sábado, 22 de janeiro de 2011

Greenwashing – a mentira verde da publidade sustentável


Greenwashing (traduzido como branqueamento ecológico) ou Greenwash (traduzido como lavagem verde). Essa expressão é a mistura de dois termos: green e whitewash. Green, como sabemos, significa verde. Whitewash é um tipo barato de tinta branca aplicada nas fachadas das casas. Por isso essa expressão é usada por ambientalistas para se referir às propagandas corporativas que tentam mascarar um desempenho ambiental fraco por parte da empresa. Resumindo, é a propaganda de uma empresa com o intuito de (tentar) ser ecologicamente correta, mas que não o é de fato. Ou seja, propaganda ambiental enganosa, omissa ou incoerente com o valor ambiental do negócio gerido.

Os seis pecados do apelo greenwashing:

Pecado dos Malefícios “esquecidos”:
O principal pecado encontrado na pesquisa, estando em 56% dos produtos pesquisados, se caracteriza pelo fato do produto destacar apenas um benefício ambiental e “esquecer” os outros. Exemplos: Meu produto é reciclável (mas é extremamente gastador de energia e água para ser produzido); meu produto é feito sem teste em animais (mas sua decomposição natural pode prejudicar a cadeia alimentar natural).

Pecado da Falta de Provas
Representando 26% das promessas encontradas, é utilizado por produtos que anunciam benefícios ambientais sem comprovação científica ou certificação respeitável. Nesta categoria são encontrados xampus que não são testados em animais, produtos de papel com uso de material reciclado, lâmpadas com maior eficiência energética – todos sem comprovação dos argumentos disponível ao consumidor.

Pecado da Promessa Vaga
Entre as promessas vagas – encontradas em 11% dos produtos pesquisados – estão produtos “não-tóxicos” (e sabemos que qualquer produto em excesso pode intoxicar uma pessoa); produtos “livre de químicos” (o que é impossivel, porque todos os insumos de todos os produtos têm elementos químicos em sua composição); “100% natural” (urânio, arsênico e outros venenos também são “naturais”); “ambientalmente produzido”, “verde”, “conscientemente ecológico”, todas promessas 100% vagas. E estamos falando de embalagens – imagine aqui no Brasil as promessas vagas que vimos diariamente na propaganda…

Pecado da Irrelevância
Pecado encontrado em 4% dos produtos pesquisados, se caracteriza por destacar um benefício que pode ser verdadeiro, mas não é relevante. A mais irrelevante das promessas foi a relacionada ao CFC, banido do mercado norte-americano nos anos 70: inseticidas, lubrificantes, espumas de barba, limpadores de janelas e desifetantes, por exemplo, todos livres de CFC. A promessa é irrelevante porque se não fossem livres de CFC estes produtos não teriam licença para estar à venda no mercado…

Pecado da Mentira
Encontrado em 1% dos produtos, é simplesmente uma mentira deslavada.

Pecado dos Dois Demônios
Encontrado em 1% dos produtos, são benefícios verdadeiros, mas aplicados em produtos cuja categoria inteira tem sua existência questionada, como cigarros orgânicos, inseticidas ou herbicidas orgânicos.


Alguns exemplos de Greenwashing:





Só para saberem, na Noruega não existe EcoSport.

"É impossível que um carro faça algum bem ao meio-ambiente, a não ser destruí-lo menos do que os outros. Não existem carros ´verdes´, ´amigos do ambiente´ ou ´limpos´"
As frases são de Bente Oeverli, executiva do órgão de regulação publicitária da Noruega.


Fonte: Gledson Silva, amigo ciclista do Ciclorgânico


Observação minha: acredito que o Greenwashing traga um estigma de "lavagem de $$$", até porque as empresas recebem incentivos fiscais quando lançam produtos supostamente verdes ou apoiam causas sociais. Empresas certificadas com ISO e outros selos internacionais atraem clientes maiores e mais lucrativos, fecham contratos mais atraentes e têm ações mais valorizadas e facilidades maiores de financiamentos públicos.
E exatamente por essa opção de poder publicar um balanço fiscal muito mais atraente, que faz com que as ações da emresa aumentem de valor no mercado, é o caso de fiscalizar com profundo rigor se as medidas tomadas são realmente sustentáveis.

 


Mais informação:
A automovelcracia de Eduardo Galeano : "O que é a ecologia? Um táxi pintado de verde?"
Os vídeos do Wateraid premiados com o Young Lions em Cannes e outras campanhas ambientais premiadas





Para entender:
Levante sua voz
O fim da polêmica: O Aquecimento Global existe de fato
Financiamento coletivo não é greenwashing, é autogestão
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Como funciona uma corporação e o que você consome, implica nisso
A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas do mundo
Greenwashing é isso aí: Monsanto e Syngenta recebem o Nobel da Agricultura
Greenwashing é isso aí: Ranking das marcas mais verdes do mundo (mas Darwin explica)
Quatro mentiras sobre a crise ambiental, segundo Eduardo Galeano (bônus: O que é sustentabilidade, Fritjof Capra)

3 comentários:

Andrei Silva disse...

Isso me faz lembrar o caso do bom bril. Eles anunciaram o bom bril eco. Supostamente a palha de aço era biodegradável e não apresentava riscos ao meio ambiente. Mas a propaganda teve que ser desvinculada, por que não foram feitos os testes necessários para tal afirmação . Muito boa, a postagem. =)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Andrei, seja bem vindo duplamente, te vi pelo Face tb.
Vc vai achar muita info sobre greenwashing por aqui, há um marcador voltado para o assunto.
Abs e apareça,
Carol

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Andrei, seja bem vindo duplamente, te vi pelo Face tb.
Vc vai achar muita info sobre greenwashing por aqui, há um marcador voltado para o assunto.
Abs e apareça,
Carol