terça-feira, 11 de outubro de 2011

Você já foi ao Brejal? Então vá!









O Brejal é uma região do distrito de Pedro do Rio, subregião de Petrópolis, aqui no RJ.
É no Brejal que estão os principais produtores orgânicos da Feira de Orgânicos do Flamengo e da Glória, frequentemente citadas aqui no blog.

Domingo passado, acordei muitas horas mais cedo e fui ao Brejal em grupo organizado pelos co-responsáveis pela Feira de Orgânicos do Flamengo e Botafogo.

As fotos abaixo falam por si e dão uma pálida ideia de como é boa a vida simples desses homens e mulheres, que vivem exatamente do que a terra dá, sem querer dizer à mãe natureza o que deve ser feito, mas justamente ouvindo o muito que ela tem a dizer.


A casa de Seu Onéias, de quem compro sempre na Feira do Flamengo, toda construída em adobe:



A cozinha com seu fogão à lenha, construído por eles há mais de 50 anos:



A vassora de folhas secas de mangueira e o tanque, de onde se pode beber água, já que é tudo de fonte da nascente:



O café da manhã com que fomos recebidos, tão gostoso. Os pães e bolos, feitos pelo Jefferson, podem ser encontrados na Feira de Orgânicos do Flamengo, Botafogo e Glória. O de cenoura estava maravilhoso e esse pão de milho com damasco e ameixa seca no centro da foto abaixo, é tão gostoso que me deixou com vontade de aprender a fazer pão!



Essa torta de cacau com granola já saiu por aqui, está na postagem da Feira de Orgânicos do Flamengo e é muito molhadinha. Os bolinhos de chuva da foto abaixo são doces, mas também havia salgados com cebolinha, ainda mais gostosos.



Todo mundo tomando café:



Já comeu geleia orgânica de tangerina? Não sabe o que está perdendo, não há nada mais delicioso.



O grupo andando entre a produção, onde tudo cresce junto e um vegetal ajuda o outro a equilibrar a terra e controlar as pragas - a frase que ouvi e não esqueço mais "até o capim é importante".



Seu Levi sabe o nome de cada matinho.



As galinhas criadas soltas, namorando com o galo e tomando conta de seus pintinhos.



Jabuticabeiras apinhadas:




Sabia que chuchu dá em parreira, como uva?



Um xodó de olhos cor de mel:



Querendo um pedaço de pão:



A patinha quebrada e tortinha não atrapalha em nada:



O limão galego, que dá em qualquer lugar e estava apinhado:




As bananeiras, tantas e tão fartas, que chegam a fazer uma alameda.




O sítio de Cristina, Otto, Andreia e Patricia, já citado aqui na postagem da Feira de Orgânicos do Flamengo, por terem me dado uns limões galegos. Vou falar mais deles futuramente sobre flores comestíveis, é que ainda não sobrou tempo.



O sítio mais bonito que já vi, você entra e, quando não está vendo orquídeas e amoras, está se perguntando de onde vem um cheiro tão pronunciado de capim limão.



O grande barato de ir a um lugar desses e ser recebido pelos responsáveis é justamente ouvir que aquele pezinho de feijão de porco ao pé da amoreira funciona como adubo para as amoras, que as formigas são controladas (e não exterminadas) colocando canjiquinha de milho na terra: a canjiquinha fermenta e as formigas vão buscar outro lugar, que se nascer caruru entre a roça é bom indicativo de qualidade do solo e que sempre se deve aproveitar as ramas da cenoura para adubar o solo, entre muitas outras informações.



As mudinhas embaladas em jornal na estufa: reciclagem, economia e menos embalagens plásticas.




Um canteirinho qualquer ao pé do centro de embalagem, não é nem zona de cultivo. Repare que só nesse espaço de 50 cm, crescem: alecrim, hortelã, almeirão e peixinho, orgânicos obviamente.



Os tomates cercados para ninguém entrar e contaminar, com irrigação por gotejamento e muita crotalária para controlar as pragas.



A estufa de crotalária, a florzinha amarela, que controla as pragas do tomate, cultivado sem pesticida.


O brocolis crescendo entre muito picão branco, as florzinhas que parecem formar um buquê, para não dar praga.


Como certos assuntos não podem passar em branco, deixo aqui uma última impressão: conhecer uma fazenda orgânica não é turismo, se estiver pensando em ir para se esbaldar, esqueça e vá ao shopping. Senti profunda vergonha de outros membros do grupo, senhoras com sacolas plásticas imensas aproveitando a visita para "fazer a feira", pisando nos canteiros de semeadura recente para arrancar o maior número possível de vegetais (e achando que debaixo daquela terra fofa não havia nada), colhendo vegetais ainda pequenos que muito provavelmente nem serão comidos, fumando em meio à plantação sem cogitar o risco de um incêndio florestal, arrancando flores para enfeitar o cabelo, gritando com crianças e entre si, interrompendo a preleção do agricultor entre os canteiros para perguntar furiosamente "mas quando é que a gente vai poder colher?". Essas pessoas perderam a grande oportunidade de ouvir o canto dos pássaros, sentir os cheiros da terra e da moita de capim limão, de ouvir o muito que o produtor rural tem a nos ensinar e realmente não entenderam nada. Querer participar de qualquer atividade envolve empatia, sentir a necessidade do que o outro realmente precisa e retribuir com exatamente o estritamente necessário - nesse caso, interferir o mínimo possível e comprar os produtos daquelas pessoas, que vivem disso de forma digna e muito corajosa.
E produtores rurais tendem a ser pessoas generosíssimas, todas as vezes em que vou à feira, ganho alguma coisa. Eles preferem que eu coma (e volte) a ver sua mercadoria apodrecer.



Organizaram um sorteio na volta, dentro do ônibus, fiquei muito satisfeita em ser sorteada e mais ainda com meu presente, um vidro de melado de cana orgânico, que amo de paixão.
Mil obrigadas a Paloma Niskier, que me emprestou seu celular para fazer algumas das fotos dessa postagem, já não sei mais quais são as minhas e quais foram batidas por ela.


Mais informação:
Capim limão
Limão galego
Tomate orgânico
Mel de abelhas x melado de cana
Orgânicos podem ser mais baratos
A Feira de Orgânicos do Flamengo
10 pecados naturais do turista sustentável
Couve chinesa sautée com ramas de cenoura
A horta urbana da Pedro Américo no Catete, RJ
A casa sustentável é mais barata - parte 11 (irrigação por gotejamento)

16 comentários:

Marilia disse...

Carol, que belo passeio! Só pelas fotos e comentários da pra sentir a energia desse lugar, a natureza em harmonia, as frutas, legumes e flores em paz.
Obrigada por compartilhar aqui com a gente! Lendo esse post e teu blog sempre me dá mais esperança e novas ideias pra cuidar do ambiente.
Beijo e ótimo dia,
Marília

Kenia Bahr! disse...

Que delícia, Carol, me senti lá. Ultimamente é o que tenho feito, visitado inúmeras pequenas propriedades, apendido tanta coisa e acreditando mais.

Bjs!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Acabo de chegar da feira, foi bacana rever o pessoal do mato aqui no asfalto, comprei verduras que vi na terra.
Os colégios deveriam levar as crianças pelo menos 1 vez por mês numa fazenda orgânica, deveria ser obrigatório por lei. Sem agricultura não tem merenda escolar.

paloma disse...

Que lindo que ficaram nossas fotos neste post, Carol! Tenho uma vaga idéia de quais eu tirei ;-)) Foi muito bom o passeio, que venham muitos outros. E as crianças iam adorar conhecer estes sítios de produção orgânica. Uma aula de respeito à natureza.

Anônimo disse...

Nossa, fiquei com vontade e água na boca, Carol!!
Lindas fotos, ótimo passeio, bela oportunidade, né?

Bjão!
Edith

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Olá,
passeio maravilhoso, que pode ser repetido em qualquer lugar. Basta perguntar a um produtor rural qualquer se a propriedade dele está aberta à visitação e ir, em grupo ou não.

Bjs,
Carol

Kátia Metello disse...

Nossa Carol, eu me mudei aqui para Petrópolis a pouco tempo, para um sítio perto de Itaipava. Adorei esse passeio que vc fez. Vou me programar para levar minhas meninas lá!
Adorei a dica, beijos e obrigada, adoro seu blog!
Kátia

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Katia, leve suas filhas sim, para as crianças é fundamental. Elas vão lembrar mais desse passeio do que de qualquer presente que vc compre.

Bjs e li seu email, vou te enviar o kefir na segunda (confirmo pela mensagem)

Carol

Alexandra disse...

Eu visitei as fazendinhas aqui da minha regiao recentemente pra ver de onde vinham as minhas frutas e verduras da minha cestinha de organicos... Realmente, deveria ser uma passeio obrigatorio para criancas...

Quanto as pessoas que nao souberam se comportar, talvez seja necessario, no caminho, que o guia/organizador do evento explique essas coisas para os membros do grupo. Pq isso eh muito chato, ne? Imagina se os fazendeiros resolverem parar com os passeios soh por causa de gente assim...

Sou fa do seu blog!

Alexandra

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Alexandra,
me manda as fotos ou links desses passeios, posto tudo aqui.
A Marília mora na Croácia, vc em Toronto, é muito bom ver tantos pontos de vista sobre o mesmo assunto.
Bjs

Alexandra disse...

Pois é, ainda tenho que fazer um post sobre o assunto mas esses tomatinhos nós experimentamos lá numa das fazendas:

http://www.matoandmaplesyrup.com/2011/09/24/diversity/

A cooperativa de fazendeiros que eu apoio é essa aqui:
http://kawarthaecologicalgrowers.com/

Esse foi o evento:
http://kawarthaecologicalgrowers.com/2011/08/30/keg-harvest-party-september-3-in-the-k-lakes/

Foi bem legal visitar algumas das fazendas, inclusive fazendas Amish, de onde vêm os ovos que eu como. Muitos dos fazendeiros adotando tecnicas de cultivo em que plantam vários tipos de vegetais diferentes juntos para que um ajude o outro e previna pragas...

Aqui em Toronto têm muitos programas interessantes; um que eu quero muito visitar etalvez até voluntariar é esse:
http://www.thestop.org/

Estarei no Rio por uns dias em meados de Dezembro. Adoraria encontra-la para um cafézinho ou um almoço em algum lugar que sirva comidas locais... que tal?

Alexandra

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Alexandra,
obrigada pelos links, vou dar uma lida neles com calma.

Vamos nos encontrar sim, adoro conhecer os leitores do blog.

Bjs,
Carol

Anônimo disse...

Olá Carolina, meu nome é Vitor, sou aqui da Tijuca, no Rio. Tenho grande interesse em conhecer um sitio orgânico, especialmente porque gostaria de num futuro, que espero que não tão longe, me mude com a família para a região serrana e invista na produção de orgânicos. Conhece algum sítio que eu possa entrar em contato e tentar uma visita neste feriado? Muito obrigado pelo post. Abs.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi, o Brejal é interessante, mas desde que vc vá sabendo os contatos. Por isso, pode ser uma boa, ir primeiro de excursão da feira orgânica.
Um passeio curto e de 1 dia é o El Nagual, em Magé. Dá uma olhada:
http://caroldaemon.blogspot.com.br/2013/04/o-el-nagual-em-santo-aleixo-rj.html

abs

Ana Paula Barroso disse...

Olá Carolina.
Estou a procura de um sitio ou fazenda de orgânicos, que esteja preocupado com produção que respeite os limites da natureza, com agrofloresta, com relações de trabalho mais justas e uma vivencia saudável com o meio rural. Você recomendada uma visita à região do Brejal? Em quais fazendas? Seria um dia somente! Com um grupo grande de alunos do 7o. Ensino fundamental do Rio de Janeiro (capital)- faixa etária entre 10 e 12 anos.
Desde já agradeço. Ana Paula

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Ana Paula, a melhor maneira de contatar essas pessoas é diretamente na Feira Orgânica. Particularmente, não tenho os contatos deles.
Outra opção boa é o El Nagual, em Sto Aleixo, próximo de Piabetá.
Dá uma olhada tb:
http://caroldaemon.blogspot.com.br/2013/04/o-el-nagual-em-santo-aleixo-rj.html

Parabéns pela iniciativa, vai ser inesquecível aos alunos