sexta-feira, 6 de maio de 2011

A sombra de um delírio verde: a luta dos Guarani Kaiowá para não perder suas terras para a monocultura do etanol

Na região sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, a etnia indígena com a maior população no Brasil luta silenciosamente por seu território para tentar conter o avanço de poderosos inimigos.

Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, em acordo com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível "limpo" e ecologicamente correto.

Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho.

Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e escravo. Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros

A co-produção Brasil, Argentina e Bélgica teve sua estreia no Festival Cine Latino, em Tolouse, França, em março, sob aplausos e comentários de espanto e indignação do público em relação à realidade dos indígenas que sobrevivem à sombra do lucro e dos discursos ecologicamente corretos dos biocombustíveis.






Outros índios que levaram a pior:
AmazoniAdentro
Mineroduto de Moju
Hidrelétricas brasileiras
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Urucu, o petróleo da Amazônia
Indústria Pesqueira x Pesca Artesanal
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O PAC não se paga: Belo Monte, Jirau e Mauá
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