quarta-feira, 30 de novembro de 2011

No dia da votação do Código Florestal, entenda 10 consequências diretas do Aquecimento Global, 06 problemas causados pela perda da biodiversidade e 30 razões para preservarmos nossas florestas




 1 – Criando incêndios

Além de estar derretendo geleiras e criando furacões mais intensos, o aquecimento global também parece estar fomentando incêndios florestais nos Estados Unidos. Em estados do oeste, ao longo das últimas décadas, mais incêndios têm ocorrido, queimando mais área por longos períodos de tempo.

Cientistas têm relacionado as chamas desenfreadas com temperaturas mais quentes e derretimento precoce de gelo. Quando a primavera chega cedo e desencadeia um derretimento, áreas florestais tornam-se mais secas e permanecem assim por mais tempo, aumentando a chance de incêndios.


2 – Ruindo ruínas

Em todo o mundo, templos, assentamentos antigos e outros artefatos permanecem como monumentos do passado de civilizações, que até agora têm resistido ao teste do tempo.
Mas os efeitos imediatos do aquecimento global podem, finalmente, danificar locais insubstituíveis. Inundações atribuídas ao aquecimento global já danificaram um site de 600 anos, Sukhothai, que foi a capital de um reino tailandês.


3 – Montanhas maiores


Os Alpes e outras cadeias de montanhas sofreram um surto de crescimento gradual ao longo do século passado, graças ao derretimento das geleiras em cima delas. Por milhares de anos, o peso destes glaciares tem pressionado contra a superfície da Terra, fazendo com que as montanhas “diminuam”. Conforme as geleiras derretem, este peso é elevado. Como o aquecimento global aumenta o derretimento dessas geleiras, as montanhas estão “crescendo” mais rápido.


4 – Satélites mais rápidos


As emissões de dióxido de carbono têm efeitos que vão até o espaço. O ar na camada mais externa da atmosfera é muito fino, mesmo assim, as moléculas de ar criam um “arrasto” que torna os satélites mais lentos, exigindo que engenheiros periodicamente os impulsionem de volta para suas órbitas adequadas.
Mas a quantidade de dióxido de carbono lá em cima está aumentando. E, enquanto as moléculas de dióxido de carbono na atmosfera mais baixa liberam energia na forma de calor quando colidem, assim aquecendo o ar, as moléculas esparsas na alta atmosfera colidem com menor frequência e tendem a “dispersar” sua energia, resfriando o ar em torno delas; assim, o ar “se acomoda”, e a atmosfera menos densa cria menos arrasto.


5 – A prática da teoria de Darwin: os mais adaptados sobreviverão


Conforme o aquecimento global traz um início precoce da primavera, o pássaro adiantado é o que vai conseguir comida – e passar seus genes para a próxima geração. Como as plantas florescem no início do ano, os animais que esperam até seu tempo normal para migrar podem perder toda a comida. Aqueles que conseguirem redefinir seus relógios internos e partir mais cedo têm mais chances de ter filhotes que sobrevivam e, portanto, passar sua informação genética, mudando todo o perfil genético de sua população.


6 – Descongelamento do permafrost

Não apenas o aumento da temperatura do planeta está derretendo as geleiras, como também parece descongelar a camada de solo normalmente permanentemente congelada abaixo da superfície da terra.
Este degelo faz com que o terreno encolha de forma desigual, por isso poderia levar a buracos e danos a estruturas como ferrovias, rodovias e casas. Os efeitos desestabilizadores do derretimento do permafrost em altitudes elevadas, por exemplo nas montanhas, poderia até mesmo causar avalanches e deslizamentos de terra.
Descobertas recentes revelam a possibilidade de doenças há muito adormecidas, como a varíola, reemergirem juntamente com mortos, seus corpos descongelando na tundra, a serem descobertos pelo homem moderno.


7 – Desaparecimento de lagos


125 lagos no Ártico desapareceram nas últimas décadas, apoiando a ideia de que o aquecimento global está trabalhando diabolicamente rápido nos polos da Terra. O sumiço provavelmente tem a ver com o permafrost sob os lagos descongelados.
Quando o permafrost descongela, a água nos lagos pode escoar através do solo, drenando os lagos. E quando os lagos desaparecem, os ecossistemas que eles suportam também perdem a sua casa.


8 – O Ártico floresce


Enquanto o derretimento do gelo no Ártico poderia causar problemas para plantas e animais em baixas latitudes, também cria uma situação totalmente ensolarada para a vida no Ártico.
As plantas do Ártico geralmente permanecem presas no gelo durante a maior parte do ano. Mas hoje em dia, quando o gelo derrete mais cedo na primavera, as plantas parecem estar ansiosas para começar a crescer. A pesquisa encontrou níveis mais altos de clorofila (sinal indicador da fotossíntese) em solos modernos do que em solos antigos, mostrando um boom biológico no Ártico, nas últimas décadas.


9 – Mudança de habitat


Começando no início de 1900, nós sempre tivemos que olhar para um solo um pouco mais alto para encontrar ratos e esquilos.
Agora, pesquisadores descobriram que muitos desses animais foram transferidos para elevações maiores, possivelmente devido a mudanças no seu habitat provocadas pelo aquecimento global.
Alterações semelhantes de habitat também estão ameaçando espécies como os ursos polares do Ártico, conforme o gelo do mar em que habitam gradualmente derrete.


10 – Alergias piores


Ataques alérgicos piores últimos anos? Se sim, o aquecimento global pode ser parcialmente responsável. Ao longo das últimas décadas, mais e mais pessoas começaram a sofrer de alergias sazonais e asma. Embora as mudanças de estilo de vida e poluição em última instância deixem as pessoas mais vulneráveis aos alérgenos do ar, pesquisas mostram que os níveis mais elevados de dióxido de carbono e temperaturas mais elevadas associadas com o aquecimento global também estão desempenhando um papel em florescer plantas mais cedo e produzir mais pólen. Com mais alérgenos produzidos, a estação da alergia pode durar mais tempo.


















06 problemas causados pela perda da biodiversidade


1. Custo econômico da biodiversidade perdida
No topo da lista está o valor monetário da biodiversidade em todo o mundo. O ecossistema possui funções específicas, como: polinização, irrigação, recuperação do solo, entre outras coisas. Porém, com diversas áreas afetadas, a natureza não suporta exercer adequadamente todas estas atividades. O custo estimado por causa deste prejuízo natural varia de US$ 2 a 5 milhões por ano, em todo o mundo.

2. Segurança alimentar reduzida
A redução da biodiversidade não ocorre somente por meio do desmatamento ou da caça predatória. A introdução de novas espécies também aumenta a concorrência com os habitantes locais e, muitas vezes, leva populações nativas à extinção. Em grande parte do mundo isso ocorre em fazendas, com raças estrangeiras de gado sendo importadas, empurrando para fora os nativos.
Isto significa que a população mundial de gado é cada vez menor, e mais vulnerável a doenças, secas e mudanças climáticas.

3. Maior contato com doenças
A perda da biodiversidade tem dois impactos significativos na saúde humana e na propagação de doenças. Primeiro, ela aumenta o número de portadores de doenças animais nas populações locais. A mudança nos habitats, normalmente, torna as espécies infectadas mais comuns e faz com que elas prevaleçam sobre as espécies saudáveis.
Ao mesmo tempo, esta fragmentação nos habitats coloca os próprios seres humanos mais próximos do contato com os animais portadores de doenças.

4. Clima imprevisível
A previsão do tempo tem muito mais importância do que apenas influenciar a decisão por pegar ou não um guarda-chuva ao sair de casa. Os agricultores e os proprietários de áreas costeiras sabem muito bem o que isso significa. A mudança no tempo fora de época, condições meteorológicas extremas e as variações no clima podem causar grandes problemas, como a seca, deslocamento de pessoas e destruição de grandes áreas.

5. Perda de meios de subsistência
Manter os ecossistemas saudáveis é essencial para a manutenção da subsistência. Quando o oceano é afetado, por exemplo, comunidades inteiras que dependem dos recursos oferecidos por ele são afetadas. Em muitos casos, os próprios seres humanos podem ocasionar estes problemas, através da poluição, acidificação do oceano e pesca predatória, por exemplo.

6. Perder a vista natural
Além da importância da biodiversidade para a manutenção dos ecossistemas, ela influencia muito os seres humanos apenas por proporcionar belas paisagens. Imagine como é triste olhar pela janela e ver que não restou quase nada e que o pouco que ainda temos da natureza está sendo desmatado por nossas próprias mãos.



30 motivos para preservar as florestas do Brasil


  1. O Brasil abriga 20% de todas as espécies do planeta.
  2. O mundo perde 27.000 espécies por ano.
  3. A Amazônia ocupa metade do Brasil e abriga 2/3 de todo o remanescente florestal brasileiro atual.
  4. O Brasil detém 12% das reservas hídricas do planeta.
  5. Já perdemos cerca de 20% da Amazônia, o limite estabelecido pela lei.
  6. Na mata atlântica, bioma de mais longa ocupação no Brasil, 93% já foi perdido.
  7. Mesmo quase totalmente desmatado, ainda tem gente que ataca a mata atlântica: a taxa média de desmatamento de 2002 a 2008 foi equivalente a 45 mil campos de futebol por ano.
  8. Perdemos 48% do cerrado.
  9. Perdemos 45% da caatinga.
  10. Entre 2002 e 2008, a área destruída no cerrado foi equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol por ano. Na caatinga, a 300 mil campos.
  11. Perdemos 53% dos pampas.
  12. Entre 2002 a 2008 é equivalente a 4 mil campos de futebol por ano nos pampas.
  13. Perdemos 15% do Pantanal.
  14. Por ano, perde-se 713 km2 de Pantanal.
  15. Se mantivermos as taxas de desmatamento registradas até 2008 em todos os biomas, perderemos o equivalente a três Estados de São Paulo até 2030.
  16. O Brasil é o 4º maior emissor de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, principalmente porque desmatamos muito.
  17. 61% das nossas emissões vêm do desmatamento e queima de florestas nativas.
  18. A expansão pecuária na Amazônia é, sozinha, responsável por 5% das emissões de gases-estufa em todo o mundo.
  19. Mudanças climáticas impactam diretamente as cidades brasileiras. Catástrofes como os que vimos no Rio no início do ano serão comuns. Preservar as florestas ajuda a regular o clima e proteger as populações.
  20. Mudanças climáticas impactam diretamente a agricultura. A Embrapa, por exemplo, prevê desertificação do sertão nordestino e impacto nas principais commodities brasileiras, como soja e café; os mais pobres sofrem mais.
  21. Saltamos de uma taxa de 27 mil km2 de desmatamento na Amazônia em 2004 para menos de 7 mil em 2010. É possível zerar essa conta!
  22. Empresas que comercializam soja no Brasil são comprometidas, desde 2006, a não comprar de quem desmata na Amazônia. A produção não foi afetada e o mercado pede por produtos desvinculados da destruição da floresta.
  23. Os maiores frigoríficos brasileiros anunciaram em 2009 que não compram de quem desmata na Amazônia. O mercado não quer mais desmatamento.
  24. O Brasil pode dobrar sua área agrícola sem desmatar, ocupando áreas de pasto ou abandonadas.
  25. 60% da vegetação nativa do Brasil está contida nas reservas legais – instrumento de preservação do Código Florestal que os ruralistas tentam acabar.
  26. A pecuária ocupa cerca de 200 milhões de hectares, quase ¼ de todo o Brasil. Boi ocupa mais espaço que gente. E isso porque a produtividade da pecuária no Brasil é muito baixa: 1 boi por hectare. Dá para triplicar o rebanho sem desmatar.
  27. Um terço de todo o rebanho bovino brasileiro está na Amazônia, onde 80% da área desmatada é ocupada com bois. Ali há 22,4 milhões de hectares de pastagens abandonadas e degradadas, ou uma Grã-Bretanha, que poderiam ser reaproveitadas. Só não são porque derrubar é mais barato.
  28. Mais de 70% das espécies agrícolas cultivadas dependem de polinizadores, que por sua vez dependem da natureza em equilíbrio. A FAO calcula que esse serviço prestado pelos insetos é equivalente a € 150 bilhões (R$ 345 bilhões), ou 10% produto agrícola mundial.
  29. O Código Florestal surgiu em 1934 e foi renovado em 1965, por técnicos e engenheiros ligados ao Ministério da Agricultura. É uma lei nacional, feita para proteger os recursos naturais em benefício de todos. Ele precisa ser fortalecido em sua missão.
  30. Num cenário de desmatamento zero, a agricultura familiar teria tratamento diferenciado. Isso porque, a despeito de ocupar apenas 25% da área agrícola brasileira, é o real responsável por produzir a comida (70% do feijão, 58% do leite e metade do milho brasileiro vem da agricultura familiar) e por gerar emprego no campo (74% da mão de obra).







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2 comentários:

Anônimo disse...

1.Parabéns pelas classificação. Tamos aí torcendo e pra comemorar.
2. Não consegui acessar as informações sobre planejamento familiar, filhos etc.
3. O que me dá + pena nessas alterações ocorridas na terra é o que acontece com os silvestres, em franca extinção. Qdo finalizar vamos pagar o preço, claro, porque eles não estão aqui por acaso. Vai faltar terra pra plantio? Parem de criar gado. Vamos comer o que vem diretamente da terra, reaprender e dar chance pra outras gerações sobreviverem.
Bjs.
Ana Maria

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

OI Ana Maria,
a postagem se chama "Filhos: ter ou não, eis a questão" e está linkada também na postagem do mundo abarrotado em "Mais informação".

Bjs,
Carol