domingo, 27 de novembro de 2011

As ciclofaixas brasileiras


Para quem anda de bicicleta pela cidade, a presença de pedestres, corredores, carrinhos de bebê, cães e até motos nas ciclovias é um problema sério. Por outro lado, dividir a via pública com os motoristas é ainda pior. Na postagem linkada abaixo em "Mais informação", "Ciclovias x ciclofaixas", há uma foto de ciclovia daqui do Rio mostrando justamente que há de tudo nessa ciclovia: orelhão, árvore, pedestre... menos um ciclista.

A ciclovia não funciona bem mesmo em orlas de praia. Acredito que seja pior, já que os banhistas encaram aquela faixa contígua ao calçamento como uma extensão da calçada. Há casais que aproveitam para passear de mãos dadas justamente na divisa da ciclovia com a calçada, o homem (geralmente mais alto) na ciclovia (em nível mais baixo) e a moça do casal (mais baixa), na calçada (nivelada quase 1 palmo acima). Aproveitam o desnível para ficar da mesma altura.
Em alguns horários, é inclusive mais fácil pedalar no calçadão de pedra portuguesa do que na ciclovia apinhada de corredores, que aproveitam o asfalto liso.

Eu acredito que a ciclovia só funcione melhor do que a ciclofaixa em estradas e áreas rurais, onde a ciclofaixa pode ser confundida com acostamento e mais facilmente invadida, principalmente por motoristas alcoolizados ou que tenham dormido ao volante.

As ciclofaixas como na foto acima surgiram então como uma alternativa exclusiva ao ciclista urbano. Não é uma idéia muito original, apenas uma variação da faixa exclusiva para ônibus e caminhões devidamente adaptada.

A ciclofaixa de Curitiba foi batizada de Circuito Ciclístico. As faixas destinadas exclusivamente aos ciclistas são tradicionalmente pintadas no chão, mas na pista da esquerda da rota e, assim como nas ciclofaixas tradicionais (de lazer) em São Paulo, só funciona nos finais de semana e feriados.

Contudo, com a inauguração da ciclofaixa permanente de São Paulo no início do mês, a cidade agora conta com a opção de 3,3 km de ciclofaixas permantentes de segunda a segunda, onde antes era a Ciclorrota interligando os bairros na região de Moema e cabe principalmente aos motoristas o sucesso dessa inciativa, já que não há barreira física separando a ciclofaixa das pistas.
Ciclofaixa não é via expressa para motoboy ou estacionamento para carga e descarga.




A foto acima é do protesto ocorrido na semana passada "Milionárias de bike".
O termo “milionárias de bike” surgiu depois que uma comerciante de Moema, em entrevista, reclamou da rota para as bicicletas, questionando como suas “clientes milionárias” fariam para estacionar seus carros importados. “Você acha que minhas clientes vão andar de salto alto de bicicleta?”, argumentou, no início do mês. Como forma de protesto, algumas ciclistas pedalaram de salto alto.



Mais informação:
Ciclovias x ciclofaixas
Mais amor, menos motor
A automóvelcracia de Eduardo Galeano
Imagem do dia: 54 pessoas = 54 carros, 54 bicicletas ou 1 único ônibus

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