sábado, 9 de abril de 2011

O atropelador dos ciclistas de POA está solto

Atropelador de ciclistas é liberado do Presídio Central, diz advogado

O bancário Ricardo Neis, 47 anos, que ficou conhecido nacionalmente como o “atropelador de ciclistas de Porto Alegre” foi liberado do Presídio Central nesta sexta-feira (8). A informação foi confirmada para o Jornal do Comércio pelo ex-advogado do caso Jair Jonco.

“Estamos afastados do caso. Só posso dizer que o Habeas corpus foi julgado ontem e foi concedida liberdade para ele, que deve estar em casa essa hora”, disse Jonco.

No dia 25 de fevereiro, Ricardo Neis ultrapassou um grupo de ciclistas na Rua José do Patrocínio, atropelando dezenas e ferindo pelo menos oito deles. À polícia, argumentou que se viu cercado e, temendo uma agressão, abriu caminho para proteger a si e ao filho de 15 anos, que também estava no carro.

Em seguida, a Justiça decretou a prisão preventiva do atropelador. Como já estava internado, o motorista ficou sob custódia policial. Quanto teve alta, foi levado ao Presídio Central.

A decisão anunciada hoje é da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Neis responderá o processo em liberdade.



Tribunal de Justiça justifica soltura de atropelador e MP busca recorrer da decisão

Depois de liberar o atropelador de ciclistas Ricardo Neis através de um habeas corpus, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul justificou, em nota, que o réu poderá responder ao processo em liberdade porque, além de ter residência fixa, "não há qualquer indicação concreta de que ele, estando em liberdade, ameaçaria testemunhas ou vítimas, ou destruísse provas".

O relator do habeas corpus, o desembargador Odone Sanguiné, afirma também que "os Tribunais Superiores consideram inadmissível a fundamentação da prisão cautelar com base na comoção social", o que equivaleria a antecipar a pena contra ele sem julgamento.

Neis - que teve prisão preventiva declarada após ter atropelado dezenas de ciclistas na rua José do Patrocínio, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, em fevereiro deste ano, e ter ferido ao menos oito deles - responde a 17 imputações de tentativa de homicídio e será julgado pelo Tribunal do Júri da Capital.

Funcionário de Banco Central (BC), o réu afirmou que ultrapassou os ciclistas - que faziam parte do grupo Massa Crítica e realizavam um protesto na rua - porque temia que ele e seu filho de 15 anos, que também estava no carro, pudessem ser agredidos pelos manifestantes.

Com a notícia, a promotora Lúcia Helena Callegari, do Ministério Público gaúcho, encaminhou à Procuradoria de Recursos do MP uma manifestação para saber se há a viabilidade de recorrer da decisão, anunciada nesta quinta-feira (7), pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.

"Lamento a decisão que vai contra os anseios sociais. Pelo menos ele não vai dirigir, pois pedimos e o Judiciário suspendeu a carteira de habilitação para dirigir veículo", afirmou, em nota, a promotora.





Motoristas devem ser responsáveis pela segurança de ciclistas nas ruas

No Brasil, ainda confiam nas penas de cesta básica ou mesmo na impunidade em crimes de trânsito, que raramente são qualificados como tal.

O que se viu em Porto Alegre é um exemplo de barbárie e selvageria. Não havia policiamento, porque os ciclistas não haviam avisado ao Detran sobre a manifestação que poderia bloquear uma rua da cidade. E aí não havia ninguém para orientar o trânsito naquele momento, e alguns motoristas se irritaram. Mas essa imprevidência dos ciclistas não justifica a reação do atropleador.

Na lei das selvas, impera a lei do mais forte. Na civilização, para compensar as diferenças físicas, fizeram-se as leis. E as leis de trânsito fizeram isso no código 29, que diz que os veículos motorizados são responsáveis pela segurança de pedestres, carroças e bicicletas.

Sem agentes da lei por perto, o atropelador resolveu valer a lei do mais forte, a lei da selva, e foi derrubando quem estivesse à frente dele. Pode até ser fadiga com o trânsito, mas talvez seja também uma questão cultural – uma pessoa de posse e no comando de um automóvel sente-se mais do que um ciclista.

Na França e na Alemanha, um motorista morre de medo do ciclista. Se tiver um pela frente, já vai se acautelando para evitar uma manobra errada, porque em qualquer circunstância o motorista vai ser culpado e provavelmente pagar o resto da vida se houver ferimento ou morte de um ciclista.

Mas, por aqui, ainda confiam nas penas de cesta básica ou mesmo na impunidade em crimes de trânsito, que raramente são qualificados como tal nos inquéritos rápidos. No caso de Porto Alegre, se o motorista acelerou como se viu diante de um grupo de ciclistas – tanto que derrubou 20 e feriu uma dúzia – há a visível intenção de causar dano à vida de alguém. É um caso óbvio de vida de homicídio.

Fonte: Alexandre Garcia, jornalista de O Globo e âncora do Jornal Nacional e Bom Dia Brasil





A cidade de Porto Alegre já foi símbolo de muitas “possibilidades”, inclusive em uma não tão distante época falava-se que aqui nesta “leal e valorosa” estava-se ensaiando “um novo mundo possível”; alguns até diziam que era uma verdadeira Aldeia Gaulesa de solidariedade e democracia que enfrentava o império neoliberal.

No entanto, parece que a fortaleza dos irredutíveis atualmente ficou no passado, pois o que restava dessa idéia generosa de uma cidade de todos (as) e para todos (as) aos poucos vai sendo enterrada, seja por uma gestão pública incapaz, seja por uma classe média cada vez mais elitista e preconceituosa. A quase tragédia ocorrida ontem na cidade baixa, quando cerca de 20 ciclistas do movimento massa crítica foram atropelados por um carro, de forma claramente proposital, como destacam as testemunhas, é apenas o aspecto mais visível deste cenário. Representa a consolidação da cidade como mero espaço voltado para o bom e eficiente funcionamento do mercado, o que significa o mal funcionamento para as pessoas, refletindo inexoravelmente a lógica do sistema capitalista.

Um movimento que propõe a substituição do uso do automóvel pela bicicleta acaba sendo, neste contexto, uma “ação de inconsequentes”, “quixotes” enfrentando “moinhos de vento” e portanto, nada mais lógico de “acabar com a palhaçada” (talvez este tenha sido não só o pensamento do motorista que causou o acidente, mas de muitos leitores de jornal). Da mesma forma que a participação popular nos assuntos da gestão pública “atrapalha” o gestor, a circulação de homens e mulheres em suas bicicletas “atrapalham” o fluxo das belas máquinas da modernidade. Assim se constroem os consensos, “senso comum” via mídia monopolista e oligárquica (apesar do movimento massa crítica realizar ações desde o ano passado, foi necessário um acidente para que o tablóide da família Sirotski mencionasse a existência do mesmo)

Está aí, de forma muito clara, na prática e não apenas na teoria, a comprovação da máxima do velho mouro segundo qual a “ideologia dominante é sempre a ideologia da classe dominante”. Senão vejamos, é minimamente racional que apenas uma pessoa utilize um automóvel no qual cabem cinco pessoas, ocupe um enorme espaço nas ruas, polua o ambiente, ponha em risco a vida de pessoas dentro e fora do veículo para percorrer, em media 5 ou 10 kilometros? Em uma velocidade de 20 kilometros por hora? A resposta pode ser positiva, é sim, desde que visto de determinado ponto, ou seja, de determinada idéia de cidade, de mundo, de ideologia.

Segundo a revista Carta Capital (edição de 16/02/2011), neste ano foram comercializados 3,1 milhões de veículos no Brasil. E se não bastasse isso, a noticia se completa com a informação de que grande parte da produção das multinacionais da indústria automotiva foi financiada pelo BNDES com cerca de 8 bilhões de dólares. É o que o titulo da matéria anuncia “gasto público, lucro privado”, mais claro impossível. Isso quer dizer o seguinte: a população financia com o dinheiro do seu trabalho a destruição da espécie e do ambiente em que vive.

É claro que isso pode parecer uma constatação de cunho “ecologista” e pouco “realista”. De alguém que não compreende a complexidade do capitalismo contemporâneo, pois este seria um processo macroeconômico no qual nós, os “reles mortais” nada podemos fazer para que mude.

Sejamos claro, na verdade o que menos importa no discurso legitimador do sistema é a qualidade de vida das pessoas, por isso as cidades não são feitas para as pessoas, são feitas para garantir no máximo os “direitos de consumidor”, se você não é consumidor, lamento, você não tem direito.

Nesse sentido, “o mercado” é o verdadeiro poder, senhor das ações do poder público. Da esfera federal à municipal o que precisa ser atendido é ele. Bicicletas não consomem combustíveis, não aumentam o PIB, não contribuem com o superávit da “balança comercial”, portanto, qual o sentido de estimular o seu uso?

Nesse sentido, a gestão fo-fo tem se destacado, durante seus quase oito anos as ações da prefeitura giram em torno do atendimento ao “mercado”, seja na “reforma do centro” e na manutenção de espaços públicos. No caso do transporte público, mantém uma das passagens mais caras entre as capitais; abandonou a única ciclovia existente na região da cidade baixa, a que realizava a ligação entre os parques (hoje usada como estacionamento mesmo ainda tendo a placa sinalizando o seu uso correto); colocou a disposição dos frequentadores do parque farroupilha um serviço de aluguel de bicicletas restrito ao parque (pois na visão dos atuais gestores o parque “é o lugar de andar de bicicleta”) mas não sem antes pensar no verdadeiro sentido da ação, que é o mercado obter algum ganho, claro. No caso a multinacional que proporciona o “serviço”.

Enquanto capitais como Buenos Aires estimulam o uso de bicicletas, em Porto Alegre o estimulo se dá em um serviço onde as pessoas pagam para fazer publicidade para uma multinacional de refrigerantes. Bom negócio, alguns poucos ganham muito e o sistema agradece.

Assim caminha nossa Porto nem tão Alegre, como poderia e deveria ser.

O que é positivo nesta história é a certeza que sempre teremos aqueles que não desistem. Seriam sonhadores e utópicos? Não importa o adjetivo, o importante é que ainda mantenham a luta por uma vida “menos ordinária”, menos desumanizada, e por uma cidade melhor para viver.

Se, por um lado, a realidade parece estar na contramão de seus objetivos, pelo menos uma certeza, os “quixotes” da massa crítica podem ter: por mais que não se acredite nela, a velha toupeira da história sempre teima em aparecer, grandes ou pequenas elas continuam vivas, muitas vezes “atrapalhando” os de cima, e sempre a espreita para o melhor momento de virem à tona. Longa vida a Massa Crítica, quem viver verá.

Fonte: Brasil Autogestionário



E faço das palavras de meu amigo Gledson, do Ciclorgânico, que também postou sobre esse acinte: foi tentativa de homicídio doloso.

Ironia, se esse criminoso for inocentado da tentativa de homicídio e só responder por lesão corporal, além das infrações de trânsito cabíveis, pode ter a carteira cassada e vir a tornar-se um ciclista.



Mais informação:
Ciclofaixas x ciclofaixas
A automóvelcracia de Eduardo Galeano
Entre rios: o projeto de transporte fluvial de SP
Ascobike, o maior bicicletário das Américas logo ali em Mauá (SP)
Imagem do dia: 60 pessoas = 60 carros, 60 bicicletas ou 1 único ônibus
Pneu verde - pneus de biomassa em estradas verdes cogeradoras de energia limpa
Prefeito entrega na Zona Oeste a maior ciclovia da cidade: 42km iluminados com postes de energia solar - meta é chegar aos 300km


5 comentários:

Mariana MT disse...

Proteger seu filho? Realmente: ciclistas são um grande perigo para a humanidade. Infelizmente eu duvido que este homem tb fique sem sua carteira de motorista. E a justiça no Brasil segue absolvendo psicopatas.

Cristiane Iannacconi disse...

absurdo...

Carolina Arêas disse...

Sempre me pergunto se um sujeito destes consegue dormir à noite e levar uma vida normal durante o dia...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Jogou o carro em cima de todo mundo, fugiu e abandonou o veículo sem culpa nenhuma e ainda aparece na TV falando grosso.
Se bobear, dorme melhor do que a gente...

Anônimo disse...

Quero que ele morra