domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mais amor, menos motor


No Brasil, ainda confiam nas penas de cesta básica ou mesmo na impunidade em crimes de trânsito, que raramente são qualificados como tal.

O que se viu em Porto Alegre é um exemplo de barbárie e selvageria. Não havia policiamento, porque os ciclistas não haviam avisado ao Detran sobre a manifestação que poderia bloquear uma rua da cidade. E aí não havia ninguém para orientar o trânsito naquele momento, e alguns motoristas se irritaram. Mas essa imprevidência dos ciclistas não justifica a reação do atropleador.

Na lei das selvas, impera a lei do mais forte. Na civilização, para compensar as diferenças físicas, fizeram-se as leis. E as leis de trânsito fizeram isso no código 29, que diz que os veículos motorizados são responsáveis pela segurança de pedestres, carroças e bicicletas.

Sem agentes da lei por perto, o atropelador resolveu valer a lei do mais forte, a lei da selva, e foi derrubando quem estivesse à frente dele. Pode até ser fadiga com o trânsito, mas talvez seja também uma questão cultural – uma pessoa de posse e no comando de um automóvel sente-se mais do que um ciclista.

Na França e na Alemanha, um motorista morre de medo do ciclista. Se tiver um pela frente, já vai se acautelando para evitar uma manobra errada, porque em qualquer circunstância o motorista vai ser culpado e provavelmente pagar o resto da vida se houver ferimento ou morte de um ciclista.

Mas, por aqui, ainda confiam nas penas de cesta básica ou mesmo na impunidade em crimes de trânsito, que raramente são qualificados como tal nos inquéritos rápidos. No caso de Porto Alegre, se o motorista acelerou como se viu diante de um grupo de ciclistas – tanto que derrubou 20 e feriu uma dúzia – há a visível intenção de causar dano à vida de alguém. É um caso óbvio de vida de homicídio.
 
Fonte: Alexandre Garcia, jornalista de O Globo e âncora do Jornal Nacional e Bom Dia Brasil



A cidade de Porto Alegre já foi símbolo de muitas “possibilidades”, inclusive em uma não tão distante época falava-se que aqui nesta “leal e valorosa” estava-se ensaiando “um novo mundo possível”; alguns até diziam que era uma verdadeira Aldeia Gaulesa de solidariedade e democracia que enfrentava o império neoliberal.

No entanto, parece que a fortaleza dos irredutíveis atualmente ficou no passado, pois o que restava dessa idéia generosa de uma cidade de todos (as) e para todos (as) aos poucos vai sendo enterrada, seja por uma gestão pública incapaz, seja por uma classe média cada vez mais elitista e preconceituosa. A quase tragédia ocorrida ontem na cidade baixa, quando cerca de 20 ciclistas do movimento massa crítica foram atropelados por um carro, de forma claramente proposital, como destacam as testemunhas, é apenas o aspecto mais visível deste cenário. Representa a consolidação da cidade como mero espaço voltado para o bom e eficiente funcionamento do mercado, o que significa o mal funcionamento para as pessoas, refletindo inexoravelmente a lógica do sistema capitalista.

Um movimento que propõe a substituição do uso do automóvel pela bicicleta acaba sendo, neste contexto, uma “ação de inconsequentes”, “quixotes” enfrentando “moinhos de vento” e portanto, nada mais lógico de “acabar com a palhaçada” (talvez este tenha sido não só o pensamento do motorista que causou o acidente, mas de muitos leitores de jornal). Da mesma forma que a participação popular nos assuntos da gestão pública “atrapalha” o gestor, a circulação de homens e mulheres em suas bicicletas “atrapalham” o fluxo das belas máquinas da modernidade. Assim se constroem os consensos, “senso comum” via mídia monopolista e oligárquica (apesar do movimento massa crítica realizar ações desde o ano passado, foi necessário um acidente para que o tablóide da família Sirotski mencionasse a existência do mesmo)

Está aí, de forma muito clara, na prática e não apenas na teoria, a comprovação da máxima do velho mouro segundo qual a “ideologia dominante é sempre a ideologia da classe dominante”. Senão vejamos, é minimamente racional que apenas uma pessoa utilize um automóvel no qual cabem cinco pessoas, ocupe um enorme espaço nas ruas, polua o ambiente, ponha em risco a vida de pessoas dentro e fora do veículo para percorrer, em media 5 ou 10 kilometros? Em uma velocidade de 20 kilometros por hora? A resposta pode ser positiva, é sim, desde que visto de determinado ponto, ou seja, de determinada idéia de cidade, de mundo, de ideologia.

Segundo a revista Carta Capital (edição de 16/02/2011), neste ano foram comercializados 3,1 milhões de veículos no Brasil. E se não bastasse isso, a noticia se completa com a informação de que grande parte da produção das multinacionais da indústria automotiva foi financiada pelo BNDES com cerca de 8 bilhões de dólares. É o que o titulo da matéria anuncia “gasto público, lucro privado”, mais claro impossível. Isso quer dizer o seguinte: a população financia com o dinheiro do seu trabalho a destruição da espécie e do ambiente em que vive.

É claro que isso pode parecer uma constatação de cunho “ecologista” e pouco “realista”. De alguém que não compreende a complexidade do capitalismo contemporâneo, pois este seria um processo macroeconômico no qual nós, os “reles mortais” nada podemos fazer para que mude.

Sejamos claro, na verdade o que menos importa no discurso legitimador do sistema é a qualidade de vida das pessoas, por isso as cidades não são feitas para as pessoas, são feitas para garantir no máximo os “direitos de consumidor”, se você não é consumidor, lamento, você não tem direito.

Nesse sentido, “o mercado” é o verdadeiro poder, senhor das ações do poder público. Da esfera federal à municipal o que precisa ser atendido é ele. Bicicletas não consomem combustíveis, não aumentam o PIB, não contribuem com o superávit da “balança comercial”, portanto, qual o sentido de estimular o seu uso?

Nesse sentido, a gestão fo-fo tem se destacado, durante seus quase oito anos as ações da prefeitura giram em torno do atendimento ao “mercado”, seja na “reforma do centro” e na manutenção de espaços públicos. No caso do transporte público, mantém uma das passagens mais caras entre as capitais; abandonou a única ciclovia existente na região da cidade baixa, a que realizava a ligação entre os parques (hoje usada como estacionamento mesmo ainda tendo a placa sinalizando o seu uso correto); colocou a disposição dos frequentadores do parque farroupilha um serviço de aluguel de bicicletas restrito ao parque (pois na visão dos atuais gestores o parque “é o lugar de andar de bicicleta”) mas não sem antes pensar no verdadeiro sentido da ação, que é o mercado obter algum ganho, claro. No caso a multinacional que proporciona o “serviço”.

Enquanto capitais como Buenos Aires estimulam o uso de bicicletas, em Porto Alegre o estimulo se dá em um serviço onde as pessoas pagam para fazer publicidade para uma multinacional de refrigerantes. Bom negócio, alguns poucos ganham muito e o sistema agradece.

Assim caminha nossa Porto nem tão Alegre, como poderia e deveria ser.

O que é positivo nesta história é a certeza que sempre teremos aqueles que não desistem. Seriam sonhadores e utópicos? Não importa o adjetivo, o importante é que ainda mantenham a luta por uma vida “menos ordinária”, menos desumanizada, e por uma cidade melhor para viver.

Se, por um lado, a realidade parece estar na contramão de seus objetivos, pelo menos uma certeza, os “quixotes” da massa crítica podem ter: por mais que não se acredite nela, a velha toupeira da história sempre teima em aparecer, grandes ou pequenas elas continuam vivas, muitas vezes “atrapalhando” os de cima, e sempre a espreita para o melhor momento de virem à tona. Longa vida a Massa Crítica, quem viver verá.

Fonte: Brasil Autogestionário






E faço das palavras de meu amigo Gledson, do Ciclorgânico, que também postou sobre esse acinte: foi tentativa de homicídio doloso.

Ironia, se esse criminoso for inocentado da tentativa de homicídio e só responder por lesão corporal, além das infrações de trânsito cabíveis, pode ter a carteira cassada e vir a tornar-se um ciclista.

Lixo Extraordinário

Lixo Extraordinário é um  concorrente brasileiro no Oscar de hoje à noite, indicado na categoria de melhor documentário, o filme retrata a realidade dos catadores e levou 2 anos para ser filmado.

Assista ao trailler e leia a sinopse oficial abaixo:

Filmado ao longo de dois anos (agosto de 2007 a maio de 2009), Lixo Extraordinário acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente. A equipe tem acesso a todo o processo e, no final, revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.






Mais informação sobre Jardim Gramacho:
Estamira
Aterro Sanitário para cogeração de energia limpa
Biocombustível para aviões feito a partir do lixo
 
Para ver mais sobre Vik Muniz:
Jane Perkins e Vik Muniz


Ainda sobre o lixo e suas muitas questões:
Psicólogo se passa por Gari para entender a psiquê da população
Como funciona um aterro sanitário
Ilha das Flores
Morro do Bumba

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Jóias são insustentáveis: Serra Pelada e os Diamantes de sangue



Nas postagens sobre Natal e Dia dos Namorados sustentáveis, abordei como jóias não são presentes sustentáveis e mantenho a posição deixando mais links e informações:

Presentes mais caros como jóias são válidos e fazem parte da tradição de muitas famílias e casais. Eu não estimulo a compra de uma jóia nova, afinal todo processo mineratório é extremamente poluente e geralmente exploratório aos trabalhadores envolvidos. Mas ganhar uma jóia de família é muito sofisticado e demonstra que não existe a menor intenção de romper o vínculo. Se não for o caso de a família ter jóias, há inúmeros leilões de jóias antigas ou mesmo penhoradas, onde as peças são encontradas inclusive a preço mais baixo. Alguns homens podem sonhar com abotoaduras em ouro e acharem diferente participar de um leilão onde serão presenteados.

As joalherias tradicionais já desenvolvem embalagens ambientalmente corretas em materiais reciclados com design e premiadas. Ainda no Dia dos Namorados sustentável, ensino a confeccionar embalagens para presentes que não agridem o meio ambiente, como o furoshiki, e mesmo uma caixa antiga de madeira, estilo porta jóias, serve para embalar a jóia de família.

A mineração devasta em todas as escalas, sendo para prospecção de petróleo e gás, ou pedras e metais preciosos. Serra Pelada é o maior exemplo nacional de interação homem x entorno equivocada, onde havia uma serra, hoje há um "lago" com 100m de profundidade. Até hoje, existem áreas irrecuperáveis pelo excesso de chumbo e mercúrio usados nos garimpos, além das centenas de vítimas de acidentes de trabalho á margem de estatísticas oficiais e indenizações, as zonas de prostituição abandonadas e as muitas meninas que foram comercializadas e vendidas.



Ouro: a mineração de ouro também está ligada ao trabalho infantil forçado, e utiliza produtos químicos tóxicos, incluindo mercúrio e cianeto, criando enormes quantidades de resíduos perigosos. O processo de mineração de ouro para fazer um anel deixa mais de 20 toneladas de lixo para trás! O ouro é extraído principalmente da África, Ásia e Américas, e mais da metade de todo o ouro extraído, vêm de terras indígenas. Cerca de 80 por cento de ouro extraído é usado em jóias, E o Dia dos Namorados é um horário nobre onde é dito para demonstrarmos o nosso amor, enquanto o custo real do ouro é mantido fora da vista e da mente.

Diamantes: Desde que o filme de Blood Diamonds foi lançado, houve uma consciência crescente sobre a relação entre os diamantes e os conflitos violentos e violações dos direitos humanos. Os "Diamantes de sangue" têm financiado brutais conflitos na Libéria, Serra Leoa, Angola, República Democrática do Congo ea Costa do Marfim, que resultaram na morte e no deslocamento de milhões de pessoas, os refugiados ambientais. O processo internacional criado para controlar e assegurar fontes de diamantes sem conflitos, até agora tem sido ineficaz


O site Brasil Autogestionário se aprofunda na questão abordando ainda os lixões eletrônicos a céu aberto e a questão do deslocamento humano nas minas de tungstênio.

A imagem abaixo da campanha "There´s nothing romantic about a toxic gold mine" é do Story of Stuff.





quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Porto Alegre, a primeira cidade do país com projeto de transporte fluvial em larga escala

As hidrovias, assim como toda a navegação de cabotagem, propõe-se a ser a alternativa ideal de transporte em larga escala no nosso país. O Brasil é o único país do mundo que transporta ferro e aço em caçamba de caminhão. Nossos caminhoneiros, ou carreteiros, trabalham por empreitada, sem carteira assinada, aposentadoria ou plano de saúde. "Dobram" jornadas, a base de estimulante, em estradas esburacadas e veículos muitas vezes não vistoriados.

Uma malha ferroviária tendo os portos costeiros como ponto de partida, seria imensamente interessante para ligar nosso país do Oiapoque ao Chuí, não apenas do ponto da segurança, mas principalmente pela redução no uso de combustíveis fósseis. A navegação de cabotagem e a implantação de um sério programa de hidrovias, contribuiria igualmente para diminuir as distâncias de uma costa com 8.000km de extensão, além de minimizar a dependência do transporte rodoviário em todos os aspectos, incluindo o transporte urbano.

Segunda-feira passada, um professor universitário me informou de um dado alarmante e vergonhoso: de todos os internos no Instituto Psiquiátrico da UFRJ, o Pinel da Praia Vermelha, o primeiro lugar em ocupação profissional dos internos ficou para os motoristas de ônibus urbanos.

Leia melhor abaixo sobre o primeiro projeto piloto de navegação urbana e fluvial.


A melhor utilização do Guaíba pode colocar Porto Alegre em um novo patamar de transporte hidroviário. A alternativa fluvial poderia ligar bairros de Norte a Sul da cidade e ainda conectar a Capital as 30 ilhas e às cidades turísticas nas regiões Central e Norte do Rio Grande do Sul, através do Delta do Jacuí. Além de desafogar o transporte rodoviário, colocar barcos entre os municípios seria bem-vinda ao turismo. As constatações estão em um estudo da Secretaria Municipal de Planejamento que foi apresentado ontem na Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.


Vereadores se reuniram com os representantes da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), Departamento Estadual de Portos Rios e Canais (Deprec), Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), a empresa Ouro e Prata, e secretarias do Planejamento, e do Meio Ambiente do Município para falar sobre viagem do Extremo Sul ao Centro da Capital. No entanto, o assunto foi mais amplo, trazendo outras hipóteses.

Para Alda Raquel Schwartz, arquiteta da Secretaria de Planejamento, a melhor utilização do modal hidroviário poderia estimular também o ecoturismo, alocando estruturas de embarques e desembarques na Orla do Gravataí e na Orla do Taquari. O projeto seria importante para preparar a cidade para a Copa do Mundo de 2014, inclusive com uma possível rota ligando a Arena do Grêmio ao Beira Rio.

“Porto Alegre tem uma condição geográfica rara, muito favorável ao transporte hidroviário, mas que ainda não é utilizada”, disse. O Banco Mundial já teria demonstrado interesse em apoiar a criação de hidrovias a partir de Porto Alegre, por ser uma obra sustentável.


A instituição poderia financiar os custos com dragagem (se necessárias), construção de embarques e desembarques, sinalização entre outras demandas para tirar do papel o projeto. Outra hipótese é que fossem formadas Parcerias Público-Privadas (PPP). O estudo não aponta todos os locais potenciais de atracagem e qual seria o custo das conexões, assim como preços de passagens.

No entanto, a cidade ainda está longe de se tornar um campo fértil ao trânsito de passageiros pelo Guaíba. Além da falta de planejamento urbano neste sentido e da estagnação do projeto de revitalização do Cais do Porto, não existe em Porto Alegre estrutura empresarial em prol do transporte hidroviário.

De acordo com Hugo Flack, presidente da Catsul, empresa do grupo Ouro e Prata que começará em março a operar rota aquática entre Porto Alegre e Guaíba, disse que não há fabricante de barcos em Porto Alegre, ou de estruturas para operação hidroviária, assim como inexiste engenheiros navais. Apontou a saída de estaleiros do Estado como ponto contra o avanço do transporte no Guaíba.

“Tivemos 50 anos de falta de incentivos para o transporte hidroviário em Porto Alegre, e hoje é muito difícil para os empreendedores criarem transportes a um preço competitivo”, completou. Por outro lado, avaliou que se começa a ser criado um ambiente favorável a este tipo de investimento.

Fonte: Portal Marítimo


Mais informação:
Porque nossa malha hidroviária não decola
O projeto fluvial de Florianópolis e São Paulo
Um catamarã solar em Florianópolis para proteger as lontras da Lagoa do Peri
O mito da autossuficiência em petróleo: No país do pré-sal, a gasolina mais cara do mundo

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Finca Bellavista: uma comunidade sustentável de casas em árvores

Há algum tempo, recebi por email de minha mãe fotos de casas construídas sobre árvores. Postei e muita gente gostou, até pela beleza e conforto das construções, muito melhores do que nossos apartamentos e engarrafamentos.

Por coincidência, o filho da madrinha de minha irmã, enviou outro email essa semana tratando de casas na árvore, um condomínio inteiro integrado com a natureza. Notei que poucas fotos eram comuns nos 2 casos, não todas, já que a maioria era aparentemente de países europeus e adaptada à climas frios.
Volto então a postar às que não saíram noutra vez e deixo o link do empreendimento, a quem estiver pensando em mudar para lá ou tentar algo parecido por aqui.

Finca Bellavista: uma comunidade sustentável de casas em árvores








Mais informação:

Latas de tinta não reciclam

Latas de tinta são lixo cinza, não reciclam, como tetrapacks, long necks, cotonetes e fio dental.
Não adianta limpar com um mundo de tinner (não-biodegradável) e enviar para o descarte de metais, a lata vai acabar no aterro sanitário e o tinner (com tinta) na tubulação de águas cinzas.
As soluções para o problema: adoção de eco-tintas e pigmentos naturais ao máximo, venda de tintas sintéticas em base aquosa em galões plásticos (como já fazem com pequenas quantidades de amostras) e reúso das latas metálicas já existentes.

Abaixo, a foto sugerindo uma forma de reúso: pintar as latas e usar as mesmas como vasos para uma horta caseira. Os galões de 10lts podem virar grandes jardineiras e comportar até plantas mais robustas. Uma furadeira dá conta do recado para fazer o furo de escoamento da base.



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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Controle de pragas e pesticidas biodegradáveis para uso doméstico


Proteja suas plantas com receitas caseiras

1. Livre-se de lesmas e caramujos
Eles aparecem à noite e fazem um estrago. Para combatê-los, espalhe na terra armadilhas: corte rodelas grossas de chuchu, ponha perto dos vasos à noite e retire uma hora depois... cheio de lesmas e caramujos! Outra forma de catar os danados é pôr o vaso em cima de um saco de estopa embebido em cerveja preta. Os bichos serão atraídos e ficará fácil retirá-los.

2. Cultive ervas que repelem insetos
Cultive manjericão, orégano, salsinha e estragão entre as plantas que você quer proteger. Essas ervas têm ação repelente.

3. Proteja a horta das pragas voadoras
No comércio de produtos agrícolas existem bandeirinhas azuis e amarelas com adesivo, próprias para capturar insetos voadores.

4. Mantenha as formigas bem longe
Primeiro, proteja as mãos com luvas descartáveis. Depois, misture 10 g de sabão de coco em pó, 5 cm de fumo de corda picado e 1 litro de água. Deixe a receita repousar durante um dia inteiro, coe para tirar os restos de fumo e pulverize a solução nas plantas para afastar formigas. Também trata folhas e flores infestadas por pulgões, lagartas e cochonilhas.

5. Plante cravo-de-defunto por perto
Misture 100 g de folhas e talos da flor Tagetes minuta (também conhecida como cravo-de-defunto) com 50 ml de álcool. Macere bem ou bata no liquidificador e deixe em repouso por 12 horas. Coe e misture em 2 litros de água. Pulverize semanalmente enquanto for necessário. Você também pode cultivar Tagetes minuta ao lado da horta - essa flor afasta os insetos naturalmente.

6. Acabe com pulgões e cochonilhas
Se a infestação for pequena e localizada, retire as pragas com a ajuda de um pincel ou uma escova de dentes. Em seguida, pulverize óleo de Neem (encontrado em lojas de jardinagem). Se puder, compre o Neem que já vem misturado com extrato de pimenta-malagueta, artemísia, óleo de alho e óleo de karanja. Dilua em água conforme a indicação na embalagem. Não se esqueça de usar luvas e máscara ao pulverizá-lo sobre as plantas - é que, apesar de ser um produto natural, o Neem pode causar alergia ou irritação na pele.

7. Invista nas plantas carnívoras
Plantas carnívoras se alimentam de... insetos! As da espécie nepentes são vigias ideais: papam todos os bichinhos voadores que chegarem perto.

DICA QUENTE!
Suas mãos também podem contaminar as plantas, ainda mais se você mexe num vaso e vai para outro sem lavá-las. Use luvas descartáveis e lave-as com a misturinha higiênica: junte 700 ml de água e 300 ml de água sanitária e mantenha num frasco com spray. Quando mudar de planta, borrife as luvas com a misturinha e espere secar. Fácil!

APRENDA A FAZER O ADUBO ESPECIAL
Veja como preparar uma "comidinha" que vai deixar suas plantas lindas e saudáveis por muito mais tempo!
Ingredientes
(Os dois extratos citados abaixo podem ser encontrados em qualquer loja de produtos naturais)
• 2 ml de extrato de algas
• 2 ml de extrato de peixes marinhos
• 1 litro de água
Modo de fazer
Misture bem os dois extratos (use uma seringa sem agulha para medir a dosagem) e coloque num pulverizador com 1 litro de água. Borrife o adubo em folhas e raízes, uma vez por mês. Pode ser usado até em hortaliças!

FAÇA UMA PODA SEGURA
O corte de folhas e galhos é a principal porta de entrada de fungos, vírus e bactérias nas plantas
Esterilize os instrumentos
Para não contaminar as plantas com vírus, fungos e bactérias, antes de podá-las passe a lâmina da tesoura na chama do fogão.

"Band-aid" de plantas
Depois da poda, aplique na "ferida" uma mistura de 10 g de vaselina em pasta, 1 ml de óleo de Neem e 1 pitada de canela. Essa espécie de band-aid ajuda a fechar o machucado e facilita a cicatrização.


Leia abaixo mais formas de combate, sugeridas pelo Guia da Horta Orgânica em casa do site oficial da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul:

Formigas Saúva (cabeçuda):
Para combater esta formiga, existe no mercado um série de formicidas. Mas o mais prático e que não exige equipamento para aplicação é o formicida granulado (em grãos).
Você deve ter o máximo cuidado de não tocar as mãos no formicida, porque as formigas notariam o cheiro humano e não o levariam para o formigueiro.
A melhor hora para colocar o formicida no canteiro das formigas é a tardinha, pois à noite elas o carregam para o formigueiro.
Você deve ter cuidado para não colocar o formicida em lugares úmidos e nem aplicar quando estiver ameaçando chuva.
O formicida não deve ser deixado ao alcance de crianças nem de animais, porque é altamente perigoso e pode provocar até morte.

Outros tipos de Formiga ( lava-pés, quem-quem, cupim etc.):
Usar uma solução de creolina, feita com 1 (um) copo de creolina para cada 10 (dez) litros de água.
Uso correto:
Localizar o formigueiro.
Remover a terra com a enxada.
Encharcar o local com a solução de creolina (creolina não é biodegradável e pode contaminar um lençol freático em caso de poços artesianos, tente substituir por uma salmoura fervendo)


Besouros, Caracóis, Lesmas, Tatuzinhos, Lagartas, Pulgões etc:

1. Extrato de nicotina - Ingrediente: 20 (vinte) centímetros de fumo de rolo forte e 4 (quatro) litros de água.
Picar o fumo e ferver durante 30 (trinta) minutos em 1 (um) litro de água. Retirar do fogo e deixar esfriar. Coe em pano fino e misture com mais 3 litros de água. O produto obtido é pulverizado sobre as pragas. Ter cuidado de aplicar rapidamente, porque seu efeito só dura 8 horas.

2. Tábuas nos Canteiros:
Coloque tábuas nos canteiros, pois nas horas quentes do dia os insetos se escondem debaixo das tábuas, sendo possível matá-los quando as tábuas são retiradas.

3. Cinza, cal e sal de cozinha:
Espalhar qualquer um destes produtos no canteiros.


Mais informação:
Dedetização verde
Parasiticida de sisal
Armadilha caseira para mosquitos
Mosca negra combatida sem uso de pesticidas na Paraíba
Repelente natural de limão com cravo da Índia e o mata-rato de feijão branco
A versão genetticamente modificada do Aedes Egypti para teoricamente combater a dengue



A imagem é do site My Office

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A viabilidade da energia eólica no Brasil

Energia eólica poderia ser fator de desenvolvimento no Brasil

O Brasil começa, timidamente, a admitir usinas eólicas em sua matriz elétrica. Mas está longe de ter uma política efetiva para energias renováveis alternativas.

Os últimos leilões específicos para energia eólica permitirão um avanço modesto, mas significativo, na capacidade instalada de geração eólica. A base desse crescimento é mínima, meros 650 MW em 2009. Hoje a geração está em torno de 930 MW. Nos leilões de 2009 e 2010 foram contratados 3,8 mil MW para entrega até 2013. Já é um volume mais significativo, mas muito pequeno, tanto em relação ao nosso potencial, quanto em relação ao que se faz na China, no EUA, na Alemanha ou na Espanha. Vários desses países têm potencial eólico menor e de mais difícil exploração que o nosso e geram muito mais.

Com essa evolução ainda muito moderada, começam a aparecer os primeiros especialistas em eólica e vai se formando um pequeno núcleo de interesses empresariais no mercado. O surgimento desses novos atores permite articular melhor as demandas e necessidades do setor.

Há três providências elementares que precisam ser adotadas para facilitar o desenvolvimento da energia eólica. A primeira é deixar de tratar a energia eólica como uma energia secundária e introduzi-la no centro de nossa matriz elétrica. Contra-senso gritante é que a termeletricidade, que foi admitida como um recurso de emergencial, hoje está no centro da matriz elétrica e tem expansão mais forte, mais subsídios e mais apoio político do que as fontes eólica e solar. O ministro Edson Lobão, que não é exatamente pessoa de notório saber na área, diz repetidamente que a única alternativa viável à hidreletricidade no Brasil é a térmica. Uma afirmação inteiramente destituída de fundamento. é uma afirmação que contraria a realidade mundial e mostra falta de isenção e objetividade ao com a segurança energética e a sustentabilidade do país.

A segunda providência elementar é dar melhor tratamento regulatório à energia eólica, com base em uma política efetiva de desenvolvimento do setor. A expansão de usinas onshore e offshore implicará em uma série de questões sobre uso do vento e localização de instalações, que demandam regulamentação que dê segurança aos investidores.

A terceira é fazer um inventário mais preciso de nossa capacidade eólica onshore e verificar nosso potencial eólico offshore. Não temos sequer bóias para monitoramento de ventos no mar em número suficiente. Há algumas estimativas acadêmicas com base em dados de satélite que mostram que temos grande potencial offshore em pelo menos metade da costa brasileira. Mas ainda são resultados estimativos.

Esse inventário do potencial eólico brasileiro completo é uma necessidade elementar e parte de um conjunto mais amplo de pesquisas sobre energia do vento no país. Os poucos agentes do setor demandam, com razão, que o Brasil precisa ter um centro dedicado à pesquisa e desenvolvimento sobre energia eólica. Precisamos também de um centro de testes para testar protótipos de turbinas e novas tecnologias que possam ser lançados comercialmente. Estudar melhor o regime de ventos, em cada região, onshore e offshore é, digamos, o básico primário do programa de pesquisas que precisamos ter. Estamos atrasadíssimos nesse campo. O EUA tem seu centro, a Europa tem vários centros nacionais e a UE tem uma política clara de apoio à pesquisa e desenvolvimento no setor e aqui. A Alemanha tem inciativas importantes de pesquisa e desenvolvimento e instalou um novo centro em 2009. Toronto, no Canadá, também criou um centro de pesquisas em eólica. A China criou também um centro com essa finalidade e tem um forte programa de cooperação para capacitação científica e tecnológica em energia eólica com a Alemanha.

São alguns parâmetros para medir nosso atraso na adoção e no desenvolvimento de energia eólica. A expansão de nosso parque eólico permitida pelos leilões de 2009 e 2010, que é significativa em relação à base instalada, mas pequena em relação a nosso potencial e em comparação à de outros países, será feita com equipamento importado. Foi possível apresentar propostas competitivas com importação total de equipamentos porque a crise econômica reduziu o custo deles e porque estamos em um momento de câmbio favorável aos importadores. Mas é claro que uma política de desenvolvimento da energia eólica supõe a criação de uma indústria competitiva de turbinas. A China se tornou grande exportadora de turbinas eólicas com poucos anos de investimento. Essa é uma outra vantagem importante da energia eólica (e também da solar) como fator de desenvolvimento. É ainda possível entrar competitivamente na indústria de turbinas e investir no desenvolvimento de novas tecnologias. No EUA e na Europa há vários modelos de turbinas em lançamento que não adotam o design típico dos cata-ventos. Resultado de pesquisas bem sucedidas são mais adaptados a situações específicas como, por exemplo, áreas de ventos muito turbulentos ou determinadas instalações offshore. Pode-se criar toda uma nova cadeia produtiva, nova cadeia de valor no país gerando milhares de “empregos verdes”. Uma oportunidade que as fontes “clássicas” não nos oferecem.

O governo insiste em uma política energética antiquada e inadequada para a realidade do Brasil e do mundo no século XXI. Uma política que é apresentada como necessária à nossa competitividade e ao desenvolvimento sustentado do país. Na verdade, essa política diminui nossa competitividade em geral e no setor energético em particular e não garante o desenvolvimento sustentado. Já uma política de diversificação na matriz elétrica, com mais ênfase em energias eólica e solar (fotovoltaica particularmente) seriam propulsores de crescimento sustentado, não apenas por fornecer insumos para outros setores, mas porque propiciariam a criação de novas cadeias produtivas. Elas fazem sentido em um programa de crescimento sustentado e sustentável. A política atual não faz. É tão obsoleta quanto a forma de escolha e a pessoa escolhida para comandar o setor de energia, que é o mais estratégico, no mundo todo.




A Revolução Brasileira

Até 2050, mesmo com a economia crescendo em seus níveis atuais, 93% da eletricidade produzida no Brasil pode muito bem ter origem em fontes renováveis como solar, eólica ou biomassa – o que nos deixaria a praticamente um pulo para tornar realidade, ainda no século 21, o plano de o país funcionar com uma matriz elétrica 100% limpa.

Chegar lá é mais fácil e mais barato do que se imagina, e é um bom caminho para garantir a geração de 3 milhões de empregos, boa parte deles qualificados, com desenvolvimento e produção de equipamentos de ponta. Melhor ainda: essa revolução no setor de energia ajudaria o Brasil a reduzir mais rapidamente, e sem ameaçar seu desenvolvimento, suas emissões de gases do efeito estufa.

Esse horizonte está longe de ser fantasioso, como comprova a segunda edição do relatório “Revolução Energética”, estudo elaborado pelo Greenpeace, em parceria com especialistas do setor energético, e lançado hoje na COP16, em Cancún. Alguns destaques são:

Matriz limpa
Em 2050, a matriz pode ser 93% limpa, com ampla gama de fontes renováveis e investimento em eficiência energética. O gás natural aparece como fonte de transição, ou seja, é possível pensar em um Brasil 100% renovável dali em diante;

PIB em alta
A matriz de renováveis pode crescer sem reduzir o crescimento do PIB. Ou seja, desenvolvimento não significa mais poluição;

Economia
A matriz de renovável pode crescer sem custar mais caro para o Brasil. Aliás, muito pelo contrário. Pode-se economizar entre R$ 100 bilhoes e R$ 1 trilhão no período entre 2010 e 2050;

Ar limpo
Em 2050, o setor de eletricidade pode emitir apenas 23 milhões de toneladas de CO2. Hoje são 26 milhões de toneladas de CO2. Porém, se os planos do governo de investir em fósseis forem adiante, o número sobe para 147 milhões de toneladas de CO2.

Dois futuros, uma escolha
O relatório traça dois cenários de geração de energia para os próximos 40 anos, partindo das mesmas projeções de crescimento da população e do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

O primeiro cenário, pouco ambicioso, usa os dados do governo. O segundo, que chamamos de Revolução Energética, projeta um futuro a partir de mudanças na forma como a energia é gerada, distribuída e consumida. Por esse cenário, pode-se aumentar, até 2050, em até três vezes a taxa de consumo de energia e em até 4% o PIB dispensando o uso de termelétricas a óleo diesel, a carvão e nucleares.

No cenário Revolução Energética, o Brasil chega ao meio do século com metade (45,6%) da geração de energia vindo da água, em parte com a aplicação de pequenas centrais hidrelétricas, com menor impacto ambiental do que as grandes usinas. Em seguida aparece a energia eólica (20,38%), biomassa de cana-de-açúcar e outras culturas (16,6%), solar (9,26%) e uma parcela de gás natural para um período de transição (7,3%).

Os cálculos são conservadores, pois consideram apenas 10% do potencial eólico brasileiro e 1% do solar. "Os estoques de energias renováveis são de fácil acesso e abundantes o suficiente para fornecer mais energia do que a quantidade consumida no Brasil hoje e que virá a ser consumida no futuro. O potencial é inesgotável", diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Energia do Greenpeace e coordenador do estudo.

Investimento inteligente
Além de bom para o ambiente, investir em renováveis é ótimo para a economia. Seus preços ficam gradativamente mais atrativos e a tendência de queda certamente vai se consolidar nas próximas décadas. Somados os custos de implantação de novas usinas termelétricas ou nucleares, mais caras, e o crescente valor do óleo combustível no mercado, a economia do cenário Revolução Energética chega à cifra de centenas de bilhões de reais.

"No mercado internacional, a energia eólica e o mercado de painéis fotovoltaicos desafiaram a recessão econômica e cresceram em 2009", diz Baitelo. No Brasil, o resultado do último leilão de energia renovável, em agosto de 2010, confirmou a tendência internacional: foram contratadas 70 novas usinas eólicas, alçando essa fonte ao lugar de segunda energia mais barata do país.

"Apesar do avanço no setor de eólicas, o Brasil tem um sistema de leilão para a ampliação da participação de energia renovável que não tem obrigatoriedade por lei, ou regularidade em sua realização", diz Ricardo Baitelo. "Para criar efetivamente um mercado para as renováveis, o Greenpeace propõe que haja uma política para o setor, com pacotes de incentivos mais abrangentes."

Baixe o relatório Revolução Energética no site oficial.


Outros Atlas para baixar:
Primeiro Atlas do PNUMA para América Latina e Caribe
Atlas do Greenpeace: Mar, Petróleo e Biodiversidade, a Geografia do conflito
World Watch Institute: Estado do Mundo 2010
Greenpeace: Farra do Boi na Floresta Amazônica



Mais informação:
Ondas de energia limpa: energia obtida pela força do movimento das marés
Parque eólico brasileiro
Petrobras consegue licença para construção eólica
O lado B da energia eólica
Aquecedor solar de baixo custo: faça o seu em casa

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Falta de água pelo mundo

Recebi as imagens abaixo com respectivas legendas e posto, mas não foi informada a fonte e tampouco veracidade das mesmas.


Distribuição de água em caminhão pipa, Nova Deli, India



Dois Sudaneses bebem água dos pântanos, com tubos plásticos, especialmente concebidos para este fim, com filtro para filtrar as larvas flutuantes, responsáveis pela enfermidade da lombriga da Guiné. O programa distribuiu milhões de tubos e já conseguiu reduzir em 70% esta enfermidade debilitante.
 


Os glaciares que abastecem a Europa de água potável perderam mais da metade do seu volume, no século passado. Na foto, trabalhadores da estação de esqui do glaciar de Pitztal, na Áustria, cobrem o glaciar com uma manta especial para proteger a neve e retardar o seu derretimento, durante os meses de Verão.



As águas do delta do rio Níger são usadas para defecar, tomar banho, pescar e despejar o lixo.



Água suja em torneiras residenciais, devido ao avanço indiscriminado do desenvolvimento

.

Aldeões na ilha de Coronilla, Quénia, cavam poços profundos em busca de água a apenas 300 metros do mar. A água é salobra.



Aquele que foi o quarto maior lago do mundo, agora é um cemitério poeirento de embarcações que nunca mais zarparão.

 


Mais informação:
As imagens da seca do Amazonas

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O melhor Guia comentado do Carnaval de rua carioca


No ar, o Guia de Carnaval da Agenda do Samba-Choro com todos os blocos, bandas, ranchos e agremiações. São 2 meses de festa gratuita pelas ruas da cidade, blocos de 07 às 02 da manhã, para todos os gostos. Além dos bailes, festas e todo o circuito das Escolas de Samba na Sapucaí, com seus ensaios o ano todo. Com direito a versão atualizada e comentada diariamente.

Saindo para curtir a festa: protetor solar não testado em animais, barriguinha forrada antes em casa, latinhas de alumínio e lixo em geral nas lixeiras públicas, uso dos banheiros químicos disponíveis e, se for o caso, camisinha sempre. Boné e camiseta protegendo os ombros também são sempre uma boa, principalmente nos blocos antes de 16hrs.

Deixe os animais em casa, eles não gostam das "roupinhas", do barulho, se assustam com a multidão, podem ser pisoteados e pior, se vierem a se perder em locais desconhecidos, não vão reconhecer o caminho de volta para casa.

Bebendo álcool, beba muito líquido, intercale água com a cerveja ou qualquer outra bebida alcólica.

Se beber, não dirija. Aliás, aproveite para não dirigir, o trânsito fica um caos com as principais vias de acesso interditadas para passagem dos blocos.





Segundo Hakim Bey, autor de Zona Autônoma Temporária, livro já linkado aqui no blog, grande parte das angústias do homem moderno se devem à falta de lúdico e ócio em suas vidas. Lembra o autor que, até a Idade Média (quando o calendário gregoriano foi implementado), pelo menos um terço do ano era composto de dias livres e festividades diversas, que comemoravam desde a mudança das estações e colheitas à festividades sagradas em geral.
Aproveite esses dias de festa, quando o povo está anônimamente fantasiado na rua e sua cidade vira uma imensa zona autônoma temporária, para se divertir.


Para sobreviver aos dias de calorão e samba:
Smoothies
Chás gelados
Gazpacho Andaluz
Refresco de Capim Limão
Sanduíche de salada pós balada
Limonada clorofilada com limão galego
Massas com molhos crus e muito simples
Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Circuito de botequins e as dicas para beber cachaça sem insalubridade
Tapioca de coco com banana e canela em doce de leite de melado e tahine


Mais informação:
Verão Sustentável
Morro da Conceição
O samba do crioulo doido
Copa do Mundo sustentável
A história da água engarrafada
No Carnaval, o artista é o povo
O mar de lixo do Carnaval baiano
Gari Sorriso, personagem do Carnaval carioca
Carnaval sustentável: animais não são palhaços
Como é feita uma alegoria carnavalesca e fantasia de passista?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Morcegos

Morcegos são mamíferos como nós, mas são os únicos mamíferos capazes de voar. Geralmente pombos e morcegos são considerados "ratos com asas", causando repulsa na maioria das pessoas.
Morcegos são fundamentais ao equilíbrio de todo ecossistema, representam 25% de toda a fauna de mamíferos do planeta e contribuem substancialmente para a estrutura e dinâmica dos ecossistemas, pois atuam como polinizadores, dispersores de sementes e predadores de insetos (incluindo pragas agrícolas). Possuem ainda o extraordinário sentido da ecolocalização (biossonar ou orientação por ecos), que utilizam para orientação, busca de alimento e comunicação.



Importância ecológica e econômica:

1.São responsáveis por dispersar sementes de árvores e outras plantas à longa distância. Mais de quinhentas pequenas sementes podem ser transportadas por um único morcego a cada noite;

2.Auxiliam na reprodução de centenas de espécies de plantas, visitando as flores como fazem de dia os beija-flores e as abelhas, e assim transportando o pólen de flor em flor;

3.Há morcegos que se alimentam de pequenos animais, incluindo roedores e gafanhotos, que tantos prejuízos causam à agricultura;

4.A saliva do morcego vampiro comum tem forte ação anticoagulante. A sua pesquisa poderá ter aplicações no tratamento de várias doenças vasculares;

5.As fezes dos morcegos constituem excelente adubo natural (guano). Foram intensamente exploradas até ao desenvolvimento de adubos industriais;

6.Têm sido estudados para aperfeiçoamento de aparelhos de sonar e ultra-som;

7.São importantes elos na cadeia alimentar, portanto o seu desaparecimento poderá resultar em desequilíbrio ambiental, causando maiores danos do que os causados pela sua proximidade com o homem;

8.Comem traças e com isso ajudam na conservação de livros em bibliotecas.
 
 
Fonte: Wikipedia , tomei a liberdade de retirar um dos tópicos, que tratava da importância dos testes de produtos industriais na espécie.
 
 
 
Mais informação:
Mel de abelhas x melado de cana, a crise da apicultura e métodos naturais de polinização
Banimento do agrotóxico que altera ciclo de polinização e extingue abelhas

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Conversão de plástico em óleo ou faça seu combustível em casa

Dica de Claudia da Anistia Internacional, o processo abaixo é muito interessante, mas não pode ser encarado como solução nem a curto e tampouco a longo prazo. A solução para o descarte de plásticos é o tripé da reciclagem (redução, reúso e reciclagem) e a diminuição progressiva do consumo, já para a demanda por combustíveis fósseis é o casamento entre transporte público em larga escala com a energia limpa. Comprar centenas de pets e tupperwares, porque os mesmos serão reaproveitados na garagem, além de tóxico, só serve para estimular a perfuração de mais poços de petróleo.


A máquina (na foto) criada por Akinori Ito é produzida em vários tamanhos, para uso industrial e doméstico, e pode transformar um quilograma de lixo plástico em um litro de óleo, utilizando cerca de 1 kWh de energia elétrica. O aparelho pode ainda processar o líquido para ser utilizado no lugar da gasolina, do querosene ou do diesel.

O empresário faz várias demonstrações do seu invento em escolas e acredita no potencial do produto para utilização em países em desenvolvimento. Segundo Ito, o uso do equipamento reduz as emissões de CO2 em cerca de 80%. “As pessoas não sabem que o lixo [plástico] é petróleo, é por isso que estão jogando-o fora”, afirma.





Fonte: Portal Marítimo


Mais informação:
Graxa verde
Pneus de biomassa em estradas cogeradoras de energia limpa
Biocombustível a partir do lixo

Energia solar para recarregar eletrônicos

Portátil e fácil de usar, o Carregador Solar Elgin funciona à base de energia solar e carrega baterias de equipamentos eletrônicos como celulares, ipods, mp3, entre outros. O aparelho acompanha 11 diferentes conectores para garantir a compatibilidade com diversos gadgets e possui Led brilhante que funciona como lanterna em caso de emergência.




Alguns celulares, especialmente da Samsung, já estão vindo com carregador solar próprio. Mas ainda é difícil encontrar esses modelos. Na dúvida, reúse seu celular ao máximo e lembre sempre que cada aparelho de celular novo consome meia tabela periódica em seu processo de produção e a troca constante de aparelhos, aumentou a demanda, colocando certos metais em risco de extinção.
 
 
Mais informação:
Carregador público e gratuito para celulares alimentado por energia solar
Reciclagem de Eletroeletrônicos
Ranking das empresas de TI ambientalmente corretas
A história dos eletrônicos

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Banco Imobiliário Sustentável

Eu era fã e você provavelmente também. Banco Imobiliário, Detetive, Master, War, Jogo da Vida e Imagem & Ação fizeram parte da história das últimas 3 gerações de brasileiros, pelo menos.
Um jogo de tabuleiro é muito mais divertido do que um game, além de mais barato, não precisar de energia e agregar muito mais gente socializando entre si.



No mercado brasileiro desde 1944, o jogo de tabuleiro da Estrela ganhou uma versão ecológica fruto de uma parceria com a fabricante de plástico verde Braskem. No Banco Imobiliário Sustentável, o dinheiro foi substituído por créditos de carbono e o espaço urbano do tabuleiro deu lugar a reservas naturais. Agora o jogador pode ser dono de companhias de Reciclagem Energética, Reflorestamento, Agricultura Orgânica e Reciclagem Mecânica.


À venda no Walmart por menos de R$70,00

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Abandono de cães domésticos é insustentável (e muito perverso)


Cão pode ser o pior inimigo da vida selvagem

O melhor amigo do homem pode ser um dos maiores inimigos da natureza. Solto em reservas florestais ou ambientes de vida selvagem, ele pode atuar como predador ameaçando diretamente outros animais (alguns em risco de extinção) ou transmitindo doenças. É o que defende um estudo conduzido por especialistas da Universidade do Estado de Utah, nos Estados Unidos, na última edição da revista Bioscience.

A investigação surgiu quando a bióloga Julie Young e seus colegas observavam os rebanhos da Mongólia, em 2007. Os cientistas perceberam, então, que os cães locais tinham forte impacto sobre essa população. Em seguida, decidiram estudar a interferência dos cachorros no ecossistema do país e relacionar sua conclusões a estudos sobre o tema feitos ao redor do mundo – incluindo o Brasil. “O que descobrimos foi que os cachorros podem ter dois tipos de efeitos negativos sobre a fauna de um lugar. Uma interferência direta, caçando animais, e uma indireta, espantando-os e deslocando-os para outras áreas. Existe, ainda, o perigo dos cães funcionarem como vetores de doenças que podem infectar populações inteiras”, revela Julie. “O que nos preocupa, especialmente, são as áreas em que vivem pequenos animais em extinção, que não estão adaptados a esse tipo de predador”.

Reservas ambientais - No Brasil, as conclusões do estudo se encaixam perfeitamente, segundo Marco Ciampi, que há 20 anos trabalha em defesa dos cães e atualmente preside a Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (Arca Brasil). “Em grandes centros urbanos, com poucas áreas verdes, esse quadro ainda se agrava. Para não abandoná-los nas ruas, muitas pessoas deixam cachorros em reservas ambientais e parques. Chegando lá, famintos e em busca da sobrevivência, esses animais se organizam em matilhas e partem para a caça, o que gera impactos significativos sobre a fauna local”.

Foi o que aconteceu em Brasília, entre 2006 e 2009, no Parque Nacional Água Mineral, caso também analisado pela equipe de Julie. Na ocasião, o grande número de cachorros desamparados na área verde prejudicou os animais que viviam no cerrado local. Outro apisódio citado pelos pesquisadores da Universidade de Utah foi o da alteração na dieta de cães e gatos no Sudeste brasileiro, em 2007. Constatou-se que, quando estavam soltos nas ruas, esses animais passavam a se alimentar de pássaros, insetos e pequenos mamíferos, como ratos, alterando a cadeia alimentar da região.

Pontos fracos - “Uma série de fatores se acumulam, tornando mais corriqueiros os danos ambientais causados pelos cachorros. Para começar, o Brasil não tem dados oficiais sobre o número de cachorros abandonados. Depois, nossa legislação é fraca nesse aspecto”, diz Ciampi. O abandono de animais não é discriminado na Lei dos Crimes Ambientais (nº 9.605), seja ele realizado em áreas de preservação ambiental ou não. “Para completar, não existe nessas áreas uma fiscalização adequada para punir os infratores”, acrescenta Ciampi.

A equipe de Julie, contudo, não se concentrou em soluções jurídicas ou governamentais. “Nossa maior intenção com esse estudo, muito mais do que sugerir políticas públicas, é conscientizar cada um dos donos de cachorros sobre a importância de se assumir uma real responsabilidade por seu animal”, defende Julie. “É preciso mantê-los em correntes e bem alimentados quando estiverem em áreas verdes e cuidar para que suas vacinas estejam em dia, especialmente quando estão em contato com novos hábitats. Agir dessa maneira é muito mais fácil do que repovoar uma área com um animal que está praticamente em extinção.”


De acordo com a Lei 14483-SP, animais devem estar CASTRADOS antes de doação ou venda. "A castração previne tumores e evita doenças e comportamentos inadequados ao convívio com pessoas e outros animais."


Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos.
Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita.



Minhas 3 viralatinhas: Olimpia e Margarida + Pipa



Mais informação:
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Antropoceno, a era geológica em que o homem ‘desregulou’ a Terra


Glaciólogo francês Claude Lorius publica livro sobre a relação do homem com o planeta nos últimos 200 anos
Há 200 anos a Terra vive uma nova era geológica, o Antropoceno, que começou quando o homem tomou o controle do planeta, acelerou as emissões de C02 e ‘desregulou a máquina do mundo’, afirma o glaciólogo francês Claude Lorius, um pioneiros dos estudos sobre o clima, em seu novo livro “Voyage dans l’Anthropocène” (Viagem ao Antropoceno, em tradução livre). Reportagem de Anthony Lucas, na AFP.
Escrito em parceria com o jornalista Laurent Carpentier, a obra discorre sobre a modificação do clima, a acidificação dos oceanos, a erosão dos solos e a biodiversidade ameaçada.

“O homem é um agente determinante da vida sobre a Terra”, explica o especialista de 78 anos que, em 2008, recebeu o prêmio “Blue Planet” por seu trabalho.
“Se existe um indicador da atividade humana, esse é o gás carbônico. Se queimamos uma floresta, fazemos uma fábrica funcionar, dirigimos um carro, tudo isso é CO2″, assinala Lorius.

O conceito de Antropoceno – uma nova época geológica do Quaternário, consecutiva ao Holoceno, que começou há 10.000 anos -, foi desenvolvido em 2002 pelo geoquímico holandês Paul Crutzen e desde então abriu um espaço na comunidade científica, indica Lorius.
Para Crutzen, o Antropoceno começa no ano 1784, quando James Watt inventou a máquina a vapor.
O Antropoceno poderá ser acrescentado oficialmente à tabela dos tempos geológicos no 34o. Congresso Internacional de Geologia que será realizado de 5 a 10 de agosto de 2012 em Brisbane, Austrália, indica Lorius.

“Para nós, no entanto, esta nova era já é uma realidade”, acrescenta o especialista em geleira, que contribui desde os anos 50 para o estudo da evolução do clima mediante a análise das bolhas de ar presas no gelo há milênios.
Lorius foi um dos primeiros a vincular o aumento das temperaturas e a crescente concentração de CO2.

“Tivemos uma sorte extraordinária. Acontece que a Antártica era o melhor lugar para se dar conta de que havia um problema global com o clima”, explica.
Mais de 50 anos depois, o cientista admite, no entanto, que se sente pessimista quanto ao modo que a humanidade está se organizando.

“Os cientistas podem demonstrar que o planeta é único e indivisível, que só há uma atmosfera, um oceano, mas não podem demonstrar aos homens que é de interesse comum preservar o planeta”, assinala.
“Reunir interlocutores com interesses tão diversos não é uma questão de ciência e sim de educação e filosofia”, conclui Lorius.


Fonte: IG Meio Ambiente

A foto é de um urso polar canibalizando outro de sua espécie


Mais informação:
Cadê o iglu que estava aqui?
Como se formam Eras Geológicas
Overshoot day: entramos no cheque especial 
O fim da polêmica: O Aquecimento Global existe de fato

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O nascimento da revolução pela colher


The birth of the spoon revolution, uma animação que explica para crianças de todas as idades como é complicada nossa relação com as demais espécies do planeta. Assista sem medo, as imagens não são fortes.

"Nós amamos aos que comem carne . Mas também amamos aos animais, por isso, os amaremos ainda mais se são vegetarianos.
A revolução é entre você e seu prato.
O que você come tem consequências políticas e sociais que ainda desconheces.
Tua colher é a melhor arma. Conheça porque tirar a carne de seu prato pode ser mais efetivo do que fazer uma marcha política ou caridade."





Mais informação:
A Libertação Animal
O mundo é o que você come
O mundo segundo a Monsanto
Cartilha da SVB: carne e sustentabilidade

E um vídeo lavagem cerebral para os de estômago muito forte: Terráqueos

As 10 florestas mais ameaçadas do mundo

Para marcar o início do Ano Internacional das Florestas, a Conservação Internacional (CI) lança a lista dos dez hotspots florestais mais ameaçados do mundo. Os chamados ”hotspots de biodiversidade” são áreas de extrema riqueza biológica, com elevado índice de espécies únicas de animais e plantas, e que se encontram altamente degradados e sob risco de extinção.

No caso dos dez hotspots florestais mais críticos, todos já perderam 90% ou mais de sua cobertura original e cada um abriga pelo menos 1.500 espécies de plantas endêmicas, ou seja, que só existem ali. Eles incluem florestas no sudeste asiático, na Nova Zelândia, nas montanhas do sudoeste da China, na região costeira da África Oriental e na ilha de Madagascar. O Brasil aparece na lista com a Mata Atlântica, da qual restam apenas 8% da cobertura original, e que abriga cerca de 20 mil espécies de plantas, 40% das quais endêmicas. (Veja no quadro abaixo a localização e detalhes de cada uma das florestas).

“O Ano Internacional de Florestas deve chamar a atenção do mundo para a necessidade do aumento de proteção das florestas, pela sua vital importância para a conservação da biodiversidade, a estabilização do clima e o desenvolvimento econômico”, afirma Olivier Langrand, diretor de política internacional da CI.

As florestas cobrem apenas 30% da área de nosso planeta e ainda assim abrigam 80% da biodiversidade terrestre do mundo. Elas também garantem o sustento de 1,6 bilhão de pessoas, que dependem diretamente de florestas saudáveis para sobreviver. As interações entre as espécies e os ecossistemas fornecem muitas das necessidades mais básicas para a sobrevivência humana na Terra, tal como ar puro, solos saudáveis, remédios, polinização de safras agrícolas e água doce.

A função das florestas na estabilização do clima também deve ser reconhecida, visto que emissões resultantes da destruição de florestas representam aproximadamente 15% das emissões totais de gases do efeito estufa. Os dez hotspots florestais mais ameaçados do mundo armazenam mais de 25 gigatons de carbono, auxiliando na mitigação dos efeitos da mudança climática.

“As florestas estão sendo destruídas a uma taxa alarmante para dar lugar a pastagens, plantações, mineração e expansão de áreas urbanas. Com isso, estamos destruindo nossa própria capacidade de sobreviver,” aponta Langrand. “As florestas não podem ser vistas apenas como um grupo de árvores, mas como fornecedores de benefícios vitais. Elas são importante fator econômico no desenvolvimento de diversas cidades, fornecendo madeira, alimento, abrigo e recreação, e possuem um potencial ainda maior que precisa ser percebido em termos de provisão de água, prevenção de erosão e remoção de carbono”.

Em adição a sua relevância para a biodiversidade e a estabilização do clima, as florestas são os mais importantes reservatórios de água doce do planeta. Cerca de três quartos da água doce acessível do mundo vêm de vertentes florestais e dois terços de todas as maiores cidades em países em desenvolvimento dependem das florestas em suas cercanias para seu suprimento de água limpa.

“Visto que a população global está projetada para atingir o total de até 9 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos, o acesso à água ficará mais difícil se milhões de hectares de florestas tropicais continuarem a ser queimados todos os anos”, explica Tracy Farrell, diretora do Programa de Conservação de Água Doce da Conservação Internacional. “Excetuando-se as instalações de dessalinização, que são economicamente muito caras, ainda não encontramos outra forma de manter nosso suprimento de água doce a não ser protegendo as florestas remanescentes ao redor do mundo”.

“Durante este Ano Internacional das Florestas, encorajamos fortemente os países a realizar uma nova abordagem na proteção e preservação de suas florestas, que são ativos importantes globalmente,” adiciona Langrand. “Florestas saudáveis são uma parte importante do capital natural e nos oferecem os melhores meios econômicos para enfrentar os diversos desafios ambientais da mudança climática e a crescente demanda por produtos florestais”.




Veja abaixo a classificação e os detalhes sobre os 10 Hotsposts Florestais Mais Ameaçados do Mundo, por percentual de hábitat original remanescente:


1 - Regiões da Indo-Birmânia (Ásia-Pacífico)
Os rios e pântanos desse hotspot são extremamente importantes para a conservação de aves, tartarugas e peixes de água doce, incluindo alguns dos maiores peixes de água doce do mundo. O Lago Tonle Sap e o Rio Mekong são hábitats para a lampreia gigante Mekong (Pangasianodon gigas) e a carpa dourada de Jullien (Probarbus jullieni). Seus ecossistemas aquáticos estão sob intensa pressão em diversas áreas, e muitas áreas alagáveis de suas planícies aluviais de água doce foram destruídas pelo cultivo de arroz. Os rios foram represados para gerar eletricidade, resultando no alagamento de bancos de areia e outros hábitats que normalmente seriam expostos durante a estação seca, com impactos severos sobre ninhos de aves e espécies de tartarugas. A conversão de mangues em reservatórios de aquicultura de camarão, a pesca excessiva e o uso de técnicas de pesca destrutiva são também problemas graves para os ecossistemas costeiros e de água doce. Hoje subsistem apenas 5% do hábitat original.


2 – Nova Zelândia (Oceania)
Um arquipélago montanhoso uma vez dominado pelas florestas temperadas, a Nova Zelândia é uma terra de paisagens variadas e abriga extraordinários índices de espécies endêmicas, incluindo seu representante mais famoso, o kiwi. Nenhum de seus mamíferos, anfíbios ou répteis é encontrado em outro lugar do mundo. Curiosamente, as duas espécies registradas de mamíferos terrestres endêmicos são morcegos. Hoje, espécies invasoras representam uma séria ameaça à flora e à fauna das ilhas da Nova Zelândia. Com a chegada dos europeus no início do século 19, foram levadas ao arquipélago 34 espécies exóticas de mamíferos (incluindo gambás, coelhos, gatos, cabras e furões) e centenas de espécies de ervas daninhas invasoras. Somando-se o impacto da caça e da destruição de hábitats, os últimos duzentos anos testemunharam a extinção de inúmeras espécies de aves, invertebrados, plantas e de um morcego e um peixe endêmicos. Diversas outras espécies sobrevivem apenas em pequenas populações nas ilhas. A destruição de hábitats, de florestas e a drenagem de pântanos são também problemas-chave. Há apenas 5% de remanescentes do hábitat original do arquipélago.


3 - Sunda (Indonésia, Malásia e Brunei – Ásia-Pacífico)
O hotspot de Sunda cobre a metade ocidental do arquipélago Indo-Maláio, um arco de cerca de 17 mil ilhas equatoriais, dominado pelas duas maiores ilhas do mundo: Boréo e Sumatra. Suas espetaculares flora e fauna estão sucumbindo devido ao crescimento explosivo da indústria florestal e do comércio internacional de animais que consome tigres, macacos e espécies de tartarugas para alimentos e remédios em outros países. Populações de orangotangos, encontradas apenas nessas florestas, estão em dramático declínio. Alguns dos maiores refúgios de espécies de rinocerontes do sudeste asiático são também encontrados nas ilhas de Java e Sumatra. Assim como ocorre na maioria das áreas tropicais, suas florestas estão sendo dizimadas para usos comerciais. A produção de borracha, óleo de dendê e celulose são os três principais fatores que levam à degradação e destruição da biodiversidade de Sunda. Em Sumatra, o corte e extração insustentável e ilegal de madeira e outros produtos florestais são generalizados para abastecer a alta demanda da China, América do Norte, Europa e Japão. Hoje, apenas cerca de 7% da extensão original da floresta permanecem mais ou menos intactos.


4 – Filipinas (Ásia-Pacífico)
Mais de 7.100 ilhas estão dentro das fronteiras do hotspot das Filipinas, identificado como um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Diversas espécies endêmicas estão confinadas a fragmentos de florestas que cobrem apenas 7% da extensão original do hotspot. Isso inclui cerca de 6 mil espécies de plantas e diversas espécies de aves tais como a águia das Filipinas (Pithecophaga jefferyi), a segunda maior águia do mundo. Anfíbios endêmicos são também extraordinariamente grandes e ostentam espécies únicas tais como o sapo voador pantera (Rhacophorus pardalis), que passou por diversas adaptações para planar, incluindo abas extras na pele e membranas entre os dedos para gerar elevação ao planar. As florestas filipinas são também uma das áreas em maior perigo de destruição. Historicamente devastadas pela atividade madeireira, os hoje poucos remanescentes estão sendo dizimados pela agricultura e para acomodar as necessidades da alta taxa de crescimento populacional e severa pobreza rural do país. O sustento de cerca de 80 milhões de pessoas depende principalmente de recursos naturais provenientes das florestas.


5 – Mata Atlântica (América do Sul)
A Mata Atlântica se estende por toda a costa atlântica brasileira, alongando-se para partes do Paraguai, Argentina e Uruguai, incluindo também ilhas oceânicas e o arquipélago de Fernando de Noronha. A Mata Atlântica abriga 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas. Ainda assim, menos de 10% da floresta permanece de pé. Mais de duas dúzias de espécies de vertebrados ameaçadas de extinção – listadas na categoria “Criticamente em Perigo” - estão lutando para sobreviver na região, incluindo micos-leões-dourados e seis espécies de aves que habitam uma pequena faixa da floresta no Nordeste. Começando com o ciclo da cana-de-açúcar, seguido das plantações de café, a região vem sendo desmatada há centenas de anos. Agora, a Mata Atlântica está enfrentando pressão por conta da crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e São Paulo. Mais de 100 milhões de pessoas, além da indústria têxtil, agricultura, fazendas de gado e atividade madeireira da região dependem do suprimento de água doce desse remanescente florestal.


6 – Montanhas do Centro-Sul da China (Ásia)
As Montanhas do Centro-Sul da China apresentam uma ampla gama de hábitats incluindo a flora temperada com a maior taxa de endemismo no mundo. O ameaçado panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), que é quase totalmente restrito a essas pequenas florestas, é a bandeira da conservação da região. Essas montanhas também alimentam a maioria dos sistemas hídricos da Ásia, incluindo diversas ramificações do rio Yangtze. O Rio Mekong corta a província de Yunnan e o Laos, o Camboja e o Vietnã em seu curso até o mar do sul da China. O Nujiang atinge o Oceano Índico pela província de Yunnan e Burma. As atividades ilegais de caça, coleta de lenha e pastagem são algumas das principais ameaças à biodiversidade da região. A construção da maior barragem do mundo, a de Três Gargantas, no rio Yangtze, já ameaçou e continua ameaçando fortemente a biodiversidade da área. A construção de barragens está sendo planejada em todos os rios principais da floresta, o que deve afetar os ecossistemas e a subsistência de milhões de pessoas. Ao todo, apenas cerca de 8% da extensão original do hotspot permanecem em condições inalteradas.


7 – Província Florística da Califórnia (América do Norte)
A Província Florística da Califórnia é uma zona de clima do tipo mediterrâneo, que possui altos índices de plantas endêmicas. É o lar da sequoia gigante, o maior organismo vivo do planeta, e alguns dos últimos condores da Califórnia, a maior ave da América do Norte. É o local de maior reprodução de aves dos Estados Unidos. Diversas espécies de grandes mamíferos antes encontrados nesse local estão extintas, incluindo o urso cinzento (Ursus arctos), que aparece na bandeira da Califórnia e tem sido símbolo do estado há mais de 150 anos. A vasta destruição causada pela agricultura comercial é uma grande ameaça para a região, que gera metade de todos os produtos agrícolas utilizados pelos consumidores dos EUA. O hotspot é também fortemente ameaçado pela expansão de áreas urbanas, poluição e construção de estradas, o que tornou a Califórnia um dos quatro estados mais ambientalmente degradados do país. Hoje, apenas cerca de 10% da vegetação original permanecem mais ou menos intacta.


8 – Florestas Costeiras da África Oriental (África)
Apesar de pequenos e fragmentados, os remanescentes que formam as Florestas Costeiras da África Oriental contêm níveis extraordinários de biodiversidade. As 40 mil variedades cultivadas da violeta africana, que forma a base de um comércio global de folhagens que movimenta US$100 milhões anualmente, são todas derivadas de um punhado de espécies encontradas nas florestas costeiras da Tanzânia e do Quênia. Cerca de 200 mamíferos são encontrados no hotspot, sendo 11 endêmicos, incluindo o musaranho-elefante (Rhynchocyon chrysopygus). Os primatas são espécies-símbolo para esse hotspot, incluindo três espécies de macacos endêmicos, duas das quais podem ser encontradas ao longo do rio Tana, que corta o Quênia Central. A expansão agrícola continua sendo a maior ameaça para as Florestas Costeiras da África Oriental. Devido à pobre qualidade do solo e a uma tendência de crescimento populacional, a agricultura de subsistência, assim como as fazendas comerciais, continua a consumir mais e mais dos recursos naturais da região, com apenas 10% restante das florestas originais.


9 - Madagascar e ilhas do Oceano Índico (África)
Este hotspot é um exemplo vivo da evolução de espécies em isolamento. Apesar da proximidade com a África, as ilhas não compartilham quaisquer dos grupos típicos de animais do continente vizinho. Ao invés disso, elas contêm uma exuberante coleção única de espécies, com altos níveis de endemismo. Madagascar e o grupo de ilhas vizinhas possuem um total impressionante de oito famílias de plantas, quatro famílias de aves e cinco famílias de primatas que não existem em nenhum outro lugar da Terra. As mais de 50 espécies de lêmures de Madagascar são os carismáticos embaixadores para a conservação da ilha, embora diversas espécies já tenham entrado em extinção. Em uma área que é das mais prejudicadas economicamente no mundo, a alta taxa de crescimento populacional está colocando uma enorme pressão sobre o ambiente natural. A agricultura, a caça e a extração não sustentável de madeira, além da mineração em grande e pequena escalas, são ameaças crescentes. Estima-se que restam apenas 10% do hábitat original. A proteção desses remanescentes é de suma importância já que metade da população não tem acesso adequado à água doce.


10 – Florestas de Afromontane (África Oriental)
As montanhas do hotspot de Afromontane Oriental são dispersas ao longo da extremidade oriental da África, desde a Arábia Saudita ao norte até o Zimbábue ao sul. Embora geograficamente dispersas, as montanhas que compreendem esse hotspot possuem flora extraordinariamente similar. O gênero de árvore mais frequente é o Podocarpus, embora o Juniperus seja encontrado em florestas mais secas da África nordeste e oriental. Uma zona de bambu é normalmente encontrada entre as altitudes de 2 e 3 mil metros, acima da qual existe uma zona de floresta Hagenia, até uma altitude de 3.600 metros. O Vale do Rift abriga mais mamíferos, aves e anfíbios endêmicos do que qualquer outra região da África. O evento geográfico que criou as montanhas desse hotspot também gerou alguns dos mais extraordinários lagos do mundo. Devido aos grandes lagos, um grande montante de diversidade de peixes de água doce pode ser encontrado na região, que é o hábitat de 617 espécies endêmicas. Assim como na maioria das áreas tropicais, a principal ameaça a essas florestas é a expansão da agricultura, especialmente com grandes plantações de banana, feijão e chá. Outra ameaça relativamente nova, que coincide com o aumento da população, é o crescente mercado de carne. Hoje, apenas 11% de seu hábitat original permanecem intacto.

A imagem foi retirada do site da ATEFFABA


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