terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Maternidade sustentável


Cada vez mais, papais e mamães se preocupam em ter e criar seus bebês de forma natural – do pré-parto às fraldas, amamentação, banho... - e provocando o menor impacto possível no planeta. Reunimos, aqui, reportagens do Guia Especial publicado pela revista Vida Simples
Fonte: Planeta Sustentável
 
 
Maternidade ativa
Cresce cada vez mais no país um movimento que defende que a mulher tem o direito de receber do médico informações de qualidade, para poder decidir a forma de parto que é mais conveniente para ela
Em casa, cercada pelas mulheres da família e pelas parteiras da comunidade. Ao longo da história, foi assim que a maioria das mulheres deu à luz. O parto era considerado um evento doméstico, fisiológico, que não precisava da atenção dos médicos. O quadro começou a mudar há 200 anos, quando os profissionais da medicina passaram a atender casos mais graves. Foi somente há cerca de 100 anos que o parto passou a ser uma questão de hospitalização. "É o que chamamos de ‘doentificação’: transformar algo normal em doença", diz Ana Cristina Duarte, obstetriz formada pelo curso de parteiras da USP-EACH e coordenadora do Gama (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa).
A tendência, que começou na Europa com a intenção de simplificar o atendimento, chegou ao Brasil na década de 1950. Nos anos 1970, começou a chamada epidemia de cesáreas no país. Enquanto isso, na Europa já surgiam profissionais adeptos de um parto mais humanizado, sem intervenções médicas. Hoje, o Brasil é o segundo país do mundo com maior número de cesáreas: elas respondem por cerca de 90% dos partos da rede privada de hospitais e 30% dos da rede pública. "Os médicos recebem dos convênios o mesmo para fazer uma cesárea agendada de 40 minutos ou acompanhar um parto normal, que pode levar horas", afirma a obstetra Catia Chuba. Muitas mulheres - e seus companheiros - começam a buscar uma nova forma de ter seus filhos. É a maternidade ativa. "A ideia é a de que a mulher é dona de seu corpo e deve receber informações de qualidade para poder escolher seu parto", diz Ana Cristina. Informada sobre as opções, a grávida pode decidir o que for mais conveniente para ela. Afinal, não existe forma errada ou certa de dar à luz: cada escolha deve se adequar à situação específica de cada mulher.


Miniofurô: banho de balde
Pode parecer esquisito, mas especialistas garantem que o banho de balde dá uma sensação de segurança aos bebês, porque oferece condições parecidas com as do útero materno
Quer experimentar uma forma diferente de dar banho em seu bebê? Tente um banho de balde.
Pode parecer esquisito, mas basta olhar a alegria - ou calma - estampada no rosto das crianças para ver que a técnica dá certo. Isso porque o balde oferece condições mais parecidas com as do útero materno, por permitir que o bebê fique em posição fetal, com o corpo submerso e a cabecinha para fora da água.
Os pequenos sentem-se mais seguros e, sentadinhos, relaxam na água, que deve estar aquecida entre 35 e 37°C. No caso dos recém-nascidos, é ideal que estejam envolvidos por uma fraldinha. Os pais podem segurar o bebê pelo corpo (embaixo do braço) ou pelos ombros.
No Brasil, já existem baldes específicos para esse fim, como o TummyTub, que é feito de material atóxico e tem uma base antiderrapante. A água quente ajuda a aliviar as cólicas e em alguns casos as crianças ficam tão tranquilas que chegam a dormir. Uma boa dica é colocar chá de camomila ou óleos especiais para deixar o momento ainda mais prazeroso.


Cursos para o casal grávido ficar mais tranquilo
Do pré-parto aos cuidados que se deve ter com o recém-nascido em casa, cursos em todo o Brasil buscam ajudar os pais a lidar, da melhor maneira possível, com a experiência da maternidade

PREPARAÇÃO PARA O PARTO
São Paulo (SP): O curso prepara a grávida e seu acompanhante para o parto normal e traz dicas de como evitar cesáreas sem necessidade. O curso pode ser ministrado também em empresas, para as funcionárias grávidas. R$ 210 por casal, ou por grávida mais acompanhante. Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama), (11) 2507-7090.

CURSO PARA CASAIS GRÁVIDOS
Curitiba (PR): Com duração de duas noites, busca orientar o casal sobre parto humanizado. Gratuito, pede-se apenas que a gestante faça uma doação de fraldas de pano ou itens como roupas, calçados ou novelos de lã. Centro de Apoio às Mulheres e ao Casal Grávido (Cemuc), (41) 3248-7609.

CUIDADOS COM O BEBÊ, COM ORIENTAÇÕES CASEIRAS E NATURAIS
Rio de Janeiro (RJ): Intensivo de 5 horas de duração que ensina os futuros pais a prevenir e tratar problemas como cólicas, assaduras, prisão de ventre com soluções caseiras e naturais, além de dar dicas de alimentação, massagem e banho. O espaço oferece também aulas de ioga, relaxamento e cuidados com o corpo na gravidez. R$ 220 para o casal. Instituto de Yoga e Terapias Naturais Aurora, (21) 2556-2455.

CURSO DE GESTANTE
Salvador (BA): A gestante e o acompanhante participam de duas manhãs de aulas práticas e teóricas com uma equipe composta por diversos profissionais, como enfermeiras, nutricionistas, anestesistas, neonatologistas, psicólogos e fisioterapeutas. O tema são os cuidados com parto, pós-parto e cuidados com o bebê. O curso é gratuito para quem tem convênio de saúde que dê direito a ter o filho no hospital. Hospital Aliança, (71) 2108-5875.


Dicas preciosas para novos pais
Especialistas dão dicas para os pais de primeira viagem sobre banho, troca de fraldas e amamentação

BANHO
A sugestão da pediatra Sandra Regina de Souza, de São Paulo, é colocar o bebê enrolado em uma fraldinha ou lençol dentro da banheira ou do balde. Aos poucos, vá desenrolando. Assim, o bebê fica mais calmo.

TROCA DE FRALDAS
Não é preciso usar produtos químicos. Para fazer a higiene do bebê, o mais importante é limpá-lo com água morna, com um algodão ou pano, a cada troca, sejam as fraldas descartáveis, sejam as de pano.

AMAMENTAÇÃO
É desnecessário "preparar" o peito com produtos especiais. O que garante uma boa mamada é a pega correta do bebê. Observe se ele está com a boquinha bem aberta, englobando o bico e a auréola do peito. Se ouvir um barulho estranho, pode ser que esteja entrando ar, diz Ana Bazaglia, do grupo de apoio à amamentação Matrice.


Amigas do peito: mães em grupo
Aumenta o número de grupos virtuais e reais formados por mães interessadas em trocar experiências sobre o cotidiano materno, como os melhores tipos de parto e os cuidados que se deve ter durante o período de amamentação


Mães em grupo
O conceito de maternidade ativa fez surgir grupos de mães que se reúnem para se informar melhor e compartilhar formas de amamentação, cuidados com os bebês e experiências do cotidiano materno. Nos encontros da ONG carioca Amigas do Peito, a pauta é a importância da amamentação. Questões da maternidade de quem espera pelo primeiro bebê ou já teve filhos aparecem nos encontros semanais do Gama, uma associação paulista que conta com profissionais de diversas áreas (obstetriz, psicóloga, doula, médicos etc.) para dar auxílio e tirar dúvidas. Como os encontros reais nem sempre são possíveis, há uma série de comunidades virtuais em que as mães podem buscar apoio, repartir experiências ou tirar dúvidas, como acontece na comunidade online Parto do Princípio. Alguns desses grupos até saem da internet para o mundo real, como o Cinematerna, criado a partir de um grupo de discussão online, que hoje reúne semanalmente mães e seus bebês para sessões de cinema em 14 cidades do país. Todas têm som e ar-condicionado reduzidos para não incomodar as crianças.


Um parto para você
Parto natural ou cesárea? Na água ou em casa? Para tomar uma boa decisão, o casal deve se informar sobre cada um deles e ver qual tem mais a ver com seu perfil. Afinal, o melhor parto para uma mulher é o que ela escolher, de acordo com suas condições físicas, idade, temperamento e vontade

PARTO NATURAL
A mulher pode se movimentar quando precisa. Não são feitas anestesias ou cortes, o que acelera a recuperação. Mas nem sempre é possível, dependendo da posição do bebê ou de complicações na gravidez. Se for necessária fazer uma episiotomia (corte na região do períneo) ou anestesia, passa a ser chamado de parto vaginal ou normal.

PARTO DE CÓCORAS
Semelhante ao natural, mas aqui a mulher fica de cócoras e não deitada. Com a ajuda da gravidade, o bebê encontra a saída com mais facilidade. Só é possível quando a criança está encaixada com a cabeça para baixo.

PARTO LEBOYER
Procedimento defendido pelo obstetra francês Frederick Leboyer, que na década de 1970 lançou a obra Nascer Sorrindo (Brasiliense), esse parto pretende reduzir o trauma do bebê ao deixar o útero. O ambiente deve ser silencioso e estar à meia-luz. Assim que nasce, o bebê recebe uma carinhosa massagem nas costas e vai para o colo da mãe.

PARTO NA ÁGUA
O nascimento é dentro da água, aquecida a 36 °C. Quando o bebê sai do útero, encontra um ambiente semelhante ao em que estava antes, o que ameniza o choque para ele. A temperatura ajuda a aliviar as contrações e relaxa a musculatura do períneo, facilitando a saída da criança. Nessa técnica, não é possível o uso de anestesia.

PARTO CESARIANO
Acontece quando há alguma complicação, como o bebê ser maior que a região pélvica, por exemplo. A mulher recebe anestesia e em seguida é feita uma incisão de 10 centímetros, acima dos pelos pubianos. A recuperação é mais lenta. A cesárea eletiva, com hora marcada, em geral não é recomendada, pois pode prejudicar o bebê, que nascerá antes de estar completamente desenvolvido.

PARTO HUMANIZADO
Não existe uma definição precisa sobre o termo, mas em geral é quando a mulher fez o pré-natal e pode escolher onde ter o bebê, quem estará ao seu lado na hora do parto e até em que posição vai ficar na hora do nascimento. Assim que nasce, a criança vai para os braços da mãe e é amamentada.

A foto é do Globo.com


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5 comentários:

priscilla disse...

Carol!
Como mãe de um BB e nasceu de parto normal humanizado com a Ana Cris acompanhando eu AMEI o post.
Aliás, aproveitando o assunto sobre "maternagem", sugiro um post sobre fraldas de pano!
Siiiiiiim, existem muitas mães modernas (inclusive eu :P) q usam fraldas de pano e deixam os bebês de "bumbum verde"
Priscilla

Ministério da Saúde disse...

Dê ao seu filho o que há de melhor. Amamente!
Quando uma mulher fica grávida, ela e todos que estão à sua volta devem se preparar pra oferecer o que há de melhor para o bebê: o leite materno.
É muito importante, tanto para o bebê como para a mãe, amamentar até os dois anos de idade ou mais. O leite materno é o únio alimento que o bebê precisa, até os seis meses. Só depois se deve começar a variar a alimentação.
Acontece que nem todas as mães sabem de todos os benefícios e deixam de amamentar mais cedo. Você pode ajudar nessa campanha divulgando materias e informações.
Caso se interesse pelo tema, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br e participe!


Atenciosamente,

Ministério da Saúde

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Priscila, adorei o "bumbum verde", vou pesquisar sobre as fraldas de pano e volto. Esqueci tb de citar os slings, sempre bacanas.
Há algumas sugestões de absorventes femininos de tecido e coletores não descartáveis em outros tópicos.
Grande abraço e seja bem vinda

Fabiana Grangeia disse...

Olá, sou mãe de um bebê nascido em casa com acompanhamento de parteira, e que é amamentado até hoje (ele tem 1 ano e 1 mês). Também uso fraldas de pano desde o nascimento e acabo de comprar meu primeiro carrinho de bebê, apenas para ele poder dormir nos passeios mais longos (até hoje usei somente o sling).
Mais do que causar o mínimo impacto no planeta com a criação de seus bebês, o parto natural (o mais natural possível) e a amamentação são muito importantes para a formação do vínculo entre mãe e bebê. A capacidade de amar (a si mesmo e ao próximo) nasce aí, com a circulação muito profunda dos hormônios da maternidade, em especial a ocitocina, chamada de "hormônio do amor". Indico a leitura do livro "Água e Sexualidade - A importância do parto ecológico", de Michel Odent.
Bjos e parabéns pelo trabalho!
Fabiana

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Olá Fabiana, legal te ver por aqui de novo.
Obrigada pela dica do livro, deve quebrar muitos tabus.
abs :-)