terça-feira, 26 de abril de 2011

A casa sustentável é mais barata - parte 05 (eletrodomésticos vintage)


Os eletrodomésticos atuais não aguentam nada, quebram em 1 ano. Mesmo as marcas mais caras e conceituadas não passam dos 5 anos.
Ao mesmo tempo em que a gente se vê comprando fogões, geladeiras e máquinas de lavar com garantia estendida, podemos notar também que os eletrodomésticos antigos estão funcionando perfeitamente até hoje.


Primeiro, precisa-se entender um conceito atual em gestão: Obsolescência Programada:
Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido. A obsolescência programada faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.

Os eletrodomésticos atuais são projetados e fabricados para durar pouco, mantendo assim o consumo constante e a produção sempre ativa, empregando pessoal e gerando lucro. O mesmo conceito se aplica aos aparelhos celulares, que parecem programados para durar apenas o período que levamos para juntar pontos suficientes para trocar por um novo aparelho.

Eu passei pela situação acima, quando meu fogão, geladeira e máquina de lavar quebraram na mesma semana com apenas 1 ano e 4 meses de uso. Desconfiei de um "pico de luz", mas segundo a própria autorizada, os problemas não eram de curto circuito e sim de falhas mecânicas previstas e comuns em outros clientes. Um dos técnicos que me atendeu, comentou inclusive que "no Brasil, não existe controle de qualidade", impossibilitando rastrear pelo número de série os produtos avariados.
Por outro lado, a antiga vitrola com rádio em madeira com pés de palito (com foto no link), que comprei de um vendedor de rua, sempre funcionou perfeitamente, pegando suas ondas curtas, longas e tropicais normalmente.


Alguns bares e botequins aqui do RJ, ostentam orgulhosamente suas geladeiras retrô coloridas e bojudas, normalmente da GE ou marcas hoje desconhecidas. Essas geladeiras mantém a cerveja geladíssima de seus clientes e ainda decoram os estabelecimentos.
Eu sempre quis uma geladeira dessas e quando montei minha casa, tive receio de comprar um eletrodoméstico antigo para algo tão vital quanto manter minha comida gelada. Errei, hoje tenho uma Brastemp moderna que não congela no duplex e já me custou o preço de outra geladeira em consertos esporáticos ao longo de menos de 5 anos.
Na postagem Reaproveitando tudo, uma amiga postou sobre sua experiência com sua geladeira retrô, ela está mais feliz do que eu com a minha Brastemp moderníssima e frost free.


Eletrodomésticos antigos, vintage como preferem alguns, além de mais baratos, duram mais e podem ser encontrados nos sites de leilão, blogs específicos, feiras de móveis de segunda mão, mercados de antiquariato ou galpões de demolição. Caso você tenha parentes que ainda guardem os seus ou mesmo vizinhos que queiram se desfazer, não faça cerimônia e peça para ficar com eles. Compre se for o caso, vai ser um dinheiro muito bem empregado.
A casa da minha madrinha, octagenária, tem os mesmos eletrodomésticos desde que eu me entendo por gente (alguns da própria Brastemp, mas antigos), a própria construção do imóvel (com 50 anos) é muito mais resistente do que o meu apartamento moderno. Os rejuntes dos azulejos da cozinha dela nunca lascaram, parecem feitos ontem, e os armários de cozinha, banheiros e quartos são igualmente impecáveis.

Caso se mude para um apartamento com aquele modelo de aquecedor de água antigo, bojudo e em ferro, mantenha o mesmo. Não compre um moderno, eu morei em apartamento com esse tipo de aquecedor antigo (estava no imóvel há 40 anos) e o mesmo nunca quebrou. O ideal seria uma placa de energia solar, mas como nem sempre é possível, é preferível que o morador do imóvel tenha pelo menos a garantia de banho quente diário sem sobressaltos.

Comprar eletrodomésticos de segunda mão é reutilizar um produto bem feito que já consumiu matéria-prima para ser produzido. Reciclagem é um conceito apoiado num tripé: recusar (comprar novo) + reutilizar (o que já existe) + reciclar (o que não pode ser reutilizado, mas deve ser reaproveitado).
Lembre-se sempre que cada aparelho celular novo consome meia tabela periódica em metais nobres e que os móveis em MDF estão transformando o que restou da Mata Atlântica numa monocultura latifundiária que emprega trabalho escravo.

O conceito marxista de que a quantidade levaria à qualidade se provou ambiental e socialmente ineficaz numa sociedade de consumo. As nossas reservas de metais, madeira e água não estão aguentando tanta demanda, que precisa de combustível fóssil na logística de transporte e cujo resíduo é descartado rapidamente sem qualquer critério.
E por favor, não compre um eletrodoméstico novo com design retrô porque está na moda, não é por aí.


"Mas, se a idéia é consumir menos energia, então não é mais possível ter carros, ou casas de uma única família, as pessoas terão de se movimentar conjuntamente.... a indústria de eletrodomésticos se encolheria proporcionalmente, porque, por exemplo, seria possível lavar toda a roupa em uma única lavadora do bolo, o que seria 8 vezes mais eficiente que uma máquina de lavar normal. Todo o entretenimento eletrônico que ainda existisse por aí poderia continuar, só que não seriam mais necessários tantas máquinas. Na realidade, a indústria high-tech se reduziria só em termos de consumo. Seria preciso 10 vezes menos de tudo."

Trecho retirado da entrevista de O.Ressler, autor do melhor livro que já li: "BoloBolo, a vida num mundo sem dinheiro"



Postagens não linkadas acima:
Móveis de segunda mão
Shopping dos Antiquários
Reciclagem de eletroeletrônicos
Como funciona um aterro sanitário
O mito do reflorestamento de eucalipto
Comendo a ração que vende - parte 06: ventiladore vintage
A casa sustentável é mais barata - parte 3 (material de demolição)
Ranking de empresas de TI ambientalmente corretas e reúso de celulares
Metais em risco de extinção: meia tabela periódica em cada aparelho celular




Mais informação: A casa sustentável é mais barata

20 comentários:

Kenia Bahr! disse...

Ahhh coincidências à parte, estava fazendo pesquisa de preço de geladeiras e vi que agora tem umas retrô, aliás, imitação de retrô né... são bonitas, mas nem tanto qto as retrôs verdadeiras, e obviamente já vem programadas para estragar tb... aliás, se é retrô nova não vale né, vai toda a filosofia por agua abaixo.... a gente corre pra um lado e a indústria cerca de outro... ê mundimmmmm

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Digitei eletrodomésticos+retrô no Google Images e apareceram muitas fotos daquela cafeteira da Nescafe anunciada pelo George Clooney...
Não entendi nada, a cafeteira é moderna e nunca vi café fresco vir em textura cremosa que não estraga nunca...

Maria Rê disse...

Meu fogão azul continua garantindo as refeições aqui de casa e nunca precisou de conserto.

Eu acabo me esquecendo que ele é tão velhinho e me espanto com a reação das pessoas quando o vêem. A maioria acha engraçado e duvida que funcione. Já quem entende do negócio propõe compra. Um técnico da Congás queria de todo jeito levar meu fogão embora. Disse que os novos não prestavam, havia comprado um Brastemp algumas semanas antes e já tinha dado problema. Mas não adianta, não vendo por dinheiro nenhum. ;-)

E também não entendo essas cafeteiras. São caríssimas, aí fazem uma versão mais barata para café instantâneo. Eu lá quero café instantâneo? E ainda produzir um monte de lixo com as tais cápsulas? Tô fora. Sou feliz com coador de pano e cafeteira italiana.

Beijo, Carol!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Nada como um café moído na hr, grãozinho torrado com cheiro de silo de fazenda. Numa boa, aqueles potinhos parecem mesmo esse molho knorr novo, que não estraga nunca.

Faz bem em não se desfazer do seu fogão, eletrodoméstico que não precisa de reparo, não tem preço.

Cacau Gonçalves disse...

Carol, o triste é quando não encontramos mais peças para consertar... Ganhei uma máquina de lavar roupa Enxuta (basicona mesmo)de presente no meu primeiro casamento, em 1990. O casamento acabou em 12 anos e a máquina continuou...rs E continuaria durando, não fosse o fato de, com 15 anos de vida, ser condenada pelo técnico por falta peças para conserto. Passei um tempo morando com meus pais e usando a Brastemp velha de guerra deles (eles têm 44 anos de casados e tiveram até hoje 2 máquinas de lavar). Quando saí da casa deles e aluguei uma casa, precisei comprar outra máquina, modelo novinho. Isso tem 4 anos. A máquina continua inteira... Sem defeitos... Tirando o fato de não lavar a roupa direito, de resto ela é jóia! rsrsrs

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Cacau, existem uns brechós eletrônicos, uma espécie de "cemitério" das peças. Devem ter para Enxuta. Hoje, vi na tv o anúncio de uma linda máquina de lavar com área separada para lingerie, numa peça mais bonita ainda com design em plástico laranja. Olhei e pensei "isso não aguenta 2 lavagens de edredon".
Seus pais fizeram bem em manter a máquina antiga, tem gente que dá para empregada-porteiro para poder comprar das novinhas...

Mariana MT disse...

Nem me fale...tb era louca por essas geladeiras antigas, mas tive medo que não durassem. E foi burrice. A minha frost free está comigo há 7 anos e eu já gastei seu valor em consertos tb...Fico relembrando da minha infância qdo vi minhas avós usarem apenas uma geladeira durante toda uma vida e sei que este sonho não será o meu. Por outro lado a televisão do quarto dos meus filhos eu ganhei aos 14 anos e ela se mantém firme até hoje...coisas do capitalismo moderno...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Minha frost free é tão mais free do que frost, que passou 1 ano sem congelar nada no congelador. Nem gelo de forminha ela fazia...

Juliano disse...

Minha família comprou um refrigerador Brastemp no ano passado, já fazem cinco meses que está dando problema, está congelando nas passagens de ar internamente, assim o frio não desce do congelador para a geladeira. Em uma queda de luz estragou um componente eletrônico e meus pais mandaram para conserto, foi trocado a placa do circuito de controle e custou R$200. Alguns dias depois vim visitá-los e vi que era um capacitor queimado que custa R$0,15.. troquei ele e a placa voltou a funcionar, agora temos duas placas que funcionam, porém o refrigerador ainda entope as passagens de ar.. Minha mãe sempre diz: " hoje em dia comprar eletrodoméstico é loteria, seja marca 'boa' ou não."

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Juliano, sua mãe disse tudo: é loteria e pior, na mesma proporção de acerto.
Desculpe a curiosidade, vc tão prendado... qual sua formação?
Abs

Isabele disse...

Acho que sou uma das poucas que teve péssimas experiências com eletrodomésticos antigos, mais especificamente geladeiras. A antigona da minha mãe, que tinha lá seus 20 anos, deu muita dor de cabeça por anos a fio, até termos dinheiro para uma nova. O congelador não gelava, ela mesma era temperamental e desligava sozinha, além de ser barulhenta e gastar MUITA energia.
Quando fui estudar fora, comprei também uma geladeira usada, velhinha. Pra pegar qualquer coisa no congelador, precisava de um martelo e muita paciência, de tão enormes eram as estalactites que se formavam na bichinha.
A nossa atual por enquanto não deu problemas (ela deve ter uns 2, 3 anos), é econômica e gela muito bem. Só é pequena, comparada ao monstrão que a minha mãe tinha. Como somos adeptas de congelar sobras, isso às vezes deixa a desejar.
Em tempo: a batedeira da vovó continua funcionando perfeitamente até hoje, bem como a máquina de costura elétrica que minha mãe ganhou de presente de casamento :)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Isabele, nem tudo dá certo. Mas, bacana vc vir aqui dar sua posição, válido para quem estiver na mesma situação.
Que bom que com a batedeira e máquina de costura a coisa fluiu melhor.
Beijinho

Novos Usos disse...

Ótima matéria. Eu tenho ventiladores Eletromar, um como o da foto do início (pequeno) anos 50 / 60 ambos ventam muuuuuito!já tinha um tb um circulador GE anos 70 e hoje, 30/01/2012 comprei outro circulador GE anos 40 americano todo em ferro funcionando e também ventando muito. O preço que paguei? o que sempre pago nessas peças: 10,00 *dez reais0 nos ferro- velho da cidade. ...isso sem falar na minha batedeira Walita anos 50, minhas 3 máquinas 3 costura Singer anos 40 e 50 e por aí vai... é bom, custo pouco e dura muito.
Gladeira antiga _ redonda - eu vejo entre R$ 50 e 60 e as mais caras e inteiras por volta de 10000 mas consomem muito, mas que são lindas isso são!

Anônimo disse...

Pois é, somos adeptos do só comprar novo quando estragar. Nossas lavadouras (roupa e prato) e TV eram da falecida vó do marido e funcionam lindamente. Celular e computador trocamos com muito critério (usamos peo menos uns 5 anos).
O único problema que eu vejo é quanto ao consumo de energia elétrica (principalmente geladeira) e água, que nos eletros retros é bem maior.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi pessoal, até agora não tive problemas com minha conta de luz. Dêem uma olhada:

http://caroldaemon.blogspot.com.br/2012/11/comendo-racao-que-vende-parte-06.html

abs
Carol

Juscelino Bezerra disse...

Olá, preciso de uma dica. Tenho uma aparelho sugar antigo (coifa) que ainda funciona mas que precisa de limpeza, troca de algumas peças e pintura. Vocês têm alguma dica sobre onde posso obter este serviço.
Abraços
Juscelino.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Juscelino, não sei mesmo, mas de repente o google pode dar uma noção pela busca na sua cidade. Ou pelo menos quem te indique. Não deve ser um serviço difícil, basta desmontar e limpar o filtro. Tente também nas lojas de produtos antigos que vendem esses fogões, geladeiras e ventiladores retrô, talvez façam. Abs

Aline Lacroc disse...

Olá Carol, sou uma leitora constante do seu blog. Vou clicando de matéria em matéria, links e quando ver já estou num post de 2011..rs
Eu adorei o seu post, sou admiradora dos anos 40 e 50 e muito do que envolve a cultura vintage. Inclusive, também tenho um blog sobre isso. Seu post diz tudo, os produtos antigamente eram feitos para durar, ao contrário dos de hoje. Mas, não só isso, o design dos eletrodomésticos era muito mais bacana. Há quem diga que eles consomem mais energia, mas a maior parte das geladeiras antigas podem ter seus motores trocados. É claro que o motor novo não deve ser tão durável, mas toda a geladeira continua, além disso, estamos pensando também em economizar energia. Só uma ressalva no post, não me ache chata, por favor, mas é que estes produtos devem ser chamados de 'vintage', e não retrô. Retrô é algo de fabricação atual, mas com inspiração no design de antigamente. O vintage é aquele antigo mesmo. Adorei e vou compartilhar =)

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Aline, imagina, bem colocado. Já editei. Até porque existem linhas atuais com design retrô, o que não é o ideal... Mas acho que não é uma boa trocar o motor da geladeira pq é justamente o motor antigo que não pifa...
Tb sou fã dessa época technicolor e rabo de peixe. E não senti aumento na conta de luz, dá uma olhada:
http://caroldaemon.blogspot.com/2012/11/comendo-racao-que-vende-parte-06.html

Aline Lacroc disse...

Oi Carolina! Obrigada por responder! Era bem isso que estava em dúvida também, sobre trocar o motor. Não sabia o que era melhor, ficar com o antigo e durável, mas ao mesmo tempo, ficar com medo da conta de luz. Vou dar uma olhada no outro post pra saber mais!