terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Alerta de Tubarão em Cabo Frio: Necessário ou Excesso de Zelo?




Eles metem medo, estão entre nós desde a pré-história e são os seres mais bem adaptados do planeta - não dormem, aguentam águas frias e quentes, não andam em bando e, para nosso pavor, não dão "aviso-prévio" quando atacam.
A imagem da barbatana perseguindo mocinhas de biquini eternizada pelo cinema blockbuster, não existe na vida real. Tubarões atacam vindo do fundo, até pela vantagem e, em quase 100% dos casos, são ataques causados por nós, humanos (carne estranha e pouco apetitosa ao peixe em questão), que pescamos seus cardumes, poluímos suas águas (as tornando escuras) e invadimos suas áreas de procriação.

Para entender sobre o assunto, leia o melhor livro escrito em português "Tubarões no Brasil" e visite o site do Instituto Aqualung que, entre outras ações, lidera a Campanha Nacional contra o consumo de barbatanas de tubarões "Protuba" e promove seminários na área de conscientização ambiental.

E se você pensa em fazer "ecoturismo" mergulhando em jaulas imersas em áreas de tubarões brancos atraídos por galões de sangue e víceras atirados pela tripulação, repense seriamente, os animais não associavam a figura humana a sangue e hoje, associam - o que causou aumento do número de ataques em áreas de balneário que eram sequer visitadas pelos animais.


Exemplos bem sucedido de convivência pacífica: o vídeo abaixo sobre a mergulhadora que acaricia tubarões com sua luva de malha de ferro:





Alerta de Tubarão em Cabo Frio: Necessário ou Excesso de Zelo?

Por Marcelo Szpilman

As notícias “Bombeiros fazem Alerta de Tubarão em Cabo Frio”, veiculada na mídia online, e “Tubarão deixa Cabo Frio em Estado de Alerta”, veiculada em alguns jornais, precisam ser esclarecidas para evitar exageros e distorções que podem gerar insegurança e medo desnecessários para a população.

Em princípio, o alerta de tubarão em Cabo Frio soa como absolutamente inócuo ou desnecessário, já que os tubarões habitam aquela região há milhões de anos e NUNCA representaram qualquer ameaça ao homem __ não há nenhum registro de ataque de tubarão a banhistas, surfistas ou mergulhadores em Cabo Frio ou Arraial do Cabo. O problema, e esse é o motivo do esclarecimento, são as declarações e opiniões acessórias que mais confundem do que ajudam.

Com o objetivo de esclarecer alguns pontos, seguem abaixo algumas dessas declarações e opiniões e as respectivas análises.


1 – “Bombeiros de Cabo Frio emitiram um alerta sobre a presença de um cação perseguindo um cardume de peixes”.

A presença de tubarões em nosso litoral sempre foi e continua sendo um fato muito comum (tomara que continue assim). Os tubarões frequentam há milhões de anos as mesmas áreas onde o homem passou a ter seu lazer e práticas esportivas. A zona de arrebentação das ondas é um excelente local para os tubarões capturarem seus peixes. Como já ocorreu nas praias do Rio de Janeiro, avistar cações (ou tubarões) em suas atividades rotineiras de obtenção de alimento em um dia de águas claras, ainda que seja uma curiosidade, não é nenhuma novidade e não representa nenhum tipo de ameaça. Assim, emitir alerta para esse tipo de evento só contribui para gerar intranquilidade.


2 – “Os tubarões em geral podem confundir os surfistas com tartarugas e atacá-los”.

Ainda que a confusão visual possa motivar um ataque, essa possibilidade não se aplica à Cabo Frio. Explico. Cerca de 90% dos ataques de tubarão ao homem, no mundo todo, são provocados pelo erro de identificação visual, quando o tubarão dá uma única mordida investigatória e solta sua vítima após constatar não tratar-se de sua presa habitual. Isso ocorre, por exemplo, na Austrália e no Pacífico com o tubarão-branco, que pode confundir o homem com mamíferos marinhos, nas águas turvas de Recife com o cabeça-chata, que pode confundir pernas e braços de surfistas com peixes, e no Hawaii com o tubarão-tigre, que pode confundir surfistas e suas pranchas com tartarugas.

Em algumas praias do Hawaii, em um evento que ocorre há milhares de anos, quando as tartarugas-marinhas chegam às partes rasas, para depois sair da água para desovar na areia, os tubarões-tigres aproveitam esse momento para atacá-las. Nadam por baixo e atacam de surpresa a região inferior (mais vulnerável) do casco ou suas pernas. Assim, visto de baixo contra a luz do sol, um surfista deitado em sua prancha com os membros dentro d’água, nessas praias do Hawaii, pode, eventualmente, ser confundido com uma tartaruga-marinha. Assim, transpor um evento único no mundo para Cabo Frio é um erro que só contribui para gerar mais intranquilidade.


3 – “Os ataques de tubarão a seres humanos sempre têm a ver com a falta de alimentos no mar”.

Essa é uma declaração absolutamente equivocada. Os tubarões são seres bastante adaptáveis e móveis para não sofrer diretamente a influência local da poluição ou falta de alimento. Se uma região não está atendendo suas demandas por presas habituais, o tubarão muda-se para outra região. O caso de Pernambuco é um bom exemplo. A escassez de alimento na região de Suape, devido ao aterro do mangue para construção do Porto, não motivou ataques naquela região, mas sim o deslocamento de uma população de cabeças-chatas para Recife e o aumento considerável na interação dos surfistas e banhistas com os tubarões, que passaram a caçar seus peixes na mesma área. E foi essa nova interação que motivou a sequência de ataques na década de 1990, em sua maioria provocados pelo erro de identificação visual do tubarão. Ou seja, não há relação direta entre falta de alimento e ataque de tubarão. Imaginar que, na falta de peixes e outras presas, os tubarões mudarão seus hábitos alimentares de milhões de anos de adaptação e passarão a atacar seres humanos não condiz com a realidade.






20 causas de morte mais prováveis do que um ataque de tubarão


1 – Obesidade

A obesidade mata 30.000 pessoas por ano no mundo.

A principal causa de morte dos obesos está relacionada com as doenças coronarianas, facilitadas pelo estado frequente de resistência a insulina, hiperglicemia, hiperlipemia, hipercolesterolemia nesse grupo de pacientes. A possibilidade de um obeso morrer prematuramente é de 50 a 100% maior do que nos pacientes de peso normal.

No Brasil, o aumento da obesidade já provocou reflexos na estatística de mortalidade. Um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde mostrou crescimento de 10% no número de mortes causadas por diabetes entre 1996 e 2007.

Além disso, a obesidade aumenta o risco de infarto, derrame e várias outras doenças.

Hoje, o cigarro e a obesidade sãs as duas maiores causas de morte que poderiam ser prevenidas. As projeções indicam que nos próximos dez anos, a obesidade será a primeira causa de morte previnível.


2 – Relâmpagos

Raios matam 10.000 pessoas por ano no mundo.

O Brasil é o país mais atingido por raios em todo o mundo. De acordo com levantamento feito pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), temos a maior porcentagem de mortos por esse tipo de incidente. O território brasileiro é atingido por 70 milhões de raios por ano, ou seja, um pouco mais de duas descargas elétricas por segundo.

Aqui ocorrem mais de 10% de todas as mortes relacionadas com descargas elétricas no mundo. Mais exatamente, no país, nos últimos dez anos, 1.321 pessoas morreram atingidas por relâmpagos. A maior parte das vítimas (1.122) estava na zona rural, e 15% do total (198 pessoas) estavam dentro de casa. O levantamento mostrou que, a cada ano, 132 pessoas morrem atingidas por raios no país, um número acima do esperado.

Segundo os especialistas, o problema é a desinformação da população. De fato, os relâmpagos não atingem diretamente quem está abrigado dentro de casa. O problema é o que as pessoas fazem dentro de casa quando há um temporal com muitas descargas elétricas.

Só 1% das vítimas fatais é atingida diretamente por raios, o que significa que a casa é um abrigo seguro. Mas muita gente morre levando uma descarga elétrica quando está falando ao telefone. Se um relâmpago atinge as proximidades da casa, perto da rede de telefônica ou mesmo elétrica, ele tem poder de gerar radiação que corre pelos fios.

Nos telefones sem fio, isso não acontece, assim como nos celulares, mas há um outro alerta: existem casos de morte de pessoas que estavam falando ao celular com o aparelho plugado ao carregador e ligado à tomada.

Tomar banho durante o temporal também é um risco, assim como ficar próximo à rede elétrica. Se um raio cai perto da rede elétrica, pode chegar à fiação do chuveiro e atingir a pessoa. A água é boa condutora de eletricidade. Se uma lâmpada explode pela descarga de um raio, uma pessoa que esteja próxima à rede elétrica também pode ser atingida.

A mesma lógica vale para aparelhos eletroeletrônicos, especialmente a geladeira. Ficar próximo é um risco, porque o metal ajuda a conduzir a corrente elétrica de um raio que chega pela fiação.

O estudo mostrou que muita gente que mora em casa de chão de terra batida, sem telefone ou geladeira para oferecer perigo, é vítima também. Em casas de chão de terra batida, se o raio cai próximo à residência é como se caísse dentro dela. Nos casos de mortes, a pessoa estava descalça e foi atingida pela descarga elétrica que se propagou pelo solo. Sem piso, a casa não fica isolada. Em alguns casos, pessoas que estavam com um simples chinelo de borracha tiveram a vida preservada.


3 – Celular no trânsito

Enviar SMS em situações inapropriadas matam 6.000 pessoas por ano no mundo.

Especialistas alertam que enviar torpedos ao volante é mais perigoso do que falar ao celular. O risco da prática é maior, inclusive, do que dirigir embriagado.

Além da distração provocada pela mensagem, a principal ameaça que o SMS representa à segurança no trânsito decorre da necessidade do condutor desviar o olhar da rua para o aparelho. Nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália, o assunto já é alvo de pesquisas.

Um levantamento do instituto Pew Internet and American Life Project com adolescentes americanos detectou que 32% dos entrevistados de 16 e 17 anos já tinham enviado mensagens de celular enquanto dirigiam (lá é possível ter habilitação aos 16 anos).

A disseminação da prática fez o Ministério de Transporte dos EUA brigar por novas regras. Segundo o órgão, 6.000 morreram em acidentes de carro envolvendo motoristas distraídos em 2008. Sendo assim, este ano, o governo americano baixou norma vetando especificamente o envio de torpedos por motoristas de veículos comerciais. Lá, nem todos os estados proíbem o uso do celular ao volante. Mas em 20 deles há lei específica contra torpedos.

No Brasil, o celular é proibido ao volante em todo o país. O debate sobre torpedos, porém, ainda é incipiente.


4 – Hipopótamos

Hipopótamos matam 2.900 pessoas por ano no mundo.

Entre a comunidade científica, é consenso que o animal que mais mata humanos é o hipopótamo (e você com medo de leões e tubarões, hein?).

Segundo os especialistas, o hipopótamo é um animal extremamente territorialista. A menor aproximação de um estranho tem como resposta um ataque. Por isso, é comum o registro de muitas mortes, principalmente na África, por ataques desses animais.

A aparência pacata do hipopótamo disfarça a verdadeira intenção do bicho quando ele abre a boca ao notar a aproximação de alguma pessoa: mostrar suas poderosas e destrutivas presas. Tome cuidado!


5 – Aviões

Aeronaves matam 1.200 pessoas por ano no mundo.

Comprovado por estatísticas internacionais, o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, apresentando apenas um óbito por cada milhão de passageiros embarcados.

Com média de 0,76 óbitos por cada milhão de passageiros, o transporte aéreo regular brasileiro apresenta uma segurança superior a média internacional. Evidentemente, dentro do universo aeronáutico brasileiro, vasto e heterogêneo, um grupo de aeronaves está no nível de segurança exigido pelos requisitos, outro grupo está aquém do mesmo e um terceiro grupo, pela aplicação de programas especiais de prevenção de acidentes, está além deste nível.

Sobreviver a um acidente de avião, inclusive, é muito fácil. A chance de sobrevivência em um acidente aéreo é de, no mínimo, 90%. Os EUA analisaram todos os acidentes aéreos ocorridos entre 1983 e 2000 e descobriram que de 53.487 pessoas envolvidas em acidentes, 51.207 sobreviveram. Mesmo assim, os números de morte mundiais ficam basicamente na casa dos mil. Em 2006, por exemplo, 1.293 pessoas morreram em acidentes. Em 2005, foram 1.455.


6 – Vulcões

Vulcões matam 845 pessoas por ano no mundo.

Estima-se que existam atualmente 1.500 vulcões ativos no mundo, 550 em terra e o restante no oceano. Algumas regiões do planeta estão sendo monitoradas continuamente em relação à atividade vulcânica, como o Alasca, a Islândia, a Indonésia, o Equador, o Japão, a Itália e, mais recentemente, o México. Eles não causam erupções sempre, mas quando causam…


7 – Autoasfixia erótica

Autoasfixia erótica eróticos mata 600 pessoas por ano no mundo.

A asfixia pode ser praticada para aumentar o prazer no orgasmo. Só que, diminuir propositalmente o oxigênio no cérebro provoca uma sensação de tontura, e início de desmaio. É uma prática extremamente perigosa; alguns segundos a mais e a pessoa fica inconsciente e pode morrer.

A motivação das pessoas normalmente é puramente a vontade físico-emocional de aumentar o prazer, mas alguns teóricos situam essa motivação psicológica na necessidade de ser punido, ou de suavizar a culpa de uma forma bem masoquista.

Só que essas pessoas podem ser encontradas mortas com uma corda no pescoço, de roupas íntimas, com brinquedos sexuais ao lado. Não muito agradável para sua família.

Pessoas que sofrem de culpa excessiva durante a masturbação ou outras práticas sexuais, geralmente membros de famílias religiosamente conservadoras, são os principais candidatos ao sufocamento autoerótico. Não se considera que os praticantes tenham tendências suicidas, mas “uma preferência sexual que os predispõe ao perigo”. E que perigo…


8 – Liquidações

Fazer compras em mega liquidações matam 550 pessoas por ano no mundo.

É um jeito bizarro, mas aparentemente comum de se morrer. Anuncia na rádio uma liquidação em tal loja. Dez vezes mais pessoas do que o esperado aparecem. O tumulto começa. Um empurra o outro para entrar primeiro na loja.

Não demora, e as confusões acontecem: correria, agressão e violência tomam conta da multidão. Milhares são pisoteados e feridos. Alguns morrem.

Não acreditou? No Brasil, ano passado mesmo, uma grande liquidação da loja “Atacadão dos Eletros”, em João Pessoa, Paraíba, atraiu cerca de 20 mil pessoas, que se aglomeraram para aguardar a inauguração da promoção. Muitas pessoas foram pisoteadas, e uma senhora de 67 anos não resistiu aos ferimentos e morreu.


9 – Cair da cama

Cair da cama mata 450 pessoas por ano no mundo.

Para você que acha que cair da cama não é nada, é muita coisa: cair é sinônimo de possível fratura, que, se for no crânio, pode ser mortal. Normalmente, quem morre por cair da cama são bebês, nos quais os danos ao crânio são geralmente piores.

Mas nenhum adulto está ileso: em julho desse ano, uma idosa caiu da cama em época de enchente, e morreu afogada. E, no ano passado, um jogador de futebol do Noroeste quase morreu depois de cair de um beliche e bater a cabeça. Passou por seis cirurgias para a retida de um coágulo do lado esquerdo e da calota craniana do lado direito do cérebro, e reparou o maxilar esquerdo que havia deslocado. Chegou a ficar a coma, e demorou muito tempo pra se recuperar. Não é bolinho não…


10 – Banheiras

Banheiras matam 340 pessoas por ano no mundo.

Banheiras podem matar de inúmeras formas. Aqui, de novo, temos os bebês; eles podem morrer afogados durante banhos – nunca podem ser deixados sozinhos. Mas não é só isso. Há casos bizarros, como a da jovem de 18 anos que morreu queimada em uma banheira com água quente na cidade de Brotas, em São Paulo, no ano passado. Ela foi levada ao hospital, mas não sobreviveu. Parecido com o caso de um cara, cujo corpo foi encontrado derretido, porque ele resolveu tomar um banho quente enquanto embriagado. E, na Romênia, em 2009, uma adolescente morreu eletrocutada quando o notebook que ela usava na banheira caiu na água. Tá pensando o quê?


11 – Cervos

Cervos matam 130 pessoas por ano no mundo.

Animais selvagens como o cervo geralmente não atacam pessoas. Apesar disso, em maio do ano passado, um cervo atacou dois tratadores em um zoológico de São Paulo. E, em maio desse ano, no Rio Grande do Sul, um cervo entrou em disparada numa farmácia, e felizmente não machucou ninguém.

De fato, é mais fácil e comum que, ao cruzar estradas ou morrer nelas, os cervos atrapalhem o trânsito e causem acidentes de carro.


12 – Gelo

Pontas de gelo matam 100 pessoas por ano no somente na Rússia.

O nome técnico das pontas de gelo é estalactites. Em cavernas, elas são formações que se originam no teto por depósitos de minerais; no caso do gelo, elas formam “cones” de gelo que podem se quebrar e cair sobre alguém – causando sua morte.

No inverno rigoroso da Rússia, essas formações pontudas são muito comuns – e o perigo também.


13 – Cachorro-quente

Cachorro-quente mata 70 crianças por ano no mundo.

Pasme: o formato do cachorro-quente é que representa o maior perigo para as crianças. Isso porque pode provocar engasgamentos.

Segundo pediatras, a forma alongada, o tamanho e a textura dos cachorros-quentes aumentam o perigo de que crianças engasguem. Uma pesquisa americana revelou que mais de dez mil crianças dão entrada nas emergências e 77 morrem anualmente nos Estados Unidos por engasgarem com cachorros-quentes.

O estudo também diz que 17% dos casos de asfixia por alimentos estão ligados aos cachorros-quentes. Alguns médicos comentam que é praticamente impossível extrair um cachorro-quente depois de entalado na garganta. Como nenhum pai pode vigiar seus filhos o tempo todo, os especialistas recomendam que o cachorro-quente mude de forma. Ahhh…


14 – Tornados

Tornados matam 60 pessoas por ano no mundo.

Na categoria dos desastres naturais, tornados são perigosos especialmente onde são mais comuns, como na região do Meio-Oeste dos EUA, apelidada de “corredor dos tornados”.

Os tornados são o pior tipo de tempestade conhecido pelo homem. Eles acontecem quando uma coluna de ar que gira muito rápido se liga, ao mesmo tempo, a uma nuvem de chuva e ao solo. Estes fenômenos naturais, muito complexos e dificilmente previsíveis, são capazes de produzir ventos de mais de 500 km/h. Só em território americano, ocorrem cerca de mil tornados por ano, deixando uma média de 80 mortos e mais milhões de reais em danos.

No Brasil, a primavera e o outono são as estações dos tornados. Pesquisas comprovam que uma porção significativa das destruições atribuídas aos vendavais no sul, parte do sudeste e parte do centro-oeste são provocadas, na verdade, por tornados.


15 – Águas-vivas

Águas-vivas matam 40 pessoas por ano no mundo.

A água-viva possui tentáculos responsáveis pela produção do cisto, substância que, se colocada em contato com o homem, libera um veneno urticante que causa irritação, inchaço e vermelhidão na pele.

Existem mais de mil espécies de águas-vivas espalhadas pelo mundo, mas duas delas têm causado alguns problemas para os banhistas no litoral do Brasil, principalmente em São Paulo, como a Chiropsalmus quadrumanus e a Tamoya haplonema.

Porém, segundo biólogos, as espécies encontradas na costa brasileira são pouco perigosas e, até hoje, não existem relatos de contatos fatais entre esses animais marinhos e os seres humanos. Felizmente, as existentes no Brasil não estão entre as espécies que podem levar à morte, como as que habitam a Austrália, onde vários casos fatais foram registrados nos últimos anos.

Ainda assim, de vez em quando elas invadem nossas águas; no litoral paulista, durante o feriado de ano-novo entre 2007 e 2008, cerca de 300 pessoas sofreram queimaduras (alterações climáticas ou o desequilíbrio ambiental no habitat da espécie, incomum nessa época do ano, podem ter sido os principais fatores para a proliferação do animal na região). Esse ano, na mesma época, 50 pessoas foram queimadas no Piauí.


16 – Cachorros

Cachorros matam 30 pessoas por ano só nos Estados Unidos.

Cachorros podem se sentir vulneráveis, em perigo, e se defender. Apesar de serem os melhores amigos do homem, eles não são considerados racionais, e não é necessário ser um rottweiler ou um pitbull para atacar alguém.

Crianças são mais prováveis de morrer nas mãos de um animal. Isso porque elas não levam em consideração o perigo de se aproximar de um cachorro que não conhecem. Eles podem ser domesticados, mas ainda matam de vez em quando…


17 – Formigas

Formigas matam 30 pessoas por ano no mundo.

Elas são não tão inocentes quanto parecem. Nem seus amigos. As picadas de abelhas, de vespas, de vespões e de formigas são muito frequentes em muitos países; uma pessoa normal pode tolerar, sem problemas, 10 picadas por cada meio quilo de peso corporal. Isto significa que o adulto poderá suportar mais de 1000 picadas, enquanto 500 poderão matar uma criança.

No entanto, uma picada pode provocar a morte em virtude de uma reação anafilática em pessoas alérgicas. Em determinadas áreas, como o sul dos Estados Unidos, e sobretudo a zona do golfo do México, as formigas-vermelhas provocam milhares de picadas por ano e até 40% das pessoas que vivem em áreas urbanas infestadas podem ser picadas em várias alturas do ano. Foram atribuídas pelo menos 30 mortes às picadas destes insetos. Tá achando o que?


18 – Futebol americano

Jogos de futebol americano em escolas do ensino médio matam 20 pessoas por ano no mundo.

O futebol americano pode ser considerado perigoso e violento. Isso porque é um desporto de equipe e de contato que surgiu de uma variação do rugby e que exige velocidade, agilidade, capacidade tática e força bruta dos jogadores que se empurram, bloqueiam e perseguem uns aos outros (achou pouco?).

Apesar dos capacetes e das pesadas proteções que os jogadores usam em campo, lesões são comuns no futebol americano. Todos os anos morrem jogadores em resultado de lesões sofridas em jogos de todos os níveis. Centenas de traumatismos cranianos são registradas. Essas lesões sofridas são com frequência permanentes. E o esporte continua sendo um sucesso nos EUA… Felizmente (ou não, para quem gosta), no Brasil, o futebol americano é pouco praticado.


19 – Máquinas de venda automáticas

Máquinas automáticas de venda matam 13 por ano no mundo.

Isso mesmo senhoras e senhores. Tomem o caso de 1998, no Canadá, quando um garoto de 19 anos morreu esmagado debaixo de uma máquina de venda automática.

Quem nunca fez a mesma coisa? Pediu por um produto nessas máquinas, ele não veio, e resolveu chacoalhar, dentre outras técnicas, para tentar conseguir o que você pagou?

A única coisa é que a máquina caiu em cima dele e sua latinha de refrigerante nem sequer saiu.

Pior: já naquela época, um relatório afirmou que a derrubada de máquinas de venda automática causaram pelo menos 35 mortes e 140 feridos nos últimos 20 anos. Os pais do garoto processaram a Coca-Cola, de quem era a máquina que o garoto tentava sacudir, por “negligência grave”. E essas máquinas destrutivas continuam soltas por aí…


20. Montanhas russas

Montanhas russas matam 6 pessoas por ano no mundo.

Meu filho, todas as mães sabem que “esses brinquedos” não são confiáveis. Só de olhar, dá medo. Apesar de tudo, é muito difícil morrer numa montanha-russa. Mas tem gente que consegue.

Em junho desse ano, a Defesa Civil do Rio de Janeiro interditou totalmente o parque Terra Encantada, na Barra da Tijuca, depois de realizar uma vistoria e encontrar irregularidades em todos os brinquedos. Antes disso, a Polícia Civil já havia interditado, por tempo indeterminado, a montanha-russa de onde a ajudante de cozinha Heydiara Lemos Ribeiro, de 61 anos, caiu e morreu. Segurança não se vê em todos os lugares!

E nem é só isso. Em 2007, por exemplo, uma montanha-russa da Disneylândia de Paris foi fechada depois que uma espanhola de 14 anos morreu no brinquedo. A garota perdeu a consciência durante o passeio e os esforços para reavivá-la fracassaram. A morte pode ter sido causada por motivos de saúde, e não pelo brinquedo em questão. Tais brinquedos não são aconselháveis para mulheres grávidas, pessoas com problemas na coluna ou que apresentem antecedentes cardíacos. Não é pra qualquer um, não!



Tubarões matam apenas 5 pessoas por ano.

Aliás, eles sempre fazem manchetes por razões erradas. Na última terça-feira, um britânico, Ian Redmond, foi mortalmente atacado por um tubarão nas Ilhas Seychelles, no Oceano Índico.

Foi o segundo ataque fatal de tubarão na área só este mês. Os ataques de tubarão estão se tornando mais comuns, então?

De acordo com o Arquivo Internacional de Ataque de Tubarões (ISAF, na sigla em inglês), um programa executado por biólogos marinhos do Museu de História Natural da Flórida, o número de ataques de tubarão não provocados tem supostamente crescido.

Por exemplo, em 1900 havia, em todo o mundo, cerca de 20 ataques registrados não provocados por tubarões em pessoas. Isso subiu para cerca de 100 na década de 1940, passando a 500 na década de 1990. No princípio de 2000, esse número havia ultrapassado 650.

Mas, em muitos aspectos, esse dado é enganador. A ISAF, que tem melhor conjunto de dados atualmente sobre ataques de tubarão, diz que a lista crescente de ataques não provocados não significa que os tubarões começaram a gostar de seres humanos – o que certamente não vai ocorrer, já que nós não somos presas de nenhuma espécie, ou atacar-nos a uma taxa maior.

O fato se deve a maior atenção da mídia agora, que fala mais sobre os tubarões do que no passado. Também, no passado, não se registravam tanto os ataques.

A população humana cresceu rapidamente no século passado, o que significa que muito mais pessoas estão indo para a água, se engajando em atividades recreativas por períodos mais longos, que os colocam em estreita proximidade com os tubarões.

A Flórida sofre mais ataques de tubarão do que em qualquer lugar do mundo. De poucos em 1900 para 190 em 2000, os ataques se espelham quase exatamente no aumento do número de residentes humanos, de 1 milhão para mais de 16 milhões hoje.

Califórnia, Japão e Havaí mostram uma tendência semelhante. Na Austrália, não há mais ataques hoje do que havia em 1920, 1940 ou 1950, e na verdade muito menos do que na década de 1930 ou 1960, apesar de a população humana ter crescido de 4 milhões para mais de 18 milhões.

Outro dado interessante é que, enquanto os ataques registrados subiram a cada década, a proporção de pessoas que morrem como resultado caiu de forma consistente no mesmo período.

Em 1900, 0,6% dos ataques de tubarão foram fatais. Na década de 1960, isso caiu para abaixo de 0,2%, e hoje, menos de 0,1% das vítimas morrem como resultado de um ataque não provocado de tubarão.

Há muitas razões para este declínio: pranchas de surf modernas, equipamentos de mergulho melhores, instalações médicas melhores e atendimento muito mais rápido.

Identificar quais espécies atacam é mais difícil. Tubarões brancos levam mais culpa. Esta espécie, uma das mais predatórias dos tubarões, foi registrada por atacar 182 pessoas, matando 65.

O tubarão-tigre e o tubarão-touro tem estatísticas semelhantes, tendo ambos atacado cerca de 60 pessoas, cada espécie matando cerca de 25.

Mas as vítimas ou espectadores raramente são capazes de identificar com precisão as espécies de tubarão que realmente atacaram, o que não é surpreendente dado o estresse da situação. Mas isso significa que as estatísticas devem ser tratadas com cautela.

No entanto, o tubarão branco, tigre e touro são mesmo os “três grandes” do mundo do ataque de tubarão, porque são grandes espécies capazes de causar ferimentos graves a uma vítima, comumente encontradas em áreas onde os seres humanos entram na água. Além disso, seus dentes são projetados para cortar, e não para segurar.

Ainda assim, globalmente, a contagem de mortes de cada uma das espécies ainda é pequena, especialmente em relação ao grande número de interações humanas com esses animais.

Tubarões, ao que parece, não estão atacando as pessoas a uma taxa maior do que no passado. Apenas mais pessoas estão entrando na água com tubarões. E quanto mais frequentemente fazemos isso, maior a probabilidade de que ataques acontecerão – porque eles são animais desenhados geneticamente para se defenderem se sentem o perigo (e quem pode dizer que não somos um perigo?).




Aproveite e assine a Petição Pública para abolir a pesca de tubarão para obtenção de barbatanas: 70 milhões de animais são mortos anualmente. Os humanos é que são os predadores do tubarão.



Mais informação:
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3 comentários:

Kenia Bahr! disse...

Carol, essa foto do tubarão na onda é muuuuuuito aflitiva :S

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Queria mesmo é ver uma foto da cara do surfista - rsrsrsrs

Kenia Bahr! disse...

Hahahaha, deve ser de nóia total hahaha