intensa ruptura social, ambiental, econômica e cultural através de extraordinárias mudanças impostas à região, alterando tanto o ambiente, quanto a qualidade de vida da população”, aponta Sônia.
Segundo ela, muitas das diferentes maneiras que seus moradores têm encontrado para lidar com as transformações podem ocorrer por meio do sofrimento psíquico, devido à presença de um número assustador de diagnósticos de depressão apurado nos prontuários de atendimento da área de psicologia de adultos, em Nazaré Paulista: nada menos que 24% da população adulta de usuários do serviço, naquele período. A estatística média mundial é de 3% a 10% nos serviços de saúde primários.
Para Sônia, os achados dos estudos permitem consolidar a hipótese de que as transformações socioambientais, principalmente as ocorridas nas quatro últimas décadas, têm sido fundamentais e contribuintes do quadro de transtornos psíquicos que se manifesta na população e que acaba sendo, por fim, diagnosticado e tratado clinicamente como depressão. As investigações pretendem, portanto, ser uma contribuição importante para os trabalhos nas áreas de teoria social, sociologia ambiental e de saúde mental, já que essa morbidade, a despeito de sua significativa importância no contexto contemporâneo, carece de outras interpretações interdisciplinares.
Para fazer a gelatina com a cabeça do peixe ou o caviar caseiro a partir das ovas, siga os bons conselhos de Sonia Hirsch, nos links e receitas abaixo.
Em tempo, não defendo que ninguém comece a comer peixe ou qualquer outro derivado animal por causa das receitas, mesmo o consumo de mel de abelhas impacta no meio-ambiente, além das condições sempre suspeitas em que os animais são mantidos.
Cabeça de peixe faz bem
Ou se batido no liquificador, com muito pouca água e 3 dentes de alho cru, vira uma gelatina dura, que desenforma e tudo, ideal para ser servida como pastinha. Vão jurar que é de atum-sardinha em lata com maionese e endurecido com gelatina em pó sem sabor. E nem precisa da maionese ou da gelatina industriais.
A água que sobrou do cozimento, ainda pode cozinhar feijão, arroz ou mesmo servir de base para outras sopas.
Para ver como fazer esse caldo de peixe, leia a postagem onde se ensina o passo a passo: Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Caviar caseiro em Minha mãe cozinhava assim
Sonia comprou ovas de tainha na feira e se refestelou, transcrevo na íntegra:
"Lavei, limpei minimamente e fiz o resto lembrando dos gestos de minha mãe: sal no prato, as ovas, sal por cima, tudo inclinado para a água escorrer. Deu certíssimo, a ova ficou salgada em oito horas. Retirei o excesso e deixei secar.
O resultado foi uma iguaria das mais finas, característica da Sicília, da Grécia, da Turquia, a bottarga, ou boutargue, que se desmancha com miolo de pão e temperos e vira patê – tarama salata – ou se come em fatias finíssimas, sobre uma torrada, com gotinhas de limão.
Maio e junho são os meses em que as ovas costumam aparecer na feira, se você quiser fazer em casa. Se não, japoneses também são adeptos, e com sorte se encontram ovas secas salgadas, de tainha ou de atum, nas lojas especializadas."
Para ver como fazer esse caviar caseiro, veja apostagem "Caviar doméstico e Ceviche Panamenho"
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O filme, premiado como melhor animação de 2006, é um desenho animado para crianças de todas as idades, Happy Feet, a história de um pinguinzinho diferente dos demais e, exatamente por isso, o que vai encontrar uma solução para o grande problema de sua sociedade: a escassez de peixes, base da alimentação dos pinguins. Happy Feet é um filme ótimo por trazer muitas mensagens em sua historinha, desde a mensagem infantil que mostra como alguém considerado incapaz é talentoso de outras formas, até o impacto ambiental da indústria pesqueira nos cardumes e como a pesca em larga escala impacta na cadeia alimentar de todo um ecossistema.
Em tempo, tubarões e orcas se alimentam das focas, que se alimentam dos pinguins, que se alimentam dos peixes pescados sem critério pelo homem...
O quadro acima, "O pescador" de Tarsila do Amaral, mostra como funciona a pesca artesanal e nos dá uma pálida idéia de que a indústria pesqueira está equivocada, como bem reclamaram o pinguins no desenho animado.
Esse único peixe pescado pelo pescador caiçara é a base da alimentação de toda uma família, assim como um fazendeiro diz que "do boi só não se aproveita o berro", um pescador, do mar tira de tudo. Até a cabeça do peixe vira gelatina e sua ovas, um caviar caseiro.
Quando vamos à feira livre e vemos quilômetros de postas de salmão e badejo, desconsideramos que tudo que não é filé, foi jogado fora e logo, mais peixes foram pescados para suprir o espaço deixado por aquelas "sobras".
Gastronomia significa em grego "as regras do estômago" e o mundo em que vivemos exige que o ecosistema interno de um ser humano conviva pacificamente com seu entorno, sem pessoas obesas vizinhas de favelados.
Uma comunidade pesqueira é algo a ser preservado, porque vai muito além da pesca industrial fiscalizada pelo biólogo a bordo, que só recolhe sardinhas acima de 17cms, preservando os filhotes, mas fornecendo à população peixes contaminados com metais pesados ou criados à ração.
Leia melhor abaixo como a pesca artesanal, que sempre manteve o equlíbrio entre homens e oceanos, hoje encontra-se em extinção:
Pesca artesanal ameaçada de extinção
A especulação imobiliária na costa brasileira e o modelo industrial de pesca ameaçam as comunidades tradicionais de pescadores. O alerta de especialistas foi o destaque da conferência “A Qualidade de Vida das Comunidades Pesqueiras”, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC, na semana passada.
Cerca de três milhões de pessoas dependem diretamente da pesca artesanal no Brasil, segundo dados apresentados pelo pesquisador da Universidade Federal Rural do Amazonas (Ufram), Eduardo Tavares Paes. Só no estado do Pará, a atividade corresponde a 80% da produção total.
“A falta de políticas públicas para conter ataques pela via marítima e terrestre, no entanto, tem comprometido o meio de sobrevivência dessas famílias”, aponta o especialista em Pesca e Aquicultura.
Dissertação de mestrado em Ergonomia da pesquisadora Cíntia Araújo traduz em números a tendência. O estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) revela que, hoje, só 30% dos 42 pescadores da praia de Ponta Negra, um dos principais pontos turísticos de Natal, vivem exclusivamente da pesca.
“São comunidades que há poucas décadas sobreviviam apenas da pesca, mas que estão ameaçadas por pressões externas”, ressalta. Cíntia ainda explica que, em Ponta Negra, há muitos casos em que os próprios pais desenvolveram resistência em aceitar a opção dos filhos de se tornarem pescadores. “Obrigados a buscar moradia e meios de renda na cidade, muitas famílias já estão desacreditadas em recuperar o modo de vida tradicional”, diz a pesquisadora.
Resistência
Filho de pescador, pescador e pai de pescadores, Jorge Nunes de Souza e outras 180 pessoas enfrentam a pressão de empresários do ramo hoteleiro e da indústria naval pesqueira na praia de Itapuã, em Salvador (BA). “Não há como competir com os interesses dos donos de resorts e grandes embarcações. Estamos resistindo enquanto podemos”, comenta o homem de 52 anos, presidente da Associação Livre de Pescadores e Amigos da Pesca de Itapuã e um dos convidados para a palestra.
Jorge, mais conhecido como Seu Chico, explica que a retirada das famílias do litoral para as cidades dificulta o repasse da tradição. “Os jovens perdem contato com o mar e acabam não se interessando pela profissão dos pais”, lamenta ele, que usa canoa e remos na pesca.
Políticas
Assegurar a posse de terras às populações que tradicionalmente ocupam o litoral, limitar a atuação de navios pesqueiros e criar escolas que incluam conteúdos ligados à pesca no currículo são algumas das soluções apresentadas pelo antropólogo Roberto Kant de Lima, da Universidade Federal Fluminense (UFF), para os problemas nas regiões de pesca artesanal.
“É preciso levar em conta as necessidades de cada comunidade antes de estabelecer regras. Hoje existe uma imposição de valores”, observa o palestrante convidado para a conferência.
Apresentadora do debate, a professora da UnB Fernanda Sobral, destacou a importância de incluir as comunidades pesqueiras nos estudos das Ciências do Mar, tema da 62ª SBPC. “As ciências sociais também merecem espaço nas pesquisas marítimas. Os oceanos também seu lado humano nas comunidades que dependem de seus recursos”, observa.
Comunidades caiçaras em declínio e decadência
O litoral norte de São Paulo compreende uma faixa territorial de exuberante beleza natural que abrange os municípios de Bertioga, São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e Ubatuba. Cercada pela Mata Atlântica, a região reúne mais de uma centena de praias, algumas ainda selvagens, além de cachoeiras e cursos d’água, entre outras riquezas biológicas. É impossível não associar esse magnífico conjunto a um pedaço de paraíso terreno. Contudo, o que os olhos não veem faz o corpo e a alma padecerem. O deslumbrante e inspirador recanto desmascara-se para revelar um cotidiano de restrições e péssimas condições de vida que aflige não só a saúde física, mas também a saúde psíquica dos moradores de suas cidades e vilarejos, conforme constata estudo multidisciplinar conduzido pela socióloga Sônia Regina da Cal Seixas, da Unicamp.
Financiado pela Fapesp, o trabalho associa às condições socioambientais da região o significativo número de casos diagnosticados como depressão em comunidades de pescadores artesanais e se insere numa inovadora abordagem que busca compreender o sofrimento e demais transtornos psíquicos enquanto manifestações sociais, e não somente como enfermidade psicopatológica, propondo um outro olhar para as chamadas “dores da alma”.
Quando se menciona ambiente, do ponto de vista sociológico, esclarece Sônia, tem-se como referência as transformações socioambientais recentes a que as sociedades contemporâneas estão submetidas, considerando-se nessa perspectiva as mudanças que os seres humanos têm promovido no tecido social: uso indiscriminado dos recursos naturais, aumento de poluição ambiental, desmatamento, insegurança na produção de alimentos, bem como as alterações no perfil das relações de trabalho, nas relações sociais, e o crescimento da violência urbana, entre outras.
De acordo com ela, os resultados dos trabalhos que vem conduzindo há duas décadas permitem constatar que tais transformações têm um significado especial para o indivíduo e acabam por afetar de alguma forma a sua qualidade de vida, seja em suas condições objetivas (moradia, transporte, emprego, salário), seja em suas condições subjetivas (culturais, afetivas, sexuais, espirituais, valores e crenças).
Supõe-se também que aquelas mudanças estejam relacionadas com situações significativas que promovem o adoecimento humano. Contudo, observa Sônia, na maioria das vezes a literatura corrente as relaciona apenas ao adoecimento físico (como doenças cardiovasculares, desnutrição, doenças do aparelho respiratório, doenças musculares), não se permitindo aprofundá-la também em relação ao sofrimento mental.
Conforme ela pondera ainda, o fenômeno da depressão está atrelado, primordialmente, à abordagem psiquiátrica, excluindo outras possibilidades analíticas que, em última instância, refletem na atuação e conduta dos profissionais de saúde para com o paciente depressivo.
“Considerações de ordem socioambiental e cultural têm pouco espaço de contribuição, postergando as análises psicanalíticas, e mesmo sociológicas para um lugar pouco valorizado”, enfatiza Sônia, que é doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp.
Via crucis
Mudar esse quadro, no sentido de situar as “dores da alma” como uma categoria capaz de auxiliar na compreensão da realidade e complexidade da vida contemporânea, tem sido o compromisso da pesquisadora desde que despertou para a temática ao analisar, em 1990, ainda em seu mestrado, os impactos da implantação do pólo petroquímico da Petrobras (Replan) na saúde da população do município de Paulínia (SP).
Ao longo dos seis anos seguintes, durante o doutorado, constatou a ocorrência de diagnósticos de depressão e outros sofrimentos psíquicos oriundos de transformações socioambientais entre moradores de outras quatro cidades de São Paulo (Campinas, Sumaré, Piracicaba e Bragança Paulista), particularmente relacionados à industrialização, migração e degradação dos rios integrantes da bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
O enfoque primordial de seus estudos, explica Sônia, adveio da observação de usuários de serviços básicos de saúde que se repetiam exaustivamente nas consultas com sintomas mórbidos de dores, sensações corpóreas, insônia, tristeza, medo, dentre outros, “refletindo em seus corpos uma dor do existir social, traduzido pela ausência de expressão verbal e política, e a inexistência de um projeto social e coletivo de vida”.
Para esses usuários, prossegue a socióloga, a trajetória não foi nada fácil, pois representou uma penosa via sacra por várias especialidades médicas na busca de tratamento, até serem por fim acolhidos na área de saúde mental, com todo o significado que isso implica: “alta medicalização, surtos psicóticos e internações hospitalares, bem como a perda de referências importantes para o viver”.
Em 2002, ela redirecionou o foco de suas pesquisas, buscando identificar a presença de depressão entre os moradores de um lugarejo ao qual dificilmente se relacionaria o transtorno: Itaipu, uma bucólica e paradisíaca vila de pescadores artesanais no litoral fluminense. Mas encontrou um número significativo de pessoas residentes nesta comunidade diagnosticadas pelo serviço de saúde pública como portadores de depressão, síndrome do pânico e outros sofrimentos psíquicos. Os mesmos achados se repetiram em diagnósticos de médicos psiquiatras da rede pública quando desenvolveu, dois anos depois, estudo semelhante em quatro municípios do litoral norte paulista.
“É comum na literatura corrente associar a presença de depressão ao tecido urbano industrial. No entanto, ao confirmar sua presença de forma significativa em comunidades litorâneas, as pesquisas indicaram que os estados depressivos e outros transtornos mentais tornaram-se expressivos em diversificados grupos sociais e não estão mais restritos a comunidades eminentemente urbanas, mas sim bastante disseminados na sociedade contemporânea sem distinção de espaço geográfico”, argumenta Sônia, lembrando que os grupos sociais escolhidos para os estudos estão submetidos a transformações socioambientais bastante acentuadas nos últimos anos.
“Se por um lado, em Paulínia, encontra-se um pólo petroquímico que impõe limites expressivos no cotidiano da população, como poluição ambiental oriunda das indústrias e violência urbana, dentre as mais importantes, em Itaipu percebe-se uma comunidade desterritorializada, impedida de viver da pesca artesanal, seja em função da agressiva especulação imobiliária que assola a região oceânica na qual a colônia se insere, ou mesmo em função da presença marcante do narcotráfico na região”, ilustra a pesquisadora do Nepam.
Caiçara expulso
Assim como em Itaipu, a região do litoral norte paulista vem passando por profundas e significativas mudanças socioambientais decorrentes da explosão do mercado imobiliário, com a instalação da indústria do turismo veranista. Tal fator, explica Sônia, deflagrou conflitos entre os moradores nativos (caiçaras) e os estrangeiros (turistas), que se apropriam do espaço e se apossam do lugar, trazendo novos valores e, muitas vezes, abafando ou modificando valores tradicionais.
Tais impactos, mostra a investigação por ela coordenada, se refletem na degradação da qualidade ambiental e descaracterizam o modo de vida de seus moradores nos aspectos econômico (afetando a pesca artesanal e a agricultura de subsistência), cultural e social. A especulação imobiliária trouxe a reboque outro agravante: a migração. Atraídos por empregos na construção civil, na última década, um grande número de migrantes, provenientes sobretudo do norte de Minas e sertão da Bahia, veio a ocupar a região de forma desordenada, originando problemas de moradia – devido à ocupação irregular das encostas –, saneamento básico, estrangulamento dos serviços públicos (normalmente precários), e, com o declínio do mercado imobiliário, de desemprego.
Emblemática da deterioração da qualidade de vida é a diminuição da população de pescadores, como resultado da desvalorização da atividade pesqueira. O tradicional caiçara, espoliado de seu modo habitual de produção, e, principalmente de sua terra, viu-se obrigado a procurar novos meios de sobrevivência, como empregos domésticos (caseiros e vigias), na construção civil e em pequenos comércios regionais.
“Essas transformações geram um impacto significativo na qualidade de vida das comunidades, já que existe uma íntima relação entre a pessoa e seu habitat. No caso das famílias pobres, o sentimento de ser marginal, de estar fora dos padrões de moradia e de consumo decorrentes, é um fator-chave para que a segregação produza efeitos profundos de desintegração social, conduzindo a um grande desgaste psíquico e emocional”, afirma Sônia.
Desilusão
O seu mais recente estudo, financiado pela Fapesp e realizado com a colaboração de João Luiz de Moraes Höeffel (professor da USF, em Bragança Paulista, que tem trabalhado outros aspectos socioambientais na região), investigou, entre 2003 e 2008, a qualidade de vida dos moradores de dois bairros rurais das cidades de Nazaré Paulista e Vargem (SP).
Os municípios, assim como cinco outros pertencentes à Área de Preservação Ambiental (APA) do Sistema Cantareira (Atibaia, Bragança Paulista, Joanópolis, Mairiporã e Piracaia) sofreram as consequências da construção dos reservatórios do sistema de abastecimento de água para a cidade de São Paulo, entre 1969 e 1983. Na ocasião foram inundados casas de sitiantes, extensas áreas agrícolas, capelas e diversos tipos de comércio, provocando dessa forma uma intensa reconfiguração da estrutura econômica, da paisagem e das relações socioculturais. Houve ainda na região a ampliação das rodovias D. Pedro I e Fernão Dias.
“Acredita-se que esses eventos causaram uma intensa ruptura social, ambiental, econômica e cultural através de extraordinárias mudanças impostas à região, alterando tanto o ambiente, quanto a qualidade de vida da população”, aponta Sônia.
Segundo ela, muitas das diferentes maneiras que seus moradores têm encontrado para lidar com as transformações podem ocorrer por meio do sofrimento psíquico, devido à presença de um número assustador de diagnósticos de depressão apurado nos prontuários de atendimento da área de psicologia de adultos, em Nazaré Paulista: nada menos que 24% da população adulta de usuários do serviço, naquele período. A estatística média mundial é de 3% a 10% nos serviços de saúde primários.
Para Sônia, os achados dos estudos permitem consolidar a hipótese de que as transformações socioambientais, principalmente as ocorridas nas quatro últimas décadas, têm sido fundamentais e contribuintes do quadro de transtornos psíquicos que se manifesta na população e que acaba sendo, por fim, diagnosticado e tratado clinicamente como depressão. As investigações pretendem, portanto, ser uma contribuição importante para os trabalhos nas áreas de teoria social, sociologia ambiental e de saúde mental, já que essa morbidade, a despeito de sua significativa importância no contexto contemporâneo, carece de outras interpretações interdisciplinares.
Para fazer a gelatina com a cabeça do peixe ou o caviar caseiro a partir das ovas, siga os bons conselhos de Sonia Hirsch, nos links e receitas abaixo.
Em tempo, não defendo que ninguém comece a comer peixe ou qualquer outro derivado animal por causa das receitas, mesmo o consumo de mel de abelhas impacta no meio-ambiente, além das condições sempre suspeitas em que os animais são mantidos.
Cabeça de peixe faz bem
Primeiro lava bem a cabeça do peixe - só tem que estar muito fresca. Cozinha com água, limão e temperos por meia hora. Sal, nunca: às vezes shoyu, na hora de comer.
Dispensa os olhos e tira com paciência todos os ossinhos, espremendo bem para aproveitar todos os caldos e cartilhagens.A carne, bem como a água dos ossinhos, volta para o caldo - que às vezes leva alho e cebola, às vezes só muito alho, bastante salsa e cebolinha, freqüentemente alecrim e vira um molho gelatinoso, bom para acompanhar legumes cozidosOu se batido no liquificador, com muito pouca água e 3 dentes de alho cru, vira uma gelatina dura, que desenforma e tudo, ideal para ser servida como pastinha. Vão jurar que é de atum-sardinha em lata com maionese e endurecido com gelatina em pó sem sabor. E nem precisa da maionese ou da gelatina industriais.
A água que sobrou do cozimento, ainda pode cozinhar feijão, arroz ou mesmo servir de base para outras sopas.
Para ver como fazer esse caldo de peixe, leia a postagem onde se ensina o passo a passo: Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Caviar caseiro em Minha mãe cozinhava assim
Sonia comprou ovas de tainha na feira e se refestelou, transcrevo na íntegra:
"Lavei, limpei minimamente e fiz o resto lembrando dos gestos de minha mãe: sal no prato, as ovas, sal por cima, tudo inclinado para a água escorrer. Deu certíssimo, a ova ficou salgada em oito horas. Retirei o excesso e deixei secar.
O resultado foi uma iguaria das mais finas, característica da Sicília, da Grécia, da Turquia, a bottarga, ou boutargue, que se desmancha com miolo de pão e temperos e vira patê – tarama salata – ou se come em fatias finíssimas, sobre uma torrada, com gotinhas de limão.
Maio e junho são os meses em que as ovas costumam aparecer na feira, se você quiser fazer em casa. Se não, japoneses também são adeptos, e com sorte se encontram ovas secas salgadas, de tainha ou de atum, nas lojas especializadas."
Para ver como fazer esse caviar caseiro, veja apostagem "Caviar doméstico e Ceviche Panamenho"
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Malha cicloviária carioca
A Zona Oeste será a primeira área da cidade a ser contemplada com um moderno sistema de integração de sua malha cicloviária, que vai interligar os terminais de transporte (ônibus e trens) e os diversos centros de comércio e serviços da região por meio de ciclovias. O projeto, que prevê a implantação de um total de 22 quilômetros de pistas, atravessando diversos bairros, reforça os objetivos do “Rio Capital da Bicicleta”, programa estratégico da Prefeitura, executado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Com a modernização do sistema cicloviário, a ideia é estimular o uso da bicicleta por ser um veículo não motorizado, não poluente e ao mesmo tempo alinhado às medidas que o governo vem empreendendo para redução de emissão de gases de efeito estufa. O processo licitatório foi aberto com a publicação do edital para a contratação das obras de Implantação de Ciclovias Integradoras da Zona Oeste, região que detém o maior índice de usuários de bicicletas da cidade.
Fonte: Portal Prefeitura RJ
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E se cada família chinesa comprar 1 carro?
1 bicleta a mais = 1 carro a menos
Bicicletas e veículos elétricos
54 pessoas = 54 bicicletas, 54 carros ou 1 único ônibus
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Embalagem de fécula de mandioca e bioespuma de cogumelo
A Taeq anunciou e não cumpriu, divulgou bandejas biodegradáveis para horti-fruti e as mesmas nunca compostaram, além de virem com a simbologia do poliestireno em algumas unidades.
Leia mais em Embalagem inteligente e Embalagem compostada, onde há também link externo para o plástico- filme biodegradável desenvolvido aqui no Brasil
Agora, a Korin cumpre o que promete, embala e distribui seus produtos, disponibilizando as embalagens sustentáveis com etiqueta informativa.
"Embalagem em Fécula de Mandioca. Biodegradável e Compostável."
Veja a imagem abaixo:
Verifiquei pessoalmente a diferença entre a embalagem de fécula de mandioca e a embalagem convencional da Taeq (sem qualquer menção ao polietileno) e asseguro que são completamente diferentes. A embalagem em fécula é inconfundível com a de isopor, sua textura lembra a de "caixa de ovo a granel", além de ter memória e manter os amassados, é dobrável e fosca.
Sobre a bioespuma de cogumelos, veja o link do Inovação Tecnoclógica , o conteúdo segue abaixo:
O poliestireno expandido, mais conhecido pelo termo genérico isopor, é um dos produtos para embalagens de maior sucesso no mercado, graças à sua incrível combinação de leveza e resistência.
Mas ele está longe de ser considerado verde, ou ambientalmente amigável.
Mas, e que tal uma "bioespuma", um material para embalagens igualmente leve e resistente, mas feita usando rejeitos agrícolas e cogumelos?
Foi justamente isso o que desenvolveram pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos.
Espuma de cogumelo
O compósito, já batizado de Mycobond, é fabricado a partir de resíduos agrícolas, usados como substrato para o crescimento dos cogumelos que são a base de sua fabricação.
O processo da fabricação, ou de "cultivo", do novo material para embalagens requer apenas um oitavo da energia e emite apenas um décimo do dióxido de carbono da tradicional espuma de embalagem.
E, ao contrário de outros substitutos do isopor, quando não for mais útil, a embalagem feita de cogumelos pode se transformar em um excelente adubo para o jardim.
Gavin McIntyre e Eben Bayer, que desenvolveram o novo material biológico e biodegradável para embalagens, receberam apoio de sua instituição para criar a empresa Ecovative Design, que pretende levar a ideia para o mercado.
"Nós não vamos fabricar materiais, nós vamos cultivá-los," afirma McIntyre. "Estamos convertendo subprodutos agrícolas em um produto de maior valor."
Os pesquisadores afirmam que o novo produto terá ainda uma outra vantagem. Por não depender das matérias-primas tradicionais, o material não deverá sofrer as flutuações de preço características dos materiais sintéticos à base de petróleo.
Desinfecção biológica
A Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos acaba de aprovar um financiamento para que os cientistas desenvolvam uma técnica menos intensiva em energia para esterilizar os resíduos agrícolas, um passo essencial para que os cogumelos possam usá-los como substrato para crescer.
McIntyre e Bayer estão substituindo o processo térmico a vapor por um tratamento feito com óleo de casca de canela, óleo de tomilho, orégano e óleo de citronela.
O processo de esterilização mata todos os esporos que poderiam competir com os cogumelos, permitindo que estes cresçam ao ar livre, dispensando os ambientes controlados usados atualmente.
"O processo de desinfecção biológica simplesmente emula a natureza," diz McIntyre, "na medida que usa compostos que as plantas têm aprimorado ao longo dos séculos para inibir o crescimento microbiano. O resultado não intencional é que a nossa fábrica cheira igual a uma pizzaria."
Com base nas medições iniciais, as melhorias na fase de esterilização deverão reduzir a energia de todo o processo produtivo para produzir a nova espuma para um quadragésimo da energia necessária para produzir o poliestireno expandido.
Mais informação:
O custo de uma salada embalada
Bisfenol-A mata e é banido das embalagens
Os perigos do plástico para a saúde
Tetrapack não recicla
Cozinha sem tupperware
Leia mais em Embalagem inteligente e Embalagem compostada, onde há também link externo para o plástico- filme biodegradável desenvolvido aqui no Brasil
Agora, a Korin cumpre o que promete, embala e distribui seus produtos, disponibilizando as embalagens sustentáveis com etiqueta informativa.
"Embalagem em Fécula de Mandioca. Biodegradável e Compostável."
Veja a imagem abaixo:
Verifiquei pessoalmente a diferença entre a embalagem de fécula de mandioca e a embalagem convencional da Taeq (sem qualquer menção ao polietileno) e asseguro que são completamente diferentes. A embalagem em fécula é inconfundível com a de isopor, sua textura lembra a de "caixa de ovo a granel", além de ter memória e manter os amassados, é dobrável e fosca.
Sobre a bioespuma de cogumelos, veja o link do Inovação Tecnoclógica , o conteúdo segue abaixo:
O poliestireno expandido, mais conhecido pelo termo genérico isopor, é um dos produtos para embalagens de maior sucesso no mercado, graças à sua incrível combinação de leveza e resistência.
Mas ele está longe de ser considerado verde, ou ambientalmente amigável.
Mas, e que tal uma "bioespuma", um material para embalagens igualmente leve e resistente, mas feita usando rejeitos agrícolas e cogumelos?
Foi justamente isso o que desenvolveram pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos.
Espuma de cogumelo
O compósito, já batizado de Mycobond, é fabricado a partir de resíduos agrícolas, usados como substrato para o crescimento dos cogumelos que são a base de sua fabricação.
O processo da fabricação, ou de "cultivo", do novo material para embalagens requer apenas um oitavo da energia e emite apenas um décimo do dióxido de carbono da tradicional espuma de embalagem.
E, ao contrário de outros substitutos do isopor, quando não for mais útil, a embalagem feita de cogumelos pode se transformar em um excelente adubo para o jardim.
Gavin McIntyre e Eben Bayer, que desenvolveram o novo material biológico e biodegradável para embalagens, receberam apoio de sua instituição para criar a empresa Ecovative Design, que pretende levar a ideia para o mercado.
"Nós não vamos fabricar materiais, nós vamos cultivá-los," afirma McIntyre. "Estamos convertendo subprodutos agrícolas em um produto de maior valor."
Os pesquisadores afirmam que o novo produto terá ainda uma outra vantagem. Por não depender das matérias-primas tradicionais, o material não deverá sofrer as flutuações de preço características dos materiais sintéticos à base de petróleo.
Desinfecção biológica
A Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos acaba de aprovar um financiamento para que os cientistas desenvolvam uma técnica menos intensiva em energia para esterilizar os resíduos agrícolas, um passo essencial para que os cogumelos possam usá-los como substrato para crescer.
McIntyre e Bayer estão substituindo o processo térmico a vapor por um tratamento feito com óleo de casca de canela, óleo de tomilho, orégano e óleo de citronela.
O processo de esterilização mata todos os esporos que poderiam competir com os cogumelos, permitindo que estes cresçam ao ar livre, dispensando os ambientes controlados usados atualmente.
"O processo de desinfecção biológica simplesmente emula a natureza," diz McIntyre, "na medida que usa compostos que as plantas têm aprimorado ao longo dos séculos para inibir o crescimento microbiano. O resultado não intencional é que a nossa fábrica cheira igual a uma pizzaria."
Com base nas medições iniciais, as melhorias na fase de esterilização deverão reduzir a energia de todo o processo produtivo para produzir a nova espuma para um quadragésimo da energia necessária para produzir o poliestireno expandido.
Mais informação:
O custo de uma salada embalada
Bisfenol-A mata e é banido das embalagens
Os perigos do plástico para a saúde
Tetrapack não recicla
Cozinha sem tupperware
domingo, 8 de agosto de 2010
O custo de uma salada embalada
"No que se refere aos alimentos, pelo contrário, mudamos o olhar: aquilo que pode parecer uma renúncia pode ser, ao invés disso, uma vantagem."
A análise é de Carlo Petrini, chef italiano e presidente e fundador do movimento Slow Food, em artigo para o jornal La Repubblica, 31-07-2010.
A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Quando os italianos sentem a crise, os dados estatísticos nos dizem pontualmente que o primeiro consumo que é cortado é a comida: menos 3% de verduras, menos 1,5% de óleo, menos 10% de carne. Desperdiçam-se cifras negativas. Primeiro, acolhemos a notícia com preocupação e tristeza, mas o dado bruto deve ser examinado profunda e criticamente. Seria preciso perguntar-se “como” os italianos estão acostumados a gastar com alimentos, e não apenas “quanto”.
Existem diversos modos para viver bem, também em tempos de crise – muito acima de uma banal e insossa existência como “consumidores” –, até economizando algum dinheiro. É também verdade que, apesar do fato dos preços dos produtos agrícolas italianos estarem no nível mais baixo de sempre, reduzindo os agricultores a trabalhar quase todos com perdas, no detalhe os preços parecem não cair mais. É um pouco como a gasolina: sobe quando o barril de petróleo sobe, mas depois, quando a matéria-prima custa menos, não há reduções. Seguramente, existe a necessidade de preços mais justos para todos, mas reflitamos sobre por que, enquanto isso, nós continuamos impassíveis com opções de compra não sustentáveis, nem para o meio ambiente, nem para os bolsos.
Por exemplo, a salada de “quarta gama”, isto é, aquela já lavada, cortada, embalada em potes ou sacos e pronta para o uso, custa de seis a sete vezes mais do que a que é comprada fresca no mercado.
É um setor em crescimento contínuo há pelo menos dez anos, que gera margens de ganho conspícuos às empresas produtoras. Na Itália, alcançamos a segunda posição na Europa em vendas de quarta gama. No supermercado, essas saladas são encontradas a partir de cerca de 7 euros por quilo, embora não seja tão difícil o preço subir depois. Depende se há mais tipologias de saladas misturadas, ou a complexidade das embalagens para manter separados os diversos componentes. A embalagem tem seu custo.
Depois, talvez coloquem-nos variedades um pouco mais caras, e o preço sobe, embora, na realidade, o valor é discutível, porque as saladas de quarta gama são todas obtidas com variedades selecionadas e cultivadas propositalmente para satisfazer os procedimentos industriais necessários.
Enfim, mesmo que se trate de chicória, sempre é uma chicória também de “quarta gama”. Enfim, existe a variedade vegetal: vi nos supermercados duas saladas embaladas, iguais em todos os ingredientes, exceto que, em uma das duas, havia cenouras cortadas em pedaços. Pois bem, esta última custava 25 centavos a mais na embalagem de 200 gramas. Por quilo, chega a 1,25 euro. Esse seria o preço de um punhadinho de cenouras, que nem chegam a uma inteira, cenouras que são pagas a 9 centavos por quilo para o agricultor?
Sete euros por quilo por uma salada! E atenção: nós a compramos já pronta para economizar tempo, mas muitas vezes acabamos lavando-a novamente, porque não confiamos nas “atmosferas modificadas” em que são produzidas.
Mas não é só a salada: vi uma embalagem de massa pré-cozida com molho basílico e mussarela a quase três euros por um par de porções. Deve ser fritada por cerca de sete minutos. Se faço as contas, com duas porções de massa ao molho basílico e mussarela cozida com os ingredientes frescos, gasto a metade e, para fazê-la, gasto cerca de dez minutos, o tempo de cozimento da massa, enquanto preparo o molho.
À parte o fato de que eu desconfio de qualquer pessoa que me diga que aquela massa pré-cozida e congelada é melhor do que uma preparada na hora, por que tantas pessoas fazem essas escolhas ilógicas, apesar da crise? Lamentamo-nos de que a comida é cara, mas uma vez diante das prateleiras do supermercado deixamos de lado o raciocínio e pagamos sem nem piscar os olhos. Pagamos, convictos de que ir ao mercado do hortifrutigranjeiro ou do agricultor nos leve muito tempo, que lavar a salada nos leve muito tempo, que cozinhar matérias-primas simples nos leve muito tempo. Tempo precioso, que somos dispostos resignadamente a pagar, e pagar caro.
Mas esses minutos, essa horinha diária economizada, não valem verdadeiramente o nosso dinheiro? Esse tempo livre diário, como o empregaremos? Em atividades recreativas, relações interpessoais satisfatórias, enriquecimento dos próprios interesses culturais? Não acredito. Parece-me mais difundido o hábito de se isolar diante de uma tela, de TV ou de computador, afundados na nossa preguiça mental rotineira.
Para alguns, o tempo “liberado” serve até para trabalhar mais. Mais dinheiro dá a possibilidade de satisfazer necessidades fictícias, de comprar objetos inúteis, dentre os quais até comida pré-pronta. Nunca como hoje, talvez, a humanidade do Ocidente teve potencialmente tanto tempo livre à disposição, mas ele é vivido como um recipiente a ser preenchido, planejando de forma consumista atividades, encontros, aquisições, para enganar o vazio que nos dá medo.
Mas voltemos à estatística alarmante da queda dos consumos alimentares como sinal de piora das condições econômicas. Um dos dados mais enfatizados refere-se à carne. “Queda no consumo de carne”: isso é evidenciado como se fosse uma coisa preocupante, mas não é verdade. Porque, sim, comemos muita carne, segundo os nutricionistas. E além disso as criações intensivas têm consequências ambientais assustadores.
Para produzir um quilo de carne, são necessários mais de 15 mil litros de água, e de um lado da fila estão monoculturas de cereais para a ração insustentável, tanto do ponto de vista energético, quanto ambiental. Do outro, dejetos poluidores para solos e camadas aquíferas, além de emissões excessivas de gás metano e de CO2, responsáveis pelas mudanças climáticas. Se todos no mundo comessem os cerca de 90 quilos per capital que um italiano consome em média, o planeta entraria em colapso.
O fato de que se come menos carne deveria ser considerado um dado positivo. Em todo o momento de crise, também nas passagens dolorosas, pode haver uma oportunidade nova. O exemplo mais evidente é justamente o da possibilidade de mudar os nossos consumos alimentares. Sem renunciar às nossas necessidades energéticas e nem às gratificações que a comida pode nos dar, ou melhor, ganhando em saúde.
Privilegiar a aquisição de matérias-primas simples de cozinhar nos dá a possibilidade de economizar, assegurando-nos uma maior qualidade e frescor. Lembremos que é justamente o frescor dos alimentos que nos garante uma relação ideal de nutrientes. A ausência ou a quase ausência de manipulação e de acréscimos é o modo mais fácil para reconhecer a qualidade de um alimento. Procurar canais alternativos para a despensa, diretamente do produtor ou nos mercados agrícolas, é um outro modo vantajoso para mudar de hábitos.
Por fim, existe o desperdício. Não é o caso de se alongar muito: aquelas 4 mil toneladas por dia de alimentos ainda utilizáveis que são jogados no lixo na Itália falam por si mesmas e exigem vingança. Sabe-se lá quantas saladas de quarta gama, que venceram nas prateleiras do supermercado, ou que murcharam em nossas geladeiras, concorrem para atingir a quantia de 4 mil toneladas.
Enfim, a crise certamente nos coloca diante de grandes dificuldades, no campo do trabalho, por causa da falta de recursos financeiros, o corte de serviços essenciais, as consequências sempre mais pesadas para a degradação ambiental. Dedicamos a esses problemas as estatísticas alarmantes. No que se refere aos alimentos, pelo contrário, mudamos o olhar: aquilo que pode parecer uma renúncia pode ser, ao invés disso, uma vantagem.
Fonte: Ecodebate
Para se aprofundar na questão: livros e filmes
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Quando os italianos sentem a crise, os dados estatísticos nos dizem pontualmente que o primeiro consumo que é cortado é a comida: menos 3% de verduras, menos 1,5% de óleo, menos 10% de carne. Desperdiçam-se cifras negativas. Primeiro, acolhemos a notícia com preocupação e tristeza, mas o dado bruto deve ser examinado profunda e criticamente. Seria preciso perguntar-se “como” os italianos estão acostumados a gastar com alimentos, e não apenas “quanto”.
Existem diversos modos para viver bem, também em tempos de crise – muito acima de uma banal e insossa existência como “consumidores” –, até economizando algum dinheiro. É também verdade que, apesar do fato dos preços dos produtos agrícolas italianos estarem no nível mais baixo de sempre, reduzindo os agricultores a trabalhar quase todos com perdas, no detalhe os preços parecem não cair mais. É um pouco como a gasolina: sobe quando o barril de petróleo sobe, mas depois, quando a matéria-prima custa menos, não há reduções. Seguramente, existe a necessidade de preços mais justos para todos, mas reflitamos sobre por que, enquanto isso, nós continuamos impassíveis com opções de compra não sustentáveis, nem para o meio ambiente, nem para os bolsos.
Por exemplo, a salada de “quarta gama”, isto é, aquela já lavada, cortada, embalada em potes ou sacos e pronta para o uso, custa de seis a sete vezes mais do que a que é comprada fresca no mercado.
É um setor em crescimento contínuo há pelo menos dez anos, que gera margens de ganho conspícuos às empresas produtoras. Na Itália, alcançamos a segunda posição na Europa em vendas de quarta gama. No supermercado, essas saladas são encontradas a partir de cerca de 7 euros por quilo, embora não seja tão difícil o preço subir depois. Depende se há mais tipologias de saladas misturadas, ou a complexidade das embalagens para manter separados os diversos componentes. A embalagem tem seu custo.
Depois, talvez coloquem-nos variedades um pouco mais caras, e o preço sobe, embora, na realidade, o valor é discutível, porque as saladas de quarta gama são todas obtidas com variedades selecionadas e cultivadas propositalmente para satisfazer os procedimentos industriais necessários.
Enfim, mesmo que se trate de chicória, sempre é uma chicória também de “quarta gama”. Enfim, existe a variedade vegetal: vi nos supermercados duas saladas embaladas, iguais em todos os ingredientes, exceto que, em uma das duas, havia cenouras cortadas em pedaços. Pois bem, esta última custava 25 centavos a mais na embalagem de 200 gramas. Por quilo, chega a 1,25 euro. Esse seria o preço de um punhadinho de cenouras, que nem chegam a uma inteira, cenouras que são pagas a 9 centavos por quilo para o agricultor?
Sete euros por quilo por uma salada! E atenção: nós a compramos já pronta para economizar tempo, mas muitas vezes acabamos lavando-a novamente, porque não confiamos nas “atmosferas modificadas” em que são produzidas.
Mas não é só a salada: vi uma embalagem de massa pré-cozida com molho basílico e mussarela a quase três euros por um par de porções. Deve ser fritada por cerca de sete minutos. Se faço as contas, com duas porções de massa ao molho basílico e mussarela cozida com os ingredientes frescos, gasto a metade e, para fazê-la, gasto cerca de dez minutos, o tempo de cozimento da massa, enquanto preparo o molho.
À parte o fato de que eu desconfio de qualquer pessoa que me diga que aquela massa pré-cozida e congelada é melhor do que uma preparada na hora, por que tantas pessoas fazem essas escolhas ilógicas, apesar da crise? Lamentamo-nos de que a comida é cara, mas uma vez diante das prateleiras do supermercado deixamos de lado o raciocínio e pagamos sem nem piscar os olhos. Pagamos, convictos de que ir ao mercado do hortifrutigranjeiro ou do agricultor nos leve muito tempo, que lavar a salada nos leve muito tempo, que cozinhar matérias-primas simples nos leve muito tempo. Tempo precioso, que somos dispostos resignadamente a pagar, e pagar caro.
Mas esses minutos, essa horinha diária economizada, não valem verdadeiramente o nosso dinheiro? Esse tempo livre diário, como o empregaremos? Em atividades recreativas, relações interpessoais satisfatórias, enriquecimento dos próprios interesses culturais? Não acredito. Parece-me mais difundido o hábito de se isolar diante de uma tela, de TV ou de computador, afundados na nossa preguiça mental rotineira.
Para alguns, o tempo “liberado” serve até para trabalhar mais. Mais dinheiro dá a possibilidade de satisfazer necessidades fictícias, de comprar objetos inúteis, dentre os quais até comida pré-pronta. Nunca como hoje, talvez, a humanidade do Ocidente teve potencialmente tanto tempo livre à disposição, mas ele é vivido como um recipiente a ser preenchido, planejando de forma consumista atividades, encontros, aquisições, para enganar o vazio que nos dá medo.
Mas voltemos à estatística alarmante da queda dos consumos alimentares como sinal de piora das condições econômicas. Um dos dados mais enfatizados refere-se à carne. “Queda no consumo de carne”: isso é evidenciado como se fosse uma coisa preocupante, mas não é verdade. Porque, sim, comemos muita carne, segundo os nutricionistas. E além disso as criações intensivas têm consequências ambientais assustadores.
Para produzir um quilo de carne, são necessários mais de 15 mil litros de água, e de um lado da fila estão monoculturas de cereais para a ração insustentável, tanto do ponto de vista energético, quanto ambiental. Do outro, dejetos poluidores para solos e camadas aquíferas, além de emissões excessivas de gás metano e de CO2, responsáveis pelas mudanças climáticas. Se todos no mundo comessem os cerca de 90 quilos per capital que um italiano consome em média, o planeta entraria em colapso.
O fato de que se come menos carne deveria ser considerado um dado positivo. Em todo o momento de crise, também nas passagens dolorosas, pode haver uma oportunidade nova. O exemplo mais evidente é justamente o da possibilidade de mudar os nossos consumos alimentares. Sem renunciar às nossas necessidades energéticas e nem às gratificações que a comida pode nos dar, ou melhor, ganhando em saúde.
Privilegiar a aquisição de matérias-primas simples de cozinhar nos dá a possibilidade de economizar, assegurando-nos uma maior qualidade e frescor. Lembremos que é justamente o frescor dos alimentos que nos garante uma relação ideal de nutrientes. A ausência ou a quase ausência de manipulação e de acréscimos é o modo mais fácil para reconhecer a qualidade de um alimento. Procurar canais alternativos para a despensa, diretamente do produtor ou nos mercados agrícolas, é um outro modo vantajoso para mudar de hábitos.
Por fim, existe o desperdício. Não é o caso de se alongar muito: aquelas 4 mil toneladas por dia de alimentos ainda utilizáveis que são jogados no lixo na Itália falam por si mesmas e exigem vingança. Sabe-se lá quantas saladas de quarta gama, que venceram nas prateleiras do supermercado, ou que murcharam em nossas geladeiras, concorrem para atingir a quantia de 4 mil toneladas.
Enfim, a crise certamente nos coloca diante de grandes dificuldades, no campo do trabalho, por causa da falta de recursos financeiros, o corte de serviços essenciais, as consequências sempre mais pesadas para a degradação ambiental. Dedicamos a esses problemas as estatísticas alarmantes. No que se refere aos alimentos, pelo contrário, mudamos o olhar: aquilo que pode parecer uma renúncia pode ser, ao invés disso, uma vantagem.
Fonte: Ecodebate
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Bolo Bolo e a vida num mundo sem dinheiro
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Aquecedor solar de baixo custo: faça o seu em casa
O pessoal da Aquecedor Solar de Baixo Custo, ministra cursos e palestras onde ensina as pessoas a fazer seu próprio aquecedor solar. Num país tropical como o Brasil, um pequeno aquecedor solar doméstico pode ser a solução para diminuir a dependência ao aquecedor a gás, além da facilidade de aplicação do projeto em comunidades carentes.
Visite o site do projeto, baixe o manual gratuito no site da Sociedade do Sol e reduza a conta de luz, eliminando o chuveiro elétrico. Aproveite que vai fazer uma "obrinha" e instale uma calha para coleta de águas pluviais.
Leia em O Globo sobre o lançamento do chuveiro "flex", onde a fonte de energia pode ser escolhida: solar ou elétrica.
O Brasil é um país solar, eólico e de marés, nosso programa nuclear é um equívoco.
Mais informação:
Carro solar com piloto automático
Avião solar
Torre Solar para geração de energia em larga escala
Ilhas solares para geração concentrada de energia
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Como funciona a indústria de cosméticos: toxidade e poluição irregulares
Carol Areas, do Terapia Floral, mandou esse vídeo incrível de presente, o pessoal da Cosméticos livres de crueldade já havia postado e aproveito também para divulgar, é revelador como um filme do Michael Moore e rapidinho.
O filme explica como substâncias como cromo e mercúrio vão parar no seu batom e até em xampus para bebês, contaminando a água da cidade onde a indústria se localiza e até os funcionários da linha de produção, além de praticarem biopirataria.
Veja como o Ibama multou a Natura e outras empresas de cosmético por biopirataria.
Assista a história de um sistema e sociedade em crise e repense se vale a pena comprar tanto sem saber o que se está levando. Uma mulher normal usa em média 12 cosméticos diferentes por dia, homens usam em torno de 6.
Para se aprofundar no assunto, visite também o site da Campanha pelos cosméticos seguros
Mais informação:
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A polêmica dos cosméticos verdes e um par de dicas do tempo da vovó
PasBas, plantas, flores e especiarias: você pode faer seu cosmético em casa
06 substâncias perigosas e 09 de origem animal que usamos inocentemente no dia a dia
Outros filmes da How stuff works:
A história da indústria de eletrônicos
A história da água engarrafada
A história da mudança
A história da falência
A história das coisas
O filme explica como substâncias como cromo e mercúrio vão parar no seu batom e até em xampus para bebês, contaminando a água da cidade onde a indústria se localiza e até os funcionários da linha de produção, além de praticarem biopirataria.
Veja como o Ibama multou a Natura e outras empresas de cosmético por biopirataria.
Assista a história de um sistema e sociedade em crise e repense se vale a pena comprar tanto sem saber o que se está levando. Uma mulher normal usa em média 12 cosméticos diferentes por dia, homens usam em torno de 6.
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