quinta-feira, 26 de maio de 2011

A casa sustentável é mais barata - parte 10 (ecotijolo e concreto reciclado de entulho)

O problema real:
A média de entulho produzido por metro quadrado em obras novas é de 150 kg, o que faz com que uma obra de 10 mil m produza cerca de 1.500 t de resíduos. No ano de 2000, é dito, foram descartadas na cidade de São Paulo 17.240 t de entulho por dia.

Fonte: site oficial Odebrecht


As vantagens de optar pelo tijolo ecológico:

Vantagens Ambientais:
Seu processo de produção dispensa a queima, portanto:
- Não contribui com o desmatamento;
- Não emite CO2 ao meio ambiente.

Vantagens Construtivas:
- Obra limpa;
- Melhor aproveitamento dos materiais evitando entulho e desperdício;
- Mais agilidade e facilidade na construção;
- Diminuição de até 80% na utilização de cimento;
- Sistema de construção estrutural;
- Facilita instalações elétricas e hidráulicas;
- Medidas exatas evitando trincas e diferenças no nivelamento das paredes;
- Paredes totalmente niveladas permitindo que azulejos e outros revestimentos sejam aplicados diretamente sem necessidade de nenhum tipo de reboco;
- Reduz sensivelmente a espessura da camada de reboco, quando utilizado;
- Processo de construção de fácil aprendizagem e semelhante às técnicas estruturais já utilizadas;
- Permite que sejam feitas colunas sem necessidade de caixarias;
- Termo-acústicos, deixando os ambientes internos frescos e menos ruidosos;
- Resistente a mudanças climáticas e maresia.

Vantagens Econômicas:
- Obras muito mais rápidas e que exigem número menor de operários;
- Valor compatível com os tijolos tradicionais;
- Proporciona uma economia ao final da obra de até 40%.

Fonte: Ekobuild


Antes que as pessoas corram para colocar abaixo e implodir aquele prédio feio que ninguém gosta, que fique bem claro, a idéia não é produzir mais entulho para servir de matéria-prima para mais tijolos ecológicos. Reciclagem é um tripé apoiado em 3 conceitos: recusar, reutilizar e só então reciclar.
Nesse caso, recuse construir desnecessariamente, reutilize (reforme) as construções já existentes e só então, recicle os entulho do que não tem salvação.
Eu falo melhor sobre a obsessão nacional em obras e quebradeira em 2 postagens: Um país em obras e Reciclagem de edifícios. O Ecotijolo é um paliativo nobre, mas um paliativo ao problema do entulho combinado à necessidade de novas construções.



Em Fortaleza:
Maior fonte geradora de lixo das grandes cidades, o setor da construção civil ainda não tem solução ecologicamente correta para a montanha de entulho que gera. Cerca de 70% do lixo gerado nas metrópoles vem da construção civil. Em Fortaleza, são mil toneladas de entulho de construção descartadas todos os dias.

Para reciclar tudo isso, a cidade conta com apenas uma usina de reciclagem, desde 1997, com capacidade de produzir até mil metros de tijolos ecológicos e blocos monolíticos por mês, mas que tem estocados 500 mil toneladas de entulho, porque não tem quem use o material reciclado.

“Esse material aí dá para pavimentar o estado do Ceará todinho”, exemplifica o presidente da usina de reciclagem Usifort Fortaleza, Marcos Kaiser. Do entulho reciclado podem ser gerados vários tipos de pedra e concreto para asfalto. Ainda segundo Kaiser, seria possível viabilizar toda a demanda de construção de imóveis “sem tirar um grão de areia da natureza”.
“Mas não temos construtoras que utilizem nosso material. Engenheiros também têm dificuldade em construir com material reciclado. Ainda há muita desinformação”, justifica o proprietário da usina. E emenda: “Quem compra também quer botar o preço lá embaixo, por ser material reciclado, desestimulando os negócios”.
De acordo com o presidente da Usifort, além do benefício ambiental, as obras podem ficar até 30% mais baratas com o reaproveitamento do material.

Casa arejada
A utilização de concreto reciclado já teve bons resultados. Uma das primeiras obras da Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor) usou tijolos ecológicos (feito de entulho) nas vinte casas duplex do conjunto habitacional Anita Garibaldi, entregue em 2006, no valor de R$ 359.486,48. “Os moradores aprovaram. O visual, a coloração do tijolo, o isolamento térmico e acústico foram elogiados”, disse o secretário da Habitafor, Roberto Gomes.
Segundo o secretário, a iniciativa não foi replicada por falta de capacidade da usina, na época, em produzir em larga escala, para conjuntos com mais 80 unidades e também porque a lei obriga fazer licitação. “Mas estamos nos reaproximando da construtora, inclusive porque para futuro queremos reciclar todo lixo gerado pelo Habitafor”, destaca. (LMB)

Fonte: O Povo On Line



Ecológico, tijolo usado é mais resistente do que o tradicional

Quantas toneladas de entulho são necessárias para a construção de um imóvel de 52 metros quadrados, dois quartos, sala, cozinha e banheiro? Pouco mais de 28 toneladas – acaba de responder o Grupo Baram, companhia gaúcha líder na fabricação de andaimes, que construiu a primeira casa do país erguida apenas com entulhos de obras. Mais do que livrar o meio ambiente de tais detritos, a tecnologia criada pela empresa representa ainda economia de 40% no preço final do imóvel, que sai a R$45 mil.

O primeiro passo foi dado com o lançamento de uma máquina capaz de moer toda sorte de materiais – de restos de concreto a pisos e cerâmicas. Em seguida, a empresa desenvolveu um maquinário capaz de transformar esse material em tijolos e blocos. No total, foram investidos cerca de R$6 milhões em três anos.
- A grande vantagem do projeto é o aproveitamento do entulho em todas as etapas de produção, das paredes ao contrapiso (um capeamento de argamassa feito para nivelar pisos). Atualmente, em capitais como São Paulo e Porto Alegre são jogados no lixo, a cada hora, 1,8 mil e 242 toneladas de entulho, respectivamente. Com esses volumes, é possível construir 334 casas por dia em São Paulo e 85 na capital gaúcha – diz Josely Rosa, diretor-presidente do grupo.

O tijolo feito apenas de agregados – como são chamados os restos de obras depois que passam pela máquina de reciclagem – é três vezes mais resistente do que o tradicional, além, é claro, de ser ecologicamente correto, pois não utiliza combustão em seu processo de fabricação.
- A redução de CO2 na atmosfera é um dos grandes benefícios do projeto. Se essa casa fosse erguida pelo método tradicional, seriam gerados, segundo dados do Ministério de Minas e Energia, 3.996 de CO2 só na produção de tijolos vermelhos. Ou seja, seriam necessárias 21 árvores para consumir essa carga de gás carbônico. Hoje, a sustentabilidade é nossa maior preocupação, e não há como ser diferente – destaca Rosa. – Sem tratamento adequado, o entulho é deixado, muitas vezes, em locais inapropriados, como leito de rio.

Outra novidade, segundo Rosa, está no assentamento dos tijolos, feito com uma massa 100% ecológica – de resíduos minerais e que dispensa a utilização de areia e cimento. O material também é fabricado pelo grupo. O imóvel, aberto à visitação, está exposto no parque industrial da empresa, às margens da BR-116, na cidade de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre.


A primeira casa do país construída com o ecotijo de entulho

Construída pelo Grupo Baram no estacionamento do parque industrial às margens da BR-116, no município de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a casa está exposta desde o início deste mês. Inovador projeto construtivo utiliza kit composto por máquina para reciclagem de entulhos e máquina para fabricação de tijolos, além de massa para assentamento de tijolos 100% ecológica.

A primeira casa do país feita com entulhos de obras está exposta no Rio Grande do Sul, às margens da BR-116, no parque industrial do Grupo Baram, situado no município de Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre.

A tecnologia consiste em utilizar 28,15 toneladas de entulhos de demolição de obras para a construção de um imóvel com 52m², com dois dormitórios, cozinha, sala e banheiro. O imóvel tem área superior ao construído pelo projeto do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”, que varia entre 42m² e 45m², e representa uma economia de 40% no preço final, custando cerca de R$ 45 mil.

A iniciativa faz parte de um projeto do Grupo Baram, através da pioneira empresa Verbam Máquinas, que oferece kit composto por duas máquinas: uma para reciclagem de entulhos e sobras de concreto e outra para a fabricação de tijolos e blocos. Com essa nova tecnologia, o Grupo, que já é líder nacional na fabricação de andaimes, inova mais uma vez ao apontar uma solução ecologicamente correta para as milhares de toneladas de entulhos que são produzidas todos os dias no país.

Com 23,05 toneladas de entulhos de demolição de obras é possível fabricar 8.640 tijolos, necessários para a construção da casa. Este tijolo produzido pelo Grupo Baram é duplamente ecológico porque não usa combustão em seu processo de fabricação e é feito exclusivamente de resíduos da construção e demolição (RCD). Dentre os benefícios que esse inovador projeto construtivo pode trazer para o meio ambiente está a diminuição de CO2 na atmosfera. Só para se ter uma ideia, se essa mesma casa fosse construída pelo método tradicional, hoje adotado pela indústria da construção civil, seriam usados, conforme dados do Ministério de Minas e Energia, 3.996kg de CO2 somente para a produção de tijolos vermelhos. Isso significa que seriam necessárias 21 árvores para consumir toda essa carga de CO2.

Além de ecologicamente correto, o tijolo feito exclusivamente com agregados, nome que se dá aos restos de obras depois que estes passam pela máquina de reciclagem de entulhos e sobras de concreto, é três vezes mais resistente do que o tijolo tradicional, apresentando 7,5 MPA, unidade usada para medir o grau de resistência.

Outra vantagem do projeto do Grupo Baram é o aproveitamento de entulhos de obras em todas as etapas da construção. Para fazer o radier, contrapiso, com 8m (largura) X 6,5m de comprimento, por exemplo, são necessárias 5,10 toneladas de agregados. Outro destaque dessa inovação construtiva é a massa para assentamento dos tijolos que está sendo usada, que é 100% ecológica, feita com resíduos minerais e que dispensa a utilização de areia e cimento, também produzida pela VerbamFix, uma das marcas do Grupo.

Atualmente, em capitais como São Paulo e Porto Alegre, são jogados no lixo diariamente 1,8 mil e 242 toneladas a cada hora de entulhos de obras respectivamente. Os dados foram apurados pelo Departamento de Saneamento e Meio Ambiente da Faculdade de Engenharia de São Paulo.
Com esses volumes, seria possível construir 334 casas por dia em São Paulo e 85 residências por dia em Porto Alegre.



Empresas públicas e privadas faturam com a reciclagem de entulho

Usinas de reciclagem, em Belo Horizonte, reciclaram 112 mil toneladas de material em um ano. Empresas que utilizam a matéria-prima podem ter redução de custos.

Toda obra gera entulho. É o dono da obra quem deve assegurar a destinação correta disso tudo, normalmente os aterros. Quando isso não acontece, cerâmica, gesso, cimento, concreto, vergalhão, madeira e outros materiais aparecem abandonados em terrenos baldios, encostas de morro ou nos leitos dos rios e lagos.

No Brasil, são recolhidas oficialmente 33 milhões de toneladas de entulho por ano. Material suficiente para construir quase 500 mil casas populares de 50 metros quadrados cada.

Mas quem estuda o setor de construção civil admite que a quantidade gerada é muito maior que essa. Há quem não veja no entulho problema, e sim uma solução. Em Belo Horizonte, por exemplo, o que é coletado nas ruas é levado para usinas de reciclagem.

Tudo o que chega é despejado e espalhado no pátio. A água ajuda a baixar a poeira. Aí começa a coleta das impurezas.

Tudo que não pode entrar na reciclagem do entulho, é impureza, e a cada dia são separadas 10 toneladas de impurezas, que vai para o aterro. O britador tritura todos os materiais em cinco diferentes tamanhos de grãos.

Uma usina de reciclagem de entulho é uma linha de montagem de diferentes material de construção como, por exemplo, brita, é muito comum para quem está fazendo obra, precisa de pedrinha. Ela vai substituir a brita natural na elaboração de blocos, pavimentação, meio fio, então substitui o material natural. Esse material, que antes seria lixo, passa a ser insumo para as nossas obras.

“Se eu fosse buscar no mercado para todas as obras municipais seria uma despesa importante, não só o material, a brita e a areia, como o material que a gente usa base e sub-base de pavimentação, cobertura de valas”, fala o diretor de Planejamento da Sup. Limpeza Urbana/BH, Lucas Garilho.

A primeira usina foi inaugurada há 17 anos. Hoje são três em atividade, transformando 460 toneladas de detritos, por dia, em matéria-prima para a construção civil. Apenas no ano passado, Belo Horizonte reciclou mais de 112 mil toneladas de entulho.
Com esse material seria possível construir:
- 1.651 casas populares com 50 metros quadrados;
- 34 quilômetros de ruas com dez metros de largura;
- 67 escolas com mais de mil metros quadrados.

Se fosse comprar esses materiais no mercado, Belo Horizonte, teria de gastar aproximadamente R$ 7 milhões por ano.
“Um bloco no mercado, ele está em torno de R$ 1, R$ 1,20. Para nós sai com uma redução em torno de 40% um valor menor do que esse. A gente tem uma economia de 40% em cada bloco”, conta Garilho.

Não é difícil encontrar na capital mineira construções feitas a partir do entulho reciclado. É o caso de um galpão de pneus velhos.

O piso foi feito de entulho, paredes feitas de entulho. À primeira vista não dá para identificar a origem. A pergunta que interessa é: dá para confiar, é seguro? “Para esse tipo de construção, um piso mais grosseiro, um bloco de vedação, o entulho reciclado ele pode ser tranquilamente utilizado”, afirma Garilho.

O setor privado também passou a se interessar pelo entulho. Nossa equipe visitou, em São Paulo, uma empresa que instalou cinco unidades de reciclagem pelo país. Duas delas, na capital paulista.

Criada há três anos, a empresa já transformou em matéria-prima para a construção civil 200 mil toneladas de entulho. “É uma solução econômica para as empresas que utilizam por ser até 30% mais barato que o produto natural”, fala o sócio da Estação Resgate, Gilberto Meirelles.

Para o empresário, o potencial de crescimento desse mercado é proporcional a quantidade de entulho que ainda é abandonada no lugar errado. “Hoje em dia a gente estima que praticamente metade do entulho gerado não vão para aterros licenciados. Só aí a gente está observando que tem uma grande oportunidade de matéria-prima para ser reciclada”, completa Meirelles.

Num canteiro de obras em São Paulo, até mesmo as impurezas recebem a destinação correta. São separadas na origem para facilitar a reciclagem. “Do todo da obra, em linhas gerais, esse entulho representa 50%. O resto seria metal, madeira, plástico, papel, gesso, já destinados para reciclagem”, diz o gerente de Desenvolvimento Tecnológico-Cyrella, Alexandre Amado Britez.

A construtora treina e conscientiza os funcionários a gerar o mínimo e reaproveitar o máximo do material. Isso reduziu em 35% a quantidade de entulho gerada em cada obra e o que é produzido vai para uma empresa contratada pela construtora para reciclagem.

Esses são exemplos de que, aos poucos, o Brasil vai descobrindo a riqueza do entulho. Menos mineração. Menos custos, mais inteligência na hora de construir o novo, reaproveitando o que nunca mereceu ser chamado de velho.
 



Mais fornecedores:
Tijoleco
Construvan
Enrico Rio
Tijolos Gareta
Lapin Tijolos
Recibloco
Usina Ecox
L&F Tijolos Ecológicos
Ekobuild
Ecomáquinas
Ecolaria
TijoloecologicoBH
Monteirotijolos
Tijolosecologicos
ecofortetijolos@gmail.com


Blog específico sobre o assunto: Tijolo Ecológico


Para reciclar seu entulho e contactar fornecedores: Estação Resgate


Vídeo no Jornal Nacional mostrando o processo "mão na massa":






Questões sociais acerca das olarias de tijolo, telhas e cerâmica convencional:
Acidente de trabalho com crianças em olarias
Estudo sobre segurança em olarias de tijolo vermelho
Mutilações e escalpelamentos nas olarias irregulares
Crianças mutiladas e escalpeladas nas olarias do NO



Mais informação: A casa sustentável é mais barata

terça-feira, 24 de maio de 2011

A casa sustentável é mais barata - parte 09 (lavanderia)

Lavanderias normalmente são em áreas externas, o que garante iluminação natural e nos faz economizar luz elétrica e evitar a compra de mais lâmpadas.

Além dos produtos biodegradáveis e com embalagens em refil que serão explicitados no final, as 2 práticas mais importantes a serem adotadas na lavanderia são:

1. Abolir a secadora de roupas: é um eletrodoméstico a mais consumindo matéria prima e energia, encolhe as roupas e revela-se desnecessário na maioria dos casos, principalmente num país tropical.

2. Reutilizar as águas cinzas da máquina de lavar
Cada vez que você lava roupa, pelo menos 60lts de água são usados. Se a máquina estiver no modo mais econômico e com menor volume, a lavagem vai usar 30lts e o enxague outros 30. Caso você lave um edredon e deixe a máquina no volume máximo de água, a quantidade vai dobrar: 60lts para lavagem e mais 60 para enxágue - num total de 120lts de água limpa!.

O que pode ser feito para reaproveitar toda essa água que vai literalmente pelo cano (e acaba na tubulação de esgoto) é acoplar uma mangueira sobressalente a mangueira curtinha que já vem na máquina.


A daqui de casa foi comprada numa loja de ferragens, custou R$6,00 e foi inicialmente produzida para atender à aspiradores de pó, mas serviu bem e é igualzinha a da máquina de lavar.

A saída dela, é despejada num "balde-cisterna", um balde de 60lts com uma fenda na tampa. Estava em promoção no supermercado e parece ter sido projetado pensando nisso. Custou R$24,00 e armazena toda a água da lavagem para que eu possa usar como quiser em outro dia. Recentemente, comprei outro balde (as fotos são de uma das primeiras postagens do blog, minha casa antiga). Hoje, uso as 2 cisternas e armazeno o dobro de água, não desperdiçando nem 1 gota.


Essa água, que lavou sua roupa, é limpa - tem um pouco de sabão e lava perfeitamente varandas, banheiros, cozinhas e até a calçada e a garagem. Caso tenha um quintal-horta, acople outra mangueira à saída da cisterna e fure a mesma ao longo de todo o comprimento, mantendo uma distância de 2 cm para cada furo. Essa mangueira vai irrigar todo o seu quintal-horta, permitindo a melhor forma de irrigação: por gotejamento, sem perda por evaporação.

Caso você lave muita roupa e encha os 60lts de uma vez só, você pode usar essa primeira parte da água na faxina deixando a roupa de molho na água do enxague. Quando a "cisterna" esvaziar, você aperta o botão da máquina que permite a centrifugação e reenche a cisterna.
A água com ou sem sabão  também pode ser toda reaproveitada para lavar outras roupas, você pode inclusive ir reaproveitando a água a semana toda de acordo com as lavagens de roupa e deixar a última "batida" para fazer a faxina.

Para outras formas de reúso e armazenamento de água, leia a postagem A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais) e para ver tudo sobre uma faxina sustentável e controle de pragas biológico, leia a postagem A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas)



Já existem marcas de sabão em pó biodegradáveis, eu normalmente uso o Amazon por ser o mais em conta, já citado aqui na postagem Sabão em pó biodegradável. Mas, para quem não encontra o Amazon, qualquer sabão de coco em pó, é biodegradável. A marca mais encontrada no comércio é o sabão de coco em pó Ruth. Outras marcas muito populares são a GEO, Cassiopéia-Biowash, Amo o verde, Ecoar e a ECOBril, linha ecológica da Bombril. Para substituir as esponjas de limpeza, em material sintético e não reciclável oriundo de petróleo, dê uma chance às buchas vegetais à venda em qualquer feira livre por R$10,00 o metro, podendo ser plantadas em casa num vaso grande ou mesmo compradas pela internet no site NaBucha.
Priorize as marcas que trabalham com embalagens em refil, além de ser menos lixo sendo descartado no meio ambiente, as embalagens são naturalmente em plástico convencional derivado de petróleo.
Eu me aprofundo melhor em limpeza sustentável na postagem A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas).

Em tempo, biodegradabilidade é a medida de degradação de uma substância por microorganismos em um tempo determinado. A Anvisa exige 80% de biodegradabilidade dos tensoativos aniônicos - o que torna qualquer sabão em pó 80% biodegradável.

Sobre as esferas cerâmicas que dispensam o uso de saponáceos na máquina de lavar, a mais conhecida é a okoball, você encontra mais informações na postagem Lavar roupa sem sabão. Se quiser conhecer outras marcas, a loja virtual Greenvana revende as Eco Laundry Balls.

Para remoção de manchas, evite a água sanitária e produtos tradicionais como Vanish. A revolução industrial só tem 200 anos, antes disso nem havia indústria química. Os próprios produtos alvejantes que conhecemos, não existem há 100 anos. Ainda há muita tradição de quarar roupa, torcer com sabão de coco no tanque e promover a remoção dessa mancha de forma caseira.
Dependendo do caso, ferva com sabão de coco e depois, esfregue.

Em casos de manchas mais reincidentes, depois dessa fervura, volte a peça para o tanque e ensaboe novamente com sabão de coco, torça à mão e deixe a peça repousando torcida de um dia para o outro.
As vezes nem precisa ferver, só o ato de deixar a roupa torcida com sabão e um pouco de água oxigenada de um dia para o outro já resolve.

Limão e vinagre de maçã também são excelentes coadjuvantes na remoção de manchas. Esfregue um dos dois sobre a mancha, remova com água quente e leve então a lavar. Remover manchas não é fácil, muitas vezes é preciso repetir o processo várias vezes e observe também que as manchas causadas pela maioria das frutas não sai mesmo com produto químico.

Uma professora muito querida, engenheira textil de formação, me ensinou a fugir da água sanitária (basicamente cloro puro) e priorizar a água oxigenada, especialmente em roupas brancas. Normalmente as manchas de encardido são causadas pela gordura natural do próprio corpo e deixando de molho na água oxigenada de um dia para o outro, esse encardido realmente é removido.
O cloro da água sanitária inclusive dissolve o elastano, uma fibra sintética presente em quase todas as roupas, especialmente as íntimas.
Para quem adotou abiossorventes e fraldas de pano, a água oxigenada é a salvação.

Roupa branca para ficar clara pode quarar no sol no molho com o sabão, no qual se mexe de vez em quando. Pode-se acrescentar um pouco de álcool ou água oxigenada ao sabão em pó, desde que não haja detalhe colorido na peça que se deixa no molho com álcool, porque o álcool tem o poder de remover a cor e pode manchar a peça. Algumas pessoas gostam de usar anil dissolvido em água, mas tem que ser pouco anil em muita água e só depois de dissolvido, colocar a roupa. Anil mancha a ponto de ser usado como ecotinta para pigmentação natural em tecidos e paredes, fique de olho.
Para se informar melhor sobre ecotintas e formas naturais de pigmentação, leia a postagem A casa sustentável é mais barata - parte 04 (ecotintas)

Roupas que soltam tinta e tendem a manchar, especialmente as pretas, vermelhas e azul-marinho, podem ser controladas adicionando 1 col de sopa de sal na água da lavagem.
Para as toalhas e roupas de cama, o vinagre branco como enxaguante deixa a roupa mais macia quando combinada com os sabões em pó mais suaves.

Roupas muito sujas de barro, lama ou empoeiradas, devem ficar de molho de véspera em água pura, volte e torça tudo, enxaguando se for o caso. Mas deixe a água decantar a sujeira sólida antes de partir para a lavagem na máquina. Se forem peças grandes e pesadas, a roupa pode ficar de molho na própria máquina, centrifugue após o prazo e só então, lave a roupa com seu sabão biodegradável.
Quem trabalha com graxa, deve ter um macacão ou avental só para isso - as manchas não costumam sair nem com soda cáustica e ácido muriático.

Eu não uso amaciante de roupas há muito anos, não sinto falta, mesmo nos lençóis. Mas quem não vive sem, pode comprar as versões biodegradáveis da EcoBril e Cassiopéia ou fazer seu amaciante em casa a partir da receita do Instituto IPEMA de permacultura da Mata Atlântica:
5 litros de água
4 colheres de glicerina líquida
1 sabonete de glicerina ralado
2 colheres de sopa de Leite de Rosas ou óleo essencial no odor escolhido
Ferver 1 litro de água com o sabonete ralado até dissolver. Acrescentar mais 4 litros de água fria, as 4 colheres de glicerina líquida e as 2 colheres de Leite de Rosas. Mexer bem até misturar e depois engarrafar.

Eu tampouco passo as minhas roupas, prefiro os tecidos em algodão que não amassam e fico muito surpresa quando vejo pessoas passando calça jeans e fronhas, que serão esticadas. Particularmente, é um desperdício de tempo e energia. Mas, alguns homens usam camisas sociais diariamente que precisam passar. Então deixo uma receita caseira de goma para roupas que precisem ser passadas a ferro:
1 col de sopa de polvilho
1 litro de água
Dissolver o polvilho na água facilita a tarefa e ainda não polui o ar.
 
Para perfumar roupas delicadas e de cama, existe água de rosas e laranjeiras para consumo gastronômico, que sempre podem ser diluídas em água ou álcool de cereais. Lavanda também proporciona águas perfumadas, a L´Occitane vende uma água de lavanda para aromatizar a roupa. Uma dica boa é diluir óleos essenciais em água destilada ou deixar a erva seca em infusão de álcool de cereais por 15 a 45 dias, com a erva ocupando 1\3 do vasilhame e depois usar para borrifar. Alfazema, macela e camomila são encontradas a granel inclusive. Fuja dos chás e ervas frescas, mancham muito, especialmente quando deixados de molho junto com a roupa.
Se gosta de perfumar a casa com incensos e aromatizadores, leia a postagem Incensos e Aromatizadores, o mundo é o que você cheira


Em 2012, ampliei a lavanderia e reuso o dobro de água: Comendo a ração que vende - parte 05: lavanderia - Veja a foto abaixo:







Mais informação:
A casa sustentável é mais barata
Pia cheia de louça suja não é problema, é solução
Comendo a ração que vende - parte 05: lavanderia
Incensos e Aromatizadores, o mundo é o que você cheira
A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas).
A casa sustentável é mais barata - parte 20 (reuso de águas cinzas do banho para o sanitário)

Zoológicos x Reservas



Sobre a mídia online que exalta os zoológicos

Quem lê sites que reservam seção aos animais não humanos, como Folha.com e Terra Notícias, deve ter percebido a abundância de notícias sobre filhotes nascidos ou apresentados em zoológicos de todo o mundo. Pessoalmente não sei se há algum intuito nesses veículos de imprensa de promover educação ambiental pela frequente exibição de filhotes fofinhos. Mas, havendo ou não esse objetivo, há uma grande valorização dos zoos nesses portais e isso é um grande desserviço à ética dos Direitos Animais, além de uma educação antiambiental.Com tantas notas sobre animais graciosos exibidos em zoológicos, dá-se aos leitores a forte impressão de que a vida dos animais nesses lugares é aprazível, é uma “vidinha boa”. Fica parecendo que os bichos sentem-se bem ali, atrás de jaulas ou cercas de poucos metros quadrados, e vivem a melhor vida possível. Essa porção da mídia joga fora o alegado ideal da imparcialidade e mostra ser totalmente favorável aos zoos em sua essência – desde que não firam regras de “bem-estar animal”.


E também são passadas as mensagens implícitas de que:


a) lugar de animal selvagem também é no zoológico, mesmo que ali passem a vida toda privados do básico direito à liberdade e expostos ao estresse dos barulhos humanos, coisa que não acontece nos seus habitats naturais;

b) é certo exibir animais em zoos, é legítimo atribuir aos animais a utilidade de servir como objetos de exibição a render dinheiro para seus “donos”;

c) os animais silvestres também podem ser propriedade humana, sendo perfeitamente justo submetê-los ao interesse capitalista do dono do zoo, tal como manter o jugo dos animais rurais aos anseios do pecuarista.


Esses jornais virtuais irrelevam o fato de que a essência do zoológico é a exploração animal, é o aprisionamento de animais em confinadouros, é tratá-los como propriedade, como se fossem análogos a objetos de um museu. Ignoram que, se não aprisionassem animais para exibi-los à população, não seriam zoológicos.

Num sentido mais tendente ao prático, a exaltação dos zoos também acaba impulsionando que mais e mais bichos sejam sequestrados de seus habitats por caçadores traficantes de animais selvagens. Porque, afinal, a primeira girafa a ser trancafiada no zoológico da cidade não nasceu ali, e sim foi capturada no meio silvestre. E para haver mais diversidade de animais em exibição – porque as pessoas gostam de zoos diversificados, que exibam novas espécies de animais periodicamente –, é necessário traficá-los na mata quando não se pode importá-los de outros zoos.

E como se deve ter noção, roubar animais de seu ambiente natural não é nem um pouco ecologicamente correto, pois pode causar danos à fauna local se considerarmos a subtração cumulativa de bichos livres pelos traficantes locais. Somando esse fato à desinformação que se passa aos leitores, relativa à suposta validade ética e ambiental de se prender bichos em zoológicos, a valorização do zoo no noticiário tem um efeito contrário ao da educação ambiental. Pois estimula os leitores a acreditar que é certo, é ético, é justificável manter em cativeiros com fins lucrativos animais que deveriam estar vivendo em liberdade e mantendo em equilíbrio os ecossistemas que suas espécies habitam.

Pensando nos Direitos Animais e na Ecologia, percebemos que não são razoáveis essas odes dos noticiários online à cultura do zoológico, ao costume de apresentar novas espécies e manter os animais aprisionados para fins arrecadativos. Seria mais lógico, assim, que parassem essa divulgação gratuita (?), em respeito às vidas sencientes que são roubadas de seus lares e tornadas escravos de corpo.
 
 
 
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Prefeito entrega na Zona Oeste a maior ciclovia da cidade: 42km iluminados com postes de energia solar - meta é chegar aos 300km

Finalmente uma boa notícia em obras públicas.
Ciclovias normalmente são relacionadas à orla de praia, para uma minoria que pedala à lazer. Na verdade, ciclovias são fundamentais em toda a cidade, justamente para diminuir o tráfego e favorecer a população que realmente precisa percorrer distâncias maiores à trabalho.
Um projeto sério de ciclovias integradas às linhas de trem e metrô, beneficiariam imensamente a parcela mais pobre da população carioca tanto em termos financeiros (pela economia em passagem), quanto em qualidade de vida (pelo exercício e ganho de tempo normalmente perdido dentro de um ônibus lotado).
Geralmente a construção de ciclovias é associada a um projeto urbanístico e permite o plantio de árvores ao longo da ciclovia, reduzindo a temperatura do entorno e ajudando na absorção do CO2 da estrada ao lado.



Ciclovia de 22 km irá beneficiar cerca de 1,7 milhão pessoas que utilizam a bicicleta como transporte

O prefeito Eduardo Paes e o vice-prefeito e secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Muniz, inauguraram neste domingo, dia 22, os 22 km de ciclovias integradoras da Zona Oeste. Com os novos trechos, a região passa a ter a maior ciclovia contínua da cidade, com quase 42 km, interligando vários bairros como Bangu, Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Paciência e Santa Cuz. Com investimento de aproximadamente R$ 20 milhões, o projeto vai beneficiar 1,7 milhão de pessoas.

Cerca de 53% dos moradores daquelas regiões utilizam a bicicleta como meio de transporte para ir ao trabalho ou escola e 75% das pessoas que precisam de dois meios de transporte para chegar ao serviço, usam o veículo como opção de integração. Durante a inauguração, acompanhado de autoridades municipais, o prefeito Eduardo Paes falou sobre a importância dessa obra para a qualidade de vida dos moradores:
- Essa é a área da cidade em que as pessoas mais se deslocam de bicicleta como meio de transporte complementar e com essa obra estamos conectando Bangu a Santa Cruz. As pessoas vão poder aproveitar muito esse espaço, seja para trabalhar ou para lazer, e ainda ter mais qualidade de vida - disse.

Ao todo foram construídos três novos trechos. O primeiro deles liga a já existente ciclovia Bangu-Campo Grande (10 km) à estação de trem de Campo Grande. De lá, foi feita uma extensão até a Ciclovia Alfredo Del Cima. O segundo trecho margeia a Supervia por 14 km, passando por cinco estações de trem (Paciência, Cosmos, Benjamin do Monte, Inhoaíba, Tancredo Neves), terminando na de Santa Cruz. Do centro do bairro, parte o último trecho até a Companhia Siderúrgica do Atlântico/CSA (distrito industrial de Santa Cruz), cruzando toda a reta João XXIII - limite com o município de Itaguaí.

O secretário Carlos Alberto Muniz citou algumas novidades do projeto da ciclovia:
- Hoje estamos entregando essa ciclovia com muito orgulho, pois é a concretização de um plano voltado para a Zona Oeste. As pessoas aqui precisavam disso e, além da ciclovia em si, há outros benefícios para a região como o plantio de árvores, a instalação de bicicletários e a utilização de postes com energia solar - explicou.

Toda a extensão da obra recebeu um tratamento urbanístico, com paisagismo e ampla arborização com cerca de 52 mil mudas de árvores (cassia, pau ferro, cajueiro, palmeira, pata de vaca, paineira, entre outras), vegetação e plantas ornamentais (pingo de ouro, lantana, hibisco, etc) que foram plantadas ao longo da via; além da colocação de mobiliário urbano novo como as mil vagas em bicicletários nas proximidades de escolas, estações de trens e no Terminal Rodoviário de Campo Grande.

Na nova ciclovia também foram instalados 38 postes solares (energia limpa), que absorvem a luz do sol que é convertida em energia elétrica. Esta fonte energética tem possibilidade de combater o aquecimento global, porque evita a emissão de carbono e a escassez de recursos naturais de fontes não renováveis. A mão-de-obra contratada foi formada com 70% de moradores dos bairros da região.

Após a inauguração, o prefeito Eduardo Paes aproveitou para dar um passeio de bicicleta pela ciclovia e foi acompanhado por diversos moradores, adultos e crianças, que aprovaram o projeto. O morador Felipe Melo, de 25 anos, elogiou a iniciativa:

- A ciclovia ficou muito boa. A reforma melhorou muito para as pessoas que utilizam diariamente para trabalhar, ir à escola, praticar exercícios e também trouxe mais segurança.

Hoje a cidade do Rio tem a maior malha cicloviária do País (200 km) e a segunda da América Latina. A meta da Secretaria Municipal de Meio Ambiente é chegar aos 300 quilômetros até 2012



Mais informação:
Ciclovias x ciclofaixas
A automóvelcracia de Eduardo Galeano
Imagem do dia: 60 pessoas = 60 carros, 60 bicicletas ou 1 único ônibus

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A casa sustentável é mais barata - parte 08 (cursos e certificações)


Para começar: lendo, entendendo e desmitificando alguns pontos, veja a postagem sobre a bíblia do assunto Manual do Arquiteto descalço com link para baixar o livro todo gratuitamente no 4shared.


O primeiro cartaz dessa postagem é sobre o atual curso à disposição do Coletivo Permacultores: 1 semana bioconstruindo em setembro.
Atente que oferecer cursos são a fonte de renda de muitas ecovilas (ou pelo menos uma forma de complementar a produção agrícola) - os cursos são bons, respeitados e as aulas ministradas por quem realmente vive o assunto na prática.


Veja também a postagem sobre o Curso anual de Bioconstrução do Instituto IPOEMA e visite o site linkado do Instituto com outros cursos o ano todo.


O Instituto para o desenvolvimento da habitação ecológica (IDHEA) oferece cursos mais práticos: como fazer ecotintas, técnicas de construções sustentáveis e afins em ambiente urbano.


O Instituto de Permacultura da Mata Atlântica (IPEMA) oferece cursos mais generalistas, como o atual à disposição no site linkado de Permacultura Profunda, que deve ser ideal para ser feito por quem já tem algum conhecimento básico na área.


O Instituto Tibá oferece diversos cursos o ano todo separados por assunto e as demais imagens dessa postagem são os cartazes de alguns dos muitos desses cursos.


O Instituto Terra Una, com ecovila homônima oferece cursos na própria ecovila e, diferentemente das demais, em BH, Juiz de Fora e até no RJ.

O pessoal da Ebiobambu fica em Mauá, RJ e especializou-se em contruções específicas em bambu.


Para quem está sem tempo-recursos para viajar e fazer um curso de 2 a 3 dias numa fazenda, tente começar pelo curso à distância não-presencial e pela internet de Ecotintas da Universidade Federal de Viçosa. Leia melhor sobre o assunto na postagem A casa sustentável é mais barata - parte 04 (ecotintas)


Para fazer uma placa de energia solar em casa, faça um dos cursos da Sociedade do Sol. Leia melhor na postagem A casa sustentável é mais barata - parte 15 (Aquecedor solar de baixo custo a R$35,00)


Para quem quer uma base mais convencional antes de aprender as técnicas da Permacultura, visite o site do Senai com escolas disponíveis em todo o Brasil e veja como se qualificar como pedreiro, mestre de obras, pintor, eletricista, bombeiro gasista e afins.


Para quem já tem nível superior, constrói, mas quer aplicar a sustentabilidade à grandes edificações condominiais e corporativas, certifique-se no Green Building Council. E faça os cursos apropriados à obras de grande porte da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) e do CREA, existem opções de nível médio, graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado.


Outras Ecovilas que ministram cursos na área ou podem trazer informação em caso de dúvidas:
Goura Vrindrávana
Casa de Botellas
Casa Colméia
Agrofloresta São José
Do mato ao prato 
A casa na montanha
Instituto Quinta do Sol

Para acessar todas as Ecovilas do país: Permacultura.org



Mais informação: A casa sustentável é mais barata

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A casa sustentável é mais barata - parte 07 (pallets e bobinas)


Na foto acima juntos e devidamente reciclados: pallets e reels (ou bobinas de cabo ou carretéis de madeira) são geralmente usados na indústria, obras de grande porte ou em cais do porto.
Eu trabalhei em navio, embarcada, e os pallets e bobinas eram comuns à bordo, principalmente quando precisávamos trazer à bordo por guindaste cabos de aço ou caixas de suprimentos de toda espécie.

Pallets são bases em madeira que servem de suporte para mini-containers ou quaisquer caixas lacradas. Essa base é necessária para que os dentes de uma empilhadeira possam levantar a carga em questão, como uma pá.


Já existem inúmeros projetos reaproveitando pallets na construção civil, o meu favorito integra os pallets a uma casa contêiner, permitindo uma varanda arejada o ano todo e dando à casa contêiner um aspecto mais intimista e até artesanal (veja foto acima).
Para saber o que é e como fazer uma casa contêiner, leia a postagem homônima A casa sustentável é mais barata - parte 02 (casa contêiner).



Eu não faria uma casa inteira em pallets, não confio e acho que o tipo de madeira tampouco é indicado para suportar intempéries a longo prazo. Essa madeira vai apodrecer e o trabalho e custo de reposição acabam não compensando a proposta inicial. Mas gosto da idéia de confeccionar móveis em pallets e adotaria uma parede externa no material, protegendo parcialmente uma varanda, terraço, estufa-horta caseira ou portão de garagem - como uma parede de treliça em bambu o faria.

Para quem ainda resiste à estética do waterwall tank, deixo como sugestão fazer uma cerca em treliça de pallets e plantar muitas trepadeiras, como hera, açucena e buganvilia para que as plantas tomem a estrutura de madeira. Para saber tudo sobre waterwall tanks, veja a postagem A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais).


O pallet se presta muito para estantes, portas-janelas, camas, mesas, sofás e tudo que em geral demande marcenaria. Para quem gosta de cama japonesa, em futon, uma base em pallet colorido é o ideal.
A casa em pallet lembra muito as antigas casa pré-fabricadas e pode ser interessante no caso da construção de um galpão externo para armazenamento ou horta parcialmente protegida-ventilada.



O ambiente abaixo em pallet rosa pink foi desenvolvido por Marcelo Rosenbaum:



Veja abaixo as fotos de um escritório todo reformado em pallets, até as escadas são feitas no material:



Trabalhando com pallets em ambiente doméstico, tente pintar os mesmos em alguma cor que componha com o ambiente. O pallet ao natural é rústico e funciona bem em ambientes que não pedem aconchego, como o escritório acima, onde a madeira crua foi o contraste ideal para o preto dos móveis e branco das paredes, um ambiente clean.
Para fazer suas ecotintas, veja a postagem A casa sustentável é mais barata - parte 04 (ecotintas).

Abaixo, deixo 2 exemplos muito bem elaborados de pallets, que pecaram por falta de cor lamentavelmente em quartos infantis:



Observe que já existem empresas vendendo pallets de madeira de reflorestamento, o que é o correto. Mas não corra para comprar pallets refloretstados acreditando ser uma boa prática. Reaproveitar um pallet industrial é dar um destino à algo que foi necessário, reusar um resíduo. Comprar um pallet zero km é estimular a indústria madeireira que está tranformando os 7% remanescentes de Mata Atlântica em monocultura latifundiária e corporativa de eucalipto.

Madeira oriunda de reflorestamento estimula uma das nossa piores indústrias, a madeireira, que emprega trabalho escravo e cuja produção de eucalipto, está transformando as áreas remanescente de Mata Atlântica numa monocultura latifundiária e corporativa. Para se informar melhor sobre o equívoco do móvel em MDF, leia a postagem O mito do reflorestamento de eucalipto. O que tem que diminuir é o consumo, nunca a área de floresta nativa.



Wood reels ou bobinas de cabo ou carretéis de madeira são geralmente transformados em mesas, podendo ser pintados ou não. Existem em dezenas de tamanhos, desde imensos atingindo 3 metros de altura à pequenos carretéis de 50cm. Os maiores dificilmente são aproveitados pelas pessoas comuns em suas casas, mas já existem projetos transformando as bobinas em cadeiras de balanço:






Particularmente gosto muito quando esses carretéis menores são usados como mesas de canto-cabeceira aos pares (em tamanhos distintos) e os maiores deixados para áreas externas, como varandas, piscinas e jardins.

Um antigo colega de turma, Silvio "Camarão", trabalha no Cais do Porto e é reponsável pelo projeto social do Morro da Conceição já citado aqui pela roda de samba. Camarão aprendeu a fazer mosaico no projeto social e levou um carretel do trabalho para casa. O mesmo virou uma mesa supercolorida que enfeita a sala da família dele e reaproveitou 2 materiais: o carretel e cacos de azulejos quebrados.



Para mais sugestões sobre móveis reutlizando a madeira que descartamos desnecessariamente, na primeira postagem sobre a casa sustentável ser mais viável em todos os aspectos, deixei fotos de estantes feitas com caixas de feiras em madeira e gavetas velhas pintadas e reformadas, são as 2 primeiras fotos da postagem linkada A casa sustentável é mais barata - parte 01 (básico de sobrevivência).

Para quem quiser se aprofundar ainda mais no assunto e realmente customizar móveis antigos ou transformar completamente madeiras e material de demolição em geral, leia as postagens: A casa sustentável é mais barata - parte 03 (material de demolição) e A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes)


E lembre que todo pallet pode ser transformado em escada ou cavalete, esse novo móvel apoiado-combinada a um carretel e, a partir daí, outras infinitas variações de mobiliário serem criadas:







Mais informação: A casa sustentável é mais barata


As fotos foram encontradas pelo Google Images a partir de 4 buscas: pallet(s), carretel de madeira, escadas+decoração+sustentável e mesa+cavalete. Estão presentes em dezenas de sites e, aparecendo seus autores, dou os créditos com o maior prazer.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O PAC não se paga: Jirau, Belo Monte e Mauá

OEA solicita suspensão imediata de Belo Monte

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou oficialmente que o governo brasileiro suspenda imediatamente o processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu. Abaixo, os pontos mais importantes da nota divulgada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e do documento da OEA:

De acordo com a CIDH, o governo deve cumprir a obrigação de realizar processos de consulta “prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada”, com cada uma das comunidades indígenas afetadas antes da construção da usina. O Itamaraty recebeu prazo de quinze dias para informar à OEA sobre o cumprimento da determinação.

O documento da OEA afirma que o Brasil deve garantir que as comunidades indígenas beneficiárias tenham acesso a um estudo de impacto social e ambiental do projeto em um formato acessível tanto à sua extensão como no que diz respeito à tradução aos respectivos idiomas indígenas.

A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 em nome de varias comunidades tradicionais da bacia do Xingu pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Prelazia do Xingu, Conselho Indígena Missionário (Cimi), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global e Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA).

De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto que, caso seja levado adiante, vai causar impactos socioambientais irreversíveis, forçar o deslocamento de milhares de pessoas e am eaçar uma das regiões de maior valor para a conservação da biodiversidade na Amazônia.

A CIDH também determina ao Brasil que adote medidas vigorosas e abrangentes para proteger a vida e integridade pessoal dos povos indígenas isolados na bacia do Xingu, além de medidas para prevenir a disseminação de doenças e epidemias entre as comunidades tradicionais afetadas pela obra.

O Ministério Público Federal no Pará impetrou 10 ações judiciais contra o projeto, que ainda não foram julgadas definitivamente.

A decisão da CIDH determinando a paralisação imediata do processo de licenciamento e construção de Belo Monte está respaldada na Convenção Americana de Direitos Humanos, na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração da ONU sobre Direitos Indígenas, na Convenção sobre Biodiversidade (CBD) e na própria Constituição Federal brasileira (Artigo 231).


A OIT considera altíssimo número de mortes em obras do PAC

Mortes em obras do PAC estão acima dos padrões e já 40 trabalhadores morreram nas obras.

Trabalhadores estão morrendo nos canteiros de obras do Programa de Aceleracao do Crescimento (PAC), estrela do governo federal. Num levantamento inédito feito pelo GLOBO em 21 grandes empreendimentos, que somam R$105,6 bilhões de investimentos, foram registradas 40 mortes de operários em acidentes, desde 2008. Somente este ano, seis trabalhadores perderam a vida em cinco projetos. Tanto em complexas obras de infraestrutura, como hidrelétricas, como nas mais simples, incluindo as do programa Minha Casa, Minha Vida, a morte está presente. Os acidentes fatais são causados principalmente por choques, soterramento e quedas. São mortes "invisíveis", que não estão nos bancos de dados dos diversos controles governamentais criados para acompanhar o PAC, que, até o início de 2010, era coordenado pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Somente em 2010, a taxa de mortalidade foi de 19,79 para cada cem mil empregados. Índice considerado altíssimo pelo médico Zuher Handar, consultor para segurança e saúde da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. A taxa é mais que o dobro da registrada para o conjunto dos empregados do setor formal da economia - 9,49 por cem mil.

Os empregados da construção civil brasileira são os que mais morrem. A taxa de mortalidade está em 23,8 por cem mil trabalhadores, um pouco acima da encontrada em obras do PAC - considerada muito alta, já que são tocadas por grandes construtoras, com tecnologia suficiente para proteger os operários, dizem especialistas. Nos Estados Unidos, a taxa de mortalidade na construção civil é de 10 por cem mil; na Espanha, de 10,6; no Canadá, de 8,7; em Portugal, de 18.

- Nessas grandes obras de infraestrutura, independentemente de serem do PAC ou não, o governo precisa estar mais atento, não contratando empresas que deixem de ter mecanismos de prevenção - disse Handar.

Setor da construção admite insegurança

- O alto número de mortes é verdadeiro. Estamos intensificando os trabalhos e a atenção. Isso nos preocupa e buscamos as razões para esse quadro. As obras estão em um ritmo muito acelerado e as companhias não vêm treinando (pessoal), porque não há tempo para isso - afirmou Paulo Safady Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), acrescentando que, com a carência de mão de obra, empresas têm buscado pessoas sem qualificação para trabalhar nos canteiros.

Segundo ele, o ideal é que os trabalhadores tenham de 80 a cem horas de aulas teóricas. Depois, entre cem e 120 horas práticas, nos canteiros. Só após essas duas fases, continua Safady, é que se deve entrar na obra:

- Sem isso, cometem-se erros. O problema é generalizado. Há uma carência para todos os níveis de obras, e em todos os lugares do Brasil.

Na Usina de Jirau, que fica a 130 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia, são três mortes investigadas pela Superintendência Regional do Trabalho: as de Valter Souza Rosa, em maio de 2010, por choque elétrico; de Francisco da Silva Melo, esmagado em um britador, em julho; e de João Batista dos Santos, em fevereiro deste ano, num acidente com uma grua.

Palco de uma rebelião que resultou na destruição de boa parte dos alojamentos e da área de lazer, Jirau tem uma rotina marcada pela insegurança. Nos alojamentos improvisados para os operários depois da rebelião, ouve-se histórias de quedas de armadores, homens que ficam pendurados apenas por cintos em estrutura de até 45 metros de altura.

- A pessoa cai, a ambulância leva e, depois, não vemos mais o trabalhador. Não sabemos se morreu ou não - conta um operário.

Na vizinha Santo Antônio, usina que está sendo construída no mesmo Rio Madeira, há registros de três mortes: as de João Edcarlos Sá de Jesus, na queda de uma lançadora de concreto, em julho de 2010; de Bruno Alexandre Queiroz Martinho, em fevereiro deste ano, num acidente com uma grua; e de um trabalhador identificado apenas como Renan, afogado no Rio Madeira em data não precisada.

Vivaldo Andrade da Silva já passou por duas cirurgias depois do sofrer um acidente na Usina de Santo Antônio, o mesmo no qual João Edcarlos morreu. Ainda está de licença médica, mas não pretende voltar à obra.

- Entrei bom e saí aleijado. Não quero voltar, não. Tenho medo - afirmou.

A Superintendência Regional do Trabalho lavrou 330 autos de infração nas áreas de segurança e saúde em Jirau em abril de 2010 e 240 em Santo Antônio, no mês seguinte. Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho entrou com ação contra o consórcio construtor denunciando 109 situações de risco. Em 51 delas, a Justiça concedeu liminares. O processo está em fase de perícia.

- Eles aceleraram a tal ponto a obra, com tanto risco, que estávamos a ponto de interditar o vertedouro de Jirau, o ponto mais crítico na situação de segurança. Foram seis mortes em dez meses. Se as empresas não repensarem a questão, mais vidas de trabalhadores serão ceifadas - disse o chefe do Setor de Segurança e Saúde do Trabalhador da SRT, Juscelino José dos Santos.

Segundo a Camargo Corrêa, responsável por Jirau, as três mortes na usina aconteceram com 16 milhões de horas/homem trabalhadas, um tempo bem superior à média para essas obras. A empresa também diz que tem cem técnicos e engenheiros de segurança atuando na usina com 22 mil trabalhadores. Já Antonio Cardilli, gerente administrativo e financeiro do Consórcio Santo Antônio Civil, disse que o Programa Acreditar, de qualificação profissional, formou 32 mil trabalhadores no curso básico (saúde, segurança, meio ambiente e cidadania) e mais 9 mil no curso técnico. Ele reconheceu apenas duas mortes no canteiro - três são investigadas por auditores fiscais do trabalho - e alegou que a situação na usina é melhor que em outras obras do PAC, já que os óbitos aconteceram em 52 milhões de horas/homem trabalhadas. A média geral, segundo Cardilli, seria de um acidente fatal a cada 8 milhões de horas/homem trabalhadas. Além disso, disse que há 300 pessoas na área de segurança da obra.

19 horas de trabalho antes de falecer

O metrô de Fortaleza (Metrofor), outra obra do PAC, coleciona paralisações e adiamentos e tem quatro mortes por acidente de trabalho. A primeira aconteceu em 2007. No último acidente grave, em 8 de maio de 2010, dois operários morreram por falha na execução do escoramento de uma laje. Um dia antes, uma das vítimas, o servente João Ventura Martins, de 44 anos, saiu cedo de casa para o trabalho. Entrou às 7 h e deveria ter encerrado o expediente às 17h. Morreu às 2h15m do dia seguinte, após uma jornada de 19 horas, com intervalos apenas para almoço e jantar. Nos oito meses em que trabalhou no Metrofor, ele nunca chegou em casa na hora certa.

-"Didi (apelido de João) reclamava que trabalhava demais e que vivia cansado", contou a viúva, Maria Ribeiro Miranda, de 50 anos.
Passados dez meses, ela ainda não superou o trauma da perda.
- "Até hoje acho que ele está viajando e que vai voltar".
A trágica notícia que interrompeu 25 anos de relacionamento chegou por meio de dois colegas de trabalho.
- Quando perguntei por ele, um disse assim: "O Didi morreu. O corpo está no IML" - lembrou.

O consórcio responsável pela obra do metrô, formado pelas empresas Queiroz Galvão e Camargo Correia, não se pronunciou sobre o assunto.


A usina que explodiu

Esqueça a revolta das hidrelétricas no Rio Madeira. O verdadeiro drama das obras em Rondônia é o surto de mães solteiras, o aumento do uso de drogas, os hospitais lotados...

Quando o governo anunciou a construção das hidrelétricas do Rio Madeira, nos arredores de Porto Velho, capital de Rondônia, a cidade vibrou. Pelas ruas empoeiradas, dezenas de carros circulavam com adesivos azuis nos vidros estampando dizeres autoexplicativos: “Usinas já”. Os moradores da pouco abastada Porto Velho vislumbraram nas obras a possibilidade de novos empregos, geração de renda, crescimento econômico. “Os olhos das pessoas brilharam”, afirma Tania Garcia Santiago, promotora do Ministério Público estadual. E essa profecia se realizou. Os empreendimentos já atraíram para a região mais de 3.500 empresas. Com elas, a arrecadação de impostos da prefeitura saltou de R$ 340 mil para R$ 2,5 milhões – quase oito vezes mais – em apenas quatro anos. Neste momento, há 200 prédios sendo erguidos na capital. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) injetou R$ 1 bilhão em infraestrutura no Estado

Há duas semanas, porém, o país foi apresentado à outra face do impacto das obras em Rondônia. Uma rebelião em uma das obras, a de Jirau, aterrorizou o Estado. Um grupo de vândalos ateou fogo no canteiro de obras e arrasou boa parte da infraestrutura de construção. Segundo uma primeira versão, a desordem foi provocada pela revolta de trabalhadores com a falta de pagamento de horas extras e até castigos físicos. Outra hipótese investigada pelo Ministério Público é de disputa entre sindicatos. Em meio à confusão, parte dos 22 mil operários fugiu – andando às vezes mais de 30 quilômetros – para as cidades vizinhas. Na sexta-feira, o cenário era de pós-guerra. Sob os escombros, quase nenhum indício de que ali funcionava a maior obra do PAC. Tropas da Força Nacional de Segurança faziam vigília, e os operários voltaram para casa. “A população ficou assustada. Eles estão percebendo que as usinas não trazem só progresso”, diz Tania.

Embora grave, a questão trabalhista é apenas uma pequena fração dos problemas da região. Muitos já existiam, mas vêm se agravando desde 2008, data do início dos projetos. De lá para cá, cerca de 45 mil pessoas migraram para Porto Velho em busca de oportunidades. A população da cidade cresceu em pelo menos 30%. A violência explodiu. O trânsito ficou caótico (cerca de 1.500 carros são emplacados por mês). Os serviços da rede pública ficaram ainda mais saturados. A média de espera por uma internação é de 40 dias. Na recepção do principal pronto-socorro de Porto Velho há doentes deitados debaixo de macas porque não existe sequer chão livre. Na última semana, dois homens se esticavam ali sobre pedaços de papelão. Quem tem um pouco mais de dinheiro compra o próprio colchão. Em vários aspectos, a promessa do Eldorado trouxe mais miséria.

Não é que as obras fossem dispensáveis. Juntas, as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio vão gerar energia suficiente para abastecer cerca de 23 milhões de casas – é quase a metade do que Itaipu pode gerar. O Brasil precisa, e muito, dessa energia para sustentar seu crescimento (e diminuir o risco de apagões). Mas o sistema de precificação do setor elétrico brasileiro apressa essas construções. Com prazo apertado para gerar energia, os empreendedores precisam colocar as máquinas nos canteiros quanto antes. “Ainda estamos vivendo no modelo antigo, sem planejamento e intervenção antecipados às obras”, afirma Mario Monzoni, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). “É um problema sistêmico, crônico, que não se resume a esses empreendedores.” A solução seria chegar adiantado. Preparar os municípios para receber as grandes obras.

Não faltam críticos para dizer que a Amazônia não deveria abrigar obras desse porte. “O custo de oportunidades, se comparado com a energia produzida, é um absurdo”, diz Roland Widmer, coordenador do Programa Eco-Finanças da organização ambiental Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. “Essas usinas não fazem sentido econômico.” A conta, diz Widmer, tem de incluir os impactos para a floresta e para as populações locais

Em pouco mais de três anos, 45 mil pessoas migraram para Porto Velho. A violência saiu do controle

Marcada no passado pelos ciclos da borracha e do garimpo de ouro, a Rondônia futura será reflexo do ciclo econômico concebido pelas hidrelétricas do Madeira. Teremos uma geração inteira de filhos das usinas, convivendo com as inclemências e os lucros do progresso. As obras não deixam herdeiros só no sentido figurado. Elas geram também filhos de carne e osso. Está havendo, segundo profissionais da área de saúde, um aumento expressivo do número de mães solteiras. Especialmente jovens e adolescentes. Com o aquecimento econômico, as mães dessas garotas arrumaram emprego. Ótima notícia. Mas isso implica mais filhas longe dos olhos das mães, em uma vizinhança inflada de homens que chegaram para buscar trabalho. “As adolescentes estão mais vulneráveis”, afirma Ida Peréa, médica e diretora da maternidade municipal de Porto Velho. “O que está aumentando é a primeira gravidez. Não nos preparamos para esse crescimento gigantesco.”

Quando a maternidade foi inaugurada, em 2006, os partos de meninas de 10 a 19 anos representavam 28% do total. Uma taxa alta, diante dos Estados Unidos (6%), do Japão (1,3%) ou mesmo da média brasileira (23%). Depois de três anos de trabalho, muita campanha e conversa, esse índice chegou a 25% em março de 2010. Ida e a equipe comemoram. Um ano depois, no pico das obras com seus quase 40 mil homens, a estatística pulou para 33%. “É muita coisa. E a idade das meninas grávidas está caindo”, diz ela. A garota Jusivânia Oliveira dos Santos é uma das novas mães. Quando tinha 16 anos, engravidou de um garoto de Mato Grosso cuja família foi para Rondônia atrás de emprego na usina. O rapaz foi embora quando ela ainda estava com o bebê na barriga. Eles nunca mais se encontraram. “A gente se fala pela internet uma vez por mês”, diz Jusivânia. “No começo, eu ficava triste porque ele nem perguntava do filho. Agora me acostumei.”

A notícia do dinheiro farto chegou não só aos brasileiros de outros Estados. Tem chamado a atenção de estrangeiros. Há boatos de coiotes trazendo imigrantes da Bolívia, vizinha de Porto Velho. Os rumores de que Rondônia teria se transformado na capital das oportunidades alcançaram até o Haiti, devastado por um forte terremoto há pouco mais de um ano. No começo de março, 108 haitianos chegaram a Porto Velho para reerguer suas vidas. Jean Pierre Vivendieu, de 32 anos, é um deles. Tão logo ocorreu o tremor, ele traçou uma estratégia: juntar dinheiro para chegar ao Brasil. De avião, partiu para a República Dominicana, Panamá e depois Equador. Na América Latina, completou o trajeto de ônibus até o Peru, Acre, Brasília e, por fim, Rondônia. De um grupo de mais de 100, Vivendieu é um dos cinco que até a semana passada ainda não tinham emprego. “Quero trabalhar para ir buscar minha noiva”, diz.

ADAPTAÇÃO
Jusivânia Oliveira dos Santos, de 16 anos, e seu filho, Walace, em frente ao Rio Madeira. O pai da criança voltou para casa. Por natureza, a região de Porto Velho não é dos lugares mais seguros. A capital fica a pouco mais de 350 quilômetros da Bolívia. A cidade de Guajará-Mirim, a última em terras brasileiras, é um possível ponto de entrada de drogas no país. A estrada que liga ambas, a BR-364, abriga uma prisão federal de segurança máxima. Ali estão detidos Elias Maluco, mandante do assassinato do jornalista Tim Lopes, no Rio de Janeiro, e os envolvidos na invasão do Hotel Intercontinental em São Conrado, Zona Sul do Rio. Com baixo desenvolvimento socioeconômico, é um ambiente propício ao crime. Mais gente, num ambiente assim, fez a violência crescer. Os moradores reclamam de não mais poder sair de casa sem trancar as portas. O consumo de bebidas e drogas subiu. O número de homicídios em Porto Velho aumentou 44% entre 2008 e 2010. Os casos de estupro em Rondônia cresceram 76,5% no mesmo período. A quantidade de crianças e adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual foi 18% maior.

A vila de Jaci-Paraná, a caminho da hidrelétrica do Jirau, é um dos locais mais afetados. Antes do quebra-quebra de duas semanas atrás, os funcionários ocupavam as ruas esburacadas de Jaci em busca de algum lazer. Os botecos – muitas vezes fachadas para prostíbulos – agora estão esvaziados. “As p... estão de férias”, diz um taxista. “Em dia de pagamento, isso ferve. É brega (casa de prostituição) para todo lado.” Assim como os trabalhadores, as prostitutas chegam de vários lugares. Antes das obras, Jaci-Paraná tinha 4 mil moradores. Era uma cidadela tranquila, a maioria se conhecia pelo nome. Agora tem mais de 16 mil pessoas.

A pouco menos de 20 minutos dali, a realidade muda completamente. O lugarejo de Nova Mutum foi construído pela Energia Sustentável do Brasil (Enersus), consórcio responsável pela usina de Jirau, para receber os desalojados de uma localidade próxima que vai ser alagada pelo reservatório. É quase um Alphaville amazônico. Planejada, Nova Mutum tem imóveis de alvenaria, saneamento básico, água enca-nada. Lá, vivem funcionários da obra e 160 famílias que optaram por ganhar uma casa e um terreno para colocar a horta, em vez de indenização. Nova Mutum é a prova de que os impactos de uma obra gigantesca podem, sim, ser mitigados. O custo total, porém, ficaria maior – pelo menos no primeiro momento. No longo prazo, uma região desenvolvida pode produzir riqueza, em vez de espalhar miséria.

Ter lado a lado dois exemplos de cidade tão contrastantes é uma aula viva para futuras obras. “Melhorar as condições em Jaci-Paraná não daria o marketing necessário”, afirma Pedro Wagner Almeida Pereira Júnior, promotor do Ministério Público Estadual. “Então eles resolveram construir uma cidade nova.” A Enersus diz ter cumprido todas as medidas exigidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) antes de começar a hidrelétrica. “Fizemos uma série de investimentos em Jaci”, diz Victor Paranhos, presidente do consórcio. “E desde o início avisamos as autoridades sobre os problemas. Mas não cabe a nós acabar com as drogas e a prostituição.” (Procurado por ÉPOCA, o Ibama não se pronunciou.) As duas hidrelétricas vão alagar uma área próxima de 600 quilômetros quadrados. É menos de um terço do tamanho da cidade de São Paulo. Não é muito, comparado aos reservatórios de usinas construídas no passado (Tucuruí, inaugurada nos anos 80 no Pará, inundou quase 3.000 quilômetros quadrados). A redução dos reservatórios é possível graças à tecnologia de fio d’água, um avanço na engenharia. Mesmo assim, há problemas. Nas margens afetadas vivem cerca de 2.300 famílias. Estão ali há anos, próximas da floresta, de suas plantações e de igarapés. É um modo de vida singular – e difícil de ser reproduzido. Em muitas casas, o rio passava próximo ao quintal. O contato com o verde se dava em tempo integral. Há muitos relatos de moradores sobre a tristeza vinda com a mudança. Eles dizem que alguns idosos caíram em depressão. Uns foram embora. Outros morreram.

Para os pescadores, a obra representou uma dificuldade inédita. Segundo os ribeirinhos, o vaivém de barcos e a própria obra estão alterando os hábitos dos peixes. A pescadora Cecília de Lima, de 50 anos, vive com o marido, também pescador, em Jaci. Antes da chegada das máquinas, eles tiravam cerca de R$ 200 por pescaria. Na semana passada, o casal voltava para casa com um isopor minguado depois de pescar mais de 12 horas. “Pegamos uns R$ 50 e gastamos R$ 35 com combustível e gelo”, ela diz. “Antigamente era muito peixe. A gente mandava era peixe para fora daqui.” Eles terão em breve de deixar sua casa, avaliada pelo consórcio Santo Antônio Energia, responsável pela obra da usina Santo Antônio, em R$ 70 mil. A proposta da empresa, de acordo com Cecília, é dar uma moradia nova mais R$ 9 mil pelas benfeitorias do terreno, alguns pés de frutas que ela cultiva no quintal. “Esse povo veio acabar com a nossa paz, com a nossa vida”, afirma Cecília. As empresas dizem que, à medida do possível, tentam realocar essas famílias de pescadores mais próximo do rio.

ESCASSEZ
Antonio Chavier e Cecília de Lima, casal de pescadores da região. Eles culpam as obras pela falta de peixes. É difícil agradar a todos. O grande desafio das usinas, fora os prazos apertados para a geração de energia, é obter uma licença social para ocupar aquele espaço. As empresas têm uma quantidade enorme de projetos para minimizar os impactos socioambientais: para retirar famílias, construir vilas, melhorar serviços públicos, aumentar escolas, presídios, delegacias. Juntos, os consórcios Enersus e Santo An-tônio vão investir R$ 2,5 bilhões em medidas compensatórias – quase 10% do valor total dos empreendimentos. Quase tudo já está destinado, mas as obras começaram depois do início das hidrelétricas. “O problema foi a falta de preparação da cidade”, afirma o promotor Hildon de Lima Chaves, do Ministério Público Estadual.

A história das hidrelétricas no Brasil é pontuada por pelo menos três fases. A primeira é das grandes obras construídas pelos militares da ditadura, num período em que o governo federal queria levar desenvolvimento a qualquer custo para a Região Norte. A segunda é a era dos licenciamentos. A legislação obrigou as empresas a dar satisfações à sociedade e cumprir uma série de exigências. Agora é a vez das regras do mercado. Os investidores, principalmente os estrangeiros, voltam-se para suas carteiras com olhar crítico. Todo mundo procura fontes de energia limpa, e as hidrelétricas são uma das melhores opções, inclusive para fazer a vida dos moradores locais melhorar. “Vamos deixar para a região mão de obra qualificada, desenvolvimento. Se você visse Porto Velho antes, ia entender a transformação”, afirma Carlos Hugo Annes de Araújo, diretor de sustentabilidade da Santo Antônio Energia. Mas, para isso, é preciso haver preocupação com a pós-construção: com a defesa da floresta e das pessoas que já viviam lá. Num país tão necessitado de obras como as do Rio Madeira – e como a futura usina de Belo Monte, no Pará –, é essencial voltar os olhos para a região de Porto Velho. É essencial conversar com a pescadora Cecília de Lima, com a médica Ida Peréa, com a jovem mãe solteira Jusivânia dos Santos.


Obras, como Belo Monte, prejudicam 180 comunidades indígenas, diz Cimi

Cento e oitenta comunidades têm sido prejudicadas pelo impacto de 400 obras em andamento em terras indígenas, informou hoje (29) o secretário adjunto do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Saulo Feitosa.

Segundo ele, os povos indígenas não têm sido consultados previamente sobre a construção desses empreendimentos. “Há um desrespeito às comunidades, à Constituição e à Convenção 69 da OIT [Organização Internacional do Trabalho]”, afirma. A convenção, da qual o Brasil é signatário, prevê que o governo tenha a obrigação de conseguir o consentimento prévio, livre e informado dos povos indígenas, antes de tomar medidas que os afetem.

“São muitas as atividades que geram impactos para os povos, como a utilização dos recursos hídricos em terras indígenas, construção de rodovias, mineração e turismo, as comunidades sofrem os impactos e, na maioria das vezes, nem sabem a proposta e a abrangência dos empreendimentos”, disse Feitosa, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Recentemente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou que o governo brasileiro suspendesse o processo de licenciamento e construção da Usina de Belo Monte, no Pará, citando o potencial prejuízo da obra às comunidades tradicionais da Bacia do Rio Xingu.

Saulo Feitosa explica que a medida cautelar concedida pela OEA recomenda que o governo escute as comunidades. “É um absurdo que, para estabelecer um diálogo, seja necessária uma medida cautelar e uma intervenção de uma organização internacional. Isso não seria preciso se o governo estivesse disposto ao diálogo.”

Para discutir os impactos gerados por grandes obras, o Cimi realiza de hoje (29) até domingo (1º) o Encontro Nacional dos Povos Indígenas em Defesa da Terra e da Vida. O evento, que tem como tema Vida e Liberdade para os Povos Indígenas – Povos Indígenas Construindo o Bem Viver, será realizado no Centro de Formação Vicente Cañas, em Luziânia (GO).

Como parte do evento haverá, na tarde de hoje, uma audiência com a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, e a subprocuradora-geral da República da Câmara Criminal, Raquel Dogge, para discutir a atuação do Ministério Público Federal (MPF) na defesa dos territórios indígenas e no combate à criminalização de lideranças.

“Quando os povos enfrentam a questão dos empreendimentos na luta pela terra, eles sofrem um processo de criminalização. Tem índio sendo processado, outros já foramcondenados e presos”, afirmou Feitosa.


WWF Brasil: Mudanças climáticas podem inviabilizar Belo Monte

Belo Monte, um empreendimento hidrelétrico que consumirá mais de R$ 20 bilhões para sua construção, poderá, no mais drástico dos cenários de alterações climáticas, perder mais de 80% de sua receita anual até 2050, como resultado da diminuição da vazão do Rio Xingu. Isso é o que apontam dados preliminares de um estudo que está sendo desenvolvido pelo WWF-Brasil em parceria com o HSBC Climate Partnership. O estudo analisa a vulnerabilidade climática da produção de hidroeletricidade na região Norte do país com enfoque em alguns grandes empreendimentos como a hidrelétrica de Belo Monte.

- As prováveis mudanças na vazão do rio Xingu, provocadas pelas alterações climáticas, colocarão em risco a viabilidade de Belo Monte. A usina pode gerar muito menos energia do que o previsto e muito menos receitas do que o esperado, tornando-se um fracasso financeiro. Os altos custos sociais e ambientais, aliados aos riscos financeiros, deveriam levar o Governo Brasileiro a uma ampla reflexão sobre a viabilidade da obra - advertiu Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

O estudo, a ser lançado ainda este ano, considerou 4 cenários de emissões futuras estabelecidos pelo IPCC - A1, A2, B1 e B2 - cada qual descrevendo um futuro possível para a humanidade e a curva de emissões globais resultantes. A aplicação de modelos climáticos dentre os mais robustos existentes, como o HadCM3 do Hadley Centre (Reino Unido) ou o ECHam4 do Max-Planck-Institute für Meteorologie (Alemanha), aos quatro cenários permite identificar a possibilidade de uma diminuição significativa na vazão da bacia do rio Xingu até 2050.

Apesar de certa variabilidade nos resultados - alguns poucos mostram ganhos de receita que chegam a 4% até 2050, enquanto outros mostram uma queda bruta na receita chegando a quase 90% -, uma forte tendência é evidente: as perdas podem variar entre 4 e 10% da receita anual da usina até 2050.

De acordo com Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de Conservação do WWF-Brasil, as variações climáticas futuras não estão sendo incorporadas da forma devida ao planejamento energético e na análise de viabilidade de projetos hidrelétricos na Amazônia Brasileira.

- Tivemos duas secas muito severas na Amazônia em menos de 10 anos, em 2005 e 2010. Temos de tirar lições destes eventos climáticos extremos e, de uma vez por todas, inserir a variável climática no planejamento da expansão da produção de energia no país. Com isso, ficaria ainda mais clara a atratividade da eficiência energética e de outras energias renováveis não-convencionais, como a energia eólica, a solar e a de biomassa. Havendo investimentos, estas alternativas podem gerar energia suficiente para atender as necessidades de crescimento econômico do Brasil, minimizando os riscos climáticos dos empreendimentos hidrelétricos - concluiu Scaramuzza.

De acordo com Denise Hamú, Secretária-Geral do WWF Brasil, o governo tende a considerar os projetos hidrelétricos um a um, o que é ineficiente sob aspectos econômicos, sociais e ambientais.

- Para viabilizar a Usina de Belo Monte, os riscos da obra foram socializadas para atrair investidores. Os dados preliminares deste estudo indicam que os riscos financeiros podem ser ainda maiores do que aqueles originalmente previstos e isto torna evidente a necessidade de um olhar macro sobre o potencial, as vantagens e os riscos sociais e ambientais associados à expansão da produção de energia - conclui Hamú.








Mais de 250 pescadores protestam na beira do Rio Xingu contra Belo Monte

No dia 14/02/2011 os pescadores de Altamira e de municípios vizinhos, se juntaram em uma grande pesca comunitária como forma de protesto contra a Hidroelétrica de Belo Monte, o pescado foi consumido e doado a instituições beneficentes em frente ao prédio da Eletronorte. O objetivo foi marcar a importância histórica que o peixe tem e alertar a população para o fato de que se a Hidrelétrica for construída, o pescado, fonte principal de alimentação da população, irá sofrer grandes impactos.
Uma das falhas mais preocupantes no processo de licenciamento da Hidrelétrica de Belo Monte é a ausência de estudos no EIA ligados à manutenção da vida das populações atingidas pelo empreendimento. O EIA evita enfrentar e realidade como o direito a vida e induz o leitor a entender que os atingidos não sofrerão grandes impactos. De fato, não se utiliza o termo população atingida, mas os termos área de influência direta, área de influência indireta,‖destacando os impactos sobre o território e não sobre as pessoas que aí vivem e seus processos sócio-culturais e socioeconômicos. Não apresentar o problema, portanto, é uma forma de torná-lo invisível e assim confundir a população e a justiça, levando-os a concluir que não há direitos violados.

O objetivo de dizer que não haverá impactos para diversas categorias sociais, presentes nessas áreas que serão atingidas, é esconder os custos reais divulgando para a sociedade, que a energia de Belo Monte é barata e “limpa“, o que não é verdade.

Grandes impactos transformarão de uma forma irreversível a vida de pescadores, ribeirinhos, indígenas e agricultores familiares, que enfrentarão a falta de água, de peixes e de todos os outros recursos subtraídos pelo desvio do curso do rio na região denominada Volta Grande. Comprometer com tal intensidade as formas de vida dessa população, suja essa matriz energética atualmente vendida como “energia limpa”. Assim as hidrelétricas, sobretudo na Amazônia, produzem a energia do conflito e da degradação social, são energias limpas só se não forem considerados os aspectos socioambientais.






Decisão sobre Jirau deve causar até 6 mil demissões 

Governo quer reduzir ritmo e critica contratações “além do adequado”. Obra pode parar, diz sindicato

Governo, empresários e trabalhadores, reunidos ontem no Palácio do Planalto, decidiram negociar a redução do ritmo das obras na hidrelétrica de Jirau (RO), admitiram que este freio acarretará em demissões no canteiro da usina e acertaram critérios para desligamentos. Deverão ser preservados operários que moram no estado e pagos os direitos trabalhistas àqueles que forem dispensados, ou seja, não haverá demissão por justa causa.

Embora a Camargo Corrêa, empreiteira responsável pela obra, tenha informado que ainda está concluindo o levantamento sobre o número de demissões, a estimativa dos representantes dos trabalhadores é que haja dispensa de quatro a seis mil operários por causa da mudança do prazo final da construção, que voltaria a ser em 2013 e não mais 2012.

Antes da rebelião que resultou em paralisação do empreendimento, em março, Jirau trabalhava em ritmo acelerado para antecipar a construção, e tinha 22 mil operários. Quatro mil foram mandados de volta aos seu estados de origem.

O temor pelas demissões ganha força com o plano de reconstrução apresentado pela Camargo Corrêa à Superintendência Regional do Trabalho de Rondônia. A capacidade de alojamento de pessoal cai de 19 mil para pouco mais de 10 mil. Há cerca de 4 mil alojados nas cidades próximas, como Nova Mutum, Jaci-Paraná e Porto Velho. Portanto, o quadro seria reduzido para cerca de 14 mil.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de Rondônia, Altair Donizete, há vários rumores de demissão em massa no canteiro de Jirau. Na negociação do dissídio coletivo, a empresa ofereceu 8% de reajuste mais cesta básica de R$160 (é de R$110, e os trabalhadores reivindicam R$350). Os operários querem aumento de 30%.

- Amanhã, vamos ao canteiro informar a proposta. Há chance grande de os trabalhadores pararem a obra de novo.

Esta semana, a Justiça trabalhista de Rondônia derrubou a liminar que garantia o emprego dos operários que voltaram para suas casas. A empresa fica liberada para demitir quem quiser, desde que traga o trabalhador de volta e faça a demissão acompanhada pelo sindicato e Ministério do Trabalho.

Na avaliação do governo, a contratação desenfreada de funcionários piorou as condições de trabalho e gerou os problemas. O ministro da Secretaria-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que coordenou o encontro no Planalto, considerou dispensas inevitáveis.

Demissões são naturais e a Camargo Corrêa sabia que contratou mais gente do que o adequado – disse Carvalho.
- Acertamos que todas essas possíveis demissões sejam feitas através de acordos com os sindicatos, para que tenhamos controle desse processo – reforçou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

Embora os sindicatos reconheçam que há trabalhadores que desejam voltar para seus estados, querem impedir uma dispensa em massa. Também entregaram à Camargo Corrêa um documento pedindo que não haja retaliações aos operários que participaram do confronto.

- A região já está explosiva. Imagine se houver muita demissão – afirmou Manoel Messias Melo, secretário nacional de Relações de Trabalho da CUT.

Redução do ritmo também na Usina de Santo Antônio
Segundo Lupi, a redução do ritmo das obras pode ser estendida à usina de Santo Antônio, também em construção no Rio Madeira e com 16 mil trabalhadores.

- Muitas das obras, em Jirau e Santo Antônio, vão diminuir o ritmo até por solicitação dos sindicatos e do próprio governo. É um contingente muito exagerado de trabalhador que fica sem controle. Os empresários querem antecipar, mas queremos que seja cumprido o cronograma estabelecido.


Jirau não pode demitir, diz Justiça

A Justiça do Trabalho de Rondônia proibiu que o consórcio construtor da hidrelétrica de Jirau e a Camargo Corrêa demitam trabalhadores que voltaram a seus Estados de origem após as revoltas que, em março, destruíram o canteiro de obras.

A decisão liminar determina que seja garantido o emprego de quem quiser continuar trabalhando na obra.

Antes da revolta, havia cerca de 20 mil trabalhadores na obra. Voltaram a seus Estados 6.000 deles. Segundo o sindicato da categoria, a Camargo Corrêa pretendia demitir cerca de 4.000.

A garantia de manutenção do emprego já havia sido determinada em março, mas foi suspensa no mês passado a pedido do Ministério Público do Trabalho, após acordo entre construtora e sindicato.

O juiz Afrânio Gonçalves, da 3ª Vara, decidiu na segunda-feira dar 48 horas para as empresas se manifestarem, mas o Ministério Público recorreu à Segunda Instância _e foi atendido na terça pela juíza Arlene Regina Ramos.

A Camargo Corrêa não informou se vai recorrer e não quis comentar a decisão.

O sindicato disse que uma assembleia de trabalhadores aprovou ontem, "por unanimidade", o acordo com a empreiteira presenciada só por quem está em Rondônia.


E a Norte Energia quer afastar até o Procurador do MPF que mantém um blog independente:
O procurador também aponta “o peculiar fato do ente privado Norte Energia S.A acusar tamanho ressentimento pela crítica a atos governamentais que lhe beneficiam. É até compreensível, ressalte-se, tamanho cuidado com a imagem governamental por parte da Norte Energia S.A, dado o custo da obra (R$ 25 bilhões por enquanto), a intensa participação, direta e indireta do Estado no financiamento da obra e na própria composição societária da empresa, subvertido que foi o projeto original de Belo Monte, antes investimento da iniciativa privada, agora um híbrido não previsto na legislação”.

Contra a internet – Para o procurador, ao reclamar do conteúdo do blog, do fato de ele permitir comentários e da existência de um link para o site do MPF do Pará, a Norte Energia parece estar se insurgindo “contra a natureza mesma da internet, veículo de comunicação que inaugurou a era do diálogo entre emissores e receptores de informação, revolucionando a comunicação humana”.



O caso de Mauá (Paraná), que ainda não está recebendo a atenção da mídia:

Hidrelétrica de Mauá desmatará quarta maior faixa contínua de floresta nativa do Paraná

Mil homens trabalham para derrubar a floresta nativa que dará lugar ao reservatório da nova hidrelétrica do Paraná, no Rio Tibagi.

A quarta maior faixa contínua de floresta nativa do Paraná está caindo por terra, desta vez com autorização oficial. Menor em extensão apenas se comparada aos trechos da Serra do Mar, ao Parque Nacional do Iguaçu e à reserva indígena de Mangueirinha, a mancha verde que margeia o Rio Tibagi está sendo derrubada para dar lugar ao reservatório da usina hidrelétrica de Mauá, entre Telêmaco Borba e Ortigueira. Mil pessoas trabalham, desde janeiro, na retirada de araucárias, perobas e canelas centenárias. As árvores estão sendo cortadas com a justificativa de que apodreceriam, prejudicando a qualidade da vida do reservatório.

O Instituto Ambiental do Paraná informa que nem toda a floresta será derrubada, porque os trechos de mata que ficam em áreas muito íngremes (e representam 30% da área) serão mantidos. A última estimativa, de março, aponta que foram retirados 632 (21%) dos 3 mil hectares que devem ser derrubados.

A reportagem esteve em um dos postos de armazenagem das madeiras cortadas. Cada tora foi marcada com um número, numa espécie de inventário. Aroeiras, pinheiros e cedros-rosa com mais de um metro de diâmetro estão empilhados. Também foram recolhidos muitos galhos finos, que devem ser usados para queimar em caldeiras ou fazer carvão. Ao final do desmate, a madeira cortada deve ser leiloada. A renda vai para o caixa do consórcio Cruzeiro do Sul, sociedade da Copel e da Eletrosul responsável pela construção da usina.

Líder em desmate
Em muitos pontos às margens do rio, a paisagem é de terra nua. Algumas máquinas tentam conter a erosão, para que o solo revolvido não assoreie o rio. O corte acontece simultaneamente em vários pontos das margens do Tibagi. Em alguns locais onde a derrubada aconteceu no início do ano, novas árvores surgiram vigorosas, formando capões que podem ser retirados antes da formação do reservatório, previsto para começar em agosto.

Três empresas trabalham na área, ao preço médio de R$ 13,5 mil por hectare limpo. Só um dos oito lotes de derrubada ainda não foi iniciado. Ao total, R$ 39 milhões devem ser gastos nesse serviço. Trabalhadores acostumados a cortar árvores plantadas numa área de manejo de pinus e eucalipto no estado foram contratados para o desmate. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Florestais de Telêmaco Borba, João Ernesto Ribeiro, conta que muitos lamentam a queda das enormes toras nativas. O trabalho é feito basicamente com motosserra.

A derrubada da floresta é inevitável diante da decisão governamental de investir na geração de energia pela matriz hidrelétrica, usando o maior rio ainda não represado do Paraná, o Tibagi. Mas o fim do quarto maior trecho contínuo de mata nativa do estado, por si só, deve garantir ao Paraná a liderança nacional em desmatamento de remanescente florestal no próximo Atlas de Monitoramento da Mata Atlântica. No último levantamento, divulgado em maio de 2010, o estado figurou na segunda posição nacional, com a derrubada, em dois anos, de 2,7 mil hectares – menos do que está sendo derrubado agora nas margens do Rio Tibagi.

Reservatório alagará área de megabiodiversidade:






Mais informação:
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Hidrelétricas brasileiras
Hidrelétrica de Belo Monte
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