quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"Criança, a alma do negócio" e "Experimente compartilhar: como as crianças reagem a um prato vazio"

Quando eu era criança, só havia 1 linha telefônica na minha casa, se alguém ligasse e você não estivesse, se deixava recado e esse recado só seria retornado à noite.
Refrigerante e sobremesa eram regalias dos finais de semanas e eu ia a pé ou de bicicleta diariamente ao colégio, usava tênis nacional e ninguém fazia dieta, aliás se jantava proteína combinada à carboidrato normalmente. Não havia coca diet, nem light, nem zero. Pão era de forma, francês, broa, briochinho-careca ou árabe, croissant era caro e só se comia no lanche de domingo à noite, quando se podia tomar refrigerante e sorvete de sobremesa. E sorvetes eram vendidos em poucos sabores: flocos, chocolate, passas ao rum e napolitano. Sorvete de fruta, como manga, se fazia em casa ou se tomava na rua, em sorveteria.
Se nos contassem que seriam fabricados pães light em centenas de versões, ninguém acreditaria.
Não existia internet, celular ou mesmo pager. Na verdade, só os medicos usavam pagers e reclamavam muito quando o mesmo tocava.
A gente assistia aos Trapalhões na tv aberta aos domingos e achava a coisa mais normal um dos membros ser negro e fazer papel de "bebum" tranquilamente.
E a vida era boa, melhor do que a dos dias de hoje.
Se identificou? Eu falo mais sobre outros assuntos afins na postagem "Quem lê tanta notícia?" e o vídeo linkado na mesma, "Posso ser seu amigo?", também nos faz se sentir um pouco ridículos.



"Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo?
Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas?
Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis?
Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos?
Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular?
Por que eu não consigo dizer não?
Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância."

Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti
Maria Farinha Produções





Pensou em sumir da sociedade de consumo e criar seu filhote no meio do mato? Um casal de fotógrafos franceses fez isso, mas não extamente no mato. Leia melhor na postagem "Tippi, a filha de fotógrafos criada na África".



Em um mundo capaz de produzir o dobro dos alimentos que necessita, morrem por ano 3.5 milhões de crianças. De desnutrição.

Essas cifras são profundamente descomunais e injustas. Trágicas, levando em conta que a mortalidade infantil é uma enfermidade que poderia ser evitada. A solução está em nós e a chave é compartilhar.

Somos a primeira geração capaz de acabar com a fome.


Dos 10 piores "alimentos" para a saúde, os lanches servidos em redes de fast food constam em quase todos os itens: sorvete industrializado, salgadinho de milho industrializado, pizza pronta, batata frita, batata chips, salsichas, bacon, donuts, refrigerante convencional e dietético.


Fonte: Experimento Comparte (Experimente compartilhar) e Accion contra el hambre (Ação contra a fome)






Mais informação:
Para brincar
Natal sustentável
Por uma infância sustentável
Super size me: a dieta do palhaço
Quais os truques do shopping para você comprar mais?
Como funciona uma corporação e o que você consome, implica nisso
Metais em risco de extinção: meia tabela periódica em cada aparelho celular
 
 
As imagens são antigas tirinhas da Mafalda, de Quino, sempre atuais.

3 comentários:

Anônimo disse...

Mais uma postagem interessantíssima, Carol! Essa semana mesmo me recomendaram esse vídeo, ia mesmo procurar...assustador, não?

Bjo!
Edith

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Edith,
bom te ver de volta.
O Reporter Brasil, telejornal do Canal Brasil (02 na tv aberta) acaba de passar umas cenas do filme justamente numa reportagem sobre como ensinar orçamento doméstico às crianças.
Tarefa cada vez mais complicada.

Bjs e Viva Nsa Sra Aparecida :-)

brunaabora disse...

Baixar o Documentário - Criança, a Alma do Negócio - Trata sobre a publicidade que é dirigida às crianças no Brasil - http://mcaf.ee/dowg6