quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O mar não está para peixe: Slow Fish ou "O fim da linha"


O mar não está para peixe

Todos os anos, 78 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar são capturados nos mares do mundo – quantidade insustentável que ameaça a vida marinha. Para ajudar a evitar o colapso, varie o cardápio: além de diminuir a pressão sobre as espécies, você ainda descobrirá novos sabores.

Você sabia que há peixes proibidos para consumo e que ainda são vendidos? Outros, ainda, podem ser comidos, mas com moderação. Mas claro que também há espécies em abundância no Brasil! Está tudo super bem explicado no infográfico O mar não está para peixe que destaca os peixes mais consumidos nas regiões sul e sudeste. Consulte!

Eis algumas outras dicas bacanas para você comer com consciência:

- Certificações para produtos marinhos, como o Dolphin Safe e o Friends of the Sea, ajudam a comprar com critério. Eles atestam que a pesca é feita de forma sustentável, que não há captura de espécies ameaçadas durante a atividade e que a empresa tem projetos de responsabilidade social.

- Comprar carne com origem certificada ou perguntar no açougue quem são os fornecedores evita o consumo de produtos que venham de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. O frigorífico JBS-Friboi e a marca Taeq, por exemplo, fornecem código de rastreamento que mostra, pela internet, informações e fotos da origem do alimento. Dá até para consultar na hora da compra, pelo celular.

- Prefira frutas, legumes e verduras locais, pois eles emitem menos gases de efeito estufa no transporte. E opte por produtos da época, que consomem menos água.

- Evite o desperdício. Congele a sobra de vinho em formas de gelo e use-a para cozinhar. O Sesc São Paulo tem receitas para aproveitar bem os alimentos.

- Produtos embalados em papel e vidro tem menos impacto no ambiente do que aqueles em plástico e isopor. Prefira embalar alimentos com papel manteiga, no lugar do filme plástico.

- Na hora de comprar orgânicos, oriente-se pelos selos de certificação. Em janeiro de 2011 entrou em vigor uma lei que permite ao Ministério da Agricultura certificar os produtores com o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica.





No mundo 70% das espécies comerciais pesqueiras estão com estoques baixos; no Brasil, índice chega a 80% no Sudeste

A redução drástica da população de algumas espécies de peixes e crustáceos e o desaparecimento de outras foram tema de debate na Conferência da Biodiversidade, em Nagoya, Japão, que acaba na sexta-feira. Especialistas repisaram o alerta: por milênios o ser humano encarou o mar como fonte inesgotável de alimento, mas isso não vale mais, não no planeta de 6,6 bilhões de habitantes. O grande vilão do fenômeno é a pesca desordenada, que no Brasil já ameaça mais de 80% dos estoques do Sul e Sudeste e 50% no Norte e Nordeste.

Governo limita pesca de sardinha e lagosta
O relatório Global Ocean Protection, recém-lançado em Nagoya, é claro. “Alguns estoques estão próximos do colapso e não deveriam mais ser pescados. E todos deveriam ser alvo de planos de uso sustentável de longo prazo”, afirma Caitlyn Toropova, uma das autoras do estudo.

Relatório divulgado este mês pela ONG World Wildlife Foundation indica que 70% das espécies comerciais do mundo, como o bacalhau do Atlântico Norte e o atum do Mediterrâneo, estão com estoques baixos.

No Brasil, o Censo da Vida Marinha divulgado este mês pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) indica que, das 1.209 espécies de peixes catalogadas na costa e nos estuários, 32 são sobre-exploradas. O caso dos crustáceos é ainda pior: a sobrepesca afeta 10 de 27 espécies.

A situação é agravada pela falta de políticas de ordenamento da atividade pesqueira. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) calcula em 350 mil o número de pescadores profissionais do País, que respondem por 70% da captura de espécies marinhas na costa. De acordo com o MPA, existem 60 mil embarcações artesanais e cerca de 10 mil industriais nos 3,5 milhões de quilômetros de quadrados de mar sob jurisdição brasileira.

Pelos números oficiais, foram tiradas dos mares brasileiros 585.671,5 toneladas de pescado em 2009. Mas o sistema de licenciamento, a permissão para a pesca de uma determinada espécie, foi criado nos anos 70 e 80, quando os estoques eram outros.

“É comum, na ausência de um recurso para o qual tem permissão de pesca, que o pescador se volte para outro. A verdade é que não se sabe quem está pescando o quê e com qual licença”, diz o professor Jose Angel Alvarez Perez, integrante do Grupo de Estudos Pesqueiros da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.

Segundo Perez, existem espécies em que há sobrepesca há décadas, para as quais não se deveria mais conceder licenças de captura, como a corvina. “E há outras, como os linguados, para as quais não há nenhuma instrução normativa para a captura.”

“Na Europa, diferentes países dividem os recursos e isso favoreceu a normatização e a geração de informações. Os primeiros relatos de sobrepesca na Europa datam do século 19”, afirma Antonio Olinto Ávila da Silva, pesquisador do Instituto de Pesca (IP) de São Paulo.

No entender de Perez, da Univali, o problema não é tanto de falta de informação, mas de adoção de políticas efetivas. "Em 2004 o MMA lançou uma lista das espécies ameaçadas de extinção e pela sobrepesca. A ideia era que, a partir da lista, o sistema de licenciamento para embarcações pesqueiras fosse revisto.”

A presidente da Associação Litorânea Extrativista do Estado de São Paulo Isaura Martins dos Santos, de 54 anos, confirma a informação sobre o déficit de monitoramento. "A gente pesca tudo quanto é tipo de peixe, carapeva, parati, peixe-espada, corvina. Não fazemos uma pescaria específica, isso só de camarão, mas o que acontece é que a escassez é para tudo. O que diminuiu foi a quantidade, não o tamanho”, argumenta Isaura, que, além de pescar há 24 anos, é casada com um pescador.

Um dos problemas apontados por especialistas é a falta de entrosamento entre as instituições responsáveis pelo licenciamento e pela fiscalização da pesca. “Imaginávamos que a criação do Ministério da Pesca fosse melhorar o problema da governança, mas isso não aconteceu, porque o MPA e o MMA não trabalham integrados. O MPA existe para fomentar a produtividade e tem mais força política do que o MMA”, diz Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.

Passivo. “A nova Lei de Pesca foi sancionada no ano passado, mas há três anos estamos criando um novo sistema de permissões. Só que o passivo é muito grande”, diz Cleberson Carneiro Zavaski, secretário-executivo do MPA. “No passado foi incentivado um crescimento desordenado que potencializou a sobrepesca de algumas espécies.”

Para Ávila, do IP, é preciso diferenciar sobrepesca de colapso. Segundo ele, se bem administrada a sobrepesca é uma ferramenta importante para o manejo dos estoques. “Quando você pesca mais do que deveria, significa que o estoque que ficou na água vai ter mais condições de se reproduzir: mais espaço, mais alimento etc. Só quando há sobrepesca por anos seguidos é que os estoques começam a cair.”

“A pesca tem uma importância muito mais social do que econômica e as políticas públicas deveriam levar isso em conta. No Estado que mais pesca no País, Santa Catarina, a participação da pesca no PIB é risível”, diz Ávila. “O processo de gestão pesqueira tem de ser participativo. Não adianta criar uma boa lei se não houver um trabalho intenso com uma população pouco alfabetizada, para a qual a pesca artesanal é a principal fonte de renda.”

TUBARÃO
Barbatanas, carne, óleo de fígado, cartilagens e peles: tudo se aproveita do tubarão. Por isso ele é cobiçado. O preço do quilo da barbatana do tubarão-martelo-recortado chega a US$100.

BACALHAU
O maior estoque do mundo de Bacalhau do Atlântico Norte (Gadus morhua) está no Mar de Barents, ao norte da Noruega e da Rússia. Ele está na lista de espécies vulneráveis da IUCN

ATUM AZUL
Usado nos sushis, o bluefin" está tão ameaçado que tem cotas de captura na Europa. Em junho, a temporada de pesca foi abreviada, porque a cota foi superada. Os estoques caíram 80% em 40 anos

CORVINA
Espécie mais pescada no Sudeste depois da sardinha, está sobre-explorada há três décadas. É capturada com outras espécies por pescadores que têm licença para "peixes diversos"

LAGOSTA
Em 1995, o Brasil pescou 10.338 toneladas de lagosta, o maior volume dos últimos 15 anos. Depois, a produção caiu. Hoje está na casa das 7 mil toneladas. O Nordeste é o maior produtor do País

CAMARÃO-ROSA
Está na lista de espécies sobre-exploradas do MMA. O volume pescado oscila bastante historicamente. Em 2006, foi registrada a maior captura dos últimos anos: 12.382 toneladas


Todas as 61 espécies conhecidas de atum entraram para a lista de animais ameaçados de extinção

Pela primeira vez na história, todas as espécies de peixes da família dos escombrídeos - como atuns, cavalas e bonitos, bastante utilizados na alimentação humana - e os bicudos, como peixes-espada e merlins, entraram para a lista de animais ameaçados de extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Os resultados do estudo, que será publicado hoje na revista científica Science, mostram que a situação é pior para as espécies de atum. Cinco das oito espécies de atum foram enquadradas na categoria de ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção. Entre eles, o atum-azul (Thunnus thynnus), comumente utilizado na culinária, que está sob risco de desaparecer dos oceanos.

"É a primeira vez que pesquisadores, ictiologistas (especialistas em peixes) e conservacionistas se unem para produzir uma análise da situação das espécies de peixes mais utilizadas comercialmente", afirma Bruce B. Collette, pesquisador da IUCN e principal autor do estudo.

Segundo ele, os resultados da pesquisa serão de inestimável valor para ajudar os governantes a criar políticas públicas de conservação das espécies. A principal ameaça às espécies é a sobrepesca e a falta de engajamento de governos na proteção dos animais. Muitas das espécies de atum, por exemplo, são exploradas por companhias multinacionais cuja regulação é difícil. As populações de atum-azul estão caindo desde a década de 1970.


IBAMA apreende oitenta quilos de lagosta ilegal

Oitenta quilos de lagosta foram apreendidos nesta manhã de sábado (04 de junho) em Beberibe, a 120 km de Fortaleza, por agentes de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Os quatro pescadores detidos não tinham autorização para pescar na área e estavam utilizando compressores, o que é proibido por lei.

O Ibama tem realizado fiscalizações constantes na cidade desde a última sexta-feira (03 de junho) após receber várias denúncias anônimas. A embarcação foi encontrada por volta das 6 horas, na reserva extrativista da Prainha do Canto Verde e, segundo o chefe da unidade de conservação, Alexandre Caminha de Brito, não apresentava registro. “A lancha se chama Navegantes, nem ela nem os quatro tripulantes detidos apresentavam registro ou qualquer autorização”, afirma Brito.

A pesca na área é permitida apenas para consumo dos moradores ou para pescadores com autorização especial, de acordo com Brito. Reservas extrativistas têm proteção federal. Os tripulantes serão encaminhados à delegacia. “Agora temos de achar o dono da embarcação”, diz o chefe da unidade. Os 80kg de lagosta apreendidos serão doados a uma instituição de caridade.




Governo espanhol ocultou durante sete anos estudo sobre arsênico e metais pesados em peixes

Que peixes como o espada, o cação ou a tintureira tinham altos níveis de mercúrio não é surpresa. Um relatório oficial de dezembro de 2003, elaborado pelo Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO), encontrou uma concentração muito superior à permitida em amostras das três espécies recolhidas no Atlântico e no Índico. No entanto, o relatório foi qualificado como confidencial e todos os governos espanhóis desde então se negaram a divulgá-lo. A organização ecologista Oceana, depois de um litígio de mais de três anos, conseguiu que a Audiência Nacional (Ministério Público) lhe desse acesso ao texto. O Ministério do Meio Ambiente afirma que o relatório era considerado interno. Reportagem de Rafael Méndez, El País.

Em 5 de dezembro de 2003, o IEO deu por concluído seu grande estudo de arsênico e metais pesados em peixes e mariscos de interesse comercial. O relatório consta de três volumes nos quais analisa a contaminação em 90 espécies. Os observadores do IEO colheram centenas de amostras em alto-mar e nas peixarias, de tudo o que se come na Espanha. Suas 321 páginas analisam a contaminação de todas as espécies possíveis, desde o salmão à rosada, do mexilhão à sépia.

No entanto, ficou fora um anexo rotulado de confidencial, no qual se observavam níveis alarmantes de mercúrio, muito acima do máximo de 1 mg de mercúrio por quilo de peso úmido de pescado. Trata-se das análises de “marrajo” (que se vende como cação), peixe-espada (imperador) e tintureira (espécie de tubarão). Às vezes, e de forma fraudulenta, podem-se vender uns por outros nas peixarias.

O resultado não deixou dúvidas: 62,5% das 128 amostras de marrajo superavam o nível máximo permitido de mercúrio; 54,2% das amostras de peixe-espada estavam acima do limite legal de mercúrio e 79% superavam o limite de cádmio. Na tintureira, o número de amostras com concentração superior à permitida é de 50%.

Os níveis de metais no atum vermelho, por sua vez, são muito menores, já que somente quatro amostras superaram o limite.

Em 2006 a Oceana teve conhecimento da existência da decisão e o pediu ao Meio Ambiente, segundo lembra Xavier Pastor, diretor da organização ecológica. “Não quiseram nos dar porque era alarmante, como se viu. A contaminação por metais pesados em grandes pelágios é um tema sério, mas temiam o impacto que poderia ter sobre o setor pesqueiro se fosse divulgado”, explica Pastor.

A Lei de Acesso à Informação Ambiental, de 2006, obriga a que todos os documentos do Meio Ambiente sejam públicos, como estabeleceu o Convênio Internacional de Aarhus. No entanto, o ministério se negou e a Oceana recorreu à Audiência Nacional. Em dezembro de 2009 obteve uma decisão favorável, mas mesmo assim o departamento decidiu enviar um ano depois um relatório mutilado. Em março passado, depois da queixa pública da Oceana, o ministério lhe enviou o relatório.

Em 14 de abril, com o relatório nas mãos da ONG, a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição, do Ministério da Saúde, redigiu a recomendação de que as crianças menores de 3 anos e as grávidas não comessem atum vermelho nem peixe-espada, tubarão ou lúcio.

Um porta-voz do departamento dirigido por Rosa Aguilar explicou ontem que durante todos esses anos o ministério considerou que se tratava “de um ditame interno para ser enviado à Comissão Europeia” para que decidisse.

Em organizações ambientalistas como Ecologistas em Ação, estão há anos alertando para o problema do mercúrio. Pastor pede que o Meio Ambiente proíba o uso de células de mercúrio nas usinas químicas que produzem cloro, uma das formas como o metal chega à cadeia alimentar dos grandes peixes, e critica que o governo pactuasse com os fabricantes para prolongar a vida dessas instalações. Além disso, Pastor explica que nos EUA grandes redes de supermercados como Wal-Mart fizeram acordos com a Oceana para que em suas peixarias apareça um grande letreiro com a recomendação de que as crianças não consumam esses produtos: “Esperamos o mesmo na Espanha”.

Recomendações:


- A Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição recomenda que as grávidas e lactantes e os menores de 3 anos evitem consumir esses peixes. Para crianças de 3 a 12 anos se aconselha limitar seu consumo a 50 g por semana ou a 100 g em duas semanas.

- A Comissão Europeia recomendou em 2008 que as grávidas ou lactantes não consumam mais que uma porção de menos de 100g por semana de grandes peixes predadores como peixe-espada, tubarão e lúcio.

- Nos EUA, a autoridade alimentar (FDA) e a agência ambiental recomendam que grávidas e crianças pequenas não comam tubarão, peixe-espada ou “blanquillo”. Para o atum claro de lata e outros peixes como o salmão, aconselham no máximo duas ingestões por semana. No caso do atum branco, afirmam que contém maiores níveis de mercúrio que o atum claro de lata, por isso aconselham no máximo uma ingestão por semana.

Setor pesqueiro pede retificação à Saúde por “alarme desnecessário”
O setor pesqueiro reagiu ontem com irritação à recomendação da Agência Espanhola de Segurança Alimentar (AESAN) que desaconselhou o consumo de peixes espada, tubarão e atum vermelho por grávidas, mulheres em fase de lactância e crianças menores de 3 anos, devido a seu alto conteúdo de mercúrio.

A ministra da Saúde, Leire Pajín, tentou minimizar o assunto e defendeu que os cidadãos podem “consumir esses alimentos com plenas garantias”, já que a advertência da Aesan é “só um conselho para que determinadas populações sejam mais cuidadosas em sua alimentação e evitem riscos”.

A Associação Nacional de Armadores de Navios Atuneiros e a de Fabricantes de Conservas esclareceram que a recomendação se refere exclusivamente ao atum vermelho, que é capturado no Mediterrâneo e consumido fresco. As conservas são elaboradas com atum claro, atum branco e bonito do norte, três espécies de tunídeos tropicais fora de suspeita, já que procedem dos oceanos Pacífico, Índico e Atlântico. Juan M. Vieites, secretário-geral dos conserveiros defende que o atum enlatado cumpre escrupulosamente a norma vigente sobre os níveis toleráveis de mercúrio e acrescenta que os benefícios do pescado são indubitáveis: “Nossos produtos não só são saudáveis como têm importantes propriedades nutricionais. O atum claro contém proteínas e ômega 3, o grande protetor do sistema cardiovascular”.

Javier Garat, secretário-geral da Confederação Espanhola de Pesca (Cepesca) e presidente da Associação de Organizações Nacionais de Empresas Pesqueiras da UE, acredita que “se criou um alarme desnecessário”, ao aplicar recomendações mais estritas que as emitidas pela Comissão Europeia, que indica limitar o consumo de atum (sem especificar o tipo) a duas refeições por semana e o de peixe-espada ou tubarão a menos de 100g semanais para esse coletivo.

Pedro Jiménez, da organização de produtores de tunídeos e pesca fresca de Tenerife Islatuna, queixa-se também de um “excesso de zelo” por parte das autoridades: “A tendência é proibir tudo”, afirmou Jiménez, lembrando que a pesca do atum vermelho está muito reduzida devido às cotas estabelecidas pela UE para preservar a espécie. “Na primeira semana da campanha deste ano já esgotamos a cota”, explicou Jiménez. Das 2.400 toneladas de atum vermelho que correspondem aos pescadores espanhóis, 209 são para as ilhas Canárias (1,2%).




Devagar com a rede, o peixe é fraco!

Na ensolarada tarde de sábado, 27 de maio, um pescador animava o píer em frente ao pavilhão Fiera di Genova oferecendo seus produtos: "Dois euros pela caixa de sardinha. Quem vai querer a lula? Olha, que está acabando". O pequeno leilão de peixes fresquíssimos improvisado ao ar livre, à beira do mar da Ligúria, não falhou uma única vez durante o encontro do Slow Fish, na cidade italiana de Gênova, entre os dias 27 e 30 de maio.

O Paladar participou dessa quinta edição do evento organizado a cada dois anos pelo Slow Food com os peixes como tema. Neste ano, a atenção de participantes do mundo todo se voltou para uma outra espécie em extinção: os pequenos pescadores.

Representados por cooperativas de várias regiões da costa italiana, os pescadores estavam ali para confirmar que vivem tempos difíceis. São uma espécie ameaçada, vítima da superexploração dos recursos do mar por pesqueiros industriais, que estão esgotando os estoques de peixe, especialmente perto da costa, onde os pescadores atuam com seus barcos.

Ao celebrar os pequenos pescadores, o Slow Fish acabou fisgando um peixe grande: pela primeira vez, a mais alta representante europeia para assuntos marítimos e da pesca compareceu. Ao lado de Carlo Petrini, fundador do Slow Food, a comissária Maria Damanaki foi enfática: "Podemos mudar a forma como comemos, mas precisamos é mudar a forma como pescamos".

Durante o encontro houve mais de 50 atividades diárias, entre documentários, workshops, degustações e palestras. Foi fácil se deixar levar no meio de tantas coisas interessantes para ver e provar. Pescado siciliano, peixes defumados irlandeses pareados com uísque e cerveja. Histórias narradas por pescadores gregos da Trácia. Degustação de peixe às cegas. Não dava para perder nada. E fora das salas, na feira, havia incontáveis espécies de peixe e frutos do mar para provar.

Quem visitou o Slow Fish neste ano saiu da Fiera di Genova com a certeza de que há muito peixe diferente no mar. E que é possível ser sustentável a partir de gestos simples, como estar aberto às novidades e escolher o peixinho esquisito, mas saboroso, que está na época.

Com grande apelo político, o encontro deste ano reforçou o compromisso dos pescadores, palestrantes e visitantes de lutar por uma mudança drástica na legislação pesqueira. Só a partir dela é que se garantirá que quando um pescador jogar seu anzol no mar, terá a certeza de que poderá levar para casa a refeição do dia.


Esperança para a vida marinha, parque mexicano tem recuperação impressionante

O local de vida submarina selvagem mais próspero fica ao extremo sul da península mexicana Baja: segundo um novo estudo, o Parque Nacional Cabo Pulmo é a reserva marinha mais robusta do mundo.

Uma análise de 10 anos no local revelou que a quantidade total de peixes no ecossistema da reserva – a biomassa – cresceu mais de 460% de 1999 a 2009.

“Um aumento de biomassa de 463% em uma reserva tão grande quanto Cabo Pulmo (71 quilômetros quadrados) representa toneladas de novos peixes produzidos a cada ano. Nenhuma reserva marinha no mundo tem mostrado tal recuperação dos peixes”, disse Octavio Aburto-Oropeza, principal autor do estudo.

Cidadãos que vivem ao redor de Cabo Pulmo, local previamente esgotado pela pesca, estabeleceram o parque em 1995 e cumpriram rigorosamente as restrições. “Nós nunca nem sonhamos com extraordinária recuperação da vida marinha em Cabo Pulmo”, disse o pesquisador Enric Sala. “Em 1999, havia apenas peixes médios, mas, 10 anos depois, o local está cheio de grandes peixes-papagaio, garoupas, pargos e até tubarões”.

Segundo os autores do estudo, o resultado mais surpreendente da pesquisa é a descoberta de que criaturas do mar em um local esgotado podem se recuperar até um nível comparável a locais remotos, onde nunca houve pesca por seres humanos.

Fatores como a proteção de áreas de desova de predadores de grande porte foram a chave para a robustez da reserva. Mais importante ainda, a aplicação do povo local, liderada pela ação determinada de algumas famílias, tem sido um fator de sucesso do parque.

Capitães de barco, mergulhadores e outros nativos trabalham juntos para cumprir os regulamentos do parque, protegendo a fauna e se esforçando para manter o oceano limpo. “Acreditamos que o sucesso de Cabo Pulmo se deve em muito à liderança local, a autoaplicação dos nativos, e o apoio geral da comunidade”, disseram os pesquisadores.

Reservas marinhas têm ajudado a reduzir a pobreza local e aumentar os benefícios econômicos. A recuperação do parque gerou ecoturismo, incluindo mergulho nos recifes de coral e caiaque, tornando o local um modelo para áreas degradadas pela pesca no mundo todo.

Os cientistas estão se esforçando para monitorar recifes rochosos ao longo da península Baja Califórnia, que se estende desde Puerto Refugio a Cabo Pulmo. Durante os 10 anos de estudo, os pesquisadores descobriram que a riqueza de espécies de peixes de Cabo Pulmo floresceu a um ponto de grande biodiversidade.

Animais como tubarões-tigre, tubarões-touro e tubarões-de-pontas-negras-de-recife aumentaram significativamente. Os cientistas continuam a encontrar evidências de que tais predadores do topo da cadeia alimentar mantêm os corais saudáveis. Outros grandes peixes em Cabo Pulmo incluem garoupas do Golfo, baúnas e garoupas leopardo.


Sugestão de filme: The end of the line (O fim da linha)

Filmado ao longo de dois anos, The End of the Line segue o jornalista e autor do livro no qual o documentário é baseado, Charles Clover, enquanto este confronta políticos e restaurantes célebres que mostram pouca preocupação pelos danos que causam aos oceanos.

Filmado pelo mundo fora - desde o Estreito de Gibraltar até às costas do Senegal e Alasca, passando pelo mercado do peixe em Tóquio - e mostrando cientistas de renome internacional, pescadores locais, e fiscais da pesca, The End of the Line é um alerta para o mundo.

No filme são mostradas imagens em primeira mão dos efeitos da nossa paixão pelo peixe como fonte de alimento, do impacto sobre a vida marinha causado pela enorme sobrepopulação de águas vivas e as profundas implicações de um mundo sem peixe, que causaria certamente a fome em grande escala.





Para quem quiser se aprofundar mais nas questões acima: Sea Sheperd

O Instituto Sea Shepherd Brasil – Guardiões do Mar integra a Sea Shepherd Conservation Society, baseada nos Estados Unidos que também tem escritórios na Austrália, Canadá, Inglaterra, Holanda, França e África do Sul. A Sea Shepherd Conservation Society – SSCS foi fundada em 1977, nos Estados Unidos, pelos fundadores do Greenpeace, que, ao engajarem-se nesse novo projeto, criaram um movimento de caráter mais ágil, objetivo e ativista. Atualmente, a Sea Shepherd é considerada a ONG de proteção dos mares mais ativista do mundo e conta com a participação efetiva de milhares de voluntários em todo o planeta.


Aproveite que leu até aqui e assine a petição online contra a pesca de barbatanas de tubarões


A primeira imagem são logos reunidas de produtos dolphin safe, aplicam-se especialmente a atum enlatado.
As duas seguintes do Greenpeace
A quarta imagem é um dos cartazes da campanha "Publicitários sem Fronteiras" divulgada pela Ong Cea
 
 
Mais informação:
Guia Slow Fish Brasil
Você ainda come salmão?
De onde vem o atum em lata?
Pesca artesanal x pesca industrial
Carnes orgânicas, o quê e como comer
Porque devemos reduzir o consumo de camarão
Tubalhau, o contrassenso de Fernando de Noronha
Slow Food, vegetarianos, desmatamento e a indústria da soja
The cove, documentário sobre golfinhos vencedor de um Oscar
Símbolo do brasão do Estado, botos correm risco de desaparecer até 2050

10 comentários:

Marilia disse...

Nossa, excelente post com informações extremamente úteis! Obrigada por compartilhar!!
Beijo,
Marília

Cristiane Iannacconi disse...

ótimo post!
é bom saber... mandei p facebook!
parabens.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi pessoal, obrigada.
Se sobrar um tempinho, leiam também a postagem pecas artesanal x industrial, há muitos relatos de depressão e suicídio em comunidades pesqueiras tradicionais.

Bjs

Alexandra disse...

Eu acho que pesca e qualquer outra forma de produção de carne para consumo não pode ser industrializada. Pois é aí que não tem como ter um balanço, né? Os pescadores tradicionais não tinham um impact tão grande... Eu AMO peixe, muito mesmo. Acho que é o único tipo de carne que eu realmente sentiria falta se resolvesse ser 100% vegetariana, mas quase nunca compro pq não é tão fácil encontrar peixes sustentaveis... por sorte abriu uma peixaria aqui em Toronto que se especializa nisso e de vez em quando eu vou lá... mas mesmo assim, penso duas vezes...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Concordo contigo, não podem ser em escala industrial. O problema é que a OMS recomenda aumentar consumo de peixe e só em larga escala se atende a essa demanda...
Um luxo Toronto com suas peixarias certificadas :-)

Alexandra disse...

A OMS tinha é que recomendar a diminuição generalizada do consumo de qualquer carne... peixe incluso...

olha que legal a peixaria:
http://www.hookedinc.ca/HOOKEDinc/Home.html

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Mas que barato de peixaria!
Site lindo, proposta séria e mil eventos, todos chefs e enólogos.
Deve ser uma delícia fazer um desses workshops...

Sandra Portugal disse...

Não fazia idéia de tanta coisa interessante!
Obrigada por comaprtilhar!
http://projetandopessoas.blogspot.com//

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Sandra,
visitei seu blog e tb fiquei impressionada, vc é matemática e trabalha com coaching. Sensacional.
Beijos e apareça,
Carol

Jorge Inacio disse...

Olá Carol Daemon, faz alguns meses que conheci seu blog e gostei muito, parabéns.Recentemente criei uma página e uma comunidade. Algumas de suas postagens compartilhei lá, conheça e de sua opinião,espero que goste. Convido todos a participarem da Eco+. Obrigado pelo espaço e até mais. Segue links:
Eco+ comunidade https://plus.google.com/communities/106967314624442837408 ,
A Eco+ pagina https://plus.google.com/u/0/b/102320970684204963945/102320970684204963945 ,
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