quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O que vamos comer em 2011 na opinião de 10 chefs


O que vamos comer em 2011 na opinião de 10 chefs


Rodrigo Oliveira, chef do Mocotó, em São Paulo: “Em 2011, a região Norte é a grande tendência, e o Thiago Castanho, o grande nome. Vamos desmistificar aquela comida e entendê-la de vez.”

Thiago Castanho, chef do Remanso do Peixe, em Belém do Pará: “Ações como o contato maior com o produtor, menor interferência no produto, menos produtos no prato, menos creme e manteiga e mais azeite, sustentabilidade já são até redundantes. Acredito em: pratos para duas pessoas servidos na mesma panela em que foi elaborado, simplicidade no cardápio, valorização de cortes de “segunda”, horta no restaurante, regionalismos mais destacados.”

Rafael Costa e Silva, sous chef do Mugaritz, na Espanha: “Acho que, além de ser uma tendência para 2011, a gastronomia e restaurantes no mundo todo vão começar a valorizar o real “luxo” em sua comida. Luxo hoje em dia é visto como sair para comer em um restaurante e usar talheres de ouro ou prata, num restaurante que você tem que colocar jaqueta e seguir regras básicas de vestimenta, com um vinho caríssimo. Luxo para mim é comer em um restaurante que oferece uma comida e experiência excelentes. E poder se vestir da forma como eu me sinta bem. Onde o mais importante não é o tipo de talher que estou usando e muito menos o preço do vinho que estou bebendo. Acho que pela sua própria experiência, o Mugaritz pode ser um bom exemplo disso. Em minha opinião, fazemos pessoas passarem por experiências diferentes e excelentes, em um ambiente relaxado, elegante e muito acolhedor. Minhas experiências mais marcantes culinárias foram em locais onde nunca me fizeram seguir padrões e nem me comportar de forma predeterminada.”

Benny Novak, chef dos restaurantes Ici Bistrô, Tappo Trattoria e 210 Diner, em São Paulo: “Comfort food, simple food, o retorno da comida do abraço.”

Lucia Sequerra, chef do Santa Madalena e coordenadora do curso de gastronomia da Estácio de Sá, em São Paulo: “Acho que virá com muita força a cozinha da memória, das sensações e o terroir como base de tudo. O (chef Alain) Ducasse fala uma coisa bacana. Ele diz que pode fazer sua cozinha em qualquer lugar, mas sempre respeitando os ingredientes locais e o mercado no qual esteja inserido. É como uma cozinha das sensações, uma coisa de emoção….. No fim do ano, andei fazendo uma brincadeira: servia num copo um couli (uma calda grossa de morango quase sem açúcar e com a fruta crua, mas super gelada) e uma bola de sorvete de creme. O copo era salpicado com diplink que é um açúcar frisante. Todo mundo morria de rir quando lembrava daquele pirulito que a gente chupava na infância.”

Bel Coelho, chef do Dui, em São Paulo: “Acho que a tendência, que já começou neste ano e deve aumentar no ano que vem, é a relação mais próxima entre os chefs e os produtores. Essa é uma relação fundamental na gastronomia e, no Brasil, ainda não é tão intensa.”

Carlos Bertolazzi, chef do Zena Caffé, em São Paulo, e apresentador do programa “Homens Gourmet”: “Acho que vai continuar uma simplificação da comida, mas também do serviço. Hoje tem que ter um batalhão pra atender num restaurante: hostess, sommelier etc. Acho que o serviço e a comida partem para um lado mais humano, sem parafernálias tanto no prato quanto no atendimento.”

Barbara Verzola, chef do Soeta, em Vitória (ES), e apresentadora do programa “Cozinha Caseira”: “Simplicidade e sabor. Pratos que valorizem acima de tudo o sabor dos produtos, sem preocupação com a complexidade das técnicas.”

Eudes Assis, chef do Seu Sebastião, em Maresias, litoral norte de São Paulo: “Em 2011, quero mostrar aos meus comensais os peixes da costa litorânea. Existe uma variedade de peixes não tão conhecidos e que são deliciosos (pirajica, xarelete, xareu, sargos de beiço, pregereba, budião, sororoca e muitos outros). Sei que será um desafio porque algumas pessoas estão muito acostumadas a comer robalo, cambucu, linguado e salmão. Quero comprar ainda mais os ingredientes na minha da região como o pupunha do sertão do Piavu, os mariscos da fazenda marítima de Toque-Toque Pequeno, as verduras da horta de orgânicos de Boiçucança. Quero comprar peixes frescos dos meus amigos pescadores, e assim motivar a economia local. Pronto, minha definição para a tendência em 2011 é “Ingredientes Regionais Frescos e Saudáveis!!”.”

Eduardo Passarelli, proprietário do bar Melograno: “Acho, claro, que serão os restaurantes com carta de cervejas.”


Mais informação:
Compras a granel
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
As bebidas da Festa de Natal
Slow Food
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
Festa Junina Sustentável
Páscoa e chocolates
Azeites orgânicos e aromatizados
Horta caseira
Carnes orgânicas: o quê e como comer
Pesca artesanal x industrial
Os 10 piores alimentos para a saúde

2011 será o ano internacional das forestas


2011 será o ano internacional das forestas

Intenção da ONU é sensibilizar a sociedade mundial para preservação das matas, essenciais para a vida sustentável no planeta
Rogério Ferro, da equipe Akatu


Com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância da preservação das florestas para uma vida sustentável no planeta, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), declarou 2011, oficialmente, o Ano Internacional das Florestas. O tema da celebração é “Florestas para o Povo”.

Segundo a entidade, a intenção é promover ações que incentivem a conservação e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta do planeta, mostrando à população mundial que a exploração das matas sem um manejo sustentável pode causar uma série de prejuízos, como a perda da biodiversidade, o agravamento das mudanças climáticas, migrações desordenadas para áreas urbanas e o crescimento da caça e do desmatamento ilegal.

A exploração predatória e o desrespeito ao ciclo de vida natural das florestas têm como consequência a ameaça da sustentabilidade econômica, das relações sociais e da vida humana no planeta. Isso acontece porque as floretas são a fonte, entre outros, de água potável e alimentos. Por outro lado, fornecem também matérias primas para indústrias essenciais como a farmacêutica e da construção civil, além de desempenhar um papel vital na manutenção da estabilidade do clima e do meio ambiente globais.

Atualmente, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), as florestas cobrem 31% da área terrestre total do planeta, abrigam o lar de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo e têm responsabilidade direta na garantia da sobrevivência de 1,6 bilhão de pessoas e de 80% da biodiversidade da Terra. Só em 2004, o comércio mundial de produtos florestais movimentou US$ 327 bilhões (algo em torno de R$ 588,8 bilhões).

Para saber mais, consulte o site oficial do Ano Internacional das Florestas (sem versão em português). Lá, o consumidor é convidado a divulgar ações que pretende promover no próximo ano em defesa das florestas.

No Brasil
O Brasil abriga 60% dos aproximadamente 5,5 milhões de km² da área total da Floresta Amazônica, a maior do planeta. A mata se estende por mais oito países: Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. A Amazônia é também a maior floresta úmida e com maior biodiversidade.
Dentro do Brasil, ela se estende por nove Estados: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional.

Esta riqueza natural, no entanto, tem sido alvo de exploração predatória e ilegal, ameaçando assim o ciclo natural da reprodução dos recursos, bem como a subsistência das comunidades indígenas que habitam a região.

O estudo Quem se beneficia com a destruição da Amazônia, realizado em 2008 por iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, mostrou que as populações urbanas são as que mais se beneficiam dos recursos extraídos da floresta.

O levantamento cita dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que apontam o Estado de São Paulo como o principal comprador da madeira extraída legalmente da Amazônia: “os paulistas absorvem 23% (12,7 milhões de metros cúbicos de madeira) do total que se extrai na floresta. A quantidade representa mais do que a soma do volume adquirido pelos dois estados que aparecem em segundo lugar, Paraná e Minas Gerais, ambos com 11%”, diz o estudo.

No entanto, apesar dos esforços do poder público, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) estimou, em 2008, que o volume de madeira ilegal da Amazônia que abastece o mercado pode chegar a 90% do total consumido no país. A indústria da construção civil, segundo o estudo, é a que mais se beneficia dessa matéria prima.

O título de maior exportador mundial de carne do Brasil também acarreta problemas para as florestas nacionais, já que a expansão das pastagens é um dos principais motivos para a derrubada das matas nativas. De acordo com o levantamento, “entre dezembro de 2003 e o mesmo mês de 2006, apenas 4% dos 10 milhões de novos animais adicionados às fazendas do país não estavam pastando sobre terrenos que um dia já foram floresta”. Ou seja, “o crescimento da criação de bois fora da Amazônia é praticamente insignificante” conclui o levantamento.

Outra atividade listada por estar relacionadas ao desmatamento é o cultivo da soja. Na safra de grãos de 2008, a cultura de soja no país ocupou 21,3 milhões de hectares – o que corresponde a 45% de toda a lavoura brasileira de grãos – que também é formada por arroz, feijão e café, entre outros. No entanto, segundo o estudo, “5% da produção de soja brasileira era proveniente de terras localizadas no bioma amazônico”. Além disso, os prejuízos aos rios e transtornos à população indígena são outras consequências indesejáveis da ocupação sojeira na Amazônia.

A divulgação desses dados resultou na criação, em 2008, dos pactos empresariais da madeira, da carne e da soja, iniciativa desencadeada por entidades da sociedade civil organizada, visando o combate à degradação da floresta amazônica. Ao assinarem os pactos, as entidades assumem a responsabilidade de não se beneficiar nem comercializar produtos provenientes da exploração predatória da Amazônia, além de adotar ações de combate à exploração ilegal da floresta.

Para saber se determinado produto ou empresa assinou cada um dos pactos, o consumidor pode consultar a lista das empresas e entidades que assinaram os Pactos Setoriais da Madeira, da Soja e da Carne.

Outro problema relacionada à exploração da Amazônia diz respeito à utilização de mão-de-obra escrava. Para se informar se determinado produto envolve o trabalho escravo em sua cadeia produtiva, antes de comprar, o consumidor pode consultar a Lista Suja do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho. A relação lista as empresas e pessoas autuadas por exploração do trabalho escravo.

O Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo, formado por empresas, associações e entidades da sociedade civil, disponibiliza para consulta pública, uma lista das entidades que se comprometeram e não se beneficiar do trabalho escravo.


Assista também ao filme oficial, Florestas e Homens, dirigido por Yann Arthus Bertrand:





Mais informação:
Agrotóxicos, orgânicos e trabalho escravo 1
Farra do Boi na Amazônia: pecuária, desmatamento e trabalho escravo
O mito do reflorestamento de eucalipto
Soja é desnecessária
Um país em obras
Cachaçaria certificada seca lagoa de reserva indígena
Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Amazônia

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Terráqueos



"Se você tiver que assistir a um único filme, assista à Terráqueos."
Peter Singer


Documentários sobre libertação animal e a relação criadouros x natureza nunca são fáceis.
Quando postei sobre os filmes da libertação animal, não conhecia Terráqueos. Uma leitora postou sugerindo o filme e encontrei seu site oficial com link para a versão legendada disponível no próprio site.

De todos os filmes sobre o assunto que já assisti, Terráqueos é o mais completo, cobre todas as classes de animais, mostra: pet shops, castração e criadores, circos, curtumes, pesca de baleias e golfinhos, cosméticos e remédios não testados, as (muitas) questões ambientais e nutricionais, além de informação cietífica sobre o sistema nervoso dos animais para derrubar os mitos correntes, como rodeios, eutanásia de animais domésticos abandonados e pesca oceânica. Narrado pelo Joaquin Phoenix e com trilha do Moby, esse documentário com centenas de imagens e citações de famosos, defende que o planeta Terra apóia-se num tripé: natureza, animais e humanidade. Ao homem, cabe justamente proteger os demais, nunca explorar, afinal pertencemos todos a mesma espécie: terráqueos.


Mais informação:
Zoológicos x Reservas
Cartilha da SVB: carne e sustentabilidade
Pesca artesanal x Pesca industrial
Paul McCartney
Canadá declara-se livre da experimentação animal
Circo legal não tem animal
Cosméticos não testados em animais
Castre seu animal de estimação
Tartarugas não são animais domésticos

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Outras curas



Quem acompanha esse blog, sabe que eu não falo da minha vida pessoal aqui, apenas banalidades sobre receitas de família que adaptei e uma ou outra viagem-compra que valha a pena mencionar, sempre pela visão da sustentabilidade sem fornecer maiores detalhes.

Particularmente não me identifico com blogs que exponham a privacidade de seus autores e me incomoda profundamente quando invadem a minha. Nesse admirável mundo novo, há gente que não busca 15 minutos de fama no grande irmão que a internet virou. Acontece.

Hoje, vou abrir uma exceção.
Eu sou reikiana há 6 anos e, ao longo desse período, fiz todos os níveis em 2 linhagens diferentes: japonesa tradicional (Usui) e havaiana (Karuna). O primeiro nível de Usui veio justamente 2 meses após meu aniversário de 29 anos, em pleno retorno de Saturno.
Atualmente, estou com 35 e vejo como essas curas complementares são importantes, principalmente para evitar que a pessoa recorra à alopatia com tanta frequência.
Em todos esses anos, só precisei tomar remédio em 2 ocasiões, sendo uma delas em cirurgia de emergência para retirada de um cálculo renal.
O reiki me trouxe muitas coisas: chás, cosméticos "verdes", animais adotados e inclusive Guarapiranga e a Korin, o que é uma outra história.

O reiki têm registros em bibliotecas tibetanas e indianas de mais de 5.000 anos, como a acupuntura, o shiatsu, o tai chi chuan e todas as formas de meditação.
Na verdade, um oriental, falaria reiki-dô, como judô e aikidô. O próprio tai chi é visto tanto como uma arte marcial derivada do kung fu, quanto uma forma de meditação em movimento.

É complicado aceitar que a cura de um corpo físico pode ser energética, mas Einstein afirmou na teoria da relatividade que a matéria é só uma forma condensada de energia.
Você pode identificar-se com florais, cristais, homeopatia, ou qualquer outra linha. Comigo, o reiki, o shiatsu e a acupuntura são os mais eficazes.
Yoga pode ser ótimo para alguns, eu fiz 3 aulas e não me afetou. Já o tai chi me deixou exatamente no estado que eu procurava logo na primeira aula.

Hipócrates, considerado o pai da Medicina Moderna, ensinou "faz do alimento teu remédio e do teu remédio tua alimentação".

Quando se fala em cultivos orgânicos, a maioria das pessoas pensa tratar-se de uma novidade, entretanto cultivar um alimento sem agrotóxico significa resgatar uma forma de cultivo agrícola que sempre existiu e foi substituída pela civilização moderna há menos de 200 anos, quando da invenção dos pesticidas sintéticos pela revolução industrial.

Da mesma forma que a indústria farmacêutica fornece sua caixinha de remédios, também monopoliza as sementes de cultivo e controla a produção de agrotóxicos . É um cartel, como qualquer outro.

O hábito de carregar uma necessaire com medicamentos na bolsa ou manter uma caixinha de remédios no banheiro é recente e não está tornando as pessoas mais saudáveis - da mesma forma que a agroindústria não acabou com a fome, apesar de nos ter sido prometido que a substituição da agricultura familiar tradicional era para o bem de todos.

Eu sempre acordei muito inchada, o rosto dolorido e os olhos apertados. Desgradável e aparentemente sem solução. Afinal, devia ser uma tendência natural à retenção de líquidos...
Nos últimos anos, com a mudança de padrão, o problema acabou e eu não notei. Segui vivendo sem perceber que despertava com a mesma cara das 06 da tarde.
Essa semana, com os cardápios de final de ano, comi carne de porco 2 dias seguidos em quantidades normais, acompanhado de carboidratos refinados e acordei inchada novamente. Foi uma sensação estranha, meu rosto disforme no espelho depois de tantos anos.
Pior, além do inchaço, veio um sono e sede incontroláveis, necessidade de 3 litros de água antes de dormir e um sono pesado de mais de 10hrs seguidas. Pela manhã, diarréia.

Lembrei de que todas as religiões codificam a prática alimentar, condenando combinações como carnes com laticínios, carboidratos e proteínas, frutas doces com ácidas e nos lembrando que a gula é pecado capital e o jejum leva à iluminação.

Recordei também do grupo de diabéticos norte-americanos que curou-se adotando uma alimentação de frutas e verduras cruas, em Simply Raw, e de muitos conhecidos crudívoros que dizem não precisar de desodorantes e pasta de dentes, seus corpos não cheiram mal.




Algumas pessoas podem ter tolerância maior aos derivados animais, mas a verdade é que o ser humano tem que mamar da própria mãe até os 06 meses e, se possível até os 2 anos. Após, todo leite animal é redundante, principalmente de outras espécies. O leite da vaca foi planejado para alimentar bezerros, animais peludos com chifre e pesando quase uma tonelada.
O consumo de carnes é cultural, principalmente em nosso intestino com 5 metros de comprimento. Carnívoros possuem intestino curto para eliminar rapidamente a carne, que apodrece logo. Um animal que não mata sua caça e não come sua carne ainda quente, crua e ensanguentada, não pode ser considerado sequer carnívoro, mas um carniceiro, como os urubus e hienas.
Se for comer carne, acompanhe sempre com pelo menos 3 vezes a quantidade em vegetais crus com muitas frutas na refeição seguinte. 1 porção de yang se equilibra com 7 de yin. Priorize carnes de produção orgânica, criadas sem hormônios, antibióticos e que pastaram em áreas livres de pesticidas. Nunca coma à noite ou em dias seguidos, nem misture 2 fontes de proteína no mesmo prato como: frango com parmegianna de queijo, bife com ovo "a cavalo" ou feijão com linguiça, carne seca e costela.
Comendo esses pratos, que seja no almoço, com muita salada verde, não acompanhe com um copo de suco grosso e doce (vinhos orgânicos e águas aromatizadas são ideais) e pingue meio limão por cima. O limão, além de deixar tudo delicioso, fortalece o fígado, é rico em vitamina C e ajuda a acelarar a digestão das gorduras de origem animal.

Ninguém consegue digerir mais de 1kg de carne semanal e o que você não digere, acumula.

Ser vegetariano não te transforma num ser humano melhor, nem mesmo em alguém que se alimente melhor. O problema da nossa sociedade atual é a falta de critério aliada ao excesso. Toda a comida do mundo está disponível 24hrs por dia, o que antes era apenas em dias de festa, hoje está em qualquer restaurante a quilo.
A soja não é a solução (nem a margarina), mas 1 bife de 250gr. por dia também não.

Observe que todas as receitas tradicionais de carnes são sempre acompanhadas de muitos legumes, verduras, raízes e até frutas. Como o strogonoff de cogumelos com batatas e arroz, moquecas de peixe com pirão de banana e batata doce, bacalhau em batata, cebolas e pimentão, quibe com arroz de lentilha e pasta de beringela, leitão com abacaxi e farofa. As carnes, originalmente orgânicas, eram sempre uma pequena parcela num prato multicolorido, até pela insustentabilidade de manter uma aldeia inteira comendo carne diariamente. Se cada um fosse responsável pelo pedaço de terra que cultivaria para alimentar-se, a carne seria um artigo de luxo e não estaria transformando a Amazônia em pasto.
Existem centenas de fontes de proteína na natureza, ainda mais ricas do que a carne, com a vantagem de serem facilmente mais digeríveis. Leia melhor em O mito da proteína.




Por coincidência, estou morando em prédio com piscina e me vi com outro problema que havia sumido desde a minha adolescência: "pano branco", a micose de verão.
Todo ano, quando a temperatura esquentava, meus braços e costas ficavam cobertos de manchas claras. Era "micose de verão" e sumiria em março.
Realmente sumia, mas incomodava, principalmente pelas roupas cavadas que se usam nessa época. E pegar sol não escondia, acho até que acentuava o contraste.
Eu só morava em prédios e casas com piscina, não ia à praia.
Acreditava-se que o cloro da água, matava tudo. Não mata, na verdade, é mais fácil pegar uma micose na piscina da sua própria casa do que numa praia lotada. Água tem que circular.
Quando me tornei adulta, até no final da adolescência, parei de frequentar piscina e ir à praia, onde todos estavam. O "pano branco" acabou e eu tampouco percebi, estava ocupada curtindo meu bronzeado.
Há algumas semanas, resolvi ir à piscina do prédio depois do trabalho. O "pano branco" reapareceu.




3 anos antes de me tornar reikiana, os livros de Sonia Hirsch apareceram na minha vida, como que para explicar as coisas que estavam por vir. Eu lia e não entendia, relia e começava a fazer sentido. Reli centenas de vezes, até virar meu "piloto automático".
Sonia descrevia seu problema de supressão de mesntruação por candidíase com a mudança alimentar. Eu também sofria de supressão de menstruação, mas causada por ovários policísticos. Cheguei a ficar 18 meses sem menstruar naqueles tempos e resolvi tentar, afinal o único tratamento recomendado pela ginecologia convencional era: cirurgia de extração e profilaxia com hormônios anticoncepcionais sintéticos.
Fiz uma ultrasonografia para constatar a existência dos cistos, imensos é claro.
Passei então 3 meses sem ingerir nenhum derivado animal, açúcares refinados e quaisquer produtos industrializados. Foram 3 meses comendo saladas cruas e verdes, pão do Bento com manteigas de legumes, pasta de grão de bico árabe ou guacamole, missoshiro com macarrão integral, batatas doce e baroa assadas com cebola, alecrim e pimenta calabreza, abóbora com shiitakes refogados, farofas de aveia em flocos com couve e alho dourados no azeite aromatizado, sopas de lentilha ou feijão branco com pimentão, cenoura e muitos verdinhos, complementando com gelatinas de algas marinhas em sucos e muitas frutas cozidas, além do sanduíche do Elvis Presley adaptado.
A menstruação veio normalmente.
Esperei o ciclo acabar e fiz nova ultrasonografia, os cistos haviam desaparecido.

Voltei a me alimentar com menos rigor, mas sem carnes e açúcares, e mantive o ciclo menstrual apesar dos hormônios dos ovos e lácteos e de toda a química dos agrotóxicos.
Com o tempo, a menstruação começou a falhar novamente.
Os meses passaram e fui fazer o nível 3 de reiki Usui. A mestra resolveu ensinar à turma como fazer uma técnica conhecida como "cirurgia". Fui a voluntária e instintivamente a mestra em reiki colocou as mãos sobre meu ovário comprometido, comentando "deste lado está mais pesado".
Realizou a "cirurgia" falando com a turma durante todo o processo e obviamente, no dia seguinte, menstruei naturalmente.

Até hoje, quando minha menstruação vacila, eu recorro ao reiki, regulo a alimentação e ela volta.


Outra cura obtida graças à terapia lacaniana no divã e muito emplastro de inhame com gengibre: rosáceas (manchas escuras na pele do rosto), causadas por um fígado opilado pela raiva. Leia melhor no blog da Cida



Mais informação:
Morrendo por não saber, a terapia de Gerson e a indústria farmacêutica
Carnes: vírus, hormônios, desmatamento e prazer
Agrotóxicos, orgânicos e trabalho escravo
Sol é importante para a saúde
Celulares e microondas esterilizam e matam
Alimentos irradiados
Panela velha é que faz comida boa
Mamãe não passou açúcar em mim
Soja é desnecessária
Sanduíche de salada pós balada
Sopinhas rehab

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

COP-16: a posição de Leonardo Boff e do WWF-BR


A COP 16 terminou na madrugada do dia 11 dezembro em Cancún com pífias conclusões, tiradas mais ou menos a forceps. São conhecidas e por isso não cabe aqui referi-las. Devido ao clima geral de decepção, foram até mais do que se esperava mas menos do que deveriam ser, dada a gravidade da crescente degradação do sistema-Terra. Predominou o espírito de Copenhague de enfrentar o problema do aquecimento global com medidas estruturadas ao redor da economia. E aqui reside o grande equívoco, pois o sistema econômico que gerou a crise não pode ser o mesmo que nos vai tirar da crise.

Usando uma expressão já usada pelo autor: tentando limar os dentes do lobo, crê-se tirar-lhe a ferocidade, na ilusão de que esta reside nos dentes e não na natureza do próprio lobo. A lógica da economia dominante que visa o crescimento e o aumento do PIB implica na dominação da natureza, na desconsideração da equidade social (dai a crescente concentração de riqueza e a célere apropriação de bens comuns) e da falta de solidariedade para com as futuras gerações. E querem-nos fazer crer que esta dinâmica nos vai tirar das muitas crises, sobretudo a do aquecimento global.

Mas cumpre enfatizar: chegamos a um ponto em que se exige um completo repensamento e reorientação de nosso modo de estar no mundo. Não basta apenas uma mudança de vontade, mas sobretudo se exige a transformação da imaginação. A imaginação é a capacidade de projetar outros modos de ser, de agir, de produzir, de consumir, de nos relacionarmo-nos uns com os outros e com a Terra. A Carta da Terra foi ao coração problema e de sua possível solução ao afirmar:” Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança nas mentes e nos corações. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global”.

Este propósito no se fez presente em nenhuma das 16 COPs. Predomina a convicção de que a crise da Terra é conjuntural e não estrutural e pode ser enfrentada com o arsenal de meios que o sistema dispõe, com acordos entre chefes de Estado e empresários quando toda a comunidade mundial deveria ser envolvida. A referência de base não é a Terra como um todo, mas os estados-nações cada qual com seus interesses particulares, regidos pela lógica do individualismo e não pela da cooperação e da interconexão de todos com todos, exigida pelo caráter global do problema. Não se firmou ainda na consciência coletiva o fato de que o Planeta é pequeno, possui recursos limitados, se encontra superpovoado, contaminado, empobrecido e doente. Não se fala em dívida ecológica. Não se toma a sério a crise ecológica generalizada que é mais que o aquecimento global. Não são suficientes a adaptação e a mitigação sem conferir centralidade à grave injustiça social mundial, aos massivos fluxos migratórios que alcançaram já a cifra de 60 milhões de pessoas, a destruição de economias frágeis com o crescimento em muitos milhões de pobres e famintos, a violação do direito à seguridade alimentar e à saúde. Falta articular a justiça social com a justiça ecológica.

O que se impõe, na verdade, é um novo olhar sobre a Terra. Ela não pode continuar a ser um baú sem fundo de recursos a serem explorados para benefício exclusivamente humano, sem considerar os outros seres vivos que também precisam da biosfera. A Terra é Mãe e Gaia, tese sustentada sem qualquer sucesso pela delegação boliviana, e por isso sujeita de direitos e merecedora de respeito e de veneração. A crise não reside na geofísica da Terra, mas na nossa relação de agressão para com ela. Nós nos tornamos numa força geofísica altamente destrutiva, inaugurando, como já se fala, o antropoceno, uma nova era geológica marcada pela intensiva intervenção descuidada e irresponsável do ser humano.

Se a humanidade não se acertar ao redor de alguns valores mínimos como a sustentabilidade, o cuidado, a responsabilidade coletiva, a cooperação e a compaixão, poderemos nos acercar de um abismo, aberto lá na frente.

Leonardo Boff é Teólogo e foi observador na COP-16 em Cancún.



Veja também a posição oficial da WWF sobre a COP-16

O mundo esperava de Copenhague um acordo justo, ambicioso e com força de lei, para que pudesse começar a ser implementado imediatamente. Para o WWF-Brasil, saímos de lá sem nada disso. O acordo de Copenhague não é ambicioso e nem legalmente vinculante.
Após o enorme fiasco, o WWF-Brasil espera, para 2010, um processo claro e transparente de consulta a todas as partes envolvidas, de forma as discussões evoluam e se possa dar a resposta que a ciência indica como necessária para manter o aquecimento global em 2 graus C, como a sociedade espera de seus líderes.

Somente assim será possível salvar o processo multilateral de um julgamento completamente negativo pelos povos de todo o mundo. Para isto, é necessário que todos queiram chegar a um acordo, mas, por enquanto, sequer isto está assegurado.

E não houve falta de tempo. Mas, sim, de vontade política e mandato claro aos negociadores para se chegar a um acordo. Para o WWF-Brasil, o fim melancólico da Conferência representa uma imensa oportunidade desperdiçada, após quatro anos de conversas iniciadas a partir da COP-11, que criou os grupos de trabalho sobre diálogo de longo prazo, no âmbito da Convenção, e sobre o diálogo de novas metas para os países do Anexo I, no âmbito do Protocolo de Quioto.

Desperdiçaram-se, ainda, dois anos de negociação com mandato claro, ou Plano de Ação de Bali – acordado em 2007 na COP-13. Este plano definia um mandato de negociação sobre diferentes temas. No âmbito do Protocolo de Quioto, metas para os países desenvolvidos no pós-2012. Para a Convenção, uma visão compartilhada, meta para os países do Anexo I não signatários de Quioto (Estados Unidos), ações para países em desenvolvimento, financiamento de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento, capacitação, transferência de tecnologia REDD etc.

Acordo pífio - Ao final, redigiu-se um acordo de última hora, discutido às pressas, apenas para tentar salvar uma reunião que reuniu mais de 100 chefes de estado de uma situação, no mínimo, muito embaraçosa. O acordo redigido foi pífio, sem apoio de todos os países e a franca oposição de alguns, o que impede que o documento seja transformado em decisão efetiva da Conferência e que, portanto, possa ser implementado seguindo as regras da própria Convenção.

Num dos poucos e ainda tímidos avanços observados durante a Conferência – a definição de recursos para investimento de curto prazo e a indicação de recursos de US$ 100 bilhões até 2020 –, faltou clareza sobre quem contribui, com quanto, fontes de recursos e metas.

Quanto ao Brasil, o contundente discurso do presidente Lula no dia 18 da Conferência não foi suficiente para liderar rumo a um acordo robusto nem quebrar a oposição de muitos países que parecem não querer chegar a lugar algum.

O olhar no amanhã - Na opinião do WWF-Brasil, todos os países têm o dever de trazer o diálogo de clima de volta aos trilhos da responsabilidade. Hoje, o futuro do clima do Planeta não está livre das conseqüências mais severas das mudanças climáticas.

Milhares de pessoas estão expostas às consequências do aquecimento global, milhares perdem suas casas, seus bens e até mesmo suas vidas a cada ano, em consequência de secas, tempestades, enchentes. Na COP-15, ninguém pode dizer que fez o suficiente. Nem mesmo o Brasil.

Em 2010, será inaceitável um novo fracasso. É preciso um processo claro, transparente de diálogo e consultas ao longo do ano no âmbito da Convenção. E com a meta de chegarmos à COP-16 com um acordo detalhado e muito avançado para referendo na Conferência.

Não vamos conseguir reverter o julgamento negativo sobre os líderes mundiais na COP-15. Mas temos a chance de tomar as medidas necessárias para dar a resposta que nosso Planeta precisa.



Mais informação:
Sustentabilidade é estratégico
COP-15: o que ainda pode ser feito
Leonardo Boff e a sustentabilidade

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Empresa japonesa instalada no Aquífero Guarany exporta água engarrafada

Mais uma empresa secando nossas fontes, a japonesa Anew, que vende por marketing direto para todo o mundo, instalou suas instalações exatamente no terreno acima do Aquífero Guarani, aquele mesmo cuja potencial é capaz de suprir a humanidade pelos próximos 2 séculos.

Veja também o que a Nestlé já fez em São Lourenço e a Ypioca, na reserva indígena do Ceará.

Hidropirataria é crime ambiental, cuja fiança é paga pelo consumidor e morador da região.
Leia melhor sobre o assunto no post acerca do premiado documentário Flow, por amor à água - que retrata a degradação da biodiversidade causada pela desetificação após instalação de indústria de bebidas em uma região.

Observe que a Anew exporta água mineral e divulga seus produtos numa área do site chamada "santuário".
Aquela água engarrafada em plástico é sagrada para quem?

Leia sobre a toxidade de embalagens plásticas e seu composto Bisfenol-A, que vem sendo banido em países desenvolvidos. Veja também a animação sobre a indústria da água engarrafada e o movimento de estabelecimentos que defendem a água na jarra gratuita em bares e restaurantes, reduzindo o lixo urbano e ainda garantindo à população seu direito inviolável de matar a própria sede.





Segue material promocional retirado diretamente do site da empresa:

"A água subterrânea da Fazenda Anew, que é originária do aquífero Guarani, o maior reservatório de água potável do mundo, tem um grau de dureza de 1,2 mg/l, ou seja, é extremamente leve, suave e mundialmente rara.

Conforme apontam os estudos realizados, a água brota de uma fonte que possui entre 270 e 300 anos, com uma profundidade de 1200 m, sua vazão é de 25 milhões de litros por dia. Ela está pronta para ser engarrafada e distribuída em todo o Brasil e o mundo. Será a primeira água do Brasil a ser exportada para o Japão.

A água da fazenda também é tida como milagrosa! Testes realizados pelo Laboratório Mutenka, do Japão, comprovaram que ela é capaz de dissolver gordura.

Além das 5 fontes naturais da água mineral, a fazenda é circundada pelo rio Aquidauana, pelo córrego do Fundo e pelo córrego dos Garimpos, todos com um volume generoso de água. As cachoeiras e os rios proporcionam momentos únicos e mágicos de comunhão da natureza com o homem."


A imagem foi retirada do site de uma loja japonesa

As 10 cidades mais poluídas do mundo

1- Nova Deli, India:
Lá a mortalidade infantil é muito alta – e a principal causa disso é a poluição. Em algumas áreas da cidade as pessoas convivem com o lixo e cerca de 3 mil toneladas de poluentes são despejadas no ar todos os dias.



2- Mumbai, India
Mumbai é conhecida pelo filme “Quem quer ser um milionário” e é uma das mais populosas do mundo. Não há a mínima conscientização por parte do governo em relação ao meio ambiente e estima-se que cerca de 1 bilhão de dólares precisaria ser gasto para recuperar minimamente a cidade.



3- Maputo, Moçambique
As 60 mil famílias residentes na capital do Moçambique despejam seu esgoto diretamente no Oceano Índico.



4- Moscou, Rússia
Pode até ser chocante para alguns ver Moscou nessa lista, mas a capital da Rússia é conhecida por muitos como a cidade com o maior índice de poluição atmosférica do mundo. Por causa disso, muitos de seus habitantes têm problemas pulmonares



5- Cidade do México, México
Nos anos 40 a Cidade do México era uma cidade muito limpa – era possível ver 100 km a sua frente. Agora, por causa da poluição atmosférica, a visibilidade foi reduzida a 1,5 km. Há muito nitrogênio no ar, o que também dificulta uma respiração eficaz.



6- Lagos, Nigéria
Lagos é a casa de 8 milhões de pessoas e a sede de muitas indústrias. Desde o ar até as ruas – a cidade é completamente poluída.



7- Karachi, Paquistão
A poluição causada pelo aumento da concentração industrial na cidade, seja atmosférica, aquática ou sonora, faz com que 35% da população esteja com a saúde comprometida diretamente por esses problemas.



8- Dhaka, Bangladesh
Dhaka é uma cidade muito populosa que enfrenta sérios problemas de poluição aquática. A coleta e destinação dos resíduos sólidos urbanos (basicamente, o lixo) também são praticamente inexistentes. A água é grossa e contaminada por pesticidas e agrotóxicos.



9- Badar Seri Begawan, Brunei Darussalan
Brunei Darussalan é um pequeno e próspero país da Ásia. O problema é que o ar de lá está comprometido, por causa da grande concentração de veículos.



10- Bagdá, Iraque
Por causa dos conflitos que o país enfrenta, a questão do meio-ambiente foi deixada de lado. A queima de combustíveis fósseis e a falta de coleta de lixo fazem com que Bagdá seja uma das cidades mais poluídas do mundo


Fonte: HypeScience


Mais informação:
As vilas de câncer chinesas
As 10 cidade mais limpas do mundo
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem

domingo, 19 de dezembro de 2010

Principais pontos do primeiro atlas ambiental para América Latina e Caribe

Traduzi pessoalmente os principais pontos encontrados pelo PNUMA e desmonstrados no primeiro atlas ambiental para América Latina e Caribe.


O Estado do Meio Ambiente na Região: Principais Questões

Crescimento urbano: A ausência de planejamento urbanístico apropriado criou os maiores problemas das cidades da região. As cidades da América Latina são as mais compactadas do mundo, com a mais alta densidade populacional presente em centros urbanos, apresentando como principais desafios a gestão do lixo urbano gerado e o controle do desperdício de água.
Degradação da Terra: Apesar da região ainda apresentar vegatação luxuriante e hospedar a maior biodiversidade do planeta, a degradação da terra, incluindo áreas de desertificação e erosão de solos e costas são evidentes ao longo de todo o continente. A desertificação hoje afeta mais de 600 milhões de hectares nos biomas áridos, semiáridos e subtropicais de toda a região.

Profundas mudanças em métodos agrícolas tradicionais:  O uso da terra para fins agrícolas cresceu a uma taxa de 0,13% ao ano, entre 2003 e 2005, resultando na perda de florestas e outros habitats. Essa mudança tem sido acompanhada por outra ainda mais profunda: principais culturas alimentares como a batata, mandioca, arroz e trigo declinaram, embora tenha havido um aumento de culturas voltadas para combustível, indústria e alimentação de rebanhos.

Mineração: De todas as regiões do mundo, a América Latina dedica a maior parte (23%) de seus orçamentos para a exploração da mineração. Mais de US$10 bilhões são investidos todos os anos em atividades de mineração na região, o Chile representa aproximadamente 20% do total.

Água doce: A região é responsável por mais de 30% de toda água doce disponível no planeta e cerca de 40% dos recursos hídricos da região são renováveis. A pressão exercida pelo uso agrícola tem aumentado constantemente desde meados de 1990 e as áreas irrigadas duplicaram entre 1961 e 1990.

Geleiras: De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a maioria das geleiras tropicais na região vão derreter entre 2020 e 2030. Os glaciares sul-americanos são uma fonte vital de água para uso doméstico, agrícola e industrial.

As zonas costeiras: Uma grande porcentagem da população da região e suas  respectivas atividades econômicas estão concentradas nas zonas costeiras. Turismo, crescimento urbano sem planejamento, águas residuais urbanas, industriais e da aquicultura estão entre os fatores responsáveis pela degradação dos ecossistemas costeiros, como manguezais, pântanos e recifes de coral.

Florestas: O desmatamento é generalizado e, em alguns lugares, galopante. De acordo com a Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), a América Latina e o Caribe perdera cerca de 43.500 km2 de florestas por ano entre 2000 e 2005. Isso corresponde a uma perda anual maior do que a superfície da Suíça. O desmatamento mais grave está ocorrendo na América do Sul, particularmente na Amazônia brasileira, apesar de esforços recentes que têm reduzido a taxa anual de desmatamento no ecossistema.

Desastres naturais: O número de pessoas afetadas por desastres naturais como enchentes e inundações vêm aumentando na região desde 2000. Entre os anos de 1995 e 2006, aproximadamente 20 milhões de pessoas foram afetadas por essas ocorrências, particularmente eventos como furacões.


Conclusão:
A América Latina e o Caribe são regiões naturalmente ricas ambientalmente. Entretanto, esse meio ambiente vem sendo degradado e deteriorado. Conforme demonstrado no Atlas, o mais crítico dos problemas é o crescimento urbano acelerado e desordenado sem qualquer planejamento, defesa do clima, reflorestamento, alterações climáticas, perda da biodiversidade e degradação das áreas costeiras.


Veja também todos os mapas, infográficos e baixe gratuitamente o Atlas


Mais informação: Atlas do Greenpeace sobre a geopolítica do petróleo

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Hidropirataria: cachaçaria certificada seca lagoa de reserva indígena

EMPRESA YPIÓCA SEGUE RETIRANDO ÁGUA EM ÁREA INDÍGENA

Bombas lacradas pelo IBAMA continuam a ser utilizadas impactando Lagoa da Encantada

Equipe da FUNAI da CR de Fortaleza conversa com a cacique Pequena, liderança Jenipapo- Kanindé na Lagoa da Encantada em Aquiraz/CE


Uma equipe de fiscalização da Coordenação Regional da FUNAI de Fortaleza, acompanhada de agentes da Polícia Federal, esteve na aldeia Jenipapo-Kanindé da Lagoa da Encantada (Município de Aquiraz), para apurar denúncia de utilização indevida — pela empresa Ypióca Agroindustrial — de recurso não-renovável em terra indígena.

Cônjuge da cacique Pequena, Antônio explica que a lagoa nunca secou, mas seu volume está sendo rapidamente diminuído devido à captação ininterrupta de água

Segundo informações da comunidade, o IBAMA lacrou as bombas que retiravam água da Lagoa da Encantada, localizada no território Jenipapo-Kanindé, mas a empresa violou o lacre e segue utilizando os equipamentos para a extração do líquido.

Duto de bomba instalada em área delimitada como território Jenipapo-Kanindé


Ao retirar água nessa escala, a Ypióca, que provavelmente usa o líquido para irrigação do canavial vizinho à T.I., vem reduzindo severamente o volume da lagoa, que já apresenta amplas áreas secas e com lama.

Perímetro antes ocupado pela lagoa vem sendo reduzido devido à drenagem

Entre as informações ainda a serem apuradas, a Ypióca teria assinado um Termo de Ajustamento de Conduta junto ao Ministério Público Federal, permutando o uso das bombas pela construção de um açude — obra que teria sido intermediada pela administração municipal de Pindoretama.

Motor elétrico de uma das bombas que está extraindo água de lagoas em Terra Indígena

Mesmo estando pronto desde 2002, o açude, que recebeu o nome Malcozinhado e foi construído em Cascavel, não teve sua água ainda utilizada pela empresa.

Bomba instalada pela Ypióca teria sido lacrada pelo IBAMA, mas o lacre foi retirado pela empresa à revelia do órgão


Enquanto isso, a comunidade Jenipapo-Kanindé teme pelo esgotamento do seu recurso hídrico e vem apelando ao bom senso do empresário Everardo Telles que, à frente do Grupo Ypióca, mantém uma reserva ecológica particular na T.I. da Lagoa da Encantada: a lagoa está desaparecendo.

Fiscalização constatou uso da lagoa para pesca e consumo dos indígenas

Após a reunião na aldeia, a FUNAI encaminhou a denúncia formulada pela comunidade indígena, recebida através da liderança Cacique Pequena, ao Ministério Público Federal, para que seja embargada a retirada indevida da água, através do desligamento definitivo das bombas.

Vala aberta para facilitar acesso da água da lagoa à drenagem



Foram cobradas também pelos Jenipapo-Kanindé, com urgência, as contestações da Diretoria Fundiária da FUNAI em Brasília, referentes à demarcação da Terra Indígena em Aquiraz. A demanda foi comunicada à CGID-Coordenação Geral de Identificação e Delimitação em atenção à coordenadora Leila Sotto Maior, enquanto a comunidade aguarda um posicionamento do órgão.

Com a progressiva redução do nível da água, foram cavadas mais valas para conduzir o líquido até onde fica a bomba
O açude Malcozinhado foi construído no vizinho Município de Cascavel, em área desapropriada que abrangeu 239 lotes, atingindo 191 proprietários e 69 moradores (65 famílias), a um custo por família de R$ 7.492. Sua capacidade é de 11 milhões de metros cúbicos de água, com a altura máxima de 17,08m*.

Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH ago/2010)
Entre os representantes da comunidade da Lagoa da Encantada, figuram também os indígenas Eraldo Álvio (filho da cacique Pequena), Raimundo Manoel Sabino, da coordenação local da APOINME, a presidente do Conselho Jenipapo-Kanindé Maria da Conceição Alves Sabino (filha da cacique Pequena e esposa de Manoel), Maria de Lurdes Alves da Conceição e Juliana Alves, a cacique Irê.

Cacique Irê e lideranças femininas reuniram assinaturas em documento que faz apelo urgente ao Ministério Público Federal
As fotos mostram que a empresa Grupo Ypióca mantém duas bombas funcionando diuturnamente, drenando as lagoas da Encantada e do Tapuio, que se encontram dentro da delimitação das terras Jenipapo-Kanindé. As bombas são monitoradas por funcionários que, segundo os indígenas, patrulham armados os equipamentos.

Bomba elétrica extrai dezenas de milhares de litros d'água diariamente

Em 2005, conforme informam os indígenas, o IBAMA-Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis lacrou o maquinário. “Porém, assim que os fiscais foram embora, os funcionários da Ypióca retiraram o lacre e religaram as bombas d’água, que estão lá trabalhando até hoje”, afirma a cacique Irê, também filha da cacique Pequena.

Bomba a diesel envia água da Lagoa do Tapuio para bomba elétrica, a centenas de metros
Em visita à área, servidores da FUNAI e os agentes da Polícia Federal constataram o pleno funcionamento de duas bombas em território indígena delimitado e constataram que foram reabertas as valas cavadas pelos funcionários a serviço da Ypióca, para facilitar o escoamento da água da Lagoa da Encantada, que se encontra parcialmente seca devido à retirada ininterrupta ou intermitente de água.

Manuel Carlos e Cícero Grangeiro afirmaram ignorar as irregularidades e o impacto ambiental causado

Entre esses funcionários, vestindo uniforme com a identificação “Pecém Agroindústria Ltda.”, foi identificado o técnico agrícola Cícero de Macedo Grangeiro, residente em Pindoretama. Usando uniforme azul com a inscrição “Ypióca”, o controlador da bomba maior, movida a eletricidade, Manoel Carlos Amorim, que reside na área, afirmou que as bombas trabalham dia e noite, sem interrupção.

Funcionários da Ypióca divergiram quanto ao ritmo de funcionamento das bombas

Já o técnico de manutenção Flávio José Lima dos Santos, residente em Baixa Grande (município de São Gonçalo do Amarante), afirmou que “as bombas passam 40 minutos ligadas e cinco horas desligadas”. O responsável pelo serviço, de nome Wilde, foi convidado por celular a comparecer ao local, o que não ocorreu.

Cícero Grangeiro e Flávio Lima dos Santos atuam na área pela empresa
Outra informação ainda partiu do encarregado da bomba a diesel, que drena água da Lagoa Tapuio, Ivanir de Araújo Sousa, que definiu o horário de funcionamento das bombas como sendo “das 5 da manhã às 17 horas, diariamente”. Todos foram, porém, unânimes em declarar que não sabiam que o trabalho que vêm fazendo contraria determinação do IBAMA e está sendo realizado em Terra Indígena, à revelia da decisão da comunidade Jenipapo-Kanindé.

Duto metálico conduz água bombeada da Lagoa do Tapuio até a bomba elétrica

Com tudo isso, os índios encontram-se reunidos na área da lagoa, apoiados também por representações das etnias Tapeba, Pitaguary e Anacé. Organizados, estão buscando fazer valer seus direitos junto à Procuradoria Regional da República, ao Ministério Público Federal e ao IBAMA, visando proteger a área contra a ação predatória da Ypióca. Além do esgotamento iminente da lagoa, sua preocupação reside no avistamento dos funcionários do Grupo Ypióca portando espingardas e radiocomunicadores, evidenciando disposição para um conflito.

Vigia da bomba a diesel Ivanir Sousa negou que os funcionários portem armas de fogo: "Minha arma é Deus"

Segundo depoimento dos índigenas à Polícia Federal, a empresa ameaça trazer tratores para ampliar a vala que drena a água de uma parte da lagoa mais distante, que ainda conserva seu volume. A água das lagoas é provavelmente utilizada para irrigação e lavagem de cana-de-açúcar e na fábrica de papelão do Grupo Ypióca, situada a uns 6 km da Lagoa da Encantada.

Eraldo mostra vala aberta pela empresa para conduzir água até a bomba

“Inaugurada em 1992, em Pindoretama/CE, a Pecém Agroindustrial Ltda. utiliza o bagaço de cana como componente para a fabricação de papel e papelão. A unidade fabril tem capacidade para produzir 70 toneladas/dia de bobinas de papel e caixas impressas. O processo de fabricação consiste em misturar papel reciclável ao bagaço da cana e à água tratada, formando uma massa que, depois de limpa e filtrada, é refinada para tornar-se fibra de celulose.

Água da lagoa corre em direção ao mar, distante cerca de 1,5 mil metros, mas vala de drenagem inverteu seu curso e o líquido desapareceu

“Depois, a fibra novamente agrupada passa por uma espécie de mesa. Nessa fase, o material ainda se encontra com 98% de água. Em seguida, é distribuído em uma esteira com tela, onde a água excedente é extraída. Posteriormente o líquido é secado à temperatura de 130 graus. Parte da produção das caixas é utilizada para acondicionar produtos das marcas Ypióca e Sapupara, sendo o restante vendido para terceiros”.

Fonte: Ypioca 


Jenipapo-Kanindé precisam impedir que o corpo d'água desapareça, impactando sua sobrevivência e a de vários ecossistemas na área

A retirada de água ilegal da Lagoa da Encantada já foi denunciada pelo jornalista Norbert Suchanek no jornal semanal Freitag, publicado em Berlim, Alemanha, em 12.01.2007, sob o título Racismo Ambiental em Selos Orgânicos - Cachaça Ypióca ameaça lagoa de Indígenas.

Também exibido no site www.norbertsuchanek.org, o texto original foi suprimido, segundo o prof. e Ph.D. Jeovah Meireles, do Curso de Geografia da UFC, assessor dos Grupos de Trabalho que operam a delimitação de áreas indígenas, por pressões de advogados da Ypióca.

Em meados de dezembro de 2006, após a ameaça à lagoa se tornar pública, o Instituto Biodinâmico-IBD — associação que atua na inspeção e certificação agropecuária, de processamento e de produtos extrativistas, orgânicos e biodinâmicos — suspendeu o "selo orgânico" que havia concedido à Ypióca, alegando "problemas técnicos".

"Os Jenipapo-Kanindé que vivem em Aquiraz, na comunidade Lagoa da Encantada, somam cerca de 300 indivíduos, agrupados em 80 famílias. Seu território encontra-se delimitado e identificado, faltando contudo ser demarcado e homologado. Os indígenas precisam das contestações da CGID da FUNAI para solucionar o impasse.

"A etnia Jenipapo-Kanindé está entre as que primeiro levantou a bandeira étnica no Ceará, ainda na década de 1980, junto aos Tapeba, Pitaguary e Tremembé. De acordo com relatos orais, seus antepassados viviam em várias comunidades do Município de Aquiraz, como a Lagoa do Tapuio, o Córrego de Galinhas e o Córrego de Bacias, entre outras. Os mais antigos da comunidade localizam no século XIX a chegada de seus ancestrais à Lagoa, sendo a chamada 'Seca dos três Oitos' lembrada como data de referência na memória da comunidade.

“Desde 1995 a cacique Pequena, como é conhecida a senhora Maria de Lourdes da Conceição Alves, hoje com 65 anos, lidera a etnia na luta pelo cumprimento dos direitos indígenas, pela demarcação de suas terras e em defesa da Lagoa da Encantada, constantemente ameaçada pela especulação e pela poluição.”

(Da página web do Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza)

Cacique Pequena alertou a comunidade reunida para a ameaça de sumiço da Lagoa da Encantada

“A lagoa é uma Grande Mãe, que dá vida aos índios e aos não índios, que aqui vêm pescar para matar a sua fome. Não pode ser tratada dessa maneira”, pontuou a cacique Pequena às lideranças Jenipapo-Kanindé.



INFORMAÇÕES ACESSÓRIAS

1. “A reestruturação da FUNAI no Ceará transformou o antigo Núcleo de Apoio Local numa Coordenação Executiva Regional, com a ampliação no número de funcionários, equipamentos, viaturas e recursos necessários para atender às grandes demandas dos povos indígenas no Estado, distribuídos em 17 municípios de várias regiões. O atual presidente do órgão, Márcio Meira, veio reforçar a necessidade de apoio às causas indígenas, especialmente nas questões originadas dos conflitos pela demarcação das terras.

“Porém, a morosidade dos processos de demarcação das terras indígenas no Ceará, após o término dos estudos de identificação e delimitação das terras indígenas no Estado, aliada à falta de fiscalização nas áreas indígenas, culminaram com situações como a que se apresenta na Lagoa da Encantada em Aquiraz.

“De acordo com Preto Zezé (Francisco José Pereira de Lima), coordenador da CUFA-Central Única das Favelas do Ceará, as comunidades históricas de Fortaleza sofrem com a ‘invisibilidade’ de suas carências, conformando o fenômeno conceituado como ‘racismo ambiental’, que impede tais grupos de obter espaço adequado para manifestarem suas crenças locais. ‘Os grandes grupos econômicos não entendem que progresso algum paga os recursos naturais e o território, fundamentais para essas populações garantirem sua história, sua identidade, seus vínculos afetivos e a reprodução da vida social e cultural’, descreveu o coordenador da CUFA-CE, em sua apresentação no I Seminário Brasileiro contra o Racismo Ambiental, realizado em novembro de 2005 no Campus do Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, situada em Niterói/RJ.”

Texto publicado em AATR


2. “Fundamentando a denúncia de exploração dos recursos naturais dos índios pela Ypióca Agroindustrial Ltda. já acolhida pelo Ministério Público Federal, tem-se que o grupo indígena Jenipapo-Kanindé, que habita a Lagoa da Encantada, no município cearense de Aquiraz, aguarda a demarcação da terra indígena, identificada e delimitada com 1.086,62 hectares.

“Este grupo, junto com outras comunidades tradicionais, sofre os impactos ambientais e as pressões econômicas ligadas à empresa Ypióca Agroindustrial Ltda. (que produz e destila cana-de-açúcar para fabrico e distribuição da cachaça de mesmo nome e outras marcas). A empresa situa-se entre Fortaleza e Aquiraz, ocupando grande parte do entorno da Lagoa da Encantada, área de relevância que traduz a história e a cultura dos índios Jenipapo-Kanindé.

“Foi noticiado que a empresa perdeu em janeiro/fevereiro de 2007 o ‘selo orgânico’ concedido pela seção brasileira do Instituto von Demeter, em conseqüência de denúncia formulada pelo professor Jeovah Meireles, da UFC. Esta entidade é reconhecida internacionalmente na estipulação de ‘bio-selos’, como são chamadas essas certificações. Ocorre que a Ypióca é acusada por várias instituições — inclusive pelo Ministério Público Federal — de causar danos como a eutrofização (proliferação de algas que consomem nutrientes e oxigênio dissolvido, promovendo a mortandade de peixes) e a poluição bioquímica contínua da Lagoa da Encantada.

“A empresa também promove a retirada de água potável do mesmo 'poço encantado' durante 24 horas diariamente e polui os lençóis freáticos das regiões próximas, prejudicando o abastecimento e a agricultura das comunidades que margeiam a Lagoa. A empresa chegou a ameaçar um jornalista alemão que publicou matéria divulgando irregularidades.

“Insatisfeita com as repercussões transcontinentais do texto, os empresários do destilado de cana cearense ameaçaram levar a publicação digital e o jornalista às cortes judiciais da Alemanha e da Europa, para que a matéria jornalística fosse censurada e o jornalista, punido. A notícia circulou na rede em 7 de fevereiro de 2007”.

Fonte: PRCE MPF 

3. “A Ypióca, com 4 mil hectares de lavoura, gigante produtora e exportadora de aguardente de cana, proclamou 40 hectares nas proximidades da Lagoa Encantada como “área de proteção da Mata Atlântica”. Mas o cientista Jeovah Meireles, professor da UFC-Universidade Federal do Ceará, afirma que a Ypióca explora e polui as reservas de água dos índios locais e está destruindo o ecossistema da lagoa, retirando sua água sem interrupção, para irrigar sua monocultura e contaminando, através dos efluentes de suas empresas, as reservas de água dos índios Jenipapo-Kanindé.

“Há quatro anos trabalhamos em estrita cooperação com os Jenipapo-Kanindé", informa Meireles. “A lagoa é sua base ecológico-cultural”. A exploração dos recursos aquíferos pela Ypióca está ameaçando a sobrevivência física e cultural deste povo indígena, fato que já levou os nativos a denunciarem a empresa. Não obstante, o Instituto Demeter brasileiro, o Instituto Biodinâmico (IBD) contemplou a cachaça Ypióca com um selo orgânico, visto que a empresa também aplica as bionormas em uma pequena parte de sua monocultura de cana-de-açúcar, aproximadamente dez por cento. Na sequência, a Ypióca teria perdido o selo por “motivos técnicos”, segundo a justificativa do biocertificador brasileiro. O instituto sujeitou, a partir de então, a produtora de álcool a uma fiscalização minuciosa que incluiu o problema da lagoa e sua população indígena."


Mais informação:
Outra reserva indígena ameaçada em nome do desenvolvimento: Belo Monte
Hidropirataria nas fontes de São Lourenço seca as fontes termais
Flow, documentário premiado retrata desertificação após saída da fábrica de bebidas
O que é água mineral engarrafada
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Comida di Buteco e as dicas para beber cachaça sem insalubridade

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Poema Imperfeito

Há alguns anos, trabalhei com um jovem advogado que havia recém concluído seu mestrado na Inglaterra. Outro brasileiro estava concluindo o doutorado na mesma época e instituição, Fernando Fernandez.
Como todos gostávamos de conversar sobre ecologia, na época não se usava o termo sustentabilidade tão popularmente, meu amigo advogado me apresentou a Fernando Fernadez, então Dr. e autor de um dos melhores livros sobre ambientalismo do país, Poema Imperfeito.

Uma das muitas vantagens de conhecer um autor, é que o livro se torna ainda mais interessante.
Recomendo a leitura por todos que quiserem entender as principais questões atuais e compreender também que não existe desenvolvimento 100% sustentável. Se há desenvolvimento, há impacto e o desafio é justamente minimizar esse impacto.
O livro foi inclusive definido como o livro a ser lido por quem não consegue ler até o final um livro sobre ambientalismo.

Sustentabilidade não é dar peixe a quem tem fome (isso é filantropia) e nem ensinar a pescar (isso é responsabilidade social). Sustentabilidade é cuidar da qualidade da água dos rios, proteger as matas ciliares, evitar a erosão e trabalhar para que nunca falte peixe no rio.




Na verdade, apesar de seu título, não se trata de um livro de poemas. Uma interessante metáfora: o poema é a natureza, e o livro trata de ecologia. Não a ecologia acadêmica, mas uma interpretação distinta que abrange evolução e biogeografia, descentralizando o homem desta concepção e introduzindo uma nova lógica para a conservação da natureza. Fernando Fernandez aborda o tema passando pela literatura, filosofia e por cientistas incompreendidos como Thomas Huxley, George Hutchincon e Leon Croizat, que trouxeram contribuições fundamentais para esta ciência. É um livro de crônicas e, como tal, seus capítulos podem ser lidos separadamente por tratarem de assuntos distintos.

Fonte: Editora da UFPR


O poema do título é a natureza, empobrecida pelas ações de nossa espécie. Escrito em forma de crônicas, O Poema Imperfeito traz reflexões sobre vários temas de biologia e conservação da natureza. Entre eles, o papel do homem nas extinções pré-históricas mais recentes, e da ecologia como determinante da história, e porque nossa cultura fecha os olhos para essas coisas; as vidas fascinantes de grandes biólogos subestimados pelos historiadores, Leon Croizat, Thomas Huxley e G.E. Hutchinson; o desconcertante caos determinístico e seu impacto sobre a ecologia; a fragmentação florestal, um dos mais importantes problemas ecológicos da atualidade; o crescimento populacional humano como multiplicador de todos os problemas ecológicos; a crítica ao mito do desenvolvimento sustentável; e como a consciência de nossa origem evolutiva pode ser a chave para conseguirmos nos relacionar melhor com o resto da natureza.  

Fonte: Laboratório de Ecologia da UFRJ

sábado, 11 de dezembro de 2010

06 produtos perigosos que usamos todos os dias e 09 produtos que contém ingredientes de origem animal e você nem imagina


06 produtos perigosos que usamos todos os dias

Homens se gabam de serem simples, em comparação as mulheres e todas as opções de produtos de beleza femininos disponíveis no mercado. Mas de alguns ítens é difícil escapar: desodorante, shampoo, condicionador, perfume, creme de barbear...

Cada um deles possui diversos ingredientes que podem fazer mal a você e ao planeta. Duvida? Leia esta lista e desconfie das letras minúsculas dos rótulos dos produtos que você tem em casa.

Espuma de barbear
São tão malignos que você não quer nem saber o que há neles. Sério.
Se ficou curioso, veja a lista: butano (o conhecido gás de cozinha), uréia de diazolidinyl (que libera formaldeído, substância que pode causar dificuldades respiratórias), trietanolamina (um importante ingrediente do gás mostarda, arma química criada durante a Segunda Guerra Mundial e que pode causar câncer), parabeno (que enfraquecem imitadores de estrogênio, presentes nas pílulas anticoncepcionais).
Para ficar longe de todas essas toxinas, faça a barba com óleos orgânicos, como óleo de amêndoas, géis de barbear ou adote um visual lenhador e não faça a barba.


Pós-barba
Se você decidiu parar de fazer a barba, pule este tópico. Se não... jogue fora o seu pós-barba. Ele contém álcool, que seca a pele quando ela precisa de hidratação. Água fria é suficiente para fechar os poros após a raspagem dos pelos.


Shampoo
Para fazer espuma, o Lauriléter sulfato de sódio e seus derivados são bastante utilizados, que possui grandes chances de ser um causador de câncer. O shampoo também pode conter parabeno (o mesmo que está presente na espuma de barbear).


Perfume
A maioria dos perfumes e águas de colônia (femininos e masculinos) possuem diversos produtos químicos que podem afetar o esperma. Pois é, muitas marcas possuem petroquímicos, parabeno e ácido pthalic em sua fórmula, que podem afetar a quantidade e velocidade dos espermatozóides, além de causarem danos no seu DNA.


Desodorante e antitranspirante
Costumam conter os seguintes ingredientes “do mal”: Triclosano: antibactericida, ele deixa as bactérias mais resistentes e pode até mudar o sexo dos peixes (!). Sais de alumínio: são uma neurotoxina que pode estar associada ao mal de Alzheimer (aquele da perda de memória, lembra?). BHT: são menos utilizados na fabricação de desodorantes, mas muito perigosos. Estudos relacionam a substância ao surgimento de câncer, podem afetar o sistema nervoso e são classificados como “provavelmente tóxicos e prejudiciais” pela Lista de Sustâncias Domésticas do Departamento de Meio Ambiente do Canadá. Nossos avós usavam talco nas axilas – e depois deste post, acho que vou aderir à prática.


Hidratante
Possui mais de 30 substâncias que vêm do petróleo, contêm silicone e outros ingredientes malignos para você e para o planeta. Substitua por produtos orgânicos à base de manteira de karité ou use óleos naturais.




09 produtos que contém ingredientes de origem animal e você nem imagina

Para não consumir nenhum produto de origem animal, é preciso se preocupar com muito mais do que as letrinhas miúdas das embalagens de comida.
Artigos simples, como sacolinhas de plástico e pneus de bicicleta são feitos com algum produto de origem animal. Segundo a OFAC (Conselho de Pecuária de Ontário, no Canadá), dos animais presentes na alimentação humana, 45% é utilizado para fabricar artigos não-comestíveis.

Confira essa lista e aumente sua paranóia:

Sacolas Plásticas
Muitos tipos de plástico, inclusive as sacolinhas de supermercado, contém um ingrediente que diminui o efeito estático que o material pode causar: gordura animal. Mais um motivo para usar uma ecobag.


Pneus de carro e de bicicleta
Para se certificar que seu meio de transporte é livre de produtos animais, cheque se o fabricante utiliza a versão vegetal do ácido esteárico, usado para conservar a forma do pneu sob atrito intenso. Segundo lista do fórum de Malhação Vegana (em inglês), a Michelin é animal-free.


Cola de madeira usada em instrumentos musicais
Aparentemente, a cola feita com ossos e tecido conjuntivo cozidos é o melhor adesivo para fixar violinos, pianos e outros instrumentos musicais feitos de madeira. Além disso, ela também é usada pelos carpinteiros para colar mesas, portas, armários… Existe uma cola sintética, mas, para saber qual foi utilizada, só perguntando ao fabricante.


Biocombustível
Tá pensando que só existe álcool de cana de açúcar e biodiesel de óleo de mamona? Ele também pode ser feito com gordura de carne de boi e de frango.


Fogos de artifício
Além de fazerem mal para o meio ambiente (a fumaça polui o ar e carrega metais tóxicos, que contaminam o solo e a água), eles também têm ácido esteárico em sua fórmula – e não dá pra saber se eles são de origem animal ou vegetal…


Amaciante de roupas
Ele contém dihydrogenated tallow dimethyl ammonium chloride em sua fórmula. Esse derivado da amônia vem das ovelhas, cavalos e vacas. Melhor ficar com as roupas menos macias.


Shampoo e condicionador
Sim, eles contém mais de 20 ingredientes vindos de animais! “Pantenol”, “aminoácidos” e “vitamina B”, por exemplo, podem ter origem animal ou vegetal. A melhor forma de saber com certeza é procurando marcas veganas. O site Guia Vegano recomenda a marca Surya, que tem certificação e tudo.


Pasta de dentes
A glicerina, também presente no shampoo e condicionador, pode ter origem animal e vegetal. Tente marcas veganas, como a Contente, Condor, Welleda e Natura.


Açúcar branco e mascavo
Algumas marcas utilizam cinzas purificadas feitas com ossos no refinamento do açúcar. Há como fazer o mesmo processo com carbono granulado ou um sistema de troca de íons. Opte por açúcar cristal orgânico, se ficar na dúvida.


Mais informação:
Biocombustível com o mínimo de impacto gerado a partir do lixo
Cosméticos biodegradáveis e não testados em animais
Como funciona a indústria de cosméticos
Creme dental e escovas de dentes não-testados em animais
Mais idéias para um banheiro verde
Açúcar branco vicia, mata e é uma droga legalizada
Shopping bags, o primeiro post desse blog

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Natal Sustentável


Hoje é dia de Nossa Sra. da Conceição, tradicionalmente o dia de armar a árvore de Natal e arrumar a casa, para desmontar tudo em 06 de janeiro, dia de Reis Magos.
Mas hoje em dia, ninguém liga mais para o que a vovó fazia e o comércio já está todo enfeitado desde outubro.

Depois do Dia das Mães é o feriado que mais vende, mas provavelmente é o que mais mobiliza o comércio e indústria, pela abrangência de itens de consumo - independente da religião, todo mundo comemora o Natal.
Natal lembra de cara shoppings e supermercados lotados, famílias enlouquecidas e um mundo de comida, bebida... e desperdício, é claro.


Em primeiro lugar: a segurança da residência e seus membros:
Não faça da sua casa uma alegoria natalina com mini-lâmpadas chinesas, além de cafona e caro, você pode causar um incêndio que tome o edifício inteiro. Se não consegue viver sem as luzes natalinas, desligue tudo ao sair de casa e ir dormir.

Não acredita? Veja o vídeo abaixo de como uma árvore de Natal doméstica incendeia uma sala em 5 segundos.




Todos os meus amigos com filhos reclamam como as crianças estão cada vez mais preguiçosas e consumistas. Concordo plenamente, mas acredito que nós adultos somos os maiores responsáveis por esse quadro. Criar um filho pode ser cansativo e desgastante, especialmente quando os pais trabalham o dia todo e deixar a criança se entreter na frente da tv, internet ou um game, é muito mais fácil do que levar para andar de bicicleta, jogar bola, surfar ou mesmo um passeio cultural como bibliotecas e exposições.

Para tirar uma criança (e muitos adultos) da frente da tv, nada como um bom livro. Sebos vendem coleções inteiras por 10% do valor comercial e ainda colaboram para reduzir o desmatamento. Atualmente os livros são impressos em papel oriundo de madeira de reflorestamento, mas atente que o reflorestamento de eucalipto é um mito que está transformando o pouco que restou da mata atlântica em outra monocultura.
Aproveite e leve as crianças no Sebo, você pode se surpreender como um livro é muito mais poderoso do que um game e os funcionários são sempre uns amores, adoram o que fazem, ao contrário do caos do shopping entupido.



Outras atividades que podem reunir pessoas nos dias anteriores são a arrumação da casa e o desenvolvimento de alguma atividade assistencial.
A arrumação da casa pode e deve ser feita com materiais reciclados e biodegradáveis. Um pinheiro natural, se morar em casa com uma casuarina plantada, ou mesmo a arrumação de uma planta maior, como um ficus, com fitas feitas de retalhos de tecidos, flores, anjos e origamis de papel reaproveitado, muitas flores desidratadas e a base da árvore toda em pedras e pinhas. Nada mais fora de moda do que aquele pinheiro de plástico com um pano vermelho escondendo os pés e uma profusão de enfeites plásticos mofados.
Todas as árvores desse post, exceto a que pegou fogo obviamente, foram feitas em material reciclado como latas, pet, vidro e mdf, encontradas no google images com busca por "árvore natal ecológica" e baixadas de sites de design.

O Natal mais bonito que passei foi justamente o mais simples e incomum. Morava sozinha e longe de minha família. Na noite do dia 24, fui com minha melhor amiga, que também morava só e longe da família, à Missa do Galo na Catedral mais próxima de casa. De lá, seguimos após a missa (lotada e muito bonita) com um grupo de voluntários daquela congregação para uma atividade de distribuição de lanche e presentes à moradores de rua. Chegamos em casa tarde, depois de meia-noite - o grupo não ligava para Ceia e foi uma experiência tão marcante, que entrei para o grupo e passei a fazer a distribuição semanalmente.
O Natal é a melhor época para acessar esse grupos, além de precisarem de mais voluntários, algumas atividades só acontecem nessa época do ano. Orfanatos e asilos de idosos sempre precisam, alguns hospitais também.


No Dia dos Namorados, deixei muitas sugestões de presentes (e passeios) sustentáveis, as mesmas continuam valendo:

Não compre um celular novo, cada aparelho produzido consome metade dos metais conhecidos pelo homem listados na tabela periódica. Comprando eletro-eletrônicos novos, priorize as empresas de tecnologia ambientalmente responsáveis, veja no ranking do Greenpeace quem se importa.

Bicicleta é um presente ótimo, acaba com o sedentarismo e aproxima a família. 1 bicicleta a mais = 1 carro a menos.

Vinhos e bebidas orgânicas, meu pai ganhou uma garrafa de Limoncello italiano de cultivo orgânico quando fez 60 anos. As cachaças também são ótimas.

Dê flores em vasos, vão durar mais do que um arranjo e precisa de cuidado - ou mesmo um vasinho com mudas de ervas aromáticas, estimule a horta caseira na casa do outro, quem cozinha pode adorar.

Cosméticos e perfumes biodegradáveis e não-testados em animais, das melhores marcas, são o sonho de qualquer mulher com mais de 9 anos de idade.

Se o presenteado tem um hobby ou coleciona algo, digamos que seja louco por futebol, uma camisa da seleção ou do time do coração, de época e autografada pode ser facilmente comprada em leilão virtual. O mesmo se aplica à vinis, bonecas, peças de arte e afins. Um dos meu sonhos de consumo é uma camisa oficial do Flamengo, da época da conquista do mundial, autografada pelo Zico. Se for a número 10 então, é a perfeição. Mas deve custar uma fortuna.

Presenteie com um animal de abrigo, não compre seu amigo estimulando esse comércio criminoso de criadouros. Eu tenho 2 vira-latas, Olimpia e Margarida, são como filhas. Um gato é o ideal para quem ainda não tem experiência. Se adotar, castre, ou exija um animal já castrado, para que seu presente não vire "de grego". Mas não aproveite para comprar um aquário ou tartaruga. Aquários só de plantas e, se você tiver que comprar um animal, rejeite e vá para o abrigo escolher seu amigo.

Se a presenteada curte roupas vintage e estilosas, um presente de brechó pode ser o sonho dela. Eu tenho um vestido Lacoste original, década de 60, comprado por R$100,00 num brechó. Alguns homens também podem curtir, especialmente os da área de criação e artes, as camisas estilo "jogador de boliche 50´s" são encontradas em todas as cores, assim como chapéus Panamá, óculos escuros e até gravatas assinadas.
Lembre que cada calça jeans nova consumiu 42 litros de água pura em seu processo de produção.
O Natal é a época ideal para compras em bazares de caridade, várias instituições passam o ano todo recolhendo doações para a "grande venda de final de ano". Alguns são especializados inclusive em roupas assinadas por grandes estilistas internacionais e nem aceitam o que não seja de grife, esteja com etiqueta e em boas condições.
Muitos bazares e brechós trabalham exclusivamente com brinquedos e roupas de crianças, há blogs de trocas entre mães, já que crianças tradicionalmente "perdem" as peças de uma hora para outra.

Aqui no blog, são encontradas igualmente muitas dicas de sapatos e bolsas em materias alternativos, fugindo do couro, todos sob o marcador consumo consciente e até roupas feitas com algodão orgânico ou de pet reciclado, as grandes grifes estão aderindo, principalmente com camisetas e roupas esportivas.

Se o presenteado curte coisas para casa e está nessa fase, móveis antigos ou mesmo utilitários de época, como um gramophone e juke box, biombo ou baleiros, são muito charmosos. Decorei toda a minha casa com móveis de segunda mão encontrados nas Feiras do Lavradio e Pç XV, do século XIX aos anos 70, em madeira de lei e com muito estilo, sem derrubar mais árvores desnecessariamente. Obras de arte, como quadros e até lustres de cristal também são encontrados por menos da metade do preço do mercado de antiquariato convencional. O passeio pela feira para escolha do presente, já é um programa inesquecível para toda a família e pode mostrar às mesmas crianças consumistas que um mundo já existia antes da internet.

Presentes mais caros como jóias, também são válidos e fazem parte da tradição de muitas famílias. Eu não estimulo a compra de uma jóia nova, afinal todo processo mineratório é extremamente poluente e geralmente exploratório aos trabalhadores envolvidos. Mas ganhar uma jóia de família é muito sofisticado e demonstra que não existe a menor intenção de romper o vínculo. Se não for o caso da família ter jóias, há inúmeros leilões de jóias antigas ou mesmo penhoradas, onde as peças são encontradas inclusive a preço mais baixo. Alguns homens podem sonhar com abotoaduras em ouro e acharem diferente participar de um leilão onde serão presenteados.


Faça o presente ou pelo menos o embrulho em casa, embrulhe a caixa de papelão em retalhos de tecidos - como o furoshiki dos japoneses - um lenço ou fronha que não é mais usado, os classificados do jornal, amarre com fita ou barbante (dispense o durex, que não recicla) e arremate com uma flor e folha seca. Outra dica simpática é usar um saco de papelão tradicional de padaria, escrito "feito com carinho" e decorar o mesmo com desenhos, flores e galhos secos.

Quem souber fazer origami, pode decorar o embrulho mais simples com flores e pássaros, permitindo efeito tridimensional multicolorido.
Veja como fazer um embrulho para presente em papel jornal, decorando com galho de cedro e tsuru em origami. e um guia de furoshiki completo, com retalhos de tecidos, que permite até embalar garrafas


Aproveite para enviar os cartões de Natal via email a quem tiver endereço eletrônico, assim economiza papel e o combustível fóssil usado na logística de transporte.

A Anistia Internacional todo ano convida seus voluntários a enviar emails desejando esperança e paz aos milhares de prisioneiros políticos e de consciência espalhados pelo mundo. Envie também os cartões de Natal pela liberdade de expressão.
Se envia cartões de Natal em papel, priorize os lindos cartões de Natal pintados com a boca e os pés por artistas deficientes.


Para que o seu Natal seja mais leve e deixe uma pegada menor no planeta - afinal estamos entrando antes no cheque especial, siga as dicas do ano passado para a Ceia, atualizadas com tudo que foi postado ao longo desse ano:

Incensos e aromatizadores de ambiente
Tudo sobre as bebidas de festa e a versão 2011 dizendo a que veio: Eu bebo sim!
Vinhos e bebidas orgânicas
Águas aromatizadas
Entradas para festas
As saladas mais tradicionais
Os pratos principais da Ceia
Sobremesas caseiras e sugar free
Rabanadas orgânicas e veganas
Panetone Italiano, Xmas Fruit Cake e Bolo Português de maçã e amêndoas (orgânicos, integrais e sugar-free)
Guardanapos de pano
Cozinha sem tupperware



E se beber, não dirija. As épocas de festas, como final de ano e Carnaval, são as campeãs em acidentes de trânsito. Aproveite e vá doar sangue, os estoques já estão perigando.

Encerro com minha árvore de Natal favorita, a Tree Cycle:
Em Sidney, na Austrália, construir árvores de Natal com objetos reciclados não é novidade. A cidade criou o enfeite com cadeiras empilhadas em 2008 e com garrafas em 2009. Este ano, no entanto, a montagem é ainda mais surpreendente. Isso porque os responsáveis utilizaram 100 bicicletas que iriam para o lixo para compor a árvore. As peças foram doadas por uma companhia local de reciclagem. Batizado de Tree-Cycle, o ornamento tem 23 metros de altura. As bikes foram pintadas com tinta-spray verde e os pneus foram coloridos. No topo, há uma estrela, também criada com partes das bicicletas.
A árvore tem 23 metros de altura e é composta por 100 bicicletas antigas.

Fonte: Revista Casa e Jardim





Observação de setembro de 2011: agora, são 3 vira-latas na casa, a Pipa chegou em junho



Mais informação:
Verão Sustentável
Páscoa Sustentável
Carnaval sustentável
Festas Juninas sustentáveis
Copa do Mundo sustentável
Dia dos Namorados sustentável