sábado, 29 de outubro de 2011

Consumo de água x aumento da população urbana



Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), diariamente são desperdiçados cerca de 2,5 milhões de litros de água tratada e potável. As residências são as maiores resposáveis, já que o consumo doméstico no Brasil é de 140 litros de água/pessoa/dia.

Um único morador de favela só conta com 20lts diários de água para consumo próprio.

Estatística: 40% da população mundial vive sem saneamento básico e 1 pessoa em 8 sem acesso à água potável, em consequência 4.000 crianças morrem diariamente por falta de saneamento básico.

Saneamento básico é o primeiro passo na direção contrária à miséria.



Como colocar em prática no dia a dia:

1. Não compre água mineral, não estimule esse comércio criminoso que secou fontes nativas e desertificou áreas florestais. O melhor filtro de água do mundo é brasileiro e de barro. Pior, uma única garrafinha plástica de água mineral, além de tóxica por conter Bisfenol-A, para ser produzida consome 8 vezes o seu peso em petróleo.

2. Procure não consumir bebidas prontas. Toda bebida pronta, mesmo orgânica, é crime de hidropirataria, já que cada lt de bebida industrializada (sucos, achocolatados, cervejas, refrigerantes, chás gelados, etc) consome ao longo do processo industrial de produção, higienização, envase e até resfriamentos de caldeiras, pelo menos outros 5lts de água pura retirada impunemente dos lençõis freáticos do entorno. Onde hoje há uma fábrica de bebidas, amanhã haverá um areal.

3. Opte por vassoura quando for limpar o quintal. Lavar a calçada com mangueira desperdiça a cada vez 280 litros de água potável.

4. Escove os dentes, faça a barba e lave o rosto com a torneira fechada, a economia média é de 20lts.

5. Durante o banho, se ensaboe com o chuveiro fechado. Se tiver cabelos longos, priorize condicionadores sem enxágue. Alem de mais eficazes, pois tratam o cabelo o dia todo, não necessitam de mais água durante o banho.

6. Reúse as águas cinzas da máquina de lavar, abaixo em "Mais informação", você encontra links ensinando como economizo até 360lts semanais de água em minha própria casa.

7. Priorize produtos biodegradáveis tanto na lavanderia, quanto no banho. Ganhamos em saúde e sustentabilidade. Abaixo, em "Mais informação", você encontra 2 postagens exclusivas com praticamente tudo sobre produtos de limpeza e de higiene pessoal biodegradáveis e até orgânicos.

9. Sobre madeira, móveis e celulose: o modelo de reflorestamento atual, em eucalipto, é um crime ambiental. Cada pé de eucalipto consome 30lts diários de água, a árvore era tradicionalmente usada justamente para secar regiões alagadiças. Aqui no Brasil, nós desmatamos a Mata Atlântica remanescente para plantar uma espécie que é sequer nativa da nossa flora, que expulsou a fauna local e desertifica os lençóis freáticos para que possamos ter móveis e papel em abundância. Compre móveis de segunda mão em antiquariato e feiras, melhores por serem em madeira de lei, e recuse imprimir tanta papelada.

10. Se mantém horta e pomar, adote a irrigação por gotejamento. O método tradicional de irrigação, por aspersão, cria perdas de até 50% por evaporação no trajeto ar-solo.

11. Um projeto de captação de águas pluviais não é caro, os water wall tanks são inclusive usados como muros de arrimo, barateando o custo final da construção. A simples instalação de uma calha no telhado acoplada a uma caixa de água, já é uma boa iniciativa.

12. E conserte sempre vazamento, infiltrações e afins. Uma única torneira pingando perde até 45lts diários de água.

13. Promessa é dívida: estou para escrever 2 postagens específicas sobre outras questões de reúso de água - métodos domésticos e baratos de potalização e mais uma  postagem da casa sustentável exclusiva para o banheiro.


Uso de água cresce mais que o dobro da população

Como o petróleo o foi no século 20, a água poderá a commodity essencial para o século 21. Seres humanos dependeram do acesso à água desde os primórdios da civilização, e muito mais agora - 7 bilhões de pessoas no planeta, o crescimento exponencial da urbanização e o desenvolvimento estão forçando a demanda como nunca antes.

O uso da água vem crescendo mais que o dobro da taxa populacional no último século, disse à Reuters Kirsty Jenkinson, do Instituto de Recursos Mundiais, em Washington. A previsão é que o uso da água cresça 50% entre 2007 e 2025 nos países em desenvolvimento, e 18% nos desenvolvidos – grande parte do aumento virá dos países mais pobres, com o número crescente de pessoas migrando do campo para as cidades.

Somando a isso os esperados impactos da mudança do clima neste século, que deverão afetar os mais pobres mais cedo e de maneira mais severa, “e temos um desafio significativo pela frente”, afirmou Jenkinson.

Vai haver água suficiente para todos, quando a população chegar a 9 bilhões em meados do século? “Há muita água na Terra, e provavelmente ela não vai acabar”, disse Rob Renner, diretor executivo da Water Research Foundation, no Colorado, EUA. “O problema é que 97.5% dela é salgada. E dos 2.5% de água doce, dois terços são congelados. Assim, em termos de água doce, não há muito no mundo”.

Mais de um bilhão de pessoas no planeta não têm acesso a água limpa, e mais de 2 bilhões vivem em condições sanitárias inadequadas, o que leva a 5 milhões de mortes por ano, a maior parte delas de crianças com doenças que poderiam ser evitadas, segundo Renner.

Apenas 8% da água doce do planeta é de uso doméstico – cerca de 70% vai para irrigação, e 22 por cento para a indústria. Secas e chuvas insuficientes contribuem com o chamado risco água, junto com enchentes e contaminação. Jenkins menciona alguns pontos vulneráveis (os hot spots). Entre eles estão a bacia de Murray-Daarling, na Austrália; a bacia do rio Colorado no sudoeste americano; a bacia do Orange-Denqu, que cobre partes da África, Botsuana e Namíbia e todo o Lesoto, e as bacias do Yangtze e Amarelo na China.

Jenkison disse ser necessário um gerenciamento integrado de recursos de água, que leve em conta quem precisa de que tipo de água, assim como seu uso de forma mais eficiente, “A água vai se tornar rapidamente um fator limitador de nossas vidas”, disse Ralph Eberts, vice-presidente executivo da Black & Veatch, uma empresa de engenharia de U$ 2.3 bilhões de faturamento que constrói e opera sistemas de água em mais de 100 países. Ele pede uma “repriorização” dos recursos.

A empresa de Eberts não está sozinha. A falta de água e o estresse do líquido – que ocorre quando a demanda excede a oferta, ou quando a oferta é restrita por má qualidade – já atingiu empresas que fazem uso intensivo da água e suas cadeias de fornecimento na Rússia, China e no sul dos Estados Unidos.


A nossa água corre pelo duto errado!

A (com razão) festejada Lei que instituiu a Política Nacional do Saneamento Básico (Lei nº11445/07) criou a expectativa para todos nós da universalização do acesso à água e esgoto, através de um adequado planejamento das ações e políticas públicas, revertendo dados amplamente desfavoráveis nos aspectos de qualidade ambiental (sobretudo dos rios) e saúde pública (decorrente das condições ambientais que não atendem ao mínimo essencial para uma vida digna, sobretudo às populações mais expostas).

Trouxe ela, também, a polêmica possibilidade da delegação dos serviços de saneamento básico, inclusive à iniciativa privada. Alegam os defensores da privatização que a prestação do serviço por particular não prejudicará o direito de acesso ao bem fundamental água, pois a Administração Pública continuará a regular o serviço e a garantir a não exclusão. Neste grupo encontram-se, em regra, grupos econômicos formados por capital internacional ou administradores públicos que – justiça seja feita – administram escassos cofres públicos incapazes de realizar os investimentos necessários para atender à meta “um”: universalização.

Penso que este processo não pode ser realizado sem atender aos princípios democráticos e republicanos, sobretudo a prévia oitiva da população diretamente interessada, bem como sem atentar para a experiência internacional, já que não vivemos isolados do mundo, ao contrário, a economia globalizada implica consequências muito semelhantes de uma determinada decisão em qualquer parte do mundo.

Recentemente foi realizado um referendo abrogativo na Itália (12 e 13 de junho) por iniciativa popular (1,4 milhões de assinaturas), em que 96% dos eleitores votaram pela abrogação do Decreto Ronchi, que privatizava a água naquele País. Isto porque pesquisadores da Universidade de Greenwich constataram que, a partir da privatização, na Inglaterra e Gales, modelos de privatização para a Itália, as tarifas subiram, os investimentos caíram, a qualidade da água piorou, enfim, a experiência não foi boa.

Todos os argumentos neoliberais a favor da privatização foram derrubados por números neste estudo. A Authority – agência reguladora local (no caso da Inglaterra, Ofwat) – mostrou-se incapaz de regular qualquer coisa, por uma lógica simples: ocorreu o fenômeno da “assimetria informativa”, ou seja, na medida em que o Estado transferiu o saber e o fazer (know how) ao privado, este passou a deter o domínio da informação e o Estado passou a ser somente um mero ente limitado a interpretar os dados oferecidos pelo prestador privado, sem conhecer tecnologias e custos do prestador do serviço. Resultado disto: formação de oligopólios, manipulação de dados e aumento de tarifa (245%, 39% além da inflação no período de privatização).

Outro argumento – usado em terras brasileiras – que caiu por terra foi a garantia do melhor negócio através do processo licitatório. Na Inglaterra, a Dama de Ferro chegou a poupar os ingleses da “ridícula pantomina” da licitação, para este que foi, segundo o jornal conservador Daily Mail, “o maior roubo legalizado da história”, a privatização. Isto porque, à base do poder econômico, todos os elementos economicamente determinantes no momento da licitação foram renegociados muitas vezes ao longo dos contratos, sempre sob a base de dados fornecidos pelos próprios prestadores, sem que a Ofwat pudesse discuti-los, por ter transferido também o conhecimento ao setor privado.

Há outros argumentos expostos no estudo, bastante interessantes, como a constatação de que os poucos investimentos realizados durante a privatização foram, de algum modo, suportados pelo erário (dinheiro público). Os poucos investimentos privados, cujo mecanismo de mercado aplicado foi o full cost recovery, foram inteiramente repassados às tarifas, sem qualquer critério de justiça ou solidariedade social (como os subsídios cruzados). E delas aos dividendos dos acionistas das companhias prestadoras.

Entretanto, argumentos podem ser derrubados com argumentos. A melhor retórica vence. Todavia, neste caso os resultados da privatização da água na Inglaterra e em Gales puderam ser medidos: nos primeiros 10 anos de privatização, as companhias inglesas cresceram à razão de 147%; 30% do valor total dos boletos bancários foram pagos aos acionistas mediante dividendos; as tarifas subiram 245%; diminuíram em 21% os postos de trabalho; aumentaram os acidentes ambientais; aumentaram as perdas de rede (chegaram a 40% em Londres); a qualidade da água, não raras vezes, atingia níveis inferiores aos standards exigidos pela União Européia, inclusive foram encontradas na água substâncias danosas à saúde. Enfim, as tarifas transformaram-se em preço, os cidadãos em consumidores, e a água, um bem vital, em mercadoria.

Com isto, fácil entender o resultado do referendum italiano, bem como a decisão da maioria das cidades dos países onde a água já foi privatizada: a republicização.



Falta de água é o maior entrave à expansão da produção de alimentos

O futuro diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, disse que a necessidade de aumentar a produção agrícola para alimentar a crescente população mundial pressionará a busca por recursos naturais, principalmente pela água. Graziano assume o posto no primeiro semestre de 2012.

“A água se tornou o maior entrave à expansão da produção, especialmente em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana”, disse Graziano, que atualmente é diretor da FAO para a América Latina e foi ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela implementação do Programa Fome Zero.

Segundo Graziano, apesar da pressão sobre os recursos naturais, é possível pôr fim à fome no mundo por meio de quatro ações principais: a aplicação de tecnologias modernas na lavoura (muitas já disponíveis), a criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis, a recuperação de produtos locais e mudanças nos padrões de consumo em países ricos.

“Se pudéssemos mudar o padrão de consumo em países desenvolvidos, haveria comida para todos”, disse o futuro diretor-geral da FAO. “Desperdiçamos muita comida hoje não só na produção, mas também no transporte e no consumo”. Segundo Graziano, enquanto a comida é mal aproveitada em nações ricas, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome em países emergentes.

“Precisamos assegurar que esse 1 bilhão de pessoas sejam alimentadas, que tenham bons empregos, bons salários e, se não pudermos dar-lhes empregos, encontrar uma forma de proteção social para eles.”

Graziano ressaltou ainda que o estímulo à produção de alimentos tradicionais ajuda a diversificar a fonte de alimentos. “Hoje caminhamos para ter poucos produtos responsáveis pela alimentação de quase 7 bilhões de pessoas. Precisamos diversificar essa fonte, criar maior variabilidade.”

Segundo ele, a prioridade dada a alimentos cotados em mercados internacionais tem feito com que a América Latina, por exemplo, venha perdendo a capacidade de produzir feijão – um alimento tradicional altamente nutritivo, produzido a um custo baixo.


A água do mundo, Leo Jaime.

Vou correndo, como se isso me fizesse escapar dos pingos da chuva que se inicia. Menos tempo na chuva, pode ser ilusório, mas tenho a impressão de que ficarei menos molhado, de que chegarei menos ensopado. Com o canto do olho observo o senhor que com a mangueira termina de limpar a calçada, mesmo sabendo que a chuva há de modificar todo o cenário nos próximos instantes. Ou vai trazer de volta toda a sujeira que ele está tirando ou vai lavar outra vez o que ele acabou de lavar.

A água que cai do céu cai purinha, purinha, é o que penso enquanto corro dela. A água que cai do céu. Lembro-me do livro da Camille Paglia em que ela afirmava, ou pelo menos foi o que me recordo de ter dali subtraído, que o homem havia optado por viver em grupo por temor aos fenômenos naturais: chuvas, clima, terremotos etc. Foi preciso se unir contra as forças da natureza. As forças amorais na natureza. Quando passa um furacão levando tudo, bons ou os maus, estão todos ameaçados. Quando chove muito e tudo começa a inundar, anjos e demônios poderão estar, em breve, igualmente submersos. Quando a água falta, senhores e escravos morrem da mesma sede. Há forças mais poderosas que a maldade humana.

Os destinos turísticos são, em sua maioria, lugares interessantes por causa da água. Praias, lagos, rios, cachoeiras: somos naturalmente atraídos pela água. A simples vista para o mar ou rio já torna um ambiente mais interessante. Parece óbvio o que digo mas se levarmos em conta que grande parte do planeta é tomado por água isso passa a ser, sim, digno de nota: vivemos em meio a tanta água e ainda somos tão fascinados por ela! Nosso organismo é também, em sua maior porção, água. Somos água, viemos da água, para a água voltaremos e, enquanto tivermos como aproveitar a vida, queremos fazê-lo perto de alguma fonte de água límpida, na beira de um rio ou mar. Navegando, que seja. Queremos água.

Vivemos, porém, sob o alerta de que a água pode acabar. É preciso economizar. Parece absurdo pois a água é absolutamente indestrutível! Se você toca fogo ela vira fumaça e depois volta a ser água, se congela ela derrete e volta a ser água, seja lá o que se faça com ela, a água volta a ser água depois de um tempo, pura e cristalina. E na mesma quantidade! Pois é. Mas pode voltar salgada. Sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar? O prejuízo maior que a água pode sofrer é a poluição. Uma vez poluída a água pode demorar muitos anos para voltar ao seu estado natural, potável, como os pingos da chuva lá do início.

Volto ao início e ao senhor que tentava varrer uma folha de árvore, pequenina, da porta de seu prédio, segundos antes da chuva começar. Quantos litros de água pura ele desperdiçava naquela tarefa imbecil? Não seria mais fácil varrer a folhinha ou pegá-la com a mão? Aquela água correria para o bueiro e se juntaria ao esgoto cheio de substâncias químicas e de lá iria parar sabe-se lá onde, mas, poluída, demoraria um tempo enorme para voltar para o reservatório d'água da cidade. Este tempo é que pode ser o suficiente para uma cidade entrar em caos por não ter o que beber. A água não vai "acabar" nunca, mas talvez, um dia, não possamos usufruir dela onde e como gostaríamos. Talvez as grandes desgraças naturais não nos metam tanto medo porque o que nos vai derrotar mesmo sejam as folhinhas nas calçadas. Aguadas de estupidez.




 

Assista à entrevista de Antonio Donato Nobre explicando porque sem árvore não há chuva na postagem "Existe um rio acima de nós.", o melhor momento na minha opinião é quando Antonio Donato Nobre diz que levou anos de pesquisa para entender a relação floresta x desertificação e um dia, perguntou a um índio como o mesmo sabia tanto sobre o assunto, o índio respondeu então na maior naturalidade "o espírito da floresta me contou".



Alguns filmes sobre o assunto:
Flow, por amor à água
Cruzando o deserto verde
A história da água engarrafada
Ouro Azul, a guerra mundial pela água

 
Mais informação:
Reuso de águas cinzas na lavanderia
O mito do reflorestamento de eucalipto
Pia cheia de louça suja não é problema, é solução
A casa sustentável é mais barata - parte 09 (lavanderia)
A casa sustentável é mais barata - parte 11 (irrigação por gotejamento)
A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável
Nestlé mata fontes de água mineral em São Lourenço - a "Pure Life" é uma água química

Um comentário:

Anônimo disse...

Olà Carol,
Sou aluna do técnico de meio ambiente e estou elaborando um trabalho sobre o ano incondicional de cooperação da água e gostei muito da sua materia. Gostaria de fazer uma entrevista com você .
Se tiver interesse me manda um email: cah.cute@hotmail.com