sábado, 16 de abril de 2011

A casa sustentável é mais barata - parte 03 (material de demolição)

Grande parte dos custos de contrução-reforma de uma casa consistem exatamente no acabamento. É na reta final que o tempo parece não acabar e os custos se estendem a perder de vista.

Eu morei em uma casa, construída e projetada pelo meu pai, onde todas as janelas, portas, alisares, rodapés, rodameios, sancas, parte das louças e ferragens, além de um vitral e o portão de ferro da garagem terem sido comprados em galpões de demolição a partir de casas antigas demolidas.
Se a pessoa souber garimpar, pode encontrar móveis e escadas de ferro que serão totalmente adaptados, as possibilidade são infinitas e os custos muito mais baixos. Lembre sempre que as peças são originais, em madeira de lei e estão sendo recicladas por você. Um móvel de madeira oriunda de reflorestamento estimula uma das nossa piores indústrias, a madeireira, que emprega trabalho escravo e cuja produção de eucalipto, está transformando as áreas remanescente de Mata Atlântica numa monocultura latifundiária. Para se informar melhor sobre o equívoco do móvel em MDF, leia a postagem O mito do reflorestamento de eucalipto.

O reúso inteligente da matéria-prima, independete de ser madeira, é sempre a melhor opção, já que o produto já devastou sua cota, consumiu água no processo de produção e combustível fóssil na logística de transporte.
O Brasil deve seu nome a uma árvore, o Pau Brasil, hoje extinto em decorrência do desmatamento desenfreado. Hoje, para ver um pé de Pau Brasil, só no Jardim Botânico.


Frequentar galpões e leilões de demolição pode virar um hobby, já que as aplicações artísticas não têm limites para customização. Apenas atente ao problema mais comum: O FALSO MÓVEL-OBJETO DE DEMOLIÇÃO
Os móveis de madeira de demolição tradicionalmente à venda são um engodo para enganar os incautos. Raciocine comigo, se a madeira de demolição é obtida a partir da demolição de edificações antigas, o mundo deve ter vindo abaixo e nós não vimos tamanha a oferta desses móveis a preços populares. Pior, se a suposta madeira de demolição foi obtida a partir da demolição de uma casa, essa madeira só poderia estar em um lugar: nas vigas, ou nos telhados na pior das hipóteses. 
E madeira de viga é pesada, é a coluna de sustentação da casa. Se o móvel levinho em estilo balinês (ou colonial mineiro repaginado) que você comprou em 12 vezes foi praticamente o preço do mdf, não é madeira de demolição.



Para fugir dos erros mais comuns e não acabar com um "elefante branco" na sala, leia as dicas dos especialistas:

Comprar uma réplica pensando que é uma peça antiga. Levar uma porta menor que o vão ou uma janela com ferragens desgastadas. Eis alguns erros fáceis de cometer quando você está procurando materiais de demolição. Para fugir de armadilhas, o mais importante é sair à caça dessas preciosidades na companhia de um profissional especializado no assunto - engenheiro ou arquiteto. Tanto na construção como na reforma, "o mais seguro é definir essas compras na fase de projeto", aconselha o arquiteto paulista Paulo Vilela. Outro arquiteto de São Paulo, Gil Lopes, lembra que a compra sem planejamento pode se transformar num mal negócio: "O uso de portas e janelas antigas, por exemplo, exige construção com proporções generosas, vãos amplos e pés-direitos altos". Só que muitas pessoas não levam isso em conta. Compram portas enormes, por exemplo, e depois querem encaixá-las nos vãos predeterminados a todo custo. "Isso descaracteriza a peça e pode comprometer a estrutura. Melhor, então, você partir para as compras com o projeto em mãos.

Há dois caminhos para quem vai comprar: ir diretamente aos locais de demolição (as empresas da área informam onde ficam as construções que estão sendo derrubadas) ou aos depósitos que vendem peças no estado original e, em certos casos, restauradas. "A primeira opção, mais barata, é também a mais arriscada para quem não é especialista", diz o arquiteto paulista Sérgio Fonseca. Em determinadas situações, fica mais difícil avaliar a qualidade quando a peça está instalada. Um batente apodrecido, por exemplo, não pode ser visto se estiver embutido na parede.

Na suas andanças, tenha em mente que há muitas réplicas no mercado. Nada contra - desde que sejam vendidas como tal. "Elas não têm valor histórico. Por isso, acho que devem ter preço mais baixo que as peças originais", opina o engenheiro César Carletto, proprietário da oficina de restauro Porte Du Temps. As originais trazem características que atestam sua idade, como se vê nas fotos desta reportagem. Alguns materiais de demolição exigem um cuidado extra quanto à uniformização de medidas. Tijolos e telhas, por exemplo, podem apresentar medidas diferentes entre as peças. As telhas, sejam de um mesmo lote ou não, são irregulares e porosas. O segredo para um telhado impermeável: "Fechar o madeiramento com modelos novos do tipo canal e, por cima, amarrar as telhas antigas, do tipo capa, com arame galvanizado", conta o arquiteto Marcos Borges, de Tiradentes, MG. Já os tijolos devem ser retirados de uma única construção, uma vez que medidas diferentes interferem na amarração das peças. "Procure lotes de tijolos com arestas vivas. Descarte se a maioria estiver esfarelada e prefira os que não têm argamassa muito grudada. Bata também com as mãos em alguns, rejeitando-os se não ouvir um som metálico", ensina Borges. "Tijolos antigos apresentam como vantagem melhor desempenho térmico e acústico, além de serem mais impermeáveis e resistentes", afirma Vilela. E, quando o assunto é vantagem, há um benefício que se aplica a todos os materiais de demolição: a reciclagem. "Cada metro quadrado de madeira aproveitada, por exemplo, representa a preservação de um pedaço de árvore."



Veja alguns exemplos bem sucedidos nas fotos abaixo:







E se você já tem móveis antigos herdados ou mesmo de alguém que se mudou e os deixou na sua casa, mas está insatisfeito e queria dar uma cara nova àquele mobiliário antigo e pesado, veja um exemplo prático abaixo:





     





















Para quem está com orçamento apertado até para galpão de demolição, não herdou nada ou simplesmente gosta de colocar a mão na massa, veja como fazer móveis e até pequenas construções em pallets e reels (refugo industrial) nas postagens: A casa sustentável é mais barata - parte 07 (pallets e reels) e A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes)



Fontes de consulta:
Revista Arquitetura & Construção
ArtFinding
Gazeta de Pinheiros
Blog Mulher de fases
Blog Construindo Sustentável
Graça Salles Arquitetura


Mais informação:
A casa sustentável é mais barata
A casa sustentável é mais barata - parte 19 (construções com portas e janelas)
Apresentando um catador da Amazônia ao restaurador de São Cristóvão e morando em cima de um antiquário e brechó no Maracanã

3 comentários:

Cristine Conde disse...

Excelênte matéria, Carol! Estou começando essa "empreitada", planejar e construir, e isso tudo me interessa muito! Obrigado!

Kenia Bahr! disse...

Uma vez um amigo fez uma cama móvel, a partir do estrado de uma cama de casal e madeiramento antigo. Prendeu cabos de aço nos quatro cantos e colocou roldanas e um puxador. Era leve para puxar, devido às roldanas móveis. Enquanto a cama estava em cima, quase colada no teto, o quarto virava uma sala, com tapete e pufs macios. Qdo a cama descia, se adaptava ao quarto... pena nunca ter tirado fotos, sou tão desligada pra fotos... ;)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Cristine, estive no teu blog e achei sensacional. Amei os figurinos dos catecismos segundo Carlos Zefiro (sou fã dele e de vintage) e tb o vestido usado por Tayana Barbosa no show dela, super delicado e brasileiríssimo. Tudo a ver.

Oi Kenia, fantástica essa cama industrial movida por roldanas, deve ficar incrível num loft com paredes de tijolo e pé direito triplo... Estou para escrever sobre soberania alimentar e vou lá no seu blog dar uma pesquisada.

Abs!