quarta-feira, 23 de novembro de 2011

"Eu queria trabalhar com sustentabilidade"

Essa é a frase que eu mais escuto.
Outro mito, acreditar que existam empregos exclusivamente "verdes".
Aliás, o que é um emprego verde?
Catador de papelão, coletor de latinha de alumínio, produtor orgânico, restaurador de móveis antigos, dono de sebo-brechó, cuidador de abrigo de cães, artesão de panela de barro...
Desanimou, né?


Recebi o email abaixo há algumas semanas e compartilho com vocês:

"Oi,
Te procurei porque gosto muito do seu blog, acompanho sempre e acho que você pode me ajudar com algumas questões. Sou formada em Relações Internacionais e trabalho com comércio exterior em uma grande empresa global de mineração há quase 3 anos. No entanto, como sempre quis trabalhar na área de Responsabilidade Social / Sustentabilidade decidi mudar de carreira e estou buscando me especializar nisso, portanto, queria saber se você conhece/indica o MBE de Economia e Gestão da Sustentabilidade da UFRJ ou o Gestão da Responsabilidade Social Corporativa da UFF.
Minhas questões seguem abaixo: 
Vi que você se formou em Engenharia Ambiental, mas não sei se tenho forças agora pra começar outra faculdade.
Como foi essa experiência pra você?
Você indica algum curso de extensão além destes dois que citei?
Quais são as empresas que você indicaria pra aplicar para emprego nessa área? 

Estou um pouco perdida, pois tenho muito interesse nessa área de atuação, mas não tenho experiência formal e nem formação nisso, além de trabalhos voluntários desenvolvidos em comunidades carentes e outros projetos e muita leitura sobre o assunto. Penso que não será muito fácil conseguir uma oportunidade de trabalho nesse momento, por isso quero me especializar no assunto. Bom, qualquer dica será de grande ajuda. Aguardo seu contato e agradeço desde já.

Bjs"


A minha resposta:

"Oi, na verdade, não sou Engenheira Ambiental. Sou Técnica em Segurança no Trabalho, certificada pela Bureau Veritas, CREA, ICN, Senai, IBP, FunCEFET... e mais alguns certificados cabíveis à área, que me levaram a Supervisora (de QSMS) em plataforma de petróleo.

Como coloquei no (perfil do) blog, sou graduanda em Engenharia. Fiz vestibular aos 34 anos, passei em primeiro lugar e hoje, aos 35, consegui cortar muitas matérias de minha antiga formação como Economista (nunca me formei), o que está reduzindo meu curso.

Ainda, larguei a carreira de Economista aos 26 anos para trabalhar com o que gostava, fotografia. Não deu certo, mas me mostrou que eu não seria feliz atrás de uma mesa e computador. Fui fazer escola técnica aos 31 anos para poder embarcar em plataforma, outra paixão.

Comecei a sentir falta do superior na área e aí, fiz esse vestibular há 1 ano. As coisas estão indo, não é fácil, mas 8hrs por dia no escritório é mais difícil para mim.

Eu, Carolina, não faria pós. Acho perda de tempo, mesmo na Coppe, USP, Unicamp e afins. Principalmente para quem já é mais velho e quer mudar radicalmente de área. Ir à campo, lecionar, etc...

Deixo a minha sugestão que pode até ser uma meta minha a longo prazo: faça um mestrado no exterior, se gosta de agroecologia, escreva aos caras da permacultura e veja onde é o maior pólo do planeta. Assine newsletters de tudo quanto é grupo do yahoo que discuta o assunto. Vá para lá como bolsita, dê um jeito. Se teu negócio é energia eólica, estude alemão até ser aceita por uma universidade de lá, eles são os líderes... E por aí, vai.... De qualquer maneira, o British Council no país todo tem um programa de mestrado na Inglaterra com bolsas auxílio excelentes.

Pós é perda de tempo na maioria dos casos, virou comércio e eu sinceramente, não acredito que 1 ano de aula aos sábados transforme ninguém. Você vai continuar distribuindo o mesmo currículo às mesmas empresas para os mesmos projetos, só vai ter o famoso "plus a mais". Mas é só a minha opinião, que sempre fui autodidata e, sem diploma nenhum, trabalhei nas maiores empresas do mundo.

Honestamente, você se sente motivada a ser especialista em Gestão Sustentável? Aliás, o que é isso? Deve ser uma turma multidisciplinar com engenheiro, advogado, administrador e ate médicos, discutindo banalidades que saem na coluna "verde" da (revista) Exame e do (jornal) Valor Econômico ao custo de um carro zero... Tô fora!

Não sei se tem marido, filhos, amores, financiamento na Caixa, etc... Eu (Carolina), quando quero uma coisa, largo tudo e vou atrás.
O único segredo do sucesso é não ter plano B.

Bjs e boa sorte"


Ela adorou, graças à Deus, fiquei preocupada em ter errado a mão e mexido com os brios da moça.




Então, você quer trabalhar com sustentabilidade.
É chique, engajado, pega bem e está pagando melhor do que freela.
O fato de você chegar a Gerente ou até Diretor de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) de qualquer empresa, mesmo a maior, não significa que trabalhe com sustentabilidade.
Significa sim que vai assinar relatórios intermináveis onde se menciona vagamente as boas práticas ambientais adotadas, quase um clipping para a imprensa.
Só que você conhece um cara que fez Arquitetura e hoje distribui cartões com sua especialização "Bioarquiteto". Eu adoro bioconstrução, na verdade, das 10 postagens mais populares daqui, 2 são exclusivamente sobre bioconstrução, ambas da série "A casa sustentável é mais barata".
Mas sejamos realistas, das obras que seu conhecido Bioarquiteto tem que pegar para sobreviver, em quantas ele realmente usa pelo menos uma ecotinta?

Claro que já existem construções inteiramente certificadas, onde há uma preocupação real em impactar o mínimo possível. E espero que, com o tempo, o Código Nacional da Construção Civil torne obrigatórias essas normas e padrões para qualquer edificação, por uma questão de sobrevivência da espécie.
Contudo, quantas construções certificadas você já visitou?
Será que não seria mais interessante reciclar as construções já existentes no lugar de colocar tudo abaixo para construir "verde", consumindo mais matéria-prima, energia e água?

Vou um pouco mais longe, o fato do banco campeão de reclamações no PROCON e processos judiciais construir suas sedes aplicando técnicas de reúso de água e aproveitamento de energia solar é sustentável ou só greenwashing?
Será que essa mesma instituição financeira não contou com isenção fiscal no final das contas e a placa solar é só uma "maquiadazinha" sugerida pelo pessoal de Relações Públicas?
As pessoas mais envolvidas com bioconstrução que conheço são os amigos da Sociedade do Sol, que ensinam a fazer placas de energia solar a R$35,00 cada placa capaz de aquecer 100lt. diários de água. O inventor do aquecedor solar de baixo custo não patenteou sua invenção para que um maior número de pessoas pudesse ser beneficiado.
Eu fiz uma dessas placas em 1 único dia e descrevo essa experiência revolucionária na postagem "A casa sustentável é mais barata - parte 15 (aquecedor solar de baixo custo a R$35,00)".

Como trabalhei na área de petróleo, embarcada, e escrevi recentemente sobre a experiência na postagem "Para entender o vazamento da Chevron", vou falar um pouco da minha área:
A maior empresa do país é de petróleo e gás, todo mundo quer trabalhar nela e, não por um acaso, a empresa é a grande referência nacional em sustentabilidade.
O que é mais sustentável, uma mega empresa de petróleo ou a pequena empresa, que recolhe banners de outdoors para transformar em bolsas confeccionadas por presidiários (que saem do presídio após cumprir a pena, qualificados como costureiros), como a já citada aqui "Tem quem queira"?

Quando as pessoas entram nesse blog, acham que eu sou gestora de algum projeto sofisticado. Não sou, nem tenho o menor interesse em vir a ser. Tudo o que eu sei, foi aprendido em campo, debaixo de sol e chuva, ouvindo histórias de peão, marinheiro, mecânico e outras profissões menos valorizadas.
Na verdade, foi numa plataforma que vi como funciona uma dessalinizadora de água, a mesma que a gente bebia e usava para tomar banho (plataforma não tem água doce). Foi lá que eu vi como se separa água de óleo e principalmente, como o petróleo é extraído.
No meu primeiro embarque, fui obrigada a assistir a uma longa e enfadonha palestra proferida por um Biólogo. O mesmo defendia que a operação era 100% sustentável do ponto de vista ambiental, nos garantiu que não havia interferência na biota marinha.
Seis meses depois e alguns embarques mais íntima dos plataformistas (a peãozada), sentei para conversar sobre nossas vidas pessoais com um grupo de peões evangélicos muito respeitadores e bons maridos (mulher sozinha não pode bobear num lugar desses). Conversa vai, conversa vem e a verdade saiu: "Eu era pescador, sempre morei em vila de pescador. Meu pai pescava também e me ensinou tudo. Agora ninguém pesca mais, esses cabos que a gente arrasta, são carregados eletricamente e eletrocutaram os cardumes."
Ainda contrargumentei "Mas o Biólogo responsável não garantiu que não interferia?"
A resposta do pescador de 5 gerações valeu por toda uma faculdade de Biologia "Esse garoto não conhece o mar, a vista dele acaba na praia."

Na postagem "Os perigos do plástico para nossa vida", lembro que há alguns anos, trabalhei em projeto de Telecom e, conversando com os técnicos de campo, todos comentaram que a instalação de antenas de telefonia celular no topo de prédios não impactava na saúde das pessoas e eu mesma cheguei a ver pessoalmente que o amperímetro realmente marcava negativo um andar abaixo.
Ao longo do projeto e ganhando a confiança daquelas pessoas, todos confidenciaram ser pais de meninas, havia inclusive uma "lenda" no meio de que técnicos de Telecom "não sabiam fazer meninos".
O sexo de um bebê é definido pelo pai, que produz espermatozóides machos e fêmeas, e os espermatozóides machos, apesar de mais rápidos, são menos resistentes e consequentemente mais sensíveis à fatores externos. Trabalhar em campo, instalando antenas de telefonia celular, estava esterilizando os trabalhadores a longo prazo.
Toda aquela exposição, ainda que baixa, talvez tenha impactado na saúde dos trabalhadores.

Na postagem "Um país em obras", menciono que sou filha de arquiteto e que cresci vendo meu entorno ser modificado - morei em 17 lugares e nessas idas e vindas, vi um bairro se formar. Comento também que defendi a tese de fim de curso na Escola Técnica (em Segurança no Trabalho) num canteiro de obras. Visitei o canteiro da tal obra várias vezes, até para fotografar tudo e poder escrever à respeito. Com todo respeito, mas o único que realmente sabia o que estava acontecendo ali era o mestre de obras. A monografia foi dedicada à ele, que morreu acidentalmente antes da apresentação.
O Técnico em Segurança responsável também era bem informado (e muito safo), mas os 2 Engenheiros recém formados não tinham a mais vaga ideia do que se passava.
E a peãozada sabia de tudo, é claro. Sabiam até demais, para desespero dos 2 Engenheiros diga-se de passagem.

Assim como o pouco que eu conheço das madeiras brasileiras, algumas extintas, me foi ensinado por um marceneiro num galpão empoeirado. Como eu só comprei móveis antigos de madeira de lei em todas as minhas casas, precisava reformá-los, já que não os comprava restaurados (mais caros). Foram tantas reformas, que no final, já ligava para ele e dizia o que queria sem nem precisar mostrar. A gente começou a falar a mesma língua, a língua de quem mete a mão na serra, na lixadeira e no verniz. E ele entende muito de estilo, me dizia na maior naturalidade "uma aparadeira art decó fica melhor mais escura".

Recentemente, estive no Brejal, pólo agrícola do RJ onde está a maioria dos produtores orgânicos das feiras que frequento. Um dos produtores, S. Néia, atua no "negócio" há mais de 20 anos e seu caminhão é alugado. Sim, o caminhão usado para trazer seus produtos para vender na feira.
S. Néia, como a maioria de seus pares, ainda não conseguiu fazer um pé de meia para comprar seu próprio caminhão. Eu não conheço ninguém que trabalhe mais diretamente com sustentabilidade do que essas pessoas. Para ver as fotos da viagem, vá na postagem "Você já foi ao Brejal? Então vá!"

Antonio Donato Nobre, um dos maiores especialistas do país em climatologia, pesquisador do INPA, lembra que estudou uma vida inteira para entender a relação árvore x chuva. Um dia, na floresta, um índio disse exatamente o mesmo a ele "sem árvore não tem chuva", quando indagado sobre como sabia disso, a resposta foi surpreendente "o espírito da floresta me contou".
Para assistir toda a palestra dele, acesse o vídeo na postagem "Antonio Donato Nobre mostra que existe um rio acima de nós".

Em outra postagem, "Arte na carroça do catador de lixo", o artista que criou o projeto (considerado pela Veja como uma das 50 melhores coisas de SP), deixa algumas mensagens incômodas nas mesmas carroças, como por exemplo:
"Meu trabalho é honesto, e o seu?";
"Meu carro polui menos do que o seu." e a melhor de todas:
"Faço mais pelo meio ambiente do que o ministro."


Não existe emprego "verde". Existem empregos, bons ou ruins, depende do empregado, empregador e claro, da necessidade de ambos.
Sonia Orselli, blogueira amiga, seguia o meu blog quietinha. Leu a postagem "mel de abelhas x melado de cana" e, por ser saboneteira profissional, resolveu tentar "Quem sabe melado de cana não substitui o mel que eu uso nos meus sabonetes caseiros?".
Serviu e ela então deixou uma primeira mensagem justamente comentando seu feito, estava feliz, mandou sabonetes de presente quando o blog fez 2 anos. Maravilhosos obviamente.

Quando da venda do livro "Festa Vegetariana", impresso em papel reciclado (ponto para a SVB, que sempre trabalhou com sustentabilidade, antes mesmo de existir uma palavra para isso), uma leitora veio aqui em casa buscar seus exemplares.
Sentou numa cadeira com olhar baixo, murchinha e soltou a frase padrão "Eu queria trabalhar com sustentabilidade".
Perguntei o que ela fazia e a resposta foi igualmente padrão "Em ONG, faço pós em Gestão Ambiental".

ONGs. Todo mundo quer trabalhar no terceiro setor.
No terceiro setor e preferencialmente com sustentabilidade, é claro.
Que tal montar uma cooperativa de coletores de óleo de cozinha para fabricação de sabão biodegradável lá no terreno baldio do seu bairro?
Este é um ótimo exemplo de ONG voltada para a sustentabilidade: reciclagem e empregabilidade do exército reserva de mão de obra subqualificado. Mas não tem glamour algum, apesar de trazer mais resultados a curto, médio e longo prazo do que muitos projetos sociais.

Sobre as polêmicas ONGs, que andam queimadas após os incidentes nos Ministérios dos Esportes e Turismo, será que nós precisamos assim de tantas? O que aconteceu com a iniciativa que movia um simples grupo de pessoas a se reunir pelo bem comum?

Para encerrar, a mesma leitora do "Festa", que faz a pós em Gestão Ambiental e trabalha em ONG, me perguntou o que eu fazia para ser sustentável e eu respondi o mais sinceramente possível:
"Só compro móveis de segunda mão, como essa cadeira onde está sentada, minha roupa é de brechó, meu sapato de couro vegetal, minha comida preferencialmente orgânica. Os livros da estante foram comprados em sebo, eu nunca tive carro e, por gostar de cães, adotei e castrei os meus. Lá na área de serviço, a água é reutilizada e o lixo reciclado. Os produtos de higiene e limpeza são biodegradáveis... Eu faço tudo o que escrevo no blog, só isso."
Ela não sabia que existiam sapatos de couro vegetal no Brasil e se lamentou por orgânicos serem mais caros. Sugeri ler as postagens "Orgânicos podem ser mais baratos" e "Artigos de couro vegetal em lojas convencionais" e me despedi.

Semanas depois, recebi um email dela dizendo que no trabalho (a ONG) passavam por um aperto, já que não sabiam onde encontrar cooperativas de reciclagem na cidade. Não respondi, achei demais.



E por que uma foto do Eike Batista?
Ora, porque ele foi eleito o homem do ano em Sustentabilidade de 2010.
E a gente ainda vai acabar freguês da energia solar "dele", já que o mesmo acabou de firmar uma parceria com a GE na construção de uma usina solar comercial.



Parafraseando Sonia Hirsh, jornalista de formação, que mudou a maneira de 2 gerações de brasileiros comer e agora, traz luz à candidíase antes de qualquer médico: a sustentabilidade é subversiva porque não dá lucro à ninguém.



Mais informação:
Compras à granel
Reciclagem de edifícios
O lado B da energia eólica em larga escala
O mito das emissões de carbono neutralizadas
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Farm City: fazendas urbanas para comprar orgânico, local e justo
Como funciona uma corporação e como o que você consome, implica nisso
A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas no mundo
Apresentando um catador da Amazônia ao restaurador de São Cristóvão e morando em cima de um antiquário e brechó no Maracanã

23 comentários:

Mariana MT disse...

Sensacional, Carol!!!
Hoje ainda estava pensando sobre isso. Quantos acadêmicos buscam desesperadamente mais e mais qualificações para garfar sua parcela nesse suposto mundo verde nos negócios. Enquanto isso, os trabalhadores, realmente ambientais, são tratados com inferioridade e falta de respeito, como catadores ou produtores agroflorestais. As pessoas querem rótulos e apresentações, mas não abandonam seus carros na hora de ir trabalhar. Enquanto um exército mau remunerado, sem statos de fato trabalha a favor da sustentabilidade...empresas e milionários levam a fama, mesmo quando destróem o mesmo planeta que alardam proteger...

Tudo o que sei, aprendi igualmente na raça...e quanto mais sei, sei que nada sei. O que sei na verdade é que todas as práticas, as quais me dedico são herança das gerações passadas...não fazem parte de nenhum plano, de nenhuma conferência com especialistas. Ainda assim consigo repassar muita coisa em mini palestras que faço eventualmente para crianças.

E enquanto eu ouvir biólogo defendendo testes em animais, petróleo sustentável, engenheiro ambiental favorável aos trângenicos...acharei uma benção passar longe das faculdades tidas como verde.

Assim como você conheço pessoas de uma simplicidade imensurável, que fazem muito mais pelo o planeta que os bioarquitetos recém formados.

E tenho muito orgulho por estar, agora, trabalhando com reaproveitamento de materiais. Isso não me torna chic, mas certamente representa quem eu sou de fato.

Enfim...adorei a postagem, mesmo!! Parabéns!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Mariana,
fico muito feliz que tenha gostado. Lembrei de 2 leitoras e blogueiras quando a escrevi: você e a Kênia, que realmente trabalham com sustentabilidade.

Um beijo enorme,
Carol

Renan Zaupa disse...

olá Carol.. há tempo eu e minha esposa acompanhamos seu blog e compartilhamos muitas das suas idéias... eu sou engenheiro ambiental e atualmente trabalho no programa de educação ambiental offshore da petrobrás. Me desculpe a invasão mas em qual plataforma você trabalha?

Alexandra disse...

Muito bom mesmo!

Isso pode parecer irônico vindo de uma professora universitária, mas concordo que simplesmente colecionar grau não dá "skill", que o importante mesmo é vc ser dedicada a um assunto e meter a cara por contra propria e ir atrás das pessoas que têm tradição naquilo...

Meu avô era praticamente analfabeto. Minha avó o ensinou a assinar o proprio nome e fazer umas continhas básicas mas fora isso ele não tinha escolaridade nenhuma. Mas ele era fazendeiro, lidava com gado e quando alguem tinha algum animal doente, vinham de longe pra ver meu avô, que curava doença que os vetrinários, tão estudados, diziam não ter cura nem tratamento. Ele tinha a sabedoria de quem nasceu e foi criado na roça, lidando com animais há várias gerações.

Quando eu ensino sobre a chegada dos Europeus nas Americas, eu mostro para os meus alunos que muito antes de Cristóvão Colombo, tão estudado, chegar por acidente no Caribe, pescadores europeus já pescavam havia muito tempo na costa canadense. Mas ninguém se deu ao trabalho de perguntar pra eles se tinha terra do outro lado do mar...

flor da pele disse...

Querida Carol,
Sua excelente postagem mostra a grandeza da simplicidade.
As nossas ações estão diretamente ligadas ao que de fato é importante para nós então, baseada no significado do termo "sustentável", que provém do latim sustentare (sustentar; defender; favorecer, apoiar; conservar, cuidar), no meu ponto de vista, ter uma atitude sustentável com o meio ambiente requer abraçar naturalmente certos princípios, ou seja,responsabilidade,honestidade,ética,etc ,etc.
Resumindo, é saber quando acaba o seu direito e começa o direito do próximo, seja um parente, um empregado, um desconhecido.... um planeta.
Beijos.
Sonia

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi pessoal,
vamos lá.
Como tem uma professora universitária aqui, vou dar uma opinião meramente observativa: a maioria das pessoas que está na faculdade não sabe porque está lá exatamente. Faz a fac pq social e culturalmente tem que ser feito, daí se forma e se vê com outro problema: desemprego (ou subemprego). Se a pessoa tivesse tido a chance de ter sua vocação real aperfeiçoada, estaria sempre trabalhando, empregada ou não, com ou sem diploma. Pior, como "todo mundo tem que ter um diploma", pipocam por aí um mundo de faculdades ruins e esse ciclo nunca pára.

Oi Renan,
não embarco mais há 3 meses, mas gosto mais de embarcar em barcos de apoio, sísmico ou FPSO do que em plataforma fixa. A gente se aborrece menos.
Observe que eu não tenho nada contra a Petro em específico, só acho que não existe prospecção de petróleo e gás "verde".
Apareça mais, adoraria ver um Eng. Ambiental discordando por aqui, mesmo que seja de mim.

Oi Sonia,
mandou bem, como seus sabonetes ;-)
"A simplicidade é o último grau de sofisticação", Da Vinci.

Beijos!

Anônimo disse...

Oi, Carol!
Muito bom ressaltar o trabalho de quem põe a mão na massa e aprendendo na prática, sendo doutor no assunto, mas méritos/títulos é pra quem tem formação acadêmica, que não é demérito, claro, aliás o estudo, especialização são fundamentais, mas o reconhecimento é exclusivo pra estes. E o trabalho de ONGs então, nem se fala, tipo algumas que trabalham com proteção animal mas que não querem saber dos cachorros e gatos, só fazem muita espuma e prometem, discursam etc e você, se incomodado, se vire.
Bjs
Ana Maria

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Ana,
fecho contigo. Vc me entendeu, nada contra o estudo, tanto que voltei para a faculdade aos 34 anos. Mas tudo contra essa supremacia acadêmica inquestionável, mas financiada pela iniciativa privada e inacessível a 90% da população (a parte que rala).
Um beijo,
Carol

Sonia Hirsch disse...

É o que eu chamo de botar os pingos nos ii. Muito bom, Carol! Botei o link lá no Deixa Sair. Abração!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Obrigada, Sônia.
Mil vezes, não apenas por colocar no blog (o que tb é maravilhoso, já que mais gente vai ler), mas por ter aberto as nossas cabecinhas pós-revolução.


Lendo isso tudo, lembrei do Dr. Drauzio Varella em "Carandiru":
"foram dadas muitas versões para o que aconteceu naquele dia (polícia, diretor do presídio, prefeito, subsecretário de segurança, etc), eu só ouvi a dos presos."

paloma disse...

Do livro da Adélia Prado, que ganhei hoje na Feira Orgânica do Leblon. O livro se chama Bagagem e o poema, Leitura. Este é o final do poema:

"Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera."

Érima disse...

Adorei! Vou compartilhar.bjs

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Paloma, lindo, parece um haikai.

Oi Érima, sempre acompanhei suas postagens no blog da Sonia. Vejo que está seguindo o meu agora. Seja bem vinda.

Alexandra disse...

Depois de penar por 8 anos num curso que eu detestava, ecncontrei minha vocação e fui estudar o que eu realmente gostava. Apesar de amar a universidade, nada me deixa mais triste do que ver tantos alunos sem saber pq está ali, sem o menor interesse em aprender. Perda de tempo para eles, perda de tempo para os professores, e perda de tempo para os alunos que querem realmente aprender/questionar mas tem que estudar em turmas cada vez maiores... E nota-se que muitos dos alunos seriam MUITO mais felizes fazendo outra coisa. Eu sou a primeira a recomendar a qualquer jovem que conheço pra ñ ir correndo pra faculdade... Vai viajar, trabalhar, adquirir alguma experiencia de vida. Quando souber realmente o que quer, aí sim vá pra universidade....

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Concordo contigo e me pergunto, para quê tantos cursos universitários?
Na própria faculdade de engenharia vejo formações que antes seriam "pós", como a engenharia de produção, ambiental, petróleo, etc.
O cara se forma, engenheiro, e não sabe instalar um chuveiro elétrico, levantar uma parede, fazer uma gambiarra na própria casa... tamanha sua subespecialização.

Eu trabalhei na FGV quando fazia Economia, foi meu primeiro estágio. Lendo a revista editada por eles "Conjuntura econômica", meu chefe e eu conversamos como os MBAs recém surgidos eram equivocados no Brasil por serem fragmentados. A idéia era o cara que já tinha pós (em finanças, gestão, marketing, etc) depois disso fazer um MBA e ser master in business and administration (MBA).
O brasileiro leu esse programa como uma "pós com pedigree" e pipocaram então os MBAs "em" finanças, "em" RH, "em" gestão esportiva, etc.
Todo mundo, mesmo com pós, correu para fazer (caríssimo). Quando a onda do MBA passou (desvalorizou), todos correram para fazer PMI...
E as empresas geridas por esses caras continuaram falindo e dando prejuízo da mesma forma.

Alexandra disse...

Ih.... nem fala de MBA perto do meu marido... pra ele os MBA são a pior coisa que inventaram e a descgraça de qualquer empresa. Ele acha que o treinamento produz um administrador que só se preocupa com o "bottom line" e que só sabe aplicar soluções pre-concebidas para problemas pré-concebidos.

Meu marido também não fez faculdade. Com 18 anos ele entrou pra Air Canada onde passou por um programa de treinamento para ser mecânico de turbina de avião. Trabalhou com isso, achava o maximo. Aí ele resolveu ir pra faculdade, já com 30 anos, pq estava interessado em física e queria aprender mais. Na faculdade ele teve a oportunidade de usar um dos primeiros PCs (ele é nascido em 1948) e se entusiasmou. Ele nunca terminou a universidade mas ficou conhecido na empresa como o "cara que entendia de computadores e automação". Acabou sendo transferido do setor de manutenção pra sede da AC onde chegou a altos cargos de gerência brincando com computadores. Ele valoriza muito a experiência e a capacidade das pessoas de pensarem um pouco outside the box. E ele viu o desastre que foi quando os primeiros MBAs chegaram nas empresas e todo mundo os tratavam como se fossem deuses. A primeira ideia que tiveram foi demitir/aposentar todos os funcionarios mais velhos já que eles custavam mais para a empresa. Dava pra contratar um jovem por bem menos. Resultado? Departamentos inteiros ficaram paralizados pois não havia uma pessoa que tivesse experiencia ou que pudesse explicar o pq das coisas serem feitas como eram (ou seja, sem a historia da corporação em mente). Foi um desastre e tiveram que re-contratar algumas pessoas...

Outro dia alguem me falou que tem mais de 1.200 cursos de direito no Brasil. Fiquei de boca aberta. Nos EUA, com uma população maior que a brasileira e onde o pessoal adora processar todo mundo, existem 200-300 faculdades de direito (que são pós!) e existe MUITA discussão lá de que existe um excesso de faculdades de direito...

Mariana MT disse...

Só para completar. Também não sou contra estudar...rs. Tb estou prestes a voltar a faculdade, depois de anos, plantando sozinha e cuidando de animais e filhos. Seguirei na área da educação, da qual nunca deveria ter me afastado. Mas o que vejo ao redor é exatamente isso, um bando de gente frustrada odiando seu curso e cada dia em sua pós, so para se manter qualificado. Não terei uma profissão verde, apenas trabalharei incluindo no meu dia a dia os conceitos de sustentabilidade...e exatamente essa sustentabilidade citada pela Sonia...a subversiva...Amei a frase, vou utiliza-la qq dia desses no blog, fazendo a devida menção.

bjo Carol...até breve entre as tops do Top Blog...que vc merece muito!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Seu marido é 1 ano mais velho do que meu pai :-)
Meu pai, quando garoto, trabalhou na IBM com uns computadores que mais pareciam geladeiras e funcionavam a base de cartão perfurador.

Essa coisa da formação interna é interessante. Aqui no Brasil, o sujeito faz um cursinho porcaria qualquer e quando finalmente arruma um trabalho, não pode fazer nada além daquilo, é uma gritaria por causa do sindicato, de acúmulo de função, falta de "qualificação específica", etc.
Em alto mar, os gringos que conheci faziam de tudo, eram um pau pra toda obra. Cansei de ver engenheiro responsável com salário de US$20,000.00 ajudando a pintar costado de navio, trocando lâmpada, consertando computador de trainee, puxando a fiação do telefone de uma cabine para outra e até lavando a própria louça. Não tinha choro nem vela, acho até que eles gostam.
Eu adorava tb e os brasileiros à bordo me criticavam horrores.
Vai ver que é por isso que eu fui promovida no meu primeiro embarque e o resto continuou pastando...
Pastando, reclamando e tomando cafezinho no corredor.

Assino um egroup sobre Segurança no Trabalho, minha área até então, e o que mais vejo é discussão sobre o que é realmente função de técnico e engenheiro de segurança. Verdadeiros tratados sobre "o téc-eng. deve ou não entrar no espaço confinado com o peão?"
Pessoas com 20 anos na área defendendo que é um desperdício deixar o supervisor de segurança entrar na área de risco junto com quem executa a atividade.
Eu leio e me pergunto: se o supervisor de segurança, que assina a permissão de trabalho (do peão) e elabora as análises de risco daquela atividade não souber como é a tal atividade, quem vai saber?

Um país com 1.200 faculdades de Direito e desigualdade social (trabalho escravo, infantil, prostituição de menores, superpopulação carcerária, etc) é uma piada de mau gosto. Francamente.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Mariana, sua mensagem só apareceu agora.
Deixa disso, teu blog concorre tb :-)

Kenia Bahr! disse...

Puxa, Carol, andei off e só vi esse conversê todo agora.Que texto legal! Vi que falou de mim no comentário, me senti estranha. Pq tento ser sustentável, tento trabalhar com sustentabilidade, mas é um deus nos acuda. É muita gente egóica envolvida em tudo. Dentro do serviço público a moral vive na corda bamba e a nossa moral tem que ser uma equilibrista e tanto pra não escorregar. O ego da gente também grita às vezes e temos que repensar tudo isso, todo o tempo. O que sei é que gosto das gentes, do povo da terra e dos interessados em melhorar. E tento transformar o meu trabalho, que essencialmente é em prol do ambiente, mas praticamente tem o buraco mais embaixo, em alguma coisa da qual eu possa me orgulhar hoje e amanhã.

Beijo grande e vamos lutar.
Kenia

cristiane disse...

Carol,nao sou sapatao mas estou apaixonada por vc,disse tudo o que eu pensava mas nao tao claro ,como expressou,vc resumiu e decifou alguns pensamentos que me vinham quando eu pensava em meio ambiente e a sprofissoes,sao quase seis horas da manha venho pesquisando a 2 semanas e so hj sem dormir achei vc que foi de cara no gol.E bem por ai sustentabilidade hj vem de cada um de nos nossas acoes ,porque se quisermos ser sustentaveis pela pprofissao sera frustrante,nenhuma empresa e realmente sustentaveis e nem sei pois sou leiga no assunto se a condicoes no hoje de serem,mas se caad um fizermos nossa parte ira ajudar demais.
Carol me ajuda o motivo de minha pesquisa e que estudo enfermagem,mas nao foi o que eu pensava para mijm,nao me identifiquei,mas detesto a ideia de comecar algo e nao terminar ate porque vai que eu me arrependa um dia de nao ter terminado,mas estou interessada em fazer uma graduacao tecnologa estou em duvida entre meio ambiente e petroleo e gas,ppetroleo e gas tem muito a ver com meio ambiente estuda geologia que amo.mas em termo profissinal nao sei se conseguiria emprego em petroleo e gas ja que a petrobras so admite engenheiros em seus concursos.na verdade quero fazer tecnologo para me introduzir mais rapido ao meio,sao 2 anos ver se e o que realmente quero e depois partir para engenharia que demora bem mais.na sua opiniao conseguirei uma colocacao melhor com tecnologa em gestao ambiental,ou na como tecnologa em petroleo>>>
bjs adorei.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi, que bom que se achou :-)
Estou relendo sua mensagem e rindo, é isso mesmo, a gente fica perdido diante de tantas profissões e poucos empregos de verdade...
abs e apareça

Leandro Aragonez disse...

Oi, Carol! Engraçado, já faz um tempo que vc postou, mas só fui ler hoje e, coincidentemente, tudo o que vc disse bate perfeitamente com os meus questionamentos de hoje. Estava na dúvida entre fazer uma pós-graduação em Sustentabilidade (o mesmo da UFRJ que foi citado ou um outro em SP) ou sair pelo Brasil e pelo mundo atrás de projetos sociais e sustentáveis (os "reais", sem ser maquiados), pra eu sentir na pele como funcionam, sendo uma grande escola. Eu já estava mais inclinado pra segunda opção e, agora, ao ler o seu post e os comentários não tenho dúvidas que o caminho mais certo é esse de sentir na pele como tudo funciona. Acredito ser o mais verdadeiro, o que mais faz sentido cronologicamente (primeiro ver como funciona pra depois, caso queira, se especializar fazendo um curso, tendo muita experiência como base). Fiz questão de vir aqui agradecer por essa ajuda! :)
Obrigado! Nos vemos por aí! Sucesso!!!