quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Armadilha caseira para mosquitos

Dica do Mãe de Cachorro muito útil nesse país com de endemias transmitidas por mosquitos, que ninguém consegue erradicar, e ainda reaproveita os pets.


Armadilha para Mosquitos

O que é preciso:
200 ml de água
50 gramas de açúcar mascavo (ou rapadura)
1 grama de levedura (compra na loja de produtos naturais)
e uma garrafa plástica de 2 litros

A seguir, os passos a desenvolver:

1. Corte uma garrafa de plástico no meio. Guardar a parte do gargalo



2. Misture o açúcar mascavo com água quente. Deixar esfriar depois e despejar na metade debaixo da garrafa


 
 
3. Acrescentar a Levedura . Não há necessidade de misturar. Ela liberará gases naturais da fermentação.




4. Colocar a parte do funil, virada para baixo, dentro da outra metade da garrafa.




5. Enrolar a garrafa com algo preto, menos a parte de cima, e colocar em algum canto de sua casa.



6. Em duas semanas você vai ver a quantidade de mosquitos que morreu lá dentro da garrafa





Mais informação:
Parasiticida biológico de sisal
Empresas de dedetização ecológica
Controle de pragas e pesticidas biodegradáveis
Mosca negra combatida sem usos de pesticidas na Paraíba
A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas)
Repelente caseiro de limão com cravo da Índia e o mata-rato de feijão branco

sábado, 25 de setembro de 2010

Tubarões no Brasil


Eles metem medo, estão entre nós desde a pré-história e são os seres mais bem adaptados do planeta - não dormem, aguentam águas frias e quentes, não andam em bando e, para nosso pavor, não dão "aviso-prévio" quando atacam.
A imagem da barbatana perseguindo mocinhas de biquini eternizada pelo cinema blockbuster, não existe na vida real. Tubarões atacam vindo do fundo, até pela vantagem e, em quase 100% dos casos, são ataques causados por nós, humanos (carne estranha e pouco apetitosa ao peixe em questão), que pescamos seus cardumes, poluímos suas águas (as tornando escuras) e invadimos suas áreas de procriação.

Para entender sobre o assunto, leia o melhor livro escrito em português "Tubarões no Brasil" e visite o site do Instituto Aqualung que, entre outras ações, lidera a Campanha Nacional contra o consumo de barbatanas de tubarões "Protuba" e promove seminários na área de conscientização ambiental.

2 exemplos bem sucedidos de convivência pacífica: Cindy, tubarão fêmea incapaz de atacar o pescador que a salvou de sua rede e o vídeo abaixo sobre a mergulhadora que acarinha tubarões com sua luva de malha de ferro:




E se você pensa em fazer "ecoturismo" mergulhando em jaulas imersas em áreas de tubarões brancos atraídos por galões de sangue e víceras atirados pela tripulação, repense seriamente, os animais não associavam a figura humana a sangue e hoje, associam - o que causou aumento do número de ataques em áreas de balneário que eram sequer visitadas pelos animais.

Mais dicas para um turismo consciente em 10 pecados naturais do turismos sustentável



Mais Marcelo Szpillman:
O mito das emissões de carbono neutralizadas
Tubalhau, o contrassenso de Fernando de Noronha
Alerta de tubarão em Cabo Frio: necessário ou excesso de zelo

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Turismo sustentável: 10 pecados naturais


Se você conta os dias para curtir uma praia, aproveite para contar também até dez antes de maltratá-la

Por Tatiane Bernardi para Guia 4 Rodas, especial Praias 2010


1. A graminha que convive lado a lado com a praia já é renegada o suficiente. Imagina só concorrer com uma areia branquinha e um mar azulzinho? Então, não maltrate esse patinho feio pisando ainda mais em seu ego machucado. Aproveite as trilhas que já existem e não crie novas.

2. Sim, você tem lembranças lindas da sua infância, quando catava conchinhas sonhando com o futuro. Mas para garantir que seus netos também possam sonhar ao ver conchinhas, pedrinhas, moluscos, algas e mariscos, que tal deixar as coisas em seus devidos lugares?

3. Fazer hora extra no domingo comendo sanduba na frente do computador combina com a frase “que lixo!”. Mas praia não combina, certo? Portanto, lembre-se que uma garrafa de plástico demora 450 anos para se decompor e que sacos plásticos com restos de comida podem matar animais marinhos.

4. Sabe aquela vergonhinha alheia que você sente quando um amigo te mostra fotos de uma cavalgada na praia? E a vergonha que dá quando alguém fala que andou de “bugre” nas dunas? Então, mas sabe o que é muito pior? Gente que faz esse tipo de coisa em locais de desova de tartaruguinhas!

5. Quando o mar favorece, é inevitável que algum playboyzinho apareça com seus principais dotes praianos: lanchas, barcos e jet skis. Você pode até topar um passeio, mas ele só merece uma chance se nenhum desses derramar gasolina ou óleo no mar (e você só merece esse tipo de convite se não for o tipo que leva pinça para virilha e água oxigenada para os pêlos na praia)

6. Pesque apenas em épocas e locais permitidos. Ou faça como aquele cara que nem é tão bonito mas tem trinta mulheres no pé: pesque e solte.
Comentário meu (Carol): não pesque, vá mergulhar e ver os peixes no habitat deles. Mergulhadores tem ombros largos pela capacidade pulmonar expandida, pescadores geralmente são barrigudos de tanto ficar sentados.

7. Não faça amizade apenas com o italiano gatinho dono da pousada ou com as irmãs gaúchas do quarto ao lado. Valorize a cultura local. O turismo pode ser a única forma que os moradores locais têm para ser sustentar e permanecer lá.

8. Desenhar um coração com as iniciais do seu romance nas pedras do costão é coisa de quem não merece que o amor suba a serra. Quem vê alguém deteriorando patrimônios históricos e naturais deve denunciar aos órgãos competentes.

9. Verifique se o seu hotel aproveita a energia solar, faz compostagem do lixo orgânico, reutiliza a água e contrata funcionários locais. Nos restaurantes, se puder, opte por pratos feitos com ingredientes plantados na região.

10. O turismo sexual é crime e você deve denunciar! Já o sexo com seu moreco é mais do que permitido, desde que camisinhas não bóiem no mar e pedras não gemam fantasmagoricamente nas praias mais distantes.


Na dúvida, volte ao básico: deixe apenas pegadas, leve apenas lembranças e retire apenas fotografias.
Veja também a quantidade de vôos diários ao redor do planeta e como não se meter com os moradores mais antigos dos oceanos, os tubarões.



As fotos são minhas, de um dia de maré baixa em Copacabana, que rendeu muitas fotos, algumas disponíveis na postagem "O Rio de Janeiro continua lindo".


Mais informação:
Vá pegar uma praia
Sol, nutriente multiuso
Zoológicos x Reservas
O samba do crioulo doido
Algumas pousadas sustentáveis
O mar de lixo no Carnaval baiano
Mapa nacional de praias próprias para balneário
Férias de Verão em Natal (RN): Vamos passear de camelo em Genipabu? Não, obrigada!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

22 de Setembro: Dia mundial sem carro 2010


DIA MUNDIAL SEM CARRO é comemorado, em 22 de setembro, simultaneamente em diversas metrópoles do Planeta para conscientizar as pessoas sobre os danos da emissão de gases do efeito estufa e da importância do uso de transportes alternativos e de massa. No Centro da Cidade, a prefeitura vai dobrar, em relação ao ano passado, a área em que vai ser proibido o estacionamento de carros e motos. Outra medida, que será permanente, é a criação de nove zonas de 30km/h, que significa a redução do limite de velocidade e permite o tráfego de bicicletas e veículos em uma mesma via.

O movimento começou em algumas cidades da Europa nos últimos anos do século 20, e desde então vem se espalhando pelo mundo. No ano passado, a Cidade do Rio aderiu ao movimento e o impacto na cidade foi significativo. Segundo levantamento da Cet-Rio, houve redução média no tempo de percurso de 27% nas vias da cidade, chegando a 59% na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca.


DICAS IMPORTANTES

Você sabia que:
O uso da bicicleta triplicou em dez anos na cidade do Rio de Janeiro.
A metade dos transportes motorizados efetua percursos inferiores a 7km, distâncias curtas que poderiam ser percorridas de bicicleta.
Os automóveis são responsáveis por mais de 50% das emissões de poluentes nas cidades, prejudicando o meio ambiente e a saúde das pessoas.

Alguns benefícios do uso da bicicleta:
A bicicleta é um meio de transporte excelente para pequenas e médias distâncias,
É fácil para estacionar.
A bicicleta não polui nem faz ruídos.
A bicicleta é econômica.
O uso da bicicleta traz benefícios para a sua saúde e a da cidade.
A bicicleta integra espaços e favorece a aproximação entre pessoas.


Regras de convivência
Motorista:
O ciclista é um condutor como você. Ele faz parte do trânsito.
Mantenha distância segura do ciclista.
Respeite o ciclista e o pedestre: eles são os elementos mais frágeis do trânsito.

Ciclista:
Pedale na borda da via, sempre na sua mão de direção. Não pedale na contra-mão.
Nas calçadas sem ciclofaixas ou sem sinalização adequada, desça da bicicleta.
Refletores, espelho retrovisor, campainha e capacete são equipamentos necessários para sua segurança.
Toda vez que dobrar à direita ou à esquerda, sinalize com o braço.
Nas faixas compartilhadas entre pedestres e ciclistas, como a da Lagoa Rodrigo de Freitas, a preferência é sempre do pedestre.
Aos domingos e feriados, a área de lazer da orla é dos pedestres, pedale apenas na ciclovia.
Obedeça o sinal vermelho na ciclovia.
Respeite o pedestre.

Pedestre:
Atravesse somente nas faixas de pedestres.
A ciclovia é do ciclista. Não ande na ciclovia!
Nas faixas compartilhadas entre pedestres e ciclistas, dê a mão às suas crianças e evite mudanças bruscas de direção.


Veja também o projeto urbano alemão que mostra o espaço ocupado por 54 pessoas, 54 carros, 54 biciletas e apenas 1 único ônibus


Mais informação: Dia mundial sem carro 2011

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Azeites aromáticos orgânicos e "manteigas" de legumes caseiras


É a coisa mais simples de se fazer, permite muitas variações e total controle de procedência, além de serem a melhor justificativa para manter uma horta caseira em apartamento e deixam um sabor delicioso nos pratos - capaz de mudar completamente o sabor de uma salada (ou sopa) e ser a melhor opção para passar no pãozinho quente com um massala de festa.

Eu fiz em 2 versões: tomilho fresco e urucum extraído direto do fruto, ambos orgânicos.
O tomilho foi comprado no supermercado e é cultivado pela Vale da Palmeiras, já o urucum foi comprado direto do produtor na Feira de orgânicos da Pça. São Salvador.
A Taeq já revende azeite orgânico e extra virgem, de origem portuguesa e a preço competitivo.

Faz-se assim: esquente o azeite em banho maria em panela de barro, pedra ou mesmo uma chaleira em aço inox (a panela de ferro escurece o conteúdo e vai deixar seu azeite marrom). Fogo baixo, não deixe ferver. Se começar a levantar bolhas, apague o fogo e coloque em cima da pia (fria e de pedra). Quando o azeite esquentar (veja com o dedo), junte o tempero escolhido e deixe por pelo menos 15 minutos. Não deve ferver.
Quanto mais tempo ficar, mais gostoso será o resultado. Deixe esfriar na própria panela tampada, pode levar hrs, eu deixo de um dia para o outro. Coe e guarde no próprio vidro do azeite. Se fizer com ervas frescas, reserve um galinho só para a decoração do vidro, não o leve ao fogo. Já o urucum não deve voltar para o vidro, fica feio e solta pedaços.

Abaixo, as fotos da extração das sementes do urucum orgânico in natura. Não tente fazer se precisar estar com as mãos apresentáveis, urucum mancha muito. Coloque um avental e agende a manicure para o dia seguinte ou deixe para fazer se estiver com as unhas pintadas em tom escuro. Se for um rapaz, ou moça que não goste de fazer as unhas, lave bem depois, talvez precise de removedor para tirar o óleo vermelho que se deposita debaixo das unhas.

O ramo de urucum inteiro



Um dos frutos abertos, as sementes são extraídas de dentro de cada um. Sai fácil, mas deixa a mão vermelha.





 
As sementinhas prontas para o uso.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outras opções que sempre dão certo: alho fresco picado, alecrim, salvia ou orégano fresco, pimenta malagueta fresca, fungui porcini desidratado, azeitonas pretas, mix de pimentas: rosa, do reino e branca em grãos com cravo da Índia comprados a granel, etc...

Todos os azeites combinam muito com as pastas para noites de festa, guacamole, patês de amêndoas e o cream cheese de castanha de caju, patê de pinhão, de grão de bico e a manteiga de alho postada na ceia de Natal fica muito bonita com o azeite de urucum vermelho.
O Gazpacho e o molho de tomate caseiro também ganham cor com o azeite de urucum. E o salmorejo madrileñomolho pesto ficam ainda melhores quando feitos com azeite aromatizado.

Segue receita da manteiga de alho, abaixo:
Cozinhe muitas cabeças de alho inteiras em pouca água por 15 minutos
Espere esfriar
"Ordenhe" os dentes de alho, livrando-se das cascas.
Regue com muito azeite colorido com urucum (só para deixar a manteiga mais bonita).
Junte sal, pimenta rosa em grãos e escolha um tempero seco para que os sabores não briguem (orégano, ervas finas, manjerona, manjericão, etc). O verdinho tem que ser seco para não melar. Dura meses em vidro fechado na geladeira e a água do cozimento pode ser congelada para se usar em sopas ou mesmo arroz.

Para fazer em cebola:
Refogue muitas cebolas em gomos no azeite de urucum, quando dourar, adicione o dobro da quantidade em água e espere evaporar. Vira um creme, doce e sofisticado que combina muito com alecrim fresco.

Para fazer em beringela:
Asse beringelas inteiras, quando estiverem moles (o garfo entrando na casca), retire do forno, corte longitudinal e "cave" o recheio cremoso com uma colher e despense as cascas. Misture esse "creme" com azeite de azeitonas, junte alho cru espremido, sal grosso e muitas folhas de manjericão fresco. É a melhor pasta de beringela que existe.

Para fazer em cogumelos Paris:
Bata no liqidificador uma xícara de cogumelos frescos e crus lavados com meia de azeite de alho, até virar um creme homogêneo. Acompanha todos os legumes cozidos como uma maionese levíssima e de sabor que lembra fungui secci.


Para fazer azeites adocicados, de uso em sobremesas, feitio de bolos e tortas, ou mesmo para regar frutas assadas, use o huile de noix e aromatize com canela em pau, cardamono ou baunilha em favas.


Mais informação:
Maionese de cenoura, inhame, pinhão, abacate ou tradicional em ovos
Bom, bonito e barato: manteiga de beringela com ceboulete em flor orgânica

Imagem do dia: o azeite extra-virgem orgânico está mais barato do que o convencional

sábado, 11 de setembro de 2010

Para combinar com chapéu de padre: cuscuz marroquino e chili de feijão manteiga

Para combinar com o refogado de chapéu de padre, seguem 2 dicas:



Chili de feijão manteiga orgânico da Biorga, com os tomates idem da Tamiso e os ovos caipiras da Korin.
Muito fácil de fazer, basta fazer o feijão normalmente. Deixe de molho de véspera em água com limão. Escorra e leve ao fogo.
Ferva e jogue fora a água da primeira fervura, volte ao fogo e deixe cozinhar em panela de ferro até ficar em ponto al dente. Reserve ou congele, guarde o caldo para sopas ou outro feijão a ser feito futuramente.
Refogue os carocinhos e pouco caldo na panela de barro com muito alho e azeite de tomilho, junte tomates picados, sal, pimenta, cominho e gengibre, misture e cubra tudo com ovos cozidos picados.
Fica ótimo com o refogado de chapéu de padre com shiitake, aipim frito ou mesmo batata palha.



Cuscuz marroquino de semolina, com manteiga orgânica da Naturallis, passas claras, gergelim, sal e pimenta calabreza. Na panela de barro, basta cobrir com meio litro de água fervendo e deixar coberto por 5 minutos.
Fica perfeito com o refogado de shiitake e chapéu de padre.
Opção chique: use parte em suco de laranja natural na água fervendo que vai hidratar seu cuscuz. Não abuse, o ideal é não passar de 50% do volume de líquido. Usando laranjas orgânicas, raspe as cascas para evidenciar ainda mais o sabor.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Chapéu de padre para quem não gosta de pimentão


O pimentão da foto acima atende por "chapéu de padre", é pequenino, do tamanho de uma cabeça de alho.
Foi comprado na Feira de Orgânicos do Russel e é ótimo, principalmente para quem não gosta de pimentão e sofre de refluxo, chapéu de padre é muito suave e não ataca o estômago.

Fiz com ele um refogado no shoyu e azeite de tomilho orgânico, à base de alho poró, cebola e shiitake desidratado, que combinou com muitas outras receitas que virão pela frente. Mas adianto, que só o refogado por cima de um arroz integral feito na hr e salpicado com gersal, já faz um jantar rápido.
Para quem gosta, alho, passas claras e azeitonas picadas também combinam muito. Mas resista à tentação de misturar alho e cebola na mesma panela, além de indigesta, a combinação costuma intoxicar por metais pesados.
O chapéu de padre pode até ser usado no Gazpacho Andaluz, a receita fica ainda melhor.

Veja abaixo como ficou bonito o refogado na panela de barro capixaba, exceto pelo shiitake comprado a granel, tudo é orgânico e comprado no Russel.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O mundo segundo a Monsanto


Outro filme, excelente e fundamental, igualmente disponível no Youtube.
Leia o livro e assista ao filme.


Quando se fala em cultivo orgânico e não-transgênico, a primeira coisa em que se pensa é em saúde, saladas e um "discurso" vegetariano com muitos produtos em soja e embalagens coloridas.
Não é por aí, a idéia de um mundo mais fraterno é justamente valorizar o produtor rural e as nossas tradições gastronômicas, que estão se perdendo num mundo globalizado e pasteurizado.
A boa comida é escolhida na feira com ingredientes frescos, feita na hora e de sabor acentuado, alimentando o corpo e a alma.

O blog não defende que ninguém consuma carne, mesmo orgânica, mas deixa bem claro que qualquer fabriqueta de fundo de quintal devasta e desertifica, exterminando então mais animais do que qualquer matadouro ou cooperativa pesqueira artesanal. Quanto mais afastado do orgânico e caseiro, mais equivocada é a escolha.

Em "O mundo segundo a Monsanto", os produtores rurais são ouvidos e nos mostram uma imensa teia onde a imposição de sementes e pesticidas casados, criaram um monopólio de cultivo por parte da Monsanto, contaminando todas as produções da região do entorno em diversas regiões do mundo e quebrando centenas de pequenos produtores, incluindo o Brasil.
A pesquisa, que durou 3 anos, visitou também países como a Índia, Paraguai e EUA e mostra até o funeral de um agricultor de 25 anos que se suicidou por não conseguir mais concorrer com o mercado.


Segue reportagem sobre o filme no UOL:

PARIS, 11 Mar 2008 (AFP) - O documentário "O Mundo segundo a Monsanto", exibido nesta terça-feira pela TV franco-alemã Arte, traça a história da principal fabricante de organismos geneticamente modificados (OGM), cujos grãos de soja, milho e algodão se proliferam pelo mundo, apesar dos alertas de ambientalistas.


A diretora, a francesa Marie-Monique Robin, baseou seu filme - e um livro de mesmo título - na empresa com sede em Saint-Louis (Missouri, EUA), que, em mais de um século de existência, foi fabricante do PCB (piraleno), o agente laranja usado como herbicida na guerra do Vietnã, e de hormônios de aumento da produção de leite proibidos na Europa.

O documentário destaca os perigos do crescimento exponencial das plantações de transgênicos, que, em 2007, cobriam 100 milhões de hectares, com propriedades genéticas patenteadas em 90% pela Monsanto.

A pesquisa durou três anos e a levou aos Estados Unidos e a países como Brasil, Índia, Paraguai e México, comparando as virtudes proclamadas dos OGM com a realidade de camponeses mergulhados pelas dívidas com a multinacional, de moradores das imediações das plantações pessoas que sofrem com problemas de saúde ou de variedades originais de grãos ameaçadas pelas espécies transgênicas.
Robin relatou em entrevistas divulgadas pela produção do filme que tentou em vão obter respostas da Monsanto para todas essas interrogações, mas que a companhia decidiu "não avaliar" seu documentário.

Um capítulo do livro, intitulado "Paraguai, Brasil, Argentina: a República Unida da Soja", relata o ingresso desse cultivo nesses países, que estão hoje entre os maiores produtores do mundo, por meio de uma política de fatos consumados que obrigou as autoridades do Brasil e do Paraguai a legalizar centenas de hectares plantados com grãos contrabandeados.

A legalização beneficiou obviamente a Monsanto, que pôde cobrar assim os royalties por seu produto.

Marie-Monique Robin é uma famosa jornalista independente, que, em 2004, gravou um documentário sobre a Operação Condor chamado "Esquadrões da Morte: A Escola Francesa"- para o qual entrevistou vários dos maiores repressores das ditaduras militares dos anos 70.



Mais informação:
Food Inc.
Rotulagem Zero
Nação Fast Food
Nestlé e hidropirataria
O mundo é o que você come
O mundo é o que você compra
O custo de uma salada embalada
Todos cobaias: o mito da eficiência em transgenia
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
Chemtrails, o rastro químico que está sendo jogado no ar
Agronegócio sustentável e a revolução dos grãos perenes
Slow Food, tradição gastronômica, desmatamento e prazer
A guerra pelas sementes da monocultura transgênica e corporativa
Tudo que você queria saber sobre orgânicos, mas não tinha uma nutricionista para peguntar