domingo, 11 de setembro de 2011

Slow Tea: chás e especiarias orgânicos

Eu bebia muito chá, sempre comprado à granel. Confesso que hoje, com o kefir, bebo menos, cada vez menos por sinal. Quando encontro gengibre orgânico nas feiras específicas, aproveito para fazer uma água aromatizada, mas é raro.
Há algumas semanas, vi alguns chás orgânicos e biodinâmicos à venda na lojinha natural de sempre. O mesmo fabricante também comercializa especiarias orgânicas em potes de vidro. Eu já havia mencionado alguns chás orgânicos na postagem "Como comprar e reconhecer produtos orgânicos", mas ainda não havia me sensibilizado para essa mudança de consumo, óbvia por se tratar de um produto medicinal e até ritualístico em tantas culturas.

Chás e especiarias são os itens mais em conta nos empórios a granel e eu falo disso mais profundamente na postagem "Mate e chás quentes e gelados", com uma foto de minha antiga cozinha inclusive, além de muitas receitas de chás.

A gente precisa ficar de olho, a canela nacional vendida por aí, é completamente "batizada". O aroma mais parece o das velas de canela, do que da canela em pau, tão honesta e aromática. Dê uma olhada na foto da canela nacional comparada à canela da China importada na postagem "Canela da China x canela nacional "batizada"".

Eu tenho comprado meus grãos e cereais nos únicos empórios a granel que vendem orgânico que conheço, por sorte ambos ao lado da minha casa. Um deles no Flamengo e o outro em Laranjeiras.
Felizmente castanhas de cultivo orgânico são mais facilmente encontráveis, até em lojinhas de produtos naturais. Frutas secas tenho comprado cada vez menos por causa da impossibilidade de encontrar frutas de cultivo orgânico desidratadas e pior, pelo fato das frutas secas vendidas normalmente ainda serem pulverizadas com inseticida para afastar os roedores e insetos.


Na verdade, essa postagem sobre o chá me lembrou de 2 outras postagens que devo fazer em breve, a primeira sobre kefir e a segunda acerca de desidratar frutas em casa sem forno, gás, eletrodomésticos caríssimos, etc. Assim, você pode deixar de comprar chás de cultivo convencional, com pesticidas e comercializados de forma injusta, deixando os chás orgânicos (mais caros) para ocasiões que realmente valham a pena.

(Atualização de 13 de setembro: a postagem sobre kefir saiu, em "Kefir e Iogurte")


Para os que mantém uma horta caseira, plantar as ervas de chá é muito simples, principalmente capim limão e camomila. Lembro também que todas as folhas de limão, laranja e tangerina (orgânicos), podem ser secas e a partir dessas folhas, ser feito chá caseiro, medicinal e muito saboroso. Eu mantenho as folhas, que pego de graça nas feiras orgânicas, no congelador e uso em receitas doces, como compotas de frutas, tamanho o sabor e perfume das folhas que iriam para o lixo.
Vale a pena ter chá fresco e caseiro em casa sempre à mão.



Sobre as frutas orgânicas desidratadas em casa, fica realmente para uma próxima. Não demoro, prometo. Assim todos poderemos aproveitar para comprar mais frutas orgânicas na feira, tendo a segurança de mantê-las por muito mais tempo.
Para ver como manter os vegetais orgânicos, que foram comprados a R$1,80 o maço, congelados por meses, dê uma lida na postagem "Feira de orgânicos do Flamengo".

(Atualização de 09 de outubro: a postagem sobre desidratar frutas naturalmente em casa saiu, em "A casa sustentável é mais barata - parte 17 (fornos solares a R$20,00)").



O hábito de manter uma horta caseira especialmente para ervas aromáticas, como sálvia, aneto, segurelha, alecrim e manjericão é adotado por muitos chefs, que não arriscam na perda da qualidade. Ter um mini jardim de ervas e especiarias pode levar a outra prática interessante: instalar um antigo moedor de grãos e temperos na cozinha, o tempero moído na hr é muito mais pronunciado. Um luxo aliado a maior simplicidade.





A arte do chá no Japão
Fonte: Slow Food Brasil

Os agricultores japoneses cultivam o chá verde há séculos nas encostas das colinas e nas grandes planícies. Conscientes de se ocuparem de um produto fundamental para a vida cotidiana e religiosa do País, as pequenas fazendas familiares trabalham mais pelo amor pelo produto, que por motivos econômicos. O número de produtores, porém, diminuiu, os preços estão estagnados, o custo da mão-de-obra é elevado e as novas gerações preferem morar nas cidades. A demanda é atendida por versões de chá verde mais baratas vindas da China. Mas ainda existem lugares onde agricultores e artesãos mantêm vivo o sonho deste produto.

A prefeitura de Shizuoka, a oeste de Tóquio, caracteriza-se por paisagens magníficas: o oceano Pacífico, o monte Fuji, as plantações de wasabi, morango, melão, tangerinas, daikon, arroz e, acima de tudo, chá. 45% do chá verde produzido no Japão é cultivado nesta região, embora se trate principalmente de agricultura familiar de pequena escala.

A cada três anos se organiza um festival do chá, chamada world o-cha. "O chá verde - explica Oka Atsuschi, diretor do evento - se faz com folhas não fermentadas e requer água fria, muita chuva e controle de pragas". Oka Atsuschi explica também como o chá se transformou de simples produto em símbolo. Depois da restauração Meji, na segunda metade do século XIX, o Shogun decidiu terminar o isolamento do Japão, assinando um acordo com os Estados Unidos. Sem a abertura do país ao comércio, os americanos teriam bombardeado o Japão: e o chá era um dos principais produtos destinados à exportação.

O final do isolamento levou à queda do shogunato e um grande número de samurais ficou desempregado. Para tentar limitar o caos e a violência, os samurais receberam parcelas de terra. O chá verde que se produz em Shizuoka nasceu, assim, com os soldados obrigados a renunciar aos combates. Mas os lucros com o cultivo do chá foram utilizados para comprar navios de guerra e construir um exército japonês moderno.

Os produtores explicam as vantagens do chá verde. Hidemi Suzuki tem uma fazenda familiar, a voz rouca e uma total dedicação ao trabalho. "Me dedico ao chá há aproximadamente trinta anos", diz ele. "A minha fazenda? Começou com os meus pais". Hidemi não tem dúvidas: "Não há nada melhor que uma boa conversa diante de uma xícara de chá. Japonês, naturalmente".


Mais informação:
Capim Limão
Limão galego
Frutas assadas
Compras a granel
Águas aromatizadas
Guia Slow Fish Brasil
Agricultura biodinâmica
Guia básico de pimentas
Canela da China x canela nacional batizada
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos

5 comentários:

Anônimo disse...

Carol, esse moedor de grãos e temperos me fez lembrar minha infância!
Acabei de arrumar um novo sonho de consumo...rs

Adorei o post, adoro chás! :)

Bj,
Edith

Anônimo disse...

Uso muito é o capim cidreira, que dá como mato, em tudo que faço. Até qdo estou com certo mal estar, faço um boldo e acrescento talos do capim, para suavizar. Com casca seca de limão, de laranja, maça, fica sempre bom. Tem gente que usa pra aromatizar doce de leite.
Bjs.
Ana Maria

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Edith, tb estou doida por um.
Por enquanto, namoro o da barraqueira de temperos da feira da minha rua.
Minha cozinha é um pingo de tão pequena, moro em apart hotel, nem sei onde pregaria um trambolho desses... Mas que deve ser tudo uma cozinha antiga com um moedor ao lado de (uma das) pia(s), isso deve ser.

Oi Ana Maria, que idéia boa colocar capim limão nos chás depurativos. Boldo é dose... Vc já comeu doce de leite com capim limão, é bom?
Aqui no RJ, tem uma loja exclusiva de brigadeiros, vários sabores, um deles é capim limão. Mas nunca comi.

Bjs
Carol

Anônimo disse...

Você ferve um punhado de capim cidreira até reduzir bem a água e concentrar o aroma. Aí é só jogar o leite, integral de preferência, ferver umas 2 horas, aí acrescento o açúcar e deixo cozinhar até virar pasta. De 4 litros de leite, dá um pote pequeno, de comer sozinha de tão bom que fica.
Bjs.
Ana Maria

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Que maravilha, Ana.
Em rapadura tb deve ficar uma coisa...

Outro assunto: saiu a postagem do kefir, link:
http://caroldaemon.blogspot.com/2011/09/kefir.html


Bjs!